Amor De Irmão
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Os lábios dela se moviam com voracidade, sua língua roçava na dele com desejo e fúria, liberando com esse beijo todo um desejo reprimido por meses.
Suas mãos passeavam com vigor pelas costas desnudas dele, arranhando-as de leve e apalpando os delicados e firmes músculos do meio-irmão. As mãos dele acariciavam os longos cabelos negros dela e logo se moveram às costas dela. Seu toque suave lhe deu arrepios.
Então, Carly voltou a si, quebrando o beijo de forma brusca.
Os dois se separaram e, com as costas da mão direita, ela limpou a boca, fazendo cara de nojo.
– Você... você... você me agarrou à força, Freduardo! Você me abusou!
Freddie, com semblante de surpresa, se afasta um pouco, com suas mãos estendidas, de certa forma de maneira defensiva, como se ele não fosse nada fazer.
– O quê? Mas foi você...
Carly continua limpando sua boca com as mãos, se afastando e fazendo cara de nojo.
– Você abusou de mim contra minha vontade! Você enfiou a língua na minha boca... Eu vou contar pros nossos pais... Que nojo...
Ele se aproximou e a apanhou delicadamente pelos braços, sua cara demonstrando claramente apreensão.
– Não, por favor... Seu pai vai me mandar pra um internato militar se você fizer isso!
Carly se livra do toque, encara Freddie com raiva. A adolescente põe o dedo em riste.
– Você... nunca vai falar nada disso pra ninguém! Isso nunca aconteceu, nunca! Seu tarado, eu vou ficar longe de você de agora em diante!
Com passos rápidos, a morena foi até seu quarto, trancando a porta e recostando-se nela. Sua mão direita limpava freneticamente a boca, ela negava a si própria o que tinha acontecido.
“Não, não... você não queria fazer aquilo, Carly... ele te agarrou à força... Mas é claro, eu indo e vindo com shorts, de barriga de fora, é claro que ele ia fazer aquilo. Mas agora eu vou ficar esperta, não vou mais fazer isso. Isso. É. Vou fazer isso mesmo.”
Depois de se prometer isso, Carly tomou um banho frio e procurou esvaziar sua cabeça, afinal de contas, teria aula no dia seguinte.
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Após uma noite intranquila (com outro sonho erótico com Freddie), Carly acordou mais cedo do que o usual, pois ela queria evitar esbarrar com seu meio-irmão. Como chegou muito cedo na escola, resolveu esperar os portões abrirem no banco de concreto exterior.
O clima estava agradável, e a manhã prometia um belo dia de sol. Seus olhos se fecharam, e imagens do beijo voltaram à tona.
Felizmente para ela, o som dos portões se abrindo a retirou de seus devaneios.
– Já aqui, Carly? — perguntou espantado o monitor da escola.
– Bom dia, Jay, meu pai me deixou aqui mais cedo...
– Bom dia... tudo bem...
De cabeça baixa, a garota passou pelo monitor e foi direto ao seu armário, onde recolheu os cadernos e livros que precisaria naquele dia e postou-se rumo à sala, onde se acomodou no seu canto, sempre olhando para baixo.
Vários minutos depois, seus colegas começaram a entrar.
– Bom dia, Carls... — cumprimentou-a sua inseparável amiga Lindsey.
– Bom dia.
– Nossa, chegou cedo... caiu da cama?
– Sim.
– Ow... Monossilábica hoje. Tudo bem, eu te deixo em paz.
– Valeu.
As frases proferidas pelos professores passaram rapidamente e logo foram esquecidas, diferente da sensação de formigamento dos seus lábios, mesmo depois de passadas várias horas do beijo.
Na hora do intervalo, ela evitou seus amigos, escondendo-se em um canto do pátio. À distância, pôde ver Freddie abraçado a uma das amigas dele. Essa imagem fez o sangue dela ferver.
“Como ele pode? Depois de me agarrar, já vai atrás de outra...”
A raiva subiu até a cabeça, seu rosto ficou vermelho.
– Oi, Carly... Pensativa hoje?
Ela olha para cima e vê que o dono da voz grossa era Wilson, um dos garotos que estavam atrás dela há tempos. Carly olha novamente para Freddie e se levanta, colocando as mãos sobre o peito de Wilson.
– Pensando em você, querido... — ela disse sensualmente.
– Nossa! — o garoto se espantou.
Carly olhou para os lados e achou um canto escondido. Pegou a mão do garoto e o arrastou para lá.
– Carly, o que você...
Ela colocou o indicador sobre os lábios dele.
– Shh! Não era o que você queria? Pois bem, hoje eu quero beijar muito, aproveita.
Com uma empolgação que era formada mais pela necessidade de esquecer os sentimentos ocultos que sentia pelo meio-irmão, Carly cola seus lábios aos de Wilson, beijando-o.
Alguns segundos depois, entretanto, ela percebeu que a iniciativa fora inútil, não sentia nada naquele beijo, só nojo de si própria.
Carly acabou com o beijo e se separou bruscamente dos braços do garoto.
– Ei, o que foi?
Ela passou a mão sobre os lábios, olhou para o lado.
– Eu... eu... você... você... está com mau hálito!
– O QUÊ?!
De forma hilária, Wilson cobriu sua boca com a mão direita, logo depois fazendo uma conchinha e baforando nela, tentando averiguar se o que a morena falara era verdade.
– Mas, eu... sempre uso Listerine...
Carly se afastou, jogando os braços para trás.
– Mas você tem bafo! Não vou mais te beijar!
E ela saiu correndo para longe dele.
Depois das aulas, Carly saiu correndo para se esconder no parquinho onde babás levavam as crianças na desesperada tentativa de queimar um pouco sua infindável fonte de energia.
Ela se senta em um pequeno declive, apoia seus cotovelos em suas pernas e olha para o horizonte, sem, no entanto, focar em nada específico.
A tarde estava quente, e um leve vento trouxe um certo alívio à morena, cujos cabelos dançavam levemente ao sabor do deslocamento de ar.
Lembrando-se dos acontecimentos de manhã, uma teimosa lágrima insistiu em cair do seu olho direito.
“Droga... o que é isso o que eu tô sentindo...?”
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