Amor Cigano
7 Sorria, Oliver!
Notas iniciais
Felicity's Pov
Mas gente...Quando pobre não se ferrava na entrada, se ferrava na saída né?
Após o desmaio de Curtis, todos nós fomos obrigados a arrastar o pavão, enquanto ele não acordava. O bonitão só foi acordar quando eu ameacei de chutar sua porta dianteira com toda a minha força — que não era pouca, vale ressaltar.
E agora, feito forasteiros, caminhávamos pela estradinha de terra esperando que ninguém nos flagrasse por essas redondezas. A parte mais difícil já havíamos feito: Sair da propriedade de Damien Darhk, sem sermos vistos.
O resto a gente se virava. Ou pedia alguma orientação para Deus, por considerar o horário já tarde que provavelmente chegaríamos na Fazenda Allen. Com certeza Barry já havia dado por nossa falta...Sem contar Laurel, que sem dúvida alguma, já estava colocando pra fora de casa as roupas de Tommy.
Não que eu a culpasse.
— Por que não fugimos? — Rene propôs de repente, com um olhar esperançoso na minha direção. — Ainda dá tempo.
Certamente ele já estava imaginando o tipo de "castigo" Barry aplicaria nele...E na minha pessoa, por aquela fuga frustrada.
Chutei uma pedrinha no meio do caminho, com raiva por ter seguido o conselho da Loira Falsa. Se eu não tivesse dado ouvidos àquela EFEE (Eva Falsa e Endemoniada), não estaria em apuros nesse momento.
— Viado, você acha mesmo que se eu tivesse dinheiro pra fugir, já não estaria agora bem linda em Las Vegas, olhando os bofes tudo? — Curtis se intrometeu, bem do jeitinho Curtis de ser.
Tommy e Sara soltaram uma risadinha, enquanto Rene se limitou a soltar um palavrão. Queria me juntar à dupla risadinha, mas não confraternizava mais com cobras — Eu rancorosa? Nem um pouco -, por isso, decidi ir o mais discretamente possível para o lado de Oliver.
De todos, ele era o que parecia mais compenetrado em chegar na fazenda — como se de algum modo, soubesse que Barry ou Laurel não o puniriam. Quanto a mim, tinha lá minhas dúvidas sobre isso. Barry era uma pessoa doce, o que não queria dizer necessariamente santa.
Já Laurel, era exatamente o que aparentava: Um vulcão. Um vulcão que com certeza, a essas horas, estava em erupção, louca para queimar Tommy Merlyn. E com sorte, Oliver Queen também. Ele merecia por ser safado o suficiente para ficar com Sara novamente.
Quer dizer, nem pra respeitar a pessoa — no caso, Laurel -, que estava lhe dando um teto e comida, né?! E isso não tinha nada a ver por eu me sentir traída vendo aquele filhote de demônio que o destino mandou para mim, confraternizando com a Loira Falsa...Imagine!
— Você não parece tão amedrontado quanto Tommy. — Observei, tentando puxar assunto com o garanhão. Ele me olhou de esguelha, ainda sem cessar o passo.
— Eu não sou o único casado aqui com uma mulher capaz de acertar um tiro na minha testa. — Ele retrucou e eu ri, achando engraçado todo aquele exagero.
Ele estava fazendo Laurel parecer Henrique VIII¹ de saias.
— Oras, você está exagerando!
Ele riu e eu fiquei surpresa pelo som. Na realidade, estava surpresa de fato por ele não ter saído correndo para longe de mim. Sara já tinha me deixado clara a opinião que Oliver tinha sobre a minha pessoa.
— Estou rindo mas tô falando sério. Laurel sabe como usar uma arma, o pai dela é policial.
Engoli em seco, após absorver a última informação.
— Isso ai, Oliver! Continue mesmo a me tranquilizar! — Ouvimos Tommy resmungar no canto dele, deixando claro que seus ouvidos ainda estavam funcionando direito, apesar de seus olhos não.
Lancei um olhar compadecido em sua direção. Pobre homem, morreria tão jovem!
— A culpa não é minha se você cavou sua própria sepultura. — O garanhão retrucou humorado e eu me senti mais leve com o seu tom.
Parecia que hoje ele estava mais acessível...Será que isso tinha a ver com a presença de Sara? Cerrei os olhos, incomodada. E irritada. E talvez até um pouco enciumada. O que Sara tinha, além dos cabelos incrivelmente brilhantes e bonitos, que eu não tinha? Era injusto! Porém, justo ou não, eu teria que passar por cima desse problema — aka Sara Maldita Falsa Lance -, e seguir em frente com o meu plano.
Nunca fui uma concorrente fácil de ser passada para trás.
— Lembre-se que você apoiou a minha ideia! — Tommy replicou com veemência.
O futuro defunto realmente parecia pensar que não tinha culpa em toda aquela tragédia...Coitado!
— Me acordar no meio da noite e me arrastar até um bar com você, não pode ser chamado de apoio, na realidade há um outro nome para isso...
Derrotado, Tommy se limitou a resmungar algo para sí, mas jurava ter ouvido um "amigos infiéis" junto com "esposas assassinas".
— Gente, eu ainda tô pra lá de bagdá ou vem vindo um carro na nossa direção? — Curtis perguntou de repente, parando nossa caminhada para a morte.
Em alerta, olhei para onde ele apontava e de fato, consegui enxergar um carro se aproximando...Ou era isso, ou eu também estava ainda bêbada. Olhei para o resto do povo, esperando por uma reação que comprovasse que o meu sistema já estava livre de pinga.
Felizmente, Rene se manifestou, sanando minhas dúvidas de recém-alcoólatra.
— Realmente há um carro vindo e...não é um que eu já tenho visto por aqui em Lian Yu.
Franzi o cenho, preocupada. Não entendia nada sobre marcas de carros ou modelos, porém sabia que Rene tinha razão. O carro era enorme demais, bonito demais, caro demais...Para ser de alguém da região. A menos, é claro, que algum cidadão tivesse ganho na megassena da noite para o dia. Não duvidava mais de nada à essa altura do campeonato.
— Meu sensor pra bofe rico na área tá querendo apitar!!! — Curtis começou a fazer uma dancinha escrota, possivelmente imaginando que daria um golpe no pobre cidadão dentro da caminhonete de luxo.
E falando em caminhonete...Olhei para Rene. Segundo ele, sua caminhonete estava estacionada na garagem que ficava ao lado do bar A.R.G.U.S. desde a noite passada, mas eu tinha a estranha sensação que não a encontraríamos lá. Não que Lian Yu fosse um lugar violento e infestado de ladrões. Ao contrário, por aqui tudo era tranquilo demais — só existiam ocorrências sobre vizinhos ultrapassando a cerca do outro, ou qualquer outra coisa fútil.
Entretanto, o episódio do blackout não saía da minha cabeça e a sensação de que NÃO encontraríamos a caminhonete de Rene tão fácil, também.
— GENTE ME SEGURA QUE EU VOU DAR O GOLPEEEE! — Curtis berrou e Sara o segurou, mas o escandaloso não parecia querer realmente ir atrás do carro, pelo jeito que se jogava em cima dela.
Começava a desconfiar que o mesmo estava querendo levar a falsa ao chão. O que não me incomodava nem um pouco. Na realidade, joguei uma piscadela na sua direção, o que só intensificou seu ataque contra Sara.
Finalmente eu tinha um Team Felicity no meu esquadrão! Viva!
— Ainda dá tempo da gente sair correndo, pessoal. — Rene voltou alertar, olhando fixamente para o grande carro que vinha na nossa direção, como se o mesmo fosse algum monstro.
— Quer dizer então que o Sr. Macho é uma farsa e só posa de alfa COMIGO? — Curtis resolveu atacar Rene, quando se viu imobilizado por Sara.
Os olhinhos da bicha brilhavam de emoção, e sua boca exibia um sorriso lascivo. Nem parecia que a qualquer momento poderíamos virar rolinho primavera.
— Continue abrindo a boca que quem vai acabar atingido por um golpe, será você! — Rene ameaçou irado, mostrando os punhos para a bicha.
Curtis nem piscou.
— Tá vendo só o que eu disse? Só entra em modo Macho Alfa comigo! Queridinho, não precisa fazer pose pra tentar me conquistar não. — Ele se livrou do aperto de Sara a empurrando para o lado, enquanto colocava as mãos na cintura delicadamente e abria o bocão. — JÁ TÔ CONQUISTADA DESDE O PRIMEIRO DIA!
Meu Deus, era agora que o pé de cana matava a viada louca.
Surpreendentemente, Oliver quem lançou um olhar tempestuoso na direção de Curtis — o que fez o mesmo calar a boca rapidamente e efetivamente, Rene desistir de cometer um homicídio. Ao menos, por hora.
— Peraí um pouquinho...Eu acho que reconheço esse carro! — Tommy observou alarmado, e sirenes começaram a soar em minha cabeça.
Tommy reconhecer qualquer coisa, não era uma bom negócio. Principalmente um carro luxuoso jamais visto por nós, numa estradinha vazia, quando corríamos — ok, nos arrastávamos -, para a civilização sem recordação alguma da noite passada.
— Ah, merda... — Sara soltou desanimada, provavelmente pensando o mesmo que eu.
Cruzes. Deveria começar a pensar diferente do modo atual. Não queria pensar feito aquela loira falsa do araque!
Tommy olhou rapidamente para Oliver, ignorando o comentário de Sara:
— Hey, aquele não é o carro do s-
— Sim. — Oliver o interrompeu, entredentes. Sua feição estava tão dura quanto a cabeça de Rene — sim, já havia tido o desprazer de experimentar bater naquela cabeça. Estava no ranking de uma das piores decisões que já tomei na minha vida.
— Alguém afim de nos atualizar? — Rene perguntou sarcástico e eu tive o instinto de ir para o seu lado.
Não sabia o quão volátil poderia ser o humor do garanhão, contudo, fazia uma certa ideia de que ele não suportava pessoas falando com ele daquela maneira. Qual é! O cara era um playboy!
— Ai, que bom que você perguntou, macho alfa! — Curtis bateu palminhas e Rene vociferou baixo, lançando-o um olhar furioso — Bem que tô querendo urgentemente uma atualização civil no meu status de solteiro.
Qualquer pessoa que tivesse cérebro, sacaria a indireta direta que o sem vergonha havia acabado de lançar.
Rene me encarou seriamente.
— Felicity, me diga uma boa razão para não matar esse maldito pavão agora mesmo.
Pensei rápido.
— Precisamos dar alguém em troca por nossas vidas, caso o dono do carro for um mercenário.
Ele pareceu aceitar bem minha resposta, já Curtis...
— Sua traíra maldita! — Rosnou pra mim — Tomara que a Galinha fique com o Garanhão no final!
Ops. Parecia que já não tinha mais um novo integrante no Team Felicity...
Dei de ombros, trajando um ar arrogante.
— E tomara que você acabe sozinha, ciscando com as galinhas por aí! — Desejei e ele me fitou boquiaberto.
Seus olhos começavam a marejar.
— Vaca encalhada!
Dessa vez, completamente ofendida, me preparei para o contra-ataque, mas fui interrompida pelo o luxuoso carro que finalmente parara perto de nós e pelo o homem enorme que saiu de dentro dele.
Engoli em seco, ao comprovar que de fato, não fazia sequer ideia de quem era aquele homem e também por ter notado uma arma de fogo pendurada em sua cintura.
MEU. DEUS. DO. CÉU. ERA HOJE!
Agarrei o braço de Rene na hora.
— Eu corro pra um lado e você pra outro. — Ele comandou baixinho só para eu ouvir e como uma boa sobrevivente, assenti com a cabeça, prontíssima para sair correndo e salvar minha bunda.
Quem ligava se eu ficaria viúva antes mesmo de casar? Eu não! Adeus Oliver Queen!
— Vou contar de um até cinco, ok? — Ele continuou e eu novamente só balancei a cabeça, incapaz de deixar qualquer pio sair dos meus lábios. Estava amedrontada demais com aquela arma reluzente na cintura do suposto turista me mandando um "Olá".
— Um...
Ele começou a contagem e o homem se aproximou mais. Ele tinha uma expressão tranquila no rosto.
— Dois...
Dei um passo para trás o mais discretamente possível e pelo canto dos olhos, notei quando Oliver deu um passo a frente.
Que diabos ele estava pensando em fazer?!
— Três...
Dei um passo mais largo para trás e vi quando o tal homem, parou na frente de Oliver. Ambos se encaravam intensamente e eu sentia minha mão suar de nervoso.
Ah merda, merda, merda.
— Quatro...
O homem deu um tapinha no ombro de Oliver e abriu um sorriso.
— Não acredito que você esteve escondido todo esse tempo aqui. — Falou e eu pisquei os olhos abismada.
Espera aí um pouquinho...OS DOIS SE CONHECIAM?!
Rene parou imediatamente a contagem e eu cancelei a minha fuga — ao menos, por hora.
— VOCÊS SE CONHECEM?????? — Curtis deu voz aos meus pensamentos, saindo de repente duma moita que eu sequer havia notado que ele foi parar dentro.
Não é que o espertinha estava também tentando fugir de fininho?!
Tommy o olhou atravessado.
— É claro que se conhecem! — Exclamou — Diggle é o guarda-costas do Oliver.
Franzi o cenho. Quer dizer então que Oliver tinha um guarda-costas? Ele só poderia ser mais rico que eu imaginava...E isso não era bom. Pelo menos, não para mim! Começava a imaginar as inúmeras mulheres que o rodeava por aí.
Como se já não bastasse a concorrência em forma de Sara Lance, agora me vinha mais essa bomba...Era bomba atrás de bomba! Cada dia fica mais difícil acreditar que esse potro é mesmo destinado para mim...
Suspirei desanimada, soltando o braço de Rene e resolvendo que o melhor a fazer, era observar o interlúdio entre guarda-costas e garanhão.
Ele não parecia nem um pouco contente com a presença do tal Diggle, mas até agora, não sabia exatamente o que poderia causar contentamento a este homem dificílimo.
— Parece que você é capaz de me encontrar até em alguma outra galáxia. — Oliver disse ao homem, disparando um olhar gélido que faria qualquer um tremer na base. Mas como o esperado, o tal Diggle não era qualquer um.
Ao invés, ele apenas ampliou mais o sorriso com a atitude malcriada do patrão.
— Se eu não te conhecesse, pensaria que isso foi um elogio.
Oliver sorriu com esgar.
— Pois ainda bem então que me conhece.
Após a breve troca de farpas, Diggle dedicou um olhar avaliatório para cada um de nós e quando chegou minha vez, me recusei a abaixar os olhos. O cara tinha uma arma, mas eu sabia como uma usar uma enxada!
SE ELE ME ATACAR, EU VOU ATACAR! Simples assim.
Como se entendesse o código implícito que os meus olhos transpassavam ao o encarar de volta, Diggle sorriu matreiramente e seus olhos me estudaram dos pés à cabeça mais uma vez, como num teste para conseguir me deixar constrangida. E conseguiu, mas eu não desviei o olhar.
— Parece que temos uma joia rara por aqui. — Ele disse finalmente, desviando o olhar do meu rosto para o de Oliver.
Meu rosto esquentou dez vezes mais. As pessoas aqui em Lian Yu gostavam de mim, porém, eram poucas as vezes em que me elogiavam abertamente. E Diggle, um completo estranho, fazer isso causou efeito sobre mim.
Acho que eu já não o temia...Inclusive, estava inclinada ao o aceitar no meu Team Felicity. E olha que eu sou bem seletiva em quem selecionar para o meu Team, ein!
— Nossa Felicity aqui é uma preciosidade mesmo. — Tommy se manifestou, lançando uma piscadela na minha direção.
Precisava urgentemente cavar um buraco na terra após tantos elogios.
Diggle estalou a língua nos dentes.
— Tommy Merlyn...Deveria imaginar que Oliver estaria contigo!
Após isso, se seguiu um abraço amigável entre os dois homens, deixando Oliver resmungando alguma coisa que ninguém conseguiria ouvir nem estando ao lado dele, e com o seu jeitinho de sempre, Curtis entrou em cena:
— UI, UI, UIIIII, SERÁ QUE EU POSSO PARTICIPAR DESSE ABRAÇO TAMBÉM? — Fez o escândalo, abrindo os braços, como se esperasse que os dois homens de fato corressem para o abraçar.
Me bati mentalmente. É claro que o desgraçado escandaloso faria uma cena dessas.
— Eu o odeio. — Rene murmurou, sem desgrudar os olhos da cena deplorável. Acenei com a cabeça.
— Eu também.
Notoriamente sem saber como lidar com aquela situação, Diggle lentamente se separou de Tommy e não surpreendendo mais ninguém — pelo menos, não eu. Que foi? Já tinha rolado muita coisa até agora para eu me surpreender com algo—, Tommy foi abraçar Curtis, alheio ao fato que o pilantra estava se aproveitando da situação para tirar uma casquinha de seu corpo.
Às vezes me perguntava se Tommy era idiota assim ou só se fazia.
Não sabia com qual das opções me preocupar mais.
(...)
Graças à carona de Diggle, chegamos ao nosso triste destino mais rápido que esperávamos, o que nós deixávamos mais tensos ainda para enfrentar o dilema de quem sairia primeiro do carro para encontrar Barry, que com certeza, já estava acordado a essas horas nos aguardando.
— O carro de Laurel está aqui na fazenda. — Observei, ao olhar pela janela o carro de Laurel estacionada bem na porteira das terras Allen.
— IIIIH, HOJE A JIROPOCA VAI PIÁÁ! — Curtis exclamou feliz, por poder testemunhar o barraco rolar. Notei quando Tommy empalideceu consideravelmente.
Oliver, que até então estava calado, revirou os olhos. Só não sei se foi pela atitude covarde do amigo ou por Curtis ser um desgramado.
— Não se preocupe, Tommy. Laurel ficará chocada demais ao ver Sara para tentar fazer alguma coisa contigo. — Ele consolou o amigo, mas foi eu quem ficou mais tranquila com a perspectiva de uma Lance matar outra.
Tinha me esquecido completamente que as irmãs não se viam fazia anos.
Visivelmente mais relaxado, Tommy sorriu para o amigo, já Sara estremeceu em seu lugar.
HA! Quem ri por último, ri melhor, não é mesmo?
— Acho melhor eu ficar aqui dentro do carro fazendo companhia para Diggle, enquanto vocês saem. — A cara de pau soltou essa, toda amedrontada.
Abri a boca, pronta pra dizer que a bonitona teria que colocar a cara no sol sim cedo ou tarde, quando Rene foi mais rápido:
— Loira, sem essa! — Bateu o pé — Estamos nessa furada por sua culpa também. Você não vai ficar aqui no carro escondida, enquanto eu e Felicity seguramos a bronca!
É ISSO AI!!! Muito bem Rene!
— Ei, não se esqueçam de mim! — Tommy gritou — Eu também vou segurar bronca, tá?!
— E eu não vou segurar nada não. — Curtis soltou uma risadinha — Mas se quiserem que eu segure...Tô disponível.
— Eu. Odeio. Ele. — Rene vociferou pausadamente e foi a minha vez de soltar uma risadinha.
Era bom ter alguém irritando Rene tão profundamente assim. Finalmente ele estava provando do mesmo veneno, após todos esses anos me azucrinar sem piedade alguma.
Oliver franziu o cenho para Curtis, mas não falou nada. Ao invés, abriu a porta do carro e saiu, esperando que todos nós fizéssemos o mesmo. Aos tropeços e empurrões, todos nós saímos, com exceção de Diggle que continuou atrás do volante com um sorriso idiota no rosto.
Parecia se divertir ao ver o patrãozinho agir de maneira arrogante mesmo na hora da morte. Quer dizer, da quase morte.
Duvidava que Barry o matasse, afinal, ainda precisava do Garanhão para salvar a fazenda — e ele também não tinha intimidade para tanto.
Feitos prisioneiros, andamos em fileira em direção ao casarão e não foi surpresa nenhuma visualizar Barry já na varanda nos esperando. Porém, o mais preocupante era sua pose: Em pé, com o seu típico chapéu de vaqueiro na cabeça e trajando nada mais, nada menos que uma pá em sua mão direita.
Ao seu lado, estava Laurel, segurando um taco de baseball, com uma expressão furiosa.
É HOJE QUE A CASA NÃO CAI, E SIM DESPENCA!
— Foi bom te conhecer, Tommy Merlyn. — Dei duas batidinhas no ombro do meu amigo-defunto que só soube soltar uma risada esganiçada com a visão da esposa segurando um taco de baseball.
— Ok, acho que posso te dar uma vantagem de 30 segundos, caso você decida fugir. — Oliver propôs em voz baixa ao amigo — Bem, talvez 50 se ela não usar o taco em mim. — Ele inclinou a cabeça para o lado, analisando melhor Laurel.
Ual, isso que é amizade.
— Cinco minutos, se usarmos a loira de isca. — Contribuí para a pesquisa, apontando pra Sara que estava tão encolhida atrás de Oliver, que Laurel até agora não conseguira ter um vislumbre da irmã fura olho.
Pega de surpresa, Sara levantou o olhar incrédula para mim e eu só dei de ombros. Que foi? Ela quem tinha começado com a guerra!
— Felicity tem razão! — Os olhos de Tommy se iluminaram emocionados e sem nem pensar duas vezes, agarrou o pulso de Sara e puxou ela para longe da proteção do corpo de Oliver, expondo ela para Laurel.
Excitada, virei para não perder a reação de Laurel e para a minha total desgraça, a doida empalideceu tanto, que parecia até ao ponto de ter um treco. Barry percebendo a situação da futura companheira de crime, a amparou.
Que droga! Não esperava uma reação dessas! Queria mesmo sangue nos olhos.
— Ai que reação mais fraquinha... — Curtis resmungou, cruzando os braços e olhando de modo azedo Laurel — Se fosse eu, pegava essa Galinha Caipira pelos os cabelos e fazia uma nova peruca pra mim!
Sara estreitou os olhos.
— Se você continuar colocando lenha na fogueira, logo será o seu cabelo que virará não uma bela peruca e sim um tapete! — Ameaçou.
Felizmente, Laurel ao ouvir a voz da irmã, se recuperou e com fogos nos olhos cravou um olhar nada, nada amistoso na direção da Galinha Caipira.
Adorei. E Tommy também, uma vez que o ódio da esposa já não era direcionado somente para ele.
Só não sentava para assistir o barraco, porque sabia que a qualquer momento teria de correr por minha vida. Mas que eu queria fazer isso, queria.
Feito um robô programado para matar, Laurel desceu da varanda e veio até nós, logo atrás dela estava Barry, parecendo um pouquinho só preocupado com o que poderia vir a correr em suas terras. Um montão de assassinato, à luz do dia, seria difícil de explicar para o xerife da cidade, viu.
— O que você está fazendo aqui? — Laurel já chegou agressiva, quase enfiando o dedo nas fuças da Galinha Caipira — Ou melhor, que droga você está fazendo com Tommy?!
Ihh, espera aí um pouco!
Laurel tava pensando que Sara tinha furado o olho dela de novo?! Arregalei os olhos, percebendo que a manobra de expor Sara havia sido péssima. Pelo menos péssima para Tommy. Tudo que queria fazer era ferrar com a Loira Falsa, não com Tommy!
Para a sorte do futuro-possível-divorciado do pedaço, Oliver entrou na frente da Loira Falsa que iria virar Loira Morta.
— Laurel, se você não percebeu, não era apenas Sara que estava com Tommy.
Ah, ótimo! Pra salvar a pele da falsa e do genro dela, ele precisava mesmo nos jogar aos lobos...Infeliz!
Sem perder a dica do ordinário que eu apelidara de Garanhão, Barry saiu de trás da asa de Laurel e passou a fitar eu e Rene de maneira sinistra, tanto que senti um suor gelado descer pelas minhas costas.
MAYDAY, MAYDAY, ABORTAR MISSÃO E CORRER PARA AS COLINAS!
— Algumas últimas palavras? — Barry quis saber, ao dobrar a manga de sua camisa e nos dedicar um olhar de quem estava pensando no melhor jeito de assassinar sem deixar rastros.
Em uníssono, eu e Rene gritamos:
— A CULPA FOI DELA!
Com a diferença que EU apontava pra Sara e o cara de pau maldito, apontava PARA MIM! Que falha de equipe era essa?!
— Ei, por que você tá apontando esse dedo pra mim? — Perguntei indignada com a audácia — É por essas e outras que o Rory é o meu preferido!
— Rory só é o seu preferido porque faz tudo que você pede! — Disse ele, fechando a cara. — Eu não deveria ter tentado o mesmo! Veja só o que me aconteceu.
Eu ri, incrédula.
— Me desculpe, o que TE aconteceu? Não se esqueça que eu estava presente e algo também aconteceu comigo!
Algo que eu esperava não ser trágico ou profano...Se bem que se tivesse ocorrido na noite anterior, algo profano, já seria o suficiente para eu considerar o episódio trágico...
Como sempre, ele exibiu aquele sua faceta arrogante que me fazia sempre lhe dar uns supapos e sem nem pensar duas vezes, já me preparei para a voadora de dois pés que iria meter na cara dele, quando Barry limpou a garganta, chamando atenção para sí.
Eu e Rene paralisamos na hora, e pra completar o banquete, comecei a sentir umas tremedeiras nas pernas.
A MORTE ESTAVA SE APROXIMANDO!!!
Sem fazer ideia de quem tomou a iniciativa lamentável primeiro, me vi agarrada a Rene como se minha própria vida dependesse disso, e para o meu espanto, ele também se agarrava em mim da mesma maneira.
Parecia que nós iríamos finalmente deixar nossas diferenças de lado durante a extinção das nossas peles.
— Ai, vocês dois são mais bichas que eu!
E quem resolvia se meter onde não era chamado? Exatamente, Curtis Holt. Nem na hora da morte alheia, ele demonstrava algum respeito...Te contar viu!
Seu comentário foi o suficiente para fazer Rene me soltar abruptamente, provocando o meu quase-tombo, se não fosse a habilidade do Garanhão em agarrar FIRME, FORTE E RÁPIDO. Tremi.
— Obrigada! — Agradeci, abrindo o meu sorriso colgate e aproveitando meus últimos momentos em contato com aquele ser celestial.
Oliver se limitou em apenas aprofundar a carranca no rosto e me soltar de maneira extremamente gentil — talvez com pena já do meu trágico destino. -, o que me fez quase desintegrar de vez.
SÓ PORQUE EU IA PASSAR DESSA PRA MELHOR, ELE ESTAVA ME TRATANDO ASSIM!
— Você só está falando isso, porque pensa estar livre de punição! — Rene latiu revoltado — Eu exijo que ele seja também punido, Barry!
É isso, Rene surtou de vez. Sua explosão repentina só serviu para deixar a bicha escandalosa — tô falando do Curtis! — chocada com direito a mãozinha no coração, enquanto a expressão de Barry só se tornava cada vez mais dura.
Oh painho...
Usufruindo da minha alma prática, pensei rápido:
— A única coisa que eu exijo HUMILDEMENTE, é 50 segundos para correr.
Uma garota simplesmente sabe a hora de bater em retirada.
Por um segundo, a carranca de Barry desapareceu e ele apenas me olhou de modo pensativo, até balançar com a cabeça negativamente.
Oh, merda!
Hora de apelar para o Plano B: Olhar de criatura inocente que jamais pensou num pecado só! (Apenas em vários)
— Mayday, mayday, a corna do cerrado está tendo um derrame!! — Curtis começou a debochar da minha cara, após sair do seu estado de choque.
Indignada pela ofensa, resolvi partir pra cima dele, mas uma pessoa foi mais rápida que eu:
— COMO É QUE É? — Laurel gritou de volta para ele, desviando os olhos momentaneamente de Tommy e Sara, para olhar o pavão escandaloso. — VOCÊ ME CHAMOU DO QUE? REPETE ISSO AGORA!
Ok, uma coisa era certa: Ninguém iria sair dessa fazenda com vida hoje.
Com os olhos esbugalhados, Curtis encarou a Lance virada no capeta.
— Calma amiga, eu não estava falando de você...Estava falando dela! — Apontou pra mim.
Para a sorte de Curtis, a postura de Laurel relaxou levemente e ela voltou a torrar com olhar Sara & Tommy, a dupla de futuros defuntos.
— Só por curiosidade, vai rolar alguma carnificina aqui ou não? Tá ficando já entediante. — Com a melhor cara de paisagem, o Garanhão soltou essa, como se estivesse falando do tempo e não de VIDAS PARA SEREM CEIFADAS!
A única coisa que iria rolar era o pinto dele necrosado.
Só percebi que deixei esse pensamento escapar em voz alta, quando fiquei sob o olhar mortificado de Oliver.
Oh, merda!
— EU NÃO QUIS DIZER ISSO! — Gritei já desesperada com a ideia do Garanhão ficar mais ainda receoso ao meu redor.
Lentamente, sua expressão mortificada foi se alterando, até ele conseguir fechar a boca e retomar aquela sua cara de paisagem que eu desconfiava ser bem típica dele.
— Você definitivamente é uma caixinha de surpresas. — Disse ele por fim, com um suspiro.
Pensei em retrucá-lo, contudo, pelo canto dos olhos conseguia notar algumas pessoas — certamente os empregados que ainda restavam na fazenda -, se aglomerarem ao nosso redor para observar o desfecho dessa história em primeira mão.
Fiz uma careta, quando esse pensamento cruzou minha mente. Não seria nada legal ter a fazenda inteira assistindo Barry me dar um sermão...
— Caixinha de surpresas? Tá mais pra caixinha do bipolarismo! Uma hora ela quer te agarrar e outra hora quer arrancar o seu brinquedinho... — Curtis me olhou atravessado — Aiai, não dá pra entender essa racha do sertão...Se não quer o bofe, não o estrague! Tem quem queira!
Incapaz de articular algo em minha defesa, bufei irritada pelo pavão estar com razão. Não imaginava poder sentir tantas coisas diferentes ao mesmo tempo, pela suposta pessoa que era predestinada a mudar minha vida. Mas talvez por isso mesmo, fizesse sentido eu sentir esse mix de emoções.
— Fique quieto, idiota. — Mandei emburrada e ele me mandou língua.
Tá vendo o nível de pessoa com quem eu teria que morrer hoje? Deprimente!
Virei para Barry, com minha coragem recém-descoberta:
— Tá legal, mudei de ideia, quero o mesmo que Rene: Que Curtis também seja castigado!
Barry abriu a boca, provavelmente para refurtar minha ideia de levar a bicha escandalosa para cova comigo, quando ouvimos o barulho inconfundível de tapa preencher o ar.
Boquiaberta, assisti Sara levar a mão em direção ao rosto, consternada. Ao lado dela, tinha um Tommy tão ou mais surpreso quanto eu.
Num é que a Vulcão Lance tinha descido o tapa na Lance Fura olho?
— Eita, que agora vai ter porrada! — Curtis comemorou e em troca, recebeu um olhar furioso de Oliver, que não demorou muito em agir a favor da Lance Fura olho. PATÉTICO! Era outro que merecia um tapão!!!
— Ei Laurel, pra que fazer isso com Sara? — Chegou perto da vulcão ativo dando sermão — Você está casada com Tommy, tudo isso não passa de águas passadas. Deixe essa história entre eu, você e Sara, no passado!
Irada, Laurel colocou as mãos na cintura.
— Não dei esse tapa nela especificamente por sua causa! Já te superei faz muito tempo, Oliver, não fique se subestimando.
Ual. Se pudesse, minha boca abriria mais ainda após esse fora digno de novela.
Visivelmente desconcertado, Oliver pigarreou.
— Então o tapa foi por causa de que? Tommy não a traiu, se é isso que está pensando.
Laurel rolou os olhos.
— Também não foi por causa de Tommy e eu sei que ele não me traiu! Ainda não está louco o suficiente para isso.
Hein? Então o tapa tinha sido por livre e espontânea vontade de sentar a mão na cara de alguém?
— Então foi por quê? — Oliver quis saber, impaciente.
Com o rosto vermelho de raiva, Laurel respondeu apontando um dedo acusador nas fuças da irmã, que limitava-se apenas a manter o silêncio:
— Porque ela me traiu!
E ela dizendo que não tinha batido na falsa por conta de Oliver....
— E daí? Eu também te traí.
Laurel tragou a saliva, parecendo querer se controlar para não acabar sentado o tapa também no Garanhão. Olha, eu nem ligaria se ela o fizesse....
— Sim, você também me traiu. — Laurel sacudiu a cabeça, furiosa — Mas a diferença entre você e Sara, é que você não fugiu para Deus-sabe-aonde após eu descobrir toda a verdade.
Ah, agora eu estava entendendo. E pela expressão de Oliver, ele também.
Laurel estava falando sobre uma traição infinitamente pior que a própria irmã roubar seu namorado.
— Ela simplesmente resolveu sumir da minha vida por anos! Eu sequer tinha o seu número para ao menos xingá-la via sms. — Laurel continuava histérica — Não me permitiu odiá-la livremente ou perdoá-la! Ela mereceu esse tapa e merecia também uma surra, mas... — Respirou fundo e Tommy, com cautela, foi para o lado da esposa, esperando acalmá-la ou sabe-se-lá-o-quê. — Mas já me sinto revigorada com esse tapa. Como Oliver disse, já estou casada com Tommy e tudo isso são águas passadas. Só queria finalmente virar essa página. — Pausa dramática — Espero que Barry não arranque muito o couro de vocês, crianças, ou terei muito trabalho com o serviço funerário de Lian Yu.
E como se não tivesse dito nada demais, Laurel saiu andando, deixando todos nós estupefatos a olhando partir para longe da fazenda e deixando para trás, o marido-futuro-defunto.
— Eu não acredito que ela me deixou para trás...
— Eu não acredito que ela nos chamou de crianças.
— Eu não acredito que não rolou porradeiro.
Tommy, Oliver e Curtis balbuciaram em uníssono, mas era muito fácil saber quem falou o quê.
Atrás de nós, Barry pigarreou e sem mais alternativas, viramos para encarar nossa sina.
Com um brilho esquisito nos olhos, Barry sorriu sinistramente na nossa direção e se limitou a dizer somente:
— Espero que vocês tenham tomado café da manhã hoje.
(...)
— EU VOU VOMITAR NA SUA CABEÇA!
E eu queria chorar, por conseguir me identificar com cada gritinho histérico que Curtis soltava de cinco em cinco minutos.
Dessa vez, Barry havia acertado em cheio no castigo e em sua dose. Debaixo do sol da tarde, estava eu e cia trabalhando para tirar esterco de cavalo ao redor da fazenda. Bem, eu & cia com exceção de Oliver que muito esperto, deu a desculpa de apresentar John Diggle — seu segurança -, para Barry e tinha sumido desde então. Do castigo, o único que havia se livrado, era ele.
Até Tommy, com seu rosto verde por segurar o vômito, estava passando por sua punição. Fiel à sua atitude, Laurel não tinha voltado nenhuma vez só, para averiguar se o marido, amigo e irmã, ainda permaneciam vivos.
Rory, como um bom garoto, quando ouviu dos empregados que eu, Rene, Sara, Tommy e Curtis estávamos limpando esterco de cavalo como punição, veio ao nosso socorro. Ou como eu gostava de pensar: Veio ao MEU socorro. Era por essas e outras que além dele ser o meu favorito, era também o meu anjo da guarda na terra.
Quem em sã consciência ajudaria uma pessoa a limpar bosta de cavalo, a troco de nada?! Só Rory mesmo!
— Vomite em mim e será a última coisa que você fará em vida. — Rene declarou fatalista, dando uma pausa do trabalho sujo, para secar o suor que escorria pelo seu rosto.
Diferente de Curtis que ao ouvir a sentença de Barry, foi correndo para dentro do casarão achar um óculos de sol e um chapéu, em busca de proteção para o sol infernal que estava sobre Lian Yu, eu e os demais presentes nos limitamos a apenas chorar. Ou ao menos, simular um choro para tentar amolecer o coração de Barry, mas nem isso funcionou!
Agora, nós só contávamos com a proteção de Deus para sobrevivermos a esse clima de sertão, ao redor de bosta fresca.
— Seu ridículo! Só tô aqui por sua culpa e por culpa da Barbie do Sertão! — Curtis apontou um dedo acusador primeiro para Rene e depois para mim.
Seu rosto carregava toda a cólera que estava sentindo.
Bufei irritada.
— A culpa é sua por ter parado justamente aqui nesta fazenda!
Feito um peixe fora d'água, Curtis abriu e fechou a boca repetidas vezes, sem saber o que dizer para replicar minha declaração.
— Ai...você...você me irrita tanto! — Exclamou por fim, jogando o nariz para o alto e fazendo pose de superior.
A cena poderia ter sido bem interessante, se não houvesse se tornado ridícula por ele estar rodeado por bostas e trajando um óculos maior que seu próprio rosto. Claro, isso sem contar com a pá apoiada na lateral de seu corpo.
Tive que rir com isso.
— Não há de quê, Curtis, não há de quê...
— Oras pessoal, poderia ser pior — Rory disse suave —, ao invés de estarmos limpando bosta de cavalo, poderíamos estar limpando as das vacas.
Isso foi o suficiente para fazer meu estômago revirar e a bile subir por minha garganta.
— AI MEU DEUS, A PINGA VAI DESCER IGUAL CACHOEIRA! — Curtis berrava, ao sair correndo em direção à cerca que dava limites para os cavalos pastarem.
Igualmente enjoado pelo tema e ambiente, junto ao seu estômago fraco para bebidas, que ainda sofria pelo porre da noite anterior,Tommy saiu correndo na mesma direção que Curtis, certamente com a mesma intenção do mesmo.
Ao meu lado, Rene parou seu trabalho para admirar a cena. E como se algum Deus estivesse zombando de Curtis e Tommy, ambos escorregaram ao mesmo tempo numa bosta e Tommy ao ver que iria ao chão sozinho, puxou Curtis pela manga da camisa, levando-o ao chão com ele.
— AAAAAAAAAAAAAAAAA TEM BOSTA EM MIM, AAAAAAAAA!!!!!! — Curtis surtava, se debatendo no chão. — TIRA ISSO DE MIM, TIRA, TIRA, TIRA!!!
Sem conseguir nos conter, eu, Rene, Sara e Rory ríamos alto perante a cena hilária. Os empregados atraídos por nossas risadas e pelos gritos do escandaloso, não demoraram a chegar para conferirem o que estava acontecendo. No meio deles, estava Barry, Oliver e Diggle.
— Parece que Curtis conseguiu receber um tratamento de pele grátis. — Sara gracejou, com o humor aparentemente recuperado após receber aquele tabefe mágico da irmã.
Revirei os olhos, hahaha! Ela quem deveria estar no lugar de Tommy.
— Curtis, fica quieto! — Tommy pedia, ao tentar levantar e ser impedido por Curtis, que agitava as mãos e pernas sem parar, lançando aos ares lama e esterco.
Por sorte, estávamos longe o suficiente para não sermos atingidos. Diferente de Tommy...Que a cada movimento de Curtis, recebia mais bosta na cara.
Eles tinham até se esquecido de vomitar, pensei sem desmanchar o meu sorriso do rosto.
— NÃO ME PEDE PRA FICAR QUIETA, BOFE!!! SE EU FICAR QUIETA, CAIO AQUI DURINHA, TÔ TE DIZENDO!
Visivelmente impaciente para sair daquele atoleiro de merda, Tommy fez o que qualquer um em sua posição teria feito:
— AJA COMO UM HOMEM, MULHER! — Exigiu, segurando Curtis pelo colarinho da camisa, para logo em seguida, o largar estagnado no chão.
Um silêncio sepulcral caiu sobre o ambiente, até Curtis lentamente se levantar do chão e olhar de maneira enigmática Tommy, que já parecia arrependido por suas palavras rudes ao escandaloso.
— Viado, a próxima vez que você me pegar desse jeito, vou enterrar minha mão todinha... — Pausa —...na sua cara!
Dito isso, ele virou os calcanhares todo pomposo e caminhou em direção ao casarão, provavelmente atrás de um banho. Porém sua pose não durou por muito tempo quando ele começou a correr dando saltinhos e gritinhos, sobre estar "pagando por todos os pecados", arrancando risadas de todos.
— Esse sim é uma figura. — Diggle comentou divertido, maneando a cabeça.
— Sim, de fato é. — Barry concordou e depois virou para mim, com uma expressão um pouco mais suave que a de mais cedo. — Felicity, acredito que agora você possa se retirar, seu serviço já está completo.
Semicerrei os olhos, desconfiada. Meu trabalho estava longe de estar feito, mas se Barry, quem havia o aplicado dizia que estava...Ah, ele estava me absolvendo de meus pecados prévios, ótimo!
Abri um sorrisão.
— Valeu, Barry!
E saí em disparada na mesma direção que Curtis, antes que Barry mudasse de ideia. Estava doida para tomar um banho e com sorte, após o mesmo, aproveitar um momento de quietude para refletir e recordar o que diabos havia acontecido ontem a noite.
(...)
Eu era uma alma condenada por sequer ter pensado em ter sorte para ficar sozinha, numa fazenda rodeada de pessoas enviadas por sabe-se-lá-qual-entidade para me importunarem à cada segundo.
Assim que saí do banho, me vi arrastada por Curtis até a cozinha, onde a turminha do barulho estava toda reunida, ouvindo o relato de COMO Barry descobriu que nós havíamos dado uma fugidinha exatamente PARA A.R.G.U.S.
— Acordei hoje no mesmo horário de sempre, quando encontrei na minha sala, Floyd. Além da sua aparição ser bastante atípica por aqui, ele também parecia preocupado com alguma coisa e foi quando eu perguntei o que estava acontecendo. — Ele relatava calmamente, mas uma nota de censura poderia ser detectada no seu tom — Imaginava que algo ia mal no bar, quando ele me contou exatamente o que vocês aprontaram e como estava preocupado com os seus paradeiros.
Senti o meu coração acelerar, com a perspectiva de finalmente ouvir o que havia ocorrido noite passada.
Sem se abalar com os olhares expectantes, Barry continuou:
— Segundo ele, após uma rodada de bebidas, vocês todos festejaram ao redor do salão do bar, dançaram, alguns subiram em cima das mesas — Dessa vez, ele dedicou um olhar penetrante a Curtis e Sara, que soltaram risadinhas sem graça —, e depois tiveram a grande ideia de darem uma voltinha por Lian Yu. Foi aí que Floyd perdeu vocês de vista e sem poder deixar o bar sozinho, resolveu que o melhor seria aguardar notícias. Quando nem notícias e nem vocês apareceram ao redor do bar pela manhã, ele concluiu que o melhor seria vir até aqui e averiguar o paradeiro de vocês. Foi assim que eu descobri a travessura de vocês. — Pausa — Mas, o que eu gostaria de descobrir mesmo, é aonde vocês foram após A.R.G.U.S...
Engraçado, eu também.
Curtis soltou outra risadinha, como se tivesse pensado o mesmo que eu, com a diferença que achava o pensamento muito engraçado. L-O-U-C-O.
— O que eu quero mesmo descobrir, é a localização da minha caminhonete. — Rene resmungou, em um canto da cozinha, de braços cruzados.
Pisquei os olhos, chocada por ter me esquecido daquele pequeno detalhe. Onde diabos estava a caminhonete de Rene, afinal?!
Um sorriso travesso cruzou o rosto de Barry e eu entrei em alerta.
— Não se preocupe sobre a sua caminhonete, Rene. Ela está na casa de Slade.
SLADE? Arregalei os olhos assombrada, assim como Rene. Agora entendia o motivo do sorrisinho de Barry...
— Na casa de Slade? Como minha caminhonete foi parar lá?!
— Slade? Quem é Slade? — Curtis se intrometeu na conversa, confuso.
Oliver em contrapartida, tinha um dedo no queixo, pensativo. Diggle ao seu lado, tinha o mesmo ar pensativo, parecendo também querer solucionar aquela charada que à cada minuto ficava mais confusa.
Já eu, estava entre rir ou chorar.
Slade Wilson, era Loki — o Deus da trapaça e da travessura — reencarnado em Lian Yu!
Todo mundo ficava atento ao seu redor para não cometer nenhuma gafe, porque caso isso ocorresse, era certo que Slade passaria anos e mais anos gracejando sobre o evento. Sabia disso em primeira mão, já que Slade fazia questão de sempre relembrar o meu famoso caso de: Atingida por um coice, após falar em alto bom som, que sabia muito bem como lidar com um cavalo.
Pior. Dia. da. Minha. Vida.
— Slade Wilson é o dono do bar que estávamos. — Tommy explicou rápido para Curtis e logo repetiu a pergunta de Rene, para Barry — E como a caminhonete de Rene foi parar na casa dele?!
Barry deu de ombros.
— Slade não me explicou os detalhes ao me ligar hoje e dizer sobre a localização da caminhonete, só disse que a traria aqui mais tarde.
Tradução: Ele passaria aqui mais tarde simplesmente pelo prazer que sentia ao nos infernizar e não porque era um bom samaritano prestes a devolver algo que não era dele.
— Ele é o dono daquele bar? — Curtis arqueou uma sobrancelha — Espero que ele nos dê entrada VIP na próxima vez, do tanto que gastamos bebendo lá noite passada! Se eu já estava pobre antes, agora tô ralé passada do recibo.
Rene grunhiu, mas não falou nada, certamente cansado demais para discutir com Curtis. Apostava que ele estava guardando combustível para mais tarde, quando Slade chegasse.
E falando na carniça...Ouvimos alguém bater na porta do casarão.
— Não imaginava que ele viria tão cedo! — Barry comentou surpreso, olhando o próprio relógio de pulso.
Quando o assunto era Slade e horário, o cara era uma caixinha de surpresas. Diferente de Barry que sempre chegava em algum lugar atrasado sem querer, Slade o fazia de propósito. Ou ele chegava tarde demais ou cedo demais. Hoje, pelo visto, ele resolveu chegar cedo demais...O que era péssimo!
Prestativa como sempre, me arrastei em direção à porta para atender Slade, atrás de mim conseguia ouvir os passos dos condenados de plantão. Rezando para Slade não pegar muito pesado na frente do Garanhão, abri a porta de supetão e faltei cair pra trás com quem vi parada na minha frente.
— NYSSA!!!!! — Gritei, puxando minha pessoa favorita na terra para um abraço.
— Olá, Felicity. — Ela me saudou, após conseguir se livrar do meu abraço de urso.
Abri um sorriso animado. — O que você faz por aqui, Nyssa? Não que eu não goste de sua presença, é claro!
Em resposta, ela fez um gesto vago com a mão.
— Só precisava conferir uma coisa. — Disse e eu franzi o cenho, desconfiada.
Será que ela já sabia sobre minha aventura noite passada? Provavelmente, foi a resposta sussurrada que recebi no meu ouvido, fazendo-me dar um pulo, assustada.
Geralmente, qualquer pessoa ao redor de Nyssa, conseguia sentir e ouvir coisas estranhas. Ela dizia ser por conta do seu contato com as pessoas do "outro lado" do véu, que de alguma forma, acabavam ficando ao redor dela nesse plano espiritual.
Ela nem alterou sua expressão diante minha reação, mas nos seus olhos tinha um brilho que indicava que ela sabia o que havia me ocorrido. Engoli em seco.
Nyssa era ótima, porém muito sinistra para o meu gosto. Ainda bem que eu não era sua inimiga!
— Que coisa você precisava conferir? — Barry perguntou genuinamente interessado.
Ao invés de responder, Nyssa começou esquadrinhar com o olhar todo o perímetro e só parou sua busca quando olhou um ponto atrás das minhas costas. Congelei no lugar, tenebrosa.
O que tinha atrás de mim? Quem estava atrás de mim? SOCORRO!!!!
Lentamente, girei os calcanhares e dei de cara com Oliver, que permanecia com o mesmo ar pensativo de antes, só que agora seus olhos tinham como alvo Nyssa.
Não gostei.
— Já conferi. — Ela respondeu, ao desviar o olhar de Oliver para Barry.
Não precisava ser muito inteligente para sacar que o seu objeto de interesse naquela visitinha, foi Oliver.
Constrangido, Barry corou por Nyssa e Oliver, já que ambos pareciam incapazes disso. Eu por outro lado, comecei a maquinar mil teorias para Nyssa estar dando AQUELE olhar para Oliver.
— Hmm...Quer tomar algum café? — Barry convidou, tentando quebrar aquele clima chato.
Ela maneou a cabeça negativamente.
— Não, obrigada. — Ela virou para mim e abriu um sorriso maior — Felicity, continue seguindo o mesmo caminho que você está seguindo.
Hein? Ela tava dizendo para eu me tornar uma pé de cana?
— Belo caminho que ela está seguindo... — Oliver resmungou baixinho, mas alto o suficiente para eu ouvir.
O fulminei com o olhar. Ah, se ele soubesse que o meu caminho era o qual sacudiria seu mundo!
Nyssa riu.
— Não importa se o caminho é feio ou bonito, o que importa é o que espera ela no final dele.
Com um olhar crítico, Oliver cruzou os braços.
— Ninguém sabe com certeza o que nos aguarda no final da nossa jornada.
— Será que não? — Nyssa fez uma pausa e acrescentou, logo em seguida olhando para Barry: — Como sempre foi um prazer te visitar, Barry, mas agora preciso voltar aos meus afazeres em casa.
Aturdido, Barry piscou sem entender nada.
— Mas...Mas você não acabou de chegar? — Gaguejou.
— Sim e agora estou indo embora. — Sua voz soou alegre e sem esperar, girou os calcanhares, indo até a porta.
Apressado, Barry correu para abrir a porta e agradecer pela visita mais rápida que já teve em sua vida. E para surpresa de todos, assim que Barry fechou a porta, pudemos ouvir Nyssa gritar do lado de fora:
— SORRIA, OLIVER! SUA JORNADA TERÁ UM FINAL BONITO!
Por que infernos senti os pêlos do meu braço eriçarem? E por que Oliver agora estava com cara de quem tinha uma constipação? Pior, por que todo mundo ficou em completo silêncio?!
O mais triste era que eu sabia a resposta para todas essas perguntas...De alguma forma sinistra, parecia que todos nós, havíamos acabado de ouvir uma profecia. E uma profecia das boas.
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