Notas iniciais
Em minha defesa, eu não tenho defesa, podem me xingar. Eu deixo. MAS ANTES: UM MUITO OBRIGADA PELA RECOMENDAÇÃO PARA A LEITORA Bru que me acompanha desde 100 dias com Oliver Queen e mesmo sabendo que sou maluca, nunca me abandonou. Inclusive, trocamos ótimas ideias sobre suco de maracujá - este inclusive, que espero vocês estejam consumindo. Só para o bem da minha integridade física. Mas voltando a digníssima leitora Bru, porque sou íntima (e esse é o user dela, de qualquer forma), muito obrigada pela recomendação e confiança nessa autora cara de pau e quase carcomida pelas pragas de muitas leitoras por aí. Vocês são demais, amadas ♥ AGORA SIM, boa leitura (Olha, só uma última coisa: Se eu fosse vocês voltaria o capítulo anterior, só pra recordar sabe, e depois iria ler esse....Vai que vocês esqueceram o que aconteceu após todo esse tempo. Ah sim, sou bastante cara de pau mesmo.)

Felicity's Pov

— FELICITYYYYYYYYYYY!!!!

— NÃOOOOOOOOOOO!!! — Gritei de volta, ao enxergar aquele pingo de gente correndo na minha direção. Estava escuro, mas eu podia identificar a silhueta daquele ser, até mesmo do outro lado do planeta.

Numa atitude que qualquer adulto normal reprovaria, me levantei rapidamente e disparei para bem longe daquela moita, enquanto gritava instruções para Barry e Rory:

— SEGUREM O FILHOTE DE BAMBI ENQUANTO EU FUJO, SEGUREM!!!

Mas é claro que nenhum dos dois fez o que pedi e num minuto, já estava imobilizada da cintura para baixo, pela entidade do mal que me abraçava. Oh Deus, por que eu?!

— FEEEELICITY!!! — A pestinha voltou a gritar, porém com um ar risonho dessa vez, olhando com aqueles olhinhos que só conseguiam enganar quem não conhecia, vidrados no meu rosto.

Tentei não chorar de desespero. Eu não tinha tempo para isso.

— Akio, onde tá sua mãe? — Perguntei, louca para me livrar do filhote perdido, mas sabendo que no fundinho isso poderia ser impossível, uma vez que Tatsu não desgrudava os olhos do filho a menos que fosse inevitável.

Merda. Merda. Merda. Por que logo comigo, oh todo poderoso?

— Ela está cuidando da Pata. — Respondeu, sem afrouxar seu aperto em nenhum momento.

Pisquei, em alerta. Ele havia dito Pata?

— Sua mãe está cuidando da Pata? — Repeti lentamente, absorvendo a informação.

Tatsu era a veterinária da fazenda Allen e de toda Lian Yu, nos tempos vagos. Por ser uma "estrangeira" quando chegou aqui anos atrás, ela teve de passar por um longo caminho tentando ganhar a confiança de todos os moradores. Foi só após ela salvar um touro Santa Gertrudis que Henry costumava ter, que a população resolveu reconhecer o seu valor e lhe adotar como uma de nós. Infelizmente, nesse pacote "Adoção", veio Akio também.

Todos adoravam o garoto — quando ele estava calado e parado. Resumidamente, todos adoravam Akio quando ele estava dormindo. Fora isso, ele era um total pesadelo...Um pesadelo que estranhamente, desde o dia que me conheceu, não largava mais do meu pé e não aprontava TANTO ao meu redor.

Só azucrinava meu juízo, atrás de atenção.

Tatsu gostava de dizer que ele sofria por uma paixonite aguda por mim e eu, por desgraça, não conseguia contrariar essa sua teoria.

— Akio, o que aconteceu com Pata? — Barry perguntou, chamando a atenção do Bambi Apaixonado e finalmente, fazendo-o largar minha cintura.

Deus, abençoe Barry!

— Ela me atacou, então eu joguei uma pedra nela. — Foi a sua resposta inocente, que desencadeou uma reação de quase aneurisma no meu cérebro.

— Você atacou Pata? — Rory questionou horrorizado, refletindo direitinho meu estado atual. Provavelmente ele já estava visualizando o meu velório em sua mente, caso Pata viesse a óbito. A cada dia meu futuro parecia mais e mais questionável. Merda.

— Foi ela quem começou. — Akio rebateu e imediatamente segurou minha mão, procurando por ajuda. Não sabia ele que quem estava mais precisando de ajuda aqui, era eu! — Felicity, você sabe que a Pata ataca todo mundo, não sabe?

Ao invés de o responder, comecei a rir histericamente, consciente da sua inocência neste caso. Pata realmente adorava atacar qualquer coisa que respirasse.

Barry franziu o cenho diante minha reação, mas não disse nada. Ao invés, simplesmente fez um sinal com a cabeça para eu e Rory o seguir em direção à casa de Tatsu, sem muita escolha acatei a ordem silenciosa. A mão de Akio continuava firmemente em volta da minha — ou era o contrário? Já não sabia dizer.

Assim que nos aproximamos o suficiente da casa onde Tatsu morava com a peste que tinha como filho, Akio se desprendeu da minha mão e saiu correndo, abrindo a porta de casa sem cerimônia alguma.

— OH MÃÃÃÃÃEEE, FELICITY CHEGOU! — Gritou ele, anunciando minha chegada para Tatsu e toda Lian Yu.

Me conte mais sobre alguém discreto. Rolei os olhos, ao ouvir a risadinha de Rory e Barry nas minhas costas. Ambos se divertiam infinitamente quando Akio estava ao meu redor, o que era uma completa deslealdade para comigo. Onde já se viu rir abertamente da amiga sofredora? Bastardos!

Hesitante, entrei na sala de Tatsu mas não encontrei ninguém, indicando que ela só poderia estar na cozinha, uma vez que não deixaria Pata jamais em seu quarto. Com os dois covardes a tiracolo e uma criança serelepe guiando o caminho, entrei na cozinha de Tatsu e finalmente encontrei a maldita criatura. E eu estou me referindo à Pata, é claro.

Ela estava em cima da mesa da cozinha, me olhando daquele jeitinho arrogante de sempre. Isso foi o suficiente para me enervar e eu ter certeza que Akio não havia aleijado a maldita coisa.

Talvez valesse a pena morrer sabendo que aquela criatura também estava morta, considerei, nivelando um olhar para Akio. Se eu o pedisse com jeitinho, ele poderia acabar acertando Pata mortalmente...

— Felicity, pare de lançar esse olhar psicopata para o meu filho! — Tatsu quebrou o silêncio, sentada numa cadeira próxima a mesa — Ele não matou a Pata.

— É por isso mesmo que eu o estou olhando assim. — Resmunguei, semicerrando os olhos em direção ao diabrete que apenas me olhou bastante alegre.

— Felicity, você quer que eu mate a Pata? — Ele perguntou, com os olhinhos brilhando.

Matar a Pata era o sonho de consumo de todo cidadão de Lian Yu. Eu sabia disso porque eu também era uma cidadã com este fetiche pra lá de incomum.

— Felicity está apenas brincando, Akio! — Barry interferiu a conversa rapidamente, antes que eu fosse capaz de incentivar o pequeno bambi a se tornar o Bambi Assassino de Galinhas Endemoniadas.

Pata era a galinha mais...Insuportável do planeta! Além de atacar qualquer pessoa com aquele seu bico absurdamente pontudo, a desgramada só chocava ovos ESTRAGADOS! Sim, exatamente. Ovos estragados!

Na primeira vez que Henry percebeu isso, ele decidiu que o melhor era matar o animal, afinal...A desgraçada atacava todos os empregados e ainda chocava ovos estragados, então logicamente o mais fácil seria matá-la e fazer uma bela duma refeição com a mesma, certo? Errado! Para mamãe a melhor solução era criar aquela...aquela desgramada, porque — e vou dizer nas exatas palavras dela -, segundo ela, um dia Pata iria chocar ovos de ouro, já que sua tataravó havia tido uma galinha que exibia os mesmos sintomas de Pata — rebeldia e podridão -, e de repente um dia, acordou com um ovo de ouro no galinheiro.

Henry — assim como qualquer pessoa normal -, não acreditou nem um pouquinho na história. Entretanto, mamãe conseguiu azucrinar tanto a cabeça do pobre coitado, na época, que ele permitiu que ela ficasse com a Pata...Com a condição de conseguir controlar a mesma para não atacar ninguém.

Obviamente, minha mãe falhara miseravelmente nessa missão e Pata, hoje em dia, já havia atacado todo ser que respirava em Lian Yu. Nem mesmo mamãe havia se safado da galinha temperamental, o que eu achava bem feito.

— Ela não parecia estar brincando. — O Bambi observou, cruzando os braços e fazendo pose de gente grande. Se a situação não fosse tão trágica, eu já estaria rindo disso. Endiabrado ou não, Akio era uma figura.

Tatsu olhou séria o filho.

— Não força, Akio. — Pediu e ele deu de ombros.

— O que aconteceu com Pata? — Eu perguntei finalmente, analisando de longe a galinha traiçoeira, que eu jurava, estava me olhando de rabo de olho! — Ela não parece ferida.

— Akio estava perambulando ao redor da casa, quando Pata apareceu de repente e o atacou. Estranhamente, Akio tinha uma pedra na mão e se defendeu de Pata lhe atirando a pedra. — Dessa vez Tatsu encarava o filho intensamente, transmitindo bem aquela vibe "Eu sei o que você pensa que eu não sei", alguém com certeza estava ficando de castigo por alguns dias... — Com sorte, apareci na hora e resolvi verificar Pata, que havia desistido do ataque. — Ela desviou seu olhar do filho, para mim. — Enquanto eu dava uma olhada nela aqui em casa, já havia mandado Akio te avisar o que havia ocorrido e era tarde demais para dizer que Pata estava bem.

Ah, então quer dizer que a maldita galinha não estava morrendo? Droga!

Decepcionada, soltei um suspiro e virei para os meus dois companheiros de crime.

— Precisamos de um plano para levar Pata até ao galinheiro. — Disse, indicando com um dedo a maldita galinha, que por um acaso ainda estava em cima da mesa como se fizesse parte da realeza das galinhas problemáticas.

Barry olhou para o teto, contando de 1 até 10. Ele sabia, assim como todos, que essa tarefa não seria nenhum pouco fácil.

— Eu deveria estar usando uma armadura... — Rory resmungou baixinho, provavelmente imaginando os inúmeros machucados que receberia até o final da noite por cortesia de Pata.

— Felicity, você tem certeza que não quer que eu acerte Pata? — Indagou Akio, aproveitando o momento de fraqueza geral.

Antes que eu pudesse abrir a boca — para provavelmente autorizar a execução da galinha encrenqueira -, Tatsu levantou-se da cadeira e saiu puxando Akio para fora da cozinha pela orelha, fazendo o mesmo soltar um berro que infelizmente, conseguiu agitar Pata.

Se eu tinha alguma dúvida que minha noite seria turbulenta, ela acabava de ser sanada.

MALDITA PATA! MALDITA SORTE!

Em menos de um minuto, eclodiu na cozinha de Tatsu a Terceira Guerra Mundial onde penas e socos voaram para todos os lados.

Já não restava nenhuma dúvida que Rory definitivamente deveria ter vestido uma armadura para completar essa missão. Eu por outro lado, teria precisado mesmo de uma armadura angelical, ungida por Deus, para me proteger dessa demônia chamada Pata — que por um acaso, era uma galinha.

Uma galinha infernal.

(...)

Lascada e exausta, fechei o galinheiro, mandando um último olhar de: Olha só quem manda aqui, para Pata que imediatamente cacarejou e bateu as asinhas. Sua ação foi o suficiente para fazer eu tomar vergonha na cara e picar a mula rapidinho em direção ao casarão, deixando pra lá essa ideia louca de provocar onça com vara curta.

Distraidíssima pensando na morte da galinha, continuei o meu caminho para ir em direção ao casarão, quando uma figura altamente indesejável e irritante, me fez parar no meio do caminho e cogitar a ideia de dar meia volta para soltar a galinha assassina por ai.

E quando digo por ai, quero dizer por ai na cabeça de Slade.

— O que você ainda está fazendo aqui? — Perguntei super delicada, quase pegando uma pedra e jogando na testa dele.

Consciente do meu desprazer por o ver a essa hora da noite bem paradinho na minha frente, o maldito riu.

— Relaxa princesinha, já estou de saída. — Disse ele, puxando um sorriso afável pra lá de suspeito. — Estive conversando com o Queen, por isso demorei tanto para resolver ir embora. O cara tem um papo bom.

O cara tem um papo bom? O que isso queria dizer? Cerrei os olhos, desconfiada. Sirenes disparavam na minha mente. Já era ruim o suficiente Oliver ter parado para conversar com Slade, agora eu descobria que o Loki Roceiro gostou do papo do MEU QUEEN? Farejava problema no ar...

— O que vocês dois ficaram conversando até essas horas?

Pelos meus cálculos, já passava das duas horas da madrugada.

— Eu falei que ESTIVE conversando com o Queen — Ressaltou a palavra, de modo irritante —, o que não quer dizer exatamente que terminamos a nossa conversa há dois minutos atrás. Na realidade faz uma hora que finalizamos a nossa conversa. — Completou ele e eu só senti mais vontade ainda de chutar alguma área do seu corpo que causaria imensa dor.

— Se faz uma hora que você falou com Oliver — Dei ênfase, também só para o irritar —, o que você ainda está fazendo por aqui na fazenda?

Um silêncio caiu sobre nós, e como se estivesse pensando em algo profundamente sério, Slade começou a acariciar o queixo, sem desviar o olhar do meu rosto — que com certeza, estava ficando vermelho de raiva.

Slade simplesmente sabia como acionar todos os meus botões de HOMÍCIDIO À VISTA, CORRAM!

— Estava te esperando. — Respondeu finalmente e os meus olhos faltaram saltar para fora do meu rosto. Eu ouvi mesmo o que acho que ouvi? Parecendo saber o que estava passando pela minha mente perturbada, Slade sorriu antes de acrescentar: — Queria saber se você voltaria viva ou morta, após tentar capturar Pata. Todo mundo sabe que essa galinha tem parte com o demônio.

Ok, em uma ocasião normal, eu teria acreditado nessa resposta. Mas já que não se tratava de uma ocasião normal e muito menos de uma pessoa normal, resolvi dar um passo para trás e me preparar para por a boca no trombone, apenas no caso. Vai que o doido nos últimos minutos de solidão estivera planejando minha morte? Tinha que me garantir!

— Vou fingir que acredito nisso, mas só se você me contar o que tanto você e Oliver conversaram. — Barganhei corajosamente, ou estupidamente, dependendo do ângulo. Qual é! Eu estava tentando barganhar com Sladeloki! O cara mais....peculiar de Lian Yu e do universo.

Visivelmente divertido com a minha ousadia repentina, Slade curvou mais ainda os lábios, num sorriso pra lá de...estranho. Ai socorro. É agora ou depois que ele me mata?

— Quer saber? Deixa pra lá! Não preciso saber de nada não! — Falei rapidamente, arruinando toda aquela minha pose de Joana d'Arc e mostrando a bem covarde que eu na realidade era.

Antes uma covarde viva, do que uma covarde morta, não é assim que falam por ai?

— Como se eu fosse te contar algo só porque você quer. — Ele retrucou petulante, girando os olhos e me incitando a quase incorporar a Jojo d'Arc novamente.

A cada dia as pessoas ficavam mais e mais abusadas comigo...Parecia até que não me respeitavam!

— Que seja, você sabe que cedo ou tarde vou descobrir mesmo. — Dei de ombros, indiferente.

Slade sabia que eu estava falando a verdade. Quando eu me empenhava em descobrir algo, conseguia quase ser pior que ele. Entretanto, suas táticas eram muito mais intimidadoras e eficientes que as minhas, deixando-o com a coroa de número um em descobrir podres alheios.

Maldito sociopata sem coração!

Ele estreitou aqueles seus olhos de raposa — Acredito que você descobrirá mais cedo do que tarde.

Franzi o cenho, confusa.

— O que você quer dizer com isso?

— Quero dizer que Oliver Queen e seu guarda-costas, estão hospedados na fazenda Allen.

Jesus, Maria e José.

Pisquei os olhos atônita, enquanto tentava digerir o que meus ouvidos acabara de captar. Slade não podia estar falando sério...Ou podia? De repente, senti necessidade de me sentar, ao mesmo tempo que sentia uma louca vontade de sair correndo em direção à fazenda, para averiguar essa história a fundo.

— Você sabe que se estiver tirando uma com a minha cara, irá direto para o inferno, né?

Para minha desgraça, ele simplesmente me lançou um olhar tão cheio de arrogância que não iria demorar muito para o meu punho colar no rosto dele e arrancar aquela sua expressão. Mas é claro que após eu tomar essa atitude, teria de correr bastante para não me tornar uma legítima Joana d'Arc queimada na fogueira.

— E eu pensava que já ia para o inferno, antes de te falar isso... — Murmurou zombeteiro — Você já foi mais inteligente, Felicity. O que afinal de contas eu ganharia mentindo para você?

Diversão gratuita? Micão ao vivo? Ver os sonhos de uma garota inocente ruir em primeira mão?

Slade bufou.

— Felicity, você não é uma garota inocente nem na sola do pé.

ÓTIMO! Eu tinha mesmo que falar isso em voz alta! Brilhante! Precisava urgentemente de uma focinheira.

Coloquei as mãos na cintura.

— Slade, difamação é crime, você sabia?

— Graças a Deus então que eu não minto! — Ele jogou as mãos para o ar e eu bati o pé contra o chão, indignada por ele ter conseguido sair com um trocadilho bom.

Maldito miserável.

Sem mais o que falar, decidi que o melhor seria dar boa noite ao sociopata e sair de fininho. Ao menos assim, poderia descobrir se essa história dele era verídica ou não, quando chegasse no meu destino final.

— Boa noite, Slade. — Desejei, com um sorriso falso plantado na minha cara.

Irritante como sempre, ele apenas fez um gesto vago com a mão, resmungando algo que não entendi e seguiu seu caminho, enquanto eu seguia o meu.

Anormal!

Surpreendentemente me sentindo mais revigorada, dei passadas largas, tentando alcançar o mais rapidamente possível meu destino final, afim de saber se essa história de Slade era verdadeira ou se não passava apenas de uma cruel e vergonhosa lorota.

Faltei despencar no chão durinha quando cheguei em frente ao casarão e encontrei de fato, Barry, Oliver e Diggle parados conversando, como se fosse a coisa mais normal do mundo.

— Que diabos vocês estão fazendo por aqui? — Soltei logo na lata, surpreendendo todos e quase ganhando de brinde um tiro bem no meio da testa, uma vez que Diggle pelo susto — ou por seu treinamento militar — destravou seu revólver e num segundo estava com o mesmo apontado para mim.

Nem borrei as calças, imagine.

Como sou bem esperta e sensata, imediatamente coloquei as mãos para cima e berrei:

— CALMINHA, EU VIM EM PAZ! SOU HUMANA! NÃO QUERO FAZER MAL, SOU AMIGA!

Diggle foi o primeiro a me lançar um olhar cômico, enquanto abaixava a arma lentamente. Já Barry me olhava como se não soubesse mais o que fazer comigo.

E Oliver...Deus, se ele não me achava uma aberração antes, agora nada que eu fizesse o convenceria do contrário. MALDITA LÍNGUA!

Barry sacudiu a cabeça. — Felicity, só porque Diggle tem uma arma, não quer dizer que ele é um alienígena ou um cachorro que vai te morder.

Senti o meu rosto esquentar de constrangimento.

— Hey, eu não tenho culpa por ter me assustado com a arma.... — Fiquei na defensiva, louca para limpar minha barra.

Diggle se compadeceu da minha situação.

— Ela tem razão, não precisam brigar com ela.

É oficial, eu amo esse cara. Exigiria que Nyssa mais tarde consultasse o outro lado novamente, ela só poderia ter errado sobre quem era o homem da minha vida! Só podia ser John o homem destinado a ficar comigo. O cara era um anjo... Mesmo que ele saísse por ai com uma arma pendurada no corpo.

— Você é solteiro? — Perguntei de repente, o olhando esperançosa.

Nitidamente constrangido e confuso, ele olhou para Barry, que apenas deu de ombros.

— Diggle é casado há três anos, Felicity. — Foi Oliver quem respondeu, com um brilho divertido nos olhos e um sorriso casual nos lábios, que conseguiu me destabilizar por uns segundos.

O sorriso do Queen deveria ser proibido!

Engoli em seco, refletindo se ele estava achando divertido eu flertar com seu amigo ou eu estar constrangendo o mesmo. Para o meu bem, esperava que fosse a última opção.

— Ah... — Suspirei — Sua esposa deve ser muito feliz por ter você como marido, Sr. Diggle.

Parecendo mais relaxado, ele sorriu — Obrigado, Srta. Smoak. Você é muito gentil.

Constrangida pelo elogio, senti o meu rosto esquentar.

— Hm, então... — Pigarreei — Ninguém ainda respondeu minha pergunta.

— Parece que eu e Oliver nos tornaremos hóspedes da fazenda Allen. — Diggle disse e o meu coração acelerou — Sara e Laurel aparentemente se entenderam, e como resultado, Laurel convidou Sara para ficar com ela e Tommy. — Continuou — Assim, Oliver ficou sem moradia e já que eu tentaria ficar aqui antes, de qualquer jeito, acabamos aqui. — Terminou, dando de ombros, como se não tivesse acabado de balançar o meu mundo.

Oliver. Queen. Estava. Ficando. Na. Fazenda.

EU IRIA COMPARTILHAR O MESMO TETO COM OLIVER QUEEN. MEU GARANHÃO!

DEUS É FIEL!

— Amém, Felicity. — Barry murmurou e só ai percebi que havia clamado em voz alta.

Era agora ou depois que Pata escapava daquele maldito galinheiro e me matava?

— Espero que depois, odiaria travar mais uma luta com Pata hoje. — Barry voltou a falar, indicando que mais uma vez, minha língua traidora se manifestara sem permissão.

Dando um sorriso sem graça, ignorei esse micão e parti para cima do meu objeto de desejo:

— Já que Sara dormia no meu quarto, isso quer dizer que agora Oliver dormirá lá? — Disparei na cara dura, causando uma tosse coletiva.

— FELICITY! — Barry gritou, me fitando horrorizado...Já eu nem pisquei.

— Que foi? — O olhei inocentemente — Só fiz uma pergunta.

— Uma pergunta que deve ser respondida imediatamente para minha saúde mental, por favor, Barry. — Oliver pediu ofegante, encarando Barry.

Tive que conter o riso. Ele parecia tão apavorado com a perspectiva de me ter como companheira de quarto! Ai coitadinho...Cedo ou tarde eu acabaria me tornando exatamente isso para ele. E ainda para o resto da vida!

— É claro que vocês não vão dormir no mesmo quarto! — Exclamou Barry, revoltado e foi minha vez de ficar boquiaberta.

— E você pretende o colocar aonde? — Questionei — No quarto de Curtis?

Automaticamente, o rosto de Oliver ficou pálido só a menção desse cruel destino que poderia o estar aguardando e eu como a boa estrategista que sou, levantei uma sobrancelha em sua direção, deixando claro que existia opção pior que dividir um mesmo quarto comigo.

Nem era como se eu fosse abusar dele na calada da noite...

— Eu não tinha pensado nessa parte... — Barry coçou a cabeça desconcertado, e Diggle trocou olhadelas rápidas com o chefe, visivelmente numa conversa silenciosa.

Ah, não...O que esses dois deveriam estar pensando em aprontar?

— Só queria deixar claro que Curtis pode ser um perigo para o seu cliente. — Falei para Diggle, tentando apelar para o seu lado ético profissional. — E para você também. — Acrescentei e ele riu.

— Felicity, eu tenho uma arma.

— E Curtis tem um cérebro depravado. — Retruquei e em troca, ganhei um olhar feio de Barry. Poxa...que absurdo! Eu aqui falando as verdades e sendo crucificada por isso! Emputeci. — Que foi? Não tô mentindo, não! Aquele lá consegue ser pior que algum cara comum na seca por dez anos.

Num é que após a minha sentença caiu um silêncio mortal entre nós, onde só conseguíamos ouvir os grilinhos e os relinchos dos cavalos? Todo mundo ali sabia que eu tava certa!

Oliver, após alguns momentos de silêncio, foi o primeiro a falar mas eu teria gostado se ele continuasse quieto.

— Acho que o melhor nessa situação é dividir quarto com Curtis. — Começou ele, lentamente, arrancando exclamações de cada um presente. Como se nem estivéssemos ao seu redor, ele continuou — Posso não ser de uma cidade pequena, mas sei bem que tanto aqui quanto onde eu moro, as pessoas podem falar e inventar coisas. — Me olhou seriamente — Portanto, para manter a reputação de Felicity intacta, acho melhor eu e Diggle ficarmos no mesmo quarto que Curt-

— Você por um acaso me ouviu nos últimos minutos? — O interrompi altamente indignada e enfurecida.

Poxa crush, não me barra! Quero manchar minha reputação contigo!

Um brilho travesso iluminou os olhos dele. — É claro que te ouvi. Mas será que você esqueceu também que Diggle tem uma arma? Uma gracinha e Curtis entra em extinção.

Deus, esse homem tinha que ser tão diabolicamente inteligente assim para sempre conseguir fugir da minha rede?!

Feliz com o desfecho, Barry bateu palmas e anunciou:

— Ótimo plano, Oliver! Agora, vamos todos para dentro dormir pois o dia hoje foi longo.

Não foi preciso nem dizer duas vezes para os malditos traíras saírem em disparada em direção ao casarão, me deixando para trás com cara de quem comeu e não gostou.

Que homem mais...Esquivo! Impossível! Malandro! GOSTOSO!

Aprumando os ombros e me sentindo mais revigorada que nunca, peguei o mesmo caminho que os três mosqueteiros. A missão Laçar Garanhão acabava de ficar dez vezes mais fácil com Oliver sob o mesmo teto que eu, viva!

(...)

— MOOOOOOOOOOOOOOORRA!!!

Despertei com esse grito dos infernos, causando a minha queda cômica da cama, ao mesmo tempo que também causava o meu galo astronômico — uma vez que não me bastou somente cair da cama, tinha que cair mesmo DE CARA no chão.

DROGA DE MÁ SORTE!

Esfregando a minha testa, levantei-me do chão segurando os palavrões que gostaria de soltar. Quem diabos estava fazendo tamanho escândalo? Pensei, enquanto me encaminhava em direção à porta, afim de descobrir o motivo da gritaria. Entretanto, mal me aproximei da porta, para ser atingida pela mesma, fazendo-me ver estrelas e baixar o nível — mais, se possível.

— @@@$#$$$%!!!@@@??%%%##@! — Urrei a baixaria, agora com uma mão no nariz e outra na testa.

Sabe aquele ditado onde dizia que nada era tão ruim que não poderia piorar? Então, história da minha vida.

— Nossa BPS, não imaginava que sua boca era tão cheia de chorume assim!

Infelizmente, no meio da minha dor e sofrimento, esqueci de me atentar a quem havia causado toda essa minha tragédia colossal.

Olhando para cima, encontrei Curtis escorado na minha porta, como se a segurasse de um possível arrombamento, ou quem sabe esse cenário estivesse sendo criado pela parte do meu cérebro que ainda não havia acordado e na realidade, Curtis estava somente sendo o pervertido sem vergonha que ele era, e se escorando em algo duro, grande e forte? As duas alternativas me preocupavam.

— Curtis, o que está acontecendo? — Perguntei meio preocupada, meio puta, meio eu vou te matar.

Após a minha pergunta super delicada, o bestão suspirou alto, ainda não saindo do lugar e se pôs a falar:

— Viada, cê nem acredita! Hoje acordei no jardim do Éden e quando fui pra tirar provas concretas da cobra do Adão, me pegaram com a boca no botija! — Colocou uma mão no peito e arregalou os olhos, para dar um ar mais dramático na coisa — Tive que jogar um abajur para me defender e conseguir sair correndo da cobra metralhada! Acredita nisso?! Entrei no quarto mais próximo que poderia me servir de esconderijo, mas infelizmente teve que ser o seu. — Completou azedo e eu me segurei todinha pra não avançar nele.

— Quer dizer então que você acordou com Oliver e Diggle no seu quarto, e como você é safado decidiu tirar uma casquinha do Queen, quando o segurança te apontou uma arma, certo? — Traduzi e ele assentiu com a cabeça.

— Você está certíssima BPS! Tive que dar o meu grito de Xena Assustada, nunca tinham apontado uma armona daquela na minha carinha! — Se justificou — Quando vi já tinha sacado a minha arma, que por um acaso no momento foi um abajur e saí correndo!

Franzi o cenho.

— E quem exatamente você atingiu? Diggle ou Oliver?

Dependendo da sua resposta, ele quem acabaria sendo atingido agora.

Visivelmente mais nervoso que anteriormente, ele deixou escapar uma risada alta e histérica.

— BPS, você sabe que eu não lembro agora?

Tava na cara que o abusado estava mentindo! E isso só queria dizer uma coisa...Ele tinha atingido o Queen! Meus planos estavam arruinados! Oliver iria embora imediatamente da fazenda, para se livrar das loucuras que o poderiam atingir por aqui.

— Curtis, eu não acredito que você fez o que eu tenho certeza que você fez! — Grunhi irritada e aposto que se Curtis pudesse, ele se desintegraria ali mesmo para fugir de mim.

— BPS, VOCÊ ACHA QUE EU DEVIA FAZER O QUE COM UMA ARMA APONTADA NA MINHA CABEÇA? — Berrou, agora ele o revoltado — RIR PARA O JEREMIAS? PEGUEI MESMO O ABAJUR PARA ME DEFENDER!

Me impacientei:

— Eu não estou falando dessa parte do abajur, to falando da parte onde você tenta ver a cobra do Adão! — Pausa — E que infernos é BPS?

Curtis me encarou desdenhosamente, fazendo minha mão automaticamente se fechar, enquanto minha mente passava incríveis replays da cena onde eu pipoca a cara dele todinha. Ohhh sonho!

— BPS quer dizer o que você é: Barbie Pobre do Sertão.

É isso, ele perdeu completamente a noção do perigo!

Começando a me alongar, dei o veredicto à Curtis:

— Você tem dez segundos para vazar desse quarto antes que eu te acerte com um soco-desmaia-bicha-descarada, capiche?

Quando a minha contagem chegou a cinco segundos, Curtis já tinha desaparecido da minha frente, como o bom covarde que era. Para sua sorte e meu azar, contei realmente até dez, para logo em seguida sair em disparada do meu quarto, atrás do descarado que já estava fazendo um escândalo danado gritando por socorro a qualquer ser vivo.

Se havia alguém dormindo até esta hora na fazenda, ela certamente já não mais se encontrava no mundo dos sonhos...

Como nada na minha vida era um mar de rosas — e sim um mar verde com espinhos...ok, um mar de cactos! -, fui impedida de cometer um possível assassinato bem no meio do trajeto, ao ser parada por um Rene altamente curioso.

— Ei Loira, o que está rolando? — Ele perguntou, ao me barrar.

Não disposta a ceder um minuto sequer com explicações que poderiam esperar até mais tarde, tentei passar por debaixo do braço dele, mas obviamente Rene não iria facilitar o meu trabalho.

— Estou indo matar um traste. — Respondi docemente, ainda tentando driblar o maluco fofoqueiro.

— O que Oliver te fez? — Perguntou, agora com a postura mais rígida e os olhos em alerta.

Parei rapidinho, franzindo o cenho com a sua dedução.

— Por que você acha que o Oliver é o traste que eu estou falando sobre?

Eu estava começando a ficar com a pulga atrás da orelha...

Sério, ele explicou:

— Àquela noite no ARGUS você não foi a única ver Olivier beijando Sara, que por um acaso é irmã da ex dele.

Momentaneamente surpresa com a sua resposta, fiquei em silêncio recobrando todo aquele episódio fatídico. De fato Oliver havia beijado Sara e tudo dava a entender que ambos tinham reatado o antigo romance.

Romance esse que todos agora sabiam sobre, graças à cena que Sara e Laurel protagonizaram no dia anterior.

Revirando os olhos, fingi não ligar para isso:

— Eu não estava falando sobre o Queen e sim sobre Curtis. — Disse a ele — O maldito já amanheceu aprontando e tirando umazinha com a minha cara!

Os lábios de Rene se esticaram num sorriso que eu considerava bastante perigoso. Felizmente não para mim dessa vez.

— Tenho certeza que o vi ir em direção ao estábulo. — Informou, automaticamente abrindo um espaço para eu passar.

Não existia ninguém mais interessado em ver Curtis se ferrando nessa vida, além de Rene — disso eu tinha certeza!

Sem perder tempo, saí em disparada novamente atrás do meu alvo. Mas para a minha total surpresa, quando cheguei ao meu destino final, encontrei Curtis já rendido pateticamente, por um sersinho que nem deveria ser considerado gente ainda: Akio.

O pirralho estava por cima de Curtis, puxando o cabelo do mesmo. E claro, como Curtis era Curtis, já estava fazendo O ESCANDÂLO, chamando a atenção dos empregados ao redor que se limitavam apenas a observar o desenrolar da cena, ou soltar algumas risadinhas.

E como eu sou uma ÓTIMA pessoa, me juntei ao grupo de pessoas que se limitara a somente observar a cena, soltando algumas risadinhas ocasionais. Quando julguei que o bestão já tinha tido o suficiente, caminhei até o centro do caos, pronta para tirar Akio das costas de Curtis que já choramingava.

Ô carinha para ser dramático! Nem era como se Akio sozinho tivesse forças o suficiente para imobilizar alguém sozinho...O que me fazia crer que o pirralho tinha usado alguma artimanha suja para levar o bestão ao chão.

— Akio, acabou o show. — Acabei com a festa do pirralho, o levantando pela blusa. Surpreso, ele me olhou boquiaberto, para logo em seguida seus olhos adotarem um brilho animado.

— Felicity! — Ele gritou feliz, mas eu não o soltei.

— BIIIIIICHA!!! — Foi a vez de Curtis gritar, levantando-se do chão igual uma velha com osteoporose. Seu cabelo estava todo para o alto e sua roupa suja de lama. — ME FALA AGORA QUEM É ESSE FILHOTE DE DEMÔNIO! — Exigiu, gesticulando os braços sem parar.

Céus, a cena era ao mesmo tempo hilária e deplorável.

Incomodado com o insulto, Akio começou a se remexer, tentando se livrar do meu aperto e provavelmente presentear Curtis com uma canelada — sua especialidade. Sem me abalar, continuei segurando o pequeno encrenqueiro. Curtis já tinha tido o suficiente...Pelo menos, por hora.

— O nome dele é Akio e a mãe dele é a veterinária de Lian Yu. — Respondi tão serenamente que nem parecia que há poucos segundos atrás, eu estivera possessa correndo atrás da cabeça do bestão.

Com o semblante indignado, Curtis pôs as mãos na cintura e exclamou:

— Ele é filho da veterinária? Mas que absurdo! Como então a mulher não conseguiu ainda adestrar esse camundongo?

Mordi o lábio, tentando conter a risada alta que não somente minha boca gostaria de emitir, como a minha alma também. A pergunta dele não só tinha sentido, como muitas vezes havia passado pela minha mente. Tatsu definitivamente falhara em "adestrar" o filho dela.

Akio grunhiu sob o meu aperto.

— Felicity, se você me soltar ele vai ver só quem é camundongo aqui!

Severa, desci o olhar para o rostinho enfezado de Akio.

— Se você não quer ter problemas com Barry e sua mãe, pare de tentar atacar Curtis. — Recomendei e ele torceu o nariz, em desaprovação.

— Não quero me meter em problemas com tio Barry mas quem começou tudo foi ele! — Rosnou igual um selvagem, apontando o dedinho minúsculo para Curtis, que diante a acusação, pôs a mão no coração, todo ofendido.

— Eu comecei? Como eu comecei se foi você quem me jogou no chão primeiro?

Sério que Curtis realmente iria discutir com uma criança?

Rogando aos céus por paciência, respirei fundo antes soltar a pergunta que me deixaria arrependida mais tarde:

— Akio, me explique essa história direito.

Pronto, não prestou. Bastou essa frase para o menino desembestar em falar.

— Essa arara estava correndo pela fazenda gritando feito uma maritaca, quando ouvi ele te ofender! Não pensei duas vezes, coloquei o pé na frente e o animal caiu! Mamãe sempre me disse para defender as pessoas que são importantes para mim.

Ah, isso explicava bastante coisa....

Akio por ter essa... estranha paixonite por mim, via-se no direito de sempre se meter em confusão a meu nome. Porém, infelizmente, suas confusões sempre acabavam parando na minha porta — o que me fazia crer que suas intenções nunca eram tão nobres quanto ele falava.

Akio se metia mesmo em confusão, porque gostava e só me usava como desculpa para isso.

—....@@##$%%%!¨&&$$@@! — Ele continuava a falar, mas eu já não mais ouvia. Estava ocupada demais tentando raciocinar o que fazer com a criaturinha.

Soltar ou não soltar? Se o soltasse, certamente ele não perderia tempo de avançar contra Curtis, o que não era de todo ruim. Entretanto...A queimação na nuca que senti, seguido de um calafrio na coluna, fez-me olhar para trás e dar de cara com Oliver, Diggle e Barry.

Os três estavam ofegantes, indicando que correram bastante para chegarem até aqui. Mas o engraçado era saber que o meu corpo já estava tão consciente de Oliver, que bem antes de eu bater os olhos nele, eu já sabia da sua presença.

Destino, pude ouvir nitidamente a voz de Nyssa sussurrar no meu ouvido e só não fiz a desmaiada, porque não podia adicionar mais essa na minha conta de micos na frente do Oliver.

— Akio? — Barry foi o primeiro a se manifestar. Entre suas sobrancelhas, havia um vinco, indicando sua confusão. — O que está fazendo por aqui? Não lembro de ter chamado sua mãe hoje.

Julgando ser seguro, finalmente libertei Akio mas ainda continuei mantendo um olhar afiado sobre ele. Afinal, Oliver agora estava em cena e qualquer cuidado com Akio, seria pouco. O fedelho simplesmente sabia como se sair com uma das dele.

— Ela está hoje na fazenda West cuidando dos animais. — Akio respondeu, dando de ombros. — E como não tinha nada de interessante por lá, resolvi vir aqui.

Tradução: Joe West, o xerife da cidade, com certeza não estava com humor hoje para aturar as traquinagens dele.

E como o Bambi Apaixonado não é bobo nem nada, compreendia perfeitamente bem que Joe, por ser um xerife, tinha uma arma constantemente presa à sua cintura.

Nitidamente desconfiado, Barry balançou a cabeça lentamente, de acordo.

— Ok, mas qual é o motivo da gritaria que ouvi?

Foi minha vez de franzir o cenho, confusa.

— Depende, você está se referindo a gritaria de mais cedo ou a de quase agora? — Quis saber.

— Porque se for a de mais cedo, posso explicar em detalhes. — Diggle acrescentou, lançando um olhar nada amistoso para Curtis, que se pudesse sairia correndo. Mas aposto que o mesmo não fazia isso para não deixar óbvia demais sua culpa no cartório.

Interessada, olhei para Oliver e não muito surpresa, encontrei o mesmo galo que com certeza estava enfeitando a minha testa, na sua também. E como se soubesse que estava sendo observado e analisado, os olhos de Oliver pousaram no meu rosto, deixando-me corada feito uma garotinha.

Inferno de homem bonito que me desestabiliza!

Ainda levaria um belo tempo para me acostumar com aquelas duas safiras me encarando. Muito constrangida e com zero resistência para ficar sob aquele olhar poderosíssimo, desviei meus olhos para Akio, que desgraçadamente tinha os olhos fixados em mim. Tava óbvio que o pestinha tinha notado o interlúdio de olhares entre eu e Oliver, se o bico e o brilho endiabrado que ele começava a exibir indicava alguma coisa.

Ah, não. Isso não poderia acabar bem...Torci os lábios, preocupada. Deveria começar a pensar numa manobra muito boa para evitar futuros desastres.

Disposto, Barry deu seu aval para Diggle delatar Curtis e sua atitude altamente pervertida. Durante toda narrativa do segurança pessoal, Oliver manteve silêncio, o que era estranho uma vez que havia sido ele o maior prejudicado.

Ao final, sem muito o que fazer, Barry concluiu que Curtis já tinha aprendido sua lição ao se deparar com uma arma pronta para explodir os seus miolos mais cedo, além de ter passado por um ataque surpresa de Akio. Certamente Curtis não aprontaria mais com Oliver...Bom, pelo menos não enquanto Diggle estivesse ao redor. Porém, mesmo assim, eu achava mil vezes mais seguro Oliver dividir quarto comigo do que com o bestão...Pena que não podia verbalizar isso em voz alta.

O Bambi Apaixonado era perigosíssimo quando ameaçado.

Nunca iria me esquecer como ele conseguiu espantar Cooper — um ex empregado da fazenda -, quando o mesmo começou a apresentar interesse por minha pessoa. O cara simplesmente acordou num dia, pediu as contas e desapareceu não somente da fazenda, como de Lian Yu também. E eu só sabia que a causa de tudo isso tinha sido Akio, pelo ar risonho que ele sempre, SEMPRE adota quando o assunto é Cooper.

Fala Cooper perto dele, que o pentelho se desembesta a rir.

— Tá, agora que já resolvemos um assunto — Não resolvemos nada —, o que faremos com esse assunto aqui? — Apontei para Akio, que me olhou todo ofendido.

— Hey, Felicity! — Chiou — Como assim o que vão fazer comigo? É claro que ficarei aqui na fazenda ajudando enquanto mamãe está com os West!

Ah tá, rolei os olhos, vai sonhando criança...

— Você quis dizer atrapalhando né Akio?

Ele fez um bico enorme, enquanto cruzava os braços.

— Eu não sei do que você está falando...Sinceramente Felicity, hoje você parece ter tirado o dia para me atacar. O que está acontecendo?

Balancei a cabeça negativamente, ôôô criancinha cínica! Não sabia como Tatsu ainda conseguia se manter sã sendo mãe de Akio.

— O que não está acontecendo, é a pergunta certa. — Resmunguei olhando de soslaio o Garanhão, que parecia distraído demais observando algum ponto qualquer.

IDIOTA, OLHA PRA MIM QUE ESTOU BEM AQUI, PARADA NA SUA FRENTE, DE BRAÇOS FECHADOS, MAS OUTRAS COISAS ABERTAS PARA NEGOCIAÇÃO.

Num segundo, detectei quando Oliver desviou os olhos para o meu rosto e faltei despencar de susto. Ou o Queen tinha algum poder telepático desconhecido pela raça humana, ou as forças ocultas estavam dando uma forcinha para o nosso romance acontecer.

Felizmente, eu estava mais inclinada em acreditar na última opção...

Piscando várias vezes tentando sair do meu leve transe mental, me situei na situação e peguei a última parte do que Barry estava falando:

—...eu irei marcar os cavalos, enquanto Rory fica de olho em Akio.

Viva! Isso queria dizer que eu não acabaria na função Babá do Capeta hoje! Yeeees!

Mas isso deixava uma questão em aberto...

— E eu, o que irei fazer?

Barry pestanejou, parecendo tomar conhecimento da minha presença só agora. O que era um tremendo absurdo, como assim ele havia se esquecido de mim? Traíra!

— Ah, bem... — Ele me olhou pensativo — Hm...Acho que o melhor será você ajudar Oliver hoje no escritório, afinal, há uma montanha de papéis que meu pai assinou anos atrás e eu sei que só você consegue entender a caligrafia dele. — Barry concluiu com um sorriso satisfeito, e eu...Bem, digamos que minha boca estava quase tocando os meus pés de tão aberta com essa reviravolta.

BARRY ESTAVA MESMO PEDINDO PARA EU FICAR CONVINADA DURANTE HORAS, DENTRO DE UM CUBÍCULO, COM O QUEEN?

Deus simplesmente sabia escrever perfeitamente por linhas tortas e eu jamais duvidei disso!

Sem vergonha nenhuma na cara, caminhei até Oliver e dei um tapinha no seu ombro, enquanto abria um sorrisão.

— Parece que seremos parceiros por hoje, ein Queen! — Exclamei e ele ficou parado no lugar, apenas me olhando de maneira engraçada.

Nossa, parecia até que ele estava prestes a ter algum derrame ou algo assim.

Diggle riu, chamando minha atenção.

— Não se preocupe Srta. Smoak, Oliver costuma ficar nesse estado quando algo o surpreende. — Explicou despreocupadamente e eu franzi o cenho, imaginando o que poderia ter surpreendido tanto Oliver: Barry o jogar comigo ou minha atitude desavergonhada.

Esperava que fosse a primeira opção.

Parecendo de repente recuperado, Oliver levantou a cabeça e me fitou seriamente.

— Você sabe que Diggle é o meu guarda-costas e tem uma arma, certo?

Ok, ok, ok. Eu sei que não se deve rir de um homem — pelo menos na cara dele -, pois todos tem um ego frágil, mas...Não consegui conter a gargalhada gostosa que saiu de minha boca. Era incrível como um marmanjo feito Oliver, ficava amedrontado com a mera ideia de passar algumas horinhas confinado comigo...Até parecia que eu iria fazer alguma coisa contra ele...

Oliver's Pov

Eu precisava de Tommy. Urgentemente.

Cheguei a essa triste conclusão, ao reparar não pela primeira ou segunda vez — e sim pela décima, certamente -, Felicity sentada no canto da sala que costumava ser do falecido Henry Allen, analisando os papéis que o próprio Barry havia admitido não conseguir entender nem com uma lupa.

A princípio, julguei que Barry estava simplesmente exagerando e tomando partido de algum complô com Felicity, para tê-la ao meu redor. Entretanto, quando tentei dar uma olhada nas finanças de Henry, entendi que o fazendeiro estava correto em indicar Felicity para tentar decifrar aquele mar de confusão em forma de papéis.

A letra de Henry Allen, para mim, era totalmente ilegível.

— Como você consegue ler esses documentos? — Perguntei de repente, para logo em seguida, me arrepender. E se ela pensasse que eu estava puxando assunto por motivos obscuros?

Nitidamente pega de surpresa, ela desviou os olhos das montanhas de papéis parados em seu colo e me encarou. Seus olhos piscavam feito...Bem, feito seus olhos!

— Eu não sei como consigo, só sei que sempre fui a única pessoa da fazenda a conseguir decifrar a caligrafia de Henry. — Ela deu uma pausa, franzindo o cenho. — Bem, na realidade...Acho que o motivo de eu ser a única capaz de entender tudo que Henry já escreveu, é porque foi ele quem me ensinou a ler e escrever. — Recordou e eu pisquei, impressionado.

— Se é assim, o mesmo não aconteceria com Barry?

Ela riu.

— Barry não passava horas e horas na companhia de Henry, tentando fugir da própria mãe.

A informação deveria ter me surpreendido, entretanto minha própria experiência com Moira, não deixou que eu fosse pego de surpresa.

Maneei a cabeça.

— Ah, entendo.

Felicity ergueu uma sobrancelha e algo no meu interior alertou perigo. Deveria finalizar aquela conversa o mais rapidamente possível, para o meu próprio bem.

— Experiência própria?

— Talvez. — Respondi finalmente, após minutos de debate interno sobre a melhor forma de conduzir essa situação.

Dar uma resposta satisfatória à pequena O'Hara Loira, poderia conduzir ideias erradas e me por num estado insanamente desfavorável, se fosse considerar o cubículo em que estávamos enfiados no atual momento — e claro, minha paciência que não aparentava, mas era bem pouca. Precisava urgentemente ouvir os conselhos de Moira e tentar retomar à aula de yoga, ou quem sabe, ir atrás dum tratamento alternativo.

Não era lá muito normal ficar no meu limite ao redor duma pessoa em tão pouco tempo quanto eu ficava com Felicity, mas era um assunto que começava a chamar minha atenção cada vez mais. O problema era eu ou ela? Me sentia afetado pelo ambiente ou pela companhia em sí?

Felizmente, antes que minha cabeça começasse a ferver tentando resolver essas questões, alguém bateu na porta do escritório do falecido Henry, interrompendo meus pensamentos erráticos.

Para minha total surpresa, me deparei com o rosto alegre de ninguém mais, ninguém menos que Tommy Merlyn, a pessoa qual eu queria falar com certa urgência desde que conversei com Slade há horas atrás.

— Interrompo alguma coisa?

Ele perguntou, com uma sugestão no seu tom que não me passou desapercebida. Seus olhos também tinham um brilho malicioso e antes que Felicity pudesse abrir a boca, fui mais rápido:

— Não, você não interrompe nada! — Caminhei em sua direção e antes de o empurrar para fora do escritório, acrescentei mais alto do que gostaria de admitir: — Preciso falar com você urgente e é do seu interesse! Felicity, logo mais estou de volta!

E nem dei oportunidade dela me dar tchau! Saí varado do escritório de Henry, empurrando — ou socando, para qualquer telespectador por perto -, Tommy para o mais longe possível do recinto. Felicity ou ninguém poderia ouvir o que eu estava prestes a propor meu amigo, ou minhas chances de salvar o mesmo duma morte bem feia no lombo dum touro, estariam arruinadas!

— Ei, ei, ei! Vai com calma ai que eu ainda não virei saco de pancadas! — Tommy berrava, tentando desviar dos meus empurrões — socões -, ao mesmo tempo em que eu o arrastava para fora do casarão.

Até chegarmos num local discreto o suficiente para não sermos interrompidos, metade dos empregados já tinham presenciado nosso show gratuito de MMA-fajuto. Felizmente, nenhum foi louco o suficiente para interferir.

Ótimo, Tommy estava mesmo merecendo aqueles socos.

— Agora você pode me dizer o motivo de todo esse estardalhaço? — Massageando o próprio braço, meu amigo me olhou com uma expressão nada amistosa.

Revirei os olhos.

— Tommy, eu nem te encostei direito. — Mentira — Para de ser dramático.

— Você não me encostou direito?!

Ele levantou o braço e exibiu sua pele avermelhada, onde segundos atrás, eu havia o atingido. Certamente não demoraria muito para se tornar um hematoma...Legal.

— Ok, talvez eu tenha te encostado um pouco. — Cedi, impaciente. — Mas vamos focar ao que interes-

— Minha integridade física me interessa bastante no momento. — Ele me interrompeu, fazendo-me querer o socar em mais outros lugares que continuavam inatingidos — não por falta de vontade, é claro.

— Ok Tommy, já entendi, será que agora pod-

— Ei, isso ai na sua testa é um galo?

Contando de um até dez, me controlei para não avançar sobre meu querido amigo e o presentear com um galo igual, ou até mesmo mais bonito em sua testa.

— Você vai me deixar falar ou não? — Quis saber, realmente puto e imaginando as aulas de yoga que me esperavam em Star City.

Tinha que marcar uma sessão urgentemente.

Ele fez um gesto indiferente com as mãos — como se eu fosse muita pouca coisa — e resmungou:

— Tá bom, pode começar a falar, já que você quer tanto.

Era um abusado mesmo...Respirando fundo, comecei a narrar todo o meu plano para um Tommy que hora me fitava atônito, hora se mantinha com uma expressão completamente indecifrável. Infelizmente, ao fim do meu relato, sua feição estava BASTANTE expressiva.

Incrível, mas ele não parecia feliz. Realmente incrível.

— Você quer que eu simplesmente traia Barry assim? Na cara dura? — Ele finalmente abriu a boca, completamente exasperado e eu girei os olhos com todo esse drama barato.

— Pensava que você era casado com Laurel. — Esperei ele rir mas ele não riu. Ok, piadinha infame no momento errado. Tentei novamente: — Não estou tentando fazer você trair o Barry ou sei lá o que, só estou lhe propondo uma outra alternativa...E se me lembro bem, você sempre sonhou em ter uma boate só sua.

Se eu estava jogando sujo? Absolutamente. Se mais tarde iria me arrepender disso? Duvido.

Se possível, sua expressão se fechou mais ainda.

— Eu sei o que você está fazendo e não gosto disso.

Me saio com um plano excelente, para simplesmente o cérebro de Tommy decidir não ficar contente com ele. Ótimo.

— Tommy, serei franco e direto então. — O fitei seriamente, esperando que minhas palavras penetrassem na sua mente. — Você. Não. Foi. Feito. Para. Ser. Um. Cowboy. Capiche?

Era melhor do que dizer: Caia fora dessa fazenda antes que ela afunde e te puxe junto. Porque com certeza ela vai afundar.

Os poucos papéis que havia conseguido checar com Felicity, minutos atrás, indicavam isso. A menos que um milagre ocorresse sobre a Fazenda Allen, não via jeito da mesma se salvar. O rombo nas finanças seria impossível de reparar em poucos meses. Era um trabalho que levaria anos e com os negócios em crise em Lian Yu...

Barry definitivamente precisava pensar num novo plano de vida para ele.

Altamente ultrajado, meu melhor amigo ficou só me encarando, abrindo a boca e a fechando por diversas vezes, sem emitir som algum. Isso durou uns bons minutos, até ele recobrar o dom da fala e gritar bem na minha cara:

— SE EU QUISER, EU POSSO SER UM COWBOY SIM!

Oh, Malcolm Merlyn adoraria ver Tommy surtando feito um garotinho de sete anos.

Tive que rir.

— Tommy, qual é, te vi sendo arremessado por um cavalo há pouco tempo.

Seu rosto ficou vermelho.

— Profeta nem é cavalo, é um soldado de Lúcifer na terra. — Retrucou, enfezado — Sem contar que toda aquela situação foi um acidente.

Tentando disfarçar minha risada, soltei uma tosse, mas pelo visto minha tentativa em ser discreto não foi nada efetiva. Se Tommy tivesse algum poder paranormal, a essa altura eu já estaria jogado no chão agonizando.

— Um acidente? Ok, se dizer isso te faz se sentir melhor...

Se possível, Tommy enrubesceu mais ainda e eu podia ver a fumaça saindo de suas orelhas.

— Você sabe que foi um acidente! — Acusou e inevitavelmente, deixei um sorriso cínico escapar.

— Eu só sei que nunca te vi gritar tanto montado em alguma coisa. — Meu sorriso se expandiu — E olha que já te vi gritar muitas vezes, enquanto montava em algo.

Ou alguém — não completei o pensamento em voz alta, para não tornar a conversa tão vulgar. Precisava que Tommy enxergasse a razão e não que começasse a se vangloriar dos nossos tempos de juventude.

— Por que você acha mais fácil investir dinheiro numa boate, do que investir na fazenda e ajudar Barry? Você tem meios...— Foi ao cerne da questão e eu dei um passo para trás, começando a refletir na melhor maneira de o responder.

Talvez eu devesse apenas ir com a verdade...

Respirei fundo e iniciei minha explicação:

— Tommy uma coisa é eu investir meu dinheiro da minha conta pessoal em um negócio para você. Outra coisa completamente diferente, é eu envolver a Queen Consolidated em algo que não pode ter futuro. — Expliquei mas pela sua expressão azeda, ele não estava comprando nada que eu estava falando.

— Você está fazendo sua escolha baseado numa suposição! — Acusou voraz e eu suspirei.

Ele ainda não estava tendo a visão geral do problema.

— Tommy, a Queen Consolidated não é só eu, há acionistas que vão querer um resultado — Falei devagar, esperando que as minhas palavras finalmente fizessem algum sentido para ele —, e que se não o obtiverem, adivinhe só? Vão cobrar com juros seus investimentos a Barry! Eu sozinho, posso trabalhar com suposições, a QC não.— Dei uma pausa, para dar uma respirada e também reparar no semblante de Tommy...Aparentemente sua ficha começava a cair. Ótimo. — Uma coisa é Barry perder a fazenda, outra completamente diferente é perder a própria fazenda e ficar devendo uma multinacional. Ele é capaz de perder o próprio nome com isso.

E o próprio nome, era uma coisa que o ser humano jamais deveria perder e Tommy estava consciente disso.

Ele fez uma careta.

— Merda.

Assenti com a cabeça, concordando.

— Sim, uma grande merda.

Pensativo, ele começou a olhar o próprio sapato, e eu não precisava ser um gênio para adivinhar que o mesmo estava tentando maquinar inúmeros planos para tirar Barry dessa situação desoladora. Tommy simplesmente não sabia como largar o osso.

De repente ele levantou a cabeça e voltou a me olhar, seus olhos pareciam esperançosos e eu senti a insana vontade de dar mais três passos para trás. Só para garantir.

— Oliver, o quanto você tem na sua conta pessoal?

Bufei uma risada e relaxei um pouco.

— Não tanto quanto Barry precisa. — Falei e seu olhar esperançoso desmoronou. Foi como tirar doce de uma criança e eu me senti relativamente mal com isso. — Eu já tinha pensado nessa alternativa.

De cenho franzido e braços cruzados, ele perguntou:

— E a sua mãe, ela não pode tentar ajudar? Qual é, vocês são podres de ricos!

Vacilei por alguns instantes, ao recordar o que minha mãe havia aprontado comigo, antes de eu deixar Star City. Não fazia ideia se poderia contar com ela, além de estar ciente que a fortuna Queen não era somente dela. Thea também tinha sua parte e usar essa parte de maneira equivocada, poderia ocasionar algum desastre futuro.

Relutante, admiti a verdade:

— Eu e a minha mãe não estamos em bons termos.

Compreensão cruzou o rosto do meu amigo.

— Ah, bem, isso explica bastante coisa.

Certamente explicava.

Após essa minha afirmação, não demorou muito para Tommy dar boas vindas à minha ideia da boate, mas não sem antes deixar claro que não trairia Barry. Enquanto a fazenda estivesse em funcionamento, ele estaria disponível para ajudar e me fez prometer que eu também continuaria tentando fazer o possível, até que não houvesse mais jeito.

Não queria prometer nada, uma vez que estava louco para ir embora de Lian Yu, além de estar consciente que só um milagre salvaria Barry, entretanto, algo no homem fazia-me querer ajudar ou ao menos, estar ao redor até o fim.

Barry parecia um garoto perdido com o mundo em seus ombros, assim como eu quando meu pai morrera anos atrás e me deixou como legado a QC. Portanto, não foi tão difícil firmar a ideia de que me manteria ao redor até quando fosse possível.

Assim não somente garantiria em encaminhar Tommy para um trabalho seguro — ao menos, por hora. Se Slade seguisse todos os planos, se o público jovem se interessasse pela oferta da boate em Lian Yu, tudo daria certo e meu amigo louco, não ficaria sem renda -, como também, tentaria garantir que ocorresse o mesmo com Barry.

Decerto, com o sucesso da boate, Tommy aceitaria contratar Barry. O problema seria convencer o mesmo a ir trabalhar num lugar que não fosse uma fazenda.

Suspirei, começando a sentir uma enxaqueca me aporrinhar o juízo. Ser uma pessoa boa não era nada fácil.

(...)

Quais eram as chances de eu não encontrar mais Felicity dentro do escritório de Henry?

Minha questão foi respondida, quando encontrei a dama em questão, ainda revisando toneladas de papéis. Contudo, algo dessa vez nela me chamou atenção.

— Eu não sabia que você usava óculos. — Observei delicadamente, estudando como a pequena O'Hara Loira tinha algumas facetas desconhecidas para mim.

Nitidamente pega desprevenida, ela emitiu um som de surpresa, deixando escapar de suas mãos o papel que estava lendo. Felizmente, ela foi ágil o suficiente para não deixar os outros papéis em seu colo, terem o mesmo destino que o anterior.

Enfim recuperada após tragar várias respirações profundas, a pequena O'Hara Loira me encarou:

— Não costumo usar óculos, na maioria das vezes estou usando lentes. — Confessou, enrugando o nariz — Eles costumam me atrapalhar na hora de fazer o trabalho pesado.

Como se fosse só para dar ênfase ao "problema" citado, Felicity empurrou o óculos que acabara de deslizar sob o seu nariz. Achei a cena um tanto interessante e engraçada.

— Ah, entendo. Eles são bonitos.

Lançar um rojão em meio a escuridão, causaria menos efeito que o meu inocente elogio ocasionou à Felicity. Num segundo, seu olhar disparou sobre o meu e eu já estava me socando mentalmente por não ter conseguido frear minha própria língua.

Por um momento, havia esquecido a estranha obsessão que a pequena loira tinha adquirido por mim.

— Os óculos, eles são bonitos. — Acrescentei rapidamente, feito um idiota. E o pior, eu realmente estava me sentindo um idiota, o que era novo para mim.

Ela piscou os olhos e depois soltou uma risadinha. — Eu sei que você está falando dos óculos.

Por que não parecia isso?

Atordoado — e pior, embaraçado! -, pigarreei e fui em direção à mesa onde encontrava-se meu notebook. Era hora de recomeçar o trabalho e por julgar o computador centenário estacionado num canto da sala de Henry, estava seguro de que nele não haveria sequer um programa de planilhas financeiras.

Ainda sentindo o rastro da humilhação serpentear pelo o meu rosto feito fogo, sentei na cadeira mais próxima e resolvi me concentrar somente na tela do notebook. Já adivinhava qual seria o destino da fazenda Allen, mas isso não era desculpa para mal trabalho.

Se uma coisa Robert Queen havia me ensinado direito em vida, era o quão importante dar o seu melhor naquilo que você está fazendo. Bem, isso explicava bastante minha fase de adolescente rebelde, lembro de ter dado o meu melhor naquela época para vadiar...

Sem contar na minha promessa a Tommy. Continuaria na fazenda até o seu final.

Talvez por eu estar bastante concentrado na minha tarefa, não tivesse notado Felicity arrastar marotamente sua cadeira até ao lado da minha, deixando-nos mais próximo que o desejado. Entretanto, por mais que o meu cérebro estivesse ocupado tentando organizar a não-vida financeira de Barry, minhas narinas estavam boas o suficiente para distinguir uma fragrância altamente diferente da minha ao meu redor.

Lentamente, olhei na direção de Felicity e surpreendentemente, ela não estava necessariamente olhando para mim. Ela estava de olho mesmo no meu notebook...Ela o olhava de tal maneira que parecia como se estivesse de frente a um tesouro perdido.

Não sabia se deviria começar a me preocupar com sua atitude.

— Felicity? — Chamei meio receoso, meio curioso, meio devo correr ou ficar?

Piscando os olhos, Felicity finalmente desviou os olhos do meu notebook e me encarou, parecendo desperta de um transe. Será que era alguma coisa no ar de Lian Yu que fazia as pessoas agirem de maneiras atípicas?

— Esse notebook não foi lançado há tipo, dois meses atrás? — Perguntou com uma nota de incredulidade em sua voz.

Franzi o cenho. — Sim...Quer dizer, talvez? Não sei. É o notebook que me deram enquanto estava trabalhando na QC.

Felicity suspirou.

— Eu provavelmente teria de trabalhar a minha vida toda para conseguir um desses antes de morrer.

A encarei com interesse. — Não imaginava que uma pessoa do campo se interessaria por coisas desse tipo. — Falei, mesmo correndo o risco de receber em troca um soco na cara.

Compreendia perfeitamente bem que o mundo atual era outro e até no campo o uso da tecnologia era exabundante, porém, Felicity passava o perfil da típica mulher do interior que almejava somente coisas típicas delas — não que eu julgasse. Mas achava o fato um tanto quanto curioso.

Felicity entrecerrou os olhos.

— Você não imaginava que eu, me interessasse por esse tipo de coisa, certo?

Momentaneamente pego de surpresa, titubeei por alguns segundos se devia confirmar suas suspeitas ou não. Resolvi que não adiantava de nada mentir, portanto assenti com a cabeça.

— Pra falar a verdade, sim. Você não me parece o tipo de pessoa fissurada em tecnologia.

Ela encolheu os ombros.

— É natural a pessoa se tornar fissurada por aquilo que não tem ou não conhece.

Do fundo da minha alma, eu esperava que isso não tivesse sido uma indireta, pois novamente, em um curto intervalo de tempo, decidi praticar uma boa ação.

— Se você quiser, eu posso te emprestar o notebook. — Ofereci e os olhos dela faltaram saltar para fora de seu rosto.

Nunca havia conhecido ninguém tão expressivo quanto Tommy, mas aqui estava Felicity Smoak provando que até Tommy poderia ter um rival à altura.

— Você está falando sério? — Ela perguntou — Iria mesmo me emprestar o seu notebook?

Se a sua desconfiança não parecesse tão verdadeira, me dignaria a soltar uma risadinha. Por que ela parecia tããão desconfiada? Imaginava que ela pudesse ver o melhor das pessoas — ainda mais forasteiros. No entanto, tomaria isso como nota de sua sensatez, indicando novamente que ela não era tão inocente quanto aparentava.

— Claro que estou falando sério, Felicity.

Por um longo momento, Felicity apenas ficou parada, fitando o notebook no meu colo, e então finalmente olhou para mim. Sua expressão era tão triste, que comecei a repassar mentalmente tudo que falei que pudesse ter ocasionado esta reação.

— Mesmo se você me emprestasse seu notebook, eu não saberia mexer.

Ah, então era isso. Soltei um suspiro que sequer tinha consciência de estar prendendo.

— Não tem problema, eu posso te ensinar. — Disse, sem hesitação alguma. Felicity aprender o básico de como mexer num computador, acabaria ajudando Barry de alguma forma no futuro quando o mesmo percebesse que a fazenda Allen estava arruinada.

Jamais seria o melhor qualificado para ensinar alguém na área da tecnologia, mas pelo menos o básico eu sabia e não custava nada ensinar, certo?

E bem, nada como praticar uma boa ação, antes da tempestade.

Se eu fosse um homem supersticioso, diria que o sorriso que Felicity abriu na minha direção, poderia ser capaz de afugentar essa tal tempestade que prometia chegar até Lian Yu e mais particularmente, à fazenda Allen. Mas já que eu não era...

— Muito obrigada, Oliver! — Ela exclamou contente — Serei uma ótima aluna! A melhor que você jamais teve!

Inferno, por que eu sentia o duplo sentido na frase? Felicity definitivamente não era essa pessoa tão inocente que o povo idealizava...Estreitei os olhos, desconfiado. Seria possível eu ter acabado de cair numa armadilha?

Meia hora depois, descartei essa possibilidade ao Felicity me questionar para que servia uma planilha Excel.

(...)

Como o previsto, ficamos eu e Felicity trancados naquele cubículo durante horas, mas ao menos conseguimos adiantar boa parte do trabalho. Logo mais, Barry teria todos os seus documentos da área financeira de sua fazenda, organizados.

Agora, me limitava a apenas ficar sentado ao lado de Diggle, enquanto contemplávamos o infinito nada. Lian Yu definitivamente era um local monótono. Estava quase desejando voltar para aquele cubículo novamente, afim de ocupar minha mente.

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Exceto que minha mente já estava ocupada por uma ideia pra lá de...peculiar, que Tommy havia me exposto minutos atrás, através de uma ligação.

— Você realmente pretende seguir o seu plano? — Diggle perguntou de repente, me retirando dos meus pensamentos pra lá de profundos.

Franzi o cenho.

— Seja um pouco mais específico, amigo, de qual plano em particular você está se referindo? — Quis saber, porque honestamente haviam vários planos em andamento na minha mente.

Como se fosse difícil demais lidar comigo, Diggle revirou os olhos.

— Abrir a boate para Tommy.

— Ah, esse plano... — Suspirei — É claro que irei segui-lo, mas não precisa limitar a boate apenas para Tommy, se for pensar por um ângulo diferente, a boate é para todos.

Ele riu jocoso. — É com esse pensamento que você vai dormir todas as noites desde que inventou esse plano mirabolante?

Intimidade era uma merda mesmo.

— Não enche. — Pausa — Na realidade vou dormir pensando no dia em que eu sairei deste lugar.

— O que na sua concepção deve ser logo, certo? — Ironizou mas eu fingi não notar.

Anos de insubordinação da parte de Diggle me tornou um mestre da audição seletiva. Escutava somente o que queria e quando queria.

— É claro. — Concordei, para logo em seguida recobrar a ligação de Tommy e sua ideia que poderia me ajudar no meu "Check-Mate; Adeus Lian Yu" — Tommy hoje também me falou uma coisa muito interessante que pode agir a meu favor por aqui. — Confessei e meu fiel guarda-costas me olhou mais preocupado, que curioso.

Valei-me, parecia até que eu era algum tipo de vilão!

— Seja o que for que Tommy tenha dito, não deve ser bom. Ele só tem ideias ruins, Oliver!

Como se eu não soubesse disso...Foi minha vez de revirar os olhos.

— Eu sei que Tommy só tem ideia ruim, mas essa foi boa.

— Ok, certo, então me conte essa ideia boa de Tommy. — Ele pediu, mas estava estampado na sua testa o quanto ele não acreditava nem em mim e nem na ideia de Tommy.

Tudo bem, eu entendia ele não dar crédito algum à Tommy, afinal, o histórico do meu amigo era REALMENTE preocupante...Deve ter sido exatamente por isso que não fiquei muito surpreso quando ouvi a notícia de que Malcolm havia o deserdado — pra mim, tinha até demorado demais isso ocorrer.

Por isso, não julgaria o ceticismo de Diggle em relação a Tommy. Mas agora ele não colocar fé em mim..Até ofendeu!

— Ele acredita que se eu me tornar amigo de Felicity, ganharei credibilidade o suficiente nessa cidade para atrair algum público até a boate. — Contei — Aparentemente, ser somente amigo e funcionário temporário de Barry, não é o bastante para convencer as pessoas daqui sobre a minha índole. — Fiz uma careta, desgostoso — Contudo, o papo é outro quando se é amigo de Felicity. Segundo Tommy, a população a ama. — Finalizei e não fiquei nenhum pouco surpreso com o olhar seco que Diggle estava me enviando.

Poxa, era um plano de Tommy! É claro que ele iria enxergar algo de errado nele!

— Isso não vai dar certo. — Agourou e eu levantei uma sobrancelha, esperando que ele entendesse o recado e me explicasse PORQUE isso não daria certo.

Aguardei, mas quando ficou claro que ele não havia captado minha mensagem silenciosa, pigarreei:

— Por que diabos esse plano não daria certo, Diggle?! — Perguntei com a delicadeza de um rinoceronte.

E com uma calma deliberada, Diggle me fitou.

— A garota tem interesse por você, Oliver. — Sua expressão era pra lá de séria quando disse isso — Se aproximar dela, só irá confundi-la.

Bem no fundinho da minha mente, sabia que existia um pouquinho de verdade nas suas palavras, entretanto, por hora, resolvi ignorá-las.

— Ela não vai se confundir, estamos no século XXI — Insisti na maior cara limpa —, homens podem ser amigos de mulheres e não acontecer romance algum.

Foi sua vez de arquear uma sobrancelha na minha direção.

— Oliver, esqueça. Isso não vai dar certo.

— Vai dar certo sim! — Exclamei teimoso e honestamente, parecendo uma criança birrenta. — É só eu deixar claro que quero somente ser seu amigo. Ela vai entender!

Surpreendentemente, após a minha declaração, Diggle irrompeu numa gargalhada alta.

— Oliver, a srta. Smoak não faz o tipo que larga o osso. Você é o objetivo atual dela e algo me diz que ela não vai parar até tê-lo. — Pausa — Claro, isso sem contar que você está proibido de se aproximar dela.

Dei-lhe um olhar confuso.

— Hein?

Agora mais do que Diggle estava falando entrelinhas?

— Esqueceu o que Slade te disse? — Questionou, com uma ponta de divertimento na voz.

Automaticamente, relembrei minha conversa com o Louco de Lian Yu:

"— Só tem uma coisa, Queen. — Sem desviar os olhos do meu rosto, ele se aproximou perigosamente e pude ouvir o barulho da arma de Diggle ser destravada. — Não se aproxime de Felicity."

Ah não! Traguei a saliva, tentando pensar. Recobrar a nossa conversa, foi o mesmo que assistir um acidente numa rodovia e continuar parado sem poder fazer nada, além de ser um mero espectador.

Slade tinha o potencial de arruinar tudo, contudo...Uma lâmpada se acendeu no meu cérebro e imediatamente, enviei um sorriso vitorioso à Diggle.

— Slade não me impôs uma condição e sim um aviso. — Falei, todo contente. Era muito bom ter um cérebro altamente capacitado para lidar com situações de riscos.

E isso nem era me gabar. OK, talvez só um pouco.

Diggle semicerrou os olhos, perdendo o ar da graça. Quero dizer, o ar divertido.

— Você está ciente que Slade já te deu um alerta e você está escolhendo o ignorar deliberadamente, certo?

Seu tom agora era tão sério que parecia até que eu corria alguma ameaça de vida.

— Diggle, Felicity é só uma garota — Revirei os olhos —, não é como se eu fosse morrer só por me tornar amigo dela e ignorar o aviso de um louco!

Diggle me deu AQUELA olhadela — que se eu não estivesse tão acostumado, certamente poderia ter me intimidado -, onde seus olhos se tornavam dois granitos escuros e perigosos. Conhecia muito bem aquela olhada, apesar dela normalmente ser dirigida somente a Malcolm Merlyn.

Diggle simplesmente odiava o homem — e eu não o podia culpar por isso. Malcolm era mesmo um pé no saco.

— Há coisas piores que a morte, Oliver. — Diggle disse, tranquilo — Você pode estar se jogando numa situação que talvez seja impossível até para mim te salvar.

Fiz um gesto indiferente com as mãos.

— Não se preocupe, Diggle, tudo vai dar certo.

Eu estava seguro disso. Não tinha como dar errado o meu plano. Simplesmente não tinha.

Exceto que tinha.

Mas isso eu só descobriria tarde demais.

Notas finais
O mistério da pata foi finalmente solucionado. O Bambi Apaixonado, mais conhecido como Akio Yamashiro estará fazendo presença nessa fanfic. Acredito que vocês vão adorar ter essa pestinha em cena, só não posso afirmar se nossa querida Felicity também irá adorar. Curtis não tem noção do perigo que tá correndo nessa fazenda...Ou será que as pessoas não tem noção do perigo que estão correndo com Curtis ao redor? Num sei! Fica ai a questão! Só posso dizer que o Botinhas Reluzentes tá cada dia mais abusado. Estamos todas cientes desde sempre que Tommy tem as PIORES ideias, certo? Certo! Ah, e o que dizer do Oliver? O potro se faz de paciente, mas no fundo, é apenas um vulcão em constante erupção...Um dia essa pose dele de bom moço, homem sensato, cai e acho que vocês vão gostar de quando ela cair kkkkkkk O que dizer também da nossa queridíssima princesa do sertão dando uma de joana sem braço sobre não saber mexer no computador? Será que é estratégia dela pra conseguir laçar o boy ou simplesmente ela não sabe de fato? Dicas importantes: Prestem atenção em Barry Allen, Slade Wilson e Rene. Quem avisa, amigo é. # PRONTO FALEI Próximo capítulo tem mais gente chegando nessa fazenda.....Se preparem. Agora deixando os assuntos da fanfic de lado: O NOSSO OTP, CASOU!!! (O otp casou antes de eu atualizar hahahaha piadinha infame que não pude deixar passar mesmo sabendo que já tô torrada na fita de vocês). Fiquei tão contente por saber que finalmente, FINALMENTE o nosso querido otp está casado. Foi revigorante. Now, recadinho para as leitoras antigas: Me perdoem a demora terrível na atualização...Mas ao menos, consegui digitar um capítulo +10k, num é? Ao invés de ser apedrejada, aceito a coça de cinto que tô merecendo (minha mãe me prometia uma desde os 15 anos, vou confessar). Anyway, deixando de lado as piadinhas, me perdoem e obrigada por ainda acompanharem essa loucura de bolso, além de me mandarem mensagens privadas perguntando se de fato eu havia passado dessa pra melhor galopando um cavalo reluzente. É inimigas, não foi dessa vez hahaha Às leitoras novas: Sejam bem vindas (mesmo que tardiamente, mas é o ditado: A autora louca tarda, mas sempre chega) e não se assustem muito com a minha veia cômica (e que nunca ouviu a palavra autopreservação, ao que parece). Para as leitoras em geral: Não se preocupem muito com as minhas terríveis demoras de atualização, vocês sabem, eu não vou desistir jamais da fanfic. Tenho pavor de deixar alguma coisa inacabada. Sério. Eu detesto isso, portanto, não se preocupem sobre isso. E acho que é isso. Se alguém leu até aqui, muito obrigada e toma uma spoiler: Nyssa, nossa cigana predileta, tá pronta para fazer um comeback, se não no próximo capítulo, certamente no outro. E se tudo sair conforme o premeditado, ela irá arrancar umas boas risadas - bem, não ela em sí e sim o Oliver. Porque sim, o nosso potro difícil terá uma cena e tanto com ela....Não falo mais nada pra não estragar! Do jeito que cês são vão adivinhar o que vai acontecer. Enfim, beijos queridas ♥ PS: Desejando desde já um ótimo natal e feliz ano novo! E não façam nada que eu não faria durante as comemorações...E não pulem as três ondinhas bêbadas, ou segurando algum copo de vidro, ou um gato...Tá, chega, isso é história pra outro dia hahahaha tchau gente!