Amor Amigo
28 Capítulo 28 – Arrependido
Naquela manhã nublada e fria, depois da ligação de Rosalie, Emmett ficou um pouco atordoado. Sabia que não agira corretamente quando decidira ir dormir no apartamento sem avisá-la antes. Mesmo assim fez o que queria. Entretanto, depois de tê-la ouvido chorar pelo telefone, teve a certeza de que agira como um idiota. Que agira por impulso pensando somente em si. Um verdadeiro egoísta.
Ela estava emocionalmente abalada com a ameaça de um parto prematuro. E um pouco sensível por causa da gestação. Em vez de estar ao lado da esposa, lhe apoiando e sendo compreensivo, decidiu agir como um garotinho birrento.
Depois de jogar o celular sobre a cama, correu para o closet onde vestiu uma calça jeans se atrapalhando todo no processo. Vestiu também uma camisa preta, de manga comprida, e calçou os tênis. Voltou correndo ao banheiro, escovou os dentes e arrumou os cabelos. De volta ao quarto, pegou o celular sobre a cama guardando-o no bolso.
Pegou as chaves do apartamento e da moto sobre a mesinha do hall. Antes de sair deu uma breve olhada em volta para se certificar de que estava tudo, ok.
Subiu na moto e com ela saiu da garagem do condomínio cantando pneu. Estava preocupado com Rosalie e com o bebê. Sabia que se ela ficasse mal, dessa vez, seria culpa sua.
A brisa fria soprava contra seu corpo causando um frio inesperado. Durante o trajeto foi surpreendido com uma chuva fina. Agradeceu mentalmente pelos Cullen morarem perto do apartamento. Repreendeu a si mesmo, mentalmente, por não ter se lembrado de pegar um agasalho.
O asfalto ficou escorregadio obrigando-o a diminuir a velocidade. Fez uma curva mais a adiante para logo em seguida parar em frente à mansão. Como tinha uma copia das chaves, desceu da moto e abriu os portões manualmente. Estacionou na vaga ao lado do carro que ganhara de Carlisle. Que por causa de seu temperamento compulsivo, estava renegando o presente.
Não pode deixar de notar que todos os veículos da família estavam na garagem, sinal de que estavam todos em casa ainda. Saltou da moto, deixando o capacete sobre o banco.
O tecido de sua camisa estava molhado, lhe dando a sensação de estar mais frio do realmente estava. Caminhou a passos rápidos até a entrada principal da casa. Tão logo abriu a porta, o aroma familiar o atingiu em cheio acusando-o de ser um tolo por querer se afastar do lugar ao qual pertencia. Aquela era sua família, podia não ser de laço sanguíneo, mas era a que o coração escolhera.
Aquela casa, aquela família, seria para sempre o porto seguro dos dois, independente de onde fossem e de quanto tempo passassem longe.
Na sala de estar, ele encontrou Rosalie, chorando, no sofá, com as mãos cobrindo o rosto. Em frente a ela estava Esme, ajoelhada no carpete. Ambas ainda usavam pijamas, mas diferente de Rosalie, Esme usava um robe de seda por cima.
Na mesinha de centro havia uma bandeja de prata com um bule e uma xicara florida. Emmett deduziu que fosse algum tipo de chá, preparado para Rosalie. Ele virou o rosto e, perto da porta de vidro, que dava acesso ao jardim, encontrou Carlisle de braços cruzados. Sentiu o olhar duro sobre si, envergonhado abaixou a cabeça.
Como um garotinho que acaba de levar uma bronca, Emmett olhou para Rosalie. O sentimento de culpa e arrependimento foi devastador.
Caminhando até onde ela estava, imaginou que só não levou uma bronca, da parte de Carlisle, porque Rosalie estava por perto. Obviamente ele não faria nada que a deixasse pior do que já estava.
Esme ficou de pé após ter sussurrado algo para Rosalie, cujo Emmett não conseguiu identificar. Rosalie soluçou, afastando alguns fios de cabelos do rosto. Quando enfim olhou para Emmett, um novo caminho de lágrimas traçou caminho em seu rosto pálido.
Com os olhos marejados, ele se aproximou e sentou ao lado dela. Sem dizer nada, apenas a abraçou. Rosalie passou os braços em volta do pescoço dele sem se importar com a camisa molhada. Depois de senti-lo perto novamente, o choro só se intensificou. Fora como um alívio imediato, liberando uma válvula de escape, de emoções.
Esme se afastou, andando meio que de lado, seus braços cruzados em frente ao peito. Parou somente quando chegou perto do marido. Um olhou para o outro, e então permaneceram na sala em silêncio.
– Eu já estou aqui amor – sussurrou Emmett ao pé do ouvido de Rosalie. – Não precisa chorar assim. Isso só vai fazer mal para você e o bebê.
– Porque você fez isso, Emmett...? Por quê? – ela perguntou entre um soluço e outro. Sem realmente entender porque ele agira daquele jeito.
– Me desculpe – pediu ele, envergonhado como nunca esteve antes.
– Há alguns dias você vem me tratando com descaso... – Rosalie soluçou as palavras. – Essa madrugada você não voltou, e, sequer se deu ao trabalho de me ligar. Eu te esperei a noite inteira acordada. Você não me quer mais, é isso? – ela fungou, mal conseguindo completar a frase.
Emmett se afastou minimamente, deslizando as grandes mãos sobre os braços de Rosalie. Segurou delicadamente o rosto dela entre ambas as mãos, e não suportou vê-la tão triste.
– Eu te amo, Rose. Tudo que eu quero é estar ao seu lado, para sempre – ele lhe deu um selinho, sentindo o sabor salgado das lágrimas, cujo ele mesmo fora o culpado. Rosalie segurou firme nos pulsos dele, suas mãos frias quase cadavéricas. Emmett roçou os lábios aos dela para logo em seguida lhe dar um beijo febril, ansioso e forte.
Esme e Carlisle ainda estavam na sala, em silêncio. Esme já estava emocionada em vê-los daquele jeito, tão unidos, tão conectados, tão verdadeiramente íntimos.
Depois do beijo, que os deixou sem ar, Emmett manteve as mãos coladas ao rosto dela, as testas unidas em meio a uma troca intensa de olhar.
– Então – arriscou Rosalie –, o motivo de você ter ficado chateado comigo, é porque não quer ficar aqui? Por isso me tratou tão mal nos últimos dias? Então me leva com você amor – pediu entre uma fungada e outra. – Só não faz mais isso comigo, por favor... Você não entende...? Não sei viver sem você.
Depois de ter presenciado o pedido desesperado de Rosalie, Esme não conseguiu segurar as lágrimas. Passou a mão direita no rosto, enquanto a outra abraçava o próprio corpo, sentindo o coração ser machucado por aquelas palavras. Virou-se de costas para eles, encostando a testa ao peito do marido.
– Ele vai levá-la... – ela sussurrou contra o peito de Carlisle, que a abraçou.
Emmett beijou a testa de Rosalie, antes de beijá-la nos lábios novamente.
– Eu vou ficar aqui com você, e prometo que não vou voltar a agir feito um idiota. Você ainda me quer por perto, não quer?
– É o que mais quero – ela afirmou. – Quero ficar com você em qualquer lugar do mundo. Mas gosto quando Esme fica comigo quando você sai para trabalhar. Dessa forma não me sinto sozinha, já que não posso ir trabalhar também. Ela é cuidadosa, carinhosa, e isso me faz sentir bem. Ela me fala como foi suas gestações e me tranquiliza.
Depois de ouvir as últimas palavras, Esme afastou o rosto do peito do marido e voltou a olhá-los. Carlisle afagou os cabelos da esposa sem nada dizer. Ele sabia que tudo ficaria bem. Era só questão de tempo.
– Então pare de chorar amor – pediu Emmett. – Eu já estou aqui. Não vou alugar algum a menos, é claro, que você mande. Vai ficar tudo bem, ok?! Eu vou cuidar de você agora... – murmurou, passando um dos braços atrás das costas de Rosalie e o outro embaixo das coxas dela, pegando-a no colo.
– Ok – ela murmurou em resposta, passando os braços em volta do pescoço dele.
Emmett estendeu o olhar na direção de Carlise e Esme, ao passar para subir as escadas.
– Me desculpe... – ele praticamente sussurrou. – Eu sei que agi estupidamente, mas isso não vai voltar a se repetir.
Carlisle maneou a cabeça afirmativamente, e Esme sussurrou:
– Vai ficar tudo bem...
– Eu... Vou... – Emmett começou, olhando de Esme para as escadas como que pedindo permissão. Talvez, apenas talvez, pensando que não fosse bem vindo depois de como agira.
– Podem subir. A casa também é de vocês. O que eu mais quero é que se sintam em casa...
Ele mal conseguia olhá-la nos olhos, envergonhado. Também porque, toda vez que a olhava, podia notar o medo de perdê-los estampados nos olhos dela. Um medo que ele mesmo fez florescer.
– Obrigado – sibilou Emmett, ainda constrangido.
Rosalie estava em silêncio. Exausta. Embora já não chorasse mais, ainda assim mantinha o rosto escondido no peito de Emmett apenas desfrutando da proximidade, aspirando o perfume que conhecia tão bem.
Com um olhar resignado, ele começou a subir as escadas.
– Emmett – Esme o chamou.
Ele a olhou, imaginando se seria agora que levaria uma bronca.
– Troque essa roupa molhada, você pode acabar pegando um resfriado.
O medo cedeu lugar a um sorriso de covinhas adoráveis.
– Farei isso... – disse ele.
Ele subiu as escadas, sumindo do campo de visão de Esme. Mas ela estava satisfeita, feliz seria apalavra certa. Os dois filhos, que o coração um dia escolhera, decidiram ficar em casa por mais um tempo. Eles estavam juntos, de volta ao lar.
Após um longo suspiro, ela subiu as escadas de mãos dadas com o marido para irem trocar de roupa, considerando o fato de que ainda estavam usando trajes de dormir.
Emmett entrou no quarto com Rosalie em seus braços, a colocou sobre a cama cuidadosamente e voltou para fechar a porta com as chaves. Pretendia tomar um banho de banheira na companhia da esposa. Sabia bem o quanto Alice podia ser inconveniente às vezes.
– Fique quietinha aí que eu já volto – avisou ao passar para o banheiro.
Rosalie ouviu o barulho das saídas de água sendo abertas. Suspirou aliviada quando notou o que ele estava fazendo. Era um bom sinal; eles estavam bem novamente.
Ela não conseguiu esperá-lo como ele havia pedido. Saiu da cama e foi ao encontro dele no banheiro. Não se surpreendeu quando o encontrou preparando a banheira exatamente como ela gostava.
Ele se virou ao sentir a presença dela na porta.
– Ei, eu não disse para ficar quietinha lá me esperando?! – ele estendeu a mão ao encontro da dela, guiando-a para dentro do banheiro.
– Eu estou bem... – ela avisou.
– Está bem – concordou. – Mas deixe que agora eu cuide de todo o resto. É para isso que estou aqui – deu uma piscadela e sorriu levemente.
Com mãos cuidadosas, ele ergueu a barra da camisola dela até retirá-la por completo. Rosalie ergueu os braços facilitando o processo. Os seios estavam ainda maiores por causa do leite materno. Emmett sentiu a súbita vontade de acaricia-los, mas teve medo de não resistir tamanha tentação e desejo. Já fazia alguns dias que eles não faziam amor. Sabia que ainda não era seguro para ela e o bebê, embora fosse muito difícil manter o controle.
Rosalie não escondeu sua frustração quando notou que ele ficou na dúvida. Emmett não queria desapontá-la, e, mesmo sabendo que não poderia ir além de uma simples caricia, apalpou os seios dela, lenta e demoradamente.
Bastou apenas isso para seu corpo inteiro reagir como pólvora reage ao fogo. Encostou o rosto ao dela, aspirando o perfume suave, ao mesmo tempo tão inebriante. Roçou o nariz na pele delicada do pescoço depositando um beijo ali. Sem pressa traçou um caminho de beijos por toda extensão do pescoço e ombros. Percorrendo um caminho até alcançar os seios fartos, beijando e sugando cada um dos mamilos intumescidos.
Rosalie arqueou as costas, deixando escapar um gemido rouco e abafado. Ato que deixou Emmett ainda mais excitado. Relutante, ele se afastou e passou a retirar suas próprias roupas expondo sem pudor toda sua excitação.
Ele tornou a se aproximar dela e ajudou retirar à única e pequenina peça que ainda a cobria.
– Para dentro da banheira – ele ordenou enquanto segurava na mão dela, lhe dando apoio. Pouco a pouco o corpo de Rosalie foi ficando coberto por espumas perfumadas.
Ele também entrou na banheira e se sentou sob a espuma. Rosalie sentou, de costas, entre as pernas dele. Os cabelos presos em um coque frouxo deixavam alguns fios soltos, lhe dando certo charme.
Emmett deixou que um gemido rouco, preso na garganta, escapasse enquanto suas mãos deslizavam sobre as costas dela, indo até a barriga e voltando, em movimentos leves e minuciosos.
– Emm... – Rosalie sussurrou, com a voz afetada.
Ele sentiu a mão dela deslizar sobre a coxa, embaixo da espuma, parando quando tocou seu membro.
– Rose... – gemeu pronunciando o nome dela, tentando manter o controle.
– Eu quero... – sussurrou ela, em forma de pedido.
– Ainda não podemos... É perigoso para o bebê.
– Então apenas me toque... – pediu quase que em um tom de suplica.
Emmett segurou o rosto dela, virando um pouco para o lado, para poder beijá-la. O beijo foi voraz, cheio de desejo e luxuria. Pouco a pouco ela se virou de frente para ele sem interromper o beijo.
Emmett segurou os cabelos dela, na região da nuca, e lhe beijou os seios novamente. Seu corpo inteiro reagindo às carícias com desejo ardente. Reagindo a todas as sensações maravilhosas que despertavam um no outro. Rosalie continuou manipulando o sexo dele até que o viu gemer em seu ombro, atingindo o ponto alto do prazer.
Ele segurou as mãos dela enquanto voltava a beijá-la. Então foi a vez dele lhe proporcionar o mesmo tipo de prazer. Em pouco tempo o corpo de Rosalie já reagia com espasmos contínuos. Ele a abraçou quando ela relaxou em seus braços, murmurando seu nome com a voz afetada.
Voltaram a se beijar e, de repente, alguém bateu na porta do quarto. Era Alice, Emmett não tinha dúvidas disso. Ele se afastou apenas o suficiente para olhar Rosalie nos olhos. Ela não disse nada, apenas voltou a beijá-lo. Provando o quanto o queria, o quanto o desejava.
Um sorriso travesso surgiu nos lábios dele enquanto suas grandes mãos traçavam caminho sobre o corpo curvilíneo, sob a espuma perfumada, deixando um rastro quente.
No corredor, Alice deu de ombros e virou as costas, refazendo o caminho de volta. Juntou-se ao resto da família na mesa para o café da manhã. Ela ainda estava alheia aos últimos acontecimentos que abalaram o emocional de Rosalie, que já estava muito fragilizado. Chegando a mencionar que eles deveriam estar muito ocupados essa manhã.
A princípio Esme ficou um pouco preocupada, levando em consideração que a gestação de Rosalie era de risco. Mas obrigou-se a deixar a preocupação de lado. Rosalie não faria nada que prejudicasse o bebê, assim ela esperava.
Naquela manhã, assim como Emmett, Rosalie não desceu para tomar café. Depois do banho, do momento intimo entre os dois, se vestiram e deitaram juntos na cama. Emmett precisava dormir por causa das inúmeras horas em claro que passava todas as noites no Pub. Já Rosalie, estava cansada por culpa da noite em claro à espera do marido.
Ela acabou pegando no sono, muito antes dele, aconchegada ao peito largo, depois de uma serie de carinhos na barriga.
Relaxado, satisfeito com o momento de intimidade na banheira, fazendo círculos imaginários nas costas de Rosalie, Emmett tinha um sorrido maroto no canto dos lábios.
Algumas horas depois, a família Denali foi à casa dos Cullen visitá-los. Como o dia estava chuvoso, acabaram optando por ficarem na parte interna da área da piscina. Na hora do almoço todos se reuniram à mesa em meio a conversas e risos. Depois disso, se distraíram disputando uma partida de bilhar. Emmett fez dupla com Eleazar que, por conseguinte, acabaram ganhando todas as partidas.
Foram poucos os momentos em que Rosalie saiu do lado dele. Ele recebeu bastante atenção da parte dela e, o tempo inteiro, gestos de carinho. Ela ainda estava apavorada com o fato dele ter se sentido rejeitado antes.
Violet era o motivo de suspiros de todos. Entretanto, embora já com um aninho, ela ainda não sabia andar por conta própria. Kate, como toda mãe coruja, não parava de mimá-la. Seus olhos brilhavam vendo a filha correr no andador pela grande sala, no meio de um monte de adultos, risonha, dando gritinhos de animação.
Já perto do final da tarde Alice, Tanya, Kate, Irina, Isabella e Rosalie resolveram que era hora de uma disputa de karaokê. Uma das músicas escolhidas era infantil. Violet ficou toda animada ouvindo-as cantar. Vez ou outra alguém lhe roubava um beijinho na bochecha.
A noite chegou, e com ela uma brisa fria ainda mais intensa. Os primeiros a irem embora foram Kate e Garrett, levando a pequena Violet já adormecida, completamente agasalhada no colo do pai.
O restante do pessoal foi embora pouco tempo depois. Edward levou Isabella na casa dos pais dela, e acabou demorando um pouco para voltar.
Emmett foi para o Pub, enfrentar mais uma noite de trabalho. Mais uma noite em claro. Antes de ele sair Rosalie o fez jurar que não votaria a repetir o que fizera na madrugada anterior.
Com Emmett fora de casa, ela se deixou mimar pelos Cullen. Assistiu TV sentada ao lado de Esme, com a cabeça apoiada ao ombro dela, vez ou outra recebendo um afago na barriga. Já Alice, estava deitada com a cabeça no colo do pai e, mesmo assistindo TV, não parava de falar.
Rosalie foi a primeira a ir para o quarto. Antes de dormir Esme passou para vê-la e a encontrou acordada, como quase sempre acontecia. Rosalie mencionou que sua barriga estava mais dura que de costume, e que estava com gases. Mais uma vez, Esme, com sua sabedoria de mãe, a tranquilizou lhe dizendo que isso era normal com algumas mulheres em determinado período da gestação.
Como sempre acontecia, preparou um chá para Rosalie tomar antes de dormir.
Era por volta das cinco e quinze da manhã quando Emmett chegou. Dessa vez, diferente da noite anterior, ele tinha ido trabalhar usando o carro.
Foi direto para o quarto, embora ainda estivesse receoso de chegar lá e não encontrar Rosalie na cama, ou, talvez, Alice ocupando seu lugar. Entretanto, dessa vez, não teve nenhuma surpresa; Rosalie estava sozinha, abraçada ao travesseiro dele. Sorriu satisfeito, pois aquela era a cena que costumava encontrar quando chegava ao apartamento.
Ele fechou a porta devagar, passando a chave na fechadura – medida preventiva contra uma Alice espoleta. Sem fazer barulho, retirou peça por peça da roupa que costumava usar para trabalhar no Pub. Deixou tudo sobre a poltrona, dispensados de forma organizada.
Usando apenas uma cueca boxer vermelha, ele caminhou cautelosamente até a cama e deitou-se ao lado de Rosalie. Com cuidado retirou o travesseiro dos braços dela trazendo-a para descansar a cabeça em seu peito nu.
– Emm... Você veio – sussurrou ela, se aconchegando melhor ao peito dele.
– Eu disse que viria, não disse?! – sussurrou ao pé do ouvido dela, depositando um beijo no local logo sem seguida.
– Estou com frio – ela confidenciou. – Ainda está chovendo lá fora?
– Está sim – ele confirmou, puxando o edredom para cobri-la melhor. – Boa noite, meu amor – sussurrou, passando os braços em volta do corpo dela, protetoramente, transferindo o calor de seu corpo.
Passaram-se alguns minutos. Nesse meio tempo, Rosalie levantou algumas vezes para ir ao banheiro. Emmett achou muito estranho considerando que era o dobro de vezes que ela passou a ir desde a gestação.
Depois de muito perguntar, se estava tudo bem, ele sentou na cama e esperou ela voltar de mais uma ida ao banheiro.
– Amor o que você tem? Está se sentindo mal? É alguma dor? – perguntou, quando ela se aproximava da cama novamente.
– Não é nada... Só o de sempre – limitou-se ela em responder.
– Não – Emmett se recusou a aceitar aquela resposta –, tem alguma coisa errada. Você está indo ao banheiro mais que de costume desde que ficou grávida. Será que foi por causa do que fizemos na banheira? – ele fez menção de sair da cama. A chuva fina ainda caía lá fora, e as rajadas de vento frio sopravam nas janelas com certa agitação. – Eu vou levá-la ao hospital agora mesmo – precipitou-se.
Rosalie segurou na coxa dele, impedindo-o de sair da cama.
– Não, não precisa...
– Mas é claro que precisa – rebateu, se remexendo sob a mão dela.
– Não é nada Emm... – ela insistiu.
– Não acredito que não seja nada, Rose. Há poucos dias você quase teve um parto prematuro, não podemos brincar com sua saúde e nem a do bebê. Eu vou colocar uma roupa e nos vamos ao hospital agora mesmo – ele foi categórico na sua decisão.
– Está bem, eu falo. É... Bem... Ah, caramba, porque você tem que me obrigar a te falar isso – resmungou um tanto envergonhada.
– Isso o que? – perguntou, olhando para ela, curioso e ao mesmo tempo preocupado.
– São gases... – disse ela, quase que em um sussurro.
– Ah, amor, não posso acreditar que esteja saindo da cama toda hora, com esse barrigão, com frio, por causa de uma bobagem dessas.
Constrangida, Rosalie evitava encará-lo.
– Esme disse que isso acontece com algumas mulheres em determinado período da gestação. E que muitas das vezes isso soa como um alarme falso de trabalho de parto – Rosalie informou.
– Bobinha – disse Emmett, segurando o queixo dela, que desviou o olhar, envergonhada. Ele sorriu e logo em seguida lhe deu um selinho. – Todo mundo solta pum, Rose – ele comentou, para em seguida imitar barulhos de pum com a mão na boca.
Envergonhada, Rosalie deu um tapinha no ombro dele. Os dois acabaram gargalhando.
– Vem amor – disse ele, envolvendo-a em seus braços guiando-a para se deitar na cama novamente –, vamos dormir.
Emmett voltou a imitar o barulho de pum. Embora envergonhada, Rosalie sorriu lhe dando um tapa no peito.
– Para com isso, seu bobo.
– Não é para sair dessa cama novamente por causa disso, ok?
– Ok – ela respondeu, se aconchegando a ele novamente.
Emmett lhe beijou os cabelos, enquanto a mantinha bem coladinha a seu corpo.
– Eu te amo – ele sussurrou contra os cabelos dela.
Rosalie suspirou de olhos fechados, desfrutando da sensação maravilhosa de se sentir amada.
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