Jade


No dia seguinte, acordamos bem cedo. Iríamos conhecer a cidade e eu mal podia conter minha animação. Acordei Cobra com dificuldade e em pouco tempo saímos do Hotel. Cobra tinha alugado um carro para que nós pudéssemos sair à hora que quiséssemos. O dia estava lindo, o sol brilhava intensamente e não tinha nenhuma nuvem no céu. Eu estava impressionada com a quantidade de arte, esculturas, pinturas e mosaicos que tinham naquele lugar. Os Museus Vaticanos, o Coliseu e a Fonte dos Trevos que antes eu via na televisão e em artigos de jornais estavam bem ali na minha frente. Eram perfeitamente desenhados. Eu parecia uma criança encantada com a primeira viajem. Cobra só sabia rir da minha empolgação, mas ele também estava, apesar de não demonstrar tanto quanto eu. Andamos de mão dada, tiramos várias fotos e trocamos alguns carinhos às vezes. Eu já estava me acostumando com isso, como se fosse difícil se apegar a um homem como o Cobra. Mas eu não podia! Somos só amigos e, depois que tudo isso acabar, tudo vai ser como antes. Eu não podia arriscar ficar apaixonar por ele, com certeza eu sairia machucada nessa história.


– No que está pensando? –ele perguntou colocando uma mecha do meu cabelo atrás de minha orelha.
– Nada importante. Só acho que a gente podia almoçar, estou morrendo de fome.
– Ótima ideia. Deve ter algum restaurante aqui por perto.


[...]


O almoço tinha sido ótimo. Me diverti muito com o Cobra tentando explicar para o garçom o que iríamos comer. Ele voltou para o hotel e eu fui para os mesmo lugares que já tínhamos visitado para tirar as fotos para minha exposição. Eu me sentia mais a vontade fotografando sozinha, por isso Cobra não me acompanhou. Mas, sinceramente, eu estava começando a me arrepender. Aquele lugar era enorme e eu estava ficando confusa com tantas ruas iguais.


– Precisa de ajuda? Esta perdida?


Ouvi uma vós desconhecida e virei para encara-lo. Um homem alto, loiro, com os olhos azuis e com um sorriso tímido que me parecia tentador.


– Mais ou menos. Esse mapa não me ajuda muito. –ri e ele riu de lado.
– Se quiser eu posso te ajudar. Conheço bem aqui, posso te mostrar alguns lugares legais.
– Obrigada, mas não precisa. Na verdade, eu já conheci aqui. Só me preciso me lembrar de algumas coisas...
– Eu posso te fazer companhia, afinal, o que tem de mal nisso? Prazer, Noah.
Ele estendeu a mão e eu, com um pouco de receio, apertei-a também.
– Jade! Você mora aqui?
– Há dois anos. Na verdade, eu sou de São Paulo, mas vim para cá cursar a faculdade de música.
– Jura? Adorei! Eu vim fazer umas fotos pra uma exposição, estou tentando ser contratada.
– Fotografa? Acho que temos o amor pela arte em comum. Fica tranquila, você consegue essa vaga fácil.
– Como você tem tanta certeza? Nem viu minhas fotos ainda.
– Duvido que recusariam emprego a uma garota linda como você.
– Obrigada.


Digo sem graça. Minhas bochechas já deviam estar vermelhas, eu estava sentindo minhas bochechas queimarem.


– Não quero ser grossa, mas eu preciso me concentrar para fazer as fotos.
– Será que podemos nos ver depois? Um jantar, talvez?
– Não sei se seria uma boa ideia.
– Por que não? Um jantar de amigos, podemos ser amigos, não?
– Eu acho que sim.
– Ótimo.


Ele sorriu satisfeito. Marcamos de nos encontrar amanha no restaurante do hotel que eu estava mesmo. Não seria louca de ir para um lugar desconhecido, com um cara desconhecido. Pelo menos ali eu estaria segura, qualquer coisa era só gritar. Se bem que ele me parecia uma boa pessoa. Eu ainda tinha que falar com o Cobra, será que ele vai se importar com esse jantar?