Notas iniciais
Desculpa, meu povo, não ter postado no fim de semana... Mas a zika zicou o povo daqui de casa - só escapou eu T^T - então acabei esquecendo. Perdoem-me :') Poisé negada, esse capítulo é prelúdio do fim, então peguem seus lencinhos e se preparem para dizer adeus. Segue capítulo.

Não um, nem dois, nem quatro, oito ou doze meses. Não um, nem dois, nem cinco, tampouco dez ou quinze anos. Minhas filhas cresceram, tornaram-se adultas, casaram-se cedo – uma com dezesseis e a outra com dezoito – e tiveram os próprios filhos que também cresceram, se envolveram com quem queriam e tiveram seus próprios filhos, suas próprias famílias, suas próprias vidas. Em outras palavras, o rio seguiu seu curso sem se importar com o que foi deixado para trás.

Os irmãos de Naruto morreram naturalmente de velhice e seus filhos cresceram, tornaram-se adultos, tiveram seus filhos e a raça Uzumaki desapareceu de vez. Ou eram Inuzukas ou eram Hyuugas, não havia mais nenhuma pessoa que os genes se aproximassem do gene raposa. Os anos de mistura e cruzamento genético tiveram seu efeito devastador.

A única raposa ainda viva é Hotaru, pois nenhum de seus filhos nasceu com o gene raposa e tampouco os seus netos.

O tempo passou lento, cada minuto me pareceu um dia inteiro, mas só para mim. Cada dia durava uma eternidade e dentro dessa eternidade eu vivia os meus dias de solidão e frieza, cuidando da minha família, ou que restara dela, e da OGN. Nada mais me restara depois do incidente em Israel.

O processo de envelhecimento dos meus pais iniciara, de modo que eu percebi as primeiras mexas brancas nos cabelos de Fugaku e de Mikoto e mandei uma equipe de cuidadores ficasse de olho neles. Libertei meu irmão por causa dos pedidos insistentes de sua esposa e de seus dois filhos, mas mantive meus pais sob custódia ainda.

—Não nos perdoou ainda, não é, meu bem? – mamãe sussurrou com sua voz mansa, ela cosia um suéter preto com detalhes laranja. Eu estou de visita aqui, porque eu decidira mudar as “instalações” de meus pais para um local mais tranquilo para a velhice deles.

—Não. – eu preparava chá para nós três.

Meu pai continuava envergonhado, cabisbaixo, mas de vez em quando sorria para mim e eu lhe devolvia o sorriso. Raiva? Não tenho mais. Mágoa? Terei até o momento que eu puder ver o sorriso e os olhos azuis do meu esposo. Perdão? Só nesse momento eu darei a eles.

—Como Itachi está? – meu pai perguntou.

—Bem. Ele é o novo regente da família Uchiha, então me dedicarei à máfia com mais atenção. – servi-o e depois servi mamãe – Tudo segue em paz.

—Obrigado. – ele soprou e tomou um gole – E como estão Chiharu e Hotaru?

Nos olhamos e eu me sentei na varanda, relaxando um pouco o corpo.

—Bem. – falei soprando a xícara de chá – Elas brigam de vez em quando, mas é normal, afinal são de espécies diferentes. Chiharu e Hotaru são boas filhas, boas pessoas. – olhei para o colar em meu peito e abri o pingente. De um lado, uma foto minha e outra de Naruto, do outro, uma de Chiharu, a gata negra, e Hotaru, a raposa dourada. – Mas continuam sentindo falta dele, mesmo depois de tanto tempo.

Mamãe parou de mexer suas agulhas e me fitou.

—Quem não sente falta dele, meu bem? – ela suspirou e deixou uma lágrima cair – Não há um só dia que eu não me arrependa de ter concordado com Madara... Mas, meu arrependimento não fará Naruto sair daquela cama. – pegou a xícara e tomou um gole breve – Como você está, Sasuke? – fitou-me ternamente, apesar de seu olhar triste.

—Vivo. – disse. Realmente não existe outra forma de definir como estou. Apenas vivo. – Tem sido difícil a cada dia, mas eu tenho seguido em frente. Prometi que o esperaria e estou esperando por ele, pois Naruto me esperou por muito mais tempo.

Naquela tarde terminamos de beber o chá conversando amenidades e eu os deixei. Segui pelos corredores da minha mansão e percebi uma estranha movimentação vinda do setor onde Naruto fora instalado. Corri para lá e me deparei com pilhas de caixas e malas, no centro disso tudo estava Chiharu, sempre nervosa e barulhenta, ordenando que os empregados organizassem as coisas delas naquele quarto.

Cruzei meus braços e suspirei. Essa garota não muda. Os médicos informaram que Chiharu seria uma “Uchiha pura”, mas quando ela chegou à adolescência a verdade foi revelada: Chiharu é tão Uzumaki quando Hotaru é Uchiha. O temperamento explosivo e de fácil irritação é evidentemente herdado de mim, mas a sensibilidade e o cuidado para aquilo que ela gosta com certeza veio dele.

Seus longos cabelos negros se arrepiavam por causa de sua atual raiva. Seus olhos negros cintilavam de raiva, mas quando ela me viu, logo ficaram azuis como mágica, e ela veio correndo me abraçar. Chiharu é baixinha, magrela e branca, outra herança minha. Sua cauda balançava para lá e para cá, sua boca sorria bobamente. Às vezes ela é boba, como a mãe.

—O que faz por aqui, Chiharu? – perguntei afagando seus cabelos.

Ela ronronou, aconchegando-se em meus braços e então subitamente me soltou, mudando de criança para a adulta poderosa Uchiha que ela é quando quer.

—Eu me separei do traste do meu marido. – ela fez um bico indignado e colocou as mãos na cintura, fazendo pose – Acredita que ele disse que eu não podia ver a minha mãe? – fez uma cara de indignação saída de um filme para adolescente – Eu tipo: se toca, meu amor, só meu pai me proíbe de ver a minha mãe! – e estalou os dedos no ar. – Larguei ele na hora. Vê se eu posso como uma coisa dessa, papai? Um traste qualquer querer me impedir de ver a minha mãe diva maravilhosa? Eu quase arranquei fora a cabeça dele!

Eu acabei rindo.

Senti um arrepio forte e olhei para o lado. Era Hotaru. Sempre silenciosa, discreta e com aquele semblante de pessoa sagaz que sempre sabe das coisas. Uma mistura do meu lado sério com o de Naruto. Ela ergueu as orelhas e as sobrancelhas, dando de ombros e sacudindo de leve a sua cauda peluda. Quando me viu seus olhos foram do azul para o vermelho.

Devem ter percebido que as duas herdaram de Naruto a mudança incondicional dos olhos para com o amor, só que uma é o meu tom e a outra é o dele. As duas são uma mistura harmônica de nós dois em estilo, personalidade e genes.

—O que foi Hotaru? – perguntei vendo-a se apoiar em mim. Ao contrário de Chiharu, Hotaru é um pouco alta, quase da minha altura, e “encorpada”.

Ela recebeu o instinto feroz de Naruto, tanto em força e agilidade, tornando-a uma perigosa raposa. Mas não se deixe enganar por esse rosto de boneca, é mais fácil se confiar no cabelo dela: Hotaru fez um dégradé louco da metade do cabelo para as pontas na cor vermelha. Essa é a evidência que seu verdadeiro temperamento é semelhante ao meu Naruto quando estava com raiva. Sorrateira, vingativa, calculista, como uma cobra ou como a mãe.

—Eu vim ver a mamãe e o papai. – disse com a voz tranquila. Com Hotaru a vida é assim: uma nuvem flutuando tranquilamente no céu azul. – Chiharu me disse que voltaria a morar aqui, então eu vim saber se posso ajudar em algo.

Fitei as duas. Hotaru colocou-se do lado de Chiharu e as duas me olharam. Suas caras iguais exibindo tons diferentes de olho e de cabelo. A gata estava quase explodindo de felicidade e a raposa me olhava com aquela cara de que eu estava esquecendo algo.

—O que vocês estão aprontando?

—Eu tive um sonho! – Chiharu falou num salto e foi cutucada por Hotaru – Digo, nós tivemos um sonho de premonição. – ela apontou para si e para a irmã – No sonho, a noite parecia ser eterna, mas, de repente, sem que ninguém esperar, o sol nasceu e todos ficavam felizes! – ela abriu as mãos e o sorriso – Entendeu, papai?!

Franzi o cenho e aos poucos fui arregalando os meus olhos. Virei-me e fitei o fim do corredor, onde estavam as portas do quarto de Naruto. Arregalei mais ainda os meus olhos e disparei para lá, saltando por cima de caixas e malas, empurrei as portas e fui para a cama onde ele estava, quieto, com toda aquela aparelhagem hospitalar ao seu redor.

Fitei-o. Nada, continuava quieto, o rosto sereno e o corpo imóvel. Suspirei e me sentei na poltrona, vendo minhas filhas chegarem. O sorriso no rosto de Chiharu sumiu assim que ela viu o mesmo que eu vira e Hotaru apenas suspirou triste.

—É a mesma situação... – murmurei vendo-as sentarem-se na cama onde geralmente durmo, para vigiar Naruto – Ele não vai acordar... – fitei o corpo do meu amor – Nunca mais...

E então, porque eu sou PHD em ser enganado pela vida, Naruto sentou-se subitamente na cama. Eu e Chiharu ficamos com os pelos eriçados, os dedos armados, dado o susto que nós dois tivemos. Hotaru ficou de orelha e cauda em pé, os olhos arregalados, atenta a todos os movimentos do corpo de Naruto.

Ele piscava com dificuldade, como se tentasse enxergar algo, focar em algo. Suas orelhas tremiam de modo estranho e sua pele estava arrepiada. Era como um recém-nascido. Aos poucos, com o despertar, ele foi movendo um a um os dedos, depois as mãos, os pés, a cauda, como se tentasse se reconhecer naquele turbilhão de pensamentos que talvez se apossara da sua mente. Naruto soltou lentamente o ar, experimentando os pulmões, e, por fim, ergueu o rosto, olhando em volta, de sobrancelhas franzidas.

Fui endireitando a minha postura e me aproximando devagar. Podia ser um surto provocado pelas drogas, faz dois meses que não faço exames nele para saber como anda a taxa de alucinógenos em seu sangue. Toquei sua mão e ele encolheu-a, de reflexo.

—Desculpe... – disse, a voz meio rouca por causa do tanto de tempo sem usá-la. Engoli em seco, sem saber exatamente o que sentir ao vê-lo falar, ao vê-lo acordado. – Eu... Acho que... Devo ter tido um sonho ruim... – ele esfregou os cabelos e viu os tubos em seu braço – O que houve comigo? – perguntou tornando a me olhar.

—Você quase morreu, Naruto. – eu disse tocando em sua mão, entrelaçando meus dedos nos seus. Aquele calor, arfei ao senti-lo, quase chorando de felicidade – Estamos cuidando de você desde então, esperando você acordar.

Minhas filhas se aproximaram da cama, temerosas. Elas sabiam que por motivo das drogas, Naruto poderia reconhecê-las ou não, então evitavam atitudes bruscas. Sentaram-se na beirada da cama e me fitaram.

—Entendo... Obrigado. – disse sorrindo fracamente. Quase meu coração parou, não quando eu vi sorriso, mas seus olhos dourados. Engoli em seco e busquei forças onde eu não sabia se teria – Onde eu estou?

Fitei as meninas e depois tornei a encará-lo.

Então esse é o meu castigo, por todas as maldades que eu fiz para Naruto.

—Está na mansão Uchiha. – falei calmamente – Eu sou Sasuke e essas são as minhas filhas Chiharu e Hotaru. – ele sorriu para elas – Você trabalhava para mim e deu a vida para me salvar, por isso eu decidi cuidar pessoalmente de sua recuperação.

—Olá, senhor Uzumaki. – Hotaru disse apertando a mão da irmã, para dar-lhe forças.

—Oi... Eu sou Chiharu. – a outra sussurrou. Por um minuto eu a vi ser de novo uma criança procurando pelo colo acalentador da mãe. Que nunca iria ter.

O fato de as duas serem quem são, as permitem ter essa variação de humor e mentalidade de vez em quando. Ora adultas, ora infantis, de acordo com a situação. Sorri para elas, tentando dar-lhe forças para seguir adiante.

—É um prazer conhecer vocês. – Naruto falou fracamente – Há quanto tempo estou desacordado, Sasuke? – perguntou me fitando.

Respirei fundo e encarei o dourado de seus olhos. De todas as sentenças e de todos os castigos que os deuses poderiam me fazer sofrer, esse é o pior de todos. Dourado. Para mim, o inferno tem um brilho dourado. Eu estou vivendo o inferno.

—Cem longos anos. – eu disse num suspiro.

Notas finais
Cem anos, negada... Cem anos em coma... Como Sasuke e suas filhas vão lidar com isso? Lembrando, capítulo que vem, infelizmente, é o último, então tudo vai se resolver! Será que eles vão ficar juntos ou não? Nos vemos no fim de semana, amorecos!