Amo te odiar
24 1 ano : "Meu namorado"
Notas iniciais
1 ano! O amor que começou na adolescência e passou um bom tempo adormecido, está completando 1 ano. 2022 é um ano bastante especial para Marcelo e Malu, além de celebrarem 1 ano de amor, eles estão muito bem e progredindo em suas carreiras.
Então, chegou um momento importante, eles serem apresentados para suas respectivas famílias. Durante uma seção de filmes no apartamento de Marcelo, ele e Malu conversavam e organizavam como seriam os jantares.
— Então, Malu. Vamos primeiro na casa dos meus pais ou na casa dos seus? — Perguntou Marcelo, enquanto pegava um pouco de pipoca.
— Estive pensando em começar pela casa dos meus pais. — Respondeu Malu.
Marcelo engasgou com a pipoca e Malu deu tapinhas nas costas dele para o ajudar. Quando se recuperou, Marcelo perguntou:
— Já vai começar pela casa dos seus pais?
— É. Minha mãe disse que podíamos fazer a visita quando quiséssemos. E pode ser nesse final de semana. Ela e meu pai estarão em casa.
— Nesse final de semana?
— Marcelo, não estou entendendo o seu comportamento. Qual o problema de começarmos a visita pelos meus pais?
— Não tem problema nenhum. É que, eu queria começar pelos meus, assim posso me acalmar.
— Se acalmar? — Perguntou Malu, tomando um pouco de refrigerante em seguida.
— É que eu estou muito nervoso, posso me atrapalhar na frente do seu pai e ele encrencar com o nosso namoro.
Malu sorriu e abraçou o namorado.
— Marcelo, eu entendo o seu nervosismo, é normal um homem se sentir inseguro quando vai falar com o sogro. Mas deixa eu te perguntar, quantos anos estamos juntos?
— 1 ano.
— Se não tivéssemos dado certo lá no início, estaríamos comemorando esse ano de namoro e fazendo planos para conhecer nossas famílias?
— Não.
— Então, meu amor. Não se preocupe, dará tudo certo. Deixa eu te contar, meu pai já gosta de você. Apesar de ser cruzeirense, você está me fazendo feliz e isso é o que importa para ele. E outra, o seu Lucas não é tão bravo assim para dar medo.
— Está bem. Vamos jantar com os seus pais primeiro. — Marcelo afastou o balde de pipoca e deu um beijo apaixonado em Malu.
...
É sábado à noite. Enquanto se arruma, Marcelo tentava se acalmar, pensava positivo, dizia para si mesmo que tudo iria dar certo e ensaiava o que iria falar.
— “Boa noite, dona Ângela. Boa noite, seu Lucas. Vocês têm uma bela casa. Bom o quero dizer para vocês é que amo a filha de vocês e quero muito a fazer feliz.” Meleca! Tem “vocês” demais. — Marcelo lamentou. — Acho melhor assim “Boa noite, dona Ângela. Boa noite, seu Lucas. Vocês têm uma bela casa. Bom, quero dizer que amo a Malu e quero muito a fazer feliz.” É isso! — Comemorou Marcelo, com um soco no ar. — Vai dar tudo certo.
Ele notou que o celular dele vibrou, era Malu mandando uma mensagem dizendo que estava o esperando em frente ao prédio. Marcelo trancou o apartamento, respirou fundo e foi se encontrar com a namorada.
...
Malu parou em frente a uma casa de portão cinza.
— Então, vamos? — Perguntou Malu.
Marcelo respirou fundo e respondeu:
— Vamos!
Os dois saíram do carro e ela tocou o interfone. Marcelo percebeu a relação de carinho entre a namorada e a mãe dela nas poucas palavras trocadas entre elas. Em poucos minutos, o portão foi aberto, de mãos dadas, Malu e Marcelo entraram. Dentro da casa, Ângela e Lucas estavam de pé, aguardando a chegada de Malu.
— Comporte-se, Lucas. — Disse Ângela. — Seja gentil com o namorado da nossa filha. Não vá assustar o rapaz, hein?
— Assustar? Do que está falando, querida? — Perguntou Lucas, levantado uma sobrancelha, em espanto.
— Do seu olhar de julgamento, qualquer um que te veja com esse olhar, se sente indo para uma inquisição.
— Está exagerando, Ângela. Eu não vou assustar o garoto, você sabe muito bem que eu só quero a felicidade da nossa filha. E percebo que ela é feliz com esse rapaz. É o que eu mais quero. Mas...se eu perceber algo de errado nele, sinto muito, eu terei de ser mais rígido.
Malu entrou de mãos dadas com Marcelo. Ângela sorriu e deu uma leve cutucada no ombro do marido, que soltou um leve sorriso.
— Boa noite! — Disse Malu. — Mamãe. Papai. Este é o meu namorado, Marcelo.
— Boa noite, dona Lucas. Boa noite, seu Ângela. Vocês têm uma bela filha. Bom, quero dizer que amo a casa e quero muito a fazer feliz. — Disparou Marcelo, só quando terminou ele percebeu que tinha invertido a ordem do que falou. Notou principalmente a expressão de espanto de Lucas. — Me desculpem, eu me atrapalhei, vou começar de novo. Boa noite...
— Não precisa, Marcelo. É normal nos atrapalharmos de vez em quando. — Interrompeu Ângela, falando de forma carinhosa. — Entre e se sinta à vontade.
Os quatro foram para a sala. Marcelo ainda se sentia envergonhado pelo o que falou, “Como fui dar uma mancada dessas? Ainda mais na frente do pai dela?” pensava Marcelo. Quando ele ia se sentar, Ângela chamou Malu para ir até a cozinha, Lucas se sentou na poltrona e ficou encarando Marcelo, que se sentia apavorado com o olhar dele.
— Então...você é advogado? — Perguntou Lucas, ajeitando os óculos.
— Sim, sou advogado. — Respondeu Marcelo, meio sem jeito. — Tenho meu próprio escritório de advocacia.
— Hm. Gostei de saber. Mas o que me interessa, é... quais são suas verdadeiras intenções com a minha filha.
— Verdadeiras intenções? — Perguntou Marcelo, confuso.
— Quero saber se pretende manter esse namoro.
— Pretendo, vou e quero manter o namoro. — Marcelo respondeu com firmeza. — Já tive um relacionamento complicado e que não acabou muito bem. Com a Maria Luíza, eu redescobri o amor. Os dias que passo ao lado delas, são alegres, felizes e apaixonantes. Quando nos encontramos, são os melhores momentos da minha vida.
Lucas ficou impressionado com a fala de Marcelo, ele estava esperando um moleque aventureiro, que estava iludindo a sua filha. Porém, viu em Marcelo um rapaz sério, que ama Malu e que quer um compromisso com ela. Lucas começa a perceber que estava enganado sobre Marcelo.
Durante o jantar o clima estava descontraído, conversas e risos eram trocados, Marcelo estava se dando muito bem com os pais de Malu. Após o jantar, continuaram a conversar, Marcelo e Malu estavam sentados no sofá, juntos e de mãos dadas. Ele reparou que haviam muitos porta retratos com as de Malu e de seus pais, ela explicou cada uma das fotos e Ângela completava com alguma história.
Depois de algum tempo, Marcelo e Malu decidiram ir embora. Lucas aproveitou e chamou o rapaz para o canto, queria dar algumas palavras a ele.
— Marcelo, preciso dizer que no início, eu estava bem receoso e desconfiado com você. Mas durante o jantar, percebi que era besteira minha e insegurança burra de “pai protetor”. Você é um ótimo rapaz, divertido, sério e que a minha filha está muito bem ao seu lado. Percebo bem o brilho nos olhos dela quando está ao seu lado. Continue a fazendo feliz.
— Obrigado, seu Lucas. — Disse Marcelo. — Eu também preciso confessar que estava com medo desse jantar, do senhor não gostar de mim, de eu falar alguma besteira e não me deixar namorar a Malu mais. Mas tudo correu e o senhor é gente boa.
— É. Uma pena que não seja atleticano, pois, aí seria o genro perfeito. — Riu Lucas. — Mas brincadeiras a parte, não me importo muito com isso, como eu te disse e você percebeu, a minha prioridade é a felicidade da Maria Luíza.
— O senhor me fez lembrar de algo que a minha mãe costuma dizer “Torcer para um time contrário do outro, não deveria ser um problema. Não deveria ser empecilho para um romance ou para uma amizade. Não deve ser motivo para briga. Não é preciso odiar alguém só porque essa pessoa torce para um time diferente do seu”.
Os dois se abraçaram. De início Marcelo pensou que seria triturado por aquele senhorzinho de óculos e cabelos cacheados pretos e alguns fios brancos. Mas percebeu que ele é um bom amigo e com quem poderá conversar algumas vezes.
— Pai? Marcelo? Está tudo bem? — Perguntou Malu.
— Está sim, filha. Eu queria trocar algumas palavrinhas com o seu namorado. — Respondeu Lucas.
— Está tudo bem, Malu. — Completou Marcelo.
Malu ficou contente com o que ouviu e viu, seu pai e o seu namorado se dando bem. De mãos dadas, ela e Marcelo se despediram de Ângela e Lucas, e partiram.
— E então, o que achou do nosso genro? — Perguntou Ângela.
— Querida, agora posso dizer com toda a segurança, a nossa filha está muito bem ao lado desse Marcelo. — Respondeu Lucas.
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