Amo te odiar

21 Nova chance ao amor. Uma possibilidade.


Notas iniciais
Olá! Demorou, mas...FINALMENTE SAIU! Desde dezembro do ano passado, estou tentando escrever este capítulo (detalhe importante, esta história só sai quando estou inspirada para escrevê-la). Nesse capítulo, Marcelo e Malu começam a repensar sobre romance e pensam em dar uma chance para o amor. Boa leitura!!!

Malu adora trabalhar como jornalista, principalmente, na área esportiva. Escreve matérias, produz textos de análise e conteúdo para os programas, confere e confirma informações, enfim, ela se sente bem e feliz com o que faz. Ainda mais em 2021, ano em que seu time, Atlético Mineiro, vem ganhando espaço na mídia por seu bom desempenho no Campeonato Brasileiro, acompanhar e escrever sobre este momento, é um deleite para ela.

Um dia, Malu foi surpreendida com a notícia de que iria acompanhar e escrever uma matéria de um jogo da série B, mas não seria qualquer jogo, seria um jogo do Cruzeiro. Além da surpresa, a curiosidade também a tomou, como seria um jogo do time celeste?

Em uma sexta-feira à noite, vestindo uma blusa de malha branca e calça jeans, Malu foi para o estádio Mineirão. Quando chegou, já começou os preparativos para o seu trabalho.

...

Aquilo que Marcelo ou qualquer torcedor cruzeirense imaginava que jamais aconteceria, aconteceu: O Cruzeiro estava disputando a segunda divisão do Campeonato Brasileiro, e havia mais um detalhe, era seu segundo ano na competição. Pois, o clube foi rebaixado em 2019, não conseguiu o acesso em 2020 e tenta voltar para a elite do futebol em 2021.

Desde o rebaixamento do clube, algumas noites de sexta para Marcelo foram diferentes, pois, ele fazia questão de acompanhar cada jogo que o Cruzeiro fazia em casa. Marcelo vestia a camisa de seu time e ia acompanhado por amigos ou até mesmo sozinho ao estádio. Nesse dia ele foi com seu pai e enquanto se encaminhavam para os seus lugares na arquibancada, foram conversando.

— Estou me lembrando de uma vez em que assisti a um jogo do Cruzeiro acompanhado. — Disse Nathan.

— É mesmo, pai? E com quem que foi? — Perguntou Marcelo, curioso.

— Com a sua mãe. — Respondeu Nathan, deixando o filho espantado. — Não me lembro contra que time foi, mas me lembro que a sua mãe estava grávida de você, devia estar com cinco ou seis meses, Carla estava linda com aquele barrigão. Brinquei muito com ela, pois, o Cruzeiro havia vencido. E foi ali que decidimos que você torceria para o mesmo time que eu. Eu ficava falando que você torceria para o Cruzeiro, já tinha até comprado a roupinha. Sua mãe ficava rindo e dizia que isso não era possível, então, eu fiz a proposta, a convidei para ir a um jogo comigo e se o Cruzeiro vencesse, o nosso primeiro filho torceria para o mesmo time que eu.

— Imagino a cena, a mamãe atleticana assistindo a um jogo do Cruzeiro, e o senhor comemorando uma vitória.

— Aquele dia foi muito divertido. Assim que o jogo acabou, eu passei a mão na barriga dela e falei: “O nosso primeiro neném vai ser cruzeirense”.

— Primeiro? Então, naquela época o senhor já estava prevendo a chegada do Fernando? — Perguntou Marcelo, se sentando na cadeira.

— Não diria que estava prevendo a chegada do seu irmão. — Nathan também se sentou, soltando um gemido baixo com a dor nas costas. — Mas é que desde que me apaixonei pela sua mãe, sempre quis ter muitos filhos com ela. Só que aí, quando eu falei que você torceria para o Cruzeiro, sua mãe automaticamente disse “Então, nosso próximo filho vai torcer para o Galo.” Foi assim que o Fernando se tornou torcedor do mesmo time que a sua mãe.

— Parecia que a mamãe compartilhava do mesmo desejo que o senhor. Mas como dizem, o mundo não gira, ele capota, agora, é a mamãe quem está rindo do senhor e de mim. Aliás, ela está dando pulos de alegria, pois, o Galo está muito bem no Brasileiro, sonhando até com o título, o que eu acho bem improvável.

— É mesmo, também penso o mesmo. Quando o Fernando vai lá em casa, ele e sua mãe se unem para comemorar.

...

Depois de um tempo, o jogo foi para o intervalo e nenhum dos times havia aberto o placar. Marcelo aproveitou e foi comprar um lanche, perguntou para o pai se ele também queria, ele disse que não, mas ficou agradecido com a preocupação.

Marcelo andou e chegou na lanchonete, esperou um pouco na fila e quando foi atendido, pediu um misto quente e refri. Enquanto aguardava o seu pedido, ele ouviu uma voz vinda da fila ao lado:

— Por favor, um sanduíche simples e um refri.

Marcelo gelou, reconheceu a voz, mas pensava que era improvável a escutar novamente. Quando se virou, viu uma moça de cabelos cacheados de perfil, e tinha a impressão de que a conhecia. Quase que ao mesmo tempo, os lanches chegaram, a moça pegou o lanche e foi embora, Marcelo também fez o mesmo e após alguns passos, perguntou para a moça:

— Maria Luíza?

Ela se virou e ficou espantada ao ver Marcelo. Ele teve a certeza, era ela, Malu, quer dizer, Maria Luíza. O coração dele começava a bater mais forte, o mesmo acontecia com o dela, enquanto o olhava.

— Marcelo? Nossa, mais uma vez te encontrei por acaso. — Disse Malu.

— O que está fazendo aqui?

— Estou trabalhando na cobertura do jogo, vou escrever uma matéria. Era improvável que eu estivesse aqui, mas confesso que está sendo interessante acompanhar um jogo do Cruzeiro.

— E o que está achando do jogo? Para você, como jornalista e deixando o clubismo de lado, o Cruzeiro sobe?

Os dois se sentaram em uma mesa, enquanto lanchavam e conversavam. Foi uma conversa amistosa, falaram sobre o jogo, sobre suas profissões, compartilharam histórias engraçadas, riram, estavam se divertindo como se fossem velhos amigos de infância. O que ficava claro e evidente entre Marcelo e Malu era o encantamento dos dois um pelo outro. Estava quase na hora do jogo recomeçar, mas Marcelo queria conversar mais com Malu, então, teve a ideia de perguntar, se ela tinha alguma rede social. Malu respondeu que sim, então, compartilharam os perfis e aceitaram a amizade um do outro, Marcelo falou que assim, poderiam conversar melhor por mensagem quando quisessem e Malu concordou. Quando se despediram, foi diferente da última vez, eles deram um beijo no rosto do outro, algo que, internamente, mexeu com os dois e que dava para se perceber nos olhares deles.

...

O jogo havia terminado com a vitória do Cruzeiro, Marcelo estava feliz, mas não era apenas pela vitória de seu time, Nathan percebeu isso e quando entrou no carro, comentou, enquanto colocava o cinto de segurança:

— Percebo um sorriso no seu rosto. E duvido muito que seja apenas pela da vitória do Cruzeiro. Você voltou diferente do intervalo.

— Não, pai. Está enganado. O meu sorriso é pela vitória sim. — Marcelo disfarçou, enquanto ligava o carro.

Durante o caminho, Nathan continuava o assunto:

— Marcelo, não adianta disfarçar. Eu te conheço, esse sorriso é um sorriso apaixonado. O que aconteceu durante o intervalo, que te deixou assim? Pode me falar, filho.

— Tá bom, tá bom. Lembra de quando eu era adolescente, tinha uma garota que era nova no colégio, e que falei que era apaixonado por ela?

— Lembro. Você até contou que se beijaram pela primeira vez. Acho que me lembro do nome dela: Maria Luíza. Acertei?

— Tá com a memória boa, hein, seu Nathan. É isso mesmo. Depois do colégio, a Maria Luíza se mudou para Porto Alegre e ficou um bom tempo por lá. Agora, ela está de volta a BH e a reencontrei, primeiro foi no shopping, depois foi lá no Mineirão. Ela está trabalhando como jornalista. Não sei se o senhor vai lembrar, mas a Maria Luíza é...

— Atleticana.

— Exato. Ela é jornalista e foi escalada para acompanhar um jogo do Cruzeiro e escrever uma matéria. Nos encontramos durante o intervalo e conversamos. Imagina uma atleticana assistindo a um jogo do cabuloso, principalmente com uma vitória? Deve bem engraçado.

— Deve ser mesmo. Então, devo dizer que esse reencontro foi o motivo do sorriso em seu rosto.

Marcelo sorriu e disse, empolgado:

— Pai. Posso falar sinceramente? Eu adorei esse reencontro. Eu sempre achei que nunca mais iria ver a Malu, que ela ficaria no passado e seria uma história para contar. Mas nos reencontramos e todas as conversas que tivemos, foram ótimas, agradáveis, divertidas e que deixaram um sentimento bom em mim, uma alegria que não sentia a muito tempo. Toda vez que a encontro, meu coração bate mais forte, o mesmo que eu sentia quando era adolescente. Ah e tem mais, agora vou poder conversar com ela pelas redes sociais, nós nos adicionamos.

— Faz um bom tempo que não te vejo sorrindo, alegre e empolgado com uma garota. Só te vejo assim com algum projeto novo do trabalho. — Observou Nathan. — Tenho a impressão de que está surgindo uma oportunidade de você se apaixonar novamente, Marcelo.

— Do que está falando, pai?

— Ora, Marcelo, você sabe muito bem. Entendo perfeitamente que você teve um namoro difícil com a Estefani, e que o término entre vocês o traumatizou. Mas não acha que está na hora de deixar outro amor em seu coração? Eu percebo que quando você olha para o Fernando com a Tati, se sente sozinho, até um pouco triste, querendo ter alguém por perto, para amar. A minha opinião é que deveria dar uma oportunidade ao amor, e talvez seja a Maria Luíza, que apareceu em seu caminho como uma nova chance ao amor.

— O senhor não é a primeira pessoa que me diz isso, o Diego e o Fernando também me falaram a mesma coisa, claro que de formas diferentes, mas com o mesmo significado. O Diego pensa como o senhor, a Maria Luíza voltou para que eu possa amar novamente. E o Fernando disse que estava na hora de eu me apaixonar novamente e que quando isso acontecer, vou me sentir no melhor dos mundos. — Marcelo parou de falar e pensou um pouco. — E se não der certo? Se a Maria Luíza não quiser ter um relacionamento romântico comigo? E se ela me quiser apenas como amigo? Ficarei com um amor não correspondido dentro mim e serei infeliz.

Marcelo parou em frente a uma casa, Nathan retirou o cinto de segurança, se despediu do filho, agradeceu pelo passeio e disse:

— Marcelo, você nunca vai saber o que vai acontecer, se não tentar. Eu sei que está inseguro, mas escute o seu coração e tenha coragem. Fale com a Maria Luíza o que sente.

— Mas se ela disser que me quer apenas como amigo? — Marcelo perguntou receoso.

— Se isso acontecer, vocês serão apenas amigos e você vai procurar um outro amor. — Nathan colocou a mão no ombro de Marcelo. — O importante é tentar.

Assim que o pai saiu do carro, Marcelo disse:

— Mande um beijo para a mamãe. E pai, eu vou fazer o que está me pedindo, vou tentar e dar uma nova chance ao amor.

Nathan sorriu e disse:

— Muito bem, meu filho. Eu quero te ver sendo feliz.

...

No dia seguinte, Malu trabalhava na redação escrevendo a matéria sobre o jogo da noite passada. Quando foi escrever sobre o jogador que havia dado a vitória ao time celeste, sorriu, por coincidência, o nome dele é Marcelo. Malu riu de si mesma, revirou os olhos e terminou a matéria. Quando terminou, foi tomar um pouco de café, no caminho, se lembrava do encontro que teve com Marcelo, no Mineirão. Como se divertiu conversando com ele, como foi bom reencontrá-lo. Quando chegou à máquina de café, pegou um copo, colocou um pouco de café, tomou e ficou pensando, já fazia muito tempo que não sentia o seu coração bater tão forte, quanto sente ao estar perto de Marcelo, nenhum de seus ex-namorados a fez se sentir assim. Se estivesse ali, Mariana diria que destino está dando uma ajudinha para ela se apaixonar, reaproximando os dois. E talvez ela estivesse certa, quem sabe esses reencontros inesperados, signifiquem que o amor a achou? E que estava na hora de viver um novo amor? Voltando para a sua mesa, Malu imaginava como seria divertido e apaixonante namorar Marcelo. Mas isso só na imaginação, na vida real, vai deixar a vida fluir.