Amor Cigano
10 Vínculos
Notas iniciais
Felicity's Pov
Céu azul, grama impecavelmente verde, clima ameno, som dos bichos, meus planos todos dando certo, ninguém me perturbando e...Eu já disse que todos os meus planos estão dando certo? Ah, o mundo era belo! Suspirei, me acomodando da melhor maneira possível no prado onde estava deitada contemplando o infinito azul do céu...Que me fazia recordar do garanhão. Quer dizer, dos olhos dele.
Fazia três dias que nós dois havíamos adotado uma rotina que consistia entre eu o ajudar no escritório de Henry durante às manhãs, traduzindo os inúmeros documentos que o fazendeiro havia deixado. Enquanto que ao final da tarde, Oliver reservava um horário para me ensinar um pouco mais do que ele sabia sobre informática.
Era surpreendente como não havíamos sido interrompidos um dia sequer deste então por ninguém, deixando claro que talvez, eu tivesse alguma sorte depois de tudo. Ou que simplesmente algo estranho estava ocorrendo.
Enruguei o nariz, com esse pensamento. Talvez fosse o momento perfeito para eu levantar meu traseiro e ir caçar algo para fazer, somente assim pararia com essa minha leve inclinação para a paranoia.
Suspirei, colocando as mãos atrás de minha cabeça e desistindo da ideia. Nah, estava muito bem deitada abaixo da maior baobá¹ que um ser humano veria por anos! Ou pelo menos qualquer ser humano residente de Lian Yu.
Fechei os olhos, começando a contar carneirinhos mentalmente porque é isso que aparentemente qualquer pessoa sem o que fazer, faz ao final de semana.
Um carneirinho, dois carneirinhos, três carneirinhos, quatro carneiri-
— FELICITYYY!!!
Um maldito alce!
Apertei mais ainda os olhos, ao captar o som das botas de uma pessoa que eu conhecia muito bem. Se talvez eu me fingisse de morta, eu conseguiria o espantar...
— Felicity, eu sei que você tá acordada.
Ah, merda!
Relutante, abri os olhos e encarei Rene parado olhando para mim com as duas mãos na cintura. Desconfortável por não estar numa posição muito vantajosa, eu resolvi me sentar e encarar aquela peste que prometia perturbar a minha perfeita tarde.
— O que você quer? — Perguntei, faltando cuspir fogo.
Sim, sou super delicada, obrigada.
Uma expressão jocosa cruzou o seu rosto e bem, digamos que foi o suficiente para me fazer querer arrastar o seu rosto pelo chão.
Rene conseguia me tirar do sério num estalar de dedos, fala sério!
— Barry precisa que você vá comprar algumas coisas para ele.
Pisquei, confusa.
— Por que ele precisa que eu vá no lugar dele? — Perguntei, achando o pedido pra lá de estranho.
Geralmente Barry resolvia suas coisas ele próprio. Ou pedia Rory, quem estava sempre disposto a ajudar qualquer pessoa. E quando digo qualquer pessoa, falo a sério.
— Não sei. — Rene deu de ombros — Parece que ele se enrolou com alguma tarefa durante a semana e está tentando finaliza-la por hoje.
Para quem dizia não saber nada, Rene estava até sabendo demais, notei desconfiada.
— Ele deu uma lista?
— Sim. — Respondeu e imediatamente me ofereceu a tal lista após retirá-la do seu bolso.
Oh Céus! Mais um pouco e eu estaria segurando um pergaminho! A lista não era apenas uma lista, era A LISTA!
Encarei incrédula aquele longo papel que prometia ser o meu inferno particular durante longas horas.
— Por um acaso eu fiz alguma coisa para irritar Barry nos últimos dias? — Falei mais para mim mesma do que para o AI— Alce Irritante—, parado na minha frente.
Mas como Rene adorava implicar com a minha persona super grata, não perdeu a oportunidade:
— É certo que você deve o ter irritado de alguma forma. — Ele soltou uma risadinha — Por algum acaso andou manchando as blusas brancas dele de rosa? — Relembrou o trágico evento o qual eu, uma pessoa super atenta, SEM QUERER acabou misturando as roupas escandalosamente rosa choque de mamãe, com as simples e discretas de Barry.
Lembrava perfeitamente bem de ter quase levado Barry para o hospital por conta de uma crise nervosa. Meu amigo era simplesmente afeiçoado à suas roupas. E bem, quem o podia culpar? Andar por aí usando um rosa choque BEM CHOQUE mesmo, quando ele já estava acostumado ao seu rotineiro branco, bege e azul claro, poderia ser uma tortura.
Felizmente na época, consegui contornar a situação e Barry não precisou me esfolar viva.
Porém, no momento, começava a refletir se talvez ele não estivesse se vingando tardiamente e que morrer esfolada na época, não teria sido uma coisa boa.
— HAHAHA muito engraçado você! — Fingi rir, controlando a vontade mesmo de socar a cara de Rene. Já disse hoje que Rene me tira do sério pelo simples ato de respirar? Então, Rene me tira do sério. Muito. E pelo simples ato de respirar. — Já pensou em ser comediante?
— Não, mas e você? Já pensou em ser?
Ah, ele estava pedindo!
— Você quer realmente me provocar justo hoje?
Rene estudou-me por alguns instantes e logo, sabiamente, ergueu as mãos em sinal de rendição:
— Longe de mim querer atiçar a onça com vara curta.
Senti o meu rosto esquentar.
— Você realmente não está facilitando a sua situação. — Ou a minha, quis acrescentar, mas deixei pra lá. Já o havia avisado vezes o suficiente. No próximo deslize eu simplesmente bateria sua cara contra o tronco daquela magnífica baobá.
Sim, eu faria isso com prazer, decidi. Pena que a baobá poderia sair ferida dessa, se fossemos considerar a cabeça dura de Rene.
— Que seja loirinha, só estou aqui passando o recado do patrão. — Disse, me entregando o tal pergaminho do inferno, para logo em seguida girar os calcanhares e sumir da minha frente como se não tivesse acabado de arruinar o meu dia.
Ok, finalmente minha nuvem de azar estava voltando a pairar sobre minha cabeça.
Merda!
(...)
Debruçada sobre o balcão do Senhor Jones, eu esperava o mesmo terminar de empacotar as coisas que estavam na lista de Barry.
— Faz muito tempo que eu não vejo Barry... — Senhor Jones tagarelava, ainda empacotando as coisas encomendadas pelo meu patrãozinho —...estou com saudades dele! Sei que ele deve estar ocupado com todo o problema da fazenda, mas...bem nós meros mortais precisamos de uma pausa. — Seguiu falando e eu balançando a cabeça, fingindo concordar com tudo. — Ainda bem que o festival desse ano está chegando! Mas acho que será o último...
Seu tom lamurioso e a informação me chamaram atenção.
— Por que você diz isso, Senhor Jones?
Ele finalmente me olhou, com uma sobrancelha arqueada. Ao invés de passar severidade, ele somente passava uma expressão cômica.
— Oras, mocinha! Você acha mesmo que só Barry está tendo problemas econômicos? Não sei até quando a prefeitura irá aguentar! Sediar esse festival pode ser a última grande coisa que ela fará! — Estalou a língua nos dentes e começou a balançar a cabeça — Os jovens de hoje em dia...Você não anda se informando não?! — Abri a boca, pronta para me defender, quando ele levantou uma mão, fazendo-me recuar — Ah-ah, deixa pra lá! Eu já sei que você anda com a cabeça na lua após a chegada desse novo homem por aqui em Lian Yu. Como ele se chama mesmo? Olavo? Otav-
— Oliver! — O ajudei, com uma vozinha pra lá de estridente, deixando mais que evidente o perigo da situação. Estava próxima de ficar histérica.
E o motivo era bastante preocupante: Senhor Jones simplesmente sabia da minha paixonite por Oliver...E se ele sabia, isso queria dizer que alguém o contou e se esse alguém fosse quem eu pensava que era...Todos os demais cidadãos de Lian Yu já sabiam também do babado.
Eu. Ia. Matar. Rene.
Não tinha dúvidas quanto ele ser a fonte que vazou sobre meu...interesse por Oliver para Senhor Jones e sabe-se-lá mais para quem.
Simulei um sorriso tranquilo, tentando não revelar meus pensamentos homicidas para o Senhor Jones. Se ele captasse minhas intenções, a polícia chegaria na fazenda antes de eu matar Rene.
— Ah sim, esse é o nome do jovem moço. — Franziu a testa — Soube que ele tem bastante dinheiro. Cuidado com esse tipo, menina Felicity, eu não gostaria de ver você de coração quebrado. Eles costumam ser os piores.
Pigarreei desconfortável.
— Nem todo rico é ruim como nem todo pobre é bom, Sr. Jones.
Tinha certeza que havia lido isso em algum livro meu. Sério.
Mesmo após minha citação impactante, Sr. Jones não parecia muito convencido.
— Você está certa, mas ainda espero que você tome cuidado. — Recomendou, com uma sombra nítida de preocupação nos seus olhos. Foi inevitável não sorrir.
— Não se preocupe Sr. Jones, tenho tudo sob controle.
Quem mesmo deveria tomar cuidado, era Oliver comigo, quis acrescentar porém resolvi guardar sabiamente o pensamento para mim.
Com um abraço rápido, me despedi de Sr. Jones e saí mandada de sua loja, pronta para finalizar a lista de Barry. No entanto, fui surpreendida no meio do caminho pela presença de ninguém mais, ninguém menos que Nyssa.
O extraordinário é que ela parecia estar somente me esperando.
— Felicity, a pessoa com quem eu queria falar.
Tá vendo? Eu disse!
Ela me saudou bem desse jeitinho, parando na minha frente. Como de costume, ela trajava uma saia que batia até seus tornozelos que estavam adornados por pedrinhas encontradas em Lian Yu mesmo. E eu só sabia disso porque geralmente estava presente quando Nyssa encontrava essas pedras para por em sua tornozeleira que a cada ano, ficava mais cheia e pequena para tantos adornos.
— Você queria falar comigo? O que? Os espíritos mandaram algum sinal? — Pausa constrangedora — Quer dizer, olá Nyssa, tudo bem? Que coincidência ter você por aqui também...
Eram nesses momentos que eu agradecia por Nyssa ser minha amiga. Após as minhas perguntas desenfreadas, ela só riu, dando de ombros e fazendo pouco caso da minha língua que tinha vida própria na maioria das vezes.
— Felicity, mais do que eu você sabe que não há coisas como coincidências. — Me olhou de maneira astuta e eu juro, senti os pêlos do meu corpo eriçarem. Oh Deus. Por que eu sentia como se nós não estivéssemos mais sozinhas?
Engoli em seco.
— É claro que sei, só estava tentando quebrar o gelo.
— Você sabe que não precisa quebrar o gelo comigo, Felicity. — Ela disse, soltando uma piscadinha marota, fazendo-me recobrar o motivo para a maioria dos homens em Lian Yu arrastar uma asinha por ela.
Nyssa era uma visão e tanto! Ainda mais quando sorria.
No entanto, eu tinha uma leve suspeita pelo motivo o qual nenhum homem de Lian Yu fora capaz de fisgar o coração dela.
— Se é assim, já pode me explicar a razão por eu ser a pessoa com quem você gostaria de falar. — Joguei logo na lata, sem vergonha alguma.
Tinha a sensação de que ela tinha um recado extremamente importante para me passar, portanto, ser objetiva e direta, parecia minha melhor opção no momento. Quanto mais cedo Nyssa desembuchasse, mais rápido eu conseguiria pensar num plano para seja-o-que-for que me aguardava.
Ela assumiu uma expressão séria.
— Você terá surpresas ao decorrer do dia. — Informou e eu fiquei com a pulga atrás da orelha.
Ela disse surpresas? No plural?
— Surpresas boas ou ruins?
Um sorriso lento e perigoso se desenhou em seu rosto, fazendo-me dar um passo para trás. Geralmente Nyssa não conseguia me assustar, mas dessa vez foi diferente.
Era como se os seus olhos me prometessem surpresas.
— Desculpe Felicity, não posso falar mais sobre isso.
Em seguida, parecendo não ter acabado de jogar uma bomba bem no meu colo, Nyssa afastou-se, tomando o seu rumo e me deixando desnorteada sem o meu.
FALA SÉRIO, QUE AZAR!
(...)
Ok, que o meu azar estava voltando com força total eu já sabia...Mas já era sacanagem o que estava acontecendo comigo!
Assim que pus os pés dentro da fazenda após cumprir a tarefa que Barry havia me passado tão gentilmente, me deparei com uma cena tão perturbadora que foi capaz de deixar-me paralisada no lugar, como se eu acabasse de ter um vislumbre do próprio inferno.
O QUE DIABOS SARA ESTAVA FAZENDO AQUI? PIOR, SENTADA AO LADO DE OLIVER NA MAIOR INTIMIDADE?
Ao me recuperar do choque inicial, sem nem pensar duas vezes, me joguei no primeiro arbusto que avistei e feito uma espiã de renome, comecei a espiar os dois infelizes no maior papo. Estava impressionada com a cara de pau de Sara!
Imaginava que ela não seria louca o suficiente de por os pés novamente na fazenda após me fazer de besta, mas aqui estava a FUTURA DEFUNTA. Fula da vida, estalei os punhos. Era hoje que a fura olho aprenderia uma lição!
Destemida como Xena e corajosa feito Gabrielle, saí do meu esconderijo e foi quando a merda aconteceu.
— AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHH!
— AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHH!!!!
Para a minha total desgraça, Curtis apareceu correndo do nada e por consequência, o estabanado acabou me atropelando. Mas o pior mesmo era o que ocorreu durante nossa queda: O DESGRAÇADO ME BEIJOU! E AINDA TINHA OLIVER E SARA COMO TESTEMUNHAS!
— EU QUERO MORRER! — Gritei, ainda com o cretino em cima do meu corpo.
— ME MATEM, ME MATEM! — Ele berrava também, bem na minha cara. — NÃO ACREDITO QUE MINHA BOQUINHA SAGRADA ENCOSTOU NA DA CAMPONESA BREGA. ME DEEM UM TIRO AGOOOOORA!
Fula da vida, o empurrei de cima de mim e fiquei em pé num salto. Iria providenciar imediatamente seu tiro! Sabia que Henry costumava ter uma espingarda de caça em seu quarto e Barry, por razões sentimentais, não havia se livrado dela.
— OH DEUS, QUE MUNDO CRUEL, ME MATEM, ME MATEM! — O maldito continuava a gritar, chamando a atenção de todos os empregados que até então, aparentemente, estavam ocupados em seus afazeres.
Conseguia sentir o meu rosto esquentar, mas certamente de ódio e não constrangimento por ter pago aquele king kong na frente do meu garanhão, e pior! Na frente de Sara também, minha rival!
Pelo canto dos olhos, notava os dois ainda sentados na namoradeira, completamente embabascados com o desenrolar dos eventos. Quer dizer, só Oliver parecia o embabascado ali. Sara ao contrário, ria descaradamente, nem aí para nada.
ALGUÉM ME MATE, POR FAVOR.
— Felicity, o que está acontecendo?
Como se não bastasse, Barry também chegou para testemunhar minha humilhação. E como a desgraça tava pouca, atrás dele surgiu Rene, Rory e Nyssa...NYSSA? O QUE ELA ESTAVA FAZENDO AQUI?
Se antes a minha vontade era pegar a espingarda de Henry e dar um tiro bem na testa do Curtis, agora os meus planos eram outros...Precisava mesmo dar um tiro contra minha cabeça!
Tinha certeza que Rene nunca me deixaria esquecer essa história.
Desesperada, relanceei um olhar sobre Curtis e vi que o maluco olhava na direção de Rene com os olhos lacrimejantes e um beicinho de quem estava segurando o choro. Ah não! Não tinha duvidas que o sacana abriria o bocão e contaria a tragédia em detalhes para o maior fofoqueiro de Lian Yu!
Por puro instinto de sobrevivência, corri na direção de Curtis e tampei sua boca antes que o mesmo soltasse um "aizinho" para Rene.
Compreendia que cedo ou tarde, Rene acabaria sabendo desse evento aterrorizante em detalhes, contudo, torcia que fosse bem mais tarde! Pelo menos, mais tarde o suficiente para me dar tempo de comprar uma passagem só de ida para fora de Lian Yu.
— Não tá acontecendo nada. — Falei, tentando disfarçar o máximo possível. Porém, o meu intento não parecia estar fazendo efeito esperado se o cenho franzido de Barry significava alguma coisa.
Mil vezes merda!
— Então por que você tá tampando a boca de Curtis? — Ele retrucou, cruzando os braços. Uh-oh, a situação estava ficando séria e fora de controle.
Pensa rápido Felicity, pensa rápido!
— Ah, bem, é porqu-AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!!!
Num é que o cretino do Curtis mordeu a minha mão? Em efeito, o soltei rapidamente, começando a balançar minha mão de um lado para o outro, igual uma completa idiota.
— SUA CAMPONESA BREGA, TÁ FICANDO DOIDA? — Berrou, cuspindo no chão — JÁ NÃO BASTA ROUBAR OS MEUS LÁBIOS PRA VOCÊ NÃO?
O tempo pareceu parar e eu fiquei mortificada no lugar, sem poder acreditar que Curtis realmente havia nos entregado dessa maneira na frente de Rene.
Era oficial, eu odiava Curtis acima de qualquer outra pessoa no mundo.
Diferente da crença popular, Rene me olhava numa mistura de incredulidade e pena, e não com o seu natural sorriso zombeteiro. Infelizmente, sua reação atípica só serviu para me deixar mais nervosa e não o contrário.
Que infernos estava passando pela mente desse fofoqueiro?
Seja o que fosse, teria que esperar, pois eu tinha que fazer minha defesa antes que Curtis resolvesse abrir aquela maldita boca novamente.
Abri a boca, pronta para chutar o pau da barraca, quando um pequeno furacão chegou e estragou tudo.
— COMO ASSIM VOCÊ BEIJOU A MINHA FELICITY? — Akio parou irado na frente de Curtis e eu só conseguia observar, tentando adivinhar da onde aquele pirralho havia surgido. Não era suposto ele estar com a Tatsu?
Todo ofendido, Curtis colocou a mão sobre o peito.
— Seu Guaxinim Falsificado, cê tá ficando maluco? Ela quem se aproveitou de mim!
Me indignei.
— Mentira! Foi você quem caiu em cima de mim!
Bastou minha declaração para Akio tomar uma sábia decisão:
— Okay minha loira, abre espaço que irei defender a sua honra. — O pirralho nem pensou duas vezes, meteu o chutão na canela de Curtis. A cena foi linda.
É claro que após o golpe de Akio, o escândalo rolou solto por conta de Curtis que começou a gritar tão alto feito uma sirene. Barry como uma pessoa do bem, correu para socorrer o aloprado escandaloso enquanto Nyssa e Diggle tentavam conter a pestinha que queria terminar o próprio serviço de qualquer maneira.
Já eu e Rene nos limitamos a admirar a cena, soltando risadinhas ocasionais. Estive tão distraída rindo da desgraça alheia que só fui me dar conta que Sara e Oliver haviam se aproximado, tarde demais.
— Olá Felicity! — A loira falsa me saudou fazendo com que minha graça desaparecesse rapidinho e uma veia saltasse da minha testa.
CARA. DE. PAU. Tinha até me esquecido dela.
— Olá, Sara. — Saudei entredentes, forçando por demais minha boa educação. — Não sabia que você visitaria a fazenda hoje...Na verdade, nem imaginava que você pudesse voltar a por os pés aqui.
Que foi? Eu tentei ser educada!
Ao invés DELA ficar constrangida, para a minha infelicidade, notei que um rastro de vermelhidão cobriu somente as bochechas de Oliver, indicando que ele fora o único constrangido com o meu ataque óbvio contra a loira. Merda.
Ela riu e abriu a boca para falar com certeza alguma coisa que não me interessava, quando foi cortada por Barry, que finalmente havia conseguido conter Curtis e Akio.
— Felicity, por mais que me interesse saber o que de fato ocorreu aqui mais cedo, preciso saber, onde estão as coisas que pedi para você comprar?
Ih, verdade!
Corri até onde costumava ser o meu esconderijo há minutos atrás e detrás do arbusto, tirei as compras de Barry, ignorando completamente o olhar incrédulo que cada pessoa ao redor me lançava. Com exceção de Curtis, é claro, que continuava a choramingar num canto.
Achava até bom ele não ficar olhando muito para o meu rosto, porque senão a vontade de descer a mão nele voltaria com força total e eu deixaria isso para mais tarde quando o Garanhão não estivesse por perto.
— Felicity, por que as compras estavam atrás de um arbusto? — Foi Rene quem perguntou, com um olhar venenoso.
O fofoqueiro com certeza deveria ter deduzido que eu estivera espionando o casalzinho da vez. Maldito! Cerrei os olhos, começando a imaginar quem eu socaria primeiro: Rene ou Curtis?
Barry atirou um olhar significativo na direção do Fofoqueiro-mor. — Rene, já ouviu falar daquele ditado onde diz se você não está preparado para ouvir a resposta, não faça a pergunta? Então.
Foi o suficiente para calar a boca do linguarudo, bom!
— Então, por que tá todo mundo reunido aqui hoje? — Perguntei, tentando mudar de assunto e também porque estava realmente curiosa para saber o motivo da presença de Nyssa na fazenda e a de Rory também.
Era suposto ele estar aproveitando seu dia de folga.
— Estamos adiantando o trabalho aqui na fazenda para conseguir ajudar na organização do festival. — Barry respondeu e eu senti vontade de sair correndo.
Seu olhar era bastante significativo na minha direção. Era hora de eu dizer adeus à minha desejada folga.
Fingi um sorriso.
— É claro que você aceitaria ajudar na organização desse ano. — Murmurei, relembrando que mais cedo enquanto estava zanzando por Lian Yu, ouvi por alto que o comitê do festival estava enfrentando dificuldades esse ano.
Ao que parecia, não muitos jovens estavam disponíveis para o trabalho voluntário ou qualquer outro tipo de trabalho dentro de Lian Yu...Suspirei tristonha e resolvi aceitar meu destino:
— O que você quer que eu faça?
Ele não poderia olhar mais satisfeito.
— Não se preocupe Felicity, você vai ter ajuda. — Ele sorriu misterioso — Ninguém está aqui à toa.
Fiz uma careta. Isso era para me confortar? Só de pensar que poderia acabar horas a fio ouvindo Curtis cacarejar no meu ouvido, a vontade de sair correndo feito louca voltava com força total.
— Até eles estão aqui para ajudar? — Quis saber, apontando um dedo na direção de Oliver e Sara.
— É claro que iremos ajudar! — Sara respondeu por ambos, fazendo novamente uma veia saltar na minha testa. Essa mulher tava sem noção alguma do perigo que estava correndo comigo ao redor. — Tommy me trouxe até aqui especialmente para isto.
Oh, isto chamou minha atenção.
— Tommy também está na fazenda? — Indaguei, olhando de um lado para o outro procurando o dito cujo. Tommy era um ótimo amigo e aliado.
Juntos conseguiríamos bolar um plano para separar o Ken e a Barbie do Paraguai, até o final do dia. Eu tinha total convicção nisso. Desde o primeiro momento em que vi Tommy e me comuniquei com ele, senti como se fossemos amigos de vidas passadas, portanto, era óbvia minha conexão com ele.
Conseguíamos nos entender muito bem, e eu que cheguei um dia duvidar poder encontrar um melhor amigo igual à Barry, me via confiando no playboy falido cegamente. Tommy já fazia parte da minha tribo, assim como eu também fazia parte da dele.
— Não, ele teve que ir ajudar Laurel resolver umas coisas, porém logo mais estará de volta. — Oliver finalmente abriu a boca e eu imediatamente olhei para ele.
Reparei que hoje ele usava um look casual, mas elegante como sempre. Era claro para qualquer um que Oliver Queen não pertencia a esse lugar.
— Esse logo mais dele levará horas, eu aposto. — Rene resmungou, carrancudo.
Nitidamente incomodado pelo tom usado por Rene para falar do amigo, Oliver o examinou seriamente. Podiam acusar Oliver Queen de qualquer coisa, exceto de ser um amigo ruim.
— Se eu fosse você não apostaria muito alto... — Garanhão o advertiu, todo sisudo e eu quase ri com a possibilidade dele dar um safanão no Rene só para o fofoqueiro ficar esperto. Se eu não podia fazer o circo pegar fogo, que alguém o fizesse por mim!
Atento a possibilidade de confusão, Barry rapidamente interferiu na situação, anunciando que todos nós seríamos separados em grupos. Evidente que ninguém ficou satisfeito com isso.
— Ah não, não acredito! — Curtis exclamou, fazendo uma careta de nojo — Além de trabalhar vou ter que trabalhar com a ralé! Não mereço nada disso!
Me enfureci.
— Sou eu quem não quer trabalhar com você, seu projeto mal projetado de Tina Turner! — Urrei apontando para ele e ouvindo ao fundo Akio soltar um "É isso ai minha loira, dá na cara dele!"
Curtis arregalou os olhos, levando uma mão ao peito. — Cacete Barbie do Sertão, agora ofendeu! Se não estivéssemos em publico eu iria arrancar toda essa palha de aço que tu chama de cabelo! — Ameaçou.
— Eu ainda nem decidi os grupos e vocês já estão brigando. — Observou Barry com um brilho estranho no olhar — Acho que só por isso vou colocar vocês dois juntos.
O fitei boquiaberta. Ele queria que eu trabalhasse com Curtis? JUSTAMENTE COM CURTIS?
— Você não tá pode falando sério. — Disse, soltando uma risadinha histérica. Curtis me acompanhou.
— É claro que o pônei não tá falando sério, Barbie Pobre. Só tá falando isso pra fazer a gente sossegar.
Barry riu. — Eu não sou homem de blefar, Curtis.
Foi a minha vez de engolir seco.
— Barry, não acho essa uma boa ideia. — Rory veio a meu favor — Imagine o desastre que será esses dois juntos? Com ferramentas em mãos?
Ok, ele não veio propriamente a meu favor.
— Tudo bem. — Barry concordou e eu finalmente suspirei aliviada. — Oliver também pode ficar com eles.
— O QUEEEEEEEEE?
Três pessoas gritaram em uníssono: Eu, Curtis e Oliver. Oliver, apavorado. Curtis, excitado. E eu...Bem, abismada!
Minha sorte estava voltando? Não podia ser real!
— Por que eu? — Oliver questionou ainda visivelmente perturbado pela ideia MAGNÍFICA de Barry.
— Porque Sara ficará com Nyssa, Rene com Rory e Tommy quando ele chegar, — Meu amigo explicava, na maior tranquilidade —, e eu ficarei com Diggle e Akio. Ou alguém por aqui pretende manter a companhia de Akio?
O silêncio foi a sua resposta.
Aparentemente satisfeito, Barry girou os calcanhares e saiu arrastando Akio para longe de nós, Diggle estava logo atrás deles.
Numa mescla de felicidade e irritação — felicidade pois estaria horas ao redor de Oliver e irritação porque Curtis estaria junto para atrapalhar -, esperei com que os outros INTRUSOS tomassem o próprio rumo, enquanto começava a pensar numa estratégia eficaz para me livrar de Curtis e atacar Oliver.
Oliver's Pov
Eu precisava de ajuda. Rápido.
Ou de uma focinheira. Mas essa última seria para Curtis, que não parava de reclamar ou soltar comentários inconvenientes. Estávamos há meia hora trabalhando — ou fingindo -, no estábulo da fazenda e a figura não parava de falar.
Felicity, é claro, como imaginado, não aguentou a pressão e por fim, explodiu com o sem vergonha:
— Curtis Holt, pelo amor de Deus! Ou você cala essa boca, ou eu vo-
— O que? Me beijar de novo? — O maluco interrompeu Felicity, sem noção alguma que a outra doida estava segurando uma enxada.
Espertamente, continuei quieto na minha, observando o caldo entornar.
É aquele ditado né? Briga de maluco a gente só olha!
— Pela última vez, EU NÃO TE BEIJEI! — Felicity gritou, com o rosto em braças. Tava até que bonitinha assim, toda vermelha e o cabelo preso em duas tranças baixas.
A típica garota do campo que a gente olha e pensa: Nossa que inocente!
— BEIJOU SIM! — Curtis retrucou, teimoso. — EU DEVERIA TE PROCESSAR POR ISSO!
Furiosa, notei quando ela rangeu os próprios dentes. E muito lentamente, voltou a fazer o que estava fazendo anteriormente, deixando Curtis no vácuo e eu surpreendido com sua atitude.
Não era suposto que ela caísse na mão com Curtis?
Um silêncio sepulcral caiu sobre o ambiente, até Curtis infelizmente, abrir a boca:
— Só queria deixar claro que se eu pegar gripe suína eu vou te processar mesmo, tá? O gostosão aqui é testemunha.
Ok, agora ela REALMENTE deveria descer o punho no sacana. Por precaução, dei um passo para trás e comecei a caçar rotas de fugas, além de testemunhas, caso ocorresse um homicídio. Somente minha palavra não bastaria para explicar porque o corpo de Curtis sumiu do mapa assim tão misteriosamente.
— EU. VOU. MATAR. VOCÊ! — A loirinha urrou, antes de sair feito um foguete atrás de Curtis, e ainda segurando a maldita enxada que sem dúvida alguma seria usada como o instrumento do futuro homicídio.
Curtis que não era besta, saiu correndo. Mas é claro que até pra fugir da morte o aloprado tinha que fazer um escândalo básico:
— AI SOCORRO, ALGUÉM SEGURA A OLÍVIA PALITO, ELA VAI ME MATAR, SOCOOOOOOORRO!
Pra não parecer que não tava tentando ajudar o aloprado, saí correndo logo atrás deles, só que isso era apenas um disfarce. Eu não dava a mínima caso a loirinha assassinasse o safado sem senso de sobrevivência, contando que não me culpassem depois...
— GOSTOSÃO ME SALVA, ME SALVA! — Curtis se apavorou quando a enxada que Felicity segurava passou raspando por cima de sua cabeça.
Eita mulher forte!
Decidi apressar o passo e facilmente, alcancei os dois encrenqueiros, mas como sou uma boa pessoa, resolvi dar mais alguns minutos de tortura gratuita a Curtis.
— GOSTOSO MALDITO, EU DISSE PRA ME SALVAR!!! — O Aloprado pareceu perceber minhas intenções mesmo em meio a correria. — SOCOOOOORRO!
O que eu fiz?
— FELICITY SE VOCÊ CONSEGUIR ACERTAR A CABEÇA DELE, TERMINO TODO O SERVIÇO SOZINHO! — Propus na cara dura, querendo mesmo ver a cabeça do sacana rolar. Ainda bem que minha mãe não estava por perto ou quem iria acabar levando na cara seria eu.
Não sei se foi porque eu pedi, ou simplesmente porque ela queria dar um fim naquela história, só sei que a loirinha acelerou tanto o passo, que ficou difícil até pra mim.
— AAAAAAAAAAAAAAAAH!! — Curtis berrou novamente, ao perceber que Felicity já estava quase o agarrando pelo colarinho da blusa. — QUE CAPETA! EU ODEIO VOCÊS DOIS!
Em meio ao caos, não notei que o malandro nos dirigia justamente até o celeiro, onde provavelmente algum grupo da força tarefa: "Vamos suar de graça para planejar um festival!" se encontrava. Estava torcendo para encontrarmos somente Rory e Rene dentro do celeiro, e não Diggle e Barry.
Porque o último certamente daria uma palestra de quinze minutos dizendo o quão errado era tentar dar umas enxadadas no Aloprado Sem Vergonha e com certeza, ao final do seu discurso, submeteria eu e Felicity a um castigo terrível. E eu não estava afim de fazer mais serviço de graça.
No entanto, quando chegamos ao nosso destino final, estagnamos os três na porta do celeiro, ao testemunharmos a cena que rolava lá dentro.
MEU DEUS, SÓ PODIA SER SACANAGEM! O QUE A SARA TAVA FAZENDO ENGOLINDO A BOCA DA NYSSA? ELA NÃO PODIA TENTAR SER UM POUCO MAIS DISCRETA NÃO?!
O silêncio pairou. E a noção de que todo o meu plano havia ido por água baixo, pesou nos meus ombros...E na minha cabeça também!
EU HAVIA SIDO CORNEADO!
Mesmo que o meu namoro — rolo -, com Sara fosse de mentirinha, só para afastar Felicity, ainda era bastante válido na frente de todo mundo já que ninguém sabia que tudo não se passava dum teatrinho barato.
— EITA, O QUEEN É CORNO!
— CARACA, MINHAS PRECES FORAM OUVIDAS!
Nem preciso falar quem disse o que, né?
Sara e Nyssa se separarem num pulo após Curtis e Felicity abrirem a matraca. Se eu não estivesse tão fulo da vida pelo o meu plano ter ido por goela abaixo — LITERALMENTE -, eu teria rido da expressão chocada de Sara ao ter sido pega no flagra na maior pegação com a cigana.
— O que tá acontecendo aqui?
Pra piorar mais ainda a situação Barry chegou bem no momento com os outros.
Pronto, agora eu tô lascado mesmo!
Respirando fundo, comecei a pensar numa alternativa para explicar a Barry o que tava rolando, mas quando nenhuma ideia brilhante cruzou minha mente, resolvi que o melhor seria agir como qualquer pessoa NORMAL agiria num cenário desses:
— MEU DEUS, SARA! EU NÃO ACREDITO QUE VOCÊ TÁ ME TRAINDO! — Fiz a cena, com direito a mão no coração e tudo.
Nervosa, ela não sabia se me encarava ou encarava Nyssa — que aliás, parecia estar rindo para mim mesmo com uma expressão séria, eu juro!
Já Barry relanceava um olhar incrédulo entre eu, Nyssa e Sara. Nossa coitado, o cérebro dele deveria estar dando pane.
— Nossa! — Rene piscava os olhos, impressionado — Nunca imaginaria que Nyssa gostasse de mulheres...Ainda mais compromissadas!
Curtis começou a rir escandalosamente.
— Quem diria que a cigana era destruidora de lares! A-D-O-R-E-I! — Desmoecou, batendo palmas e pulando sem parar.
Obviamente Felicity o acompanhou na folia, esquecendo que há minutos atrás estava quebrando o pau com ele.
— Nyssa, você tá de parabéns! — A loirinha fez sinal de joinha e eu a fitei indignado, mas ela nem ligou, ao invés, voltou a pular e comemorar com o aloprado.
Era sério isso?!
Constrangido, Barry limpou a garganta e me olhou sem jeito.
— Vamos sair e deixar vocês resolverem isso. — Disse ele e eu assenti com a cabeça, de acordo.
Quanto mais cedo eu pudesse esganar Sara por não seguir o plano, melhor. Ela não podia ter encontrado outro lugar pra pegar a macum...cigana não?!
— O que? E vamos perder a melhor parte? — Curtis bateu o pé no chão. — Ah nããão, Ponêi! DAQUI NÃO SAIO, DAQUI NINGUÉM ME TIRA!
Onde já se viu uma coisa dessas? Além de abusado, nem ligava de expor seu lado fofoqueiro. Te contar viu...
— Vou ser obrigado a te arrastar Zezé² Falsificada? — Rene perdeu a paciência, indo na direção de Curtis, que ao invés de tomar rumo, se animou mais ainda com a iniciativa do capataz.
— BONITÃO, VOCÊ PODE ME ARRASTAR ATÉ PRO MATO QUE EU NEM VOU LIGAR! EU QUERO VER TU ME CHAMAR DE AMENDOIM!³ — O viado mordeu o lábio, tentando ser provocante. E conseguiu!
Se Rene antes só queria arrastar o cara de pau, agora queria mesmo completar o serviço de Felicity.
Detectando o perigo da situação, Diggle como o homem de decisão que é, pegou Curtis por um braço e Felicity pelo outro, enquanto ouvia vaias e protestos dos mesmo. Em poucos segundos o celeiro se esvaziou, sobrando apenas eu e Sara.
Até a Corneia Playboy — to falando da brux...cigana que rima com sacana -, resolveu vazar.
— Sara, se explique. — Exigi altamente sério, com as mãos na cintura.
Ao invés da criatura se intimidar e começar com a lorota, ela simplesmente amarrou a cara, me encarando tão ou mais séria que eu.
— Minha explicação é simples: Não tenho que te explicar nada!
Arqueei uma sobrancelha. Hoje em dia os subordinados estão ficando abusados, ein?!
— Nós tínhamos um plano e você o arruinou! — Acusei indignado e ela me olhou como se eu tivesse acabado de falar a coisa mais absurda do mundo.
— Você tinha um plano, eu não.
Não me intimidei.
— Mas você fazia parte dele. — Insisti e ela fungou com incredulidade.
— Porque você me chantageou. — Apontou — Eu não queria fazer nada disso! Aliás, nem sei qual é o teu problema de não querer falar pra Felicity logo de cara que não quer nada com ela.
— Porque é falta de educação. — Retruquei, indiferente.
No fundo, no fundo, eu sentia uma certa relutância em destruir todos os sonhos cor de rosa que essa garota parecia ter idealizado comigo sabe-se-lá-porque-diabos. Já tinha ouvido falar muito por aí sobre amor à primeira vista, porém não conseguia acreditar que era esse o "combustível" que mantinha a loirinha no meu encalço.
Sara riu histérica.
— E chantagear amigos não é falta de educação também?
— Não te chantageei, te dei duas opções: Me ajudar ou Laurel saber que você quem deu em cima de mim na época quando estávamos namorando. — Corrigi com um sorriso satisfeito que não foi muito bem aceito já que o rosto de Sara começou a mudar de tonalidade.
Era um mix de cores, amarelo, rosa, vermelho, roxo...
Ok, era hora de me tornar benevolente antes que a mesma tivesse piripaque bem na minha frente.
— Não precisa implorar pelo o meu perdão, não irei contar nada para Laurel. — Comecei e Sara abriu a boca, mas eu levantei a mão — Também não precisa me oferecer favores motivados pela a culpa.
— Mas eu nã-
— Considere nossa conversa terminada. — A interrompi — Agora, tchau Sara, tenho trabalho a fazer!
Virei as costas e saí andando, carregando nos meus ombros o dilema que com certeza me traria bastante dor de cabeça: Dar um fora em Felicity ou sair correndo de Lian Yu?
Fiz uma careta, posar de sujeito bom estava sendo péssimo!
Felicity's Pov
Eu estava no paraíso!
Mais contente que jamais estive, olhei para Nyssa de esguelha, sentada numa cadeira da cozinha. Todos os demais estavam em volta da mesa, fingindo conversar um papo qualquer, quando era bastante óbvio que cada um gostaria de saber mesmo como acabaria esse triângulo — quarteto comigo! -, entre Sara, Nyssa e Oliver.
— Não acredito que tô aqui enjaulada perdendo o B.O. do ano! — Curtis reclamava zangado, lançando raios pelos olhos na direção de Diggle, que fingia não notar e seguia bebendo tranquilamente o seu café.
Se Diggle não tivesse uma arma, eu concordaria com Curtis abertamente, mas já que ele tinha...Me limitava a concordar com o Aloprado apenas internamente.
— Você tem sorte por não existir nenhuma jaula mesmo aqui na fazenda. — Rene resmungou — Ou você já estaria dentro dela faz tempo...Se bem que uma focinheira seria mais bem vinda no momento.
Os olhos de Curtis se esbugalharam.
— Que isso, Capataz?! Não sabia que você curtia um BDSM! — Exclamou ele, nitidamente empolgado — Me chama pra brincar de 50 tons que eu vou!
Balancei a cabeça. Não precisava nem tentar matar o Curtis mais, ele próprio faria o serviço sozinho.
— Barry, o que é BDSM? — Curioso, Akio a única criança do recinto, virou para Barry que começou a ficar vermelho igual uma beterraba.
Já Diggle se engasgou com o próprio café.
Constrangido, meu amigo respondeu:
— Algo que você não precisa saber, Akio.
— Se eu não precisasse não teria perguntado. — O pirralho retrucou, abusado.
Mas quando percebeu o olhar assassino que Barry começava a lhe lançar, não perdeu tempo para sair correndo e se esconder atrás de Rory.
Aproveitei a oportunidade que estava todo mundo distraído com Akio, para chegar um pouco mais perto de Nyssa e finalmente fazer a pergunta que estava na ponta da minha língua fazia minutos.
— Nyssa... — Cochichei baixinho e ela olhou pra mim.
— Sim?
— A surpresa boa e a ruim já aconteceram?
Porque pra mim a boa foi o flagra do Garanhão na namorada bandida — e consequentemente o fim do namoro deles, porque sério, como ele ficaria com ela após esse par de chifres bem dados? -, e a ruim — PÉSSIMA — foi o meu beijo FORÇADO com Curtis.
Uma expressão pensativa cruzou o seu rosto e eu me admirei por quão tranquila ela estava mesmo nessa situação caótica que ela ajudou criar. Tipo, ela havia acabado de destruir um relacionamento — valeu, Nyssa! — e não demonstrava nenhum pingo de remorso por isso...
Ela suspirou.
— Não sei se é correto eu responder isso pra você agora.
Agora ela ligava para o que era correto? Ah não!
Abri a boca para protestar, quando surpreendentemente Oliver cruzou o vão da cozinha e me deixou sem fala. Felizmente, não fui a única.
Todos estavam em silêncio, na maior expectativa de ouvir o babado do dia. No entanto, Oliver simplesmente encarou cada um de nós e após isso, em silêncio, se dirigiu até a pia da cozinha e pegou um copo de café.
Curtis não se aguentou:
— Caraca bonitão, não vai contar o B.O. pra gente não?
Em situações normais, numa hora dessas, Barry já teria interferido e conseguido livrar o bonitão das perguntas inconvenientes, mas dessa vez, Barry não ousou soltar sequer um pio!
— O que tenho para contar? — O Garanhão lançou um olhar penetrante ao Suicida Purpurinado — Vocês já sabem muito bem o que aconteceu. — Acrescentou, dessa vez deslizando o olhar para Nyssa.
Minha amiga sequer piscou. Ao invés, um sorriso esticou em seus lábios.
— Bonitão, que você foi corno a gente já tá consciente. — Suicida Purpurinado soltou sem pena — Nós só queremos saber mesmo se você tá livre, leve e solto novamente? E também o que aconteceu com a Loira Traíra? Tá morta lá no celeiro?
Ele levou um momento para pensar e eu juro, meu coração foi até o ombro e voltou, ao considerar que talvez ele de fato havia assassinado Sara.
— Tecnicamente, eu sempre fui livre. — Ele começou, lentamente — Eu e Sara só tínhamos um rolo, não era um namoro mesmo.
Todo corno é igual né? Não aceita o que é! Coitadinho...
Curtis fez cara de deboche. — Para de fingir bonitão, todo mundo te ouviu gritando que ela havia o traído.
— Foi no calor do momento! — A resposta de Oliver foi imediata — Fiquei chocado! Não sabia que Sara também curtia mulheres.
Cerrei os olhos, o estudando de maneira mais concentrada. Por que ele parecia estar mentindo?
— Porra Oliver, como assim você não sabia que a Sara era bi?
Surpreendendo todos, Tommy apareceu de repente na cozinha, trajando o maior sorriso de merda possível. E esse sorriso era dirigido exclusivamente ao meu Garanhão que não conseguiu disfarçar a fúria nos olhos.
— Por que eu deveria saber? Passei muitos anos sem a vê-la.
Tommy arqueou uma sobrancelha.
— Ué, mas esse fato não é nov-
O estrondo de uma porta batendo e uma voz bastante conhecida por mim, interrompeu Tommy:
— FELICITYYYYYYYYY, CHEGUEI!
AI MINHA SANTINHA DA BICLETINHA, DIZ QUE É MENTIRA!
Atônito, Tommy me encarou:
— Caraca, Felicity! Esqueci de falar que te trouxe um presente!
Presente ou castigo?
O abestado saiu em disparada da cozinha, sem nem notar que eu estava prestes a ter um ataque do coração.
— Nossa gente, por que a Barbie Pobre tá com essa expressão de quem tomou e doeu? — Ouvi Curtis cochichar para ninguém em particular.
Para o meu azar, sua resposta foi respondida quando o "presente" de Tommy chegou bem do ladinho dele:
— SURPREEEEEEESA! — Gritaram juntos e minha reação? Foi cair de volta na cadeira que mais cedo estava sentada.
Minha mãe de volta a Lian Yu quando Oliver Queen também estava ao redor, só poderia ser um pesadelo!
— Querida, não vai me dar um abraço? — Donna abriu os braços, olhando pra mim com o seu típico sorriso "Destrói Família".
E apenas um pensamento cruzou minha mente: AGORA SABIA QUAL ERA A SURPRESA RUIM QUE ME SURPREENDERIA!
É, minha casa caiu!
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