Amor Cigano

14 Esclarecedor


Notas iniciais
*Capítulo não revisado

Alerta vermelho soava na cabeça de Oliver.

Que infernos Felicity estava fazendo num mesmo banheiro que ele? Pior, que droga ela havia acabado de gritar para os quatro ventos? Como se a reputação dele já não estivesse por um fiapo!

Não tão rápido quanto ele gostaria, ele puxou a toalha pendurada na porta do box e cobriu seus bens preciosos, já imaginando que Barry teria prazer de arrancá-los a qualquer momento.

Por sobre o ombro do cowboy, notou quando uma multidão começou a se formar na porta do banheiro.

Ah, ótimo! Agora as pessoas pensariam que ele era algum tipo de pervertido com fetiche por donzelas não-tão-em-perigo assim.

Tommy e Thea o zoariam tanto sobre essa tragédia que ele jamais veria o fim disso. Droga, por que Felicity tinha que ter se metido no banheiro justamente quando ele estava tomando banho? Isso era perseguição! E ataque ao pudor, é claro.

— Não é nada disso que vocês estão pensando! — Ele resolveu se defender, para logo em seguida notar que essa não havia sido uma escolha muito sábia de palavras. Quer dizer, existia frase mais incriminadora que essa?

Talvez, o famoso "Não foi eu". Ele recordava de ter usado essa bastante quando era criança.

— Caraca, a sirigaita do cerrado foi mais rápida que eu na hora de passar a mão na rola, que a-b-s-u-r-d-o!

Yoga, yoga, yog—Quantas aulas de yoga ele teria de frequentar após voltar a Star City? No final sua mãe tinha razão...Suas aulas de yoga estavam se provando bastante eficientes uma vez que ele ainda não havia berrado ou tentado assassinar Curtis.

— EU NÃO PASSEI A MÃO EM NENHUMA ROLA! — Felicity gritou de repente, parecendo horrorizada com a ideia de alguém ali imaginar o que havia acontecido nos míseros 15 segundos em que ela ficou sozinha com seu Taranhão. — EU JURO, EU NÃO TOQUEI EM NADA!

Oliver notou que ela tinha um olhar meio louco no momento.

Passava a impressão de nunca ter visto um...Oh Deus, ela nunca viu um!

Subitamente ele sentiu vontade de colocar uma mão no rosto e perguntar a Deus porque tudo isso estava acontecendo justamente com ele. Por que ele havia sido o escolhido?

Como só de sacanagem, Oliver Jr. resolveu se manifestar e Felicity que antes estava com um olhar de maluca, agora parecia apavorada.

A situação tava ficando bizarra. E ridícula. E meu Deus ele precisava sair dali imediatamente, sua irmã estava a um passo de ficar traumatizada para sempre e ele também!

— Que tal eu me vestir e depois discutirmos sobre isso? — Propôs, tentando dar um fim àquela insanidade.

Para o seu completo horror, Barry ficou parado um maior tempão, debatendo se era uma boa ideia seguir a proposta ou não. Enquanto isso, seguia Curtis o secando descaradamente; Felicity com o olhar de maluca; Tommy, Thea e Roy soltando ocasionais risadinhas e...Bem, o resto teve senso o suficiente para voltar à cozinha.

Oliver limpou a garganta, tentando chamar a atenção do fazendeiro.

Pensou que a situação se tornaria mais constrangedora para Felicity do que para ele, por conta de sua indubitável experiência (afinal, já havia ficado nu diante de dezenas de pessoas ao decorrer da vida), mas o calor subindo no seu pescoço e cobrindo a sua bochecha, dizia outra coisa.

Merda, por que ele estava tão constrangido assim?

Adotando uma postura que o fez ser conhecido na QC como o Sr. Gelo, ele começou a fitar calmamente cada um naquele cubículo, deixando claro que não iria mais se intimidar, pelo contrário.

Mas como naquele lugar nada ou ninguém era normal, sua postura acabou provocando outra reação:

— EITAAAA!!! O macho adotou o modo alfa, nossa ME COM-

— É, acho que você tem razão, vamos discutir esse assunto quando você estiver vestido. — Barry encontrou o momento perfeito para interromper Curtis.

Sem perder tempo, o jovem fazendeiro pegou Curtis por um braço e Felicity pelo outro. A garota ainda parecia em estado de choque.

Oh ótimo, eu a quebrei sem nem sequer ter a tocado, foi o último pensamento de Oliver ao se vestir.

Felicity's Pov

Santinha das maçanetas leves!

— Precisamos conversar. — Foi a primeira coisa que ouvi Oliver dizer ao chegar na cozinha. Vestido. Completamente vestido.

Mas por mais que eu soubesse que ele estava falando comigo e Barry, não conseguia focar em nadinha que saía da sua maldita perfeita boca.

Ainda estava pensando no aviaozão que ele tem aterrissado bem entre as pernas. Ou seria alguma terceira perna? Meu Deus! Nada havia me preparado para aquela visão.

Já havia lido centenas de romances e visto algumas imagens online (porque não sou besta nem nada), mas ver ao vivo era outra coisa COMPLETAMENTE DIFERENTE. Ainda mais quando A COISA era de Oliver.

Senti calor só com o pensamento e inconscientemente comecei a me abanar.

—...Felicity você está me ouvindo?

Levantei o rosto para fitar Oliver que tinha uma expressão engraçada, seus olhos agora pareciam estar rindo de mim. O que era completamente estranho.

Quer dizer, não foi eu quem o chamou de reprimido após o ver pelado?

— A culpa de tudo isso é de Thea! — Despejei rápida, esperando que ele acreditasse em mim.

Quais eram as chances dele ficar totalmente contra a própria irmã?

Em questão de segundos a sugestão de sorriso se esvaiu de seus olhos. Merda, péssimo movimento Felicity! Onde já se viu tentar colocar irmão contra irmão?!

Estão vendo? Só uma visão do avião em pouso e eu já fiquei meio despirocada das ideias. Abri a boca, pronta para salvar a bunda da Queen mais nova e inventar uma lorota qualquer para ter entrado naquele banheiro mais cedo, quando fui cortada por um Oliver totalmente fulo da vida:

— Eu sabia que aquela pirralha tinha algo a ver com isso!

Ual, deixa pra lá tomar a culpa da Queen pentelha. Não sou ingrata e nem nada, ela realmente havia me feito um favor DOS GRANDES — enormes -, mas...

— E eu não quis dizer que você era reprimido de verdade. — Acrescentei rápida e em troca, recebi um olhar cheio de significados de Barry, ai merda! — Não que Oliver tenha feito algo comigo dentro daquele banheiro, quer dizer, ele é reprimi-foi Roy quem começou com tudo isso!

Pelo menos havia sido ele quem começou com toda essa coisa de Oliver ser reprimido...Encolhi os ombros. Nem eu mais sabia o que estava falando. Era palavra atropelando palavra, tornando a tarefa de concluir uma frase COERENTE, bem difícil.

Portanto, fiz o que deveria fazer: Sentei na primeira cadeira livre que encontrei e decidi somente assistir o Titanic afundar.

— O que é do Roy está guardado. — Oliver Tesão (estava disposta a manter esse seu novo apelido) garantiu, com um ar vingativo.

— Ei, por que eu tô levando a culpa disso? — Roy meteu o carão no vão da porta, do lado dele estava todo o resto do pessoal, indicando que nossa conversa na cozinha não era tão particular assim.

Afundei mais na cadeira, pensando que o cenário não poderia ficar pior.

— Olá pessoal, está acontecendo algo importante para se ter uma reunião na cozinha?

Oh merda!! Apenas ficou pior!

Donna entrou na cozinha trajando seu conhecido sorriso maroto mas que eu gostava de chamar de sorriso-conquisto-seu-pai-e-seu-avô-também. Ele era bastante perigoso por essas bandas.

No seu colo, feito algum cãozinho de estimação, estava pata com uma coleira rosa berrante.

Por mais apavorada com a ideia de ter minha mãe sabendo do assunto que estava rolando na cozinha, não pude deixar de ficar impressionada em como ela havia domado pata para ao menos cooperar em usar uma coleira e ficar no seu colo.

Certamente ela havia comprado a galinha com alguma coisa. Ou alguém. Pensando bem não via Rory fazia um tempinho...

— Felicity foi pega com Oliver pelado no banheiro, por Barry. — Roy explicou tudo naturalmente, fazendo meu coração bater mais forte NO MEU OMBRO.

Por que infernos as pessoas falavam sobre MEUS ASSUNTOS como se eu NÃO estivesse presente? Sacanagem!

Mamãe piscou por alguns momentos, até quebrar numa risada alta. A mulher ria tanto que chegou a chorar, olha o absurdo!

— Ah, vocês quase me enganaram! — Exclamou ela, limpando o canto dos olhos.

Franzi o cenho, começando a ficar ofendida. O que tinha de tão risível na ideia de eu, Felicity Smoak, ter visto Oliver Queen nu?

— Não é brincadeira, srta. Smoak. — Tommy também resolveu jogar mais lenha na fogueira, traidor! — É sério, isso realmente aconteceu.

Já começava a sentir o meu rosto ficar vermelho, mas não sabia se era por raiva ou constrangimento. Talvez os dois.

— Oh....

Bem, essa não era a reação que eu esperava de Donna. Conhecendo minha mãe como eu a conhecia, aguardava por chuva de confeites, gritinhos histéricos, pulinhos e abraços, mas nada disso ocorreu, para o meu total choque.

— Oh?? — Barry fitava mamãe, incrédulo. — É só isso que você tem a dizer?

Ela soltou uma risadinha sem graça.

— Barry, querido, o que mais eu teria a dizer?

Pisquei os olhos, será que a Donna da minha frente não era simplesmente um clone da Donna original e a Terra estava sob ataque de alienígenas? Discretamente, me inclinei um pouco para averiguar as cortinas da cozinha e quem sabe, vislumbrar alguma nave pairando bem no meio do terreno da fazenda.

Não consegui ver nada, mas a sensação de que algo estava estranho, não dissipou. O que mamãe estava aprontando?

— É Barry, o que mais a srta. Smoak tinha que dizer numa situação dessas? — Roy incitou, com um sorriso absolutamente maldoso.

Pelo canto dos olhos, notei quando Oliver Tesão cerrou os punhos. Ele com certeza iria socar a cara do cunhado quando tivesse a oportunidade perfeita — e eu não poderia nem o culpar por isso, também estava louca para arrastar a carinha de Roy na lama.

Onde já se viu ficar contando MINHAS intimidades para a minha mãe maluca?!??!

Desconfortável, Barry pigarreou, antes de murmurar:

— Nada, nada...Deixem para lá o que falei.

Amém, santo Barry!

— Felicity, eu ainda estou vivo para ser considerado santo.

MEEEEEEEEEERDA!

— Será que tá mesmo? — Curtis finalmente se manifestou — Cowboy deixa eu ver se você tá vivo de verdade, arreia as calças e façamos o teste do inmetro!

Putz! É agora que Barry morre ou mata.

— Que tal encerrarmos o assunto por aqui? — Propus na maior rapidez, fingindo que os últimos minutos não haviam sido constrangedores o suficiente para me fazer cavar um buraco no chão e me enterrar viva.

Pegando a dica, Barry não falou mais nada, apenas saiu da cozinha (empurrando mamãe junto), mas não sem antes de apontar os dedos em forma de V em direção aos olhos e depois virá-los para mim.

Infelizmente não pude levar a sério seu aviso, já que seu rosto parecia uma beterraba ambulante por conta do comentário safado de Curtis. Se o cenário inteiro não fosse trágico, eu com certeza estaria rindo à beça.

— Certo, você tem razão, vamos conversar mais tarde. — Oliver Tesão cedeu — Sozinhos. — Acrescentou rapidamente, dedicando um olhar afiado para cada um que não teve a decência de se retirar da cozinha quando a oportunidade foi dada.

Automaticamente minha espinha dorsal ficou dura.

Nós? Conversarmos? Sozinhos? Bosta!

Se antes eu tinha pouca confiança nas minhas habilidades em ter uma conversa interessante com Oliver, agora que vi o PINTÃO dele, minhas habilidades caíram drasticamente para 0. Precisava de ajuda urgentemente!

— O que você quer dizer com isso? — Perguntei, talvez um pouquinho histérica. Diante o meu tom, Taranhão elevou uma sobrancelha, daquele modo bastante arrogante e...E que fazia meu rosto aquecer. — Pensei que encerraríamos esse assunto de uma vez por todas, eu já até pedi desculpas!

Quer dizer, eu acho que pedi desculpas. Era meio difícil não ficar área após a visão que tive...

Oliver sequer piscou.

— Você pediu desculpas, mas não quer dizer que eu as aceitei.

Como é que é?

O encarei boquiaberta. Não imaginava que Taranhão pudesse ser tão mesquinho com suas vinganças!

— Você viu um homem pelado, talvez tenha que ficar pelada na frente dele também, Felicity. — Tommy refletiu em voz alta. — Sabe, para ficarem quites.

Se Tommy estava tentando ser engraçado, falhou miseravelmente. Sua declaração apenas conseguiu produzir olhares de assombro...Pelo menos da minha parte e da parte de Taranhão.

Mas tão logo que apareceu, a expressão desapareceu de seu rosto.

Agora, para o meu total horror, ele exibia um sorrisinho que até então, eu jamais tinha tido um vislumbre.

Oh merda.

Ouvi Thea soltar uma risadinha.

— Até parece, você não está falando sério. — Girou os olhos — Essa regra idiota não existe.

— Ai mas podia existir! — Curtis não se aguentou — Imagina que tudo???

Como só para comprovar, o maluco começou a tirar a blusa.

— O QUE VOCÊ TÁ FAZENDO? — Pulei do meu lugar, pronta para fugir e proteger os meus olhos daquela visão. Já tinha sido abençoada mais cedo, não queria desabençoar meus olhinhos agora.

— O que você acha?! — Retrucou arrogante, ainda ocupado na sua tarefa de tirar a blusa sem ficar completamente entalado nela.

Nem consegui ficar com raiva do seu tom de voz, uma vez que a cena inteira dele tentando se livrar da roupa, era ridícula. E cômica.

— Olha, vou vazar logo daqui antes que o safado consiga tirar a roupa e me faça cumprir essa regra só porque o vi pelado. — Roy foi dizendo, enquanto já saía de mansinho da cozinha, ao seu lado Thea soltava altas gargalhadas.

— Putz, lembrei que Laurel precisava falar comigo! — Tommy inventou, também não perdendo tempo de sair de cena. — Tchau pessoal, amanhã eu volto!

Embora a situação exigisse uma fuga rápida, Taranhão caminhou na minha direção na maior calma, me medindo de cima a baixo. Seu olhar me aqueceu completamente.

— Lembre-se, temos um assunto inacabado para finalizar. — Falou, assim que se aproximou o suficiente. Sua voz era extremamente suave, mas seu olhar não.

De alguma forma eu sabia que o evento de hoje teria retaliação. E uma parte bem insana da minha mente há muito tempo despirocada, mal podia esperar para saber o que ele tinha escondido na manga.

Será que essa regra estúpida de Tommy era real? Porque se esse fosse o caso...Eu teria que ter a ajuda apropriada para enfrentar essa situação.

— Ué, para onde todo mundo foi? — Curtis perguntou, já seminu parado no meio da cozinha.

Abri um sorriso maldoso. Deixaria para me preocupar com Oliver Tesão mais tarde, no momento tinha outras coisas para fazer...

Fingindo que não ouvi o que Curtis disse, segurei na barra da minha blusa, o olhando sugestiva. Não demorou nem meio segundo para ele assimilar a situação, arregalar os olhos e soltar o berro:

— MALDITAAAAAA! NÃO SE ATREVA! NÃO SE ATREVA!!!

— REGRAS SÃO REGRAS, CURTIS. — Gritei de volta, levantando um pouco mais a minha blusa. É claro que eu não tinha nenhuma intenção de ficar peladona na frente do Aloprado, mas o negócio é: Ele não sabia disso e merecia o susto.

— NÃO SUA MONSTRA, EU NÃO QUERO TE VER PELADA! NÃO SE ATREVA A ME TRAUMATIZAR. — Tampou os olhos — BARRY, PONEIZINHO, SOCORRO!!!

Bem, digamos que a noite terminou com Curtis um pouco mais rouco.

(...)

— Docinho, você precisa me contar se era do tamanho de uma régua ou não.

E mais um dia (IN)comum começava na fazenda Allen...

—...é para o seu próprio bem.

Grunhi baixo, tentando fazer o possível para ignorar mamãe e me concentrar na tarefa de lavar pratos, que estranhamente, de uma hora para outra havia se tornado algo muito difícil de executar essa manhã.

— Filhinha, por que você está me ignorando? — Podia ver o bico nos lábios dela sem nem ao menos precisar fitá-la. — Isso é feio e rude!

Bufei, começando a por os talheres no lugar. A verdade é que eu não consegui pregar os olhos essa noite e como sou uma DONZELA extremamente EXEMPLAR, julguei que seria uma ótima ideia adiantar todo o meu serviço...Só não contava com a companhia de Donna, que aparentemente, estava zanzando pela fazenda, tarde da noite.

Ou tarde da madrugada, se é que isso existe.

A explicação para insônia dela, era tão suspeita quanto a minha disposição insana de fazer meus serviços domésticos durante a madrugada: Felicity, minha filha, achei ter ouvido algo estranho nas redondezas e agora estou com medo.

Uh-hmm, todo aquele seu interrogatório era realmente de uma pessoa com medo. Pfff, até parece!

— Sua concepção de feio e rude, é realmente interessante. — Nem um pouco.

— Eu só quero saber um pouco mais sobre o meu futuro genro!

Estreitei os olhos.

— Você não quer saber um pouco mais, você quer saber MUITO mais.

— E você pode me culpar? — Ganiu — Eu estou morrendo para saber os detalhes! Só assim eu poderei te aconse-

— O que as duas bonecas de vodu estão fazendo acordadas a essa hora?

— AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!

Num minuto eu estava perto do armário da cozinha e no outro, estava agarrada à minha mãe, feito uma maricas, gritando loucamente.

Demorou aproximadamente 30 segundos para eu perceber quem era parado ali, bem no meio do vão da porta, e também para notar minha situação deplorável. Numa rapidez invejável, soltei minha mãe e tentei disfarçar o mico, mas estava impossível.

— Curtis, querido, o que você está fazendo acordado uma hora dessas? — Ouvi mamãe questionar o desequilibrado, após a mesma se recuperar do baita susto.

Com um sorriso sardônico e trajando seu pijama rosa-escândalo ridículo, Curtis nos encarava satisfeito. Tava na cara que o fuinha tinha apenas nos assustado para se vingar da minha inocente brincadeira de mais cedo.

— Eu não deveria estar perguntando o mesmo para vocês? — Ao invés de responder, retrucou na maior petulância.

Ah, vou te contar viu! Depois era afogado num rio e não sabia o porquê!

— Você é o visitante aqui. — Cantarolei, só de implicância.

Se uma coisa havia aprendido com Rene, no decorrer dos anos, essa coisa era como irritar alguém. Sério, só de pensar em Rene sentia minha mão formigar na ânsia de querer pipocar algo.

— Barbie do Sertão, já tô tanto tempo aqui que o poneizinho já deve me considerar de casa.

Ele tinha um ponto. Sua hospedagem aqui na fazenda já levava semanas...Semanas infernais que pareciam passar lentamente, como só para me irritar. Esperava que ao fim desse meu calvário, conseguisse receber uma recompensa daquelas, de alguma força superior.

Talvez eu devesse pedir isso para algum dos amigos de Nyssa, do outro lado do véu, ponderei com um dedo no queixo.

Ouvi mamãe pigarrear e só ai notei que estivera divagando demais, feito uma idiota.

Tratei de retomar o fio da discussão.

— Você tem razão, você já está há muito tempo aqui. — Coloquei as mãos na cintura, incorporando minha pose mandona — Quando é que pensa em ir embora?

Ele resfolegou, mas sabia que era puro fingimento. Esse daí e vergonha na cara? Não colava.

— Nossa, eu pensava que após você ver a anaconda do Queen, seu humor mudaria. — Soltou uma risadinha — Que foi? A anaconda não era anaconda?

Nossa, eu ia afundar a cara dele!

Sem nem pensar duas vezes, entrei no meu mode guerreira (que consistia em punhos levantados e expressão meio sofrida), mas antes que pudesse atingir meu alvo, um certo alguém resolveu cruzar a cozinha.

— Bom dia, pessoal. — Roy saudou, com um aceno. — A que se deve essa reunião já tão cedo?

Franzi o cenho, tendo a estranha impressão de que não era apenas coincidência Donna, Curtis e Roy estarem acordados tão cedo. Será que estavam tentando me espionar ou arrancar alguma informação de mim? Pior, queriam aprontar uma deles comigo? Os encarei, extremamente desconfiada.

De repente conseguir uma arma para usar contra aqueles três, se tornou crucial. Localizei uma frigideira bem perto, eu só precisaria me esticar um pouquinho...

— As duas bonecas de vodu estavam discutindo o pinto alheio. — Curtis atirou, na maior naturalidade.

Um sorriso divertido se desenhou nos lábios de Roy.

— Ah, é mesmo? — Piscou para mim — Assunto peculiar para estar se discutindo às... — Parou para checar o relógio de pulso —...às quatro e meia da manhã. — Completou, parecendo até um pouco chocado. O que fazia minha teoria de complô oscilar um pouco.

Mas ainda manteria um olho na frigideira, sabe, apenas no caso.

— Não mais peculiar que você estar acordado a essa hora. — Murmurei, lutando para o rastro de constrangimento não subir até as minhas bochechas e me causar combustão instantânea.

O que disse era verdade, no pouco tempo em que Roy esteve por aqui, nunca ninguém o viu acordar tão cedo, nem ele e nem Thea. Não que eu os culpassem, se eu tivesse opção, também não acordaria cedo.

Ele me olhou, encabulado.

— Sabe o que é? Pensei ter ouvido um barulho estranho...Mas acho que era apenas vocês conversando.

RÁ! EU TÔ DIZENDO! ESTAVAM ME ESPIONANDO! Roy e Donna usando as mesmas desculpas era prova disso.

— Ou deve ter sido Pata. — Sugeri, fingindo acreditar na lorota do malandro.

Ele assentiu com a cabeça.

— É, pode ter sido também.

Sua concordância imediata? Totalmente, absolutamente, definitivament-

— Oh céus, mais outra reunião na cozinha?!

Suspeita!

Parado bem atrás de Roy, estava Barry olhando sobre os ombros do mais novo, o cenário que o aguardava dentro da cozinha. Meu amigo tinha uma expressão horrorizada e eu nem podia o culpar por isso. Acordar de madrugada e ter de encarar Donna e Curtis, sem nenhum aviso prévio, não era mole não, viu.

— Não tá rolando nenhuma reunião aqui! — Fui rápida em negar, não querendo que Curtis aproveitasse essa oportunidade para voltar a tocar no assunto proibido: Píton Queen.

— Então qual é o significado de estar todos vocês, a essa hora, acordados e aqui? — Meu amigo do peito parecia decidido a não acreditar em mim.

— Eu estava lavando a louça, já eles acordaram porque ouviram algum barulho.

Os olhos dele estreitaram. — Que tipo de barulho?

— O tipo de barulho que duas pervertidas fazem quando estão discutindo o pinto alheio.

Infernos, Curtis me voltaria louca!

Tomando a decisão sábia de ignorar o comentário de Curtis (sabe-se lá o porquê), Barry cruzou a cozinha, pegou um copo de café e sentou-se despreocupadamente, exibindo uma expressão de serenidade pura, como se não tivesse ouvido as coisas mais loucas nas últimas 24 horas. Ou nas últimas semanas.

Invejei sua tranquilidade.

— Bem, agora que vocês já checaram que não há nada demais acontecendo... — Pausou, para tomar mais um gole de seu café. — O que ainda estão fazendo aqui? — Completou, levantando uma sobrancelha.

Franzi o cenho, primeiro porque não tinha resposta para sua pergunta (pelo menos não uma muito boa) e segundo porque Barry estava agindo de maneira estranha.

— Nossa poneizinho, acordou hoje também virado na onça??? — Curtis se ofendeu — Se quer que a gente suma da sua frente, é só falar!

Barry se virou para o Aloprado. — Eu não quero que vocês sumam da minha frente...Na verdade, preciso mesmo de ajuda com as cer-

Foi o suficiente para fazer Roy, Curtis e mamãe sumirem da cozinha numa carreira só! Observei a cena num misto de alívio e raiva.

Já Barry, achou graça e soltou uma risadinha, chamando minha atenção para isso. Ele não deveria estar decepcionado com a falta de vontade óbvia daqueles folgados em lhe ajudarem?

— Eu já imaginava que eles fariam isso. — Disse ele, ao notar meu olhar. — Precisava de um momentinho a sós contigo.

Ah não!

Suas palavras foram o suficiente para provocar uma reação em cadeia na minha mente despirocada.

— Seja o que for, não foi eu e se foi, sinto muito.

Que foi? Era mais fácil e prático assinar sua culpa no cartório do que negar, pelo menos quando Barry era o juiz da coisa toda. Ele tinha cara de santo, mas métodos de vingança do próprio satanás.

Ele acenou uma mão no ar.

— Não precisa entrar na defensiva comigo, Felicity. Somos amigos há anos e nos conhecemos suficiente para agirmos dessa maneira um com outro.

Ele podia ter razão, mas meu cérebro não queria sair do modo defesa por algum motivo obscuro. Meu instinto de sobrevivência estava praticamente gritando na minha cabeça.

— Então, o que você quer falar comigo? — Soltei na lata, porque como dizem: Quanto mais rápido começa, mais rápido termina.

— Quero falar sobre você e Oliver. — Ele também foi direto. Extremamente direto. Seus olhos verdes me fitavam intensamente, o que fazia a tarefa de não ficar nervosa impossível.

Soltei uma risadinha desesperada.

— Eu e Oliver? Não existe eu e Oliver. — Ainda.

Ele largou seu copo de café na mesa e soltou um suspiro, antes de fazer a pergunta de 100 milhões de dólares:

— Seja sincera Felicity, você gosta dele?

Me ocorreu de repente que ele não tinha sido o primeiro a fazer essa mesma pergunta. Mamãe também já havia feito e eu não soube responder.

— Pra que você quer saber? — O olhei extremamente desconfiada. Mas pra falar a verdade, não estava assim tão desconfiada dele...Minha desconfiança era mais comigo mesma.

Por que eu nunca parecia saber como responder essa pergunta bem? Deveria ser simples!

Barry me olhou torto.

— Porque você é praticamente minha irmã e o meu dever é te proteger, não quero que você tome uma decisão errada apenas por...empolgação. — Terminou seu discurso como se estivesse sentindo dor. E ainda para completar o cenário, seu rosto estava extremamente vermelho.

Entendi bem o que ele quis dizer com "empolgação".

Dessa vez, eu ri para valer, esquecendo todo o meu nervosismo.

— Ah, Barry! Não se preocupe com isso. — Comecei, ao me recuperar da crise de risos. — Meus olhos bateram em Oliver bem antes de bater na...empolgação dele. — Sorri — Meu interesse por ele é genuíno.

Ou eu achava que era.

— Tem certeza? — Ele ainda parecia desconfiado das minhas razões. Ou não-razões. — Respeito tudo que Nyssa diz, mas não é como se fossemos obrigados a mastigar tudo que ela "prevê", sem questionar antes.

Falava o garoto que aos 15 anos, após ouvir de Nyssa que ele pegaria catapora de algum amigo, ficou duas semanas sem dar as caras no colégio.

— Pode deixar Barry, eu sei bem o que tô fazendo.

Não sabia não.

Derrotado, meu amigo suspirou. — Eu realmente espero que você saiba, senão...

Ele nem precisava completar a frase.

Senão um desastre aconteceria em Lian Yu.

(...)

Bem, por mais que eu fosse uma mulher decidida, Barry com certeza me deu algo para pensar no decorrer do dia. E como uma Felicity de mente vazia fazia muita merda, imagine uma Felicity de mente cheia? Ficou óbvio para mim que eu deveria evitar o Taranhão pelo menos por algumas horinhas...

Bastava ele entrar numa sala, para eu ir até outra. Inclusive, tive que cancelar nossa aulinha particular, através de um bilhetinho ridículo e até um pouco infantil. Soube por alto (Curtis) que a reação de Oliver ao ler meu bilhete foi apenas rir.

No entanto, não acreditava cem por cento na veracidade da informação, uma vez que um: Curtis era um desgraçado e b: Ele havia se tornado meu aliado há mais ou menos quatro horas. E três, mas não menos importante: CURTIS ERA UM DESGRAÇADO!

Conseguir o tornar infiltrado do meu lado foi um processo bem desgastante e só acabou quando prometi o ajudar na missão "Laçar Oncinha" e quando digo oncinha, estou me referindo à Rene. Ainda não entendia a estranha obsessão que o Aloprado havia adquirido pelo pilantra, mas...cavalo dado não se olha os dentes né? Eu que não iria tentar entender a mente desse maluco!

— Ele realmente riu ao ler meu bilhete? — Perguntei, de cenho franzido. Alguma coisa nessa história não se encaixava.

Por que Oliver acharia graça nos meus métodos infantilizados de o evitar após insinuar na noite anterior que eu e ele teríamos uma conversinha a sós hoje?

Ou ele estava feliz demais, achando que desisti da ideia de o persuadir a se tornar o Taranhão da minha Jane interior. Ou estava apenas criando terreno para sua vingança. Infelizmente, eu estava mais inclinada a acreditar na segunda opção.

Homens e seus egos, sempre causariam problemas. E aposto que o ego de Oliver jamais se esqueceria do que eu soltei após o ver nu, em toda a sua glória. E que glória (Glória a Deus!).

Curtis me olhou feio.

— Eu sei do que eu tô falando, carniça! Ele literalmente leu o seu bilhete, olhou pra mim e RIU!

Eu estava ferrada!

— Curtis, se você ver Oliver e ele perguntar por mim, diga que não sabe onde estou, que sequer me viu hoje! — Pedi, sem esconder o desespero.

Precisava caçar rotas de fugas ou melhor, fugir para o mais longe possível de Lian Yu! Oliver estava atrás do meu couro, do meu sangue, da minh-

— Oh carniça, você acha que vai conseguir evitar o bofe por quanto tempo? — Curtis interrompeu meus pensamentos mórbidos.

Sua expressão era de alguém diante uma pessoa louca, o que era ultrajante uma vez que o louco aqui, claramente era ele.

— Por tempo suficiente. — Respondi, ainda tentando decidir qual melhor rota de fuga pegar. Talvez pagar uma visitinha para os Wests, vizinhos da fazenda Allen, fosse uma boa...

— Tempo suficiente? — Curtis retrucou, com escárnio — Não sei se você notou, mas esse lugar não é tão grande assim para você evitar o bofe para sempre.

Hahahaha! Como ele é engraçado!

— Não quero evitá-lo para sempre, só por algumas horas...Dias, talvez.

Curtis jogou as mãos para o ar.

— Oras, quem vai te entender? Uma hora está louca atrás do pinto alheio do cara e na outra, tá fugindo dele.

O encarei ultrajada.

— Eu não estou fugindo! Tô apenas fazendo uma retirada estratégica. — Já conseguia imaginar o bico ridículo que estava se formando nos meus lábios, enquanto eu cruzava os braços. — Não quero ter de encarar a vingança de Oliver.

Ele riu. — Você só quer encarar o pinto dele né?!

Acredito que minha aliança com Curtis seria a mais curta da história se ele continuasse com as suas piadinhas.

— Na realidade, no momento eu só quero ficar sozinha, para conseguir pensar em paz.

É óbvio que o desgraçado ignorou completamente minha indireta direta.

— Pensar em paz nessa fazenda que está mais para manicômio, é impossível carniça, desiste.

Não mate seu aliado, não mate seu aliado, não mate seu aliado.

Tive que morder a língua.

— Desistir não é uma opção nessa situação. — Murmurei, fitando a imensidão que nos cercava. — Preciso pensar direito no que vou falar para Oliver na próxima vez que o ver. Não posso cometer mais erros.

Eu me recusava!

Na próxima vez que eu visse Oliver, seria pegar ou largar. Tudo ou nada. Estava decidida!

— Ai Sirigaita, acho melhor você apressar o seu cérebro então. — Curtis disse, com um olhar extremamente maldoso para quem era meu suposto aliado.

Dei um passo para trás, tenebrosa.

— O que você quer dizer com isso, Curtis?

— Olha pra trás. — Mandou, presunçoso.

Tendo um péssimo pressentimento, olhei para trás lentamente e juro que meu coração falhou uma batida. Vindo na nossa direção, parecendo ter uma conversa pra lá de animada pelo jeito que ambos gesticulavam as mãos loucamente, estava Tommy e Oliver.

Sem nem pensar duas vezes, desembestei em correr atrás de algum abrigo seguro para me refugiar, puxando Curtis pelo braço comigo. Não queria correr riscos deixando o Aloprado à vista, uma vez que ainda não confiava nele inteiramente.

Como por milagre, visualizei a maior baobá que um ser humano veria por anos, despontando no horizonte toda imponente. Quando Henry era vivo, adorava contar que essa baobá estava nas terras Allen por décadas, uma vez que ela havia sido plantada pelo seu tataravô. Por anos ela me serviu de refúgio e sombra.

E parece que sua função não mudaria hoje, para a minha sorte.

— SUA DIABA DEMÔNIA, ME LARGA! — Demorou pra praga da minha vida começar a fazer o escândalo.

Irada, lhe enviei o melhor olhar de: Cale a boca ou morra!

— Curtis, se eu for pega por sua culpa, eu juro que te faço se arrepender por isso até o seu último dia de vida. — Ameacei, sem afrouxar meu aperto do braço do bastardo.

Choramingando, mas agora quieto, Curtis resolveu colaborar e finalmente chegamos ao nosso destino final. Por ser uma arvore de tronco largo, eu e Curtis nos escondemos atrás dela sem problemas. Dificilmente alguém nos veria escondidos atrás dela, exceto que...

—...Oliver, agora que a boate já está pronta, só precisamos fazer uns panfletos para divulgá-la!

Exceto que as vozes que eu escutava no momento eram de Tommy e Oliver, e elas pareciam cada vez mais altas, o que indicava que ele estavam se aproximando perigosamente da onde eu e Curtis estávamos escondidos, merda!

Curtis e eu nos entreolhamos, assombrados.

Seríamos pegos!

— É, precisamos de alguém pra fazer o design dos panfletos. — Ouvi Taranhão dizer, parecendo distraído. — Vou ligar para algum dos meus cont-

— Cara, não se preocupe com isso! — Tommy estava decididamente animado — Eu tenho a pessoa perfeita para fazer esse trabalho.

— Você tem certeza?

Já conseguia visualizar a expressão desconfiada que Taranhão estava exibindo na direção de Tommy.

— É óbvio que eu tenho certeza, até parece que não confia em mim...

Ah, o drama Merlyn.

Ouvi Oliver Tesão suspirar.

— Ok, você resolve isso e depois me manda quanto a pessoa cobrou.

Tommy soltou uma risadinha pra lá de suspeita, o que me fez colar mais ainda no tronco, esperando que me camuflasse nele. A sensação de que eu seria a qualquer momento desmascarada, ficava cada vez mais forte.

— Não se preocupe com o pagamento também, eu cuidarei disso.

Ok, hora de sair de fininho enquanto eles estão distraídos conversando sobre negócios, decidi, já ficando na pontinhas dos pés e fazendo sinal para Curtis me seguir. Perto da baobá tinha um arbusto grande o suficiente para eu e Curtis pularmos dentro, e era exatamente esse o meu mais novo plano.

Não dava a mínima para os galhos e possíveis arranhões, contando que eu conseguisse fugir de Oliver...Feito rambo, me joguei no chão e comecei a me arrastar em direção ao arbusto. Curtis estava do meu lado, tentando lutar para manter sua bunda fora da vista dos dois playboys reformados, mas falhando miseravelmente.

De alguma forma, o aloprado estava se arrastando pelo chão e mesmo assim, empinando a bunda para o alto durante uns tremeliques nervosos, fazendo-o parecer uma lombriga meio chapada (como se já não bastasse suas botinhas ridiculamente chamativas). Se eu pudesse, já teria o chutado.

— FE-LI-CI-TY.

OH, NÃOOOOOO!!

O Diabo com certeza tinha alguma predileção por mim.

Congelei na hora, automaticamente interrompendo minha missão "Fugir do Oliver Tesão o mais rápido possível", detectando a merda no ar, Curtis também parou, trocando um olhar cheio de significados comigo.

Apostava uma nota que minha expressão nesse momento era tão cômica quanto a dele.

Será que se eu ignorasse Oliver, ele iria embora?

— Nossa, Felicity, por que você está se arrastando pelo chão?

Como se a humilhação de ser pega no flagra, já não fosse suficiente!

— Porque cobra não anda, rasteja, sabia não, bofe? — Foi Curtis quem respondeu a pergunta de Tommy, obviamente piorando tudo, mas ao menos não me dedurando à primeira vista.

Bem, acho que eu já poderia levar a sério essa nossa nova aliança...

— Felicity? — Era Oliver novamente.

Sem alternativas e já fula da vida por ser tão humilhada pelo destino, levantei lentamente, debatendo se devia correr (ainda dava tempo) ou ficava para enfrentar a situação (e o pintão do Queen). No final, o bom senso venceu e eu comecei caminhar rapidamente para longe...Apenas para ser impedida por Oliver.

Com um aperto decidido mas mesmo assim, extremamente gentil, Oliver Tesão segurou meu braço, parando bem na minha frente. Receosa, no entanto, achando impossível não olhar, levantei o rosto para o encarar diretamente. Seus olhos pareciam com o mar após um temporal terrível, contudo, ainda era possível encontrar nuances de um dia ensolarado neles.

Foi inevitável um arrepio não atravessar meu corpo desde a sola do pé até o ponto mais sensível do meu pescoço.

Oliver Queen, era, decididamente, o homem mais bonito que já tive o prazer de conhecer.

— Oi? — O chiado que deixei escapar dos meus lábios foi profundamente embaraçoso.

Isso foi o suficiente para fazer Oliver jogar um olhar de derreter geleiras na minha direção.

Oh, minha santinha das virgens maliciosas!

— Ah, uh, eu e Curtis vamos dar uma voltinha. — Ouvi Tommy falar, após soltar uma risadinha tosca (provavelmente estava se divertindo com a minha cara de idiota pra cima do Taranhão, mas em sua defesa, eu também riria).

Antes que eu pudesse acordar do meu torpor proporcionado pelo olhar molha-calcinhas de Oliver Tesão e expressar alguma opinião sobre Tommy decidir se mandar com Curtis, os dois pilantras já estavam longe demais.

M-E-R-D-A.

— Finalmente estamos a sós para ter aquela conversa.

Deus todo poderoso, por que ele fazia soar como se fossemos ter uma conversa completamente indecente? Eu sentia minha mente em pane e os meus joelhos vacilarem.

Pigarreei, nervosa. — Que conversa? Não sabia que precisávamos conversar.

Fingir demência era o melhor caminho, supus.

— Ah, você não sabia? — Ergueu uma sobrancelha. Oras, mudaria seu apelido para Sr. Delícia, assim! — Jurava que ontem eu tinha deixado isso bastante claro pra você,tanto que...Você me deixou um recadinho escrito a punho, essa manhã. — Como só para a humilhação ficar maior, ele retirou do bolso da sua calça jeans o meu bilhete tosco e o exibiu rente ao meu rosto que se encontrava tão quente, que se Pata chocasse nele, fritaria um ovo.

Soltei uma risada esganiçada.

— Nossa, me esqueci completamente desse bilhete! — O tomei de suas mãos e sem pestanejar, rasguei a prova do crime. Aquele bilhete era horrível demais para permanecer vivo!

Nenhum pouco impressionado com a minha ação, Taranhão sequer piscou. Ao invés, passou me olhar mais intensamente ainda, como se estivesse procurando algo no meu rosto. Talvez estivesse procurando a vergonha na cara que eu certamente não tinha.

Bem, o que fazer? Sou um pouco sacana.

— Sacana o suficiente para entrar num banheiro e ver um homem nu.

PUTA MERDA! EU FALEI ISSO EM VOZ ALTA! NÃÃÃÃO!!

— Em minha defesa, foi culpa da sua irmã, já te disse! — Disparei, apavorada. — Você acha que essa ideia surgiu da minha cabeça? Se fosse minha, já teria feito isso faz tempo! Afinal, você está há dias na fazenda!

Agora ele riu com vontade.

— Isso era para aliviar o seu lado? — Perguntou, após se recuperar.

Mais um pouquinho e o meu rosto se transformaria numa pimenta ambulante.

— Era?

Deus-todo-poderoso, não o faça me pedir para tirar a roupa aqui e agora para nós ficarmos quites sobre o fiasco do Píton Queen, eu imploro!

— Ah não, pode esquecer, você não vai sair dessa tão fácil assim. Eu quero qu-

— EU NÃO VOU FICAR PELADA! — O interrompi, pulando para proteger meus dotes femininos.

Ele não poderia esconder sua surpresa com a minha ação, nem se tentasse. Seus olhos arregalados e boca faltando bater no chão, falavam por sí. E me fazia chegar numa constrangedora e rápida conclusão: Ele não iria me pedir para ficar pelada.

Será que a situação tinha como piorar?

— Fe-li-ci-ty. — Teve o prazer de soletrar o meu nome mais uma vez — Tommy estava brincando, mas agora já que você falou....

@@###%%%!!!??@@!###&&&@!

Meus pensamentos teriam seguido para a linha do suicídio, se não fosse pela risada do Taranhão.

Ele tava bastante risonho hoje, né?

— Calma, Felicity. — Como se ele com aquele sorriso desdenhoso fosse capaz de me deixar tranquila. — Eu jamais cobraria isso de você.

Hein?

— Como assim você não cobraria isso de mim? — Me ofendi toda.

Ele piscou os olhos, atordoado.

— Oras, é pra eu cobrar então?

— Não!!! — Gritei imediatamente, começando a me sentir mais idiota do que quando um cavalo me deu coice. Respirei fundo, tentando me concentrar. — Me desculpe, mas ficar ao seu redor é desconcertante. — Desde o primeiro dia. — Sempre falo a coisa errada. — Confessei, porque realmente, não tinha mais o que falar.

Jamais saberia se era por Oliver ser extremamente gato ou por simplesmente sentir algo diferente por ele, mas desde o primeiro momento em que o vi e até hoje, minha incapacidade de articular uma frase coerente em sua presença, era gritante.

Uma expressão simpática cruzou o seu rosto.

— Isso deve lhe ocorrer porque levou a sério demais o que Nyssa te contou. — Revirou os olhos — Esqueça o que ela lhe disse e siga vivendo sua vida normalmente. Eu não sou o homem da sua vida.

Ah, mas ele era sim...

— Nyssa não comete enganos, se ela diz que você é, então você é. — Retorqui com convicção. Nyssa jamais havia falhado em suas previsões e não seria agora que falharia.

Foi a vez do seu rosto ser tomado por uma coloração pimenta...Mas ao contrário de mim, Oliver não estava constrangido. Estava furioso. Todo traço de simpatia havia se dissipado.

— Francamente! — Exclamou, exasperado. — Como vocês acreditam piamente no que essa mulher diz?! — Passou as mãos no cabelo, nervoso. — É frustrante, delir-

— Você não entende! — O cortei, igualmente irada por estarem colocando os dons de Nyssa em cheque. E também porque...Bem, ele não entendia!

— É claro que eu não entendo! — Grunhiu — Não sou louco o bastante como todos vocês. — Ele precisou de alguns segundinhos para respirar, até estreitar os olhos na minha direção. — Quer saber? Só vou acreditar nessa mulher, quando Pata chocar ovos de ouro.

Ofeguei, insultada.

— Essa galinha sequer choca algum ovo que preste!

É claro que foquei na parte importante.

Oliver me fitou pasmo.

— Por que você ainda consegue me surpreender?

Porque fui feita para balançar o seu mundo, quis responder, mas guardei silêncio. Contemplar o rostinho confuso do Sr. Delícia era bem melhor.

Como se rogasse aos Deuses por paciência, Oliver ergueu os olhos para o céu, voltando a enfiar os dedos entre os cabelos. Uh-hmm, eu definitivamente balancei o seu mundo.

Passado alguns minutos, Oliver finalmente parou com a ceninha de crise e voltou seu olhar para o meu rosto.

Ah, aquele brilho perigoso e tão raro de diversão estava de volta nos seus olhos.

Felicity, hora de recuar! Dei dois passos para trás e para o meu grande azar, Oliver deu mais dois para frente, se inclinando na minha direção.

Oh céus, o que estava se passando naquela mente enigmática?

Ele estava perto...Minha Nossa Senhora. Ele estava perto até demais.

— Você não tem nenhuma duvidazinha sobre o que Nyssa te disse, não é? — Não era uma pergunta, era mais como uma confirmação.

Lentamente, balancei a cabeça. Não, eu não tinha dúvidas.

Ele anuiu, não saindo da posição.

— Então você não se importará se eu fizer isso, não é mesmo? — Oliver falou com voz macia.

Meu estômago se comprimiu e tive que me concentrar para os meus joelhos não dobrarem.

— Isso o quê?

— Isso.

Ele puxou minha nuca e antes que eu soubesse, nossos lábios estavam colidindo no beijo mais esplendoroso que receberia em toda a minha vida.

Para um homem grande e intimidante, Oliver era extremamente gentil em seu beijo, acariciando meus lábios com a sua língua e fazendo-me derreter em seus braços. Sem perder a chance, coloquei meus braços ao redor dele, beijando-o com ardor.

O beijo que inicialmente começou gentil, se tornou ardente, úmido e nos separamos somente quando o ar faltou entre nós. Imóveis, nos encaramos, só o som de nossas respirações ofegantes podia ser ouvidas.

Oliver ainda me segurava, com a mirada fixa em mim. Seu rosto não denunciava nenhuma emoção, mas os seus olhos...

— Não era pra ter sido assim. — Sr. Delícia disparou, afastando-se bruscamente. O homem apresentava um semblante positivamente assombrado, que transmitia claramente seu atordoamento mediante à situação.

Sua reação me deu a plena segurança de que Nyssa, mais uma vez, estivera certa. E agora, ele sabia disso também.

Notas finais
O capítulo não saiu do jeitinho que eu queria, tanto que o refiz várias vezes e o resultado final foi esse. Prometo que o próximo será muito melhor, uma vez que será o capítulo do festival (que promete muitas confusões). É, de caça Oliver se tornou caçador, mas no final.....O resultado foi surpreendente (pra ele), alguém ai querendo saber o que deve estar passando pela mente do Taranhão num momento desses??? Ah, e o que dizer dessa aliança de Curtis com Felicity? Esses dois vão dar dor de cabeça para muitas pessoas (mas mais ainda para uma única pessoa em específico, que será vítima dessa dupla no próximo capítulo). Agora termino minha nota final aqui (eu sei, essa tá sendo atipicamente mais curtinhas que as outras), para não dar mais spoilers, preciso segurar a língua (ou no caso, dedos) para não estragar o elemento surpresa da fanfic. Muito obrigada pelos reviews maravilhosos do capítulo anterior e por continuarem a ler esse pequena loucura em forma de fanfic. Mil beijos e até mais pessoal! ♥