Notas iniciais
Desculpem pela demora.

O casamento de Steven e Marissa, agora chamada Benson-Shay, passou.

Carly e Freddie foram obrigados a morar sob o mesmo teto, e, para ambos adolescentes, as vidas pioraram muito.

A morena vivia às turras com a madrasta, que exigia da garota comportamento e vestimentas mais adequados; o pior para Carly era que seu pai dava total apoio à esposa; resultado: Carly passou a usar vestidos um tanto quanto antiquados, principalmente para uma garota descolada como ela é. Ademais, a nova 'mãe' fazia questão de levá-la todos os dias à escola, envergonhando Carly perante suas amigas.

Para Freddie a vida também não estava fácil; Steven o fazia se exercitar regularmente, tirando-o da frente do computador... também fora obrigado a se mudar de escola, agora frequentando a Ridgeway, onde Carly estudava. Ou seja, todos os seus amigos ficaram em outro lugar e agora o moreno é obrigado a se adaptar a uma nova realidade, tendo de conquistar novas amizades em uma escola onde ele é um estranho. E isso faltando dois anos para se formar.

Quanto aos novos irmãos, podia-se dizer que os adolescentes não se davam.

Eram muito diferentes um do outro, e a todo momento, sempre que podiam, cutucavam-se.

É começo da noite de sábado.

Carly está se preparando para ir a uma festa. Depois de tomar banho, escolhe uma blusa vermelha com alguns adornos e uma calça jeans escuras, completando com botas pretas. Sua barriga fica ligeiramente à mostra. Coloca uma maquiagem onde se destaca o batom vermelho e se olha no espelho. Seus cabelos estavam levemente ondulados.

Satisfeita com o resultado final, sai de seu quarto, dando de frente com sua madrasta.

- Aonde a senhorita pensa que vai com essas roupas inadequadas?

- À festa do Doug, ué! Eu já tinha avisado. — a bela adolescente se põe à frente da madrasta.

Marisa a fita com reprovação.

- Não nestas vestimentas. Pode ir se trocar.

- Eu não vou me trocar, não! Paiê!

Steven estava sentado no sofá, assistindo a uma partida de futebol americano.

- Faça o que a sua mãe está dizendo, ou não vai a essa festa.

- Argh! Que droga!

Pisando pesado e bufando, a garota sai pelo corredor, dando as costas à sala, onde ficam seus pais. No caminho, tinha de passar pelo quarto de Freddie, o antigo de Spencer. A porta está fechada e é possível ouvir sons de video-game.

Carly para e pensa. Uma ideia lhe vem à cabeça.

Ela bate na porta.

- Quem é?

- Eu. Posso entrar?

- Vem...

A morena abre a porta e vê que Freddie estava sentado no chão do quarto, um pacote de salgadinhos ao seu lado (se fosse Marisa, ele o esconderia, sua mãe detesta que ele coma porcarias). Ele mal tira os olhos da TV Led enquanto fala com a 'irmã'.

- Freduardo.

- Por que não me chama de Freddie como todo mundo?

- Freduardo, você não quer ir a uma festa hoje?

Freddie pausa o jogo e olha para ela.

- Você? Querendo que eu vá a uma festa da sua turma descolada?

Carly se senta na cama e cruza as pernas.

- Sim. Mas não é porque quero sua presença, preciso de um favor seu pra dobrar a sua mãe.

- Continue. — ele pergunta, começando a se interessar.

- Ela não quer que eu vá com esta roupa, vê se pode. Então, quero fazer o seguinte: eu me troco pra alguma coisa careta, coloca estas roupas em uma sacola, a gente diz pra eles que é o presente do aniversariante e depois eu me troco e fico bonitona de novo.

- Tá, e o que eu ganho com isso?

- Ora, você vai pra uma festa da hora... vai sair um pouco desse marasmo que você vive.

- Eu não quero ir a essa festa. Você vai ter de melhorar essa proposta.

Carly fecha os olhos e procura conter sua irritação. Respira fundo e solta as palavras.

- Tá. Eu lavo a louça por duas semanas no seu lugar. E procuro entreter meu pai durante a próxima semana, pra ele não te levar pra fazer exercícios.

Freddie matuta um pouco.

- Está bem. Vou me trocar rápido, passa aqui depois.

Resoluta, a morena vai ao seu quarto, e troca suas roupas por algo bem mais conservador. Uma camiseta rosa bastante longa da Hello Kitty. Manteve as botas e a calça. Põe a blusinha mais ousada em uma sacola de uma loja de marca e sai do quarto.

Carly bate na porta de Freddie, que logo depois abre a porta. Ele usava uma camiseta lisa azul marinho, sendo levemente agarrada ao seu corpo, e calças jeans apertadas.

Estava em boa forma, e Carly percebeu isso, ainda que não tenha se aprofundado nessa percepção.

- Er... então vamos.

Os dois irmãos foram até a sala, onde Carly se põe à frente de Marisa.

- Então, 'mãe'... está bom assim?

- Ah, agora sim. Está devidamente trajada. Eu não sabia que o Freddie também ia...

- Oh, sim... ele até comprou um presente pro Doug, veja... — Carly apontou a sacola onde estava sua blusinha. — Eu também não sabia, fiquei sabendo por uma coincidência, quando vi Freddie se arrumando pra ir nessa festa. Não é bom? Ele pode me dar uma carona...

- Parece bom para mim. — afirma Steven, ainda prestando atenção à TV. — Freddie, meu garoto, cuide bem da sua irmã.

- Está bem...

- Meia noite aqui, hein!

Os dois adolescentes concordam e saem pela porta, indo até o estacionamento. Uma vez dentro do carro de Freddie, Carly se senta no banco de trás.

- Não olha pra mim, eu vou me trocar.

Freddie se pergunta por que a morena havia resolvido se trocar na presença dele. Em um instante, resignou-se e fechou os olhos.

- Pronto, pode olhar. — Carly saiu do carro e deu uma volta para que seu irmão a visse (ela nem sabe direito por que fez isso) – Gostou?

Freddie a olhou, sim, em detalhes, reparando principalmente na barriga da garota, parcialmente à mostra. Sua pele clara contrasta com o tom escuro do vermelho da blusinha,.

O adolescente engole em seco.

- Sim, está ótimo, vamos, entre, vamos logo.

Ela se senta rudemente e bate a porta, irritada.

- Ah, vai, garoto... pra que a pressa?

Freddie nada respondeu; apenas ligou o carro e partiu em direção ao endereço dado pela morena anteriormente.

Chegando na festa, cada um foi para um lado. Carly foi ver suas amigas e estudar o ambiente, Freddie foi procurar o que fazer com alguns caras que ele conhecia. Entretanto, nenhum dos dois perdeu do seu 'radar' o outro.

Freddie, apesar de ser um nerd, não tinha nada de bobo. Percebera desde a entrada que uma loira não tirava os olhos dele.

Chegou de mansinho nela, jogou uma conversa fiada e em breve começou a beijá-la. Carly, à distância, observava Freddie beijando aquela, segundo seu julgamento, 'vagabunda', e, estranhamente, sentia uma reviravolta em seu estômago. Talvez estivesse passando mal por ter comido um salgadinho que não estava bem preparado.

Não se deu de rogada: percebeu que um belo rapaz negro a fitava, e, com um sorriso, convidou-o a se aproximar.

Papo vai, papo vem, e logo estavam os dois se beijando em um canto da festa.

Entretidos, os dois irmãos acabam esquecendo a hora.

Até que, finalmente, depois de muito tocar, Freddie sente a vibração no bolso da calça. Ele se separa da loira e, pelo visor, vê que a ligação é de sua casa.

“Ow, bosta... ferrou...” ele pensou, batendo com a mão na testa.

Ele dá uma desculpa esfarrapada para a loira (à qual ele nem sequer perguntara o nome) e começa a rondar a festa em busca de Carly.

Freddie a acha uns dez minutos depois, agarrando-se com um rapaz. Ele franziu o cenho, sem saber bem o porquê.

Sem cerimônia, aproxima-se do casal e bate nas costas dela, de maneira até um pouco bruta.

- Ei, 'mana'... nós estamos fodidos, já são duas da manhã e minha mãe já ligou pro meu celular umas dez vezes.

Desesperada, Carly tira o celular do bolso e constata: havia outras quinze ligações perdidas no celular dela.

- Ah, merda...

Ela dá uma desculpa qualquer para o ficante e os dois irmãos saem da festa, sem se despedirem de praticamente ninguém.

- Caramba, seu nerd! Por que não me avisou?!?

- Talvez porque você estivesse enfiando a língua na boca daquele cara?

- E você com aquela vadia?

- Vadia? Como você pode saber, nem a conhece!

- Conheço sim! Beijou todo mundo da escola, tomara que você pegue sapinho!

E as ofensas entre os dois continuaram até o estacionamento do prédio. Calaram-se quando viram que a parte ruim havia chegado. Encarar seus pais.

Lentamente, Freddie virou a chave da porta. Talvez eles tivessem pegado no sono e a bronca seria adiada...

Mero engano.

Em pé, no meio da sala, estava a figura imponente de Steven Shay, com uma cara de poucos amigos; ao seu lado, a esposa Marisa, cuja cara não estava muito melhor.

Os dois adolescentes amuaram.

Castigo pesado viria ali.