Amor Cigano
13 Não se reprima!
Notas iniciais
Após toda confusão causada pela "inocente" brincadeira que quase acabou se tornando tragédia por conta da soltura de Pata, Barry que ouvira os gritos de Akio, acabou salvando todos das garras da galinha durante aquela madrugada apocalíptica.
No entanto, ninguém foi capaz de se salvar do longo e incrível sermão de Barry. Oliver não conseguia recordar metade, contudo, sabia que o fazendeiro havia dito algo sobre estar decepcionado com ele.
Bom, que ele entrasse na fila.
Honestamente, Barry não seria o primeiro e nem o último a se decepcionar com o ex-playboy.
— É sério que quando irritam Barry, ele manda as pessoas fazerem isso?
Extremamente ofegante e cheia de bosta de cavalo até o talo, Thea, sua irmã mais nova — e única, até onde ele sabia -, parou ao seu lado, segurando uma pá. O sol da manhã já fazia estrago na pele da jovem Queen.
A tiracolo, bem atrás dela estava Roy, que continha um sorriso ridículo para fazer conjunto com um chapéu mais ridículo ainda de cowboy. Oliver franziu o cenho, debatendo internamente se perguntava onde o pilantra arranjara o chapéu e se também poderia ter um.
— Ouvi dizer que ele consegue fazer pior. — Murmurou Oliver, ainda distraído com o chapéu ridículo do cunhado.
O sol estava tão quente...Possivelmente ele poderia arranjar um chapéu daquele com Felicity. A garota que aparentemente não lhe negava nada — além de paz, é claro. Quer dizer, por mais que ele tentasse acreditar na boa vontade de Felicity ser somente sua amiga, algo martelava em sua mente dizendo para não cair na lábia da Loira Problema.
Em consequência, sua bandeira de paz apenas o causou mais estresse e paranoia. A sensação de estar prestes a cair numa armadilha era...extremamente forte. Ele a observou.
Felicity estava do outro lado do pátio, limpando a baía dos cavalos, super concentrada. Suas bochechas estavam coradas e um suor teimoso escorria sobre suas têmporas. Presumivelmente, o clima escaldante de verão em Lian Yu, também a estava afetando — junto ao trabalho braçal.
Roy enterrou a própria pá na terra e perguntou:
— Você a acha atraente, né?
Oliver se engasgou com a própria saliva.
— O sol afetou mais ainda o seu cérebro quase atrofiado? — Ele conseguiu perguntar, após se recuperar.
Inabalado, um sorriso de quem sabia demais, se desenhou no rosto de Roy. E de fato, ele tinha a sensação — pela a primeira vez -, de saber algo que Oliver não fazia sequer ideia. Ainda.
Ao mais tardar, o cunhado descobriria o mistério, Roy tinha total confiança na capacidade intelectual de Oliver.
— Vai me dizer que você não a acha pelo menos bonitinha? — Continuou a insistir, disposto a arrancar uma resposta direta e concisa dele.
— Você sabe que bonitinha é o mesmo que arrumadinha né? — Thea se meteu — E Felicity definitivamente é bonitona.
— Nunca disse o contrário.
— Mas não respondeu Roy.
Ele estava começando a se sentir mais incomodado, que irritado. Todas aquelas perguntas era no mínimo constrangedoras, uma vez que ele sabia sobre o interesse de Felicity nele. Ou ex-suposto-interesse.
— Vocês estão sendo pagos para isso? — Retrucou, desconfiado. Ainda alimentava a paranoia discreta de que todos, de alguma forma louca, estavam à bordo em algum plano de conquista de Felicity.
Quer dizer, ela não poderia ter desistido assim tão fácil, certo? Aquele papo todo de amizade apenas era tão...Inicialmente, a chegada de Thea e Roy na fazenda pode ter agido como fator-distração quanto a este assunto, mas agora, que a presença da irmã e cunhado já não era mais novidade, ele estava atento.
Os olhos de Thea cresceram.
— E por que seríamos?
— Não faço a menor ideia. — Deu de ombros — Mas não duvido de mais nada.
— Quantas experiências será que você teve para dizer isso? Agora fiquei curioso.
Ah ótimo, era realmente o que lhe faltava...Roy metendo o nariz onde não era chamado.
Antes que Oliver pudesse formular uma resposta propriamente ácida — e inquestionavelmente merecida -, Diggle chegou, o cortando:
— Aposto que a experiência de ouvir Felicity dizendo que ele era o homem de sua vida, logo no primeiro dia em que ele pisou em Lian Yu, está no topo de sua lista. — O guarda-costas despejou sem pena. — Palavras do Tommy, não minha, devo acrescentar. Só estou repassando a informação importante. — Acrescentou rapidamente, ao perceber o olhar mortal de Oliver.
Thea em contrapartida, adquiriu um brilho estranho no olhar e era incapaz de conter a própria excitação diante à revelação bombástica.
— É sério que Felicity fez isso? — Guinchou, completamente feliz. — Ela é incrível!
— Ou extremamente iludida. — Oliver murmurou, de repente sentindo como se um bilhete escrito "Idiota" estivesse preso bem no meio de sua testa.
— Oh Oliver, vamos lá! — Usando a mão livre, Roy bateu no ombro do cunhado, ignorando completamente o perigo que estava correndo após esse gesto. — Vai me dizer que você não adorou a abordagem de Felicity? Aposto que nenhuma mulher jamais chegou assim em você!
— Oliver parecia alguém com constipação.
Uma voz risonha atrás deles falou, chamando atenção.
— TOMMY!!! — Thea gritou com alegria e sem nem pensar duas vezes, pulou para os braços do ex-playboy.
Oliver e Roy reviraram os olhos com a demonstração pública de afeto. Um por puro ciúmes e outro por total despeito.
— O Tommy ela abraça, já eu, me soca... — O Queen mais velho observou a cena, enojado — Realmente, hoje não se deve esperar lealdade de ninguém.
— Sim, decididamente não se dev- Roy se interrompeu ao noticiar o olhar mortal que Oliver estava lhe enviando. Por um momento, havia esquecido que o homem em questão era irmão de Thea, sua namorada. Ele limpou a garganta. — Dia agradável o de hoje né?
Oliver rosnou.
— Sua concepção de agradável está completamente errada, Roy.
Tommy riu alto, separando-se da Queen mais nova e olhando seu melhor amigo. Como desde o momento em que Oliver pisou em Lian Yu, ele parecia muito mau humorado. O que poderia se tornar algo engraçado.
— Vejo que você está de ótimo humor, Oliver. — Brincou — A que se deve isso?
— A sua ilustre presença. — Mentiu, ignorando completamente os olhares de descrença que estava recebendo. — Você demorou um tempo para aparecer aqui na fazenda.
— Eu sei. — Suspirou triste. — Perdi toda a diversão, pelo que fiquei sabendo. Mas...tenho boas notícias! — Reabriu o sorriso maroto e Oliver deu um passo atrás. Um Tommy animado era muito perigoso. — ARGUS já está em obra e a boate sendo construída.
Antes que Oliver pudesse formular sua surpresa com a notícia em questão, Thea o fez por ele:
— Uma boate? Que demais! — Pausa — Espera, mas que boate? Você está abrindo uma boate? Como só estou sabendo disso agora? Espera, uma boate nesse lugar? Isso é uma boa ideia?
Bem sutil, Oliver pensou revirando os olhos. Talvez ele e Felicity estivessem mais relacionados do que imaginava, afinal isso explicaria a falta de tato de sua irmãzinha.
— Jesus, é como se eu tivesse Felicity parada bem na minha frente. — Tommy comentou o que todos provavelmente estavam pensando após a enxurrada de perguntas da Queen.
— Falando nela...
— A boate é um investimento meu e de Tommy! — Oliver interrompeu a irmã, rápido.
Se com apenas Roy e Thea ele estava tendo um momento difícil em todo aquele assunto "Felicity", com Tommy na parada ele seria aniquilado num piscar de olhos.
— Você pretende morar aqui??? — O chiado que Thea soltou foi embaraçoso. — Meu Deus Oliver, eu sei que você e mamãe brigar-
— Nós não brigamos. — A cortou, de cenho franzido. Eles apenas tiveram uma divergência de opiniões.
—....mas não acredito que isso seja motivo forte o suficiente para ir embora de Star City para sempre.
— Oh, então foi por isso que veio até Lian Yu? — Tommy se intrometeu — Brigou com Moira? Poxa Oliver e eu aqui pensando que você veio até aqui por minha causa...
Céus, ele precisava urgentemente de um chapéu pois começava a sentir seus neurônios serem torrados lentamente à cada palavra proferida por Tommy e Thea.
— Não estou me mudando para Lian Yu e Tommy, você é a razão número um para eu estar nesse lugar. — Seguida da razão número dois que era sua não-briga com Moira, mas claro, isso ele não precisava falar em voz alta.
— E a número dois? — Diggle pôs lenha na fogueira.
Contando de um até dez, Oliver jurou que não surtaria, era isso que eles queriam.
— A razão número do-
— Olá Tommy!!! — Uma serelepe e feliz Felicity Smoak, interrompeu Oliver, fazendo uma veia saltar de sua testa.
Por que todos pareciam dispostos a lhe interromper?
— Justamente a mulher que estávamos falando sobre. — Diggle novamente, provocou. E Oliver só não tentou dar uma cotovelada no guarda-costas por conta das testemunhas...E também porque sabia que Diggle daria o troco e sua mão era muito pesada.
— Vocês estavam falando de mim? — Os olhos de Felicity cresceram.
— Vocês estavam falando dela? — Tommy também quis saber, com um brilho estranho nos olhos. — Hmmmm, interessante.
— Não tinha ninguém aqui falando de você, Felicity. — Oliver disparou, sentindo que já não tinha mais controle da situação.
Quer dizer, se é que ele já teve em algum momento.
Desconfiada, Felicity lhe encarou. Seu rosto ainda continuava vermelho do trabalho duro — e talvez por conta do sol -, e suas tranças estavam uma completa bagunça. Bem, Oliver achou que ela continuava bonita mesmo assim.
O que era estranho. Por que estava pensando que Felicity era bonita? Olhou para o céu. Oh, definitivamente o calor estava-o fazendo delirar.
— Ah...Então por que Diggle falou isso? — Felicity indagou.
— Onde posso arranjar um chapéu igual de Roy? — Mudou de assunto, de repente sentindo uma necessidade extrema de proteger seu cérebro que se derretia à cada segundo passado ali.
— Com Barry, ele tem vários. — Respondeu ela, solicita.
Vendo uma ótima chance de saída estratégica, Oliver abriu a boca:
— Ótimo, vou lá den-
— Espera! — Thea gritou, levantando as mãos — Você ainda não respondeu a pergunta do Roy.
— Que pergun... — Parou, finalmente recordando o motivo para a morte dos seus neurônios terem acelerado drasticamente nos últimos minutos. — Ah...Como eu ia dizendo, vou lá dentro pegar um chapéu com Barry.
E fugiu, sem dar a chance de qualquer outra pessoa lhe fazer outro interrogatório.
Tommy virou intrigado para Thea.
— Que tipo de pergunta você e Roy fizeram para o ter fugindo assim?
Compadecido, Diggle bateu no ombro de Tommy.
— Você não faz ideia, cara.
— Oh, mas eu acho que ele faça alguma ideia sim... — Roy murmurou maroto, com uma mão no queixo.
Confusa e um pouco ofendida — por não saber o teor de toda aquela conversa -, Felicity decidiu que o melhor era voltar ao seu trabalho. E quem sabe, mais tarde, pensar em algum bom motivo para ficar de conversa fiada com Oliver.
Ele poderia ter fugido dos amigos e parentes, mas não do seu radar.
Felicity's Pov
— Barry é um sonso.
Bufei, não pela primeira vez, ao ouvir o resmungo irritado de Curtis. Quer dizer, pela primeira vez na história, ele tinha UM POUQUINHO de razão, mas ficar reclamando sem parar não mudaria em nada nossa situação atual.
Muito pelo contrário.
—...nos coloca pra ficar fazendo esse trabalho braçal, enquanto encontra tempo para ficar se engraçando com essas caipiras ralé. — Continuou, lançando um olhar ressentido ao meu amigo que estava conversando animadamente com a filha do Sr. Jones.
Franzi o cenho, também observando a cena. Tinha conhecimento da veia vingativa de Barry, uma vez que o conhecia desde pirralho, mas nos últimos tempos ele vinha exagerando...Quer dizer, e daí que colocamos uma criança NÃO inocente num mesmo ambiente que Pata, a Galinha Assassina? Não era como se nós já não tivéssemos pago por esse PECADINHO mais cedo, ao limparmos bosta de cavalo e galinha, abaixo de um sol infernal.
No entanto, aparentemente, para Barry aquilo não havia sido suficiente e por isso, no momento todo o grupinho "Brinque de faça-me rir ou morra e acabe morrendo de fato" estava trabalhando igual burro de carga na preparação do festival, em mais um episódio do reality show: Os castigos de Barry Allen.
— Ele não está se engraçando com a filha do Sr. Jones. — Era o contrário, fiz uma careta.
— Tá, que seja. — Cedeu — Mas não negue que Loira Falsificada e Nyssa estão fazendo absolutamente nada além de ficarem trocando olhares sujos, enquanto estamos trabalhando duro aqui. — Suspirou dramaticamente — Costumo ser fã de algo duro, mas no momento gostaria de algo mole.
Maldito pervertido.
— Nyssa e Sara não estavam aprontando ontem a noite. — Saí em defesa delas já que Nyssa era minha amiga e Sara...Bem, Sara havia me feito um favor ao chifrar Oliver.
Ela merecia ser defendida após esse ato de bondade.
— Será que não estavam? — Seu tom foi sugestivo, fazendo-me torcer o nariz.
Oh cara, eu estava rodeada por pervertidos malucos.
— Você é nojento.
— E você a virgem Maria, ao que parece. — Estreitou os olhos — Eu vi seus livros de cabeceira de cama.
A tinta quase escorregou da minha mão.
Filho da mãe!
— Você está me espionando? — Disparei, esquecendo completamente os arranjos que estava pintando à mão para enfeitar o abençoado festival.
— Por favor queridinha, você acha mesmo que eu perderia meu tempo te espionando? — Rolou os olhos — Até onde eu saiba você não tem um Mjölnir entre as pernas, logo você não me interessa. Mas se você quer esconder suas putarias, é melhor arranjar um outro lugar.
Em que mundo Curtis tinha razão por três vezes seguidas?
— Arranjar outro lugar para o quê?
Thea chegou de repente, me fazendo tomar um susto tão grande que por acidente, acabei jogando a lata de tinta pelos ares...E como se fosse um maldito acidente trem, o qual eu não tinha nenhum poder de impedir, assisti em câmera lenta a lata viajar, viajar, viajar...e parar justamente na cabeça de Oliver.
INFEEEERNO!
Todos, sem exceção, parou para observar a tragédia. E eu só para dar mais dramaticidade ao momento, fiz a única coisa que qualquer um faria:
— AAAAAAAA — Gritei, dando pulinhos — UMA COBRA, UMA COBRA!!!
Isso seria o suficiente para chamar a atenção e justificar o motivo de eu ter jogado uma lata de tinta acidentalmente cabeça do meu Garanhão, certo?
Errado, se eu fosse contar com a expressão assassina de Oliver, enquanto ouvia as risadas escandalosas de Tommy, Roy, Sara, Thea e Curtis.
Claro, sem contar os olhares incrédulos e divertidos que ele estava recebendo de toda equipe que havia se mobilizado para ajudar na organização e decoração do festival.
Afundei meu rosto em minhas mãos, completamente constrangida.
— A cobra que ela viu deve ser bem mixuruca mesmo para eu não ter conseguido ver também. — Ouvi Curtis gracejar sem pena, o que foi o suficiente para me fazer rosnar e retirar as mãos do rosto.
Mas é claro que primeiramente (matar o Sem Noção depois) corri na direção de Oliver, para tentar o ajudar (como se construir uma máquina do tempo levasse apenas segundos) já ciente que eu não poderia reverter a merda feita.
— Oh, me desculpe, me desculpe! — Falava sem parar, tentando limpar ele com as minhas próprias mãos (tá sendo uma experiência incrível colocar a mão nesse peitoral. E olha que a maior parte da tinta está no seu cabelo e rosto, mas isso são apenas detalhes) na falta de uma toalha. — Eu apenas me assustei com a-
— Cobra. — Ele me ajudou completar a frase, fazendo meu rosto ficar em chamas. — Sim, entendo. Ela deve ter te assustado muito.
Nah, aposto que a sua me assustaria mais.
— Eu não tenho uma cobra, Felicity.
PUTA MERDA!
ALGUÉM ME MATA AGORA, POR FAVOR!
Atrás de mim, consegui ouvir as risadinhas inescrupulosas de Curtis, Thea e...Olhei por cima dos ombros, droga!! Estavam todos agora rindo da minha pessoa.
Merda, merda, merda!
Sem saber o que fazer ou falar, continuei parada feito uma completa idiota, esperando quem sabe uma manifestação divina para me tirar desse cenário ridículo. Surpreendentemente quem me salvou não era divino e muito menos a minha pessoa favorita na terra:
— Já que estamos longe da fazenda e Oliver não tem uma muda de roupa disponível para se trocar, que tal todos irmos até a cachoeira? — Rene propôs — Suamos o suficiente por hoje, precisamos de um momento para nos divertir e descansar.
Por que isso estava me cheirando mal?
A última vez que nos divertimos, paramos na atual condição. Então é claro que eu não estou tão animada assim com essa ideia de última hora (eu espero) de Rene. Por mais tentador que seja a possibilidade de ver Oliver Queen molhado, em toda a sua glória, saindo da cachoeira e-
— Nossa, boa ideia! — Atirei de volta, feliz da vida.
O que era enfrentar mais um episódio do reality Os castigos de Barry Allen, quando em contrapartida, eu tinha a possibilidade de admirar um Deus Grego ao vivo? Pfffff!
— Eu acho melhor não. — Oliver se manifestou também, ainda tentando limpar o rosto. Infelizmente, por conta de toda tinta, não conseguia ver sua expressão facial para saber se ele estava se sentindo ameaçado ou desconfiado com a tal proposta.
Suspirei, triste. Acho que não seria hoje que eu veria Oliver molhadi-
— Ah, para Oliver! — Thea tomou a frente da negociação (uma negociação muito importante que decidiria se esta noite eu teria sonhos precisos com o corpo do meu Garanhão ou permaneceria apenas na fantasia) — Larga de ser chato! O que custa dar um mergulho na cachoeira? Não é como se fosse tirar um pedaço seu.
Pelo o brilho em seus olhos, ele acreditava sim que poderia acabar ficando sem um pedaço. Ou dois. Até mesmo três.
Maldita intuição impecável!
— E o que tem vocês irem até a cachoeira sem a minha presença? — Ele rebateu, com uma pontinha de irritação na voz.
Hm, interessante.
Thea o fulminou com olhar.
— Não seja um estraga prazeres!
Barry olhou para Oliver, pensativo.
— Rene tem razão, uma pausa é uma boa ideia. — Ele falou, surpreendendo a todos. — E Oliver, venha com a gente. Você não gostaria de conhecer a cachoeira?
— Se eu fosse você garoto, aceitava o convite. — Sr. Jones se intrometeu, sério. — Todos vocês já trabalharam o suficiente por hoje.
De dentes cerrados e aparentemente fulo da vida, Oliver encarou cada um, até assentir em acordo com a ideia.
Não consegui conter o meu sorriso. Eba, era hoje que eu via Oliver Queen em toda a sua glória!
Ou quase.
(...)
— I CAME IN LIKE A WREEEEEEEEEEEEECKING BALL!!!
Era incrível a habilidade de Curtis arruinar qualquer momento.
Pendurado em um pneu velho que se transformara em balanço, ele saltou para dentro da cachoeira após gritar a canção que havia se tornado seu hino há poucos minutos atrás.
—....I NEVER HIT SO HARD IN LOVE!!!!!
— Eu gosto dele. — Falou Thea, parada ao meu lado, assistindo o Aloprado se esbaldar.
A fitei incrédula.
— Você não pode estar falando sério.
— É claro que eu estou, ele é engraçado.
E louco, quis acrescentar, mas deixei o bicho quieto. Se ela não enxergava o óbvio, eu que não acabaria com as ilusões dela. Thea Queen estava se provando uma valiosa aliada — mesmo que ela ainda não saiba que é minha companheira de crime.
— OKAY, AGORA É A MINHA VEZ!!! — Roy gritou, ao mesmo tempo em que retirava sua camisa e exibia seu tanquinho...O olhei impressionada.
Não fazia ideia de que ele tinha aquela barriga.
— É, mas já tem dona. — Thea me olhou atravessado e eu resfoleguei. Será que minha boca não podia parar por um segundo? Não era como se eu estivesse interessada em Roy, mas agora em Oliver....
Como se soubesse que estava sendo observado, o Queen andou até em direção a borda da pedra mais alta que levava ao pneu-balanço e sem cerimônia alguma, tirou a camisa completamente arruinada por tinta e oh meu Deus a visão que eu tive.
— Tô mais interessada no seu irmão. — Disparei, sem desviar os olhos daquela espécime de Deus Grego andante.
— Eu sei, sua baba te denuncia.
A MINHA O QUE?! Automaticamente levei a mão na boca, sabe, só para conferir e é claro que não havia resquício de nenhuma baba. Fui pega na lorota!
— Poxa, isso não foi legal.
Ou teria sido, se a pessoa perturbada correspondesse pelo nome Curtis, Rene ou Slade.
— Foi sim.
— Não fo-
— THEA, VOCÊ É A PRÓXIMA! — Barry interrompeu nossa leve e curta treta. Ele, assim como todos os outros, já estava se pendurando no pneu para saltar.
Caraca, perdi até a visão do Queen seminu! Olha a sacanagem!
Feliz da vida — e ignorando o estrago que fez com as minhas fantasias -, Thea saiu correndo e sem nem pensar duas vezes, a doida tirou as sandálias, se pendurou no pneu — com a maior confiança do mundo, como se pendurar por aí e saltar de alturas, fosse rotineiro — e saltou.
Sem alternativas — mentira, eu tinha vááárias -, chutei meus sapatos, amarrei meu cabelo em um elástico e parti para o pneu, fazendo o cosplay quase perfeito de Jane (Não Tarzan) à procura de seu Taranhão.
Como o previsto, a água estava geladíssima mas com o calor dos infernos que fazia aqui em Lian Yu hoje, esse gelo era mais do que bem vindo. Após emergir, rapidamente localizei Oliver, que estava boiando feito merda — o que foi? o cara me vara de tesão mas preciso ser honesta aqui -, ao lado de Thea que estava agarradinha no namorado delícia.
Hm...Tinha uma coisa estranha nesse cenário.
— Cadê Tommy e Diggle? — Perguntei, olhando para os lados.
Cara, até entendia do Tommy sumir de vista, afinal, ele era um cotoco de gente. Mas John Diggle? Impossível aquele armário evaporar assim do nada! Ainda mais quando ele era segurança de Oliver...Vai que o Taranhão (preciso com urgência trabalhar num apelido melhor) é atacado aqui por CURTIS?
— Vai ver eles estão atrás de uma moita. — Zoou Curtis, soltando uma risada escrota.
Fechei a cara.
— Você só está falando isso agora porque Diggle não está presente. Você tem medo da arma dele. — Tanto quanto eu ou qualquer pessoa normal.
Ainda com uma expressão zombeteira, o Aloprado replicou:
— Eu quero mais que ele me mostre aquela armona dele, sirigaita do cerrado.
Desgraçadoooooooo! Parecia que eu não era a única com apelidos novos por aqui.
— Você vai v-
AFUNDEI.
QUE...MERDA...É ESSA?!??!
Tomando a coragem de poucos (ata), abri meus olhos debaixo d'água para tentar descobrir que infernos puxou o meu pé e me deparei com um Tommy sorridente acenando para mim.
FILHO DA MÃE!
Esquecendo da minha situação atual, abri a boca igual uma babaca, pronta para chutar o pau da barraca — e o de Tommy também, se possível -, quando isso se provou uma péssima ideia já que uma quantidade absurda de água foi engolida por mim.
INFEEEEEEERNO!!!
É claro que quando voltei à superfície após o meu quase afogamento causado pela traquinagem de Tommy e minha estupidez — combinação perigosa essa, viu! -, todos estavam rindo da minha desgraça. Até mesmo Oliver e Barry.
— Qual é Tommy, isso não se faz! Pensei que fossemos amigos!
Se eu estava sendo dramática? Só um pouquinho.
— É por isso mesmo que resolvi brincar contigo. — Me lançou uma piscadela marota — Qualquer outra pessoa por aqui esqueceria isso e me mataria afogado.
Por que ele estava levantando as sobrancelhas enquanto cabeceava na direção de Oliver?
— Tá, que seja. — Resolvi fazer vista grossa da situação — Mas ein gente, cadê o Diggle?
Julgava que ele estaria com Tommy, sendo seu parceiro na suposta brincadeira que quase se tornou tragédia, mas eu olhava de um lado para o outro e não tinha um vislumbre do guarda-costas!
— Ah sei lá mona! — Curtis acenou uma mão no ar, fazendo muito pouco caso. — Vai ver que ele está atrás de uma moita me-AI PORRA!
E o pilantra afundou.
Cara, eu não fazia ideia do quão engraçado era assistir alguém sendo puxado para as profundezas do infer-cachoeira, quis dizer cachoeira!
Nem tentei me segurar, ri tanto da barriga chegar a doer — felizmente, fui acompanhada pelo o resto da turma do mal. Diggle, quem havia feito o trabalho sujo, já estava de volta a superfície, parecendo bastante orgulhoso da sua travessura.
Curtis por outro lado, agora estava choramingando agarrado numa pedra, como se sua vida dependesse disso.
— EU ODEIO TODOS VOCÊS! — Declarou aos berros histéricos, intensificando a gargalhada geral.
Oliver tinha até parado de boiar com medo de afundar de tanto rir. E como o imaginado, até a risada do cara era bonita.
Oh meu senhor abençoado, eu precisava ter aquele homem.
— Felicity, tem uma baba escorrendo aí. — Barry resolveu me zoar.
— É água! — Retorqui rápida, jogando um punhado de água na cara do meu amigo, que só riu.
O clima estava tão leve e feliz...nem parecia que hoje mais cedo Barry tava pegando no nosso couro.
— Gente, gente!! — Roy começou a chamar nossa atenção — Eu tive uma ideia!
Ah, não...
—...que tal fazermos uma competição pra ver quem pula mais longe?
Ah, sim!
— Po, tô dentro!!!
É aquele ditado né? Cavalo dado não se olha os dentes. Mas eu queria muito olhar o Queen seminu molhadinho e por isso concordei nessa rapidez com a ideia do malandro.
E daí que possivelmente essa ideia iria causar o caos completo?
— Eu dispenso. — Oliver estragou todas as minhas fantasias com apenas duas palavras.
Por que ele tinha prazer em ser do contra? Putz, assim ficava difícil!
— Caraca, Oliver, deixa de ser chato. — Reclamou Thea.
HA! EU SABIA QUE ELA SERIA VALIOSA NO TEAM FELICITY!
— Qual é, Oliver, quando teremos outra chance de fazer algo assim? — Tommy quis saber, batendo no ombro do amigo.
É Oliver, me diz, quando teremos outra chance de o ver exibindo seus bíceps molhados-não-de-suor?
— Outro dia, mas não hoje.
Tradução: Nunca mais, otário!
— Larga a mão de ser reprimido, cara, nem parece que era o mesmo Oliver playboy que caia na gandaia e topava fazer tudo, inclusive ainda não me esqueci daquela vez qu-
— TOMMY! — Taranhão decidiu interromper o amigo, visivelmente alarmado com a língua solta do ex-playboy.
— Ai que uó, deixou pra interromper logo na melhor parte do babado. Ohhh bicha reprimida! — Curtis se meteu no assunto, desgrudando da pedra e nadando na nossa direção feito uma sereia tendo um derrame.
Nossa, vou te contar viu, tava pra nascer alguém que curtisse estar na mira dum possível homicídio feito Curtis!
O olhar que Oliver lançava nesse instante ao desequilibrado, não deixava nenhuma dúvida que caso ele tivesse uma arma, a usaria sem pestanejar.
— Reprimido, essa é a palavra chave para Oliver. — Tommy concordou, com um ar reprovador pra cima do Taranhão.
— Não se reprima, não se reprima... — Roy começou a puxar o corinho.
Não teve jeito, tive que me juntar a cantoria também:
— Não se reprima, não se reprimaaaaa.
E logo, geral se juntou a zoação com a cara do meu Taranhão, cantando isso em alto bom som.
— NÃO SE REPRIMA, NÃO SE REPRIMA, NÃO SE REPRIMAAAAAAA!!!
(...)
O tempo em que passamos na cachoeira foi repleto de risadas e brincadeiras, e o suficiente também para repor as nossas energias. Não havia conseguido ter um vislumbre do meu Taranhão seminu entrando ou saindo da água (cortesia de Rene tentando me afogar pela 830394 vez), mas em contrapartida, consegui descobrir um montão de novas coisas sobre Oliver.
Por exemplo, ele adorava comida apimentada (deveria ter jogado pimenta na comida dele, não na de Slade...quem sabe a essas horas ele estivesse com a língua pra fora e abanando o seu rabo pra mim? Ou eu abanando o meu para ele...), tanto que tinha uma receita de chilli própria.
Outra coisa também que descobri é que ele era bastante próximo de sua mãe, mas por algum motivo obscuro, ambos agora não estavam mais se falando...Contudo, pela sua expressão sofrida, ele sentia muita falta dela.
Em resumo, ele era o filhinho da mamãe, enquanto Thea foi a filhinha do papai, até a morte do Sr. Queen.
Ah, também descobri que eu tinha uma paciência surpreendente! Aturar Curtis por horas gracejando no meu ouvido piadas relacionadas a cobras, graças minha gafe de mais cedo, e não o matar afogado, era prova que eu era uma santa e merecia ser canonizada.
— OLHA A COBRAAAAAA!!! UHHH, É MENTIRAAAA!!
— Curtis se você não calar a boca agora eu vou te sentar de tapa.
Ok, deixa pra lá, eu não tenho lá muita paciência não.
— Credo, ralé. Eu só estava brincando... — Replicou, fingindo ofensa, no entanto, eu podia enxergar um brilho travesso nos olhos dele.
Deus, me dê paciência porque se me der outra coisa irei me transformar numa assassina de mão cheia.
— Felicity, preciso que você me faça um favor. — Thea chegou de repente, com uma toalha envolta do seu pescoço.
Desde que chegamos na fazenda, cada um estava indo tomar banho por ordem de...quem empurrava quem melhor. Obviamente a pequena Queen saiu em vantagem.
Ela podia ser pequena, mas tinha uma força...Foi a primeira a tomar banho!
Franzi o cenho e cruzei os braços, atenta.
— Que tipo de favor?
Meus instintos gritavam para eu sair correndo imediatamente.
— Oh, nada demais. — Ela acenou uma mão no ar. — Só preciso que você pegue o meu creme no banheiro, enquanto vou até o quarto de Roy, procurar meu pente na mala dele.
Hein?
— Mas se é o seu pente, o que tá fazendo na mala de Roy? — Questionei, cheia de suspeita. Algo não estava cheirando bem....Tô falando.
Ela me olhou como se eu tivesse algum problema mental.
— Por que não coube na minha mala? Pois ela já estava cheia de roupas?
Ah, por um momento havia me esquecido quem de fato Thea Queen era...Uma menina rica, privilegiada e que com certeza passava metade de seus dias em lojas de roupas.
Droga! Precisaria me lembrar disso mais vezes.
— Oh, é claro. — Pus os olhos em fendas. — Vou lá buscar o creme para você. — Pausa — Espera, todo mundo já tomou banho?
Ter apenas um banheiro disponível quando os outros dois estavam ruins ou sendo ocupado por Barry, não era moleza não!
Felizmente, dessa vez, consegui ser a terceira da fila na hora de tomar banho e não a última, diferente de Oliver que havia cedido sua vez para Tommy — mas aposto que isso foi para fazer o ex-playboy calar a boca, já que ficou choramingando o tempo todo falando o quão injusto era ficar por último.
Nem era como se ele não tivesse uma casa própria onde pudesse tomar o seu banho em paz...
— É claro que todos já tomaram banho, você não consegue ouvir o pessoal falando na cozinha?
Pensando bem, agora que ela havia mencionado, eu conseguia identificar vozes vindo da cozinha.
Supus que estive tão distraída tentando não afundar o rosto de Curtis no primeiro cacto que aparecesse na minha frente, que nem me liguei nesse fato.
— Nossa as rolas tudo reunidas na outra sala e eu aqui perdendo o meu tempo discutindo com a ralé. — Curtis se manifestou, me olhando com nojo.
E sem perder tempo, ele saiu todo pomposo em direção à cozinha, o que achei ótimo pois mais um pouco e eu o estrangularia com a sua própria língua.
— Vou logo pegar o seu creme. — Murmurei para Thea, dando meia volta e picando minha mula.
Precisava de tempo para me acalmar e também para repensar minhas ideias sobre Thea, Oliver e a fortuna deles. Ambos serem de uma família extremamente rica com certeza me causaria problemas dos grandes...
Na realidade, eu estava inclinada em acreditar que a mãe deles poderia ser uma perfeita megera e não me aceitaria na família nem se eu vendesse minha alma ao diabo. Ou a minha mãe. O diabo provavelmente devolveria imediatamente.
Droga, grunhi chutando a porta do banheiro, distraída. Precisava fazer minha lição de casa e pesquisar tudo sobre Moira Queen e sua pro-
— Felicity?
MAS.QUE.PORRA??????
Petrificada, fiquei pianinha no meu lugar, olhando apenas para os meus pés ao mesmo tempo em que começava a notar as fumaças de banho impregnar todo o banheiro.
Puta merda, puta merda, puta merda— lentamente, comecei a levantar a cabeça e meu Deus...
Oliver Queen estava peladão num mesmo ambiente que eu!! EITA CACETEIRA!!!!
Incapaz de desviar o olhar, continuei parada feito uma idiota, boquiaberta, encarando o Oliver Tesão (sim, esse definitivamente será o novo apelido dele) ou Oliver Tesudo (ou esse, sei lá). Sentia minha boca seca, mesmo que por dentro eu estivesse babando.
Ele, por sua vez, continuava dentro do box me encarando num misto de surpresa e incredulidade.
E como alegria de pobre dura muito pouco, alguém interrompeu o nosso momento — na verdade, O MEU MOMENTO -, com um safanão na porta e uma exclamação horrorizada:
— Felicity? O que você tá fazendo aqui com Oliver pelado?!
PUTA MERDAAAAAA. Agora é que fodeu tudo.
Tinha que ser justo Barry para nos flagrar nesse momento inesquecível e simbólico?
Pensa rápido, pensa rápido, pensa rápi-
Resolvi falar a única coisa que podia salvar a minha já sofrida reputação duma situação dessas:
— ELE É REPRIMIDO!!!!!!
O olhar assassino que Oliver me enviou logo após essa minha declaração deixava claro o óbvio: Eu estava encrencada. Ô cê tava!
Merda, quando é que eu teria sorte nessa vida?
Fale com o autor