Amor Amigo

27 Capítulo 27 – Difícil Adaptação


Notas iniciais
Depois de um tempão estou voltando com “Amor Amigo” para vocês. ** Antes de irmos ao capítulo, eu quero agradecer a duas leitoras que, nesse meio tempo, recomendaram a fic. Joice Santos e Sa Cullen, muito obrigada. Amei o que cada uma escreveu :)). Esse capitulo é especialmente para vocês.

Depois do banho, após ter feito a massagem nos pés de Rosalie, Emmett foi para o Pub. Dessa vez, dirigindo o carro novo – presente de Carlisle – em vez de pilotando a moto.

Logo que ele saiu, Esme foi até o quarto ver como Rosalie estava. Como a encontrou dormindo, sem fazer barulho, fechou a porta e voltou para o andar de baixo.

Alguns minutos depois, Rosalie acordou e foi ao banheiro. Com cara de sono, a marca do lençol no rosto, ela olhou em volta. Passou a mão no rosto, e, por um momento, sentiu vontade de estar no apartamento. De ir ao quarto do bebê e ficar por horas admirando as coisinhas que tinha preparado para sua chegada.

Voltou para o quarto e ligou a TV de plasma, que ficava em um suporte perto da cama. Escolheu um canal de sua preferencia e puxou o travesseiro de Emmett, ficando abraçada a ele.

Cerca de uma hora depois, Esme tornou ir ao quarto ver como ela estava. Dessa vez, porém, levando o jantar. Ficou sentada na beirada da cama fazendo companhia para Rosalie enquanto ela comia.

Depois do jantar, Edward foi deixar Isabella em casa. Alice foi para o quarto de Rosalie onde iniciaram uma conversa até tarde da noite.

Antes de se recolher, Esme passou no quarto novamente para lhe desejar um boa-noite. Entrou no cômodo evitando fazer muito barulho, pensando que ela já estivesse dormindo, mas se enganara; ela estava acordada vendo TV.

Rosalie olhou para Esme assim que notou sua presença na porta do quarto.

– Ainda cordada, meu bem?! – murmurou Esme, dando um passo a frente.

– Não consigo dormir... – Rosalie murmurou em resposta. – Sempre nesse mesmo horário, o bebê começa a se movimentar muito.

Esme entrou no quarto, devagar se aproximou da cama. Sentou na beirada, ao lado de Rosalie. Deu uma breve olhada em Alice, que dormia no lugar que deveria ser de Emmett.

– Sabe... – disse Esme, passando uma mecha dos cabelos de Rosalie para trás da orelha. – Quando eu estava grávida de Alice, depois do quinto mês, dormir se tornou algo totalmente raro para mim. Na verdade, quase um privilégio.

– Sério? – perguntou Rosalie, com certo interesse pelo assunto.

Esme continuou mexendo nos cabelos dela, deliberadamente.

– Sim, querida. Nunca vi uma criaturinha para mexer tanto. Foram muitas noites em claro. Imagina essa criaturinha serelepe dentro de minha barriga, mexendo sem parar – Esme sorriu. – Não era nada fácil. E, no dia seguinte, eu tinha que acordar cedo para cuidar de Edward. Ele sempre foi uma criança calma, mas era muito pequeno ainda, precisa de mim por perto – mais uma vez sorriu se lembrando de um episodio antigo. – Certa vez ele me perguntou se eu tinha engolido a irmã, e por isso ela estava dentro de minha barriga.

Rosalie sorriu, e institivamente ambas olharam para Alice, que dormia o tempo inteiro resmungando e se remexendo.

– Pelo jeito, ela já era agitada desde o útero – disse Rosalie, sem esconder seu sorriso. – Será que Noah vai ser como ela? – divagou, passando a mão no barrigão, sentindo o bebê mexer. Desfrutando a sensação magica de carregá-lo em seu ventre.

Esme lhe sorriu, dando uma piscadela. – Em pouco tempo descobriremos.

– Estou tão ansiosa para ver o rostinho dele. O tempo parece que não passa. Mal posso esperar para descobrir com quem ele se parece. Às vezes fico imaginando ele com as mesmas covinhas de Emmett. Com o azul de seus olhos. Já em outras, o imagino com olhos castanhos assim como os meus, e cabelos claros.

– Independente de que lado ele herde mais traços físicos, tenho certeza de que será um bebê lindo.

– Obrigada, mamãe... Por tudo.

– Não me agradeça, querida – sibilou Esme, antes de lhe dar um beijo na testa e se afastar. – Tudo o que faço, ou falo, é de coração. Bem, agora vou descer e preparar um chazinho que te fará relaxar e dormir um pouco. Mas antes vou mandar essa sua irmã ir dormir no quarto dela. Está ocupando o lugar de Emmett, ela não pode ficar a noite inteira aqui.

– Está tudo bem – acrescentou Rosalie –, Emmett ainda demora pra chegar. Geralmente ele só chega quando o dia está quase amanhecendo.

– Eu sei querida, mas você já sabe como Alice é. Se eu não a mandar ir pro quarto dela agora, ela fica aqui até o dia amanhecer.

Esme levantou e foi até o outro lado da cama. Devagar passou a mão no rosto de Alice, afastando alguns fios de cabelo.

– Ei – sussurrou –, está na hora de ir para sua cama, filha.

– Mamãe cadê o Thaby? – murmurou Alice, com os olhos abertos em uma fenda.

– Ele está na sua cama, e você, mocinha, já deveria estar lá também. Amanhã cedo tem aula, Alice. Vamos, levanta meu bem.

– Cadê a Rose? – questionou Alice novamente, sua voz soando meio débil, afetada pelo sono.

– Ela está bem aqui ao seu lado. Mas você vai levantar agora e ir para sua cama – ordenou Esme, segurando a mão de Alice, incentivando-a levantar. – Vamos Alice, levanta.

– Aff, mamãe, eu estou com frio – resmungou. – Me deixa ficar aqui, mulher de Deus.

Rosalie sorriu enquanto observava a manha de Alice para não levantar.

– Alice, não me faça ter que falar outra vez – ameaçou Esme, com o tom de voz um pouco mais firme. – Você não pode ficar aqui, porque quando Emmett chegar vai vir para cá.

Alice choramingou e logo em seguida sentou na cama. Com as pernas estendidas começou a calçar os chinelos. Assim que saiu da cama, tropeçou nos próprios pés. Cambaleando como se estivesse tonta.

– Eu estou bem – ela esclareceu, como se alguém tivesse perguntado alguma coisa. Meio vacilante continuou seguiu em frente, resmungando coisas sem sentido.

– Eu vou acompanhá-la até o quarto senão é capaz dela dormir no corredor. Ou pior, no degrau da escada. Daqui a pouco eu volto com o seu chá, meu bem.

– Certo, não precisa ter pressa. Cuida dela, mamãe. Não quero essa baixinha danada dormindo no chão, não – brincou Rosalie, com um sorriso maroto surgindo no canto dos lábios.

Pouco tempo depois de Esme ter saído com Alice, Edward passou em frente ao quarto e notou a porta aberta. Como a TV estava ligada, ele decidiu parar para ver se Rosalie estava se sentindo bem.

Deu três leve batidas na porta, que estava aberta, para atrair a atenção.

– Ainda acordada?! – disse ele, seu tom de voz soando sereno.

Rosalie ergueu um pouco a cabeça para vê-lo melhor. – Não consigo dormir. O bebê não para de mexer quando chega esse horário – explicou o mesmo que tinha explicado para Esme.

– Posso ir até aí e me sentar um pouco?

Ela esboçou um sorriso. – Mas é claro que sim.

Edward entrou no quarto a passos lentos. Sentou na beirada da cama, evitando fazer movimentos bruscos para não incomodá-la.

– Tem certeza de que está tudo bem? – perguntou ele, estendendo a mão para tocar no barrigão dela.

– Sim, eu estou bem. Não precisa ficar com medo, seu bobo.

– Posso? – ele perguntou.

– Claro que pode. O bebê não vai te morder. Quer dizer, ainda não – completou Rosalie, com um sorriso sapeca estampado no rosto –, mas quando ele já estiver com dentinhos eu já não posso garantir nada. Mas até esse dia chegar, vai levar um tempo ainda.

Os lábios de Edward se curvaram em um sorriso torto, cheio de charme.

– Ele é bem agitado, não?! – constatou quando sua mão encostou à barriga de Rosalie. – Dói quando ele fica desse jeito?

– Não. De forma alguma. Só uma pequena sensação de incomodo que não me permiti dormir direito, mas doer, não. Suponho que quando ele está quietinho é porque esteja dormindo, ou apenas com preguiça. Mas gosto de pensar que ele está dormindo.

Ambos sorriram, olhando um para o outro.

– Papai e mamãe estão felizes por vocês estarem aqui – confessou Edward, ainda com a mão na barriga dela.

– Eu gosto de vê-los felizes – afirmou Rosalie.

– Eu também – ele murmurou.

Enquanto eles conversavam, Carlisle apareceu na porta do quarto, permanecendo encostado ao batente.

– Aí estão vocês – comentou, dando um passo a frente. Edward e Rosalie olharam na direção da porta, em seus rostos estampada a expressão de felicidade com a presença do pai. – vim somente lhe desejar boa-noite, porque também já estou indo dormir.

Edward se levantou da cama e ficou ao lado do pai.

– Eu também já estou indo – ele avisou.

Carlisle se inclinou para beijar a testa de Rosalie.

– Boa noite, filha.

– Boa noite – respondeu ela, sua voz soando fadigada.

Embora desejasse ainda não se sentia confortável para chamá-lo de pai. Às vezes tinha medo, outras vezes, apenas vergonha.

– Boa noite Rose, e, mais uma vez, seja bem vinda ao lar – disse Edward.

– Obrigada. Desse jeito vocês irão me deixar mal acostumada. É muito mimo para uma pessoa só – ela admitiu.

– Qualquer coisa é só gritar que voltamos correndo.

– Está bem – ela concordou, com a expressão feliz.

Pai e filho saíram do quarto juntos. Apenas poucos minutos depois Esme voltou trazendo o chá para Rosalie, que devagar tomou tudo. Esme ficou com ela por mais um tempinho, deixando-a sozinha logo que começou a cochilar.

Cerca de uma hora depois, Alice acordou para ir ao banheiro e aproveitou para ver Rosalie. Talvez ela não estivesse conseguindo dormir e quisesse conversar, pensou.

Arrastando os próprios pés, levando seu coelho, Thaby, Alice foi até o quarto de Rosalie. Abriu a porta devagar, infiltrando a cabeça para o lado de dentro.

– Rose... – sussurrou ela. Ao contrário do que imaginava, não obteve resposta.

O quarto estava iluminado apenas pela luz fraca de um abajur que ficava em uma das mesinhas de cabeceira.

Alice suspirou. Estava fechando a porta, prestes a desistir, quando ouviu Rosalie murmurar algo.

– Ursinho, é você?

– Não, Rose. Sou eu, Alice, mas pode voltar a dormir.

– O que foi Alice?

– Eu acordei para ir ao banheiro, então aproveitei para ver se você estava dormindo. Como antes você disse que não estava conseguindo, então eu pensei...

– Eu estava... – argumentou Rosalie, com a voz carregada de preguiça.

– Desculpe... Pode voltar a dormir. Amanhã quando você acordar eu te contarei um sonho que tive.

– Que sonho?

– Eu sonhei com o Noah.

Ao ouvir o nome do filho, Rosalie imediatamente se remexeu na cama. Devagar ergueu alguns travesseiros encostando-os à cabeceira da cama, e se recostou neles.

– E como era esse sonho? Conta pra mim – pediu. Sua curiosidade notável. – Nesse sonho ele se parecia comigo ou com o Emm?

– Na verdade, ele tinha um pouco dos dois – respondeu Alice, entrando, pouco a pouco, no quarto. Ele era tão lindo, Rose. E no meu sonho ele estava brincando com uma bola no jardim.

Os olhos de Rosalie brilharam e um sorriso, embora ainda sonolenta, surgiu no canto de seus lábios.

– Vem, senta aqui e me conta tudinho, como foi esse sonho – pediu Rosalie, dando palmadinhas no colchão, bem ao seu lado. – Qual era a cor dos cabelos dele?

Segurando o coelho de pelúcia, Alice entrou no quarto e sentou na cama.

– Na verdade a cor do cabelo, não deu para ver muito bem, não. Ele usava um boné de beisebol.

– Ah... – Rosalie lamentou –, que pena. Nos meus sonhos, às vezes, ele tem cabelos louros como os meus. Já em outros, iguais aos de Emmett. Mas – frisou ela –, em todos os meus sonhos ele aparece com as mesmas covinhas do pai. É incrível como as adoro.

Alice abriu um sorriso gigantesco. – No meu sonho ele também tinha covinhas. E, se ele for igual no meu sonho, vai ser bem levado, Rose. Se prepare.

Rosalie sorriu, satisfeita, acariciando a barriga com ambas as mãos. Desejando que o último mês de gestação voasse.

– Acho que ele vai ser realmente levado – confirmou. – Considerando o quanto ele mexe, não vai ser de se estranhar se isso realmente acontecer.

As duas sorriram. Embora já fosse tarde da noite continuaram conversando a respeito do sonho de Alice. Pouco tempo depois as duas dormiam, na mesma cama, Alice agarrada ao coelho e Rosalie ao travesseiro de Emmett.

As horas passaram sem que nenhuma das duas tomasse consciência disso. Cada uma, envolvida no seu próprio mundo de sonhos.

Exatamente as cindo da manhã, Emmett estacionou o carro na garagem da mansão.

Entrou em casa, segurando o paletó em uma das mãos, permanecendo com a gravata frouxa no pescoço. Arrancou os sapatos e os deixou ali mesmo na sala, mas, há alguns passos à frente lembrou-se de que não estava no apartamento. Voltou e calçou os sapatos para não ter que levá-los nas mãos.

Tudo o que ele mais queria naquele momento era poder deitar ao lado da esposa e dormir, sentindo o perfume suave e sua respiração tranquila. Mas ao entrar no quarto, Emmett teve uma desagradável surpresa; Alice dormia ocupando o espaço que deveria ser dele na cama.

Chateado, atravessou o quarto para ir ao banheiro. Depois disso, refez o caminho de volta e entrou no closet onde vestiu um pijama; mesmo tendo como preferencia dormir sempre de cueca, optou por não fazer isso.

Se aproximou da cama interessado em pegar seu travesseiro, mas encontrou Rosalie abraçada a ele, por isso acabou desistindo de pegá-lo.

Enquanto dormia, Alice fala coisas sem sentindo. Emmett rolou os olhos ao mesmo tempo em que reprimia sua vontade de tirá-la dali.

Resmungando, praticamente aos sussurros, ele saiu do quarto que deveria ser dele e da esposa, para entrar no quarto ao lado; um quarto de hospedes que estava desocupado. Se jogou na cama sem ao menos puxar os cobertores. Chateado, ele não parava de mexer os pés. Vez ou outra bufava, com irritação.

Logo cedo, depois que Alice acordou e foi se arrumar para ir ao colégio, Rosalie se deu conta de que Emmett não apareceu para dormir, no horário que deveria ter chegado. Preocupação se instalou rapidamente. Ela buscou o celular com urgência e, encontrando o contato dele, iniciou a chamada.

No quarto ao lado, sem saber que a esposa estava apavorada com sua ausência, Emmett continuava a dormir. O celular tocou por vários minutos, repedidas vezes. Foi somente então que Rosalie percebeu que o som do aparelho vinha de algum lugar perto dali. Curiosa, e desesperada para encontrá-lo, seguiu o som do toque que a cada passo se tornava mais próximo.

Ela saiu do quarto e parou em frente à porta ao lado, confirmando que o som vinha dali de dentro. Após uma breve olhada em volta, abriu a porta e entrou no quarto. O celular havia parado de tocar assim que ela desligou o dela.

A primeira coisa que notou foi que Emmett estava usando pijama. Isso não era um bom sinal, pensou ela. Ele definitivamente não gostava de pijama. Só usava quando dormia fora de casa, em lugares que julgava ser como um intruso.

Pensou em deitar ao lado dele e dormir mais um pouco, mas acabou optando por não fazer isso por medo de acordá-lo. Ele dormia de bruços, e um de seus braços estava pendurado para fora da cama.

Com muito cuidado, ela fechou a porta novamente e voltou para o quarto que estava antes. Voltou para a cama, onde acabou dormindo um pouco mais.

Ela não notou o horário, mas, Alice e Edward saíram de casa logo depois do café da manhã; ele para a faculdade, Alice para o colégio. Pouco tempo depois foi à vez de Carlisle sair para trabalhar. Ficando apenas, Esme, Nora – a funcionaria da casa –, Rosalie e Emmett, que dormiam.

Por volta do horário do almoço apenas Alice foi almoçar em casa. Rosalie estranhou quando viu Emmett descer as escadas. Ele nunca acordava aquele horário, não depois de ter deitado às cinco da manhã. Mas ao contrario do que Rosalie imaginou, ele não quis almoçar. Apenas comeu uma tigela de cereal e voltou para o quarto.

Rosalie estava estranhando as atitudes dele, principalmente o fato de estar muito calado. Quando lhe perguntavam algo ele apenas respondia com “sim” ou “não”.

Preocupada, deixou metade da comida no prato e foi atrás dele. Olhou no quarto que deveria ser dos dois, mas não o encontrou lá. Então foi ao quarto ao lado. Abriu a porta e, varrendo o cômodo com o olhar, o encontrou deitado de barriga para cima, com as mãos embaixo da cabeça.

Ele estava de olhos fechados, mas Rosalie sabia que estava acordado. Não tinha dado tempo de voltar a dormir assim tão depressa.

Caminhou devagar, com uma das mãos sobre a barriga avantajada. Com dificuldade sentou na beirada da cama. Segurou os pés dele, fazendo um leve carinho.

– Amor... – sussurrou ela. – O que você tem? Por acaso está chateado comigo? O que foi que eu fiz de errado? Me fala – pediu.

Ele não disse nada, apenas puxou o pé com intuito de se afastar dela. Institivamente Rosalie sentiu vontade de chorar, seus lábios tremeram enquanto lutava para não ceder ao choro. Receosa, ela esticou o braço para tocar no pé dele novamente, mas acabou desistindo. Engoliu o choro e ficou encarando as próprias mãos, feito uma garotinha que acaba de levar uma bronca.

– Feche a porta quando sair – resmungou, sem olhar para ela.

Inicialmente Rosalie ficou confusa, mas ao se dar conta de que era um pedido, tecnicamente uma ordem, para ela se retirar, não pode conter que uma lágrima solitária rolasse e seu rosto com uma pressa absurda.

Sem dizer uma única palavra, ela ficou de pé e logo em seguida se retirou, passando as mãos no rosto limpando a enxurrada de lágrimas que se seguiram.

Para Rosalie a tarde passou devagar demais. Emmett não saiu do quarto durante à tarde inteira. Ela ficou entristecida o resto do dia. Como estava se recuperando da ameaça de um parto prematuro, recebeu cuidados da parte de Esme e Alice. Quando lhe perguntaram sobre Emmett, ela disse que não falou com ele porque ele tinha voltado a dormir, ocultando o fato de ter sido rejeitada.

No fim da tarde, Edward chegou, trazendo chocolates para Rosalie e jujubas para Alice. Pouco antes de Emmett sair novamente para o Pub, Carlisle também chegou.

Emmett passou pela sala, cumprimentou a todos, embora sem muita vontade. Deu um selinho em Rosalie, mas, ela, no entanto, estava à espera de um beijo de verdade. O beijo pelo qual esperou durante todo o dia. Para sua surpresa tudo que ele fez foi se afastar. Naquele dia sequer se ofereceu para massagear suas costas e pés. Isso a magoou ainda mais. Estava cheia de dores, carregava um filho dele no útero e, mesmo assim, ele a tratou com indiferença.

Definitivamente estava muito chateado, não restavam dúvidas quanto a isso.

Isabella foi passar a noite na casa dos Cullen e as três amigas se reuniram no quarto de Alice até tarde da noite, em uma festinha do pijama. As três acabaram dormindo no mesmo quarto, em camas improvisadas.

Para o desespero de Emmett, ao chegar de madrugada, não encontrou a esposa na cama. A primeira coisa que pensou foi que ela tivesse passado mal e precisado ir ao hospital. Mesmo preocupado ele a procurou, antes de chamar alguém para lhe explicar o que estava acontecendo. Olhou no quarto ao lado, estava vazio. Depois foi ao de Alice. Mesmo sabendo que deveria bater na porta antes, a pressa não o permitiu que fizesse isso. Abriu a porta sem prévio aviso. Para seu alivio, e, ao mesmo tempo, revolta, Rosalie estava dormido na cama, enquanto Alice e Isabella dormiam em colchões no chão.

Tornou a fechar a porta e voltou para seu quarto. Se jogou na cama, onde ficou mais uma vez sozinho. Ficar sozinho estava se tornando rotina desde que chegara a casa dos Cullen. Rosalie parecia estar sempre cercada por alguém e, com isso, se esquecendo dele, era o que dizia para si mesmo.

Mais uma vez passou o dia trancado no quarto. No final da tarde se mostrou irritado; não quis falar com ninguém. E quando saiu para trabalhar, foi com a moto e não com o carro como no dia anterior. Através da janela, Rosalie o viu sair cantando pneu.

Embora cheia de dores na coluna, não pediu que lhe fizesse massagem. Essa era a segunda vez, desde que ficou grávida, que ele não se oferecia para massagear suas costas e pés, antes de sair para trabalhar.

No fim do dia, notando que Rosalie estava com os pés muito inchados, Esme os massageou para ela.

À noite Rosalie não foi ao quarto de Alice, tampouco deixou que ela ficasse acordada até tarde no seu; já suspeitando do motivo da chateação de Emmett.

Não pregou o olho a noite inteira. Primeiro porque o bebê estava inquieto. Segundo porque não parava de pensar no marido, queria estar acordada quando ele chegasse.

Mas Emmett não voltou para a mansão naquela madrugada. Em vez disso ele foi para o apartamento dos dois. Lá ficou somente de cueca e se jogou em sua própria cama. Mais uma vez dormiu sem Rosalie ao seu lado. Isso o desagradava totalmente.

Amanheceu frio e nublado em Nova Orleans. Lufadas de ar frio se esgueirando nas brechas de janelas e portas.

Rosalie estava com olheiras enormes. A vontade de chorar era insuportavelmente grande. Sabia que se alguém viesse falar a respeito de Emmett, desabaria em lágrimas.

Ela afagou a barriga, o bebê estava calmo agora pela manhã, mas, mesmo assim, não conseguia dormir pensando em Emmett. Pegou o celular e ligou para ele. Passou a mão no rosto, fadigada, enquanto a ligação era realizada.

No apartamento, dormindo em meio a um amontoado de travesseiros e cobertores, Emmett se remexeu. Ainda de olhos fechados, tateou ao redor em busca do celular e o encontrou perdido na bagunça que estava à cama.

– Oi – disse ele, já sabendo que falava com Rosalie.

– Amor onde você está?

– Estou no apartamento – ele respondeu automaticamente. Passou a mão no rosto, tentando espantar o sono, enquanto falava.

– Por quê? – foi tudo o que Rosalie conseguiu falar, fazendo o máximo possível para controlar o choro, mas estava difícil.

– Porque – retrucou, com raiva. – Porque essa é a quarta vez que durmo sem você ao meu lado desde que, tecnicamente, nos casamos. Qual o sentido de eu voltar para essa casa se você já não me espera mais. Ou você está na companhia de alguém, ou está em outro quarto.

– Não é verdade... – murmurou Rosalie em resposta, a voz trêmula.

– É sim – ele rebateu. – Você se esqueceu de mim, Rose. Você prefere a todos eles que a mim que sou seu marido...

– Não é verdade – Rosalie repetiu chorosa. – Eu te esperei a noite inteira. Eu e o Noah – acrescentou ao mesmo tempo em que acariciava a barriga. – Estamos até agora te esperando... – ela soluçou e o choro chegou com força. – Estou cheia de dores nas costas e nas pernas... Você não se ofereceu mais para me fazer massagem. Fica me tratando com indiferença quando estou carregando no ventre um filho seu. Nós precisamos de você aqui... Eu e o Noah – ela soluçou forte.

– Não chore, por favor, Rose... – ele pediu, sentindo o sabor amargo do arrependimento.

– Vem me buscar amor... – Rosalie pediu, em um ato de desespero, com a voz entremeada pelo choro forte. – Não quero ficar aqui sem você. Não quero. Eu os amo, de verdade, mas você é a minha vida. Não quero ficar onde você não esteja. Por favor, vem me buscar...

Emmett sentou na cama, empurrando os lençóis com a mão livre. Se atrapalhando um pouco pela rapidez com que fez isso.

– Daqui a pouco estarei aí – ele avisou.

E então a ligação foi finalizada, com o clima de arrependimento e angustia no ar.

Notas finais
Bom, se tiver alguém aí ainda deixe um review. Beijo, beijo Sill