Amizade Colorida - Cobrade
13 Capitulo 13
Jade
Tinham se passado quatro semanas desde que voltamos para o Brasil e, também, exatas quatro semanas que eu não via o Cobra. Sei que havia prometido a ele que nunca deixaria que nada mudasse a nossa amizade, mas cumprir essa promessa estava se tornando cada mais difícil. Algumas vezes ele me procurou e enviou-me algumas mensagens, mas a única vez que permiti contato foi há alguns dias. Por mais que nossa relação não fosse mais como era antes, eu não poderia deixar de convida-lo para ir à exposição das minhas fotos, que aconteceria daqui a algumas horas. Principalmente, porque se não fosse por ele, eu não teria chance nenhuma de conseguir este emprego.
Coloquei um vestido preto básico que era justo na parte de cima e, da cintura para baixo, era solto, pegando um pouco acima do joelho. Optei por deixar o cabelo solto e com leves ondulações, e, no rosto, uma maquiagem leve com um batom avermelhado para finalizar.
Chamei um táxi em pouco tempo cheguei ao local da exposição. A galeria estava perfeita! A decoração era realmente incrível! Várias luzes e arranjos, um tapete vermelho que ia até o palco principal. O local era bem aberto, mas ainda sim podia-se perceber que era dividido em setores, de acordo com as fotos de cada artista.
Cumprimentei algumas pessoas importantes e alguns amigos que estavam ali, e me aproximei de minhas fotos para que pudesse analisa-las melhor.
– Parabéns, elas ficaram incríveis!
– Cobra? O que você está fazendo aqui? –perguntei surpresa.
– Você me convidou, esqueceu?
– Claro que não, mas eu achei que você não viria.
– Eu não iria perder a oportunidade de ficar perto de você, já que não deixa mais eu me aproximar...
– Por favor, não vamos falar sobre isso.
– Você tem razão, hoje é dia de festa. Aceita uma bebida?
– Aceito!
Ele pegou uma bebida qualquer e me chamou para andar pelo local e conhecer as outras exposições.
– O que tem feito nesse tempo?
– Nada de muito interessante. Nunca me senti uma pessoa tão desocupada como agora. –ri e ele me acompanhou- E você? Anda desocupado também?
– Não, pelo contrário. Estou trabalhando!
– Trabalhando? Resolveu deixar de ser vagabundo?
– Só por um tempo! –riu- Se eu contar onde estou trabalhando, você não vai acreditar...
– Onde?
– Na empresa do meu pai!
– Cobra, fala sério! Eu não acredito! Logo você que dizia que nunca trabalharia naquele lugar, que não se submeteria ao desejo do seu pai. Como era mesmo a frase? Ah, “eu não vou trabalhar ali nem morto”. –soltei uma gargalhada alta.
– As coisas mudam Jade; às vezes, mais do que precisam. –senti que ele estava jogando uma indireta para mim, mas como não queria brigar com ele, então me fiz de boba e tentei continuar o assunto.
– Desculpa, mas qual é o seu cargo? Você não sabe fazer nada!
– Você está muito engraçadinha hoje!
– Para não perder o costume! –ele me olhou fingindo estar bravo e eu ri.
– Eu sou o secretário do meu pai...
– Secretário? Eu ouvi direito?
– Infelizmente. Acho que ele quis se vingar de mim por todos os anos que me recusei a trabalhar lá. Mas, em breve, eu vou conseguir subir meu cargo e eu que vou precisar de uma secretária. Se nada der certo pra você, tome isso como um convite!
Nossa conversa foi interrompida pelo Senhor Raul que, de cima do palco, pedia a atenção de todos.
“Eu gostaria de agradecer a todos que tiraram um pouco do seu tempo para vir aqui nos prestigiar. Fazer uma exposição como essa sempre foi o meu sonho, mas nunca tinha conseguido realizar. Talvez por não ser a hora certa. Eu estou imensamente feliz pela qualidade e pela beleza dos trabalhos que foram apresentados. A minha vontade é que eu pudesse escolher todos, mas, infelizmente, apenas um será o vencedor da noite. E é com grande honra que eu anuncio que as fotos que mais me impressionaram e que são as escolhidas de hoje, são as de Jade Gardel.”
Ouvi-o dizer meu nome e demorei alguns segundos para processar a informação. Antes, eu estava bem confiante, mas quando cheguei aqui e vi aquelas fotos de ótima qualidade e feitas por pessoas com muito mais experiência do que eu, minha confiança sumiu como um passe de mágica. Após ter sido feito alguns discursos a mais, Senhor Raul desceu do palco e veio em minha direção e do Cobra.
– Parabéns Jade. Fiquei muito satisfeito com seu trabalho!
– Obrigada, nem sei como te agradecer.
– Não me agradeça. É mérito seu. Mas você não irá trabalhar sozinha, vou te apresentar o seu parceiro.
Seu Raul virou-se de costas para mim e chamou pelo nome “Leonardo”. Um homem alto, um pouco musculoso, com o cabelo preto e olhos de Jabuticaba se aproximou da gente. Eu conhecia bem aquele homem! Senhor Raul se retirou e nos deixou a sós para que pudéssemos conversar mais a vontade. A sós não, porque Cobra ainda estava ali.
– Léo? É você mesmo?
– Jade? Eu não acredito, quanto tempo!
Léo foi o meu segundo namorado, mas tivemos que terminar, pois ele iria morar em outra cidade. Namoro a distancia não dava certo para mim. Na época, fiquei muito triste e meu fim foi chorar nos braços do Cobra enquanto ele me consolava, como sempre fazia. Acho que ele foi o único que ficou feliz por Léo ir embora, já que nunca gostou dele.
– Eu não sabia que tinha voltado a morar aqui. Por que não me procurou?
– Eu tentei, mas não consegui seu telefone e ficou difícil te achar aqui. Mas, olha como são as coisas, quando tem que acontecer, acontece. –Cobra pigarreou e só então eu lembrei que ele ainda estava ali.
– Cobra, você lembra do Léo?
– Do Leonardo? Lembro sim.
– E aí, Cobra. Como vai? –Léo tentou ser educado.
– Ótimo.
– Cobra, será que você pode nos deixar a sós alguns minutos? Você sabe, a gente precisa conversar sobre o trabalho.
Cobra me olhou contrariado e se afastou da gente. Não muito, mas o suficiente para não conseguir ouvir nossa conversa. Eu não devia, mas estava adorando o ver com ciúmes.
– Vejo que nada mudou por aqui!
– Como assim?
– Você e sua paixão pelo Cobra. Ainda não superou?
– Como você sabe disso?
– Todos sempre souberam disso, Jade. Você não admitia, nem ele notava. Apenas isso!
– Era melhor que as coisas tivessem desse jeito ainda.
– Aconteceu alguma coisa?
– Nada importante. Nós ficamos algumas vezes e eu disse que estava apaixonada, mas ele não sente o mesmo.
– Acho difícil. Olha o jeito que ele está olhando pra gente. Está com ciúmes, parece que vai matar alguém.
– Você acha?
– Tenho certeza. Eu sou homem, sei do que estou falando. Ele gosta de você também, só precisa descobrir isso.
– E o que eu tenho que fazer pra ele descobrir isso?
– Você poderia sair comigo...
– Não Léo, acho que nossa história já deu no que tinha que dar.
– Nós só vamos fingir. Não vai ser sério.
– Fingir? Não acho uma boa ideia. Não sou esse tipo de mulher e não quero usar você.
– Não vai usar, eu que estou me oferecendo. Vamos encenar enquanto ele estiver por perto. Somos bons nisso. O que você acha?
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