Notas iniciais
Negada... Para me desculpar pela demora em postar da última vez, resolvi aproveitar meu tempinho extra hoje e vou postar mais um capítulo, all right? Pois bem, lá no fim, lancei uma perguntinha e eu gostaria que, se possível, os leitores respondessem. Sério, vai ser importante.

Agora que éramos oficialmente marido e mulher, eu pude finalmente impor minhas restrições a Naruto, coisa básica como: não ande sem guarda-costas, evite multidões, não vai mais trabalhar para Ino Yamanaka ou para o porco, também não faria shows “proibidos”, entre outras tantas. Eu pensei que ouviria a mais torrencial de todas as tempestades de reclamações, mas Naruto nada me disse, não de primeira.

–É isso o que você quer? – ele falou esfregando brevemente o anel negro em seu dedo – Quer que eu simplesmente para a minha vida por que você ordena?

–Exato. Por isso sou um Uchiha e sou seu marido. – falei calmamente, lendo os papeis que Yamato acabara de me entregar. Nomes de pessoas que eu tinha que matar para o meu pai. Parece que ele quer assumir tudo de vez agora.

–É sua palavra final?

–Sim. – e então como uma bomba explodindo repentinamente, o baque forte da porta me fez largar os papeis de vez sobre a mesa e fitar a entrada do meu escritório. Senti meu coração bater mais rápido – Naruto? – chamei, pensando bobamente que ele poderia ainda estar por ali perto – Naruto?! – falei mais alto.

Nada, nenhuma resposta. Olhei para os papeis de novo e o som da porta se abrindo me fez olhar apressadamente para ela. Minha mãe.

–O que foi aquilo? – ela indagou apontando com o polegar para fora – Eu acabei de ver um loiro passar sorrindo como Hannibal Lecter praticamente pedindo por uma cabeça.

Suspirei cansadamente. Eu sinto que acabo de entrar numa merda de poço que não conseguirei sair nem tão cedo. Esfreguei lentamente o meu rosto e fitei a minha mãe.

–Eu acho... Que acabei de ferrar meu casamento, mais uma vez.

–Como? – ela indagou se aproximando.

–Não importa. – me levantei da cadeira e entreguei os papeis que eu revisava para ela – Aqui está tudo o que me pediu, a lista da reunião e a lista das pessoas da vez. – ela assentiu e deu de ombros – Eu só espero que sobreviva até o dia de amanhã.

Em outra manhã, assim, enquanto eu preparava a sala de reuniões para o encontro oficial dos líderes mais importantes das máfias que se tenha notícia, inclusive alguns deles estão na lista de pessoas da vez, meus ouvidos aguçados e a minha intuição superior de gato me disseram que aquelas pessoas não estavam demorando a toa. A reunião deveria ter começado a mais de uma hora, mas eles estavam em algum lugar pela casa e eu sentia que tinha alguma coisa haver com Naruto e sua dança absurdamente provocativa.

Olhei para o estacionamento, através da janela, e percebi que todos os carros que trouxeram os meus “convidados” ainda estavam lá. Estreitei meu olhar e olhei em volta. Senti meu sibilo característico de raiva começar a borbulhar na minha garganta.

A coisa ia ficar preta, ao estilo Uchiha, com certeza.

–Yamato. – chamei em voz alta. O homem chegou com sua costumeira rapidez – Onde eles estão? – seus lábios tremeram ao tentar balbuciar a resposta – Não ouse acobertar nada, Yamato, eu já vi os carros ali fora. Onde eles estão?

Ele não disse nada, apenas fez um gesto com a cabeça para que eu o seguisse e assim eu o fiz, acompanhando seus passos precisos e ligeiros, observando sua postura preocupada e de certa forma ansiosa, pois Yamato era o responsável de guiar todos ao salão.

Aquela não era uma mera reunião de rotina, para saber como vão as coisas no território de cada família, era uma reunião para renúncias, acertos de contas, esclarecimentos financeiros, denúncias e confirmação de alianças e de tratados. Não era o tipo de reunião em que os “convidados” poderiam se atrasar ou simplesmente ser deixada de lado.

Segui pelos corredores chamando meus capangas e assim que eu cheguei ao meu destino, eu estava acompanhado por um notável contingente de homens-gatos Uchihas bem armados prontos para guerra, inclusive eu. Parei diante das portas que ficavam no fim do corredor, sem acreditar que aquelas pessoas estavam ali. De todos os cômodos da minha casa, eles tinham que ter diretamente para este? Eu senti meus pelos se arrepiarem.

Aquela sala era praticamente isolada do resto da casa, juntamente com o meu quarto e o meu escritório, justamente para que nenhum idiota fingido de perdido se mandasse para aqueles lados procurando pelo o que não devia. Poucas pessoas tinham permissão de entrar naquele lugar, por causa do que acontecia ali dentro.

Entrei lentamente, já engatilhando o meu Colt e mirando na primeira cara que eu visse. Eu vi uma careca e sua cabeça me pareceu um perfeito alvo. Meu dedo escorregou pelo gatilho.

Acabei desistindo provisoriamente depois do olhar suplicante que Yamato me mandava. Lá estavam eles, os líderes: os Hyuuga, os Harunos, os Senjus, os Inuzukas, os Akimichis, os Aburames, os Sabakus e alguns dos meus tios. Estavam apoiados num vidro-espelho, assistindo alguma coisa que aquela parede que eu mesmo projetara separava.

A sala era basicamente um quadrado grande cheio de espelhos, como numa academia, com o piso coberto com material apropriado e macio. Um desses espelhos dava acesso a uma câmara, separada pela tal parede, com um largo e confortável sofá. Era nessa câmara que todos estavam, inclusive eu, e aquela sala era o studio de dança de Naruto. Naquele lugar ele se exercitava. Agora adivinha o que eles estavam assistindo?

Depois que impus todas as minhas restrições, Naruto nunca mais dançou, não em minha presença, de modo que tive que criar essa câmara para ver seus ensaios. Eu prometi criar um local privado na casa para ele dançar do jeito que quisesse e assim o fiz. Todas as vezes que ele queria, Kyuu-chan treinava seus dotes sem saber que eu o vigiava.

Às vezes eu filmava seus ensaios, principalmente os mais sensuais e provocantes, para me “aliviar” sempre que eu ficava “ansioso”. Pois é, Naruto me deu um castigo de sexo de novo, por tempo indeterminado. Olhei para a célula digital que eu montara perto do sofá, vendo um pouco do espetáculo que estava praticamente hipnotizando aqueles líderes tão centrados e poderosos. Então me ocorreu algo, algo bem interessante.

–Yamato. – ele se colocou ao meu lado.

–Sim, jovem mestre.

–Grave esse ensaio e envie para o meu computador do salão principal.

–Imediatamente, senhor. – ele prontamente me obedeceu e foi para lá. Mesmo com Yamato teclando ali perto, nenhuma daquelas pessoas se manifestou. Continuavam em transe.

Aquelas pessoas nem perceberam a presença dos meus guardas, muito menos quando eu os dispensei e me sentei no sofá, assistindo àquela curiosa demonstração do poder do meu Naruto, do quanto verdadeiros eram os boatos sobre o que as raposas podiam fazer e as razões que levaram a extinção dos exemplares puros.

Um Alpha domina a todos, como o sol iluminada toda a face da Terra, finalmente eu entendera a devoção de Mito para com Naruto. Ele podia fazer coisas que mais nenhum Uzumaki poderia fazer, como seduzir todos os líderes mais poderosos das máfias mais poderosas do mundo.

Eu devo ter muita sorte por ser o único que não cairia nesse encanto, pelo menos acho eu, e ter Naruto como minha esposa, portanto, com certo nível de obediência para comigo. Por outros termos, eu arrombei. Se Naruto faz essas coisas sem querer, avalie querendo.

O que Naruto fazia? Naquele mês ele encontrara na internet um grupo brasileiro de samba e axé, pelo o que ele me contara, que ficara famoso por causa das dançarinas e das músicas bastantes “interessantes”, se eu posso dizer. Então Naruto decidiu treinar as coreografias que ele gostara do grupo e por uma razão misteriosa Boruto começara a se interessar pela dança, limitando-se a assistir o pai remexendo-se para lá e para cá.

Por causa das minhas restrições, Kyuu-chan me proibiu de vê-lo dançar, permitindo unicamente Boruto e Sarada, como uma forma de vingança.

Isso me recordou do Quinto passo para conquistar Naruto. “Se não consegue entender o significado de ser uma raposa, jamais entenderá meu pai nem seu estilo de vida. Meu pai faz o que faz porque ama viver, ama ser quem é e limitá-lo tem a mesma coisa que matá-lo. Ele tem um provérbio para dizer isso de um jeito filosófico: se você impede um rio de seguir seu curso, ele deixa de ser rio e, portanto, deixará de existir”. Eu faço cada coisa, não é?

Voltando ao fato de Naruto estar dançando sem noção alguma de sua plateia, ele se requebrava e gingava ao que me parecia ser o estilo samba de dançar, ressaltando a segunda parte de seu corpo que eu mais gosto, que é a sua bunda – mais os quadris, que para mim é tudo uma coisa só – de uma forma que parecia ser um castigo eu não assistir.

Olhei na tela do computador qual era a faixa do CD, que ele comprara do grupo, que Naruto estava dançando naquele momento.

Uma tal de “Se Bulindo/Saravá”, nem me pergunte como é que funciona isso, eu não entendo de música. Naruto sorria, fazia caras e bocas, remexia-se energicamente, fazendo tudo parecer uma brincadeira muita divertida para as duas crianças que o assistiam. Boruto ousou alguns passos para entrar na brincadeira ao passo que seu pai sambava com habilidade e requebrava com jeito. Como eu queria que ele dançasse para mim.

Suspirei de deslumbramento e ouvi o coral dos outros me acompanharem do ato.

Arqueei uma sobrancelha e estreitei meu olhar. Um dos meus tios estava seguindo para a porta secreta de acesso ao studio. Ele iria entrar lá. Nem pensar.

–Já deu! – gritei, fazendo todos acordarem de seu torpor. Impus-me o máximo que eu pude e vi o quanto era difícil ir contra o poder de “persuasão” de Kyuu-chan. Todos me fitaram num susto comunitário e tentaram se explicar ao mesmo tempo – Leve-os, Yamato.

Meu mordomo assentiu e assim o fez. Naruto continuava se divertindo como se nada estivesse acontecendo e tudo o que pude fazer foi desejar mentalmente que ele continuasse feliz com seu momento “privado”. Eu queria dizer que a reunião seguiu na paz, mas não foi isso o que aconteceu, para minha alegria, que sou louco por guerra.

A primeira pauta discutida fora os Hyuugas desprezarem profundamente a minha união com o cara que furtou a garota que deveria ter se casado com Itachi. Depois disso fora os Inuzukas apresentarem vários argumentos que apoiavam a minha separação de Naruto, por ele ser um canídeo e ser prioridade dos Cães da Terra, essa pauta teve apoio dos Harunos. A terceira pauta colocada na faixa de gaza da reunião, depois do almoço, fora a qual máfia a Matilha Vermelha seria agregada, se seria aos Gatos Negros, se seria aos Cães da Terra, ou a qualquer outra máfia que se propunha. A última pauta que explodiu na mesa fora a renúncia do meu pai da liderança dos Gatos da Noite e me indicar como principal para o cargo.

Entre essas pautas, outras foram brevemente discutidas, como, por exemplo, o fato dos Mikarashi estarem devendo um montante considerável aos Harunos, que fez Sakura ficar quase vermelha de raiva, e os Aburames estarem em pé de guerra com umas gangues meia-sola que atrapalham seus trabalhos com o setor de comunicação.

Oh sim, caros, os líderes estavam quase se matando quando a noite chegou e antes do almoço, meu pai se retirou, deixando esse abacaxi podre e azedo para eu chupar sozinho. Suspirei sentindo minha cabeça latejar. Ser líder não era o meu forte e eu não conseguia controlar aquela ladração toda de cães, lobos misturada com gatos e toda sorte de bicho. Arfei e fitei meu celular, enquanto minha mãe tentava argumentar alguma coisa em meu favor.

Peguei-o e busquei alguma coisa aleatória nele, e como era de se esperar, meus dedos foram direto ao contato de Naruto.

Passei alguns minutos fitando a foto dele e sorri de lado, talvez eu não precisasse estar claramente no comando, talvez eu pudesse fazer algo para melhorar a minha situação e eu só precisaria de uma ajudinha.

Quando finalmente o jantar foi servido, fui procurar Kyuu-chan. Encontrei-o na varanda da biblioteca, quieto, olhando para o céu sem lua, penteando com suas unhas os pelos de sua cauda, usava um moletom largo demais cor de vinho e uma calça jeans preta com as pernas dobradas até a altura das canelas. Descalço e tranquilo. Ao seu lado jazia esquecido um livro qualquer e uma xícara fria de leite.

–Kyuu-chan? – Naruto estava sentado numa espécie de cadeira suspensa por correntes que fazia par com outra que ficava na outra ponta da varanda. Era algo parecido com uma poltrona de madeira acolchoada de uma casa de praia.

Ele pendeu o rosto para trás e me fitou sorrindo. Fui até ele e notei seu ato de afastar um pouco para me permitir sentar ao seu lado. Retirei meu paletó, folguei minha gravata e deixei meu corpo cair ali, envolvendo os ombros dele com um dos braços.

–Você parece acabado. – ele comentou abraçando as pernas cruzadas na frente do peito.

–Eu não sirvo para essas reuniões.

–Eu também não, mas sei que são importantes para resolver tudo antes de ir para o cacete direto. – nós rimos – Você está com cara de quem precisa ser beijado, Scarface. – eu assenti e esperei pelo beijo, mas tudo o que recebi foi sua encarada de deboche – Vai ficar querendo.

–Porra, Naruto, você é mau.

–Sou esposo de um gangster. – ele virou o rosto – Aprendi com ele.

–Eu nunca te ensinei isso.

–Então devo ser mau de natureza. – sua voz me soou provocativa. Mordi meu lábio inferior admirando seu pescoço descoberto pelo moletom, que tinha a gola aberta demais. Aproximei meu nariz dali, respirei bem seu cheiro e beijei aquela pele apetitosa – O que é que você quer? – Naruto indagou se remexendo numa tentativa de me impedir de continuar beijando ali.

–Eu quero beijar você... – sussurrei para depois mordiscar sua orelha.

Fitamo-nos e ele sorriu de lado.

–Não vou te beijar, se é isso que está pensando.

Levantei-me de vez da cadeira e comecei a caminhar de um lado para o outro, irritado. Eu só queria um pouco de carinho antes de voltar para a guerra burocrática e tudo o que minha esposa me dava era cada vez mais representações de sua raiva. Como é que eu ferro assim?

–Droga Kyuu-chan... – resmunguei – Estou precisando de apoio aqui! Todos naquele maldito salão estão contra mim, só minha mãe escapa! Eu não levo jeito para ser líder e ainda...

–Você pode se ajoelhar e se curvar perante mim, beijar os meus pés e me dá uma estrela. – cada palavra que ele disse a seguir soou como martelada de uma sentença perpétua – Você não consegue mais nada comigo. Conviva com isso.

Fiquei boquiaberto. Eu pensei em lutar, tentar conseguir no tapa, mas simplesmente suspirei, ajeitei minha gravata, vesti meu paletó, organizei meus ânimos como pude, juntei meus cacos e caminhei para dentro da biblioteca. Eu me apaixonei pelo cara errado, agora eu tenho certeza disso. Eu me casei com uma pessoa pior do que eu. Depois que eu cumprir o contrato, vou me livrar desse mal, de um jeito ou de outro.

–Desculpe. – disse antes de deixá-lo. Segui meu caminho. Que ideia de me livrar de Naruto, o cara que eu amo? Eu estou ficando maluco por causa dessa reunião e por causa do meu ciúme doentio. Talvez eu... Quem sabe.

–Pelo? – sua voz curiosa me fez parar e me virar para fitá-lo.

–Por ter proibido você de dançar. – falei de vez. – Não é por isso que está com raiva de mim?

–Mais ou menos. – ele cruzou os braços e se aproximou – Só não entendo por que você fez isso comigo. Você sabe que eu não tenho motivos para te trair...

–Não era isso. – falei interrompendo-o – Eu estava com ciúmes.

–Ciúmes? De quem? – Naruto pousou calmamente suas mãos na cintura.

–De tanta gente... De todas aquelas pessoas para quem você dançava, de Boruto, por ele ter a possibilidade de te ver assim, de Ino, do Pain, até do porco eu estava com ciúmes...

–Mas por que você tinha ciúmes de mim? Eu nem sou essas coisas todas.

–Porque você nunca dançou para mim. – respirei fundo – Só de saber que todas aquelas caras e bocas, todos aqueles sorrisos, aquelas insinuações não diziam nada para mim, exceto “Nada disso é para você”, me deixava tão triste que estrangulava meu coração de ciúmes.

Ele ficou completamente vermelho, tão vermelho que parecia que seu moletom largara tinta em sua cara. Naruto correu até mim e me beijou com vontade, quase nos derrubando por cima do carpete da biblioteca. Levei-o sei lá para onde, empurrei-o contra uma prateleira e afoguei todas as minhas angústias na boca deliciosa do meu esposo. Ele me correspondia com paixão, beijando-me para além da boca, aonde seus lábios conseguiam ir. Nossas caudas se enroscaram e nossos olhos se encontraram durante um beijo.

Como eu queria fazer amor com ele. Como eu queria já estar no cio e fodê-lo com muita força, fazê-lo meu completamente. Eu queria acalmar meu corpo com Naruto, acalmar o meu espírito, mas Naruto estava tão louco quanto eu, tão descontrolado quanto eu. Eu podia sentir pelo calor do seu corpo e a pressa da sua respiração.

–Seu idiota... – ele sussurrou acarinhando o meu rosto subindo para as minhas orelhas – Deixa eu te contar um segredo. Atualmente, eu só danço por dois motivos: porque é divertido e porque você é sempre a minha plateia.

Arregalei meus olhos. Mas o quê? Ele sabia?

–Acha que eu não sabia que você assistia aos meus ensaios? – eu quis dizer algo, mas Naruto me interrompeu com um beijo rápido, enroscando seus dedos nos meus cabelos – Vou dançar para você, Scarface, não precisa ficar tão magoado e nem precisa ficar me impondo regras. Eu adoro dançar para você, te provocar com o meu rebolado, saber que seu corpo entra em chamas quando me vê dançar. Meu corpo queima com seus olhos me fitando com tanto desejo. – ele sussurrou com aquela voz perigosa – Você é o meu muso inspirador.

Baixei meu olhar e curvei meu rosto na curva do seu pescoço. De novo derrubado por ele, quebrado pelas palavras de Naruto e eu nada podia fazer porque eu estava esperando por esse momento. Sou o macho da relação, mas parece que quem domina é a minha fêmea.

–Droga Naruto... – abracei-o possessivamente e o beijei, enquanto ele apenas ria e se entregava. Tem hora que eu domino, tem hora que ele domina. Não faz sentindo, mas nossa relação funciona desse jeito. Fitamo-nos – Eu te amo tanto... – sussurrei.

–Eu sei. – ele beijou a ponta do meu nariz e sorriu bobamente.

–Convencido. – ouvi uma batida na porta e em seguida a voz de Yamato me chamando. Dei de ombros e suspirei – Tenho que ir.

–Quer ajuda com eles? – Naruto me acompanhou até o salão – Para controlá-los?

–Pode fazer isso?

–Não pergunte se eu posso ou não! Responda a minha pergunta!

–Quero sim.

–Então aprenda com o mestre. – ele piscou um olho. Contei a Naruto o que motivara a discórdia entre os líderes enquanto caminhávamos para lá, explicando minha situação. Ele ouvia tudo com atenção e em silêncio.

Estava exatamente como eu deixara: em pleno pé de guerra, com todo mundo gritando com todo mundo, se ameaçando entre si. Suspirei e fiz um gesto de gentileza para que Naruto assumisse dali por diante. Ele deu uma rápida vistoriada no ambiente, como se pesquisasse com que tipo de espécie ele lidaria e que tipo de posicionamento tomaria.

–E aí? Tem jeito? – indaguei baixo em seu ouvido.

Naruto assentiu e sorriu. Num movimento rápido, que inclusive me assustou, Kyuu-chan ergueu bem alto sua perna, quase num spacarte, e jogou-a contra a mesa com toda a sua força, fazendo-a mexer-se como uma gangorra. Todos gritaram assustados. Mas ele não parou no primeiro susto. Com Naruto, o serviço é completo.

Com a outra perna, ele chutou a mesa, empurrando-a para a outra parede, levando quem conseguia consigo no embalo, virando cadeiras, derrubando objetos e colocando em pose de combate vários guarda-costas. Quando a mesa bateu contra a parede, Naruto rugiu a plenos pulmões, intimidando todos aqueles que pensaram em atacá-lo. Então, o silêncio sepulcral mantido pelo medo e pelo aspecto irado de Kyuu-chan se instaurou. Até eu fiquei com medo de sequer lhe tocar depois daquela demonstração gratuita de força.

Nossos olhos se encontraram enquanto as pessoas catavam suas coisas e seu sorriso zombeteiro me disse que tudo era fazia parte de seu plano. Seus olhos me diziam “Sua vez”. Assenti discretamente e toquei seu ombro, colocando-o atrás de mim. Respirei fundo, mostrei-lhes meus olhos vermelhos e rugi como só os leões fariam, pelo menos eu acho que rugi igual a um leão ou a um tigre. Fitei cada um como se fosse arrancar suas cabeças uma a uma.

Naruto puxou a cadeira que outrora eu usara para me sentar, me fez sentar nela, depois se colocou em meu colo, cruzou as pernas e bufou irritado. Pousei uma mão em suas pernas, circundando-o com meu braço, e a outra usei para apoiar meu queixo no braço da cadeira.

–Pretendem continuar com esse barulho infernal? – falei baixo, severo, seguido por um rosnado borbulhante de Naruto – Vocês irritaram minha fêmea com essa merda toda de discussão e só quem pode tirá-la do sério sou eu.

Notei que até minha mãe estava assustada com meu comportamento.

–Nos casamos e ponto final. Quem discordar, me desafie se tiver coragem, se não, vá para a puta que te pariu. – falei encarando Kiba e Sakura – Hiashi, não é culpa dos Uzumakis o fato de Hinata está morta, então não jogue seu sofrimento de pai contra nós. – ele me fitou e entendi o que aquele olhar dizia – Não sei como é perder um filho, mas sei como é perder alguém que se ama muito, culpar os outros não diminui a dor. Você, mais do que ninguém, sabe que Hinata seguiu seu destino por vontade própria.

Notei os ânimos se acalmando. Parece que a tática de Naruto deu certo.

–Não cabe a nós decidir qual será o futuro da Matilha Vermelha. – fitei Naruto – Eu não sou o Alpha. – ele sorriu de lado e descruzou os braços – A decisão é sua.

–Você é líder dos Gatos da Noite e eu sou o Alpha da Matilha, nos casamos com a intensão de unirmos forças contra outros clãs numerosos, para manter a linhagem dos puros no mundo e assim garantir a vida dos nossos filhos. – concordei com cada palavra dele – Agregar, não. A partir de hoje, seremos aliados, famílias-irmãs.

Eu sorri com aquela decisão. Nós recostamos nossas testas e sutilmente nossas caudas se enroscaram atrás da cadeira. Se aquelas palavras agradaram a todos, eu pouco me importei com isso, o que me deixou feliz foi ele ter elevado a nossa união àquele nível.

–Hiashi. – chamou Naruto. Os dois se fitaram e o loiro foi até ele seriamente. Numa atitude humilde, que impressionou a todos, ele se ajoelhou na perda direita e baixou sua cabeça, como faziam os antigos templários – Perdoe-me por não ter sido forte o suficiente para cuidar de Hinata do jeito certo.

Ele mostrou o punho fechado a Hiashi, evidenciando as alianças.

–Se eu pudesse ter trocado de lugar com ela, eu o teria feito sem pestanejar. Mas saiba que apesar de tudo, Hinata jamais se arrependeu de suas decisões e nunca sentiu vergonha de ser sua filha, nem de ser uma Hyuuga. – eu vi Hiashi sorrir emocionadamente – Ela foi a mulher mais feliz que eu já tive a honra de conhecer.

O homem segurou o punho de Naruto e depositou um beijo nas alianças, chorando contidamente com a testa recostada ali. Nem sempre um líder ganha a confiança das pessoas através do medo e da força, atos humildes e honrados conquistam bem mais. A ideia do exemplo a ser seguido. Os dois se levantaram e trocaram um breve abraço de reconciliação e então eu vi Naruto suspirar aliviado, como se um peso tivesse saído de suas costas.

A reunião seguiu tranquila pela noite e terminou durante a madrugada. Pude continuar sem precisar da presença de Naruto, mas com seus ensinamentos em minha mente. Realmente não se pode impedir um rio de seguir seu curso.

Depois de uma boa refeição, de um banho quente e bem relaxante, fui para a cama.

–Um dia que teve de tudo, mas terminou bem. – comentei vestindo minhas roupas para dormir, Naruto me assistia completamente esparramado na cama.

–Eu sabia que você levaria jeito para o ofício. Acima de tudo, um líder tem que ser de confiança e muito forte, não só no sentido físico, mas mental também. – ele falou apontando para a própria cabeça. Eu assenti e subi na cama, para só me deitar por cima dos travesseiros. Naruto se endireitou e ficou na posição de lótus, sorrindo para mim.

–Foi você ter acreditado em mim que me deu confiança. – ele corou as bochechas enquanto sorria bobamente.

Naruto colocou seus fones de ouvido e ficou se remexendo na cama no ritmo da provável música que ele estava ouvindo. Sorri de lado e cutuquei-o com o dedão. Fitamo-nos de novo e ele parecia um pouco incomodado por eu o ter interrompido de novo. Movi meus lábios numa frase silenciosa. “Dança para mim”. Ele sorriu e deu uma cambalhota para sair da cama e ficar de pé num salto, retirou os fones do celular, aumentou bem o volume e demorou-se selecionando uma música. Parece que Naruto está mais gentil comigo.

–Que bom... – sussurrei me posicionando melhor na cama para assistir ao espetáculo particular, enquanto ele se concentrava. Notei-o um pouco nervoso, mas bastante feliz. Fui até a borda da cama, me sentando ali para ver cada movimento dele.

Não foi uma dança sensualíssima como as que eu já tinha visto, nem algo agressivo, na verdade me transparecia bem mais diversão e alegria, os sorrisos e as caras que meu Kyuu-chan fazia diziam o quanto ele estava à vontade dançando para mim. Realmente esse tal de samba deu uma guinada nos ânimos de Naruto. Ele olhava com bem mais carinho para o anel de noivado e o de casamento. As alianças da viuvez estavam em sua mão direita, enquanto o de noivado no dedo médio da mão esquerda e o de casamento em seu devido lugar.

Com seu corpo se movendo tão livre a cada música, ele conversava comigo, me dizia que estava bem, que era um dançarino eu querendo ou não, mas que a sua inspiração era eu e todo o sentimento que eu nutria por ele. Seus olhos azuis brilhavam para mim sempre que nossos rostos se conectavam enquanto ele fazia os passos com graça e leveza. Às vezes ele fazia umas caretas que eu ria até não ter mais forças, outras vezes piscava para mim quando movia os pés bem rápidos, acho que ele sambava e rebolava.

–Eu te amo tanto... – sussurrei de novo. Que se exploda o meu orgulho Uchiha, eu prefiro perder o meu orgulho a esse homem incrível que só tem causado mudanças significativas na minha vida. – Entende, Kyuu-chan, que eu te amo?

Ele começou a requebrar enquanto imitava uma índia, tal como a música sugerira.

–Também gosto de você. – ele sussurrou.

–É o quê?! – por todos os anjos do céu, que ele repita para eu ter certeza.

Naruto foi até a cômoda pegou uma loção pós-barba e a colocou no chão. Arregalei meus olhos quando ele começou a descer devagar, fazendo seus quadris tremerem ritmadamente, ora rebolando, ora só indo e voltando, quase tocando a maldita garrafa. Penteei meus cabelos para trás e arfei, eu vi o brilho dourado de Kyuu-chan ficar intenso depois que fiz isso e seu rebolar ficar ainda mais sugestivo.

–Eu gosto de você, Scarface. – ele falou em bom tom sambando e girando com as mãos subindo um pouco de sua camisa. – Gosto dessa combinação preto e vermelho.

Sorri de lado e penteei de novo meus cabelos, mais devagar, e eu vi revirar os olhos enquanto se movia lentamente ao som da música. Olha só, descobri algo que abala esse galego perigoso, algo que eu faço. Isso é muito interessante. A música parou e ele ficou numa pose parado de frente para mim, sorrindo.

–Vem cá. – abri meus braços e ele veio, montando em meu colo sem nenhum conotação sexual abraçou o meu pescoço e trocamos um beijo carinhoso – Será que agora a gente se endireita?

–Não sei. – ele deu de ombros – Só o futuro dirá.

Iniciei a beijar seu pescoço de leve, só para arrepiar sua pele.

–Dormir ou sexo? – sussurrei baixinho no seu ouvido – O que vai querer?

Naruto suspirou, beijou-me e passou por cima de mim, praticamente me empurrando sobre a cama, e foi deitar-se. Não teríamos sexo hoje, que pena, mas eu poderia dormir abraçado a ele, que era bom também. Uma noite agradável de sono depois de um dia cheio de trabalho, com direito a cafunés e a afagos nas minhas costas feitos pela cauda dele.

–Quando é... – tentei lhe perguntar.

Ouvi um suspiro indignado, quase como se não quisesse me responder.

–Em poucos dias, acho que vinte ou menos... – ele suspirou – Você tem que esvaziar toda a casa ou arrumar algum lugar específico para acontecer... Raramente me lembro do que acontece durante os meus cios, geralmente eu mato muitas pessoas para acalmar os hormônios, então é melhor que seja longe de todos.

–Pode deixar... Conheço um lugar bom... Onde eu trancafiado nos meus cios antigos antes de adquirir o controle que eu tenho hoje em dia.

–Será que somos tão horríveis assim? – Naruto murmurou mexendo nas minhas orelhas com a ponta das unhas – Bestiais?

–Acho que isso vai dar certo.

Notas finais
Gostaram do clima do capítulo? Naruto finalmente gostando do Sasukito? Apois... As perguntas: Vocês gostam de plock twists? Aquelas tretas que acontecem que fazem você gritar "Como assim isso aconteceu?", tipo aquelas coisas que mudam todo o rumo das coisas? O que vocês acham de uma mudança de tom? De SN para NS? Qual o motivo dessas minhas perguntas? É que desde o começo dessa fanfic, eu preparei uma treta medonha - e por Sasuke é o narrador, não o Naruto como se percebe na maioria das fics em 1ª pessoa - e gostaria de saber se vocês não vão me odiar por isso. A opinião de vocês é importante. Acontece que, quem é meu leitor desde a primeira fic que postei, eu gosto de fazer a fic ser o que não parece, então, eu preciso da opinião de vocês, pq esse texto é para vocês, para levar essa adiante. Então, o que me dizem?