Amo te odiar
25 1 ano: "Minha namorada"
Notas iniciais
— Quero algo especial para o jantar com a Malu. Isso. Perfeito. Pode fazer o maravilhoso rocambole de carne moída com cenoura. — Disse Marcelo, reclinado na poltrona enquanto falava no celular. — Tenho certeza de que Malu vai adorar. É. Ela também está ansiosa por esse jantar. — Disse Marcelo sorrindo. — Um beijo para a senhora e mande um abraço para o papai. Tchau e até sábado.
Marcelo respirou, se ajeitou na poltrona e começou a ler os documentos, alguns ele separou em uma pasta cor parda e outros ele assinou com o seu nome. Depois, chamou sua secretária e pediu para entregar a pasta para Diego, ela atendeu o pedido e saiu da sala.
Algum tempo depois, Diego deu duas batidas na porta da sala de Marcelo.
— Marcelo, com licença. Mas que papeis são esses que pediu para me entregar? — Perguntou Diego.
— São os papeis que tem a ver com o caso em que estamos trabalhando juntos e que precisam de sua assinatura. Os meus papeis eu já assinei. — Marcelo mostrou uma pequena quantidade de papeis que foram assinados. — Tanto os meus quanto os seus precisam estar assinados, pois, serão digitalizados e enviados para o cliente.
— Entendi. Mas é urgente?
— Urgente não é, temos até quinta-feira para mandar. Mas quanto mais rápido enviarmos os documentos, melhor para o cliente e para nós. Assim não acumulamos funções nem tarefas.
— Está bem. Vou ler os papeis e assinar. — Diego reparou em Marcelo. —Estou notando um ar mais leve em você. O que houve? Está pensando na Malu?
— Nela e no jantar que teremos com os meus pais nesse final de semana. — Respondeu Marcelo.
— Nossa, já vai ter jantar?
— Como assim, “já vai ter jantar?” Diego se esqueceu de que eu e Malu estamos fazendo 1 ano de namoro? O jantar será para ela conhecer os meus pais, assim como aconteceu o jantar para que eu conhecesse os pais dela. Te contei isso, que fiquei muito nervoso, mas que no fim deu tudo certo. Não se lembra?
— Ah é, lembrei. Desculpa, cara. — Disse Diego, passando a mão na cabeça de forma encabulada. — É que a minha cabeça não está boa esses dias. Tenho tantos problemas, que acabo esquecendo das coisas.
— Sei bem quais são os seus problemas. Me diz uma coisa, Diego. Como vai sua nova ficante?
— Ah, assim. No geral tá tudo bem, algumas vezes está bem, outras não. Mas estou deixando fluir. Vamos ver como vai acontecer.
...
— Pronta para conhecer a minha família? — Perguntou Marcelo, após dar um beijo apaixonado na namorada para a cumprimentar.
— Estou sentindo um frio na barriga, mas sim, estou pronta. — Respondeu Malu.
No caminho, Marcelo conversava com Malu:
— Está nervosa?
— Ai, confesso que estou, Marcelo. Vou conhecer os seus pais e o seu irmão. Vou jantar com eles. Me dá uma certa ansiedade. — Disse Malu.
— Vou te dizer a mesma coisa que me disse naquela época. Fique calma, dará tudo certo. Meus pais vão te tratar super bem. Minha mãe tem um jeito sério e um pouco rígido, mas é muito carinhosa. E o meu pai, tenho certeza de que vai gostar da nora dele. Aliás, foi graças a ele que tomei coragem de me arriscar e de me declarar para você. E bom, estamos a caminho de mais um capítulo da história do nosso amor.
Marcelo fez um carinho na mão de Malu e sorriu para ela.
...
Finalmente chegaram à casa dos pais de Marcelo, desceram do carro e caminharam de mãos dadas.
Marcelo tocou o interfone, aguardou alguns segundos e logo o portão marrom foi aberto.
— Ô, finalmente chegaram. — Disse Fernando, com os abraços abertos.
Por um instante, Marcelo soltou a mão de Malu e abraçou o irmão. Fernando tem os cabelos castanho escuro e os olhos quase cor de mel, assim como Marcelo, e uma barba rala.
— Se sinta honrado, Fernando. Pois, é o primeiro da família a conhecer a minha namorada. — Disse Marcelo.
— Seu engraçadão. — Fernando deu uma risada irônica. — Prazer em te conhecer, Maria Luíza. Não sei o que viu no meu irmão para estar com ele, mas quero te dizer: seja bem vinda à família.
— Obrigada, Fernando. Penso que foi esse jeito engraçado do Marcelo que me conquistou e que me faz ser completamente apaixonada por ele. — Disse Malu.
— Engraçadão aqui é você, Fernando. Devia ter dito o que disse quando trouxe a Tati aqui para os nossos pais conhecerem. — Retrucou Marcelo.
— Ela responderia que não tenho defeitos, que sou um namorado excelente. — Fernando mostrou a língua para Marcelo. — Mas brincadeiras à parte, vamos entrando, a mamãe acabou de colocar o rocambole no forno.
— O rocambole de carne moída e cenoura?
— Ele mesmo.
— O que tem esse rocambole? — Perguntou Malu.
— Ele é feito em ocasiões muito especiais. Tipo, foi o primeiro prato que a minha mãe fez para o meu pai, na época em que namoravam. Depois, foi feito para revelar que estava grávida de mim e alguns anos depois para falar que estava esperando o Fernando. Enfim, é um prato para ocasiões especiais e você vai ter a chance de provar e de se deliciar. — Respondeu Marcelo.
Malu se encaminhou com Marcelo para dentro da casa, ainda de mãos dadas com ele. Ela pensava, a família de Marcelo parece ser bem unida e divertida, dava para perceber pelo relacionamento do namorado com o irmão e que o jantar será ótimo. Mesmo assim, sentia um frio na barriga, o nervoso de conhecer os sogros havia voltado, mas ela pensava positivo “Tudo vai dar certo”.
— Nando! Onde estava que demorou esse tempo todo? — Perguntou Tatiana, com as mãos na cintura.
— Eu fui buscar o Marcelo e ficamos conversando, só isso. — Fernando deu um beijo na namorada. — Tati eu quero te apresentar, essa é a Maria Luíza, namorada do Marcelo.
— Tudo bem? — Tati deu dois beijos no rosto de Malu. — Finalmente conheci a famosa Maria Luíza.
— Está sim. — Respondeu Malu. — Não sabia que o meu nome era tão falado.
— Ah, meu cunhado só fala de você. Em como você o faz feliz, o quanto é incrível.
— Aliás, eu adorei o seu colar de pérolas.
— Obrigada foi o Nando quem me deu.
Marcelo pegou novamente na mão de Malu e se aproximou dos pais.
— Boa noite! — Disse Marcelo. — Papai. Mamãe. Esta é a Maria Luíza, a minha namorada, a garota que trouxe o amor de volta para o meu coração.
— Boa noite, seu Nathan. Boa noite, dona Carla. — Disse Malu. — Fico feliz em conhece-los.
— Boa noite, Maria Luíza. Nós é que ficamos felizes em conhecer a garota que faz o Marcelo sorrir. — Disse Nathan. É um homem alto, com algumas rugas, pele clara, de cabelos um pouco grande e de tom castanho escuro, com alguns fios grisalhos e olhos escuros, além de usar óculos e uma barba quase grisalha.
— Boa noite, Maria Luíza. Eu me lembro de você, nós nos vimos em uma sorveteria na época em que o Marcelo era adolescente. — Disse Carla.
— É mesmo? A senhora se lembra de mim? — Perguntou Malu, espantada.
— Carla tem uma ótima memória e pode se lembrar de qualquer coisa. Até eu me espanto. — Disse Nathan, dando um beijo no rosto da esposa, a deixando vermelha.
— Eu também me lembro um pouco da senhora. — Completou Malu.
De fato Malu se lembrava de Carla, mulher de pele clara e olhos cor de mel assim como Marcelo, mas a mãe do namorado estava muito diferente daquela época, os cabelos loiro escuro e cacheado estavam mais curtos e com alguns fios brancos, além das rugas no rosto.
— Maria Luíza, fique à vontade. Pode se sentar para conversarmos um pouco. — Disse Carla, sorrindo.
Malu agradeceu e sentou ao lado de Marcelo no sofá cor de creme. Fernando, Tati, Carla e Nathan se sentaram nos outros. A conversa fluía, com algumas risadas e era bem descontraída, quando foi perguntada sobre a sua profissão, Malu respondeu com o maior orgulho de que é jornalista, e que o momento mais marcante de sua vida foi acompanhar de perto o título brasileiro do Atlético Mineiro. E também falou sobre a época que passou em Porto Alegre. Malu notou que Marcelo é fisicamente parecido com a mãe, mas tem o jeitinho do pai. Já Fernando é mais parecido com o pai e tem o jeito da mãe.
Malu reparou nos porta-retratos que haviam em cima da mesa, Marcelo percebeu o interesse da namorada e explicou cada um deles. O primeiro era uma foto de Nathan e Carla, mais novos, na praia, Marcelo não tinha certeza, mas acha que é da época em que namoravam, Nathan confirmou. Em outro porta-retrato, tinha a foto de Marcelo criança com o uniforme do Cruzeiro ao lado da mascote do time, a raposa. Ele explicou que é da época em que fazia parte dos mascotes do Cruzeiro, aquelas crianças que entram em campo junto com o time. Nathan disse que fez questão de tirar essa foto. Carla se levantou e pegou um porta-retrato e falou que é seu preferido, Marcelo criança segurando Fernando, que tinha 1 ano. Um porta-retrato com a foto de Marcelo adolescente, deixou Malu curiosa, mais pelo estilo da foto, era tipo uma arvore genealógica, Nathan e Carla ficaram em um degrau com as placas “Pai e Mãe” na frente de cada um e um mais abaixo estavam Marcelo e Fernando com a placa “Frutos do amor”, os quatro sorriam. Carla explicou que era um ensaio para comemorar o aniversário de casamento dela e de Nathan, e que no final deram um beijo, essa foto está no quarto dela. E o último porta retrato é a foto dos quatro comemorando a ida de Fernando para a faculdade de arquitetura. Malu ficou encantada, a família de Marcelo é uma família que gosta de guardar bons momentos e de estar sempre juntos.
— Hum, eu conheço esse cheiro. — Disse Marcelo, sentindo o cheiro que vinha da cozinha.
— É o rocambole, deve estar quase pronto. Querido, pode me ajudar com a travessa? — Perguntou Carla.
— Claro, querida. — Respondeu Nathan.
...
Na cozinha, Carla abriu o forno e o rocambole estava quase no ponto.
— Amor, o que está achando da namorada do Marcelo? — Perguntou Nathan.
— Ah, maravilhosa, amor. — Respondeu Carla, fechando o forno e pegando os pratos. — Sabe que desde que Marcelo era adolescente e estudava com a Maria Luíza, tive a impressão de que eles iriam namorar. Algo me dizia que aquele romance, não ficaria apenas na adolescência.
— E não é que sua impressão estava certa? Agora estamos aqui, fazendo um jantar para a Maria Luíza, como namorada do Marcelo.
— E o mais importante, ela está o fazendo feliz. É tão bom ver o nosso filho sorrindo outra vez. — Carla percebeu que o rocambole ficou pronto, desligou o forno e o abriu.
Nathan se aproximou e ajudou a esposa a pegar a travessa de vidro, com um pano.
— Nossos filhos são felizes no amor, assim como nós somos.
— Sim, nós somos, meu amor.
Nathan e Carla deram um beijo apaixonado. Ele levou a travessa com o rocambole e ela levou os pratos e talheres. Quando chegaram na sala, Tati falou para Malu:
— Maria Luíza, prepare-se para comer o melhor rocambole de carne moída com cenoura do mundo.
— Você já comeu? — Perguntou Malu.
— Já, a dona Carla fez quando o Nando veio me apresentar para os pais. Como ele diz, é um prato para momentos especiais.
— Está certa, Tatiana. É um prato para momentos especiais. E você pode me chamar de só de Carla, não precisa ser tão formal assim, aliás, se quiser me chamar de sogra, também aceito. — Brincou Carla. — O mesmo vale para você, viu, Maria Luíza?
— Tudo bem, Carla. — Responderam Tati e Malu, rindo logo em seguida.
Durante o jantar, as conversas continuavam. Malu se serviu com um pedaço do rocambole, ela partiu uma pequena parte com a faca e com o garfo, o colocou na boca.
— E então Malu? O que achou? — Perguntou Marcelo.
Todos estavam olhando para ela, aguardando ansiosos pela sua resposta. Até que Malu respondeu:
— Uma delícia! Nunca provei algo tão bom com carne e cenoura. Muito bom, mesmo. Está de parabéns, Carla.
— Não disse que iria gostar? — Disse Tatiana, em tom de brincadeira.
Carla agradeceu os elogios.
...
— Adorei conhecer vocês, foi uma noite maravilhosa. — Malu aproveitou e agradeceu a cada um. — Fernando, foi um prazer te conhecer, não fazia ideia que tinha um cunhado tão divertido.
— Eu que agradeço, Maria Luíza. Vou adorar ter você como cunhada. — Disse Fernando.
— Tatiana, você foi muito legal e gentil comigo. Adorei te conhecer. — Malu deu um abraço em Tatiana.
— Eu que adorei te conhecer, Maria Luíza. Foi muito bom conversar com você e oh, quando quiser podemos sair para ir no shopping. — Disse Tatiana.
— Carla, foi um prazer conhecer a sua casa e conhecer sua família. Foi um excelente jantar e o rocambole estava delicioso, vou querer a receita depois. — Brincou Malu.
— Obrigada pelo elogio, Maria Luíza. Aliás eu que tenho que te agradecer, não só pela presença aqui, mas por estar fazendo o Marcelo feliz. Volte sempre que quiser, será muito bem-vinda. — Carla deu um abraço em Malu.
— Nathan, eu nunca imaginei ter um sogro cruzeirense e gente boa. Foi um prazer o conhecer. — Disse Malu, com um sorriso.
— Eu que gostei de te conhecer. Adorei saber que tenho uma nora atleticana, mais do que isso, é uma moça gentil e divertida, além de fazer o Marcelo sorrir. — Nathan deu um abraço apertado em Malu. — Seja bem-vinda a família.
...
— E então? O que achou da minha família? — Perguntou Marcelo, enquanto estacionava o carro.
— Foi uma noite maravilhosa. A sua família é incrível. — Disse Malu. — São divertidos, brincalhões e que gostam de estar unidos. Ah e também gostam de guardar lembranças.
— É, gostamos de estar juntos e celebrar cada momento. E os meus pais?
— São ótimas pessoas. O que mais me impressionou foi que o seu pai e sua mãe se amam muito, se tratam com carinho, dá para perceber pelo jeito em que se tratam.
— São muitos anos de casado e são completamente apaixonados um pelo outro. Um relacionamento como o do seu Nathan e da dona Carla, é o que quero para nós. Assim como o relacionamento de Ângela e Lucas.
— E eu tenho certeza de que assim como eles, nós seremos muito felizes.
Marcelo e Malu deram um beijo apaixonado. Depois, ela se despediu do namorado e foi para o seu apartamento, com a memória de um jantar excelente com a família mais divertida e unida que conheceu.
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