Amiga Morte
7 A Morte Do Gato.
Notas iniciais
...
Pensou no seu gato. Céus! Porque bulhufas estava pensando no seu animal de estimação? Ah é! Lembrou dele quando procurava pensar em Octávio. Fazia dias que Babi não via seu lindo gato. Foi até a área de trabalho do apartamento onde tinha construído uma "moradia" pro bichano. Ficou petrificada quando viu seu gato estirado, com vermes andando sobre o corpo do animal. Havia sangue perto do pescoço. Seu estomago, que hoje amanhecera sensível, revirou na hora. A morte parecia estar presente em todo os lugares desde que descobrira a doença. Será que a morte estava rondando ela? Foi para sala e se deparou com Lua, no sofá.
– Lua? Por onde esteve? Pensei tanto em você nesses últimos dias! — Babi disse tentando saber se era uma visão fantasmagórica ou se Lua estava ali realmente.
– Eu vi. — Lua respondeu simplesmente. É. Não era um fantasma.
– E mesmo assim não apareceu?
– Eu apareci. Você que não pode me ver quando pensa em mim fisicamente. — Lua disse deixando Babi com a cabeça embaralhada.
– E devo pensar em você de que maneira?
– Precisa conversar certo? — ela respondeu com outra pergunta.
– Estou gostando do meu médico — Babi disse se sentando no sofá, um pouco longe de Lua.
– Já percebeu? Toda vez que você fala dele ou que você pensa nele, até mesmo no pensamento, olhe só. — Babi riu de canto — Você sempre o coloca como SEU médico. Parece que você própria arranja motivos pra ir contra.
– Mas esses motivos vão contra! — Babi exclamou.
– Por que quer falar disso? — Lua rebateu.
– Porque quando falo consigo organizar as coisas. Eu quero certezas, Lua.
– Você já tem a resposta, meu amor. Sabe que quer ele como nunca quis nenhum homem na sua vida.
– Não posso fazer isso com ele, Lua.
– Não pode o quê? Fazer o quê?
De repente o barulho incessante da campainha inundou todo o cômodo. Babi tampou os ouvidos. A pessoa lá fora deveria estar bem irritada. E a irritou bastante também. Ela levantou e caminhou pesadamente até a porta.
– Octávio? — Babi perguntou confusa quando o viu. — Entre!
– Tá ocupada? — ele perguntou entrando e olhando em volta.
– Eu estava conversando com uma pessoa mas, ela sempre some quando alguém aparece. — silêncio — Tenho certeza que ela sumiu. — Babi afirmou andando até o meio da sala sem prestar muita atenção.
– Quem sumiu? — Octávio e Lua perguntaram juntos.
– Não tem ninguém aqui. — Octávio prosseguiu.
– Ela tá aí. Lua. Minha amiga. — Babi respondeu apontando pra Lua.
– Você está sozinha aqui, Babi. — Octávio voltou a afirmar.
– Não estou não.
– Está sim.
Babi então se deu conta de que só ela via Lua. Que desaparecera agora.
– É... Estou mesmo. Que loucura!
– Por que não foi a consulta? — ele perguntou contraindo o maxilar.
– Perdi hora.
– Não pode perder hora! — Octávio respondeu deixando os ombros caírem.
– Acontece. — ela respondeu chegando mais perto dele.
– Você está bem? — ele perguntou quando já estavam perto o bastante.
– Nauseante.
– Vomitou hoje?
– Muito. — Babi respondeu depois de um momento de hesitação.
– Não pode perder as consultas. — ele disse passando o dedo indicador no rosto de Babi. -Não pode. — por algum motivo, seus olhos se encheram de lágrimas e Babi o olhou fundo nos olhos.
– Não irei mais perder. Me desculpe. — ela pediu. Pegou no rosto dele com as duas mãos e num repente começou a tremer. Seu corpo parecia não obedecer mais seus comandos. Octávio se aproximou mais, a boca levemente aberta. Então Babi se lembrou do gato morto!
– Tem um gato morto aqui — ela disse procurando o ar que havia perdido.
– Estou vivinho. — ele zombou.
– Não bobo, estou falando sério. Meu gato morreu. Na verdade, eu acho que o Feliciano foi assassinado. — ela disse fazendo drama.
– Ok. O nome do seu gato era Feliciano? — Babi respondeu que sim com a cabeça. — Ele não foi assassinado, Bárbara. Ele se matou! Tadinho, com esse nome eu nem o julgo. — Babi deu um tapa no braço de Octávio e riu como uma perfeita hiena. — Tem saco preto aqui? — ele perguntou se recuperando da risada longa e profunda.
– Sim.
– Pega um pra mim? Vou me livrar desse tal gato. — Octávio disse a segundo até a área de trabalho. Ela pegou o saco procurando não olhar seu animal de anos, estirado, durinho no chão. E depois foi para seu quarto. Não queria ver Octávio fazendo isso.
Octávio voltou. Bateu na porta do quarto.
– Posso entrar?
– O que você fez com o corpo tão rápido? — Babi quis saber enquanto consentia que ele entrasse.
– Joguei pela janela do seu banheiro na caçamba que tem lá embaixo. Hoje é dia de coleta, então... Podemos continuar da onde paramos? — ele perguntou já perto demais.
– Onde paramos? — Babi inquiriu resistindo a ele.
– Quer que eu te mostre?
– Sim.
Ele a puxou pela cintura e colocou a mão na nuca dela. Colou os lábios num toque sútil, avassalador mas, quando o beijo ia pegar embalo... A campainha tocou e acabou ficando no selinho...
– Vai atender? — ele perguntou ofegante.
– Sim
– Não vá. — ele pediu
– Pode ser importante. — ela falou.
– Se for eles te ligarão. — Octávio respondeu. A campainha tocou outra vez. Insistente. Octávio olhou para Babi e a puxando novamente para si, beijou-a na testa.
– Não vai me beijar? — Babi perguntou engolindo em seco.
– Você quer que eu te beije?
– Quero muito.
Os olhares se cruzaram, já não dava pra dizer se os dois respiravam... Até que numa dose de paixão, seus lábios se tocaram, não havia como resistir a tanto desejo. O beijo foi apaixonante, lento, longo. Babi estava louca por ele, precisava admitir isso a si e principalmente, a ele.
– Octávio? — ela perguntou quando teve chance.
– Sim?
– Também estou louca por você.
– Eu sei amor.
– Estou muito mesmo, AMOR. — ela falou rindo.
– Isso não é maravilhoso? — Octávio perguntou pegando-a no colo.
– O que está fazendo? Me coloca no chão! Octávio! — ela não sabia o que fazer. Estava em dúvida se ria ou se ficava com raiva. Ele a colocou na cama.
– Guerra!
– O q...
Ele segurou os braços de Babi acima da cabeça dela com uma mão e as pernas dela estavam presas entre as pernas dele.
– Cócegas! — ele declarou em alta voz.
– Não, não, não! — ela pediu suplicante.
– Tarde demais! — ele cantarolou como um crianção. Começou a fazer cócegas nela. Ela se rebatia na esperança vã de se libertar dele. Mas rir atrapalhava seu esforço.
Nem ouviram quando Sandra chegou.
– Bárbara? Octávio?
– Mãe? — Babi indagou vendo sua mãe na porta.
– Desculpem! Pensei que Bárbara estivesse sozinha. — Sandra começou a se explicar
– Ainda bem que a senhora chegou. Estava com medo de morrer de rir. — Babi falou sentando na cama e passando a mão nos cabelos para pô-los em ordem.
– Olá Octávio.
– Senhora Espinosa. — Octávio falou fazendo uma curta reverência em cumprimento a ela. — Sua filha perdeu a consulta hoje, sabia?
– Esquece isso, xoxo — Babi disse apertando a bochecha de Octávio. Sandra riu da cena. — Mãe, o Feliciano morreu. — Babi disse se lembrando.
– Graças a Deus! Ô bichano pra dar trabalho! Deus que me perdoe! — Octávio riu da cara de espanto que Babi fez. — Querem um lanche? — Sandra perguntou. Babi virou para Octávio com o olhar indagativo.
– Eu aceito Babi e você?
– Também.
– Vou preparar pra vocês. — Sandra falou já saindo.
– Obrigada. — Babi gritou antes que Sandra fechasse a porta. Octávio abraçou Bárbara.
– É bom te ter aqui. — Babi confessou.
– É bom estar aqui.
Ela o beijou.
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