Notas iniciais
MUAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!!! Muita gente disse que eu estava fumando - na verdade foram poucas, eu pensei que haveria bastantes comentários no capítulo passado ¬_¬, masenfim - só que eu não fumo! Minha mente é louca naturalmente! Apois, Sasuke supostamente acordou de uma série de pesadelos. Alguém sagazmente comentou que isso se parecia com o que eu fiz em Outra História e se, essa pessoa merece uma salva de palmas, mas ninguém adivinhou ainda o que houve o nosso Neko feroz! Alguns psicólogos dizem que é nos sonhos que todas as nossas censuras são retiradas e o que acreditamos ser verdade vem a tona. Vimos Sasuke sonhar com coisas bem peculiares, não? Um Naruto bem trash e sem coração, Sasuke sendo dominado durante o "suposto" cio do Naruto, entre tantas outras coisas. O que será que pode significar tudo isso? Está bem implícito e só olhos apurados poderão ver. Agora que dei essa brevíssima explicação, vamos que vamos! P.S - Estou postando adiantado pq hj não tive aula.

Eu fora levado para uma sala, eu conhecia aquelas salas, já fora varias vezes para lá para interrogar pessoas que meu pai queria sugar todas as informações e depois matá-las. Mas não era isso que me preocupava e me fazia roer as unhas. Por que eu estava roendo as unhas? Eu tirei a mão da boca e caminhei de um lado a outro, pensando sobre o que me acontecera por aquela manhã: aparentemente eu não era casado com Naruto, alguém assassinara Suigetsu e o loiro ainda atuava como policial. Que merda é essa?

–Será o efeito dos remédios que eu tomei? É isso. – arfei – Estou tendo alucinações poderosas, com certeza. Deve ser os remédios e a febre. – penteei meu cabelo – Deve ser a febre do cio...

Tinha que ser, merda!

De repente...

–Senhor. O capitão já está vindo para lhe falar. – o homem fechou a porta e me deixou atônito, sem entender o que acontecera. Eu estava vendo fantasmas! Aquele que acabara de me dar o aviso era Neji, sobrinho mais velho de Hiashi Hyuuga e eu tinha certeza que o matara há vinte anos durante uma troca de tiros entre as famílias.

Recordo como e os motivos para ele morrer. Um tiro na cabeça enquanto era sufocado. Fora acusado de trair a família, principalmente o pai, por permitir que Hinata fosse presa inocentemente. Paixões platônicas matam. Mas ele estava vivo e acabara de falar comigo.

Eu caminhei de um lado para o outro de braços cruzados, esperando alguém vir e me trazer Naruto dizendo que eu ficara maluco de vez, por estar vendo mortos. Dizer-me que era culpa dos remédios que eu estava tendo alucinações. Ou então me dizer que eu estava sonhando ainda, que tudo ainda era parte daquele pesadelo infernal. Qualquer uma das opções era válida. Qualquer coisa que diminuísse a minha dor de cabeça.

Havia algo de muito errado e eu consegui sentir pelas batidas do meu coração. Meus instintos me diziam que eu tinha que ficar em alerta constante, pois eu iria precisar estar pronto para qualquer coisa. A realidade parecia ter mudado, por mais louco que isso possa soar.

Parei de caminhar ao ouvir o som da porta se abrindo novamente. Aquele sentimento de expectativa acelerou meu coração e fez meu sangue ferver. A pessoa demorara-se, mas eu ainda podia ver seus dedos segurando a porta e ouvir risadas externas. Qual morto eu veria agora? Era um alívio ver finalmente o rosto dele. O rosto de um vivo. O primeiro rosto que vira desde que aquele caos começara.

Pela porta passou Naruto, despido de suas grandes armas e de sua grande imponência que eu percebera ao acordar, mas não do seu colete. Ele me indicou a cadeira diante da mesa, perto do meu corpo, e eu me sentei ao mesmo tempo em que ele se sentou em uma em frente.

–Desculpe-me Sasuke por toda aquela zona na sua casa e meus pêsames pela perda do Suigetsu e ainda mais numa situação como aquela. – ele suspirou arqueando as sobrancelhas, uma orelha se ergueu e a outra se abaixou, e foi descolando sem pressa o seu colete. – Eu sei que vocês não se davam, mas estavam tentando reatar e... – ele soltou o pesado objeto no chão e o barulho ecoou pela sala.

Naruto fez uma cara boba de espanto, com a boca esticada demais para baixo. Eu quase ri se não fossem meus instintos me dizendo para ficar sério. Ele suspirou e puxou sua arma do coldre colocando-a sobre a mesa, uma Desert Eagle Israelense com o cartucho de 35 tiros. Era a arma favorita de Naruto, o meu Naruto, e parecia ser dele também.

Kyuu-chan tinha uma igual. No cabo havia até um desenho típico das armas dele. Naquela havia um sutil desenho de uma kitsune de cinco caudas. Um desenho preto sobre um fundo preto. Era a arma de Kyuu-chan. Quantas pistolas tinham aquele tipo de marca identificadora tão sutil, quase invisível aos olhos desatentos?

Só uma e não deveria estar nas mãos daquele homem que se parecia com Naruto. O alívio passou e eu senti um aperto angustiado no meu peito. Não era Kyuu-chan, mas havia algo dentro de mim que estava em dúvida quanto à veracidade daquela minha constatação.

Aquele homem dobrou as mangas da camisa apertada pulôver que usava até o meio do braço, quase perto das munhecas, o que me deixou ver duas tatuagens que havia em seus antebraços e uma estranha deformidade na pele, um atípico engelhado. Kyuu-chan não tinha tatuagens, eu já o vira sem camisa e sabia bem disso. Eu era quem mais sabia disso. Mas aquele cara tinha.

A ponta da cauda de alguma coisa peluda, talvez um cachorro, um lobo, ou uma raposa, no antebraço esquerdo e no direito, uma espécie de arbusto com vários galhos como veias, de poucas folhas, mas algumas flores brancas espalhadas de modo sutil. Pareciam obras de arte japonesa. Ambas. Ele coçou o nariz com a mão esquerda e nas costas dela, eu vi um kanji japonês correspondente a duas letras as quais eu não soube definir. Quem é esse cara?

–Morrer durante o sexo não deve ser uma forma muito boa de morrer. Ou é... Quero dizer, ele estava... – ele comentou com algum cuidado, mas uma estranha intimidade. – Bom! Mas não se preocupe que o cara foi pego... Como era o nome dele...? – ele se demorou pensando. – Juugo! Isso, Juugo. – deu de ombros – Eu mesmo o matei, se quer saber.

–Quem é você? – perguntei pisando em ovos.

O homem buscou algo em sua calça e dali tirou uma carteira. A mesma carteira que deveria estar comigo. Eu reconheceria aquele troço até no escuro. Dali ele retirou um documento e me entregou. A identidade. Dele. E ela dizia que ele era Naruto Uzumaki.

–Conhece esse cara aí? – havia um tom infantil em sua voz grave demais para ser da mesma pessoa. Neguei lentamente. As idades não batiam. Aquele cara era, no mínimo, 30 anos mais velho que o meu Naruto. – Não conhece? Valha...! – sua voz não me pareceu triste.

Os rostos. Não eram os mesmos. Meu Naruto tinha um rosto paternal e muito gentil, aquele estranho tinha mesma expressão que eu via em mim sempre que me olhava no espelho: severo, profundamente perigoso, mas, diferente de mim, sagaz e alegre.

Ele virou o rosto para a parede espelhada e depois me fitou com aquela mesma cara de espanto com os lábios repuxados demais para baixo.

–Rapaz, eu estou acabado... – ele falou coçando os cabelos espessos – Nem pareço mais com a minha identidade. – deu de ombros – Tirei quando completei cem. Estou velho... Idoso. – mais tom de brincadeira, e eu teria rido se não estivesse apreensivo.

–Posso olhar algo em sua carteira?

Ele assentiu e eu comecei a investigar.

Havia pouco dinheiro, alguns cartões em seu nome, sua identidade policial, alguns papéis feitos numa caligrafia horrível e fotos. Apressei-me em vê-las. Aquelas mesmas fotos que havia na carteira de Kyuu-chan estavam ali, exceto pela mudança de três. A com o professor era a mesma, inclusive a mensagem atrás. A dele com a mãe também.

Não havia a foto do casamento dele com Hinata, havia a de um casamento, porém era de Menma, que parecia absurdamente mais velho, de mãos dadas com uma mulher japonesa ao lado de Naruto, que parecia bater palmas emocionadamente, atrás dizia “Menma e Karin, que seja eterno enquanto dure”. No lugar da foto dele com Boruto, havia uma dele com duas crianças ruivas bem comportadas, uma menina de óculos e um menino de cabelos bem lisos, Naruto ria feito um idiota.

A minha foto. Não era eu no CTS, era uma 3x4 minha. Eu não estava entendendo. Fitei-o. Ele me esperava pacientemente.

–Achou o que procurava? – neguei lentamente. Ele suspirou como se estivesse inconformado por mim. – Trágico... Poderia guardar tudo de volta, por favor? – educado demais. Estreitei meus olhos e o fiz. Devolvi o objeto a ele. O homem a guardou e cruzou as mãos sobre a mesa.

Seu olhar me dizia que ele esperava ainda por algo. Talvez esperasse que eu lhe fizesse alguns questionamentos. Era um policial, era óbvio que queria informações. Eu estava sendo investigado por ele. Então era isso. Ele é bom, eu não conseguiria perceber suas verdadeiras intensões se não fosse um gato treinado para a guerra. Qualquer tipo de guerra.

–O que está acontecendo? – indaguei com calma.

Ele piscou algumas vezes e respirou pesadamente. Parecia pensar no que eu lhe questionara, pensar seriamente. Vou fazê-lo cair no meu jogo e arrancar todas as informações que eu preciso para entender o que estava acontecendo. Talvez tudo isso não fizesse parte de um plano de alguma máfia inimiga. Eu precisava saber.

–Como assim? – ele apoiou o braço na mesa e o rosto na mão.

–Eu não sou casado com o Suigetsu, eu sou casado supostamente com você... Se você for realmente Naruto. – expliquei. Sua expressão de confusão era bem convincente, mas precisaria de mais se quisesse me enganar. – E não foi Juugo que o matou, como disse antes. Na verdade, eu não conheço ninguém com esse nome. – vou desarmá-lo e obrigá-lo a me dizer a verdade – Foi você, com um facão. – Naruto ficou me ouvindo com atenção – Você estava de luto pela perda do seu filho... Ele foi vítima de um atentado contra todos os Uzumakis.

Vi-o estremecer de leve. Te peguei, filho da puta. Seus olhos se abriram um pouco e eu entendi que ele tentaria contornar a situação, mas não havia como. Ninguém engana Sasuke Uchiha em uma investigação. Eu não sou idiota.

Aquele homem mordeu o lábio enquanto ria, como que para se controlar, me fitou e esfregou os cabelos, desconcertado.

–Nunca fomos casados. Não tenho filhos e nem você tem, só para constar. Os Uzumakis foram assassinados, mas faz tanto tempo que virou história. – ele falou pausadamente. – E não matei Suigetsu. Matei Juugo, não o seu marido. – Naruto puxou uma pasta de dentro do seu colete e colocou-a em cima da mesa.

Pisquei com força e fitei-o com mais atenção. Ele não estava nervoso, nem se quer deixava uma gota mínima de suor escorrer. A respiração estava calma. Apertei bem meu olhar para vê-lo melhor e notei que ele estava tranquilo demais. Não era mentira, eu não precisava de detector para saber que era verdade. Com tantos anos trabalhando com tortura, eu sei reconhecer bem um mentiroso, ainda que ele seja muito bom, como eu.

–Então você não é Naruto Uzumaki... – resmunguei. Ele repetiu o mesmo processo de conter o riso, mas sem morder a boca – O que é tão engraçado?

–Me desculpe... – ele comentou – É que dessa vez você foi longe. Eu e você, casados?! Você me odeia. – abriu lentamente a pasta e foi passando as páginas, me olhando – Eu ter filhos? Sua imaginação se superou dessa vez.

Dessa vez? Minha cabeça doeu fortemente. Esfreguei meus olhos e fitei-o de novo. Aquele homem era uma raposa, a mesma raposa eu tive certeza, mas definitivamente não era o meu Naruto. Num gesto de desviar meus olhos dele, eu me acabei por me olhar na parede espelhada ao nosso lado, típico de sala de interrogatório. Meu cabelo estava mais longo, cobrindo parcialmente meu olho esquerdo, eu parecia um pouco mais magro, porém não menos forte. Meus olhos negros condiziam com a minha expressão fria.

Fitei-o de novo. Mantive minha calma e ele a dele. Naruto me empurrou a pasta e eu que ali era o relatório sobre o assassinato de Suigetsu.

–Vamos com calma com o andor que o santo é de barro! – Naruto riu brevemente e abriu o sorriso mais lindo que eu já vira, aquele mesmo sorriso bobo pelo qual eu me apaixonara.

Ali estava. O meu Naruto. Ali! Eu o estava vendo enquanto aquele homem sorria. Esfreguei lentamente o meu rosto e respirei fundo. Não poderia haver dois Narutos.

–Naruto... – sussurrei.

–Isso. Sou eu, o único e original. Naruto Uzumaki. Incopiável e inconfundível. – ele ainda sorria, aquele sorriso bobo, meio infantil, que conquistara Sarada e, principalmente, me confortara no meu tempo de CTS.

–Mas você não parece você. – falei baixo.

–Passa na cara que eu estou velho e que essa vida de policial está acabando comigo. – ele repuxou um lado da boca, numa cara cômica de indignação. Dessa vez eu ri – Obrigado por me lembrar do motivo de eu odiar espelhos. Você é ótimo, Sasuke! Que coisa!

Silenciamos e eu respirei fundo, tentando traduzir todas aquelas informações.

–Descobrimos algumas coisas sobre o assassinato de Suigetsu. – ele baixou o rosto e a voz – Coisas que você não vai gostar de saber, apesar de precisar.

Eu fitei o relatório. Suigetsu era meu secretário na empresa de fachada da minha família, a Construtora Uchiha, que estava sob os cuidados de Itachi. O assistente dele era Juugo. Ele parecia ser um cara normal que pagava suas contas e tinha uma vida tranquila. No entanto, as fontes de Naruto descobriram que Juugo trabalhava infiltrado na Construtora para conseguir informações sobre os negócios dos Gatos da Noite. Ele era membro de uma gangue conhecida apenas como Aldeia do Som. Recordei-me que meu pai andara investigando aquilo.

–Antes que eu pergunte o que isso tem haver comigo. – falei devolvendo a pasta a ele – Dá para me confirmar algumas coisas. – Naruto assentiu – Você faz parte da Matilha Vermelha?

–Você é uma raposa pura?

–E macho senhor. – ele falou um pouco risonho.

–Eu fui casado com Hanami Haruno?

–Sim senhor, mas ela morreu antes de lhe dar descendentes. Em virtude da doença degenerativa que ela tinha desde o nascimento.

–Você e eu nos conhecemos há muito tempo?

–Sim senhor.

–Eu te conheço bem?

–E como senhor! – ele sorriu de lado.

–Nós temos algum de relação fora do trabalho?

–De certa forma senhor.

–Por que você me chama de senhor?

–Você é meu patrão, senhor.

–Eu sou chefe...

–De um grupo de elite que faz parte dos Gatos da Noite. – ele me interrompeu – Somos responsáveis pelas missões suicidas, confidenciais, de caráter internacional, envolvendo máfias reais – Yakuza, Italiana, Siciliana, etc. –, grupos terroristas, missões delicadas com reféns, a SWAT da SWAT. Só os melhores dos melhores chegavam a esse nível. Como você sempre diz...

–Fazemos o trabalho sujo de limpar a merda dos outros. – ele assentiu sorrindo – Mas você disse “somos”. Quer dizer que você trabalha para mim?

–Sim senhor. – ele se recostou na cadeira – Eu e Yamato somos...

–Meus empregados de confiança. – falei com alguma autoridade. Ele assentiu com um pouco de vergonha, mexendo os dedos com pressa. Naruto suspirou e deu de ombros.

–Sempre achei que eu era seu melhor amigo. – sua voz me soara encorajadora. Minha cabeça doeu com força de novo. Esfreguei minhas têmporas. – Mas que se dane.

–Só que você é policial. – algumas pontas estavam começando a se amarrar – De distintivo e tudo. Se eu não engano um Sombra. É um policial corrupto?

Naruto riu estremecendo os ombros e colocando as mãos entre as pernas.

–Não sou corrupto. – ele piscou um olho para mim – Nem sou policial. – ele colocou o distintivo sobre a mesa e eu o peguei – É falso. Uma obra de arte de Kakashi, o copiador, pode falar. Fui treinado inicialmente para ser, mas coisas aconteceram e eu virei outro tipo de soldado.

Sonhos loucos com um momento esperado e de repente nada mais fazia sentido.

–Tudo o que nós vivemos... – murmurei vento meu reflexo naquele objeto que parecia tão real, mas era falso – Toda a minha vida... Tudo foi um sonho?

Eu temia em ouvir a resposta.

Notas finais
Quem pode responder? Ainda valendo um filler, o que houve com Sasuke?