Amor De Irmão
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Continuando a fic!
- Alô... — responde uma voz sonolenta do outro lado da linha.
- Oi, mano...
Já passa da uma da manhã, mas estou tão angustiada que preciso conversar com alguém próximo para desabafar; afinal, essa bomba que meu pai jogou sobre a minha cabeça foi demais para eu aguentar...
- Que foi, pequena... cê interrompeu meu sonho com a Rihanna e a Katy Perry...
- E o que essas duas faziam no seu sonho? — Antes que você pergunte, é claro que eu sei o que elas faziam no sonho do meu irmão panaca. Só quero tirar com a cara dele.
- Er... esquece. O que foi?
- O Papai ficou louco, quer se casar com aquela Marisa...
- Ah, é só isso? Ele só contou hoje pra você?
- E contou antes pra você? Por quê? E por que você não me contou?
- Isso você vê com ele, mana. Mas posso te adiantar que foi porque ele sabe que você é geniosa e que não engoliria fácil essa notícia...
GRRRR!!! Odeio ser a última a saber da coisas!
- Mas... mas... Spencer, o Papai já tem 55 anos! Gente dessa idade não devia se casar de novo! Ainda mais depois que a Mãe... você sabe, chifrou ele.
- Baixinha, você sabe muito bem que o Paizão é um homem adulto e tem todo o direito de fazer o que quiser... e chega. Tenho turnê iniciando e preciso ir puxar um ronco, ou vou estar acabadão nos shows. Conversa com ele depois e me diz depois se o bicho pegou...
- Tá... tchau...
- Beijos, te cuida.
Desligo o abajur, me deito na cama e, após me cobrir com o edredom, fico com os olhos abertos, fitando o nada, apenas pensando. Eu preciso me acalmar, numa coisa Spence tem toda a razão: meu pai é adulto, e não vou ser eu quem vai fazê-lo mudar de ideia.
Talvez eu deva tentar me ambientar com essa nova situação, quem sabe não seja tão ruim assim; por mais que digam que a primeira impressão é a que fica, no meu pouco tempo de vida já sei que não é bem assim... vai ver, a mulher não é superprotetora, não é chata... aquele moleque não é tão insuportável, pode ser um bom irmão... vai saber.
Mesmo assim, dormir é difícil: já virei de lado, de bruços, de frente... a incerteza sobre o futuro não me deixa dormir.
E o pior é que amanhã (na verdade, hoje) cedo tenho treino da equipe... ai, ai....
Horas depois
Depois do treino exaustivo, eu me sentei no banco do vestiário, apoiei minha cabeça nas minhas mãos. Estou acabada...
- Carly?
Minha amiga Carol chega perto de mim, querendo puxar papo. Não sei se estou muito a fim, por mim, eu deitava neste banco de madeira duro mesmo e dormia até amanhã.
- Oi, Carol...
- Nossa, cara, você parece zoada total.
- E estou mesmo...
- O que houve, amiga? — ela me perguntou, colocando a mão sobre meu ombro. Gosto muito da Carol, ela realmente se preocupa comigo, então, vamos unir o útil ao agradável. Vou aproveitar para desabafar.
- Ah, o bobo do meu pai... resolveu se casar com uma bruaca... e, pensando nisso a noite toda, mal consegui dormir.
- Mas ela já demonstrou ser uma bruxa mesmo? Fez alguma coisa pra você?
- Uahhhh... — eu bocejo meio sem querer, procurando tampar minha boca com minha mão esquerda – Na verdade, não... mas não fui com a cara dela.
- Amiga... — ela me diz, colocando seus braços em minha volta, de forma carinhosa – Dê um tempo, seu pai tem o direito de conhecer outras mulheres.
Segunda vez que ouço isso...
- Talvez você tenha razão...
Sempre é bom conversar com uma amiga fiel. Eu agradeço e me arrumo para voltar para casa, preciso muito dormir um pouco; além do mais, Papai quer que eu esteja pronta para sair lá pelas 7 da noite.
Diz ele que é importante...
À noite, depois da 'soneca'
OK, agora estou descansada e pronta pro que der e vier; estou pronta pra sair, vestida de forma simples com uma camiseta branca soltinha e calça jeans. Papai vem em minha direção, querendo falar algo.
- Querida, como você está linda...
- Obrigadinha, papis.
Ele coloca as mãos sobre meus ombros, olhando em meus olhos.
- Hoje, nós dois vamos com a Marisa e o Freddie para uma loja de roupas, OK? Vamos escolher o seu vestido e o traje do Freddie, e também as nossas roupas, minha e da sua futura madrasta.
Oh, lindo...
- Ai, pai...
- Vamos lá, é importante para mim.
- Tá...
Vamos de carro até uma loja de roupas no lado noroeste da cidade. Lá, encontramos minha ‘mãe’ e o meu novo ‘irmão’.
Nós nos cumprimentamos friamente, e entramos na loja, uma que parece ser especializada em trajes para casamentos. Marisa e eu vamos à seção feminina, o tal Freddie e Papai vão à seção masculina.
- Querida, fico tão feliz por estarmos aqui, escolhendo nossas roupas para meu casamento com o seu pai.
- Pois é, Marisa... pura alegria.
- Por favor, querida... me chame de Mamãe.
Argh!
- OK, 'Mamãe'. — eu respondo com uma pitada de sarcasmo.
Não começamos bem, com toda a certeza. Oh, céus... ainda bem que mais um pouco e eu caio fora, para ir estudar em uma universidade; a partir daí, com certeza nos veremos apenas esporadicamente, em datas festivas e coisas do tipo.
Rapidamente nos separamos, ela foi para o setor de noivas e eu ao de 'afins': madrinhas, pajens, etc; uma simpática vendedora vai me mostrando alguns vestidos, e particularmente um me chama a atenção.
- Vou experimentar este!
A vendedora me traz o vestido, que experimento, caindo perfeitamente com meu corpo. Não é muito sensual, não é careta, eu gostei muito.
- Ai, acho que é este...
- Realmente é lindo. — a vendedora me afirma isso, certamente com vontade de fazer uma venda legal.
Bem, acho de bom tom buscar a aprovação da Marisa.
Descalça mesmo vou até a sessão de noivas, onde a vejo experimentando um belo vestido de noiva, sóbrio na medida certa. Meu pai vai gostar.
- Marisa, o que achou do meu vestido?
A coroa arregala seus olhos e coloca a mão sobre a boca; isso não é bom sinal, pela minha experiência com adultos...
- Oh, Deus! Você não pode usar esta indecência no meu casamento!
- Marisa, que indecência? Este vestido é bem comportado... só mostra um pouco das pernas...
- Ah, não, não! Espere aí, que vou tirar este vestido e juntas vamos escolher um apropriado para você.
Ow, esta mulher já está me dando nos nervos...
Depois que ela está satisfeita com seu próprio vestido, a louca vem comigo até a seção das madrinhas. Ela fuça, fuça, fuça em uma arara, até tirar um vestido que não tem nada a ver comigo... que me cobre quase até os tornozelos.
- Mas, Marisa, por favor, eu não gostei desse vestido...
- Sem 'mas', garotinha. Será este lindo vestido que você usará na cerimônia.
Calma, Carly... talvez melhore mais pra frente... sigh...
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Peguei uma camisa branca e um terno azul marinho para usar na cerimônia. Convenhamos, não preciso parecer muito descolado, e achei a roupa bem bonita, óbvio que ainda devo passar sob o crivo da minha mãe...
Vejo meu novo 'Pai' se olhando no espelho, enquanto arruma a lapela da camisa, que passa pelos últimos ajustes do alfaiate da loja. Eu o vi sem camisa, o homem é forte, viu... será que ele será daqueles chefes de família durões, que gostam de ter tudo sob seu jugo?
- Freddie, meu caro, que bela roupa você escolheu.
- Obrigado. A sua também é ótima.
Ele me dá um puta tapa no ombro, que quase me faz bater com a cara no espelho!
- Hah! Vejo que você é um rapaz muito forte, creio que iremos nos divertir jogando futebol, diferente do que fiz com o Spencer, que sempre foi um fracote, desde que nasceu...
Bom, esportes não são muito a minha praia...
- Faremos exercícios durante as manhãs de sábados e domingos, poderemos nadar no camping que nós do exército temos direito de usar... será ótimo!
Ai, ai... vida de soldado pela frente...
- Poderemos ter conversas de homens, meu rapaz. Quem sabe, poderei lhe dar dicas sobre como tratar as mulheres apropriadamente...
Sabe aquela situação, que você fica sem graça quando uma pessoa se mostra toda empolgada para fazer algo que você não está a fim? Tô nela.
Bom, talvez não seja tão ruim... vamos ver, Freddie...
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