Notas iniciais
CAPÍTULO NÃO REVISADO BOA LEITURA! (Lamentações, desculpas e auto-depreciações, nas notas finais.)

Oliver contemplou o céu, pensando o que mais poderia lhe ocorrer para se sentir altamente surpreendido naquele lugar. A situação, ao seu ver, estava saindo do controle. Primeiro, era Tommy e sua ideia absurda de se tornar um cowboy. Depois, a proposta um tanto quanto desesperada de Barry Allen, para ele se tornar o administrador temporário de sua fazenda. E agora...Agora Sara Lance reaparecia na sua vida, de paraquedas, bem no meio do nada.

E o pior era saber que ela não fez isso de propósito. Sara era uma sem vergonha, ele sabia. Mas fazia mais de dois anos que ninguém recebia notícia alguma dela, após a mesma ter saído numa "viagem sabática".

Era tudo muito insano.

Dedicou um breve olhar para Tommy, e se sentiu tentado a lhe presentear com um tapa na nuca, para ver se o amigo tirava aquela expressão idiota do rosto, ao encarar Sara. Obviamente, ele também era outro impressionado por encontrar a Loira Arteira no meio do nada.

Julgava que talvez, no meio dessa viagem sabática, Sara tivesse ouvido falar aqui ou ali deles, afinal, eram famosos. Porém, ela com certeza não fazia sequer ideia da história toda, portanto ela estava no escuro sobre a vida deles, tanto quanto eles estavam sobre a vida dela. E isso fazia Oliver se sentir um pouquinho melhor sobre sua repentina aparição.

Em silêncio, assistiu Barry se desculpar profusamente sobre o "acidente" ocorrido minutos atrás, o qual arrancou alguns arranhões de Sara e de seu aparentemente companheiro de viagem — que estava muito mais para companheira -, enquanto tentava veemente ignorar a outra coisa insanamente surpreendente em forma de gente que havia lhe ocorrido em Lian Yu, bem parada ao seu lado.

Felicity. Smoak.

Esse era o nome da loirinha que indubitavelmente tentou flertar com ele, enquanto ambos corriam para salvar a vida de Tommy.

Deveria se encontrar irritado, ou no mínimo, ofendido. Mas tudo que conseguia sentir era um estranho nervosismo. Não queria receber as atenções daquela garota, era muito nova e sem sombra de dúvidas, usava algumas táticas pra lá de...Originais, em sua abordagem.

Como disse, era tudo muito insano.

Precisava começar a pensar num plano de prevenção. Pensativo, se encostou na porteira, observando o desenrolar dos acontecimentos.

— ...não se preocupe, querido, eu estou bem! — Sara exclamou, com um sorriso gentil no rosto, enquanto colocava a mão contra o ombro de Barry, numa atitude amigável. O fazendeiro ficou vermelho com aquele gesto.

— Pois eu não estou nada bem! — A criatura que há minutos estivera correndo em círculos igual barata tonta, se manifestou. — Eu acho que quebrei vários ossos e preciso duma internação urgente! — Colocou uma mão na testa — Ai, como eu sofro! Chamem a ambulância que quero que me ENFIEM...A agulha.

Oliver bufou, Tommy riu, o Cavalo Assassino relinchou e se possível, Barry se tornou mais vermelho ainda com a insinuação da bicha.

— Qual é o seu nome? — Felicity que até então também estava em silêncio, resolveu perguntar, olhando diretamente para o ser que continuava a fazer o rebuliço.

Com um olhar afetado, a olhou de volta.

— Por que? Tá interessada? — Empinou o nariz para o céu — Meu nome é Curtis Holt, mas já vou avisando que não gosto de coisa rachada no meio não!

Oliver não podia dizer com certeza, porém teve a ligeira impressão de ter visto Felicity afrouxar as mãos ao redor das rédeas do cavalo, pelo canto dos olhos.

Isso o fez sorrir ligeiramente. Além de descarada, a loirinha era vingativa. Combinação explosiva e perigosa.

— Desculpem Curtis, por favor, ele é assim um pouco dramático mesmo. — Sara pediu humildemente lançando um olhar de desculpas para Felicity e Barry, para logo em seguida, lançar um olhar ameaçador para Curtis quem fingiu não ver nada.

— Claro, claro, sem problemas. — Barry assentiu com a cabeça — Eu é quem peço desculpas por esse pequeno acidente...Se houver algo que eu possa fazer por vocês...

Péssima escolha de palavras, Oliver concluiu ao notar um brilho suspeito no olhar de Sara.

— Isso não pode ser bom. — Tommy resmungou, indo ao seu lado e assistindo o desenrolar da cena como um mero expectador.

Oliver balançou a cabeça, em concordância.

— Definitivamente não.

Felicity's Pov

Quem eu matava primeiro? Barry ou a Loira Desgraçada?

— Barry você não pode fazer isso! — Gritei adoidada, encarando Barry de braços cruzados encostado na pia da cozinha. Geralmente era lá onde nós discutíamos coisas sérias e esse era um desses momentos.

Eu entendia perfeitamente bem que Barry era uma pessoa boa — inferno, eu entendia isso desde que eu usava fraldas! -, mas ele querer abrigar aqueles dois...seres, que estavam lá fora, só porque eu SEM QUERER havia deixado Profeta escapar e ferir eles — arranhão era lá algum ferimento?! -, era loucura!

E isso não tinha nada a ver em dividir o mesmo teto com a Loira Desgraçada. Ou com o pavão em forma humana, chamado Curtis Holt. Nah, imagine...

Barry suspirou, parecendo cansado.

— E o que você espera que eu faça? Quase causamos um acidente de proporções gigantescas em dois desconhecidos com o cavalo da nossa fazenda, Felicity. Temos que tomar responsabilidade.

Ficava muito mais complicado argumentar quando Barry tinha razão, entretanto, não recuei. Fazia mais ou menos quinze minutos que estávamos nessa. Assim que ouvi saindo da boca de Barry: Se quiserem, podem ficar aqui, já sai o arrastando pra dentro do casarão, não dando a mínima para o que o povo pensaria.

Se bem que seja o que fosse que estavam pensando, estavam certos. Com certeza ficou escrito na minha testa e óbvia nas minhas ações que eu era contra a decisão de Barry.

— Nós não conhecemos eles, não podemos por dois estranhos debaixo do nosso teto. — Fui séria e sucinta, tentando entrar na mente dele com o único argumento válido que eu tinha em estoque.

— Oliver e Tommy conhecem.

Ele parecia inabalável na sua decisão e finalmente, eu vacilei. Não poderia falar em voz alta que Oliver conhecer aquela loira, era especialmente o problema. Afinal, Oliver era suposto ser o "homem da minha vida" e não podia colocar defeitos na escolha suspeita de amizades dele, pois ligava para a opinião de Barry que agora sabia que eu iria arrastar um touro por aquele cara.

Ou seja, meu dilema era triste e doloroso. Era mais ou menos como estar entre as tetas duma vaca e as patas dum cavalo.

Foi a minha vez de suspirar cansada e estiar a bandeira da paz.

— Ok, mas já que eles vão ficar hospedados aqui de graça, tendo comida e água quente até Deus-sabe-quando, bem que poderiam ajudar na mão de obra da fazenda, né?

Deixa pra lá a bandeira de paz, não precisava dela. No máximo, talvez, só de uma pomba branca. Mas já que a pombinha e nem a bandeira iriam rolar...

Barry colocou a mão no queixo, pensativo e ficou naquela mesma posição por alguns minutos, enquanto eu, faltava ter um colapso nervoso esperando por uma reação sua.

Quando ele finalmente deu seu veredicto final, pude suspirar aliviada:

— Acho que você tem razão.

É claro que eu tinha razão! Duvidava muito que aquela Loira Desgraçada e que aquele Pavão Surtado, concordariam com a ideia de trabalharem na fazenda em troca de um teto e comida. Afinal, eles também eram pessoas da cidade grande, que sequer faziam ideia de como segurar uma teta...O pavão então... Isso seria tortura pra ele!

Feliz por finalmente ter me livrado duma pedra no meu sapato — a primeira em todo esse tempo -, sorri, acompanhando Barry para fora da cozinha para dar o seu comunicado para a dupla que nos aguardava do lado de fora, juntamente com o Garanhão Insensível e o Projeto de Cowboy.

Felicity Smoak 1 x Universo 0.

(...)

— MAS NEM MORTINHA!!! — O pavão gritou indignado após a sentença de Barry, do jeitinho que eu imaginei que faria.

Tive que sufocar uma risadinha.

— NÃO, NÃO E NÃO!!! — Continuou gritando, mexendo os braços de um lado para o outro. Sara por outro lado, tentava se aproximar, querendo impedir com que o surtado acabasse acertando alguém. — PREFIRO ENTRAR NUM ÔNIBUS A TER QUE TRABALHAR NO MEIO DE GALINHA E... — Parou repentinamente com a gritaria e ficou olhando fixamente para um ponto qualquer.

Estranhando o fato, resolvi seguir o seu olhar, tentando averiguar o que havia estragado o surto do psicótico. Não muito impressionada, encontrei o rosto de Rene e Rory, ambos lado a lado, subindo as escadas para varanda, onde todos nós estávamos e também nos encarando de volta.

Como sempre, Rene trajava uma expressão arrogante, enquanto Rory começava a ficar gradativamente avermelhado, por ter se tornado o centro das atenções.

—...acho que mudei de ideia, adoro ficar ao redor de um potrão. Ou dois, três...

CABRUNCO DOS INFERNOS!

Desmanchei o meu sorriso da vitória imediatamente.

Com uma voz fininha, os olhos brilhantes e se abanando com uma mão, Curtis declarou, com o mesmo sorriso pervertido que eu adquiria ao grudar as mãos nos meus livrinhos de romance. Eu queria matar ele.

— Ótimo, já que está tudo resolvido, eu e Oliver vamos embora! — Tommy se manifestou, pronto para pular fora do barco. O olhei raivosa.

Graças a ele, havia sido impedida de passar um bom tempo com Oliver no celeiro, atrás de informações para o meu arquivo: OGC (Oliver Garanhão Queen). Sem dúvida alguma, Barry daria sua aula de equitação por cancelada e provavelmente só voltaria a tocar no assunto, quando tivesse certeza absoluta que Tommy não tentaria cometer nenhuma loucura, como pular em cima de um cavalo agitado.

Oliver fez menção de acompanhar Tommy naquela fuga nenhum pouco discreta, quando a Loira Desgraçada agarrou o braço dele, fazendo-o parar. Trinquei os dentes com a cena e foi a vez de Barry agarrar o meu braço.

O fofoqueiro de plantão aka Rene, observava tudo, fazendo aquela cara de quem estava analisando algo muito sério.

— Ollie, faz tanto tempo que nós não nos vemos! — Ela exclamou, com um olhar de quem acabava de ver o sol num dia chuvoso. — Precisamos conversar, tenho muitas coisas para te contar.

OLLIE? Ollie? Isso era alguma marca de lubrificante?!

Fechei o punho, segurando a vontade de pipocar a cara dela todinha. Por que eu tinha a sensação que ela seria uma empata-garanhão-na-minha-rede? Teria que pedir um trabalhinho para Nyssa, mesmo sabendo que ela não fazia esse tipo de coisa.

Parecendo desconfortável, Oliver retirou lentamente a mão dela de seu braço. Arqueei uma sobrancelha. Será que ele era um leitor de mentes e sabia que eu estava bem doida para jogar uma praga na loira? Ou isso era só Felicitycentrismo da minha parte?

— Acho melhor você primeiro conversar com Barry e acertar as coisas. — Ele disse — E mais tarde nós conversamos.

Não disposta a ceder, a loira grudou o braço ao redor de Oliver e lançou um olhar angelical na direção de Barry.

— Ollie, não seja chato! Eu e Barry temos ainda muito tempo para conversar e acertar como vai ser minha estadia e de Curtis aqui, certo querido?

Sem graça por ter sido chamado mais uma vez de querido por uma completa desconhecida, Barry só conseguiu balançar a cabeça em afirmação. E eu só quis enterrar a minha cabeça na terra ao ver Sara arrastando para longe de nós Oliver para conversar-seja-o-que-for-que-queria-conversar com ele.

Não ligando para as pessoas ao meu redor, assim que Oliver sumiu de vista com a Loira Desgraçada, foi a minha vez de puxar Tommy para algum canto, longe dos olhares curiosos.

— Me diga quem é ela e não me esconda nada!

Tava parecendo até uma gangster.

Contrariando a crença popular de nunca provocar uma doida, Tommy esboçou um sorriso e um brilho ardiloso de repente apareceu em seus olhos. Dei um passo para trás.

Lá vinha esterco...

— Se eu te falar tudo que sei sobre Sara, vou ganhar o que em troca?

Semicerrei os olhos, recordando que ainda mais cedo havia barganhado já com Rory. O que mais poderia barganhar, mas agora com Tommy?

— O que você quer?

Até o fim daquela missão acabaria sem até mesmo as calças!

— Por enquanto? Nada. Mas talvez no futuro...

Oh, ele iria me torturar durante um bom tempo até me pedir algo, conseguia ver isso nitidamente na sua expressão matreira.

— Okay, tudo bem. Agora me conte tudo que eu preciso saber.

Já estava com um pezinho no inferno, não me custaria nada colocar uma perna inteira logo de uma vez, não é mesmo?

— Sara é a minha cunhada, ex namorada de Oliver e por um acaso, minha mulher também se encontra na lista de ex's dele.

Minha boca bateu lá no meu pé e ficou lá por um bom tempo, enquanto eu tentava digerir aquelas informações.

Oliver namorou a esposa do Tommy que por um acaso tinha uma irmã, que ele também namorou? O NOME DISSO ERA PUTARIA!

— E sim, Laurel deu um pé na bunda dele após isso e resolveu me namorar, porque claramente, sou um melhor partido que Oliver. — Ele acrescentou com um sorriso convencido. Infelizmente, após coletar aquelas informações, estava inclinada a concordar com ele também.

Oliver Queen não parecia um bom negócio. Entretanto...Se ele conseguia fazer duas irmãs sucumbirem aos seus encantos...Alguma coisa ele sabia fazer direito. Mal o pensamento cruzou minha mente, para o meu rosto corar. Deveria dar uma pausa dos meus livrinhos, estavam me afetando.

Mais disposta que nunca em aproveitar aquela oportunidade onde tinha a língua frouxa de Tommy à meu serviço, pedi para ele me contar tudo, absolutamente tudo sobre a vida do meu garanhão.

(...)

Acabou que até o anoitecer, eu tinha um TCC sobre a vida de Oliver Queen, graças à Tommy. Deus o abençoe.

Agora, a fazenda se encontrava estranhamente quieta, já que os dois visitantes importantes haviam se retirado, deixando os outros dois para trás. Achava interessante como Oliver não se ofereceu para ceder seu quarto na casa do casal Merlyn para Sara, assim como ela também não pareceu fazer nenhum pouco de questão para visitar a irmã.

Se eu não soubesse das circunstâncias, acharia o comportamento pra lá de estranho, mas já que sabia...Me limitei apenas a fazer cara de paisagem, sem certeza se deveria julgar a Loira Desgraçada ou me simpatizar.

Quietinha no meu canto — milagre -, sentada numa cadeira da cozinha, fazia algumas anotações no meu caderninho de bolso, fingindo não ver a bagunça que Sara, Curtis e Barry estavam fazendo na cozinha. Como era a primeira noite deles aqui, Sara se prontificou em ajudar Barry a cozinhar — e de praxe, arrastou Curtis com ela. O coitado do pavão faltou sair voando pela janela quando viu uma galinha morta, pronta para ser "esquartejada" e cozinhada por eles.

— Meu Deus, o que eu fiz pra merecer isso?! — Curtis gritava, tocando a galinha só com as pontas dos dedos. Girei os olhos com a cena.

— Ai Curtis, não reclama! — Sara brigou com ele — A galinha já tá morta, não pode fazer nada contigo!

Pelo canto dos olhos, notei quando ele repousou uma mão contra o próprio coração.

— E você esqueceu que é com galinha morta mesmo que eu devo tomar cuidado? Amiga, galinha de encruzilhada é o maior perigo. Pepepeô! — Fez o sinal da cruz — Por isso só como carne, prefiro passar bem longe das galinhas...Só abri uma exceção pra você. — Acrescentou soltando uma risadinha e eu tentei segurar a minha própria.

Sara abriu a boca, pronta para com certeza triturar o pavão com palavras, quando foi interrompida pela chegada de Rene e Rory. Muito provavelmente haviam farejado o aroma da comida de longe.

Por mais que eles morassem numa das sedes dos empregados, todos os dias desde a morte de Henry, eles vinham almoçar ou jantar conosco. A principio, acredito que foi por solidariedade a Barry quem ficou também órfão de família, mas agora acreditava que era mais para se livrarem da lavagem que só Rene conseguia fazer, do que outra coisa. Novamente, não os culpava.

A gororoba de Rene era realmente um crime para qualquer ser humano.

— Parece que chegamos em um bom momento. — Rene foi o primeiro a se manifestar, lançando um olhar alegre demais na direção de Sara quem acabava de acertar Curtis com uma colher de pau.

Foi impossível segurar a risada dessa vez.

Curtis fechou a cara.

— Oh barbie do sertão, para de rir ou vou envenenar sua comida! — Me ameaçou, com os olhos saltando do rosto.

Larguei o meu caderninho na mesa e fiz uma careta. Gostaria de o ver fazer isso com Barry no seu encalço.

— Acho que você esqueceu que é turista aqui e eu posso muito bem por uma cobra na calada da noite, bem debaixo das suas cobertas. — Ameacei de volta e ele abriu um sorrisão.

Ah, merda.

— Bicha, isso era pra ser uma ameaça? — Soltou uma risada escandalosa, jogando a cabeça para trás. — Viada, você pode até jogar a anaconda na minha cama de noite, se quiser! — Completou, voltando a me olhar com um sutil sorriso malicioso.

Balancei a cabeça de um lado para o outro. Era incrível como em menos de uma semana, acabei rodeada por pessoas mais loucas que a minha própria mãe. E isso queria dizer muita coisa.

— Vou esperar lá fora. — Rory anunciou, desconfortável e já colocando um pezinho pra fora da cozinha, entretanto sua fuga foi impedida com sucesso por Rene, que o segurou no lugar.

— Nem pense em fugir e me deixar aqui com o tarado.

Obviamente, Rene não foi sutil o suficiente para falar baixo e Curtis o ouviu.

— Ei, eu não sou nenhum tarado!!!! — Exclamou Curtis indignado — Tarado é quem olha e não admite, tá bom meu filho? Eu ein, respeita as bichas!

Com um olhar petulante, Rene deu de ombros.

— Ok, se você tá dizendo...

Tradução: Continue sonhando.

— Que tal nós focarmos na janta e deixarmos esse assunto pra lá? — Barry sugeriu, parecendo prever que quem seria o próximo atingido pela famosa colher de pau, seria uma pessoa que o nome começava com Re e terminava com Ne.

Eu não tinha nada contra sobre Curtis atingir Rene, na realidade, acharia muito bem feito.

Incrivelmente, ninguém colocou fogo na cozinha e todos sobreviveram a um jantar na presença de Curtis e Rene, que a cada oportunidade, se alfinetavam. O clima só decaiu quando Barry soltou a bomba que provavelmente o fez cozinhar naquela noite e livrar meus dotes culinários de mais um dia de trabalho.

— Felicity, Sara terá que dormir no mesmo quarto que você. — Ele despejou a notícia de uma vez só, assim que a turminha do barulho se retirou da cozinha para provavelmente discutirem na sala, onde não tinha Barry como testemunha para apartar a briga.

Feito uma idiota, deixei o copo que estava na minha mão cair e antes que ele se espatifasse no chão, Barry o salvou. Esperava que ele fosse rápido o bastante também para salvar o seu próprio pescoço, pois se dependesse de mim, ele ficaria sem ele.

— Sara vai ter que o que? — Perguntei assombrada, tentando me convencer que talvez não houvesse lavado corretamente meu ouvido durante esta semana.

— Você terá que compartilhar o mesmo quarto com Sara. — Dessa vez, falou de forma mais lenta, tendo o cuidado para que as palavras penetrassem de forma definitiva no meu cérebro. Engoli em seco e comecei a ver alguns pontos negros. — Percebi que o quarto disponível para ela, precisa de alguns reparos...E $%@@@########!!!!@$%

BARRY SÓ PODERIA ESTAR DE SACANAGEM COMIGO!

O que havia feito para merecer isso?!

— Barry, tem mais outro quarto vago nessa casa! — Interrompi seu monólogo desesperada. Não queria dividir o meu quarto com a loira desgraçada!

Ele deu dois passos para trás, ao perceber meu estado transtornado. Uma coisa era certa: Felicity Smoak Normal já era um perigo. Felicity Smoak Transtornada, era um "Deus nos acuda".

— Curtis não quer dividir o quarto com Sara ou contigo. — Justificou, sem graça — Então achei que a melhor forma de resolver isso, seria deixando Sara no seu quarto. Percebi que Curtis tem a triste tendência de causar uma cena.

Triste mesmo seria quando eu sentasse a mão na cara daquele pavão dramático.

— Como eu posso dormir no mesmo quarto de uma pessoa que acabei de conhecer? — Questionei com a voz esganiçada.— E se ela me sufocar com um travesseiro enquanto estou dormindo? Hum? Como você irá viver com a sua consciência após minha morte???? Hum? HUMMM?

Se eu estava exagerando? Nem um pouco.

A resposta de Barry foi um encolher de ombros e um semblante derrotado que refletia o meu próprio. Parecia que não tinha jeito: Eu teria que dividir quarto com a ex do meu atual objeto de desejo.

Certamente uma força superior estava se divertindo muito comigo.

(...)

— Vocês costumam dormir a essa hora mesmo?

Oh Deus, eu iria matá-la...Com o rosto enterrado no travesseiro, grunhi ao ouvir a voz de Sara retumbar sobre o quarto. Deveria ser quase duas horas da manhã e eu, como uma ótima paranoica, não conseguia dormir. Porém, não esperava que o mesmo ocorresse com ela.

Não era como se ela estivesse dormindo num colchão e no chão. Como uma boa anfitriã, decidi ceder a cama de solteiro que havia no quarto para Sara, e isso nada tinha a ver com suas estranhas necessidades e bizarrices, imagine...A garota tinha ficado só meia hora choramingando sobre ter medo de ser arrastada para debaixo da cama por alguma entidade. É claro que a solução no final foi ceder a cama para ela, né?!

Só não imaginava que ela não ficaria satisfeita com isso e acordaria às...Tirei o rosto do travesseiro e cheguei o meu relógio de pulso...às uma da manhã! Filha da mãe!

Virei na direção de onde sua voz veio e apenas enxerguei um pontinho de luz, proporcionado graças a iluminação natural da lua, que servia de muito pouco naquela imensa escuridão.

— Acordamos cedo. — Justifiquei seca, sentindo minha cabeça latejar de sono e mau humor.

Ouvi o seu suspiro.

— Bem, então é vocês quem perdem. — Sua voz soou risonha e imaginei que talvez, ela estivesse sorrindo. Incrível. Rolei os olhos. — É durante as madrugadas que acontecem as coisas mais interessantes.

Sim, por exemplo levar um tiro bem na testa. Ou quem sabe também ser arrastada para o inferno por alguma "entidade", como assim ela colocou mais cedo.

— Prefiro ainda dormir. — Respondi esperando dar o assunto como encerrado, porém Sara não parecia disposta a desistir do seu intento de trocar segredinhos comigo na calada da noite, como se estivéssemos numa legítima festinha do pijama.

— Se você prefere dormir, quer dizer que nunca conheceu a verdadeira diversão.

Ela tava me cantando ou me afrontando? Cerrei os olhos, desconfiada. Queria estar enxergando o seu rosto nitidamente para ter uma certa ideia de onde estava me metendo.

— Eu sei me divertir em qualquer hora. — Repliquei, um tanto na defensiva.

Tudo bem, eu não era uma pessoa de cidade grande e nem nunca havia ido numa boate, mas aquilo não queria dizer necessariamente que eu era uma sem graça que só sabia trabalhar e encontrava diversão somente nisso.

Religiosamente, todos os anos acontecia um festival em Lian Yu o qual eu sempre ia acompanhada de Barry e todo pessoal da fazenda. Costumávamos sempre voltar para casa junto ao nascer do sol, eufóricos demais para ficarmos quietos. Se tinha alguém aqui que desconhecia diversão real, era Sara.

— Então o que está fazendo dormindo a essa hora? — Ela retrucou petulante — Aposto que não deve ter nada mesmo para fazer por aqui...Lugar desinteressante.

Estava em dúvida se me ofendia por ela falar mal de Lian Yu na cara dura, ou por implicar que eu era uma mentirosa por dizer que sabia me divertir muito bem em qualquer hora. Eu claramente estava sofrendo uma ofensiva.

Titubeei entre ceder ao meu lado competitivo ou deixar toda aquela história para lá. Conhecia apenas um lugar em toda Lian Yu que estaria aberto a essa hora da madrugada...

— Existe um bar — Falei de repente, dando rédea solta a minha língua que já estava "coçando" para defender o meu lar —, o nome dele é A.R.G.U.S., ele abre a partir das oito da noite e só fecha ao amanhecer. — Informei, bastante satisfeita comigo mesma por ter relembrado o nome do bar e detalhes até então, aparentemente esquecidos por mim.

Havia ido uma ou duas vezes lá, mas sempre acompanhada da presença de Barry, Rory ou Rene. Garotas solteiras indo em um bar numa cidadezinha tão pequena e totalmente tradicional, não acabavam lá com uma reputação muito boa.

Ouvi o barulho inconfundível da mola da cama, indicando que Sara dera um pulo dela.

Oh, merda.

— Meu Deus, o que estamos esperando? Vamos já nele! — Exclamou empolgadíssima e foi minha vez de pular para fora de meu colchão.

— Nem pensar! — Gritei o mais baixo possível — tem como fazer isso?! -, para não acordar Barry dormindo do outro lado do corredor.

Ignorando completamente meu protesto, Sara localizou o abajur no criado mudo, finalmente iluminando o quarto completamente. Seu rosto parecia de uma pessoa decidida.

Decidida a me ferrar.

— Vamos viver uma aventura, Felicity. — Seu tom foi fatalista.

Por que parecia que ela falava tudo no duplo sentido?

— Eu sequer te conheço! — Berrei, para logo quase me desdentar todinha, tentando tampar minha boca com a mão, ao perceber que poderia ter acordado Barry com aquele gritinho histérico.

— Não se preocupe, teremos muito tempo para nos conhecermos melhor! — Ela fez um movimento negligente com a mão e continuou: — Aposto que até o final dessa noite, nos tornaremos melhores amigas.

Ata. Vai. Sonhando.

Pega de surpresa por suas palavras, fiquei parada igual uma idiota no meio do quarto, enquanto assistia Sara caminhar em direção à própria mala e tirar uma dúzia de roupas. Era inegável: Ela estava mesmo disposta a sair.

E tinha a impressão que ela faria de tudo para me arrastar com ela. E eu pensando que seria a única arrastar alguém hoje para algum lugar...De preferência, para debaixo da cama, não para um barzinho que arruinaria minha reputação.

Sem pudor algum, assisti quando Sara começou a trocar o pijama de oncinha — eu sei, uó -, por um vestido mais curto que minha paciência. Se eu deixasse ela sair sozinha pelo mato, vestida daquele jeito, seria minha culpa caso ela desaparecesse misteriosamente? Ponderei sombriamente.

— Essa é uma péssima ideia. — Murmurei e ela me dedicou um olhar divertido, como se soubesse de alguma piada que obviamente, eu não fazia sequer ideia.

— Conversei hoje com Oliver e ele me falou sobre você.

Ela falou com tamanha naturalidade que demorou uns bons segundos para eu entender exatamente o que tinha saído de sua boca.

— Vocês conversaram...sobre mim? — Pisquei os olhos chocada.

Não podia acreditar naquilo! Era bom demais para ser verdade!

Ela assentiu com a cabeça.

— O que exatamente? — Desconfiei e finalmente a vi vacilar. Ah ótimo, eu não disse que era bom demais para ser verdade?!

— Hm, disse que você tem uma estranha obsessão por ele.

Pelo menos ele não mentiu...Apesar que me incomodou saber que Oliver me via apenas como uma louca obcecada por ele. O negócio era muito mais embaixo.

Não estava simplesmente obcecada por ele. Oliver Queen era o homem destinado a mudar minha vida, ao acreditar nas palavras de Nyssa, havia dado um salto de fé que jamais tinha me sido permitido. E negar o que Nyssa havia me dito, era o mesmo que negar o meu destino e estiar a bandeira da covardia.

E eu não era nenhuma covarde e muito menos duvidava de Nyssa. Ela nunca errava.

Afastei o desconforto que sentia e me camuflei novamente da resolução férrea de conquistar o Garanhão.

— E o que mais? — Exigi saber e ela deu de ombros.

— Hmm, nada mais. Só me falou que está trabalhando aqui na fazenda temporariamente, mas não entrou em muitos detalhes. — Suspirou — Oliver não é lá uma pessoa que confia fácil em alguém.

Alarmes dispararam na minha cabeça.

— Mas você é ex namorada dele, há um certo nível de intimidade. — Falei e ela piscou os olhos na minha direção, aparentemente surpreendida por eu ter aquela informação. Quase sorri em regozijo.

— Bem sim, mas hm... — Pigarreou — Oliver não faz o tipo que compartilha as coisas com os outros gratuitamente. Acredito que nem com Tommy ele compartilhe todos os seus pensamentos.

Oh, não.

COMO ASSIM ELE NÃO COMPARTILHAVA OS PRÓPRIOS SEGREDOS COM O MELHOR AMIGO?!

Se o homem fosse realmente do jeito que Sara dizia, seria quase impossível chegar até o seu coração.

Como se notasse meu repentino desânimo e adivinhasse todas as minhas intenções, Sara parou na minha frente e deu dois tapinhas no meu ombro.

— Não se desanime antes da guerra começar, os resultados podem te surpreender. — Sorriu — Sem contar, é claro, que eu posso te ajudar a vencer ela.

A fitei boquiaberta. Ela estava insinuando o que eu estava pensando que ela estava insinuando?

— Você irá me ajudar a conquistar, Oliver?

Ela sequer piscou.

— Não diria que é uma ajuda e sim um empurrãozinho, não posso ter certeza dos resultados. — Explicou — Como disse, Oliver não é um homem muito fácil de se chegar.

Quando a esmola é demais...o santo desconfia. Cruzei os braços e semicerrei os olhos, esperando estar numa pose bem ameaçadora para ela.

— Por que você me ajudaria? Aliás, por que você desistiria de um homem da estirpe dele e o daria de bandeja para mim? — Pausa — Melhor, por que eu confiaria logo em você?

— Porque eu sou a sua melhor alternativa. — Disse e eu abri a boca, pronta para retrucar que tinha Tommy ou até mesmo Laurel para me ajudarem naquela empreitada, quando ela foi mais rápida em cortar a minha onda — Laurel jamais te ajudaria, ela não gosta de se meter nesse tipo de situação. E Tommy...Não lembro dele ter namorado Oliver por algum tempo para saber como chegar até ele de maneira amorosa. — Me lançou um olhar sugestivo — E eu definitivamente não quero Oliver Queen de volta. Se sou sua ex, é por algum motivo...

Maldição. Ela tinha razão.

Mas ainda não havia respondido a questão crucial:

— Por que você me ajudaria? — Repeti, no meu melhor tom glacial. Sara elevou as sobrancelhas e logo desmanchou o semblante, para me presentear com um sorriso ladino.

— Porque quero muito ver Oliver Queen rendido à uma mulher.

Nunca saberia o motivo exato, mas sua breve explicação conseguiu me render num piscar de olhos.

Exalei.

— Tudo bem, eu acredito em você. — por hora.

— Ótimo! — Como se estivesse vendo Papai Noel numa noite de natal, Sara abriu um sorriso indecentemente majestoso na minha direção, enquanto enlaçava seu braço no meu, alheia ao meu desespero iminente. — Agora, vamos começar a por o nosso plano de conquista em ação. Ligarei agora mesmo para Tommy e vamos todos nos encontrar nesse tal bar para festejar!

O QUE?

Imediatamente travei meus pés no chão, impedindo com que Sara continuasse a me arrastar para fora do quarto.

— Tommy estará nesse bar? E Oliver? Ele também vai?

Eu parecia uma criança que simplesmente não sabia a hora de calar a boca.

Como se pensasse o mesmo, Sara riu.

— É claro que Oliver vai! Eu não disse que iria te ajudar?! — Ela continuou — Tommy nunca perde uma diversão e de alguma forma, sempre consegue arrastar Oliver com ele. Não tenha dúvidas que encontraremos os dois juntos lá.

Senti o meu sangue ferver em expectativa. Parecia que iria me tornar uma garota de má reputação aquela noite.

Mas tudo em nome do destino, vale a pena, certo?

Resignada a aceitar meu destino, pedi dez minutos a Sara, para conseguir ao menos tirar aquela cara de sono e me arrumar da melhor maneira possível que conseguiria aquela hora da noite, enquanto a mesma ia atrás do quarto de Curtis acordá-lo.

Segundo ela, ele jamais a perdoaria por ter caído na gandaia e não chamado ele.

Particularmente, eu achava um erro chamá-lo. Era escandaloso demais para conseguir sair de maneira discreta da fazenda. Tinha a desconcertante impressão que todos seríamos pegos em flagrante fugindo, e isso não seria nada bonito de se explicar para Barry.

Estremeci só com o pensamento.

Dando uma última checada, me olhei no espelho do quarto. Tinha conseguido assentar meu cabelo de maneira decente e vestir um jeans parcialmente novo, que não me envergonharia. Estava bem simples e confortável, se fosse me comparar com Sara no seu vestido que mais parecia uma blusa.

Vacilei, talvez eu devesse me vestir duma maneira muito mais elaborada...Talvez devesse optar por um vestido também. Hmmm, talvez....

— Felicity, vamos! — O rosto de Sara apareceu no vão da porta, arruinando completamente minha chance de mudança do figurino.

Repentinamente sentindo o friozinho de ansiedade na minha barriga, corri em direção à porta, rezando para que Barry nem ninguém acordasse e barrasse nossa fuga.

(...)

Sair da fazenda, como o previsto, se provou uma tarefa muito difícil com a presença de Curtis e seus gritinhos histéricos quando ouvia algum barulho. Claro, isso sem contar com a nossa falta de transporte para chegar até A.R.G.U.S.

Não tinha pensado nessa parte e muito menos Sara, pelos os resmungos que soltava de cinco em cinco minutos, por conta de seus saltos altíssimos afundando na terra molhada de sereno.

— Ai bichas, que uó sair a pé nesse fim de mundo! — Curtis reclamava, andando nas pontinhas dos pés tentando não sujar sua botinha dourada berrante, completamente.

Revirei os olhos com o drama. A parte mais difícil já havíamos conseguido fazer: Sair da fazenda, sem acordar Barry ou nenhum empregado.

O problema era que continuávamos aos arredores da fazenda Allen. Qualquer um poderia passar por lá a essa hora e nos flagrar. Pior ainda, qualquer um conhecido.

Nervosa, apressei os passos, ignorando os protestos da "Dupla Problema". Segundo os meus cálculos, demoraria mais ou menos trinta minutos para chegarmos até A.R.G.U.S., isso se não ocorresse nenhum contratempo no meio do caminho.

Quando chegamos de frente à terceira porteira e última, que o real problema aconteceu. Ao longe na estrada, dois faróis podiam ser vistos, indicando que alguém vinha de carro. Na hora, Sara olhou pra minha cara e eu para a dela.

— FERROU! — Gritamos em uníssono e Curtis que até então estava distraidíssimo olhando o estrago que a lama havia proporcionado às suas botinhas, levantou o rosto para nos encarar com a maior cara de pamonha. — Abortar missão! — Acrescentei, começando a caçar alguma rota de fuga.

— Que foi viadas, que auê é esse? — Ele perguntou, colocando as mãos na cintura e fazendo a maior pose.

O carro se aproximava cada vez mais e sem pensar, fiz a única coisa que podia no momento: Pulei para dentro do mato!

No mesmo segundo em que meu corpo entrou em contato com aquelas plantas que prometiam mais tarde uma coceira daquelas, um outro corpo caiu ao meu lado. Não precisava nem olhar para saber que era Sara.

Agora só estava faltando um outro corpo cair do nosso lado feito bosta...Preocupada, abri uma fresta naqueles matos para tentar localizar onde estava aquela bicha louca e o que havia acontecido de fato com ele.

Quase tive um derrame ao assistir a cena.

Como se não acabasse de ter sido pego no flagra andando por aí de madrugada, por um rosto conhecido, Curtis decidiu bater um papo com a pessoa que COM CERTEZA nos delataria o mais rapidamente possível para Barry: Rene Ramirez.

EU IA TER UM TRECO!

— Você tá me perseguindo, gato? — Curtis olhava Rene de maneira safada — Olha, não precisava fazer tanto esforço assim não viu. Era só entrar no meu quar-

— Me chame de gato mais uma vez que passo esse carro por cima de você. — Rene o ameaçou, sem paciência para continuar escutando as merdas que a bicha louca vomitava.

Reprimi a risada histérica que até naquele momento tenso, queria sair.

— Ai, que agressivo! — Curtis levou as mãozinhas delicadas em direção ao coração e fez beicinho — Se bem que adoro uns tapinhas na hora do s-

— Ok, já tive o suficiente. — Ele pisou no acelerador, fazendo Curtis dar um pulinho para longe do carro — Você e seus pensamentos pervertidos podem ficar aí, pois eu estou indo embor- Ele parou o seu discurso de repente e semicerrou os olhos, olhando na mesma direção que eu estava escondida nos matos com Sara.

Será que ele havia nos avistado? Como? Prendi a respiração e não me atrevi a piscar um olhinho sequer!

Aproveitando a oportunidade de ter Rene completamente distraído, Curtis pulou na janela da caminhonete dele e se pendurou ali.

— Tá olhando pro além, por quê?????

Graças a Deus, Curtis parecia finalmente querer distrair Rene da nossa presença propriamente e não apenas flertar com ele.

— Quem está aqui com você, Curtis? — Ignorando completamente o intento do pavão de lhe distrair, Rene lançou a pergunta certeira. Encarei Sara e ela me encarou de volta, parecendo igualmente aflita por ver nosso plano ir por água abaixo.

É, foi bom enquanto durou né...

Curtis soltou a risada mais falsa que já ouvi em toda minha vida.

— Por que o interesse, gato? O que eu vou ganhar se te DAR a informação?

Ele realmente não tinha medo da morte...

Com um olhar aborrecido, Rene olhou para cima, parecendo pedir paciência à Deus. Se ele fosse alguma outra pessoa e eu estivesse numa situação diferente da atual, teria sentido pena. Mas já que Rene era Rene, achava bem feito ter arranjado uma pessoa para ficar no seu pé, igual Curtis Holt.

— Vai me falar ou não? — Rene questionou e diante o silêncio do pavão, colocou mais uma vez o pé no acelerador do carro, indicando muito bem sua posição naquela situação. Quando percebeu que daquele mato não sairia coelho, resolveu finalizar o seu breve interrogatório. — Ok então, irei embora.

Mal pude suspirar aliviada por ter sido salva pelo pavão, porque assim que a caminhonete entrou em movimento, Curtis saiu correndo adoidado atrás da mesma.

— AI SEU COWBOY BRUTO, VOLTA AQUI!!!! EU TE CONTO TUDINHO!!!! — Para meu espanto, Rene parou o carro imediatamente e deu ré, parando exatamente bem do ladinho de Curtis, mais alguns centímetros e teria acertado a bicha. — Quem tá comigo é a Galinha Loira e a Barbie do Sertão! — Entregou geral.

PAVÃO MALDITO!!!!

É óbvio que numa situação dessas, você sai irada do mato, dando o seu grito de guerra e com o primeiro pau que encontrou jogado, na mão, pronta para descer o cacete numa certa bicha...Certo? Certo!

Mas para espanto geral, não era bem EU quem estava com um pau na mão pronta para descer o cacete em Curtis. E sim Sara.

— AI VIADO, AI VIADOOOO!!! EU VOU MORRER, EU VOU MORRER! — Curtis berrou apavorado ao ver Sara correr na sua direção com um pau enorme, pronta para o atingir.

Sabendo que o cenário acabaria em morte caso não houvesse uma intervenção, corri para tentar impedir Sara, ao mesmo tempo que Curtis tomava as próprias providências para salvar seu lombo, trepando em cima da caminhonete de Rene e pedindo asilo para o mesmo.

— ME SAAAALVA COWBOY, ME SALVA QUE ESSE PAU EU NÃO VOU AGUENTAAAAR!!!

Me fale mais sobre uma pessoa discreta.

(...)

Um silêncio aterrador se instalou na caminhonete de Rene, a qual nós quatro estávamos dentro após conseguirmos apaziguar a cena que Sara e Curtis estavam causando, há dez minutos atrás.

Ninguém se atrevia a falar nada, provavelmente com medo da terceira guerra mundial desencadear — isso era para ver o tamanho da tragédia que iria ocorrer quando Barry soubesse daquela nossa fuga mal sucedida. Queria socar meu próprio rosto — após socar o de Sara por ter dado aquela ideia absurda e o de Curtis por não ter pulado no mato enquanto ainda dava.

— Felicity Megan Smoak. — Rene decidiu quebrar o silêncio e eu respirei fundo, esperando o sermão de meia hora, seguido por um "Irei contar tudo para Barry". — Eu não acredito que você resolveu fugir de casa, de MADRUGADA — Deu bastante ênfase e eu suspirei desanimada. Não disse que teria sermão? —, com DOIS desequilibrados — Inconformados, Sara e Curtis soltaram um "EIIII!!" indignado, mas que foi ignorado com sucesso por Rene, que ainda não tinha terminado de falar. Ou no caso, brigar. —, para ir num bar e NÃO ME CHAMOU!

TÁ VENDO? EU DISSE QUE ELE IR-Ei, espera aí um pouquinho....

Pisquei os olhos surpresa, tentando processar as informações passadas segundos atrás.

Já Sara e Curtis nem perderam a oportunidade para começarem a bater palminhas e soltar gritinhos, comemorando uma aparente vitória.

Engoli em seco e encarei Rene desconfiada.

— O que você quer dizer com isso exatamente?

Ele arrumou o colarinho da blusa e abriu seu típico sorriso arrogante que sempre me trazia problemas.

— Quero dizer que espero que valha muito à pena essa fuga. — Ligou o carro — Reze para eu me divertir essa noite, Felicity. Vou precisar para quando Barry descobrir tudo e querer meu pescoço e o seu numa bandeja.

O pior é que ele tinha razão: A noite tinha que realmente ser boa, para valer a punição que levaríamos de Barry. Porque oh sim, definitivamente, cedo ou tarde, ele ouviria sobre essa saída clandestina. Ô, se ouviria!

Notas finais
(Espaço para lamentações, desculpas e auto-depreciações) Nem acredito que demorei mais de 30 dias para atualizar. Isso nunca tinha me ocorrido antes e tô chocada comigo mesma. E o pior que nem foi por falta de imaginação, pessoal. Foi o timing. Pensem numa pessoa com o timing mais imperfeito do planeta. Pois então. Mas a boa notícia é a seguinte: A fanfic já está toda resumida num bloco de notas, ou seja, não existe nem a remota possibilidade de desistência (da minha parte) sobre ela. Portanto, descartem a ideia de que talvez eu possa abandonar a fanfic. Isso não vai acontecer. Como já disse antes: NÓS TRUPICA, MAS NÃO CAI!!! AGORA SOBRE O CAPÍTULO: O que vocês acharam dessa aliança entre Felicity x Sara? O inferno sempre está cheio de boas intenções. E a última estranha aliança também formada no último instante do capítulo? Por que Rene decidiu ajudar Felicity, quando sempre passa metade do tempo implicando com ela? HAHAHA E EU NEM VOU FALAR NADA DO CURTIS. Esse daí atira para todos os lados e não esconde isso de ninguém. SERÁ QUE NOSSA TURMINHA VAI SE DIVERTIR NESSE TAL BAR? Será que até ao amanhecer Felicity vai ter conseguido uma aproximação com Oliver? Claro, isso se o nosso Garanhão estiver mesmo lá....Torçamos que sim, né queridas? PRÓXIMO CAPÍTULO: Terá aparição de "novos personagens". Conseguem adivinhar quem? Apostas? Mil beijos e abraços, e mil desculpas pela demora ♥. (Depois dessa, quem vai merecer um estoque de maracujá será eu, com os inúmeros bonecos de vodu da minha pessoa que vocês devem ter adquirido nos últimos dias de ausência de att. Por favor, após a leitura dessa notinha, jogai-lo fora. Meu coração é frágil.)