Among Other Kingdoms - Terceira Temporada
26 A Chama Mais Brilhante
Notas iniciais
Perseu tinha acabado de voltar do estábulo, havia aplicado um remédio no Pégasus, e pensou que poderia ir aplicar sobre o dragão, entretanto, como uma das filhas de Estevão foi pra lá, ele não queria incomoda-la ... Na verdade, ele devia ter ido imediatamente. Pois, depois de um tempo ouviu uma confusão, Artemisa estava discutindo com Estela, com um sorriso desdenhoso no rosto e havia uma Princesa ferida, ouviu algumas coisas, viu a garota, sabia que acidentes não geram tantos machucados daquele jeito. Ele fechou os olhos e observou Estevão puxar os filhos.
—(...) – Perseu olhou para Estevão por uns instantes. – Imagino que não precisaremos fazer um jantar de.
—Não. – Estevão disse em tom tranquilizador. – A garota já está vindo, se você se sentir à vontade, fazermos um jantar para os dois. – Perseu piscou. Aquela ideia não iria sair da cabeça de Estevão nem se ela fosse arrancada fora.
—Mas, sua filha está machucada e. – Elion deu um passo para frente.
—Eu posso cuidar dela, tudo bem, não queremos que a dinastia de Saphiral.
—Entendi. – Ele cortou o menino antes que ele falasse mais, como o garoto emanava soberba. Mas, agora sua filha tinha um sorriso muito mais assustador, e muito mais alarmante do que qualquer coisa.
—Seguiremos o planejamento! – Estevão exclamou e Perseu concordou. No momento ele só tinha que concordar, era por meio desse plano de Estevão que ele observaria mais Artemisa, porque nas condições que ela estava não poderia voltar para Saphiral. Cada um foi para o lado oposto, ele estava ansioso, nervoso e pensativo.
Sua filha sempre foi daquele jeito? Como ele poderia ter culpado Estela? Pelos deuses, aquilo era. Doloroso de assistir, imaginar que Estela conviveu com aquilo era horrível. Não eram episódios isolados, eram problemas que se elevaram ao longo dos anos, então ele começou a se perguntar quando deve ter começado, exatamente em que momento; odiava ver o comportamento de sua filha tão agressivo e soberbo, se Orion não tivesse a levado para Saphiral o que teria mudado? Odiava admitir, não estava feliz ou orgulhoso com aquela versão dela. Porque era exatamente do jeito que todos esperavam que ele agisse quando nasceu e foi coroado, ele já sabia que era amaldiçoado, não sabia que a maldição iria além. Ainda lembrava que, se ele fosse como Éfellya, iriam mata-lo porque a vista dos Mestres ele era um receptáculo dela.
E olhar pra filha entendia por que só tinha Kayii pra ele; e Artemisa com Estela e William parecia não ter o mesmo efeito. Não queria comparar um sofrimento com outro, não era uma celebração de pena e dor, era apenas preocupação. Uma dor que ele odiava passar, as lembranças o torturavam mentalmente, conseguia ver os quanto todos estavam em perigo, os reinos daquele lado visivelmente condenados, ele nunca quis que isso acontecesse, queria apenas fechar o portal. Se Perseu pudesse voltar no tempo não teria se envolvido com Estela, por mais que quisesse salva-la, a colocou em um risco muito maior. Auterpe tinha razão. Ele não podia salvar todo mundo.
Na hora do jantar ele estava tão preocupado com Artemisa, que tinha receio de não ser tão cortês com a moça que Estevão convidou. Quando ele se sentou à mesa, observou o quanto o sorriso soberbo de Artemisa estava incomodado Orion e não era qualquer expressão que deixava ele naquele jeito. Acontece que quando a jovem se aproximou da mesa, Perseu focou nela, e só tirou os olhos de Biana apenas quando Estela e Estevão chegaram. Ela era educada, mantinha um sorriso longo no rosto, mas, o jeito cortês que ele tratava Biana incomodou Estela, e não era que Perseu estava fazendo por mal, era porque ela tinha a aparência de Medeia, a segunda noiva que o Rei de olhos azuis tinha antes de Atena manda-la para o Submundo.
O que fez ele voltar para aquela época, ele prometeu que se casaria com Medeia, eles tinham a benção de Hera, se Atena não tivesse matado a jovem, provavelmente Artemisa seria filha deles, provavelmente Estela ouviria Medeia, deixaria Estevão, ou seria Rainha de Calasir, mas, acima de tudo não viveria com medo, Auterpe ainda teria Orion, e William poderia viver onde quisesse. Essas possibilidades o faziam sorrir, porque ele estava pensando em um futuro que nunca aconteceu; Estevão viu aquilo como seu plano sendo realizado, e preso nesses pensamentos ele não prestou atenção no quanto Estevão dizia de um casamento seria promissor, ele apenas concordava, Orion adorou a cena, se sua tia pudesse mudar a cor dos cabelos perante aquela situação seria verde de inveja e ciúmes. Perseu saiu dos seus pensamentos quando Estela disse que estava preocupada em perder o posto de Rainha; mas, Perseu estava alheio a conversa realmente e Navi apenas queria se afundar em sua cadeira como Estevão achou uma garota parecida com a ex noiva do Perseu?
O jantar tomou outro rumo, quando sua filha começou a ser expressar de uma forma passiva-agressiva, agindo de maneira que se achava melhor que os outros, aquilo foi a maior frustação que ele conseguiu presenciar, não era possível que sua filha fosse tão (...) ter a alma de uma Esmeralda cheia de atitudes arrogantes e interesses próprios, era um pesadelo, que todos tiveram que aguentar por 14 estações. Se soubesse, teria fechado o portal sem aparecer em Calasir, a discussão se encerrou quando Evie se retirou da mesa e foi para o quarto. Estevão deu um suspiro alto e deu um sorriso falso de que tudo estava bem.
—Desculpem por presenciarem isso. – Perseu prensou os lábios, era culpa dele. Estevão retomou sorridente, Estela não compartilhava essa animação, mas, era a diversão de Orion, comida e ciúmes. – Sabe, Perseu é um aliado extremamente importante para Calasir, e claro, você seria uma boa Rainha, pelo que eu pude perceber, Perseu não conseguiu tirar os olhos de você durante todo o jantar. – Estela prendeu a respiração, e Perseu ficou vermelho.
—Ah! – Ele exclamou. – É que... Bem...
—Não está acostumado com encontros não é Rei Perseu? – Estela disse sutilmente e Orion cutucou o pai que deu uma risada.
—(...) Não. – Perseu olhou para Estela que parecia incomodada, mas, ele não entendeu. – Mas...
—O Rei Perseu não conheceu outras mulheres? – Ele negou. Biana sorriu; pelos deuses ela era exatamente como Medeia.
—Acho que agora conheceu a ideal! – Estevão falou, como Estela poderia manter contato visual com ele se ele não tirava os olhos da menina? (...)
Porque ela estava pensando nisso sendo que seu marido estava do seu lado? E ele era seu amante. Quando o jantar terminou, os adultos iriam se reunir na sala de chá. Na qual Biana observava o rei e a rainha de mãos dadas, o que ela achava lindo, para Perseu era uma forma de controle que ele tinha sobre Estela, não era carinhoso. Mesmo que clima começou desanimado, Estevão estava focado em fazer os dois darem certos.
—Desculpe Perseu, nunca surgiu o assunto, quantos anos você tem mesmo? – Perseu ficou em silêncio por alguns instantes, a idade dos reis era diferente em Pardóx, ele refletiu um pouco.
—33 estações. – Era um número aproximado. Estevão deu um sorriso, era uma boa diferença de idade, seu plano iria dar certo, ele podia ver. – Claro, eu posso parecer um pouco velho e. – Biana sorriu tocando na mão dele, na qual Estela tremeu com a xícara de chá na mão.
—Tudo bem. – Ela parecia tranquiliza-lo. – Não é velho, é uma idade boa, e o Rei não parece velho, está em uma ótima aparência. – Ele segurou na mão dela de volta na qual a surpreendeu junto com Estela.
—Diga a ela Perseu o que há de encantador no seu Reino.
—Bem...
—Você sabia que os habitantes do país do Perseu fizeram um enorme jardim em poucos dias? – Estela ficou boquiaberta, aquele jardim era dela! Ele fez pra ela! A moça olhou para o Rei.
—É sério? – Perseu não conseguia afastar a imagem de Medeia da sua frente. – Um jardim? Com muitas flores?
—Inúmeras flores, uma bela vista, um paraíso. – Ele abaixou a cabeça, se lembrou porque o construiu, então ele sorriu. – Foram dois dias, e eu não me importaria de transformar o meu Reino inteiro em um jardim se fosse fazer a minha. Rainha... Feliz. – Eram emoções conflitantes em sua cabeça, Estevão entendeu aquilo como se ele estivesse basicamente a chamando ela para ser a Rainha dele, não era exatamente isso que ele queria dizer.
—Oh Rei Perseu, isso é lindo. -Desculpe... – Ele tentava se controlar. – Você se importaria se nós caminhássemos? – A moça colocou a mão no peito, com um brilho nos olhos. – (...) Pelos deuses, seus olhos são lindos. – William quase engasgou com o chá.
—Obrigada Rei. – Perseu era um homem charmoso por natureza, mesmo que Atena chegou primeiro, Afrodite chegou em segundo, ela não pode ficar com Auterpe porque Ares apareceu, mas, ela os abençoou da mesma forma, Biana deu um suspiro. – Claro que aceito caminhar com o senhor. – Ele acenou e pediu licença para o grupo.
—Caminhem pela praia! – William gritou antes deles se retirarem. – Estevão o olhou confuso. – Foi lá que eu e Auterpe fizemos Orion. Literalmente, o melhor ambiente para isso. – Ele riu com a lembrança.
—Eu não disse que ia dar certo? – Estevão olhou para Estela que estava incrédula, como? – Foi como se ele tivesse encontrado a alma gêmea dele aqui em Calasir. Posso ver esse noivado indo longe, ao menos uns cinco filhos. – Ele fez uma pausa. – Acredito que.
—Estevão... – Estela tocou em seu braço com calma, mesmo que estivesse com ciúmes, céus. – Vai com calma, a garota acabou de conhecer ele e. você sabe, Perseu está sempre lutando e.
—Estela, o que está incomodando você? Parece que não quer que Perseu seja feliz.
—(...) Não é isso. – Era quase isso. – É que talvez ela não esteja preparada para o outro lado. Você lembra como lá é perigo e.
—Eu garanto que Perseu a salvaria de qualquer coisa, lembra? Ele te salvou e fez isso com maestria, está se preocupando demais. Deixe os dois se conhecerem, você percebeu como ele olhava para ela?
—Sim. Percebi. – Ela viu eles de mãos dadas, viu que ela tocou nos braços dele, então ela se sentiu infeliz. Devia estar feliz por ele, entretanto, estava ressentida, foi passada para trás. Mas, não era isso.
Perseu e Biana caminhavam pelo jardim, ambos precisavam deixar a mente se acalmar, ele contou para a jovem sonhadora as histórias de amor que ele mesmo admirava, mesmo que como Orfeu e Eurídice acabavam em tragédia, a de Hades e Perséfone era mais agridoce, aquilo deixou o clima mais leve e não havia tanta pressão. Entretanto, de todas as formas, Perseu era carinhoso com as mulheres, devia isso a sua irmã, então quando Estevão viu os dois conversando no banco do jardim sorrindo e ele arrumando os cabelos dela, comemorou aquilo como grande caminho andando, entretanto Evie, em outra janela do castelo, via aquilo como uma ameaçada ao seu trono em Saphiral. Ela não ia deixar aquilo acontecer.
*
Mais tarde, Orion ouviu Eilon correndo pelos corredores atrás de ajuda. Isso o fez pular da cama, curiosidade, e porque em seguida, ouviu muitos passos de todos os lados do castelo, mas o que lhe chamou a atenção foi a gargalhada assustadora de sua prima que o arrepiou por inteiro, era ruim, era péssimo, então ele se levantou, quando ao menos metade do castelo estava na porta do casal de ouro. Seu pai havia entrado ele tentou entrar mais não conseguiu, William observava com atenção a garota se debatendo, foi quando seu coração parou, não tinha certeza, era uma suposição, ele foi em direção ao seu quarto, e colocou a mão na boca, usaram seu veneno, alguém, mas, quem? Foi quando Orion apareceu.
—Pai, o que foi?
—Elisa foi envenenada!
—Envenenada? Com o que? Ela nem foi pro jantar e.
—É uma toxina, de uma flor e. – O garoto encarou o pai, ergueu a sobrancelha desconfiado.
—Era seu?
—Sim.
—Tudo bem. – Ele se aproximou do pai dando um sorriso. – Também tenho veneno de proteção, mesmo que eu guarde bem melhor que o senhor. – Ele respirou fundo. – Só pega o antídoto e.
—Eu não tenho o antídoto. – O garoto parou.
—Como assim você não tem?
—Filho, como eu vou te explicar? Sem você se magoar? (...) Quando eu ocasionalmente utilizo o veneno, não é em uma pessoa inocente, tampouco, preciso de antídoto e.
—Pai, pelos deuses, se alguém tomar sem saber? Se fosse Elia? Ou sei lá, o tio Estevão? Você precisa de um antídoto!
—Não tem como eles terem acesso e.
—Mas, alguém pegou. – William parou um pouco, pensou e depois olhou para o filho com receio. – Evie? – Ele nem precisou ouvir a resposta do pai que já correu para seu quarto.
—Orion! – Ele chamou o garoto que estava focado.
Todo mundo que se tem veneno, tem que ter o antídoto, independentemente da situação; ele pegou algumas coisas, sabia tirar venenos do corpo, ele podia salvar a prima mais doce; mas, fazia isso porque ele era um futuro Príncipe, era Herdeiro de Ruphira, e sobrinho de Perseu, e se ele aprendeu algo era que se der para salvar alguém, você salva; mas, claro, isso teria seu preço. O garoto pediu licença para que pudesse passar, sua tia estava no corredor chorando, seu marido a consolava, quem estava no quarto mesmo era Eilon e um homem, que ele julgou ser um curandeiro. Que não sabia por onde começar, ele apenas respirou, o veneno se espalhou por todo o corpo dela.
—Saiam da minha frente! – Ele gritou com voracidade se aproximando do corpo da prima.
—Eu não vou a lugar nenhum, minha esposa precisa de mim!
—E claro, não posso deixar um menino que não estudou nem um pouco em... – Orion apontou uma adaga para os dois com raiva.
—Se os dois não saírem do quarto agora, vamos ter três velórios, o dela e o de vocês dois.
—Mas, você não. – Ele se levantou.
—Eu posso me sentar nessa cadeira. – Ele interrompeu Linor. – E ver, ela cuspir sangue até morrer, vejo isso várias vezes. Eu posso sair, você pode tentar em vão reverter a situação, mas, aí haverá um cadáver e sua cabeça em uma estaca. Ou vocês deixam eu cuidar disso, ou a morte da Princesa futura herdeira de Calasir está na mão de vocês... – Orion cruzou os braços, Elisa estava tendo dificuldades para respirar, Eilon tinha lágrimas nos olhos.
—Se você matar ela.
—Eu vim ajudar, ou você aceita minha ajuda ou eu me retiro. E repito, vocês têm pouco tempo. – Eilon olhou em pânico pra ele.
—Aceitamos... Linor deixa ele trabalhar.
—Mas...
—Linor, por favor.
Orion trancou a porta assim que eles saíram e colocou um colar dourado no pescoço dela. Ela parou de se debater. Ele precisava que o corpo dela ficasse imóvel para ele aplicar um liquido para transformar as doses de veneno em bolhas para ela vomitar, como estava no sangue dela seria mais dolorido, entretanto mais fácil. Ele olhou para Elisa preocupado, porque Evie fez aquilo quando estavam no jantar, ele não tinha muito tempo, ele colocou mais dois colares na prima, um vermelho e um prateado, para que nenhum deus tocasse em sua alma. O antídoto que ele tinha, poderia ser pouco para todo estrago, ele pegou uma agulha, encheu ela com o antídoto, e com a agulha injetou pelo seu pescoço, o efeito seria mais rápido, haviam muitas veias no pescoço. Então ele esperou um pouco, antes de colocar outro soro que ele tinha consigo, era vermelho, ajudava quando um sacrifício era desmembrado, o sangue tinha que endurecer. Porém, ele queria que o veneno se juntasse para ser retirado, separando o veneno do sangue, o que demorou muito tempo para se alojarem em pequenos hematomas, e quando ocorreu, ele usou a adaga para fazer pequenos cortes, para que as bolhas de veneno pudessem sair do corpo, já as que estavam em torno do pescoço dela precisaram ser cuspidos, ele ajudou nessa parte, doze bolhas de veneno foram “vomitadas” para fora, o processo durou a madrugada inteira, ainda porque ele precisou tampar as feridas e desintoxicar Elisa, isso duraria um tempo, desde que não incomodassem ele, Orion aguentava, ele apenas não entendia porque Evie machucou uma pessoa tão fraca, aliás, porque ela machucou?
—Orion? – Ele estava encolhido na cadeira do quarto, já tinha amanhecido, e ele nem percebeu. – Porque está aqui? – Elisa perguntou assustada, sua cabeça ainda doía, ele deu uma risada e passou a mão na cabeça dela. – Cadê o Eilon?
—Lá fora; já vou chamar ele. Preciso saber se você está bem. – Todo veneno estava em um tecido no chão em forma de bolhas roxas, eram vinte muita coisa, ele analisou a cabeça dela e olhou em seus olhos, a cor estava voltando aos poucos. Ela estav ficando corada.
—O que aconteceu? – Sua voz ainda era arrastada, mas, estava mais coerente.
—Você foi ao Mictlan e voltou.
—Que?
—Sente alguma dor? – Ela negou e quando conseguiu se sentar estava assustada, haviam muito sangue em sua cama, sua camisola estava suja ela olhou para Orion que suspirou, ela conseguia se mexer bem, no almoço ela estaria ao seu normal de doçura e delicadeza. Poderia provocar ela? Poderia, mas estava exausto demais pra isso, e ela estava péssima. – Você vai ficar bem... – Ele recolheu suas coisas e se dirigiu a porta, observou que todos estavam sentados no corredor adormecidos, descansados. Ele cutucou Eilon e se agachou antes dele acordar os outros.
—Conseguiu? Como ela está? Porque demorou tanto?
—Sim, bem, porque sim. – Ele se levantou e Orion o acompanhou, ele sorriu quando viu Elisa sorrindo para ele, quando Eilon deu o primeiro passo o outro o impediu de seguir.
—Verdade, obrigado. Eu não sei porque...
—Você sabe que isso não foi de graça. – Ele encarou o outro. – O trabalho de um Príncipe herdeiro é manter todos seguros, eu sei o que você fez com Eveline. – Eilon ficou em silêncio.
—O que eu fiz com ela? – Perguntou com desdém. – Eu quero ver a minha esposa.
—Você sabe o que fez, ela não precisou falar, eu sinto cheiro de sangue de sacrifício, não importa quanto tempo se passe. – Eilon ficou tenso. – Eu salvei Elisa porque isso era o certo, eu não sou um traidor como você. Preste atenção, quando eu disser que você pode, você vai pedir desculpas pelo que fez com Evie e aceitar a punição que ela lhe der.
—Não.
—Ah você vai! Eu passei a noite acordado salvando a filhinha preferida, a noiva perfeita, eles podem não acreditar em Evie, mas, você sabe o que fez, e se você não pensar em um bom jeito de se redimir, você nunca mais vai dormir em paz, eu não preciso tocar em você para te torturar, você me ouviu? – Ele acenou. – Caso contrário eu posso te fazer sentir o mesmo que ela, em escalas maiores. Sem culpa alguma. – O outro se tremeu, foi quando ele sorriu. – Priminha, seu noivo quer te ver.
—Eilon! – Ela abriu os braços e Orion deu espaço pro garoto passar sobre uma ameaça detalhada.
—Ela está bem. – Orion disse ao sair do quarto despertando os outros.
—Tem certeza? – Linor perguntou.
—Só tem que limpar o quarto. Eu preciso descansar. – Ele caminhou até seu quarto trancou a porta, se deitou e apenas descansou.
Evie se levantou no maior animo para o desjejum, passou pelo quarto de Elisa e viu apenas sangue pelo quarto, não sabia que ela foi mandada para seu quarto e estava repousando em segurança com Linor e Eilon, Perseu não conseguiu dormir, teve inúmeros pesadelos com Artemisa sendo o receptáculo de Éfellya e decapitando todos ao seu redor, não conseguia dormir, não sabia o que fazer, e ficou mais perturbado quando William lhe contou o que aconteceu entre Elisa e Evie, aquilo foi o ponto de ruptura dele, seus maiores medos se tornarem realidade não era algo bom. Durante a refeição, Eilon, Elisa e Orion estavam ausentes, os demais pareciam exaustos, mas, Estevão era um bom anfitrião e precisa estar ali para seus convidados e os outros filhos. William não conseguia olhar para Evie, assim como Perseu, apenas os dois sabiam o que realmente aconteceu, Orion comentou que foi uma hemorragia causada pelo acidente, isso explicava o sangue, ninguém precisava saber que era por causa de envenenamento. Evie estava sorridente, entretanto, Biana estava com receio de se aproximar de Perseu por causa da Princesa que a encarava.
—Com licença Rei Estevão. – Biana chamou a atenção. – Aan. Estive pensando, e mesmo que eu admire gesto gracioso de vossa Alteza, não quero parecer ingrata, mas, eu não sei se estou preparada para ver minha família uma vez por ano.
—Você se acostuma. – William a tranquilizou. – No começo dá uma saudade, mas... – Biana colocou o dedo nos lábios.
—Como pode ter certeza senhor William? – Ele deu um sorriso.
—Meu filho é do outro lado, é um passeio agradável. – Ela olhou para Perseu, pareceu mesmo que estevão estava a fim dela, não que Perseu não pareceu interessado, mas, Saphiral era tão longe, seria muito tempo longe da família, uma vez por ano? – E Perseu é super carinhoso, do jeito que uma garota sonhadora deseja. – Biana sorriu, mesmo que a Princesa a deixou meio assim, era um Rei, com muitos atributos.
Estela não conseguiu esconder a felicidade ao ver a menina basicamente estar desistindo de Perseu, ela escondeu o sorriso tomando um gole de chá, entretanto ela não esperava que ele tocasse na mão dela.
—Não precisa se sentir pressionada a ir, por hora realmente não é seguro, e a segurança é a coisa mais importante para uma dama como você. – Evie e Estela reviraram os olhos quanto a essa menção. – Não precisamos apressar nada. – Estevão deu um sorriso e os observou, Evie estava furiosa, com uma mulherzinha bem vestida ousava considerar digna de Perseu?
O dia seguiu sem problemas, o almoço surpreendeu Evie, ela jurava que a irmã estava morta, e ficou indignada quando chegou e viu que Eilon e Elisa estavam bem, sua irmã estava corada, todos pareciam felizes, exceto ela, Orion também não estava na mesa do almoço, então ela não se atreveu a participar da refeição, foi em direção ao quarto do primo e bateu desesperadamente, todos estavam em pânico de madrugada, ela dormiu com os gritos e os passos assustados, como ela estava bem? Era pra ela estar morta.
—Quem é?
—Evie! Abre aí!
—Não.
—(...) Como não? O que você tem? Não foi comer hoje, está bem? Está doente? – Ele abriu uma fresta da porta. – Credo, você está péssimo. – Ele estava com sono e com medo da prima.
—Eu sei.
—O que aconteceu?
—(...) Me diz você Eveline o que aconteceu... – Ela olhou sem entender. – Não quero falar agora, estou com sono, estou cansado, quero dormir. – Orion tentou fechar a porta, mas, Evie empurrou e entrou no quarto dele com tudo.
—O que eu sei que aconteceu? – Orion se afastou, ela estava assustadora, foi quando ela viu a adaga com sangue que ele tinha usado nos ferimentos de Elisa. – (...) Você ajudou Elisa? – Ela gritou. – Porque? Sou sua prima fav.
—Não, você está assustadora. – Ele tentou se afastar, o sono deixou seu corpo pesado, e foi nesse momento que ele vacilou.
Perseu estava interagindo suavemente com Biana, sorria pra ela durante a refeição, foi quando todos ouviram um grito, seguindo por um barulho ensurdecedor de raios e trovões. O coração de William parou.
—Orion! – Ele saiu da mesa e correu em direção ao quarto do filho, Perseu o seguiu, mas, William foi mais rápido e ele parou na porta. – EVELINE! – Ele berrou e a garota saiu de cima do filho, ele estava sangrando, tinha sangue no chão. – Foi quando Perseu chegou e segurou ela pelo ombro, não deu tempo dela virar, Perseu tocou na coluna dela seguido da cabeça e a garota apagou. Ele fez ela dormir. – Filho, tá tudo bem? – Ele estava aflito, foi quando o menino se sentou, segurava o rosto com as mãos. – Fala comigo.
—Estou bem. – Ele estava tremendo, suas mãos estavam cortadas, ele tentou se defender. Perseu colocou Artemisa no quarto, fechou a porta e foi ver como o sobrinho estava. Quando Orion abaixou as mãos havia uma grande cicatriz no rosto do menino, em forma vertical do lado esquerdo. Perseu não conseguiu falar, foi um corte profundo. Ele observou a expressão do tio. – Estou bem, ela me imobilizou e.
—Lado que morre. – Ele se olhou no espelho e sentou-se em seguida, ardia, mas, não era por isso que ele começou a chorar. William não entendeu, apenas o abraçou. – O que aconteceu? – O garoto não sabia dizer foi muito rápido. Perseu olhou para os dois, ele sentia que tinha decepcionado três pessoas, sua irmã, seu sobrinho e William. – Se lave garoto, não queremos que fique feio. – Ele concordou.
Navi; coloque toda Calasir para dormir, com exceção de você, eu e Estela. Agora.
O jovem se esqueceu como era ser chamado por Perseu de longe. Foram alguns segundos, quando isso aconteceu, William deitou em uma cadeira e seu sobrinho deitou na cama, ambos com calma. Estela olhou assustada quando de repente todos ficaram em silêncio e dormiram de repente, foi quando Navi tocou nela e ela se assustou.
—O que aconteceu? – Ela olhou em volta e se levantou, foi quando Navi apareceu com Perseu segurando a filha nos braços. – O que aconteceu?
—Precisamos ir para outro lugar.
—Porque?
—Evie. Artemisa. – Navi se atrapalhou. – Precisa libertar os poderes dela.
—(...) Porque? – Ela perguntou receosa.
—Ela feriu Orion. – Estela não esperava por isso, Elisa era compreensível, mas, Orion? – Eu não sei mais o que fazer, senão isso. – Estela o observou. – Preciso que você vá conosco, porque quando Navi desfazer o feitiço, você vai precisar estar no mesmo lugar. – Ela acenou positivamente. – Onde podemos ir? – Ela respirou fundo.
—Praia das lavandas. É afastado, pode ser? – Perseu concordou.
—Navi mantenha Calasir dormindo, até voltarmos. – Ele acenou. – Você podia ter feito isso.
Os dois correram com a garota até o covil, na qual os dragões estavam adormecidos. Estela ficou apreensiva, foi quando Perseu a fez tocar em Jaspe, foi uma sensação boa, um toque que ela sabia que sentia falta. A sensação de voltar para a praia das lavandas com Perseu aquecia o seu coração, olhando para a situação, eles eram uma família, ela Artemisa e Perseu, seu coração disparou apenas de pensar nisso. Mas, para Perseu era o que ele sempre quis, apenas as duas na sua vida, como ele havia proposto antes. Entretanto ele não podia se segurar nisso. Assim que chegaram, Perseu pulou de jaspe sem desequilibrar com Artemisa, ele a colocou sobre a areia, enquanto Estela observava, ele trouxe um laço vermelho na qual ele fez um círculo, em volta da menina, ele recitou um feitiço fazendo uma bolha cor de rosa ficar sobre ela como um domo de vidro, mas era de energia. Ela estava desacordada, quanto mais palavras Perseu recitava, ela levitou, e em pouco segundos seus olhos tomaram uma cor azul, ela gritou e quando menos Estela esperou o corpo da menina se consumiu em chamas, sendo consumida por gelo em seguida. Estela ia avançar, mas, Perseu a impediu. Era isso mesmo que acontecia, era como se Artemisa fosse uma caixa de Pandora, com o grito os 14 anos de poderes foram soltos de uma vez, por isso o domo, para evitar que os poderes se espalhassem pelo reino, e cometessem um estrago entre as dimensões. Porém, quando o corpo foi consumido por chamas de novo, o domo se estilhaçou, e Perseu correu para ficar sobre ela, nenhum poder podia ir muito além. Ela ainda estava inconsciente, mas, logo ia acordar.
—Funcionou? – Perseu a pegou no colo novamente.
—Sim, era muita coisa. Estela, desculpe por entrar no seu caminho e. – Ela tocou no rosto dele o que fez ele calar. Como ela queria beija-lo, mas, não podia.
—Não sabíamos que isso aconteceria. Foi a muito tempo...
—(...) Você se arrepende? – Estela ficou em silêncio, ele entendeu. – Precisamos voltar.
Quando voltaram, apenas deu tempo dele colocar Artemisa no seu quarto, e Estela se sentar junto com Navi a mesa, que o feitiço foi desfeito, era como se eles tivessem parado no tempo. William levantou e olhou confuso para Perseu.
—Está tudo bem. – Orion o encarou.
—Você fez a gente dormir? – Perseu deu um sorriso. – O corte.
—Sua mãe nem vai saber. Passe um remédio, vamos torcer para não ficar a cicatriz. – Ele concordou.
—Você quer comer? – William perguntou.
—Agora eu quero limpar isso e voltar a dormir, estou com fome. Eu não quero ver a Evie. – Ambos entenderam.
—Eu te ajudo.
—Obrigado pai.
Perseu voltou para a refeição, na qual Estevão perguntou o que aconteceu, ele disse que Orion se desequilibrou da cama caiu e se machucou, ele ficaria bem, mas, William ficaria com o filho, o que foi uma resposta aceitável, ele acenou discretamente para Estela, a refeição seguiu tranquila, ao menos uma coisa estava resolvida.
Evie acordou na hora do jantar se sentindo mais leve, mais tranquila, menos cansada e estressada, se sentia diferente. Estava mais quieta, e foi um alivio por três dias seguidos, ela não provocava os irmãos, não falava seu corpo estava se adaptando a falta de energia que ela perdeu, então ela dava atenção a outras coisas, como aplicando remédios em Ruphi e Gameon, Eilon estava atento à Orion particularmente, Elisa estava grata a ele por ter salvado a sua vida, mas, estava atenta, por causa disso, Ethan, Elora e Evan o vinham como o salvador de Elisa e onde ele ia os menores acompanhavam, Elora elogiava a cicatriz dele, porque sabia que aquilo o deixava mal. Evie não ligava, não estava receosa ou irritada, seu corpo ainda estava lento, e Estela se perguntou se tivessem feito aquilo antes, o convívio com a família seria melhor. Mas, a onda de paz acabou em uma tarde, enquanto todos tomavam chá, e Biana queria saber mais sobre Saphiral, os prós e contras dela ir pra lá, Melerofonte pousou de repente no ombro dele. O que assustou e surpreendeu a moça.
—Que pássaro lindo, que cores vibrantes.
—É uma fênix. – Estela a cortou, ela estava fazendo isso sempre que podia, sem intenção.
—Está com o selo de Ruphira. – Perseu disse animado e desenrolou o pergaminho começando a ler com calma, linha por linha, William se aproximou animado.
—O que está escrito? – Ele perguntou. – O que Auterpe quer? Tem alguma novidade?
—(...) Bom. – Ele estava um pouco chocado. – Ela entrou no meio da guerra junto com os outros Governantes. – Todos prestaram atenção, e afeição de William mudou. – Durante os dias ela mencionou muito você William. – Ele sorriu. – Auterpe pediu para casar com você, se você aceitaria ser o esposo dela. – Estevão e Estela deram um sorriso largo, 14 anos, depois para ter um pedido oficial, ele sorriu, e gargalhou.
—Claro que eu aceito. Como assim eu iria recusar? (...) Ela quer mesmo casar comigo? – Perseu acenou e dobrou a carta, sua expressão não era animada como os dos outros. – Perseu?! Não é uma coisa boa?
—Eu acho que essas foram as últimas palavras dela. O último pedido dela.
—Que? Como assim?
—Ela foi ferida, durante os duelos; eles estão em Zaryhalo.
—E onde fica esse lugar? – Ele perguntou em pânico.
—Longe, oposto de Ruphira. Eu preciso ir ajudar ela. Rei Estevão, Rainha Estela, William, Lady Biana, desculpem-me, eu preciso ajudar eles. Preciso ajudar minha irmã. – Perseu como sempre saiu correndo, deixou sua irmã lutar sozinha, mas, William o seguiu. – Para onde você vai?
—Eu vou com você!
—Não. William, eles não são assassinos, não são Guardiões, eles são Mercenários! Eles são perigosos, você tem que ficar aqui pelo seu filho... Por Artemisa. – Ele negou.
—Perseu, ela é a mãe do meu filho, ela se pediu para casar comigo, eu aceitei, eu vou, seja para ver o corpo dela, ou para acabar com quem fez isso com ela. Eu vou! Não quero saber! – Ele sentiu as emoções serem transbordadas do corpo dele. – Eu tenho armas pra isso, eu vou torturar cada um deles. E outra, quero que Orion saiba que eu me importo com Auterpe, eu quero ir. – Perseu olhou para Atlas, ele era enorme, chamaria muita atenção.
—Pega seu arsenal. – Não podia impedi-lo. Zaryhalo era um Reino sem reis, era repleto de montanhas e florestas, ou seja, a guerra ainda estava acontecendo. Quando William saiu Estela e Estevão apareceram.
—Você está saindo?
—Eu e William.
—William? – Estevão deu risada. – Não está falando sério.
—Ele quer ir, é Auterpe. – Ele olhou para o Pégasus, ele parecia mais forte. – Vocês podem ficar de olho em Orion? – Ambos concordaram. – Posso ir com o Pégasus? – Estevão concordou, Estela entretanto ficou receosa, não sabia como a filha iria reagir.
—Calma, porque não vai no seu? Não quero parecer grossa, mas.
—Ele chamaria muita atenção, só precisamos que ele nos leve até lá, depois eu mando de volta. – Estela pensou um pouco. – Não queria que a filha ficasse agressiva, os dias tinham sido calmos.
—Levem Sinler. – Estevão a encarou. Era a chance dele se livrar daquele pombo com cascos. – Ela é veloz, é prateada, não vai chamar tanta atenção. – Perseu engoliu em seco. Era a única opção, mas, ele não queria confusão.
—Mandarei ele assim que pousamos, ele não vai se ferir. Eu prometo. – Foi quando William chegou com uma bolsa ela estava cheia de todo tipo de arma de tortura, faca, venenos, o que ele encontrou. Perseu suspirou e olhou para Estela por uns segundos. – Está pronto William?
—Estou, Gameon é mais tranquilo melhor do que um dragão. – Perseu deu um sorriso, e em seguida ele tocou no pescoço o Pégasus, que abriu suas asas de uma forma mágica.
—Não será tranquilo. Estamos com presa.
—Como?
Gameon cavalgou com uma força e quando alcançou voo, deslizou como o vento, estava mais rápido que um raio, Perseu precisou acompanhar o ritmo para abrir o portal e atravessarem para Pardóx, eles sumiram de vista imediatamente. Os ombros de Estela caíram, estava preocupada, ambos estavam desesperados; não queria pensar na possibilidade de Orion ficar órfão, não suportaria a ideia de perder Perseu também, mas, por um lado sua filha estava mais tranquila.
Era isso que ela pensava, era isso que Evie queria que os outros pensassem, que ela estava calma, quando na verdade ela se sentia mais forte.
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