Amo te odiar

20 13 anos Depois


Notas iniciais
Olá! Qual o lugar mais aleatório onde pode acontecer um reencontro? Em um shopping! Boa leitura!!!

Depois de uma semana exaustiva de trabalho, o final de semana é um alento. São dois dias para descansar, visitar a família, sair para se divertir, enfim, aproveitar como bem entender. E um lugar, que é considerado por muitos, perfeito para se passar o fim de semana é o shopping. Marcelo não pensa assim. Ele não é muito de sair e acha os shoppings um verdadeiro tédio, preferindo até ficar em casa assistindo uma série ou um filme ou até mesmo visitar seus pais. Porém, algumas vezes, gosta de visitar o lugar.

Em um sábado, Marcelo recebeu uma mensagem de Fernando pedindo para o encontrar no shopping, ele queria comprar um presente para a sua namorada e queria a companhia do irmão. Marcelo aceitou o convite e também, fazia um tempo que não se encontrava com Fernando.

Marcelo parou o carro em frente ao prédio onde seu irmão mora, desceu e pediu para o porteiro avisar Fernando que ele havia chegado. O porteiro atendeu o pedido de Marcelo e alguns minutos depois Fernando apareceu, vestindo uma camisa de malha estampada, calça jeans e tênis cinza.

— Fala, meu irmão! — Fernando deu um abraço em Marcelo. — Tá sumido, hein?

— Tenho trabalhado muito, os dias no escritório têm sido muito corridos. Ultimamente, tenho chegado em casa e ficado por lá, apenas relaxando. — Respondeu Marcelo.

— Hm, o advogado preferido do papai e da mamãe.

— Olha quem fala, o futuro arquiteto preferido do papai e da mamãe.

Os dois riram, entraram no carro e foram para o shopping.

...

— Malu! Está pronta? — Perguntou Mariana, pegando a chave do apartamento.

— Só um segundo. — Malu passava um batom cor de rosa. Quando terminou, saiu do banheiro dizendo:

— Estou pronta. Vamos?

As duas saíram. Chegando no estacionamento, foram em direção ao carro de Malu, entraram e foram para o local de destino delas, o shopping.

Malu, você se prepare. Pois, hoje vou andar aquele shopping de cima a abaixo. Recebi e vou aproveitar para renovar o meu guarda roupa. Você devia fazer o mesmo. Nem que seja comprar um acessório.

— Pode deixar, Mari. Se houver alguma coisa bonita, eu compro. — Disse Malu, rindo.

— Faz bem comprar algo para si, eleva a nossa autoestima. E também, enquanto procuramos uma loja, temos a chance de encontrar, como vocês dizem por aqui, um gatinho ou até um novo romance.

— No shopping? Esse é lugar mais aleatório para se encontrar um amor. Normalmente o que mais se vê por lá são casais andando de mãos dadas e solteiros bem desinteressados em relação ao romance. E também, não estou interessada em encontrar um amor no momento.

— Já te disse uma vez e torno a repetir, quando menos se espera, o amor te acha. Nunca duvide disso.

...

— E então? Já decidiu o vai dar para a Tatiana? — Perguntou Marcelo.

— Ainda estou na dúvida. — Respondeu Fernando, enquanto passava pelas vitrines. — A Tati gosta de usar vestidos e saias longas, blusas lisas, cordões grandes, enfeites de cabelo. Sapato, então, qualquer rasteirinha já está bom para ela. É uma garota de modos simples, mas que sabe se vestir com elegância quando necessário, e eu sou completamente apaixonado por esse jeitinho dela.

— Pelo jeito que fala, ocê encontrou a garota certa, Nando.

— Encontrei. Desde a primeira vez que a vi, sabia que a Tatiana seria a minha namorada. O jeitinho meigo dela, delicado, a risada, a voz, o olhar, aqueles olhos castanhos, tão lindos... até suspiro ao vê-los.

— E mais um detalhe, a mamãe gosta dela.

— A mamãe gosta da Tati. — Fernando levantou as mãos para o céu. — Foi uma tremenda sorte, eu ser apaixonado por uma garota e a mamãe gostar. Nossa mãe é difícil, fico pensando como o nosso pai a conquistou de primeira.

— Vai ver que eram para ficar juntos. — Marcelo deu de ombros. — Se não tivessem ficado juntos, não estaríamos aqui.

Chegaram a uma loja, eles entraram e continuaram a conversar.

— E você, Marcelo? Quando vai arranjar uma nova namorada? — Perguntou Fernando.

Marcelo olhou com cara feia para o irmão.

— Tudo bem, não toco mais no assunto. — Fernando levantou as mãos em rendição. — Sei que não quer voltar a namorar por causa do trauma deixado pela Estefani. Mas pensa bem, Marcelo, acho que está na hora de arrumar um outro amor, uma nova namorada, para esquecer todo esse trauma. Se apaixonar não é ruim, vai que seu verdadeiro amor está pro aí, esperando para ser encontrado? Quando o encontrar, vai se apaixonar e viverá os melhores momentos da sua vida.

— Não sei. Será?

— Desconfiado...Puxou a mamãe. — Fernando revirou os olhos. Ele pegou um grande e delicado colar de pérolas. — Perfeito! É esse o presente que vou dar para a Tati. E vou levar mais essa pulseira com lacinhos, que ocê me mostrou. Marcelo, pode me esperar do lado de fora ou dar uma volta, enquanto pago?

— Claro.

...

Em outra loja, Mariana experimentava roupas.

— O que acha dessa bata, Malu? — Perguntou.

— É linda, mas se te conheço bem, melhor levar outra. — Respondeu Malu.

— É mesmo, é muito simples, queria que tivesse mais flores, mais cor. Vou experimentar outra. E você? Não vai levar nada?

— Vou, mas não dessa loja. Naquela que passamos primeiro, me interessou um conjunto de blusa e short.

Égua, então vá lá e compre. Pode deixar, que termino de fazer as minhas compras. A gente se encontra depois.

...

Marcelo dava voltas no shopping com as palavras de Fernando na sua cabeça. Será que estava na hora de encontrar um novo amor? Ele não admite, mas sente falta de ter uma namorada, de abraçar, fazer um carinho e declarações de amor e dos beijos apaixonados. Mas Marcelo tem medo de se decepcionar, ter outro namoro complicado e sofrer. Por isso, prefere se manter só.

Só que o destino tem outros planos para ele. Enquanto andava, trombou em uma moça, que vinha na direção oposta.

— Moça, me desculpe... Maria Luíza? — Disse Marcelo, espantado.

— Marcelo? — Disse Malu, também em espanto.

— Nossa...quanto tempo. Diego havia me falado que ocê tinha voltado para BH.

— É, voltei. — Disse Malu, tentando disfarçar. — Faz muito tempo mesmo que não nos vemos, como ocê tá?

— Eu estou bem, me formei em direito e sou advogado em um escritório fundado por mim e por Diego. Posso falar que tenho um cadinho de trabalho. — Disse Marcelo, rindo enquanto passava a mão nos cabelos loiros escuros com jeito encabulado. Malu se lembrava bem desse jeito e se lembra também que achava um charme na adolescência. — E você?

— Eu? Bom, me formei em jornalismo durante o tempo que passei em POA...

— Onde?

— POA...Meu Deus, me desculpe. Às vezes me esqueço que estou em outra cidade e falo isso direto. POA é como os gaúchos chamam a capital Porto Alegre. — Explicou Malu, rindo. Marcelo também riu e se lembrou que ficava encantado com o sorriso dela. — Continuando. Depois do tempo que passei em Porto Alegre, voltei para Belo Horizonte e trabalho como jornalista em canal de tv.

— Que legal. E tá namorando? — Marcelo tampou a boca logo em seguida, uma pergunta impensada. — Me desculpe, saiu sem querer. Não devia ter te perguntado isso, foi bem invasivo.

— Foi mesmo, mas te desculpo, pois, sei que atos falhos acontecem. E quanto a sua pergunta sem querer, a resposta é não, não estou namorando.

Marcelo ficou sem graça e pediu desculpas novamente, dizendo que iria se encontrar com o seu irmão. Ele se despediu de Malu com um aperto de mão, os dois sentiram algo quando se deram as mãos.

...

Fernando esperava Marcelo em frente à loja, quando viu o irmão, ele bateu as mãos na perna e disse:

— Pô, mano. Onde ocê tava? Tô aqui maior tempão te esperando e ocê não aparecia. Quase te liguei.

Uai. Fui dar uma volta no shopping como me pediu. — Disse Marcelo.

— Mas não era para sumir, . Só tava te esperando para irmos lanchar.

— Bora, então.

Enquanto iam para a praça de alimentação, Marcelo olhava, em cada canto, se encontrava Malu.

...

— E então? Já comprou? — Perguntou Mariana.

— O short já encontrei, só falta a blusa agora. — Respondeu Malu. — É por aqui, tenho certeza.

— Será que não está nesta arara de roupas, bem aqui na sua frente?

— Não, não é aqui é...ah é mesmo. Nossa, como fui distraída.

Malu começou a olhar as blusas e a pegar uma por uma e as pôr de volta no lugar.

— Malu, tá tudo bem? — Se preocupou Mariana.

— Reencontrei o Marcelo. — Respondeu Malu, no impulso.

— O quê? Quem?

— O Marcelo. O garoto com quem eu estudei há 13 anos, lá no colégio Santa Mônica e com quem eu dei o meu primeiro beijo.

— Ah, lembro dele. E aí?

— Daí que pra mim foi um susto. O reencontrar aqui no shopping depois de tantos anos. Senti algo no meu peito, um frio, um nervoso que só sentia quando era adolescente. Ai, Mari. Ele continua bonito como antes, de barba, então, parece um sonho. Conversamos um pouco, ele falou sobre a vida dele, se formou em direito e trabalha como advogado. Também falei sobre mim.

— E? — Perguntou Mariana, demonstrando interesse.

— E mais nada. Nos despedimos e ele foi se encontrar com o irmão dele. Mas confesso que quando apertamos as nossas mãos, eu senti tipo um calorzinho aqui dentro.

Mariana pegou uma blusa rosa com listras brancas finas, perguntou para Malu se essa era a blusa, ela respondeu que sim, uma blusa que pegou várias vezes. Mariana aproveitou e completou.

— O que eu te disse hoje? Que quando menos você esperasse, o amor iria te achar.

— O amor me achar? Que conversa é essa, Mariana?

— Ora, não vai me dizer que esse reencontro, não é um sinal para um novo romance? E que talvez seja esse Marcelo, alguém do seu passado, a te levar novamente ao caminho do amor?

— Vou falar igual ocê fala comigo. Tá frescando com a minha cara, Mariana? Foi um reencontro por acaso, vai ver que nunca mais vou vê-lo.

— Por acaso ou foi destino? — Brincou Mariana.

— Tá bem questionadora hoje, hein? Vamos logo pagar as compras.

Elas se encaminharam para o caixa, no caminho Malu ficou pensando pode ter sido em forma de brincadeira o que sua amiga disse, mas e se fosse verdade? E se o reencontro com Marcelo foi um sinal do amor? E que ela e ele se reencontraram por obra do destino? O amor que ela sentia por Marcelo na adolescência, que parecia esquecido, começava a retornar ao coração de Malu.