Notas iniciais
Adorei os comentários. Muito obrigado por tudo o que vocês fazem por mim! Isso me deixa muito feliz! Agradeço muito mesmo por comentarem, por lerem, e, se alguém quiser, Quem tiver sugestões para fillers, fiquem a vontade em enviar. Vale lembrar que os fillers geralmente eu os faço em agradecimento às pessoas que recomendam ou comemorando alguma data especial. Fillers são histórias que tem haver com a original, mas são independentes - tipo, você não precisa ler o filler para entender alguma coisa da história original - e estou aceitando ideias.

Numa madrugada dessas, muitos anos depois – já nos dias de agora — daquela carta, do meu casamento e do nascimento de Sarada, eu acabei indo diretamente a casa de Naruto, mesmo suspeitando que ele estivesse dormindo e que eu estaria agindo como um ladrão ou um stalker. A casa estava escura, mas eu vi uma janela aberta, então eu entrei. Eu precisava vê-lo, por alguma razão misteriosa, naquela noite eu precisava urgentemente ter a imagem de Naruto gravada em minha mente. Rápido cheguei até lá e facilmente entrei.

Era a janela da sala a que ficara aberta.

Caminhei pelos cômodos, procurando por algum sinal dele, mas nada. Onde ele estaria? Parei diante da porta do quarto de Boruto e gelei minha espinha ao sentir algo lentamente se aproximar de minha garganta. Pelo brilho noturno, eu vi que era um objeto metálico, uma faca e eu podia sentir uma mão apertando firmemente a minha cauda.

–Perdido, gato preto? – eu não sabia se respirava de alívio ou se continuava sem respirar de apreensão – Perdeu a língua por aqui?

–Sou eu... – sussurrei.

A faca se afastou da mesma forma que surgiu e dois dedos fizeram a minha cara se virar. Era ele, vestido apenas numa camisa negra e em uma bermuda de mesma cor. Naruto risonho.

–Faz o que aqui garoto?

–Eu só... – eu ia responder quando me dei conta que ele me chamara de garoto. Encarei-o com frieza. Ninguém me tratava por menos do que eu sou. Garoto não. Com certeza eu sou mais velho que esse cara. Rapidamente pressionei minha mão contra sua garganta, como se fosse o bote de uma cobra e o empurrei para trás.

Do susto Naruto largou a faca no chão e nós caminhamos pela mínima cozinha. Derrubei-o com uma rasteira e ele caiu surdamente, de costas e braços abertos. Sentei em cima do seu abdômen e pressionei outra vez sua garganta. Ele abriu um dos olhos e me fitou, sentindo a dificuldade de respirar naquele estado. Agora as coisas estavam certas. Aproximei meu rosto do dele, para observá-lo melhor, e quando dei por mim, nos beijávamos com desejo: isto é, eu empurrava minha língua para dentro de sua boca, enquanto ele fazia força para evitar o ato, mas quando se deu conta que era inútil Naruto se entregou.

Naruto mergulhou as mãos entre meus cabelos, aprofundado o beijo e gemendo com a boca colada a minha quando eu dei um leve beliscão em um dos mamilos, por baixo da camisa.

Eu queria poder dizer que tivemos uma tórrida noite de sexo, mas a verdade fora que mais uma vez eu sucumbira a toda a sua imponência: Naruto fingiu subir em meu colo, me fazendo crer que realmente rebolaria para mim, mas ele só queria espaço para erguer as pernas e prender meu pescoço entre seus pés, numa chave poderosa. Ele rodou nossos corpos no piso e quando eu pisquei, o cara estava sentado sobre meu pescoço, me impedindo de respirar adequadamente, suas pernas seguravam meus braços no chão e sua cauda amarrara as minhas pernas. Eu estava laçado igual a um boi em um rodeio.

–Veio para cá me assediar, playboy? – ele falou sorrindo. – Achou que ia me comer de graça, assim, sem pagar nem ao menos uma bebida? Eu não sou programa do governo para dá de bom grado não, playboy. – eu quis dizer algo, mas seu joelho direito não me permitiu dizer nada – Sei quem você é e o que pode fazer. Sei de que família veio e que tipo de treinamento você recebeu, gato preto. – ele apoiou as duas mãos no piso e empurrou seu corpo para trás, quase que me soltando completamente. Ele me fitou bem de perto – Sua sorte é que eu tenho uma dívida com você, o que permite que você me beije, não me coma.

E foi isso o que eu ganhei durante alguns minutos. Depois de levantados, Naruto sentou-se na pia, me chamou para si, e quanto eu fui, ele enlaçou a minha cintura com as pernas e ali eu recebi alguns dos beijos que eu queria. De todas as bocas que eu já beijara, masculinas e femininas, aquela fora a melhor. Nossas línguas dançavam furiosamente dentro de nossas bocas e de vez em quando sorríamos de satisfação.

De repente ele parou e me chutou para longe com um dos pés. Eu estranhei e avancei novamente, mas o olhar surpreso de Naruto me fez parar no ato. Fitei por cima dos ombros para saber o que o cara olhava. Boruto estava ali, em pé e assustado.

–O que estão fazendo? – ele falou temerosamente.

–Eu posso explicar... – tentei começar.

–Cale-se, seu idiota!!! Eu não quero ouvir a sua voz!!!

Eu poderia ter batido nele por causa desse comportamento, mas ao invés, eu esperei o que a atitude do pai do revoltado iria tomar sobre aquela situação. Naruto desceu da pia e esfregou lentamente os cabelos, provavelmente pensando como explicaria ao filho o que ele acabara de presenciar. Notei que ele tinha um aspecto de uma pessoa que trabalha muito, com toda classe de serviço, mas todos eles sendo desgastantes e demorados.

–Primeiro você nunca está por perto mais, sempre nesse maldito trabalho que eu nem sei que porra é!!! – a cauda do garoto se movia descontroladamente, sem uma direção certa – E agora eu te vejo com um cara?! É por isso que nunca está em casa?! Você se vende?! É isso?!

Fitei temerosamente Naruto. Ele parecia não se importar com aquelas palavras ousadas demais para um moleque de 12 anos. Mas de repente algo despertou dentro dele, pois ele abriu os olhos e deixou a cauda recostar-se graciosamente no piso frio.

–Veja como fala, Boruto. – sua voz saiu grave, porém baixa – Sabe exatamente qual é o meu trabalho. – ele cruzou os braços, esperando a reação do filho – Não fale assim com...

–Eu falo como eu quiser, seu... seu... Merda! – Boruto gritou e notei que Naruto ainda não tinha se abalado — Vo-Você é... – o garoto temeu em falar, não disse e também não deixou o pai se defender – Eu tenho nojo de você! – ele gritou – Como pode fazer isso com a mamãe!?! Se envolvendo com o cara de matou ela!!! – arregalei meus olhos e fitei Naruto. Ele exibia um semblante cansado e preocupado – E... E... E... Vocês são homens!!! Homens!!!

Eu quis dizer algo, mas Naruto adiantou-se.

–E qual é o problema? – ele falou tranquilamente.

Boruto chorava de raiva.

–O problema?! O problema?! Você está me perguntando qual é a porra do problema?! Isso – ele apontou para nós — é nojento, é repugnante!!! É ridículo!!! – ele foi até o pai, quase arrancando sua camisa – Eu pensei que você amasse mamãe, eu pensei que você... Eu te odeio!!! Odeio!!! Eu quero que você morra!!! Morra!!!

Num longo suspiro Naruto acertou uma forte tapa no rosto molhado por lágrimas de Boruto, fazendo o menino rodopiar e cair no chão estabanado.

–Por que me bateu...? – ele sussurrou assustado.

–Por quê? – Naruto suspirou e se abaixou perto do menino, sem alterar em momento nenhum o seu tom de voz – Ouviu o que disse? Desejou a morte de seu pai, a única pessoa que você tem nesse mundo para cuidar de você, para lhe dar o que comer, onde morar, condições para estudar e viver descentemente nesse mundo de merda. – o garoto virou a cara – O fato de eu ter beijado esse cara não quer dizer que eu mudei o que eu sou. Eu ainda sou o seu pai, você querendo ou não, e quando for mais velho vai entender a nossa realidade.

–O que a mamãe pensaria disso?!

–Não meta sua mãe nesse assunto, Boruto. – ele falou severamente – Ela não tem nada haver com o que aconteceu aqui. E entenda de uma vez: Hinata está morta, no céu, descansando, então a deixe em paz. – os dois sem encararam e o filho de Naruto parecia uma fera.

Boruto, num impulso de raiva, socou o rosto de Naruto e disparou porta a fora, correndo para a rua fria e escura, fugindo das palavras duras de seu pai. Naruto apenas se levantou, disse-me para fechar a porta de deixar a chave embaixo de um vaso de planta e saiu correndo atrás do filho do jeito que estava. Não o vi mais depois daquele dia, mas pela primeira vez em todos os meus anos de vida eu sentia aquilo que as pessoas chamam de “arrependimento”. Eu não deveria ter ido atrás dele, pelo menos não naquela noite.

Fiz tudo o que o cara me pediu e saí caminhando lentamente pelas ruas cobertas pela cerração. Olhei em volta e agucei minha audição. Eu podia ouvir os gritos de Boruto xingando seu pai enquanto fugia por entre os prédios e pelas casas daquela parte da cidade. De Naruto eu nada conseguia ouvir, mas eu sabia que ele estava perseguindo o filho por causa das expressões “Saia daqui”, “Me deixe em paz”, “Vá embora”.

É, a vida não é fácil para ninguém.

Olhei para a lua. Ela ria do meu sofrimento e tudo o que pude fazer foi mostrar-lhe o meu dedo médio em resposta àquele desdém.

–Que vida de merda... – retruquei depois de baixar o braço.

Notas finais
Próximo capítulo: Patrocínio do Mr. Catra e da Katekyo Ritborn!