Amor à moda antiga
15 Capítulo 14
Notas iniciais
Na manhã seguinte, depois de sofrer para pregar o olho, mas ao acontecer dormir que nem um “anjo” e acordar inexplicavelmente de ótimo humor, eu testaria novamente o primeiro passo, para saber se ele realmente tinha dado certo e se tudo estivesse em bons ventos, eu seguiria para o segundo passo. Mas primeiro, eu consultaria “Mãepédia”. Eu sei estimular as fêmeas com os meus feromônios, mas eu não sabia o que rolara entre Naruto e eu na noite passada, porque eu não fizera nada!
–Mãe. – chamei. Ela estava em seu quarto penteando seus lindos cabelos – Posso falar com você? – ela me fitou — É sobre o Naruto e como coisa que... – e de repente a Senhora Mito apareceu, fazendo eu me arrepiar de susto.
–Claro querido. – ela sorriu e foi para a cama, batendo ao lado para eu me sentar.
–Eu posso ajudar também. – Mito comentou indo para o toucador de minha mãe ajeitar sua maquiagem matinal. – Ninguém conhece as raposas melhor do que eu, afinal sou uma, velha, mas uma raposa. – assenti. Ela poderia ajudar também. – Uma raposa velha.
Eu ri do seu comentário final.
–Como as raposas fêmeas são estimuladas?
–É o que meu filho?! – mamãe fitou Mito e as duas trocaram um riso cúmplice que eu fiquei sem entender o motivo da graça.
Respirei fundo, contei até dez, entrei completamente no quarto, fechei a porta e junteis as mãos, quase esmagando meus punhos e começando a me arranhar de novo. Manias, minha gente, malditas manias: eu tenho a mania de me arranhar quando fico apreensivo, geralmente quando sinto que vou perder alguma coisa que quero muito. Mamãe me fitou e entendeu o que estava se passando comigo.
–Como as raposas fêmeas podem ficar excitadas? – repeti lentamente abaixando a minha cabeça e fitando as minhas mãos.
–Bom... – Mito percebeu que eu não sabia e notou os cortes se abrindo nos meus pulsos – Seu pai nunca lhe ensinou como estimular uma fêmea? – assenti e fitei-a sem levantar meu rosto, com aquele olhar “Olhe nos meus olhos e me diga se eu não sei”. Ela se arrepiou completamente e eu sorri. Nunca falha. – É o mesmo processo. Por que a pergunta?
–Se caso eu provoquei sexualmente o Naruto e não fiz isso com intensão de...
–Sério?! – Mito me fitou e me interrompeu se levantando de vez do toucador. Ela sorriu estreitando os seus olhos – Então você caiu.
–Caí em quê?
–O nome disso é Manipulação. É algo específico das raposas... Só nós podemos fazer. – ela se sentou na cama e me fitou, cruzando lentamente as pernas – Na verdade... Só raposas puras podem fazer, porque é diferente de uma fêmea excitada que estimula o seu macho. – minhas orelhas ficam de pé – Uma raposa usando Manipulação pode te odiar profundamente, mas mesmo assim te fazer pensar que está completamente louca por você.
Caminhei lentamente pelo quarto. E se Naruto fez isso comigo? Então estou pagando pelos meus crimes mesmo, ele está apenas brincando com os meus sentimentos, me fazendo sofrer miseravelmente usando as mesmas armas que eu. Eu o desejei sexualmente e agora ele está me fazendo pagar usando esse mesmo desejo. Esfreguei meu cabelo com força e me sentei no chão, escorando-me na cama.
–Sasuke. – minha mãe me fitou – Está apaixonado pelo Naruto?
Baixei meu rosto e assenti com vergonha. Um Uchiha não deveria se apaixonar, não por alguém que lhe trata mal, não por alguém que o torna menos do que ele é. Naruto estava me diminuindo de tal forma que eu mal sabia como me comportar. Durante trezentos, eu sempre fui frio, um fantasma, uma sombra a margem dos outros, flutuando principalmente na órbita do meu irmão, e quando penso que consegui um pouco de sol, sou ofuscado por ele.
–Por que Sasuke se apaixonaria por Naruto? – Mito indagou caminhando pelo quarto, sacudindo lentamente sua cauda sem tocar o chão.
–Qual o problema em me apaixonar por Naruto? – falei contendo as minhas lágrimas. Merda, por que eu só me ferro nessa vida? Eu não deveria ter nascido Uchiha, as coisas seriam mais simples se eu fosse qualquer outra coisa. Até Inuzuka estaria servindo.
Ela riu parando seu andar superior.
–Não entende, não é mesmo? Mesmo que você não me diga o que ele fez, eu vou te contar o que já aconteceu: Naruto usou Manipulação no meu marido e ele morreu. Naruto usou essa técnica em todos – ela veio até mim – Todos, está me entendendo, todos em quem ele já matou. O plano, Sasuke, era apenas que Naruto engravidasse duas vezes, um gato e uma raposa, e depois ele poderia sumir no mundo! Não era para você se apaixonar por ele!
–Mas por que ele iria usar algo assim no meu filho? – mamãe se levantou e fitou Mito – Se ele usa isso para matar as pessoas, quer dizer que ele quer matar o meu filho?!
Elas começaram a discutir, mas eu não dei atenção. Minha mente estava perdida na noite anterior, onde eu achava humildemente que estava amando verdadeiramente alguém. Agora, eu descubro que meus sentimentos estão manipulados por um homem. Eu o amo ou não?
Levantei-me e suspirei, apertando com força meus punhos.
–Eu estuprei Naruto. – falei de uma vez. Mito e minha mãe me fitaram com um terror que não coube no rosto delas. Suspirei cansadamente e olhei para o espelho. Eu estou só o resto do que um dia eu já fui e só tem um mês que estou nessa batalha – Faz dois meses que eu estuprei Naruto, fora antes de eu saber que iria me casar com ele, de modo que uma coisa não tem nada haver com a outra. Eu estava fora de mim, louco, com os nervos a flor da pele e precisava inexplicavelmente de Naruto... Aconteceu o que aconteceu e agora eu estou pagando. – elas me fitaram com preocupação.
–Ele está te torturando...? – minha mãe perguntou temerosamente. Eu assenti, apesar de gostar das torturas, mas não das intenções delas. Minha mãe fitou Mito – Como posso aceitar que algo assim esteja acontecendo com o meu filho?! Esse casamento não pode ir adiante!
Eu arregalei meus olhos.
–Mas isso não é quebra de contrato. – Mito cruzou os braços – E se algo do tipo aconteceu, seu filho mesmo disse, ele mereceu receber esse tipo de coisa.
Levei minha mão ao meu rosto e cobri-o, tentando impedir que as lágrimas caíssem. Droga, por que eu tinha cometer uma merda tão grande? Mas como eu ia saber que era justamente com ele eu iria me casar? Como eu podia adivinhar isso, merda?! Esfreguei violentamente meus cabelos, sem querer arranhando a minha cara.
Vi o sangue escorrer lentamente por minha bochecha. Segui o caminho que a gota fez até tocar o piso envernizado. A discussão entre minha mãe e Mito parou repentinamente com a abertura da porta, então eu ergui lentamente meu olhar, me deparando com a figura ofegante de Naruto. Suas bochechas estavam coradas, ele estava de calça e camisa para quem treina, de tênis e carregava uma garrafa de água. Ao lado dele estava Yamato, meu mordomo.
–Como eu lhe disse, senhor Uzumaki, o jovem mestre Sasuke está transtornado desde ontem e isso está afetando a todos em nossa casa. – meu mordomo estava muito preocupado.
Naruto me fitou e eu percebi claramente que ele fitava os cortes no meu rosto. Ele entregou a garrafa de água a Yamato e retirou seu casaco moletom, jogou-o sobre uma cadeira e veio até mim com um olhar estranho, dourado, tranquilo, muito bonito. Naruto tocou meu rosto com cuidado e eu tentei rejeitar seu toque, mas meu corpo não obedeceu a minha mente, na verdade eu recostei meu rosto naquela mão quente e suave.
–O que foi que você fez com a sua cara? – ele tocou as feridas com cuidado e fitou os dedos sujos de sangue. Depois olhou para as minhas mãos, observando minhas unhas e depois os cortes nas costas delas – Então... Tem mania de se arranhar... Por que fez isso?
Eu não disse nada. Eu não queria dizer nada. Eu me sinto preso em mundo que perdeu todo o sentido claro das coisas.
Lembrei-me do segundo passo na lista de Boruto, por mais que isso possa parecer estranho de se lembrar. “Já que criou um apelido para papai que o agradou, ele vai te tratar com respeito, te defendendo e te protegendo por mais que te odeie, seu trabalho é manter essa confiança e esse respeito fazendo coisas que lhe der esse respaldo, procure mostrar que é uma pessoa que aguenta o tranco, mas não insensível”.
–Hein? – o vi baixando o tom de voz e afagando de leve as minhas mãos – Por que se corta?
–Ajuda a passar a tensão... – retruquei – Alivia o meu estresse.
–Não devia fazer isso. – ele comentou afagando as cicatrizes das minhas mãos e delicadamente ele tocou no próprio rosto, em suas cicatrizes – Certas marcas ficam com você para sempre, lhe fazendo lembrar e se forem memórias dolorosas, você sofrerá com isso.
Farejei o ar procurando por algo parecido com o que eu sentira na noite anterior, mas eu apenas sentia o cheiro do seu suor, que era bem mais suave que o cheiro de ontem.
–O que andou fazendo? – indaguei.
O rosto de Naruto se alumiou e ele sorriu. Será que ele está agindo só por que está em frente à senhora Mito e a minha mãe? É um falso mesmo, uma verdadeira raposa.
–Estava me exercitando. – ele comentou tranquilamente – Gosto de correr pela manhã.
Fitei-o e tive a impressão que somente eu via aquilo: seus lindos olhos azuis brilhando para mim como se eu estivesse sonhando. Agarrei Naruto de supetão e o beijei necessitadamente, deixando que minhas lágrimas caíssem naquele instante. Nossas caudas se enroscaram apressadamente, senti as mãos de Naruto afagando-me as orelhas e eu resolvi fazer o mesmo com ele. Eu senti que ria enquanto me deixava beijá-lo, mas não era por desprezo ou deboche, era como se estivesse achando estranho o meu comportamento.
Ficamos assim alguns minutos até que de repente meu irmão entrou no quarto.
–Hey irmão. – ele me chamou e eu vi no brilho negro de seu olhar que ele ia começar a me zoar e eu já sabia por que – Me disseram que você foi submetido. Isso é verdade?
Naruto o fitou e depois me fitou. Eu suspirei cansadamente.
–Olha só Itachi... – eu ia dizer algo, mas Naruto tapou minha boca e piscou um olho dourado para mim. Pegou seu celular e colocou a mesma música da noite passada. O que ele vai fazer? Seduzir meu irmão na cara de pau, assim, sem nem me respeitar? Ele me entregou o aparelho e eu fitei a tela. “Faça cara de sacana enquanto danço”.
É o quê? Estreitei meu olhar e fitei-o.
Itachi arregalou os olhos quando Naruto deu dois passos para frente, ergueu um pouco sua camisa e desceu para o chão bem devagar com seu traseiro voltado para mim, provocando suspiros surpresos em minha mãe e em Mito.
Ao contrário do que eu imaginava, Naruto estava sério, como “só as divas fazem”.
Percebi as pernas de o meu irmão tremerem e sua boca salivar, quando Naruto se levantou lentamente, empinando sua bunda para mim. Sorri de lado e espalmei de leve seu traseiro, passando meus dedos pelo encontro de suas nádegas. O loiro se afastou sugestivamente, me permitindo afagar sua cauda e parou seu caminhar marrento bem na frente de Itachi, enquanto eu fitava-o de maneira sacana. Meu irmão foi ao chão, ofegante e extasiado.
Aquele cheiro, o mesmo de ontem, já não me afetava tanto, mas fez um estrago e tanto em Itachi. Será que ele fez isso por minha causa? Naruto foi até a cadeira e pegou seu moletom.
–Quem está no chão mesmo? – ele falou seriamente. Itachi engoliu a própria saliva e nada conseguiu dizer. Naruto me fitou, sorriu e piscou sagazmente, para só então sair.
Desliguei a música do celular e olhei para as duas senhoras.
–Eu acho que me enganei. – comentei fitando o aparelho – O manipulado aqui foi o Itachi, não eu. Tenho que devolver isso, então, se me derem licença... – saí vitorioso.
Encontrei Naruto em seu quarto, alguns minutos depois, saindo do banheiro apenas de calça e vestindo lenta e calmamente uma camisa branca de botões. Sim, minha mente foi para Marte de tanta putaria que eu pensei, mas me controlei. O loiro me viu, olhou-me de cima a baixo e deu de ombros.

–Você fica bem de terno. – ele comentou.
Olhei-me e sorri agradecido.
–Seu celular. – coloquei em cima de sua cama – Você não me manipulou, foi?
–Não. – ele suspirou – Como eu disse, eu reagi aos seus estímulos sexuais. Quando eu dei por conta, eu estava quase gozando só de ver seus olhos famintos por mim. – pisquei várias vezes para acreditar em suas palavras – O cheiro que você sentiu ontem é o mesmo que eu uso para manipular, porém é bem mais fraco quando eu uso como pôde ver. – sorri me lembrando da cara de Itachi.
–Verdade... Não me afetou. Por quê?
–Porque você já sentiu forças mais intensas sobre si. – o da noite anterior, o cheiro de quando o estuprei, forte, que queima a alma e faz arder a mente. – Dizem duas coisas sobre os feromônios das raposas: são fortes demais para se resistir e, uma vez que se resisti, significa que a raposa sente algo pela pessoa que resistiu. – ele falou tranquilamente. – De primeiro eu fazia inconscientemente – ele continuou enquanto procurava roupas – Mas depois que eu aprendi a dançar, eu aprendi a controlar essa habilidade feminina muito superior.
Assenti, mesmo que pouco me importava aquele tipo de informação. Olhei de lado e percebi que havia uma vassoura abandonada ali. Peguei-a e observei-a com alguma atenção. Eu daria fim aquela imagem horrível de mim estuprando-o custe o que custasse. Sim, eu estava convencido de fazer isso. Eu tinha que fazer alguma coisa que mostrasse a Naruto o quanto eu me sentia amargamente arrependido daquela atitude. Recostei a vassoura na parede e retirei o meu paletó, respirando fundo para tomar coragem para prosseguir com o meu plano maluco que eu tivera olhando para aquela vassoura.
Retirei minha gravata e a minha camisa, ficando só de calças e sapatos. Naruto me fitou com preocupação, imaginando, deveras, que eu iria fazer algo contra ele. Tinha razão de pensar assim, afinal eu só o usara para meu deleite e nada mais.
Ajoelhei-me e apoiei meus punhos fechados no chão. Usei minha cauda para jogar a vassoura para Naruto. Ele ficou ora me olhando com confusão ora olhando para o objeto nas mãos, sem entender o que eu sugerira. Naruto estava apenas vestido na calça e na camisa já abotoada, mas mesmo assim continuava lindo aos meus olhos, apesar de ser um cara normal.
–Pode me bater Naruto. – falei convicto – Eu sei que não vai chegar nem perto da dor que eu te causei, de resolver os problemas que você teve, mas se pelo menos eu lhe ajudar a descarregar uma parte da sua raiva, eu não me importo de ser espancado.
Respirei fundo e apertei meus olhos. Não ouvi nada, somente o choque dos meus ossos contra a madeira firme da vassoura e em seguida meu corpo atingindo a madeira do piso. Ele seguiu me batendo e eu fiz de tudo para não reclamar, nem gritar, pois merecia aquela surra.
–Você diz que me ama! – ouvi sua voz embargada – Mas fez aquilo comigo!!! Como espera que eu acredite nas suas palavras sujas?!
–Não espero! – gritei me contorcendo de dor – Não espero que acredite! Mas não deixarei de te amar por causa disso! Eu estava louco por você! – vi o sangue escorrer. Naruto batia em diferentes locais, mas começava a repetir os golpes – Eu queria ter você, Naruto... Não aguentava mais... – cravei minhas garras no chão e senti o golpe final, dado com tanta força que o cabo quebrou em vários pedaços e Naruto foi ao chão chorando.
Ele cambaleara até chocar-se contra a cama, caindo aos pés dela, choramingando.
Fitei-o. Sofrido e ferido, com as mãos vermelhas de tanta força usada, Naruto chorava lágrimas de raiva, mas isso não me impediu de me arrastar até perto de seu colo, abraçá-lo carinhosamente e puxá-lo mais para perto do meu corpo. Ele resistiu no começo, mas acabou por ceder e eu senti seu nariz inspirar bem meu pescoço.
–Eu te amo tanto Naruto... Nunca amei ninguém assim, na minha vida... – eu sussurrava observando minha cauda se enroscar apressadamente com a dele – Nunca vivi algo assim com ninguém, eu juro por todas as minhas vidas que você é o único que fez eu me arrepender de ter feito qualquer coisa nessa vida. Eu te amo, eu te quero, só você, só você! – desatinei a chorar também – Eu nunca tive um sol para me iluminar... Sempre vivi na sombra, mas você me iluminou, você é o meu sol, Naruto, meu sol e minhas estrelas!
Senti o corpo dele se afastar devagar de mim. Eu me desesperei e quando fui usar minhas garras para segurá-lo, ele simplesmente empurrou meu corpo para baixo e eu senti sua cauda envolver meu peito até a altura da minha cintura. Naruto me virou lentamente, envolvendo sua cintura com meus braços e a minha cintura com suas pernas. Ele suspirou longamente, recostando-se na cama e começou a afagar meus cabelos.
Ele estava com os olhos inchados, mas não tanto quanto os meus.
–Criança boba, pode chorar, não direi a ninguém... – ele sussurrou me fazendo carinhos tão bons que realmente eu chorei em seu colo ao ponto de soluçar – Quem diria que alguém como você pudesse ter uma alma tão frágil...
–Não me deixe só nessa escuridão, por favor, eu não quero ficar sozinho, Kyuu-chan. Já estou a tempo demais sozinho.
Nos fitamos demoradamente e aos poucos um sorriso foi surgindo em seu rosto, um sorriso dolorido, mas sincero. Ele encostou sua testa na minha e eu beijei a ponta de seu queixo, enquanto seu sorriso aumentava.
–Diz de novo... — ele sussurrou — Meu apelido...
–Kyuu-chan... — sussurrei recebendo mais carinhos em minhas orelhas.
–Que apelido mais bobo... — ele beijou a minha testa e voltamos a nos fitar — Mas combina. — compartilhamos um suspiro — Só eu posso te humilhar e te fazer chorar. Não vou deixar que mais ninguém veja essas lágrimas, então não se preocupe... Por hora, não está só.
Ele me ajudou a me levantar e a me deitar em sua cama. Naruto fechou a porta de seu quarto, buscou alguns remédios, passou em minhas feridas e fez curativos em mim. Enquanto isso, ele me explicava que o que mais o irritara quando fora estuprado fora o fato de ele ter reagido aos meus feromônios. E ele era realmente muito feroz quando excitado de verdade.
Isso explica a tortura e quase ter me matado enquanto lutávamos. Naruto me revelou que ele perde as estribeiras quando eu perco as estribeiras e por isso ele me castiga dançando daquela maneira, isto é, criando danças tão sensuais para mim que simplesmente me faz gozar sem eu ter “feito nada com ele”. E que nunca acontecera antes com ele também.
Durante aquela manhã eu dormi abraçado ao peitoral de Naruto, escondendo meu rosto dentro do seu abraço quente, ronronando e dormindo feito um gato manhoso, depois de tanto chorar na frente daquele homem, que até então me parecia um insensível.
Senti que Kyuu-chan me fez cafuné durante todo o meu sono, ouvi-o até reclamar quando alguém queria conversar comigo sobre o quer que fosse. Seu rosnando de proteção fez-me sentir acalentado, querido de alguma forma doida que não sei explicar. Sua cauda alisava as minhas costas de modo leve e muito gentil, sem provocar dor ao passar pelas feridas.
–Viúvos, pais de famílias, assassinos, sofredores e futuramente marido e mulher. – ouvi-o comentar quando percebeu minha cauda contornar seus quadris – Somos um casal e tanto, não é Playboy? Mas vai passar... O sol sempre nasce no dia seguinte.
Eu apenas concordei com o meu silêncio. Dormi e não sei por quanto tempo, mas fora revigorante e, de certa forma, reconciliador. Quando finalmente abri meus olhos, o rosto de Kyuu-chan estava ali, sonolento, mas acordado, permitindo que eu usasse seu braço como travesseiro. Afaguei seu rosto e ele fechou lentamente o olhar, num suspiro longo. Seus lindos olhos azuis pareciam ter brilho próprio e aos poucos seu sorriso foi reaparecendo.
–Eu sei que é pouco, mas algum dia me perdoe... – eu sussurrei, não querendo quebrar o clima calmo e acalento da situação. Eu já não sentia dor alguma, apenas a ponta da cauda de Naruto se movendo docemente pela minha pele.
–Vou começar a te perdoar se fizer por onde merecer... – ele comentou retirando alguns fios de cabelo da frente do meu rosto. Vi as alianças de seu primeiro casamento em seus dedos.
–O que eu tenho que fazer para merecer seu perdão?
–Comece garantindo que nada de mal aconteça a Boruto. – assenti de imediato – Depois procure me dar algo assim. – ele me mostrou as alianças – Uma aliança, cujo significado real fique expresso nela, já que me casarei com você.
Fale com o autor