Amor à moda antiga
43 Capítulo 40 - Final
Notas iniciais
Essa foi a culpa final dos meus pais. Fizemos exames, uma semana depois do acordar de Naruto, e descobri que seu sangue estava limpo. Outros testes comprovaram sua amnésia provocada pelo dano que a dose extrema de drogas em seu corpo. Naruto estava vivo, limpo, curado, recuperando os movimentos dos braços e das pernas, mas não sabia quem ele era, ou quem eu era ou quem eram nossas filhas.
Estava manso, gentil e me ouvia sempre. Eu perdi o meu esposo para sempre. Eu e minhas filhas passamos a cuidar pessoalmente do tratamento de Naruto, ajudando-o nas fisioterapias, com os remédios e com os exames. Mas eu perdi meu esposo para sempre.
Dois meses depois, ele já podia sair do quarto, em cadeira de rodas, mas era eu que o guiava, pois seus braços ainda tinham poucas forças. Levei-o para ver meus pais e eles choraram copiosamente quando Naruto não os reconheceu. Aliás, todas aquelas pessoas do nosso passado que ainda eram vivas choraram quando vieram visitar meu esposo e ele apenas sorriu e perguntou quem elas eram.
Eu aguentei, chorei noites inteiras por não tê-lo mais, no entanto criei coragem para reconquistá-lo. Eu fiz isso na vida real, nas minhas alucinações, eu poderia fazer de novo, viver tudo de novo para ter seu amor. E quando chegasse a hora certa, eu contaria a verdade.
o/ o/ o/ o/ o/
—Por que ela gosta tanto de dormir no meu colo? – Naruto perguntou afagando os cabelos espalhados de Chiharu.
Ela dormia, ronronando baixo, sobre o corpo deitado dele. Nós estávamos em sua cama e eu tinha acabado de fazer seus exercícios para as pernas. Chiharu conversara sobre várias coisas com ele, mas acabara adormecendo em seu colo.
—Você lembra a mãe dela. – eu disse pegando-a nos braços e a levando para o quarto. Retornei minutos depois, ficando a sós com Naruto – De alguma forma, sempre que olho para você, é como se eu estivesse olhando para o meu esposo.
—Desculpe, mas... Ele morreu? – perguntou temeroso.
Neguei.
—Só... Não voltará nunca mais. – falei num suspiro. Sentei-me atrás dele e comecei a tatear sua coluna, ajudando-o a endireitá-la, pois os anos deitado o deixou sem forças na espalda. – Mas não se preocupe, ele foi embora há muito tempo.
—Você sente falta dele?
Suspirei, recostando meu rosto em suas costas.
—A cada segundo da minha vida. – sussurrei – Eu sinto como se uma parte de mim fosse vazia, como se eu nunca mais pudesse ser feliz de novo, como se eu tivesse perdido minha alma. – quando abri meus olhos, eu me percebi abraçando gentilmente o torso de Naruto.
Ele me fitou, as sobrancelhas franzidas e olhar dourado cintilando para mim. Seu rosto foi se aproximando do meu, sua mão frágil acariciando meus cabelos gentilmente e então nossos lábios se tocaram levemente. Suspirei com minha boca colada na sua sem fazer pressão. Não era a mesma coisa. Não era o mesmo beijo. Eu posso dizer que não eram os mesmos lábios que eu beijava. Enxuguei uma lágrima teimosa e me afastei.
—Desculpe, Naruto, mas não posso. – sorri de forma dolorida.
—Tudo bem... – ele baixou o rosto – Não sei por que fiz isso. Só achei que tinha que fazer.
Dei um longo suspiro e me afastei. Foi assim, durante dois anos, que vivi ao lado do meu amor, perdido dentro do corpo de um estranho. Naruto não tinha o mesmo sorriso, não tinha o mesmo comportamento, era praticamente um alienígena para mim e para minhas filhas. As duas sabiam que aquele não era a mãe delas.
Aprenderam sobre Naruto nos vídeos que ele mesmo gravara “em vida” e era dele que elas sentiam uma profunda falta. Todas as noites, pois eu raramente dormia quando a saudade era mais dolorosa e sufocante, eu o observava: sereno e quieto ouvindo sua respiração profunda e vendo seu corpo descansar. A cada dia eu me convencia de que o meu Naruto, o meu amor, o homem por quem eu deveria ter dado a minha vida, jamais retornaria. Eu o perdera para sempre e isso era aterrador.
Uma vida gigante sem Naruto era mais assustadora do que a morte. Eu o quero muito de volta, eu quero ter meu Naruto de volta, mas sei que não o terei, sei que tudo não passa de desejos de um coração magoado. O que mais me machuca é saber que nos últimos momentos de sua vida comigo, ele desejou continuar ao meu lado.
Ter Naruto acordado por um ano foi bem pior do que tê-lo dormindo por cem. Com ele em coma eu ainda podia sonhar com ele ao meu lado, do jeito que sempre foi, mas agora, acordado, sem sua memória, eu tenho a mais nefasta das certezas.
Nunca eu chorei tanto como nesses dois anos que estive ao seu lado, sob meu teto. Por várias vezes quis abandoná-lo, por não ser mais o meu Naruto, mas o amor que eu nutro por ele não me permitia cumprir esse intento. É como se uma centelha estranha de esperança continuasse acesa em meu peito, alimentada eu não sei por que razão.
Eu não o tocava mais, apenas o via viver e conhecer a nossa realidade com uma curiosidade inocente de uma criança. Eu conversava bastante com Naruto, ouvindo suas especulações sobre nós, isto é, eu e ele, sobre sua vida antes do suposto acidente. De certa forma, era bom ter esse contato com Naruto.
—Hotaru me contou que você pensou em me conquistar, é verdade? – perguntou enquanto caminhávamos pelo jardim.
Eu o fitei e cocei meus cabelos de leve.
Depois de dois anos de fisioterapia e, levando em consideração a sua genética de alto fator de recuperação, ele já conseguia caminhar sozinho, seu corpo ganhara um pouco mais de massa, regredira em tamanho físico por causa das reações atípicas das raposas para se recuperar, coisas da genética que eu particularmente não entendo.
—É, eu tinha essa intenção, mas entendi que não adiantaria de nada.
—Por quê? – ele perguntou a sua curiosidade inocente de criança. Suspirei, sentando-me no banco no jardim e deixando espaço para ele.
Naruto sentou-se ao meu lado e se recostou no meu colo, suspirando profundamente. Os psicólogos me avisaram que não só o corpo regredira, como uma forma de auto recuperação, mas sua mente também retrocedera como uma forma de proteção. Eu não entendi o que isso significa, mas me avisaram que faz parte das características próprias e únicas das raposas.
Afaguei seus cabelos loiros esparsos e sorri com seu comportamento carinhoso. Ele suspirou satisfeito e me fitou sorrindo. Sorri de volta. Um pai olhando para o seu filho, é assim que me sinto em relação à Naruto.
—Porque eu não sinto atração além da amizade. – ele assentiu, entendo o que eu quisera dizer com as minhas palavras.
Não adianta de nada, esse homem não é o meu Naruto. Ele foi perdido para sempre. O jeito é conformar-me, apenas.
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Terceiro ano de convivência, Naruto estava com um porte físico aceitável, além de já conseguir se mover habilmente. Eu já não sabia mais o que fazer. Aquela centelha de esperança alimentada constantemente pelo meu amor não me deixava abandoná-lo, mas eu queria, eu quero deixá-lo. Não quero sofrer mais com essa pessoa que apenas é um reflexo de um passado que ficou para trás.
Eu decidi, então, enviá-lo para uma base Uchiha um pouco longe de mim, com a desculpa de dar-lhe um trabalho, algo como um aprendiz. Fui decidido para isso, procurei-o por toda a minha casa e o encontrei no seu antigo escritório. Entrei.
—Naruto, eu preciso falar com você.
—Claro. – ele sorriu.
Fite-o. Ele estava sentando no meio de milhares de DVDs organizados por ordem alfabética e, ao que me parece, assistira alguns. Aproximei-me e franzi o cenho. Ele estava com um entre os dedos, um sem título, apenas uma data. Um dia anterior ao de sua “morte”.
—O que faz aqui? – fitei alguns daqueles DVDs.
—Eu vi que os DVDs estavam desorganizados, então resolvi colocá-lo em ordem. – sorriu e apontou para o que estava em sua mão. – Só falta este. – apontou para a televisão de quase 50 polegadas na sua frente – Eu gostaria de assisti-lo para saber o conteúdo e assim guardá-lo. Eu posso? – esse Naruto dócil e obediente demais me dá asco.
Suspirei sentando-me perto dele e assenti. Nossa conversa pode esperar um pouco. Naruto sorriu como criança e colocou no aparelho. Esperamos, ele ansioso como um retardado, eu com pouca paciência para rever aquelas cenas que só me martirizavam. As imagens surgiram e apareceu Naruto, o meu Naruto, comendo rámen sem perceber que a câmera filmava. Franzi o cenho. Eu nunca vi esse DVD antes.
—Onde achou esse? – perguntei sem desviar meu olhar.
—Numa caixa com a mesma data do DVD. – eu o senti colocar a caixa perto de mim.
Naruto, o do vídeo, ergueu o rosto e se percebeu filmando. Piscou algumas vezes e sorriu, terminou rapidamente a comida, limpando-se, saiu por alguns instantes do foco da câmera e retornou, sentando-se folgadamente na cadeira.
—“Se for eu, em algum momento do futuro, que esteja assistindo esse DVD, significa que eu perdi a memória e que Sasuke desistiu de tentar recuperá-la. Ou se quer tentou”. – pisquei várias vezes antes de entender a razão daquela filmagem. Minha boca foi se abrindo de incredulidade. – “Se não for eu, pare de assistir porque não vai entender absolutamente nada do que está gravado aqui. Enfim, fica ao seu critério...” – ele deu de ombros. Esperou alguns segundos e sorriu, aquele sorriso que era tão meu, que eu passara tanto tempo sem ver.— “Bom, se ainda está aqui, eu só posso dizer OI EU DO FUTURO!”
Acenou e o Naruto acenou de volta, antes de pausar do filme.
—Esse... – ele apontou – Sou eu antes do acidente? – me perguntou e eu só assenti – Como eu podia saber que isso iria acontecer? – neguei sem saber o que responder. Naruto baixou o rosto, pensando um pouco e deu play.
Depois parar de acenar, o do vídeo sorriu de lado.
—“Vamos ao óbvio: eu sou Naruto Uzumaki, tenho, atualmente, 313 anos de idade, sou a última raposa pura do mundo e sou macho. Acho que se você se olhar, vai perceber que o que eu disse é verdade”.— riu-se – “Agora ao tratamento de choque, e se está assistindo isso é porque ninguém te disse isso. Você é casado com Sasuke Uchiha, que além de ser seu chefe e seu melhor amigo, é pai das duas filhas que você teve. Deixa eu te mostrar”.— ele colocou no foco a única foto que tínhamos, nós quatro nela – “Essa é Hotaru e essa é Chiharu. São lindas, não é? Provavelmente você as conhece, dependendo de quando tenha acordado. Só para que fique mais fácil: Hotaru é uma raposa loira, enquanto Chiharu é uma gata negra. Mas!”— ergueu as mãos e desatinou a rir – “Antes que ataque alguém perguntando os motivos de ter escondido isso de você, provavelmente é porque todos queriam te proteger. Você foi vítima e alvo de uma facção chamada Aldeia do Som, a propósito demos fim a ela, senão eu, que sou você, não estaria vivo e vendo isso. Agora, se eu morri, esse vídeo não tem sentido nenhum”.
Franziu o cenho e deu de ombros. Fitei o Naruto ao meu lado. Estava quieto, ouvindo tudo com muita atenção e concentração. Meu Deus, como será que ele irá reagir?
—“Ouça. Eu tenho algo em mim, que mesmo que destruam o meu cérebro, ainda estará em mim e me irá garantir de que eu sempre serei eu.”— Naruto tirou sua camisa e ficou com o peito nu, ajustou a câmera e se afastou um pouco. Girou no próprio eixo, mostrando suas cicatrizes e suas tatuagens – “Essas marcas contam a minha vida, esses desenhos revelam quem eu sou e o que faz parte de mim.” — ele ficou de frente – “Mesmo que aquela droga tenha te feito esquecer a sua vida inteira, sabia que eu ainda te amo.”
Fitei-o. Naruto franzira o cenho, num semblante muito parecido com o meu. Engoli em seco e tornei a fitar a televisão. O do vídeo exibia um olhar tão gentil e carinhoso, que eu praticamente me senti abraçado.
—“É, Naruto, eu te amo e te amo muito, por isso eu tenho certeza que você ainda está vivo, porque se eu não me amasse, se eu não te amasse, eu teria desistido, eu teria ficado morto, mas eu estou aí, vivo, não sei quanto tempo no futuro. O meu amor por você se estendeu por todas as partes de mim, isso inclui um certo moreno chorando”.
Pisquei várias vezes e entendi que eu realmente estava chorando sem sentir. Respirei fundo e enxuguei minhas lágrimas, sorrindo de leve para o Naruto do meu lado. Por Deus, como ele sabia? Sacudi meu rosto. É claro que ele sabia. Naruto me conhece muito bem.
—“Você, aliás, eu sou incondicionalmente apaixonado por um gato negro. Sasuke, se estiver aí, ouça que eu sempre te amei e sempre vou te amar por mais que eu não me lembre de você.”— sorriu gentilmente voltando a se sentar – “Se eu não tive a oportunidade de dizer, então está dito, eu te amo, tem amo muito, talvez mais que a mim mesmo”. — engoli em seco, tornando a chorar – “E é isso que vai salvar a sua pele, mais uma vez.”— deu aquele riso convencido de novo que eu acabei rindo também – “Naruto. Aproxime seu rosto da tela.”
Ele fez isso e então eu vi os olhos do Naruto do vídeo ficarem azuis, intensos, e eu solucei, engolindo o meu choro. Quanto tempo faz que vi esses olhos somado aquele sorriso despretensioso e sagaz? Um sorriso que diz “dane-se, eu sou feliz”.
—“Kyuu-chan vive para sempre.”— disse e seu sorriso cresceu. O Naruto ao meu lado ficou paralisado, estático, encarando a tela como se estivesse preso em um transe. Foi se afastando, endireitando sua postura, sem piscar – “Acho que isso vai servir. Se realmente o que eu fiz tiver dado certo, você vai saber qual a primeira coisa que Kyuu-chan faria. Nos vemos daqui a pouco, eu do futuro.”
Kyuu-chan? O meu Kyuu-chan? O vídeo se encerrou. Naruto foi se colocando de pé, observando as próprias mãos. Será que deu certo, quero dizer, realmente teve algum efeito? Aliás, o que aconteceu aqui? O que foi que Naruto fez? Sua cauda começou a se mover devagar, quase em sinal de alerta, e suas orelhas se elevaram bem acima de sua cabeça, como se ouvissem estranhos ruídos no mundo.
Fui me levantando devagar, meio temeroso. Eu não sabia o que aquelas palavras teriam feito com o Naruto desmemoriado. Temia seu surto louco. Ninguém poderia controlá-lo. Engoli em seco e fiquei totalmente de pé.
—Naru... – chamei, mas fui interrompido pelo virar brusco dele. Nos fitamos. Seu olhar baixo e desdenhoso me fez estremecer – Naruto?
Sorriu de lado e veio até mim. Fiquei parado, sem nenhuma reação, sem saber o que fazer diante daquele ser que me sorria com desdém e império. De repente eu vi um pé e depois senti um chute poderoso contra a minha cara, me fez rolar pelo chão e me chocar contra a parede. Nos fitamos. Ele ainda sorria, aliás, gargalhava.
—Mas o que...
Pisquei e eu vi. Era ele. ELE!!! Meu Nauto, meu Kyuu-chan, o amor da minha vida. Ele cruzou os braços, suspirou e deu de ombros.
—Estou de volta, Scarface.
Eu tremi completamente e me ergui num salto, trazendo-o para meus braços. Apertei-o num abraço de saudade e acabamos caindo de novo no chão, dado o estardalhaço. Fitei-o e vi que havia lágrimas em seus olhos.
—Meu amor... Bem-vindo de volta, meu amor... – choraminguei.
Naruto mordeu o lábio, impedindo um soluço alto e me abraçou com mais força, se entregando ao choro de vez. Sua cauda de enroscou em minha cintura e eu afaguei seu corpo, sentindo-o de novo. Tão meu, unicamente meu, somente meu, finalmente meu.
—Me beija, Sasuke, por favor... – ele sussurrou – Me faz acreditar que não estou sonhando ainda, que estou realmente com você... – ele tocou o meu rosto e eu o pus em meu colo – Me faz entender que sou teu e que você é real.
Franzi o cenho e tomei-o em meu colo. Fui até a porta e a tranquei. Levei Naruto para a mesa de seu escritório e o sentei ali. Ele arfou, olhando-me intensamente com as pupilas dilatadas e retirou seus sapatos enquanto eu retirava a minha camisa. Que se dane! Eu estou há cento e dois anos sem o meu Naruto!
Começamos com um beijo desesperado enquanto eu desfivelava o meu cinto e ele abria suas calças. Ele me puxou para um abraço e comecei a rebolar lentamente sobre sua virilha, sentindo nossas ereções se friccionarem. Naruto beijava o meu pescoço com devoção e eu ouvia seu choramingo em meu ouvido. Arfei gravemente e senti meu corpo se arrepiar completamente estimulado por ele.
Fitei-o e lhe dei um beijo demorado enquanto eu fazia minha pélvis ir e vir contra a sua. Ele gemeu longamente, fechando os olhos e ficando com a pele corada. Droga! Eu não aguento esperar mais! Dei-lhe outro beijo e subi sua camisa, beijando e lambendo a sua barriga, parei ante a cicatriz da cirurgia da gravidez e beijei aquela região com ainda mais carinho. Naruto se contorcia embaixo de mim, arfando de forma acelerada.
Puxei sua calça e sua cueca, jogando as peças eu nem sei onde. Seu pau estava todo melado e ereto. Naruto me olhou e segurou minha cabeça, me impedindo de chupá-lo. Encarei-o.
—Não... – chorou e me empurrou, deslizando para baixo e se virando. Sua cauda enroscou a minha cintura e me puxou para si – Assim... Por favor... Assim primeiro... Eu te imp... – tapei sua boca com uma mão e suas lágrimas molharam meus dedos.
Olhei para sua entrada piscando, rosada, me chamando. Baixei um pouco as minhas calças e rocei minha glande nela. Naruto soltou um gemido e se arrepiou ainda mais, contorcendo as pernas, mas não deixou de me olhar, cravando suas unhas na mesa. Pensei em prepará-lo, mas seu olhar desesperado me gritava que eu não deveria fazer isso. Segurei sua cintura, vi Naruto enfiar mais as unhas na madeira de tanta expectativa, e eu fui entrando, vencendo sua resistência, sentindo-o me estrangular.
Naruto soltou um grito abafado e chorou mais, tremendo violentamente as pernas, mas sua cauda simplesmente apertou-se mais ao meu redor, impedindo-me de voltar atrás. Quando finalmente eu estava dentro, dei uma mordida demorada em sua orelha e acabei sorrindo para os arranhões fundos que a mesa estava ganhando.
Tirei a mão de sua boca e abracei-lhe o torso, enquanto eu lambia e beijava gentilmente suas orelhas caídas, me deliciando com seus gemidos agudos. Estoquei uma vez e eu o vi estremecer completamente, curvando a cabeça. Toquei seu pênis e ele abafou outro grito em seus próprios braços. Deuses, ele está tão sensível. Estoquei de novo, devagar, assistindo-o gemer a cada movimento meu.
Abri bem suas nádegas e cuspi em meu pau, para começar a investir. Não demorou muito para que nós dois gozássemos. Acho que a saudade e o desejo nos fizeram ser mais “apressados” nesse quesito. Saí lentamente de Naruto e vi sua entrada expelir o meu sêmen. Naruto escorregou pela mesa até ficar no chão.
—Sasuke. – me chamou e eu me abaixei perto dele – Faz de novo... Faz amor comigo... – ouvi-o chorar baixinho – Estou tão fraco... Mas te quero tanto.
—Tudo bem, Naruto... – peguei-o no meu colo e o deitei sobre a mesa, de barriga para cima, na altura perfeita para o segundo round. Acariciei seu rosto e me curvei para dar-lhe um beijo nos lábios inchados de tanto ele morder. – Eu achei que ia morrer, Naruto... Eu pensei que iria morrer sem você, meu amor... – beijei-o mais e ele me abraçou, acariciando os meus cabelos – Se não fosse por nossas filhas e pela esperança de te ter de novo, eu sei que teria morrido.
Ele não disse nada, apenas continuou me beijando. Arfamos e nos fitamos. Ele juntou o seu membro com o meu e começou a nos masturbar. Revirei meus olhos e rosnei arranhando de leve suas coxas. Comecei a mover meus quadris, indo e vindo, abracei suas pernas, unindo-as sobre um de meus ombros e investi com mais gosto, devagar, lambendo suas panturrilhas e me deleitando com o som melodioso de seus gemidos. Naruto me encarou e suspirou longamente, sorrindo, sua mão escorregou por sua barriga, numa carícia sensual e tocou as cabeças de nossos pênis, massageando-as.
Eu sorri e acelerei as investidas, aumentando o som de sua bunda se chocando com os meus quadris. Soltei suas pernas e afastei-as bem, me dando uma visão e tanto de seu cu completamente melado pelo meu sêmen. Fitei-o e Naruto assentiu, já entendendo as minhas intenções. Apenas sorri e meti de uma vez.
—Sasuke... – ele gemeu longamente e me arrepiei de novo – Eu vivi um pesadelo... – me confessou quando comecei a empurrar com força, do jeito que eu me recordava que ele gosta – Eu vivi uma vida sem você... Sem as meninas... – choramingou, curvando-se para aferrar-se ao meu pescoço. Caminhei com ele meu colo e me sentei na poltrona. Naruto galopou com força, remexendo-se completamente e eu o encarei – Sem você... Uma vida sem você é pior do que a morte... Eu achei que nunca conseguiria acordar...
Puxei-o para mais perto de mim, abraçando-o com mais carinho e encostando sua testa na minha. Seus lábios estavam pertos o suficiente para eu beijá-lo. Eu sei, meu amor, eu sei como é uma vida inteira sem você. Ele abriu a boca num gemido mudo e apertou os olhos quando eu acertei seu ponto sensível. Naruto se arrepiou completamente e se abraçou mais a mim.
—Eu estou aqui agora... Só para você... – ele abriu seus olhos lentamente, deixando suas lágrimas pingarem sobre as minhas bochechas. Sorri, completamente extasiado, com o azul lindamente brilhante dos seus olhos enormes. Eu me refletia neles. Lindos. Como senti falta deles – E você está para mim aqui também... Só para mim...
—Sasuke... – gemeu e me apertou com mais força.
Rosnei e acabei arranhando suas nádegas.
—Naruto... – sussurrei beijando seu rosto.
Massageei suas costas e beijei seu pescoço, marcando-o ali. Ouvi Naruto grunhir e mover seus quadris com mais pressa. Empurrei-me para frente e acabamos caindo deitados no chão, quase embaixo da mesa do seu escritório. Agarramo-nos com mais vigor e eu investi, motivado completamente pela saudade que eu tenho dele.
Por incrível que pareça, Naruto e eu fizemos amor, lentamente, até quando adormecemos e acordamos nus, abraçados, nos olhando com muito carinho. Ele sorria e acariciava os meus cabelos enquanto sua cauda afagava gentilmente a minha. Eu alarguei meu sorriso e lhe beijei, roçando a ponta do meu nariz na sua. Devagar fomos nos levantando e nos vestimos, rindo um pouco de toda a situação, de todo o momento que fizemos no chão.
Nos beijamos e eu o ajudei a caminhar. Creio eu que não preciso contar mais nada sobre nós dois, acho que dá para entender que fomos felizes para sempre ou pelo menos até o dia que os deuses decidiram dar um fim às nossas vidas, quando já éramos velhinhos. Amor de antigamente é assim: demora, a gente espera, a gente vive de tudo, conhece bem as pessoas e depois nos envolvemos. Amor de antigamente é para sempre.
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