Amor Cigano
8 A proposta
Notas iniciais
Oliver tinha certeza que não existia nenhum maldito ser normal em Lian Yu. Já havia desconfiado desse fato com a primeira abordagem de Felicity, depois com Nyssa, mas agora com a aparição relâmpago de Slade Wilson? Tinha a absoluta maldita certeza.
O cara era uma figura praticamente retirada de algum desenho animado e recolocada no mundo real, como se por um acidente. Erroneamente, assim que Oliver o viu, julgou que ele fosse mais um morador de Lian Yu com humor sossegado...Isso até o homem cruzar a sala de Barry e demonstrar seu 'tique-nervoso' bem atípico.
— ORA, ORA, ORA..... — Gritou, olhando diretamente para Oliver — O que temos por aqui... — Diminuiu o tom — EU CONHEÇO O SEU ROSTO! — Voltou a gritar, apontando um dedo em direção ao rosto de Oliver. — Você não é Oliver Queen, o CEO da QC? — E novamente, voltou a diminuir o tom de voz.
Bizarro. Oliver jamais iria imaginar um tique-nervoso como esse.
Sem saber ao certo como se comportar ao redor de um louco — o que Slade Wilson claramente era para Oliver -, ele apenas balançou a cabeça lentamente, estudando os movimentos do homem. Qualquer coisa jogaria Diggle na sua frente de escudo e sairia correndo. Covarde? Não, mas sabia os seus limites.
— AH, EU FINALMENTE ESTOU CONHECENDO UM BILIONÁRIO DE VERDADE! — Gritou feliz, fazendo Curtis e Sara pularem assustados.
— Ai que viado escandaloso, socorro! — Curtis exclamou, colocando a mão no coração e encarando Slade como se fosse uma aberração.
Dessa vez, ninguém resolveu o contrariar. Porque finalmente Curtis parecia estar correto na sua suposição.
— Ei, como assim você finalmente está conhecendo um bilionário de verdade? — Tommy perguntou, lançando um olhar indignado para Slade — E eu????
— Você não conta mais ou esqueceu? — Deu um breve sorriso afável, para logo em seguida, fechar a expressão e gritar: — VOCÊ ESTÁ POBRE, TOMMY MERLYN!
Não perdendo a oportunidade, Curtis correu em direção a Rene e se agarrou em seu braço, enquanto gritava:
— AI EU TO ASSUSTADA COM ESSE BOFE, ME PROTEGE DELE ONÇA MACHO!!!!!
As. Piores. Pessoas. Do. Universo.
Oliver precisava sair rápido dali, ele decidiu, começando a caçar rotas de fuga enquanto o pandemônio se instalava no local. Fazia anos que uma mera noite de bebedeira, o lançava numa situação caótica assim.
— Slade é inofensivo, Curtis. — Barry disse, tentando apaziguar o cenário. Já René, resolveu a situação do mesmo jeito de sempre: Empurrando Curtis para longe — fazendo-o quase atravessar a janela da sala -, e usando sua frase de praxe.
— EU. ODEIO. ELE.
— E eu te adoro, bofe. — Curtis retrucou, após se recuperar da quase morte por defenestração.
Não parecendo nem um pouco afetado com a manifestação geral, Slade parou na frente de Oliver, oferecendo sua mão num cumprimento rápido.
— Prazer em conhecê-lo, me chamo Slade Wilson e não ligue para nada que esses dois falarem sobre mim. — Dedicou um olhar mortífero para Felicity e René — ELES MENTEM! Eu sou inofensivo, assim como Barry disse.
Oliver tinha quase certeza que quem estava mentindo ali, era ele. E Barry, mesmo sem querer. O garoto apenas era bonzinho demais para enxergar aquele brilho malicioso nos olhos de Slade, que atualmente, ele próprio estava vendo.
— O que?! — Felicity o olhou ultrajada — Você está tentando me chamar de mentirosa, Slade Wilson?
Inabalável, ele deu de ombros.
— É claro, princesinha. — Sorriu travesso — Ou não é você a pessoa quem disse em alto e bom som, durante um rodeio, que sabia como montar em um cavalo e acabou levando coice do mesmo?
C-R-U-E-L. Slade Wilson era louco e cruel, Oliver concluiu ao perceber o rosto de Felicity adquirir todas as tonalidades possíveis, enquanto todos os demais começavam a rir do evento passado da loira atrevida. Exceto por ele, que ainda tentava ter uma compostura...Mas ao imaginar Felicity toda pomposa, falando aquela frase para levar um coice logo em seguida...Seus lábios tremeram, tentando conter desesperadamente a risada.
— Isso é golpe baixo! — Ela exclamou indignada — Isso foi há muito tempo atrás, ninguém se lembra disso, além de você!
— Uh-hmm, acho que você quer dizer que ninguém além de mim, gosta de relembrar tanto o evento em alto e bom som.
Ele tinha um ponto. Um ponto excelente que sequer Felicity poderia contrariar. Era óbvio que todo mundo lembrava de tempos em tempos sua vergonha, contudo, só Slade era capaz de falá-la em voz alta.
Bastardo, ela resmungou baixinho, cruzando os braços e adotando um bico. Um bico adorável, Oliver notou. Pena que ela fosse tão...
— Ok, vamos falar de coisas mais importantes! — René interrompeu a troca de farpas — Como por exemplo: Você trouxe minha caminhonete? E por que eu a deixei na sua casa?
Oh, aquelas eram perguntas chaves que conseguiu prender a atenção de todos ao redor.
Slade dedicou um olhar felino para todos.
— Ahh, agora vocês querem saber o que aconteceu noite passada...
— Eu não estava, mas também gostaria de saber. — Diggle comentou humorado e ganhou em troca olhares nada amistosos, com exceção de Slade, que o olhava interessado.
— E você é? — Perguntou.
— John Diggle, o seg-
— Oh, o segurança, é claro! — O interrompeu e ganhou imediatamente um olhar geral de desconfiança. Como ele sabia disso?!
Como se soubesse o que todos estavam pensando, Slade deu de ombros e justificou:
— Eu gosto de ler sobre a vida dos ricos.
— Eu nunca esperei isso de você, Slade! — Tommy parecia verdadeiramente decepcionado, entretanto, o brilho perverso nos seus olhos o denunciava: Estava se divertindo com aquela nova descoberta.
Oliver revirou os olhos. Tommy tinha uma veia artística e tanto...
— Que tal nós focarmos na parte importante aqui? — René se impacientou e ganhou em troca um olhar carregado de significados, cortesia de Slade.
— Ah, claro, claro... — Ele assentiu — Vamos falar sobre como vocês, JOVENS SELVAGENS, foram parar na MINHA RESIDÊNCIA, tarde da noite. Mas antes, quero contar a história oficial, pois EU SEI que Floyd NÃO CONTOU TUDO.
Felicity's Pov
Por que ele estava sorrindo?
Após a declaração de Slade, um silêncio expectante caiu sobre a sala, enquanto todos nós esperávamos tensos o relato sobre que diabos havíamos aprontado noite passada. Por que diabos Floyd não tinha contado tudo para Barry nessa manhã? Será que era tão ruim assim? Oh, céus!
Se a história que Barry havia nos contado mais cedo, não era a oficial e mesmo assim havia nos proporcionado um castigo recheado de esterco, isso só queria dizer uma coisa: Estávamos ferrados!
Abri a boca, prestes a suplorar para que Slade calasse o bico, quando percebi que já era tarde demais. Slade já tinha começado a falar.
E o pior, com um semblante completamente malicioso.
— ENTÃO, estava eu, fazendo as minhas coisinhas naquela fatídica noite. — E depois eu era a dramática — QUANDO decidi dar uma conferida no movimento do bar, UMA VEZ que o deixei nas mãos de Floyd, meu CARO AMIGO Floyd. Chegando no bar, visualizei logo DE CARA, os dois playboyzinhos — Apontou para Oliver e Tommy com o queixo —, então resolvi ficar por perto de olh-
— Como assim você estava no bar? Ninguém te viu lá! — Tommy o interrompeu revoltado e eu comecei a por para trabalhar minhas engrenagens, imaginando motivos para ninguém ter visto Slade naquela fatídica noite ou citado o mesmo.
Slade deu de ombros.
— Tenho os meus meios, garoto. E o bar é meu, não é mesmo? O conheço com a palma da minha mão. — Como para reforçar o que estava falando, ele ergueu a mão dele e Curtis soltou uma risadinha.
— Ui, que mão grande! — Comentou descaradamente e eu cogitei a ideia de finalmente completar o serviço de René.
Curtis precisava urgentemente de um sossega leão, ou no caso, de uma jogada ao ar livre pela janela.
— VOLTANDO AO ASSUNTO, resolvi ficar de olho nos dois playboyzinhos... — Pausa dramática — Quando vi chegar ninguém mais, ninguém menos que Felicity Smoak — Apontou para mim de maneira fatalista, como se eu tivesse cometido um crime por cruzar o bar dele —, e sua turminha a tiracolo. Logo, senti o ar ficar mais pesado e r-
— Ei, o que você está querendo dizer com isso? — Me ofendi toda — Como assim o ar ficou pesado depois que eu entrei no seu bar? Slade Wilson, tu tá perdendo a no-
— Felicity! — Mais rápido que uma bala, Barry correu na minha direção e tampou a minha boca, provavelmente tentando evitar a próxima enrascada que minha língua grande nos meteria.
Nunca era muito bom eu e Slade num mesmo ambiente. Eu sempre acabava falando demais e Slade, bem...Ele sempre acabava feliz demais, por ter novas armas no seu arsenal contra Felicity.
— COMO EU IA DIZENDO, antes de ser interrompido rudemente... — Slade me lançou um olhar ríspido —...Eu resolvi espairecer, pegar um ar, porque sentia uma vozinha na minha cabeça pedindo para eu fazer isso — A voz da loucura, certamente —, quando localizei a porta da minha sala onde conservo bebidas, aberta e resolvi entrar.
FILHO DUMA.......
Imediatamente retirei a mão de Barry da minha boca e apontei um dedo acusador para SladeLoki:
— DESDE QUANDO SE PEGA AR DENTRO DE UMA SALA DE CONSERVA DE BEBIDAS?!
Tão ou mais ofendido quanto eu, após aquela descoberta bombástica, Curtis também resolveu bater o pé e soltar a voz:
— ENTÃO VOCÊ ERA O BICHÃO QUE ESTAVA ATENTANDO EU E A POBRE DO SERTÃO? — Colocou as mãos na cintura, indignado — SE VOCÊ QUERIA CHAMAR A MINHA ATENÇÃO, NÃO PRECISAVA DE NADA DISSO! ERA SÓ DAR UMA PISCADINHA!
Ok, deixa pra lá. Curtis não estava lá muito ofendido por ter sido assustado e espionado desnecessariamente. Na verdade, parecia ser muito ao contrário. O aloprado parecia bem feliz com a ideia de ter Slade o observando numa salinha escura, enquanto eu e ele fazíamos cosplay de João Canabrava.
Maldito.
— Eu posso falar ou vão continuar me interrompendo? — Ele quis saber e quando o ambiente voltou a ficar em completo silêncio, ele assentiu com a cabeça num sinal óbvio de aprovação. Idiota. — Ótimo. Entrei na minha sala e fiquei por um tempo lá, contemplando o completo silêncio quando Felicity e Curtis entraram na mesma. SEM PACIÊNCIA PARA TER DE ATURAR PESSOAS, me mantive em silêncio, esperando que eles fossem embora LOGO. Mas o que aconteceu é que ambos ficaram dentro daquela sala por vários e vários minutos, quase horas. — Exagerado sim ou sim? Revirei os olhos com aquele seu tom dramático. — DEPOIS DE 10 ANOS, os dois saíram da minha preciosa sala e eu continuei dentro dela, AINDA REFLETINDO. — Refletindo sobre a morte da bezerra, só se for. — E quando eu FINALMENTE decidi sair da MINHA sala, encontrei Floyd num completo estado de euforia que eu acreditava só Carrie poder deixá-lo. Contudo, minha crença mudou drasticamente após ele me contar o motivo de seu estado.
Ai. Meu. Deus.
Eu conhecia muito bem o estado de euforia que só Carrie Cutter, poderia deixar Floyd Lawton. O homem era absolutamente louco de paixão por essa mulher! Portanto, ter algo ou alguém, deixando Floyd no mesmo estado de euforia, que só Carrie conseguia, era alarmante.
— Eu não quero mais ouvir essa história. — Falei rapidamente, assumindo meu lado covarde.
O sorriso selvagem no rosto de Slade se ampliou.
— Logo agora que a história iria se tornar mais interessante, princesinha?
Virei desesperada para Barry.
— Faz ele parar, Barry! — Pedi feito uma criança e Barry se limitou a franzir o cenho, parecendo considerar a ideia.
Entretanto, como o destino gostava de me ferrar, ele simplesmente fez um sinal com as mãos para que Slade continuasse a narração.
— Continue, por favor. Quero ouvir a história oficial nos mínimos detalhes.
TRAIDOR!
Satisfeito, Slade soltou uma piscadela na minha direção e ouvi o suspiro alto que Curtis soltou do outro lado do cômodo. Oh, Deus. Só Curtis mesmo para se "apaixonar" pelo sociopata da região.
— Ok crianças, vou resumir essa história, pois já estou ficando enjoado dela. — Sua expressão dizia outra coisa. — Felicity e seu novo amigo de sofrência subiram no balcão do MEU bar e fizeram um show de horrores, inclusive estou preocupado se alguém voltará lá novamente para beber após isso. — Acrescentou matreiro, enquanto eu me sentia mortificada demais para até mesmo pensar numa réplica inteligente. Floyd havia dito para Barry que só Curtis e Sara haviam subido no balcão! Estava me sentindo traída.
— Tommy e a moça loira — indicou Sara com o queixo —, quase fizeram um strip-tease, mas foram parados por Oliver. Mas ei bonitão, não comece a exibir esse sorriso ai não! — Slade frustrou o sorriso arrogante que começara a se propagar na face do Garanhão — Soube que logo após você salvar seus amigos da humilhação pública, se juntou a eles na pista de dança...Floyd fez questão de registrar o momento. — Ele bateu contra o bolso da jaqueta que trajava — Eu estou com as cópias aqui. E ainda para acrescentar, soube que você deu uma gorjeta MUITO gorda para Floyd. — Sorriu descarado, enquanto o semblante do Queen se transformava na pura indignação em pessoa — Obrigado, a casa agradece.
— Você ainda não falou como minha caminhonete foi parar na sua casa. — Rene apontou impaciente, batendo os pés no chão.
Compreendia perfeitamente bem que aquela caminhonete era quase como um membro de seu corpo para ele, mas colocar Slade na borda faria nenhum bem a situação. Ele era um pregador de peças nato.
Slade lhe lançou um olhar de soslaio nada amigável.
— Eu iria chegar nessa parte, se você não tivesse me interrompido.
— Você está demorando demais para chegar ao ponto final. — Rene retrucou e Slade levantou uma sobrancelha.
— E a culpa disso é de quem?
— Slade ignore Rene e termine logo com isso. — Barry pediu, também aparentando estar cansado de toda aquela enrolação. Provavelmente seu cérebro estava tendo algum problema para prestar atenção na história, ao mesmo tempo que arquitetava mais outro castigo que arrancaria o nosso couro.
ODIAVA. SLADE.
— Ok, se você pede com tanto jeitinho assim... — Suspirou teatralmente, colocando uma mão no coração — Vocês todos foram para pista de dança, para logo em seguida, acabarem com o meu estoque de bebida. Após horas e horas bebendo sem parar, alguém teve a brilhante ideia de sair dirigindo por Lian Yu, feito um louco — Dessa vez lançou um olhar penetrante para Rene, que teve a decência de corar —, e eu como um ÓTIMO CIDADÃO decidi ir atrás, para evitar futuros acidentes. Fui seguindo vocês até a estrada principal que leva à casa de Damien Darhk, quando Rene deu uma parada abrupta no meio da estrada. — Pausa — Eu nunca vou me esquecer do que eu testemunhei, por mais que eu queira MUITO, MUITO MESMO esquecer.
— Se você quer tanto esquecer, o primeiro passo é parar de falar sobre essa coisa. — Falei, na esperança de fazer ficá-lo quieto.
Sara assentiu de acordo, provavelmente desconfiada que sua batata também assaria com as próximas revelações.
— Eu pensei que vocês gostariam de saber o que aconteceu de verdade... — Ele cruzou os braços e fez uma expressão ridícula de pura inocência.
Rá, eu não estava comprando nada disso!
— Mudamos de ideia! — Retruquei rápida, lançando um olhar sujo para Rene. Em contrapartida, ele apenas rosnou.
— Não mudamos não. — Ele lançou de volta e foi minha vez de rosnar.
A gente tava até parecendo dois cachorros com fome.
— Ok crianças, continuarei então. — Slade me ignorou completamente e oh Deus, ele parecia tão feliz por isso.
Sirenes começaram a apitar em minha mente.
— Shhh, Slade! — Coloquei um dedo rente à minha boca — Fique quieto!
Eu definitivamente não estava preparada para o gran finale.
— Assim que a caminhonete parou na estrada, vocês saíram dela — Ele continuou e o meu coração perdeu uma batida —, completamente loucos e bêbados. Entretanto, o que agravou mais a situação não foi a bebida, muito menos vocês terem corrido em direção à casa de Damien. — Pausa dramática — E sim o estado de completa nudez de dois membros da gangue de vocês.
E essa é a história de como Felicity Smoak morreu, após ter um avc proporcionado por Slade e sua língua diabólica.
EU ESTAVA MORTIFICADA!
— Acho que nós não precisamos saber o resto da história. — Tommy murmurou pálido, provavelmente com a possibilidade dele ter ficado nu ao nosso redor e Laurel mais tarde descobrir isso.
Até ao final de seu casamento, ele acabaria com o pinto decepado se não ficasse mais esperto.
— Isso não faz o menor sentido. — Oliver de repente falou, com o cenho franzido, parecendo pensar em algo muito profundamente. — Todos nós acordamos vestidos na propriedade desse tal Damien Darhk, o que descarta essa estória de nudez.
Pisquei os olhos, surpresa.
Sladeloki estava tentando aplicar uma peça em nós? Maldito!
— Eu não vi o que aconteceu, após vocês saírem correndo em direção a propriedade de Damien. — Slade encolheu os ombros — Pois me encontrei diante da difícil decisão de seguir vocês ou apagar seus rastros, levando a caminhonete para minha casa e a tirando da estrada.
Ahh, então foi assim que a caminhonete de Rene foi parar na casa dele...
— Sua decisão foi bastante difícil mesmo. — Rene destilou com veneno na voz — Nos deixar na propriedade de Damien ou pegar minha caminhonete e dar o fora. Realmente, uma decisão muito difícil.
Crispei os lábios e cerrei os punhos, concordando com a linha de pensamento de Rene. Slade queria mesmo era nos ferrar!
— Vocês são adultos, não tenho responsabilidade pelo o que vocês fazem. — Ele disse com as mãos erguidas — E como falei, reboquei a caminhonete e a levei até minha casa, a partir de então só vocês sabem o que aconteceu.
— Ih, meu amor, ninguém sabe o que aconteceu não! — Curtis falou, imperativo como sempre — A gente aqui só tá o bagaço da laranja! Minha mente não tá lembrando nem o nome da minha mãe!
Barry me olhou tenebroso.
— Felicity, você lembra o nome da sua mãe né? — Perguntou e eu revirei os olhos.
— É claro que eu lembro!
Ele soltou um suspiro aliviado.
— Ok, ótimo.
— Não querendo ser inconveniente, mas... — Começou o guarda-costas do Garanhão. Estranhamente, eu conseguia identificar um brilho divertido nos seus olhos, o que me fez começar a tremer. Oh, lá vinha merda! —...Sr. Slade, você não nos disse quem participou do show de nudez gratuito na estrada.
É OFICIAL, O MUNDO ME ODEIA!
— Não acho necessário falar sobre isso. — Oliver tentou intervir e por mais que fosse tentador saber se ele tinha ficado nu ou não na minha presença, achei melhor jogar seguro nessa situação.
Slade havia dito que duas pessoas haviam ficado nuas...Nada me garantia que não poderia ter sido Sara e Oliver, ou quem sabe, eu e Oliver — não que me incomodasse essa última alternativa. Era a primeira que fazia o meu sangue ferver.
Preferiria não saber.
— Ai, eu acho super necessário! — Curtis soltou uma risadinha maliciosa — Quero muito saber quem colocou a vênus pra jogo!
— Já que vocês querem tanto saber...— Slade novamente simulou uma expressão inocente, quase tímida. E antes que alguém fosse capaz de o fazer ficar quieto, ele abriu o bocão:
— VOCÊ! — Apontou para Curtis e o meu coração começou a bater forte no meu ombro — E VOCÊ! — Apontou para a outra vítima e o meu coração parou de vez. — Vocês dois que protagonizaram o show de nudes.
Surpreendentemente, a segunda pessoa para quem ele apontava o seu dedo, não era eu. Muito menos Oliver.
E sim Rene.
RENE HAVIA FICADO NU AO REDOR DE CURTIS!
Em menos de dez segundos, eu explodi numa risada estrondosa que me fez cair de bunda no chão, enquanto eu tentava secar as lágrimas que já começavam a cair dos meus olhos. Por hora, iria esquecer completamente o risco de ter o couro amaciado por Barry.
— ISSO É MENTIRA! — Rene gritava, com o rosto pálido — NÃO ACREDITO EM NADA QUE VOCÊ DISSE!
Isso só serviu para intensificar meu ataque de risos. Era muito bom, pela a primeira vez, não ser o motivo da risada de ninguém.
— ACEITA QUE DÓI MENOS, MINHA ONCINHA! — Ouvi o berro entusiasmado de Curtis — MAS AGORA EU JÁ NÃO TE QUERO MAIS! A MAGIA ACABOU! AGORA EU QUERO A ONÇA MAIOR PARA DOMAR!
Podia o imaginar olhando da maneira mais maliciosa possível Slade, seu mais novo objeto de interesse.
— Eu não acredito que você fez isso, Rene. — Barry estava bestificado — Logo você, tão responsáv-
— Responsável da putaria, né anjinho? — Curtis o interrompeu e Tommy se juntou à minha crise de risos.
Isso. Estava. Muito. Bom.
Sem um bom argumento ou uma ótima defesa, Rene fez a única coisa que dava para fazer nesse momento: Recuou.
— Ok, estou indo embora, tenho mais que fazer além de ficar ouvindo essas baboseiras. — Saiu em disparada, mas parou no vão da porta, para acrescentar logo em seguida: — Slade, antes de sair deixe a chave da minha caminhonete com Barry. Vou para o celeiro.
Após ele desaparecer das nossas vistas, um silêncio sepulcral caiu, até Curtis quebrar o mesmo com uma pergunta pra lá de interessante:
— Gente essa última parte, será que foi um convite?
Eu nunca ri tanto na minha vida.
(...)
Infelizmente, após contar sua versão dos fatos, Slade não foi embora. Ao contrário. Se acomodou numa cadeira da cozinha, enquanto para meu azar engajava uma conversa animada com Oliver. Já eu por outro lado, estava preparando um café para os convidados — o que incluía Slade na equação e me fazia querer cuspir dentro do café -, com os ouvidos bem atentos para a conversa suspeita entre os dois.
Não queria Slade de amizade com o meu Garanhão. Ele poderia conseguir frustrar minhas chances com o mesmo num piscar de olhos.
— Então, soube que você está trabalhando aqui na fazenda?
Slade era tão sutil, pensei irônica, ainda ocupada na minha tarefa de ferver a água para o café. Pelo canto dos olhos, observei Oliver apoiar um braço na mesa, despreocupado. Diggle por outro lado, continuava em completo silêncio, ora observando o interlúdio entre o patrão e Slade; ora me observando fazer café.
O cara tinha olhos de águia! Um deslize e alguém acabaria com uma bala no meio da testa, disso eu não tinha nenhuma dúvida.
— As notícias voam por aqui. — Não havia crítica na sua voz, apenas uma diversão distante. Franzi o cenho. Por que ele parecia a vontade com Slade? — Mas não posso dizer que estou trabalhando para Barry. Na realidade, eu estou apenas o ajudando.
— Garoto sortudo.
Nem um pouco sutil e puxa saco, era isso que Slade era.
— Eu não diria isso, na realidade, é o contrário. — Oliver retrucou diplomático e eu senti vontade de rir daquele seu tom sério.
Agora ele realmente parecia um homem de negócios...Bastou esse pensamento cruzar minha mente, para a minha paranoia começar e quebrar qualquer resquício de diversão da minha parte. Até onde eu sabia, Oliver Queen era podre de rico. E isso era um problema enorme para mim, que não tinha nada além da minha língua — que por vezes, me metia em situações tensas. Precisava pensar numa estratégia muito boa, rapidamente.
O que será que ele gostava numa mulher? Além dela ter uma irmã, é claro.
— Nah, acredito que você será de grande ajuda para Barry. — Slade replicou num tom leve — Administrar uma fazenda é mais complexo que administrar um bar. Acredito que sua experiência ajudará bastante Barry.
Elogios, fala mansa, ar amigável. Uh-hmm, eu conhecia essa tática.
Slade definitivamente estava doido para arrancar algum podre de Oliver, como ele bem gostava de fazer com todos. E eu como uma boa pessoa, não iria impedi-lo!
Novamente com o humor recuperado, terminei de preparar o bendito café e fui servir os "convidados". Era bom Tommy e Sara terem se mandado com o rabinho entre as pernas para a casa do mesmo, atrás de um acordo de paz com a Lance Vulcão.
Já Barry, por outro lado, foi ver se Rene não havia matado Curtis no celeiro — uma vez que o aloprado resolveu que Rene tinha lhe mandado uma indireta sim, mais cedo.
— Então não é tão difícil administrar um bar? — O Garanhão questionou num tom interessado. O que só serviu para intensificar mais minha preocupação.
POR QUE ELE AINDA ESTAVA CONVERSANDO COM SLADE? Estava na hora de cortar a conversa fiada e ir dar uma passeada por aí — claro, se por aí fosse o meu quarto.
— Por que vocês estão falando de negócios? — Resmunguei, servindo o café de Slade que me olhou atravessado. Ui, estou morrendo de medo!
— Tem algum assunto melhor? — Ele jogou de volta e eu fingi sorrir, enquanto refletia se errava SEM QUERER o meu alvo e acabasse por jogar café quente sobre sua calça.
— Vários. — Murmurei, optando por não errar o alvo, afinal.
— Por exemplo?
Por exemplo 10 maneiras de como me imaginei te matando nas últimas duas horas.
— Olha só, a princesinha tem garras...
Arregalei os olhos, ao perceber tardiamente que havia dito em voz alta meu pensamento. Logo pude sentir meu rosto esquentar de constrangimento, e o olhar de Diggle e Oliver pesar nas minhas costas.
Ah, ótimo! Era fato, eu nunca conseguiria me aproximar do Garanhão sem ele me achar uma completa louca!
Eu nunca teria uma chance.
— Não é a minha culpa se você me irrita. — Vociferei, tentando juntar todo o resto de dignidade que ainda me sobrava.
Ele riu, divertido.
— Me ver falar de negócios te irrita?
Não, você me impedir de ter um momento a sós com o Garanhão, para o conhecer melhor, me irrita.
Sorri com doçura.
— Te ver me irrita, Slade.
Ele fingiu colocar a mão no coração.
— Ouch, você está muito arisca hoje! — Exclamou — Que tal dar uma volta por aí? Está precisando.
Abri a boca, prestes a falar o que ele estava precisando, quando surpreendentemente Diggle, o guarda-costas que ficara em completo silêncio desde que o conheci, interviu rapidamente no bate boca:
— Excelente ideia! Acho que todos nós merecemos dar uma volta para espairecer.
Esse era o seu jeitinho discreto de dizer que gostaria de estudar o perímetro? Ponderei desconfiada, depositando a jarra de café na pia. Já havia assistido muitos filmes e lido muitos livros sobre tiras e Diggle era um, mesmo disfarçado de guarda-costas.
Resolvi facilitar o trabalho dele, esperando ganhar alguns pontos com o Queen.
— Concordo, os empregados a essa hora estão em seus alojamentos, o que vai facilitar a visita e não atrapalhar nenhum trabalho em andamento. — Informei.
Os olhos de Diggle brilharam na minha direção e podia estar apenas me iludindo, mas talvez o cara me aprovasse.
Ótimo, ponto para mim!
— Uma caminhada antes que eu vá embora, não é uma má ideia. — Oliver cedeu e se eu pudesse, começaria a dançar bem aqui no meio da cozinha, feito uma idiota.
Revigorada, estufei o peito e joguei o pano de louça que estava pendurado no meu ombro, em direção à mesa.
— Ótimo, vamos já então!
Slade balançou a cabeça negativamente, enojado com o meu entusiasmo. Eu por outro lado me limitei em apenas lhe mostrar a língua, num gesto muito adulto, obrigada.
Já conseguia sentir o gostinho da vit-
— Felicity, há trabalho para fazer! — Barry entrou de repente na cozinha, completamente ofegante, em seu encalço estava Rory.
....O gostinho da vitória tinha sabor de derrota.
— O que aconteceu? — Perguntei desaminada.
— Perdi a pata! — Despejou a notícia e eu faltei despencar.
Oh, merda. O gostinho da vitória definitivamente parecia ser veneno misturado com leite passado da validade.
— Vocês criam patos? — Oliver perguntou, já de pé — Eu não sabia disso, ninguém me contou.
— Nós não criamos patos. — Rory respondeu, uma vez que eu estava ocupada demais tentando assimilar essa notícia bombástica e Barry estava igualmente ocupado tentando recuperar o próprio fôlego.
— Mas vocês tem uma pata, certo? — Ele parecia genuinamente confuso e Rory compadecido com a situação do Garanhão-Perdido, abriu a boca prestes a sanar todas as suas dúvidas.
Pena que decidi nesse exato momento sair do meu modo tapada e puxar Rory e Barry comigo para fora da cozinha, cada um em um braço.
Tínhamos que achar aquela maldita pata o mais rápido possível ou eu estaria arruinada!
Oliver's Pov
De esguelha, estudei Slade e sua postura confortável ao caminhar pela fazenda de Barry, na calada da noite, com dois completos estranhos. Como pressuposto, até o fim de minha estadia em Lian Yu, eu seria incapaz de encontrar uma só alma viva sã pelas redondezas.
Slade evidentemente não era um cara lá muito normal. Sua mania de soltar palavras gritadas em meio a frases, combinada com o seu jeito "acessível", fazia-o o perfeito protótipo de "mantenha-se longe desse cara" no meu dicionário.
Mas até então, todos desse maldito lugar fazia parte do perfeito protótipo, porém mesmo assim não me afastei, não é mesmo? Um pouquinho mais de loucura não me faria mal.
Como Felicity havia previsto, não existia nenhum empregado ao redor da fazenda a essa hora da noite, o que tornava a caminhada um pouco mais tranquila. E isso nada tinha a ver por eu saber que Diggle tinha minhas costas, caso Slade surtasse.
— Você tinha que ter visto essa fazenda na época em que Henry estava vivo e Barry era apenas um moleque. — Slade comentou, ao pararmos de frente uma cerca. Seu olhar era distante, como se no breu da noite conseguisse enxergar cenas de uma vida que não voltaria mais. — A fazenda Allen era uma das mais lucrativas do estado. Tinha um programa de inseminação artificial de dar inveja a qualquer fazendeiro, mais de duas mil cabeças de gado e máquinas que ajudavam bastante os trabalhadores.
Suspirei, não duvidando um minuto sequer da sua declaração. Em seu apogeu, a Fazenda Allen realmente deveria ter sido fantástica.
— Como ela acabou ficando assim? — Perguntei, olhando para a pintura descascada da casa principal e também para os buracos nos arames farpados cercando a propriedade.
Slade deu de ombros.
— Eu não sei, provavelmente após a doença de Henry. — Suspirou — Se bem que muitas pessoas que tinham negócios aqui em Lian Yu, ficaram no vermelho na mesma época que Henry...Mas acredito que ele conseguiria se recuperar, se não fosse pela maldita doença que o pegou.
A informação me chamou atenção.
— Por que os negócios aqui em Lian Yu estavam no vermelho?
Ele piscou.
— Pra falar a verdade, não estavam, ainda estão. — Coçou a cabeça, parecendo desconfortável — Bem, está acontecendo aqui o que chamamos de revolução industrial, talvez? As crianças estão crescendo e dando o fora. Lian Yu não é mais um lugar para esses jovens modernos. — Ele apertou o maxilar com força — Infernos, até eu estou no vermelho por conta disto! Logo mais terei que fechar o meu bar e assistir Lian Yu se tornar um lugar de somente idosos.
Apertei os meus olhos, refletindo suas palavras.
Desde uma idade bem tenra acreditava que para todo problema, existia uma solução. E perceber o tom derrotado de Slade, fazia com que meu cérebro começasse a pensar em x soluções para o problema que Lian Yu enfrentava.
— Por que a prefeitura não investe em turismo? — Me vi perguntando em voz alta — Com o dinheiro adquirido, poderiam tentar abrir uma faculdade ou pelo menos um curso técnico.
Ele soltou uma risada seca.
— Que programa de turismo dá para fazer aqui em Lian Yu?
— Eu vi uma cachoeira muito bonita por aqui mais cedo. — Diggle comentou em voz baixa, chamando a atenção de Slade.
— Sim, claro, há a cachoeira. — Ele assentiu, concordando — Mas uma só cachoeira não nos salvará.
Ele tinha razão, mas...
— Você diz que os jovens estão saindo daqui porque viver na cidade é muito mais atrativo, certo? — Não esperei com ele me respondesse — Podemos convencer a prefeitura a fazer esse programa de turismo, enquanto ampliamos o seu bar e o transformamos numa boate.
— Eu já disse para v-O QUE?! — Ele se interrompeu incrédulo e só por precaução dei um passo para trás. — Você disse o quê?!
Não era só ele quem me olhava incrédulo. Diggle também.
— Eu tive uma ideia e acontece que essa ideia, coincidentemente, pode ser aplicada no seu bar. Percebi que ele tem bastante espaço. — Fiz uma pausa, tentando me fazer claro e logo acrescentei: — Pode ser que ontem eu tenha bebido bastante, mas não me passou desapercebido o tamanho do seu terreno e o quanto Tommy gosta dele. — Cruzei os braços — E bem, Tommy é meu amigo e eu sei que cedo ou tarde, ele vai perceber que essa coisa de cowboy não é par-
— Você está querendo investir no meu bar para impedir Tommy de se tornar um cowboy da Fazenda Allen?
Pelo seu tom, ele parecia não apreciar minha proposta. Ao menos ele era leal, além de psicótico.
— Mais ou menos isso. — Fiz uma careta — Não saiu bem como eu queria...Apenas saiba que eu não tenho intenção alguma de prejudicar Barry.
— Não sei, tenho que pensar. — Ele colocou a mão no queixo, pensativo e desconfiado. — Transformar meu bar numa boate seria uma boa para chamar a atenção da juventude, mas ai me faria perder os meus clientes mais antigos e fiéis.
Eu também já havia pensado nessa parte.
— Estive pensando, como Lian Yu é um lugar com famílias tradicionais, o ideal seria deixar que uma boate funcionasse até no máximo meia noite e que o seu bar operasse no horário de sempre, com a mesma clientela. — Expliquei, medindo minhas palavras. Um passo em falso e o meu plano iria por água abaixo. — Seria uma situação em que ambos os lados ganharia.
— Hmm, não sei... — Murmurou ele, ainda desconfiado com a minha proposta relâmpago.
— Não custa nada tentar. — Dei de ombros, tentando simular desinteresse, quando na realidade o meu cérebro começava a botar as engrenagens para funcionar e eu já conseguia visualizar a tal boate.
Tommy iria amá-la, o que seria perfeito. Eu definitivamente não queria meu amigo nutrindo essas ideias estranhas de ser cowboy, quando ele não tinha o perfil pra isso. Já por outro lado, sendo gerente de uma boate...
Ao menos eu teria a certeza que Laurel não ligaria para mim, histérica, no meio da noite, avisando que o idiota havia quebrado alguma costela tentando subir em algum touro.
— Às vezes, custa bastante. — Disse ele arrastadamente — Henry tentou de tudo antes de ficar doente e olha só o que está acontecendo com sua fazenda...O homem morreu de coração partido, porque no fundo, ele sabia que as coisas acabariam desse jeito.
— Aposto que Barry tentou o seu melhor. — Tentei consolar o psicótico, sobre o seu precioso Barry Allen, que na verdade parecia ser O Precioso de toda Lian Yu.
O cara acabaria sendo canonizado quando passasse dessa pra melhor, se dependesse dos cidadãos daqui.
— É claro que Barry tentou o seu melhor. Ainda tenta. — O maluco disse, se recostando na cerca parecendo completamente alheio aos arames farpados. Pelo canto dos olhos, notei Diggle prestes a alertar o louco sobre isso, quando eu bati no seu ombro e fiz sinal para que ele ficasse quieto. — Henry antes de morrer depositou toda sua fé em Barry — continuou ele —, e agora todos nós em Lian Yu também depositamos.
Torci os lábios.
— Fé e negócios não devem se misturar. — Murmurei — Habilidade e negócios, sim.
— Você não acredita em milagres? — Slade perguntou com um ar sério e eu não pestanejei um minuto para responder:
— Não.
Ele riu suave e um brilho MUITO estranho cruzou os seus olhos, antes dele retorquir:
— Então garoto, acho que você está no lugar errado.
Já eu não achava que estava no lugar errado. Tinha certeza.
— Lugar certo ou não, estou lhe propondo um negócio lucrativo. — Soltei sem cerimônia alguma, deixando o meu lado "homem de negócios" aflorar. — Amplio o seu bar, o transformo numa boate durante o horário "comercial para a garotada", deixo Tommy como gerente e os lucros serão divididos no final de cada mês.
— Me ajudar somente, não vai melhorar a situação de Lian Yu — Ele falou secamente para mim e eu sequer pisquei.
Ainda tinha aquilo de empresário.
— Pode não melhorar, mas vai te manter ao redor e é exatamente isso que você quer, certo?
Houve um longo silêncio, até ele manear a cabeça lentamente, de acordo.
Slade podia ser um louco, mas era um louco que tinha raízes e claramente estava relutante de se desgarrar delas.
— Então, Slade, é pegar ou largar. — Propus — O que você escolhe?
Foi impressionante como ele nem pensou duas vezes, antes de exclamar:
— EU PEGO A OFERTA, QUEEN!
Louco, sadista, cruel, psicótico e esperto. Slade Wilson carregava todos esses adjetivos na sua bagagem.
— Ótimo, pode apertar aqui. — Ofereci minha mão para ele apertar e sabia que só tive coragem de fazer isso, por conta da presença de Diggle.
Qual é! Eu estava negociando com um completo louco, na calada da noite, numa fazenda no meio do nada...e só contava com a arma de Diggle, caso ocorresse algo. Era pra ficar com um pezinho atrás sim!
Ele apertou a minha mão, com um sorriso assustador e quando tentei me afastar, ele me segurou com força, faltando quebrar os meus dedos.
— Só tem uma coisa, Queen. — Sem desviar os olhos do meu rosto, ele se aproximou perigosamente e pude ouvir o barulho da arma de Diggle ser destravada. — Não se aproxime de Felicity.
HÃÃÃ?
Mas que infernos...
— Do que você tá falando? — Perguntei confuso e ele finalmente libertou minha mão, mas ainda me analisava de perto, como se estivesse de frente à uma presa.
A tensão no ar era palpável e eu não tinha dúvidas que se fosse preciso, Diggle dispararia sua arma contra o malucão. E o pior é que eu não poderia nem o culpar por isso.
— Você sabe muito bem do que eu estou falando. — Ele resmungou aparentando mau humor — Não estou falando isso para o bem de Felicity e sim para o seu. A garota é venerada por toda Lian Yu, quebre o seu coração e você será perseguido até o quinto dos infernos por isso.
E como se não tivesse me falado nada demais, Slade sorriu de repente dando uma palmada no meu ombro e gritou:
— TENHA UMA BOA NOITE, QUEEN! Foi bom conversar contigo, ANTES DE DORMIR peça para Barry lhe passar O MEU CONTATO. — Acenou para Diggle com a mão livre — Tchau, companheiro!
E saiu andando...Se eu podia chamar o gingar dele, de andar. O cara literalmente estava gingando enquanto andava.
— Todos por aqui são assim ou é só ele? — Diggle quis saber, após um momento de absoluto silêncio.
Engoli em seco, com medo demais de saber a resposta para sua pergunta.
Felicity's Pov
ONDE ESTAVA ESSA MALDITA PATA?!
Fazia duas horas que eu, Barry e Rory procurávamos por aquela maldita e nada!
Ok que a fazenda era enorme e procurar essa desgraça a essa hora da noite, com certeza era absolutamente burrice, mas...Ela precisava ser encontrada antes de escolher um alvo!
— Vocês acham que ela não está mais na fazenda? — Perguntei enquanto nos aproximávamos do lago que Profeta adorava ficar.
— É uma possibilidade. — Barry disse, segurando sua lanterna para iluminar o ambiente.
Ouvíamos somente o barulho dos bichos da noite cantando e nossos próprios passos, nada mais.
— Se é assim, ela pode ter sido atropelada por um carro na auto estrada. — Rory opinou e eu senti o meu coração despencar nos meus pés.
— Não fala isso, Rory! — Gritei alarmada — Se essa maldita morre, vou precisar cavar minha cova imediatamente!
Arrependido, Rory deu alguns passos para trás, com as mãos erguidas:
— Desculpe Felicity, não falei por mal.
Foi a minha vez de ficar arrependida pelo meu surto.
— Eu sei que não, é apenas que- Minha mãe vai me matar se eu perder essa desgraçada. — Falei, começando a olhar pelas moitas algum sinal do meu objeto de interesse.
Empenhado, Barry foi para o meu lado direito e Rory para o meu esquerdo.
Deveria estar muito bonita essa cena dos três agachados atrás duma moita, na calada da noite, num lugar completamente deserto.
Mais uma hora se passou e quando já estávamos prestes a dar por encerrada a caça, ouvimos o som inconfundível que SÓ PATA poderia dar, irrompendo a noite tranquila de Lian Yu, seguido pelo som alguém gritando pelo o nome da pessoa mais sortuda do universo:
— FELICITYYYYYYYYYYY!!!!
Eu realmente esperava que o meu plano com a assistência funerária estivesse em dia. Iria precisar.
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