Amor De Irmão
11 Capítulo 11
Notas iniciais
Alguns de vocês devem ter adorado o final do iCarly, né?
Mas, esqueçamos um pouco o seriado e vamos ler, beleza?
A porta foi fechada com rispidez, deixando para trás um certo adolescente, de cabelos castanhos de tonalidade média, atônito. Freddie Benson ainda sentia um tumor nos seus lábios, e, sem ainda compreender direito o que ocorrera, olhava para a porta inerte, furtando-se alguns momentos depois a passar as costas da mão direita sobre seus lábios.
O que diabos foi isso?, indagava-se o garoto.
Apesar do espanto, Freddie não negava a si próprio: o beijo tinha sido um dos melhores que já tinha dado na vida, se não o melhor.
Começou a se recuperar do susto e se sentou na cama. Sua mente engrenou uma divagação sobre o espantoso assunto que ocorrera minutos antes.
Freddie, apesar de gostar de tecnologia e assuntos nerds, nunca foi bobo, longe disso; sabia que havia uma tensão sexual crescente entre ele e a meia-irmã. O que não tinha certeza ainda era se era recíproco por parte dela.
Ele fez menção de se levantar e ir até o quarto dela, mas parou aí. Não seria sensato atrair atenção dos seus pais, e, ademais, no calor do momento, dificilmente conseguiria extrair algo de útil dali. E a possibilidade de ser mandado a um colégio militar realmente o assustava. Muito.
Então, com o intuito de relaxar, o garoto resolveu ir ao banheiro e tomar uma ducha gelada.
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No dia seguinte, Freddie percebeu que Carly havia acordado muito mais cedo do que o normal. Certamente ela queria evitá-lo.
Ele se arrumou para ir ao colégio, encontrando-se com sua mãe na cozinha. Ela preparava um café para ele, como de costume.
- Bom dia, filhote. Dormiu bem?
Não.
- Dormi, mãe. — o garoto respondeu, puxou uma cadeira e se sentou à mesa.
Sorridente, Marisa pôs o café na xícara, e, juntamente com um sanduíche de peito de peru e um pedaço de bolo de chocolate, serviu seu querido filho. Logo depois, ela se sentou no lugar à frente dele.
A mulher deu um gole de café.
- Querido, será que você faria um favor pra mim?
Em princípio, Freddie nada respondeu.
- Queridoooo? Tá ouvindo?
Ele então, de forma atabalhoada, levantou seu olhar, que foi em direção à mãe.
- Hã?!?
- Nossa, Freddie, o que você tem hoje, está aéreo! — Marisa chacoalhou a cabeça e pôs a mão sobre sua testa, como se tivesse se arrependido de falar aquilo — Esquece, esquece... como eu dizia, eu preciso da sua ajuda, amor.
Freddie aquiesceu e prestou atenção à sua mãe.
- Bom... você se lembra da Trish, sua amiga do outro colégio, né? — Freddie fez que sim com a cabeça — Então, a mãe dela me disse que a Trish teve uns problemas com alguns maus elementos, sendo obrigada a transferir a menina para o seu colégio atual.
- E,,,?
- Bem, eu queria que você ajudasse Trish a se adaptar à Ridgeway.
Freddie deu de ombros.
- Tudo bem.
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Freddie ainda não havia visto Carly, até a hora do intervalo, na qual a viu de relance vários metros adiante; ao lado do garoto, estava Trish, uma amiga próxima sua, segurando seu braço direito.
Tão logo a morena o percebeu, saiu andando apressadamente, logo fazendo-o perder contato visual com ela.
O que essa garota tem?
A garota que estava ao seu lado puxou seu braço, no intuito que Freddie a levasse para o refeitório, o que o obrigou a esquecer o assunto da morena que morava sob o mesmo teto que ele, ao menos temporariamente. Trish era legal e merecia ser apropriadamente apresentada à escola.
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À noite, Freddie estava em seu quarto, ainda impedido de usar seu computador e assistir TV; fosse alguns dias antes, estaria espumando, mas, naquele dado momento, estava pensativo e concentrado.
Não dava para negar que o beijo o abalara.
A urgência, o gosto do proibido, a surpresa pareciam ter dado um toque especial àquele carinho, que não saía da cabeça do rapaz.
Mas o que exatamente ele sentia pela irmã, ou, melhor dizendo, meia-irmã?
Seus sentimentos eram confusos. Certamente, não era raiva, nem nada ruim. Por vezes, a bem da verdade, compartilhava momentos muito agradáveis com Carly, como, por exemplo, em uma vez em que ela o ajudou a se vestir para um evento.
Mas seria isso apenas uma simpatia por ela? Ou algo mais?
Alguém bateu à porta, retirando Freddie de seus devaneios.
- Sim?
Seu padrasto abriu a porta, mantendo-se, porém, ainda no corredor, não adentrando o recinto. Steven era um homem que respeitava o espaço dos outros, e com Freddie não era diferente.
- Com licença, Freddie. Você tem ideia de onde a Carly está?
- Ela ainda não chegou?
Steven acenou que não com sua cabeça.
- Diacho, eu vou ter de buscá-la pelo rastreador... Menina problemática! Com licença, Freddie...
O homem fechou a porta, deixando Freddie novamente sozinho. Era estranho Carly ainda não ter chegado, ela, até mais do que ele, sabia que não era uma boa ideia contrariar o velho e austero Coronel Shay.
Um pensamento esguio passa pela cabeça de Freddie de que ela poderia estar com outro rapaz, e, inconscientemente, uma pontada de ciúme aparece lá, em um cantinho bem obscuro, muito embora o rapaz prefira ignorá-la completamente.
De repente, Freddie ouviu de forma abafada a voz nervosa do Sr. Shay, bradando “Onde você estava, garotinha?”, e imediatamente o garoto sentiu ao mesmo tempo pesar pela morena e alívio por não estar na situação dela.
Não desejando ouvir a briga, Freddie resolveu colocar fones de ouvido, acertando seu iPod para tocar em um volume alto. Ele então se deitou e fechou os olhos, adormecendo levemente por cerca de 30 minutos.
A seleção de músicas já havia terminado, e, como estava em um tipo de sono leve, o delicado ruído da porta se abrindo já foi suficiente para despertá-lo.
Num sobressalto, o garoto se sentou na cama, olhando espantado em direção à porta, ficando ainda mais surpreso ao ver uma cabisbaixa Carly Shay entrando em seu quarto, fechando a porta atrás de si sem nenhuma convicção.
- Carly?!? O que você está fazendo aqui?
Freddie ouviu Carly suspirar e tomar coragem por instantes que pareceram uma eternidade. Mas, por fim, a garota criou coragem, ainda que suas palavras soassem como um sussurro.
- Er... você, você... tá há muito tempo aqui?
O garoto olhava para a interlocutora com estranheza.
- Claro, eu vim logo depois de sair, conforme seu pai tinha mandado.
- Claro... eu... eu... tenho uma coisa pra perguntar pra você... — dizendo isso suavemente, a morena se sentou na cadeira da escrivaninha. Ela evitava cruzar os olhares com Freddie, mantendo-os para o chão todo o tempo.
- Pode falar, Carly...
- Eu... queria saber... se, tipo... você tá namorando aquela menina que estava de mãos dadas com você no colégio...
- A Trish, não...! — o garoto negou veementemente — Ela é só minha amiga, eu tive de mostrar o colégio pra ela hoje, minha mãe me pediu isso de manhã!
Um sorriso tímido e esguio surgiu nos lábios dela. Então, retirando coragem do fundo de seu âmago, Carly ergueu o olhar, cruzando-o com o de Freddie.
- Sabe... sobre nosso beijo, ontem...
Freddie se arqueou para a frente, disposto a ouvir com atenção o que a irmã tinha a falar.
- … eu sei que é absurdo... mas... tipo... acho...
Um longo momento de tensão e silêncio se embrenhou no quarto, os dois adolescentes fitando um ao outro com tensão em seus corpos.
- ... acho que eu gosto de você, Freddie... — essas últimas palavras mal foram audíveis. Na verdade, Carly se admirava por ter conseguido proferi-las em um tom que fosse compreendido por outrém.
O destinário daquela frase ficou parado, boquiaberto.
Mais uma vez, um mortal silêncio imperou no quarto, até que, vermelha como um tomate, Carly de repente se levantou, os cabelos negros quase tomando a frente do seu rosto, o qual ela queria enfiar no chão, de tanta vergonha.
- Desculpa, desculpa... eu... eu... falei besteira! Não é nada disso, Freduardo, eu vou pro meu quarto e vamos esquecer...
Entretando, antes que pudesse caminhar em direção à porta, sentiu uma pegada firme em seu braço, obrigando-a a se virar no sentido oposto ao qual se encontrava.
O casal se entreolhou a poucos centímetros de distância um do outro; Carly sentiu que os pelos do seu antebraço se arrepiaram, e, num rompante instintivo, fechou os olhos, entreabriu os lábios e pendeu levemente a cabeça ao lado, convidando o rapaz a tomar uma atitude.
Não era nem necessário.
Freddie fechou seus olhos e quebrou a distância entre os dois, colando com delicadeza seus lábios aos dela. Suas mãos fortes estavam pousadas sobre a delicada cintura da garota.
E, quando o doce gosto de morango do batom da irmã invadiu suas papilas gustativas, Freddie finalmente compreendeu o que nutria por ela: no mínimo, uma paixão muito, muito forte.
E até o temor das consequências disso desvaneceram.
Ao menos temporariamente.
Notas finais
Espero que tenham gostado, e até a próxima!
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