Amor à moda antiga
33 Capítulo 30
Notas iniciais
A vida continua e eu tinha formalidades para cumprir segundo Naruto me dissera. Fora uma semana de luto fingido, consegui fingir bem que eu estava realmente triste enquanto as pessoas demonstravam seus pesares pela morte de Suigetsu. De certa forma eu me senti triste pela perda de alguém, mas não era exatamente por causa do meu suposto finado marido, eu estava de luto porque eu sentia que por mais que Naruto estivesse comigo, eu o havia perdido e não conseguia traduzir os motivos.
Mesmo depois daquele momento durante a madrugada, Naruto agira estranho, como se nada tivesse acorrido entre nós. Mais estranho que o aceitável. Era sempre senhor Uchiha.
Durante o tempo em que fiquei na casa dele, hospedado, eu observei sua rotina, reavie seus trejeitos e entendi que ele é ainda o mesmo. Aliás, todas as pessoas que um dia eu conhecera, vivos ou mortos, ainda eram os mesmos, só o mundo mudara. Só eu mudara.
Eu me sentia o peixe retornando ao mar.
Eu descobri tantas outras coisas que foram embaralhadas em minha cabeça por causa da droga, que com a convivência eu percebia a distinção de realidade e sonho.
Talvez eu possa listar algumas coisas para facilitar.
Naruto era dançarino, mas não era profissional. Ele só dançava por esporte, para manter o corpo definido e flexível, ou quando eu o mandava torturar algum maluco tarado por homens de músculos bonitos. Ele treinava em casa, supostamente em seu quarto, me contara Naruko, e em algum estúdio de dança bem desconhecido.
Eu não sou órfão de pai e de mãe, não sei se por sorte ou se por azar, Itachi é casado com Hinata e tem dois filhos pré-adolescentes. Ele cuida dos negócios da família, como já devo ter mencionado, a Construtora Uchiha, em parceria com meu pai Fugaku, enquanto eu cuido da OGN. Eu não moro com Itachi, nem com Naruto, eu morava com Suigetsu até sua morte.
Quanto ao CTS, era uma referência ao local onde Naruto e eu fomos confinados durante uma missão de investigação e infiltração num lugar perdido na África Subsaariana. Fomos pegos por um grupo de terroristas e torturados por três anos, tempo correspondente ao que eu ficara no CTS. Se o inferno tinha uma sala de recepção, era aquele lugar onde estivéramos. Nessa época, Itachi assumira os Gatos da Noite na minha ausência e a Construtora passou por uma crise financeira que perdura até hoje. Como eu sei de tudo isso? Consegui ter acesso a todas as filmagens que fizeram de nós dois e eu assisti durante a semana “de luto”.
Para efeito de decepção, nem sei dizer se realmente é uma decepção, existem disparidades assustadoras entre mim e Naruto. Vou tentar explanar essas disparidades. Imaginem-nos um do lado do outro, em pé.
Naruto é mais alto que eu quase dez centímetros, o que é muito, mais pesado cinquenta quilos, influenciando o fato de ele ter mais massa corpórea do que eu, o típico soldado perfeito Assaut e um bom Support. Conseguiram visualizar? Agora adicionem uma quantidade assustadora de cicatrizes no corpo dele, algumas que eu nem vi ainda, uma cara idiota sorridente e temos o atual Naruto. Tirem um pouco de cor da minha pele, me deixem com o semblante de raiva e me tem, um verdadeiro Recon.
A vida seguiu e meus planos de reconquistar o que fora perdido foram cada um tomando o seu devido tempo.
Duas semanas depois do enterro de Suigetsu, eu estava em minha casa, dera folga a Yamato, com uma pizza enorme fumegando que eu acabara de pedir e alguns filmes na mesa de centro, pronto para me oficializar solteiro. Eu estava estirado sobre o tapete absurdamente macio da sala de vídeo e a cabeça recostada no sofá. Em meu peito, uma expectativa.
Era o dia de folga de Naruto e ele me prometera passar a noite comigo, dormir em minha casa em nome dos velhos tempos e ver filmes comigo. Marcamos um horário, mas ele estava atrasado em uma hora e tantos minutos. Eu estava desistindo de sua presença.
—No nosso primeiro encontro depois que eu acordei... – sussurrei – Esse filho da puta atrasa desse tanto e nem liga para justificar. – coloquei um filme qualquer, abri uma garrafa de cerveja, peguei um pedaço de pizza, coloquei num prato e comecei a assistir ao filme. – Vá se ferrar! – resmunguei tomando um gole.
—Quem?
Tive um sobressalto com a repentina entrada de Naruto na sala. Quase me engasguei com o líquido se eu não tivesse cuspido tudo por cima da pizza, provocando risos frouxos nele. Ele entrou sem fazer um mínimo de barulho? E eu pensando que eu era silencioso.
Naruto estava munido de uma mochila com seus pertences, deduzi, e duas sacolas cheias com a marca algum supermercado estampado nelas.
—Desculpe-me pelo atraso, Scarface. – ele jogou a mochila em qualquer canto, colocou as sacolas na mesa de centro e praticamente mergulhou no sofá. Sério. Ele pulou em posição de mergulho no sofá, se achando o Cielo. – Me seguraram lá em casa. Ter irmãos morando comigo é um saco. Que filme é?
—Whiplash. – falei vendo-o ajeitar-se no sofá – Naruto.
—Diz.
—Você tem celular, certo? – ele assentiu — Para que serve?
—Pra muitas coisas, se quer saber. – ele esticou-se para pegar um pedaço de pizza e eu encurtei meu olhar, sentindo uma veia em minha testa saltar de raiva.
—Eu sei que serve – fui alterando minha voz – Para ligar para as pessoas para avisar quando se atrasado, porra! – bati o controle da televisão em sua cara e ele me fitou sem entender, com os olhos teatralmente chorosos – Oh, animal, por que você não ligou?
—Você está de sacanagem comigo, não é? – ele sentou-se e engoliu de vez o pedaço. Demorou-se mastigando e me roubou a minha cerveja. Depois de um gole, ele me fitou – Você odeia quando eu te ligo! Sempre diz que se eu tenho algo para te dizer, que eu diga face in face!
Bufei irritado e peguei outra garrafa. Esse negócio de eu não me lembrar das coisas já está me tirando do sério. Fitei as sacolas que ele trouxera. Empurrei meu corpo para frente e fui ver o conteúdo dele. Peguei as sacolas e me sentei no sofá. Quais porcarias ele comprou? Chocolates, macarrão instantâneo, bebidas e camisinhas. Pera, camisinhas? Olhei discretamente para Naruto. Será que ele tinha alguma intenção de me seduzir ou estava em seus planos transarmos?
Eu tinha que saber. Só se sabe perguntando. E lá fui eu.
—Naruto.
—Diz. – ele falou mordendo outro pedaço soberbo de pizza.
—Para que isso?
Mostrei a camisinha a ele e Naruto arqueou uma sobrancelha, parando de mastigar.
—Vai me dizer que não sabe para que servem as camisinhas. – ele falou de boca cheia.
—Eu sei, idiota!
—Então? – ele arregalou teatralmente os olhos.
—Para que comprou isso? – perguntei fitando-o de cima a baixo.
Naruto terminou de mastigar, engoliu e sorriu de lado, colocando o pedaço que comia de volta para a caixa, bateu as mãos para limpá-las dos farelos e sentou-se mais perto de mim. Passou um braço por cima dos meus ombros e sua outra mão deslizou pela minha coxa até chegar a minha virilha. Estremeci com o toque sutil, mas nada fiz.
Ele trouxe seu rosto para perto dos meus ouvidos e riu baixinho do arrepio que eu tivera por causa de sua respiração quente aquecendo a pele da minha nuca.
Sua mão saiu do meio das minhas pernas e subiu pelo meu abdômen, como se os dois dedos fossem um bonequinho caminhando. Ele tocou o meu queixo com gentileza e me fez fitá-lo. Lindos olhos azuis que cintilavam para mim, dois pedaços de céu.
—Isso é para caso... – ele se afastou, empurrando-se para o chão, onde eu estava antes, colocou as pernas cruzadas no pouco espaço que restara a mesa de centro – A gente fique bêbado de não saber o caminho de casa. Você sempre quer transar quando está bêbado, apesar de que algumas vezes dorme antes do ato. Minha mãe dizia que o seguro morreu de velho.
Minhas mãos estremeceram quando eu pensei em nós dois enlouquecendo entre quatro paredes enquanto eu faço o que sei fazer de melhor com Naruto. Ver as linhas de seu tórax, escondidas pela camisa laranja – por que laranja? – de mangas longas, que me sugeriam um peitoral perfeito e um abdômen inexplicavelmente delineado, fez minha boca babar.
Droga, estou babando por cima e por baixo, se é que me entendem. Respirei fundo, relembrando o plano que eu montara para tornar real a minha ilusão e cruzei as pernas, tentando disfarçar o volume que começava a aparecer entre elas. Sou nem obrigado.
Tentei focar no filme, mas o calor no meu baixo ventre não permitia. Começava a subir. Desisti de vez de ver aquilo e fui para o meu quarto.
Abri a porta e segui pelo corredor.
—Hei! – ouvi Naruto me chamar e seus passos apressados me seguindo – Que foi, Scarface? Scarface?! Sasuke!!! – aquele tom de voz longe me pareceu ser exatamente o que ele usava para gritar meu nome quando eu acertava seu ponto sensível.
Não me chame assim, seu retardado delicioso, correndo pelos corredores. Vai acabar me fazendo estragar tudo! Minha mente estava nublando, eu estava sentindo meu corpo aquecer, mas por sorte não era um cio. Era apenas a falta de sexo com a minha fêmea. Parei de correr e me virei lentamente. Na outra ponta do corredor estava Naruto, de moletom laranja e bermuda jeans, me fitando de um jeito confuso.
Por que é mesmo que eu estou fugindo dele? Ah sim! Eu não quero que tudo vá para o saco.
Um momento de lucidez me fez voltar a correr. Não quero que a relação escravo e senhor de engenho continue. Eu quero que ele entenda os meus sentimentos e para alguém como eu não basta apenas eu falar, tenho que mostrar que o que eu sinto por ele é real, verdadeiro, intenso e sincero. Não posso simplesmente sair transando com ele só porque estou com vontade, apesar de eu ter esse poder.
Enfim cheguei ao meu quarto e tranquei a porta. Arfei e fitei meu baixo ventre. Meu pênis não estava mais ressaltado porque eu usava uma calça de tecido grosso que não permitia que isso acontecesse. Droga, eu devo estar muito na merda e na seca.
—Sério... Eu mereço um desconto... Faz duas semanas que eu passei por uma experiência de quase sexo com Naruto. – suspirei – Ou seja, eu não transei com ele ainda, porra!
Baixei apressadamente minhas calças e a minha cueca o suficiente para ter a liberdade precisa para a masturbação, sentei-me de frente a cama e apoiei meu tronco no colchão. Eu não conseguia esperar nem mais um segundo. Meu pau latejava e clamava por atenção.
Que merda é essa que aconteceu comigo? Pareço uma cachorra no cio! Busquei meu celular no bolso e coloquei uma foto de Naruto. Eu não posso transar com ele agora, mas isso não quer dizer que eu não posso fazer “algo” pensando nele.
—Scarface? – sua voz atrás da porta foi um estímulo poderoso para eu começar a massagear desesperadamente meu pênis – Você está bem, Sasuke?
—Eu estou bem! Me deixe em paz! – falei me contendo o máximo que eu podia, sentindo as vibrações de a masturbação percorrer todo o meu corpo e me fazer sentir mais calor.
—Foi alguma que eu disse? – ele parecia preocupado. Pensar na sua cara de preocupação me fez mover minha mão devagar, imaginando-o me fazendo um boquete – Olha, eu sei não o que foi, mas me desculpe... Você sabe como eu sou idiota!
—Então pare de ser idiota e me deixe um minuto sozinho! – merda, minha voz saiu rouca! E vou precisar mais do que um minuto para me acalmar.
Silêncio.
—Sasuke? – ele me chamou.
—Você ainda está aí! – comecei a acelerar a masturbação. Seu cheiro estava me deixando com mais vontade de fodê-lo. Se ele não for embora agora, eu não respondo mais por mim. – Vá para a sala, eu vou daqui a pouco, merda!
Mais alguns segundos de silêncio.
—Chego já aí!
Oh droga, ele descobriu.
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