Amizade Colorida - Cobrade
5 Capitulo 5
Notas iniciais
Tomei o banho mais demorado que pude, não sabia como olharia para ele depois do que aconteceu. Talvez eu estivesse sendo exagerada, mas quem liga? Passei uma maquiagem leve e coloquei uma roupa qualquer. Ouvi uns barulhos vindos da cozinha e encontrei Cobra preparando alguma coisa para comer. Fiquei observando por um tempo e não pude conter o riso.
– Precisa de ajuda? –perguntei e ele virou para me encarar.
– Acha que eu não consigo fazer miseras panquecas? — Ótimo, ele estava agindo naturalmente.
– Tenho certeza! –ele riu e levantou as duas mãos- Deixa que eu termino isso. –ele puxou uma cadeira e sentou-se- Tenho uma novidade pra te contar!
– Novidade?
– Coloquei meu currículo em algumas galerias de arte e adivinha? Eles amaram e querem minhas fotos na próxima exposição.
– Sério? Que noticia ótima, eu acho...
– Não ficou feliz? –perguntei enquanto servia nosso café.
– Fiquei, mas é que fotografar sempre foi um hobby para você. Não achei que iria querer algo a mais.
– Nem eu, mas eu preciso de dinheiro. Não posso depender dos meus pais para sempre.
– Você e o seu orgulho!
– Não é orgulho, eu só estou bastante crescidinha, não acha?
– Talvez...
– O fato é que nessa exposição vai ter muita gente importante e eles vão contratar apenas a “dona” das melhores fotografias, ou seja, eu preciso de fotos excelentes.
– O problema é que as coisas aqui no Rio de Janeiro estão muito batidas. A cidade é linda, claro, mas aparece de mais. Você precisa de um lugar inovador. Porque não fazemos uma viagem?
– Viagem? Pra onde você sugere?
– Paris? Roma?
– Seria maravilhoso, mas você sabe que não dá pra mim.
– A ideia foi minha, então é tudo por minha conta.
– Eu não posso aceitar.
– Por que não?
– Não quero abusar da sua boa vontade.
– Eu só quero te ajudar, amigos servem para isso.
– Não!
– Vamos fazer assim, será como um empréstimo. Quando você quiser, quando puder, me paga. O que acha?
– Um empréstimo? Isso me parece tentador. Afinal, seria maravilhoso sair do Brasil.
– Isso foi um sim?
– Foi! –eu ri e ele se aproximou me abraçando- Quando vamos?
– Amanha!
– Amanha? –perguntei assustada.
– Sim, quanto mais rápido melhor.
Ele aproximou nossos corpos e novamente selou nossos lábios. Pediu passagem com a sua língua, mas eu não cedi.
– O que foi? –ele perguntou.
– Acho melhor pararmos com isso.
– Por quê? Você não gosta? Eu beijo mal?
– Não, não é isso. –ri e percebi que ele ficou aliviado- Nós somos amigos e u não quero estragar isso. Não quero correr o risco de você e apaixonar por mim.
– Tinha esquecido como você é convencida! Mas quem falou em se apaixonar? Isso não vai acontecer. É só uma brincadeira. Nós somos amigos, nos damos bem, passamos muito tempo juntos, o que há de mal nisso?
– Então você só quer se divertir as minhas custas?
– Não foi isso que eu disse! Mas eu estou solteiro, você também, não queremos um relacionamento agora, mas ainda temos nossas necessidades, certo? O que acha de termos uma “amizade colorida”?
– Amizade colorida? Eu não sei Cobra.
– Ninguém precisa saber, fica só entre a gente. Tudo bem?
– Tudo bem, vamos fazer isso. Mas só enquanto estivermos viajando. Quando votarmos, vida normal, ok?
– Você que decide!
– Ótimo. Quanto tempo vamos ficar lá?
– Pensei em uma ou duas semanas, o que acha?
– Por mim tudo bem. Agora vá embora, preciso respirar. Vou ficar muito tempo junto com você.
Puxei pela sua mão e levei-o até a porta. Ele tentou me dar um selinho, mas virei o rosto. O “jogo” ainda não tinha começado! Empurrei-o para fora e só pude ouvi-lo dizer: “Esteja pronta às duas, não se atrase”.
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