Amor De Irmão

3 O Anúncio Desastroso


Notas iniciais
Olá pessoinhas!
Desculpem a demora, mas... as ideias sumiram da minha cabeça.

Ah, minha vida está muito, muito boa, amigos e amigas.

Explico: nestes últimos dois meses, meu pai deixou de pegar no meu pé, tudo o que eu tenho pedido ele tem me deixado fazer... tudo isso porque ele está bobo com essa Marisa. Sem o bobão do Spencer na casa fica melhor ainda.

Minha vida nessas últimas semanas se resumem a uma palavra: balada.

Beijei muito, dancei muito... bebi mais ou menos. Como eu disse, não vejo graça em bebidas alcoólicas.

Papai tem me mimado muito, comprando para mim roupas, sapatos, bolsas...

Minha vida está maravilhosa. Nossa equipe de torcida está super-bem, como sempre sou líder e admirada, todos os garotos caem aos meus pés... Carly Shay está com tudo.

Ah, outra boa novidade: Papai não vai mais ficar grandes períodos fora de casa. Ele conseguiu ser transferido para fazer uma função mais burocrática e vai ficar comigo. Isso é bom, antes eu ficava meses sem vê-lo.

Hoje é quinta-feira, não tenho nada para fazer.

Por isso, estou neste momento simplesmente assistindo à TV, a uma reprise de Glee... eu sei, meio patético, mas vou fazer o quê? Não tem nada mais passando...

A porta é aberta, e vejo meu pai entrando. Ele veio mais cedo hoje, costumeiramente ele chegava mais tarde... bem, tanto melhor.

Eu me levanto para abraçá-lo.

- Oi, Papi...

- Oi, meu anjo...

Ele está com um pacote nas mãos... seria um presente pra mim?

- O que é isso, pai?

Papai me entrega o pacote, que eu abro. É um lindo vestido de alça rosa.

- Nossa, que lindo...

- É para o jantar de amanhã, querida. Quero apresentá-la à minha namorada e ao filho dela, eles virão para jantar conosco amanhã.

Nossa... o babado é sério... nunca vi meu pai trazer uma namorada para jantar aqui em casa. Ele deve estar gostando dessa mulher... mas, pensando bem, o que importa? Dificilmente isso ficaria mais sério, correto? Digo, quais as chances do meu pai cometer o mesmo erro duas vezes? Tipo, se casar? Já levou chifre de uma, será que ele se arriscaria a levar de outra?

- Oh... e essa... Marisa, tem um filho?

- Sim, e trate-o bem. É um bom rapaz, o nome dele é Freduardo, tem mais ou menos a sua idade.

- Freduardo? Ô nome horrível!

- Chame-o de Freddie. E, novamente, trate-o bem.

Freduardo... ai, ai... deve ser um baita dum nerd, de óculos fundo de garrafa, aparelho nos dentes e sardas nas bochechas... e seria possível um ser desses virar meu irmão? Não, não, não...

Calma, Carly.

Não há motivo para pânico... quais as chances de isso dar em casamento?

Invocando meu mantra da tranquilidade, eu subo até meu quarto, onde pretendo ficar até a hora do jantar. Devo ter umas duzentas pessoas online para bater papo até o janta...

Dia seguinte...

O vestido ficou ótimo em mim, combinou perfeitamente com uma sandália que eu já tinha.

Mas, também, isso não é nenhuma novidade... o que não fica bom em mim?

Dentro de meia hora Papai trará essa Marisa e o tal Freddie para jantarem conosco. Como serão essas pessoas estranhas? É nisso que tenho pensado o dia inteiro, mal consegui ensaiar com as meninas da torcida...

O Papai até pediu pra Josefa, nossa empregada, fazer uma refeição especial hoje. Josie, como eu a chamo, preparou um pato com laranja cujo aroma está delicioso... pelo menos a comida será ótima.

Ouço a porta se abrindo e pessoas conversando. Eles devem ter chegado.

Bom, não quero dar uma de mal-educada. Vou descer e me apresentar aos dois convidados.

Discretamente, desço as escadas que dão na nossa sala.

Fito por um instante o ambiente, todos estão lá... meu pai, uma mulher com cabelos acajo e cara de louca e um carinha... até que bonito. Mas com uma camisa de botão xadrez que não gostei muito...

- Ah, eis minha filha, Carly.

- Boa noite!

A mulher com cara de louca me olha de cima a baixo, e eu sinto que ela reprovou meu vestido, provavelmente achando ele curto demais. Já começamos bem!

- Boa noite, querida. — ela diz, com um sorriso mais falso do que uma nota de três dólares.

- E aí? — diz pouco animado o tal Freddie. Ele parece tão desconfortável quanto eu aqui.

A noite será longa...

x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x

Eu me encosto no sofá, cruzando os braços. Não queria estar aqui, meus amigos tinham me chamado para assistir a estreia de Prometheus, mas fui obrigado pela minha mãe a vir na casa do Sargento Tainha pra jantar.

E agora vejo uma personagem de 90210 descendo as escadas... uma morena de cabelos compridos e lisos, com um vestido curtinho. Tem belas pernas, eu admito... mas não passa de uma casca sem valor.

Já vi notícias na internet sobre ela. Tem até um grupo no Face chamado “Odeio Carly Shay”... imagino que seja uma daquelas metidas que se acham mais do que os outros.

A gente se cumprimenta e um clima estranho se instala na sala.

- Bom, vamos comer? — diz o Steven. A tal Carly e eu ficamos nos encarando com caras de poucos amigos. Ambos estamos desconfortáveis aqui, somos de universos diferentes, apesar de sermos os dois populares, pelo que pude notar.

Sentamo-nos à mesa, e basicamente apenas os adultos conversam, vira e mexe perguntando alguma coisa para nós dois, tentando nos fazer conversar. Isso está estranho, é muito esforço para um simples jantar...

Depois que terminamos, Steven e minha mãe falaram para que eu e Carly os deixássemos para limpar a mesa e conversássemos.

Estamos na sala, sentados e assistindo à TV. Vou tentar puxar papo.

- Bom... você é da Ridgeway, né?

- Sim. Integrante das HeavenCats, a melhor equipe de animadoras de torcida de Seattle.

Nossa, ela é muito nojenta mesmo...

- Eu venci um carinha lá da sua escola no xadrez. O nome dele era... Bradley, Brad, algo assim.

- Ah, o nerd do Brad. Nossa, que legal... — ela vira o rosto para a TV, nossa conversa não está fluindo. Melhor parar.

Assistimos TV por mais alguns minutos — está passando aquele reality bizarro onde sub-celebridades ficam debaixo d’água pelo tempo que conseguem segurar a respiração — e, depois de presenciarmos a octo-mãe quase deixar seus octo-filhos órfãos, o silêncio é quebrado por Carly.

- Você... acha que esse namoro dos nossos pais é sério?

- Não... minha mãe já teve outros namorados... até um com uma verruga nojenta. Não vai rolar.

- Isso é bom, não sei se quero ter uma mulher aqui para mandar em mim.

- Nisso concordamos. Eu também não quero um pai militar pra me encher o saco.

- Então estamos de acordo. Basta esperarmos pelo fim, certo? E tocamos nossas vidas.

- Claro.

Mais alguns momentos de silêncio, quebrado pela entrada abrupta de nossos pais, que estão de braços dados. Eu diria até que eles formam um belo casal, mas interesses maiores estão em jogo, né? Estou tocando muito bem minha vida sem um pai e uma irmã patricinha.

Minha mãe limpa a garganta, parecendo querer falar algo.

- Rã-rã... Freddie, querido... Carly... Steven e eu temos algo importante para falar.

Isso não me cheira bem! Olho para Carly e seus olhos negros estão arregalados, como os meus próprios.

- Decididamente, nós encontramos um no outro o conforto que almejávamos há muito tempo. Bem como um amor profundo e verdadeiro, que é amplamente compartilhado por ambos, não é, Steven?

- Certamente, Marisa.

Oh, não...

- E, como duas almas gêmeas, nada mais justo do que ficarmos juntos...

Oh, não...

- E é por isso que decidimos que nos casaremos no mês que vem!

Oh, céus... estou fodido.