Notas iniciais
Obrigada a todas as pessoas que comentaram e favoritaram. Peço as leitoras fantasmas que se pronunciem, seja nos comentários ou pelo twitter; @apegoAnaju

Jade

O dia se passou bem rápido. Após o almoçarmos Cobra foi embora e eu fui para o shopping. Ele insistiu em me acompanhar, mas eu não aceitei. Acho que ele não confia muito em minha capacidade de ser sexy. Dormi o resto da tarde e quando acordei faltava apenas uma hora para que Cobra chegasse. Tomei um banho rápido e demorei um pouco mais que o normal para me arrumar. Meu vestido era vermelho, tomara que caia e com um decote que ia até a metade da minha barriga, da cintura para baixo ele ficava soltinho. Um salto preto, uma maquiagem marcada nos olhos e a boca um pouco avermelhada. Deixei meus cabelos soltos e fiz leves ondulações na ponta. Modéstia a parte, eu estava muito gostosa. Peguei minha bolsa e fui ao encontro de Cobra, que me esperava do lado de fora impaciente. Quando ele me viu seus olhos percorreram toda a extensão do meu corpo, eu sorri e mordi os lábios.

– Acha que estou sexy o suficiente?

– Mais do que eu pensava que estaria.

Ele riu e eu acertei seu braço com um tapa de leve. Entramos no carro e o clima entre nós ficou meio tenso, várias vezes podia perceber que ele olhava para minhas pernas e eu estava ficando muito sem graça. Mas como eu tinha prometido a mim mesma que iria me divertir essa noite, cruzei minhas pernas e o vestido ficou mais curto que antes. Percebi que ele começou a ficar nervoso e dei um sorriso de satisfação sem que ele percebe-se.

– Eu ainda não acredito que me convenceu a fazer isso. –pensei alto e ele riu.

– Eu consigo tudo o que eu quero! –novamente eu acertei seu braço com um tapa de leve- Obrigada por fazer isso por mim.

– Não me precisa me agradecer, você já fez tanto por mim. Que tipo de amiga eu seria se não te ajudasse? Mesmo eu achando que você não deva ficar com ela!

– Esta com ciúmes?

– Eu só acho que você merece alguém melhor. Ela já deve ter transado com metade dos meninos dessa cidade!

– Qual o problema? Eu só vou ser um a mais pra lista dela e ela uma a mais para minha.

– Você é um idiota!

– Jade, vai ser só sexo! Eu quero apenas isso! Acho que agora é mais por questão de honra.

– Agora quem faz questão de que você leve ela pra cama sou eu. Escuta o que eu to falando Cobra, essa noite você vai ouvir ela gemer seu nome!

Sim, eu disse isso. E até agora eu não sei o por que. Onde está a Jade que eu conheço? Por que essa, com certeza, não sou eu. Desci do carro e logo Cobra entrelaçou nossos dedos, a festa estava top. Muita gente, música alta e muita bebida. Fomos direto para o bar e pedimos duas dozes de uma bebida qualquer e em pouco tempo vimos a tal da “Jú”.

– Ela está olhando para gente. Vamos dançar?

Balancei a cabeça em sinal positivo e ele me abraçou por trás me levando até a pista. Adoro dançar! Mexia-me, rebolava e ia até o chão. Cobra me acompanhava, mas ele não parecia muito satisfeito. Abracei-o pelo pescoço e falei ao “pé” de seu ouvido:

– O que foi? Não gostou de dançar comigo?

– Adorei pequena, você dança muito bem. Mas não está resolvendo.

– Tenho uma ideia! Vem comigo!

Peguei um sua mão e levei-o de volta para o bar. Sentei em um banco alto que tinha lá, posicionei Cobra entre minhas pernas e o abracei pelo pescoço.

– Está funcionando, ela está olhando pra gente. Continua me abraçando! (...) Droga, ela parou de olhar e está indo dançar! Precisamos mudar de estratégia!

Me afastei dele e em um impulso encostei nossos lábios em um selinho demorado. Estava funcionando! Ela estava parada na pista olhando em nossa direção. Me separei rapidamente dele:

– Me desculpe por isso!

Me aproximei de novo e selei nossos lábios pedindo passagem para minha língua. Ele pareceu surpreso, mas em instantes deu abertura e correspondeu ao beijo. Sua língua era quente e em contato com a minha me causava um certo arrepio. Realmente, o beijo dele era bom, muito bom. Nos separamos na falta de ar e olhei para ele sem graça.

– O que foi isso?

– Nós tínhamos que convencer não acha? –perguntei tentando parecer segura- E funcionou! Ela está vindo pra cá. O resto é contigo!

– E você?

– Não se preocupe comigo, eu pego um táxi.

Me afastei dali e fiquei observando em um lugar próximo sem que ninguém me vesse. Eles conversaram um pouco e depois saíram de mãos dadas. Provavelmente iriam pra um dos vários quartos que tinham ali. E como eu já imaginava eu estava sozinha e deslocada. Fui até o bar e pedi que me trouxessem alguma coisa com muito álcool. Eu ia terminar a noite sem nem lembrar meu nome!