Amiga Morte

8 Médico e Guarda-Costas


Notas iniciais
Boa leitura!

...

— Octávio? — Babi chamou por ele depois de um longo tempo em silêncio.

— Oi amor — ele respondeu se ajeitando na cama. Estavam deitados.

— E se eu me apaixonar? – ela não sabia porque sentia tanto medo disso.

— Eu também me apaixonarei. – respondeu baixo depositando um beijo no topo da cabeça dela.

— E se eu te amar?

— Te amarei em dobro.

— Mas não quero amar você. — confessou enterrando o rosto no peito de Octávio.

— E por que não? – ele sabia a resposta. Ele sabia o quanto ela tinha medo. Ele não era tão ingênuo e sabia que estavam vivendo uma história de amor com os dias contados, mas ele não queria pensar nisso e afastava à todo custo esse pensamento. No entanto, ela não era assim. Ela pensava 24 horas e ele sabia que ela precisava falar sobre as coisas que pensava.

— Porque eu vou morrer. Não quero pensar em viver sem você. — ele a apertou mais contra seu corpo.

— Então não pense.

— Isso é muito injusto, não?

— Calma amor. – pediu quando percebeu que a voz de Bárbara havia saído embargada.

— Você... Como vai ser depois? — ela perguntava, mas na verdade não queria saber.

— Não vamos pensar nisso agora.

— Mas nós teremos que falar sobre isso.

— Mais não agora, Babi.

— Sabe que desisti de todo tratamento né? — ela perguntou. – Dos remédios pra dor, dos exercícios...

— Pensei que lutaria pela sua vida — ele falou com a voz carregada.

— Lutar vai me tomar muito tempo. Preciso realizar muitas coisas ainda.

— Estarei sempre ao seu lado — ele disse depois de um tempo em silêncio. Ela o abraçou.

— Até o fim?

— Bem além disso. — ela sorriu timidamente.

— Obrigada.

— Por?

— Por estar aqui.

— Sempre vou estar. E agora mais ainda. Pedi transferência dos meus cursos para cá, agora, continuarei aqui quando o estágio chegar ao fim.

— Oba! — ela gritou sorridente.

— Babi?

— O que? — ele a olhou. Queria dizer que a amava, mas, hesitou. Talvez aquela não fosse a hora certa.

— Vamos lá com sua mãe? Ela já deve ter terminado os lanches. – falou simplesmente.

— Claro. — e saíram de mãos dadas.

***

— Oi amor.

— Ryan? Chegou cedo. — Clara comentou nem um pouco animada.

— Saí mais cedo. Queria ficar um pouco contigo. – ela deu um breve sorriso e não disse nada. – Me desculpa por ontem? Prometo que vou tentar mudar.

— Estou cheia de promessas.

— Estou falando sério dessa vez.

— Então quero que me mostre. Quero que mude realmente.

— Não é fácil.

— Eu sei que não. Eu estou vendo você tentar todos os dias e nunca chegar a um resultado que agrade nós dois e sabe? Se eu tivesse te conhecido assim, eu não estaria tão chateada, mas tu se tornou isso e eu não gosto nenhum pouco. — falou olhando-o séria.

— Eu te amo Clara e amo nosso bebê.

— Nós também te amamos. — ela disse dando um meio sorriso.

— O que sua amiga tem? — Ryan perguntou servindo-se de suco.

— Câncer.

— Nossa... E como você está lidando com isso?

— Eu? – deu de ombros. – eu não tenho que “lidar” com isso. Eu só tenho que ser forte pra ela e estar aqui porque sei que ela vai precisar. – ela deu um riso fraco – Ela tá se fazendo de forte, mas eu sei que ela não é. E que vai desabar uma hora ou outra.

— Já falou com ela hoje?

— Não. — Clara respondeu tristonha.

— Então liga pra ela. — Ryan disse esticando a mão com o telefone.

— Agora?

— Sim. Vou ir tomar um banho. — Ryan deu um beijo na testa de Clara e saiu. Ela discou o número da casa de Babi.

— Bárbara?

— Oi Clara. Tudo bem? — Babi respondeu reconhecendo a voz da amiga.

— Sim e você?

— Estou ótima.

— Como foi seu dia? — Clara perguntou.

— Está sendo ótimo — Babi respondeu lançando um olhar cúmplice na direção de Octávio, que ria na companhia de Sandra. — E o seu, amiga?

— Muito bom. — Clara mentiu de leve. Na verdade, seu dia estava melhorando. — Vem aqui em casa?

— Agora?

— Sim. Queria falar com você. – percebeu que Babi hesitara. — Está ocupada?

— Acabei de lanchar com minha mãe e Octávio.

— Eu iria aí, mas o Ryan acabou de chegar e não seria legal da minha parte deixá-lo sozinho.

— Então vou aí. — Babi falou decidida.

— Sua mãe gostou do seu novo visual? — Clara perguntou lembrando da mudança de Babi.

— Ela aceitou, pelo menos. — Babi falou rindo. — Vou desligar. Logo estarei aí.

— Ok. — desligou.

— O que ela queria, filha? — Sandra perguntou após se recuperar de uma crise de risos.

— Pedir pra que eu fosse na casa dela.

— E você vai? — Octávio quis saber.

— Vou. Você vai ficar aqui em casa com a minha mãe ou vai pra sua? — Babi perguntou já se preparando pra sair.

— Eu vou com você. — Por essa resposta ela não esperava.

— Sério?

— Sim. — ele falou passando a mão na cintura dela. – Se você não se importar, claro.

— Esse lance tá ficando sério, hein — Sandra comentou toda feliz.

— Mãe! — Babi a repreendeu.

— Até mais, senhora Espinosa. — Octávio se despediu risonho.

— Sandra, meu filho. Chame-me de Sandra.

— Como preferir, sogrinha. — os dois caíram na risada.

— Dois tontos, nunca vi. — Babi falou revirando os olhos. — Vamos logo Tavinho. — ele a deu um beliscão de leve, parando de rir.

— Não gostei. — E depois ele riu todo bobo.

— Tchau mãe.

— Espera aqui um pouco amor, vou pegar a chave do meu carro. — Ele falou entrando no apartamento dele.

***

— Não sabia que você dirigia. — Babi falou colocando o cinto de segurança.

— Tem muita coisa que você não sabe de mim.

— Ainda — ela falou rindo.

— Ainda. – ele concordou passando a mão na perna dela. – É longe?

— Umas quadras daqui.

— Então você me guia.

— Ok.

***

— Que casa grande! — Octávio exclamou subindo os degraus que levavam à varanda da casa de Clara.

— Grande até demais. Eu sempre falo isso pra ela.

— Ela tem filhos?

— Nenhum.

— E pra que uma casa tão grande?

— Clara é exagerada mesmo. E nunca gostou de apartamentos, viu. — Babi disse batendo na porta.

— Amor, aqui tem campainha sabia?

— Eu odeio campainhas. — Octávio riu.

— Já tinha notado. E por que você não gosta?

— Porque o barulho é estridente e chato. — falou batendo outra vez na porta.

— Por isso que no seu apartamento não tem campainha?

— Tem sim. — Ela falou olhando de esguelha pra ele.

— Eu sei. Estava sendo irônico. — ela soltou uma gargalhada.

— Tavinho, você não sabe ser irônico! — ele mostrou língua pra ela e ela fez uma careta.

— Quantos anos a Clara tem? — Octávio perguntou se encostando num pilar ali perto. Babi bateu na porta mais uma vez.

— Vinte e seis.

— Casada?

— Muito mal casada. Mas, não posso dizer nada. Porque não entendo nada do amor.

— Como se fosse possível entender. — Octávio falou se aproximando de Babi quando viu a maçaneta da porta girar.

— Finalmente! — Babi bufou quando Clara apareceu sorrindo na porta.

— Se você usasse a campainha, eu não teria demorado para atender. — falou dando um abraço na amiga.

— Trouxe o Octávio comigo, lembra dele?

— Claro. Seu médico gostosão. Não sabia que ele era guarda-costas também.

— Eu não sou. — ele disse. Clara olhou pra Babi e ambas começaram a rir.

— Vem xoxo. — Babi falou puxando Octávio pela mão. — Cadê o Ryan?

— Vou chamar ele pra fazer campainha pro Octávio.

— Ok. — Clara saiu.

— Você podia me ensinar umas piadas. — Octávio disse.

— Eu estou torcendo pra que tenha dito isto apenas para quebrar o silêncio — ela falou segurando o riso.

— Não. — ele assumiu baixo.

— Outra hora te ensino — ela prometeu rindo um pouco.

Clara voltou com Ryan, que os cumprimentou e depois saiu com Octávio

— Quer ficar aqui mesmo? — Clara perguntou.

— Aqui está bom. — elas se sentaram.

— Vocês estão namorando?

— Não sei. Acho que é só um lance. — Babi falou outra vez.

— Finalmente. — Clara disse de forma jocosa.

— Gosto dele. — admitiu baixo.

— Já percebi isso e... Sabe, ele também gosta de você.

— Eu sei... — concordou baixo.

— E não fica alegre com isso? — Clara a olhou confusa percebendo o olhar distante da amiga.

— Fico mas, até quando?

— Te proíbo de pensar nisso. — Clara falou autoritária.

— Alguma novidade? — Babi falou rindo um pouco da cara de séria que Clara não sabia fazer.

— Estou grávida. — Clara contou de uma vez.

— O que? Sério? Oh Deus! Isso é fantástico, maravilhoso. Estou muito feliz, Clara. Parabéns! Eu... Puxa, nem sei o que dizer. — De repente Clara deixou uma lágrima cair.

— Obrigada. — Babi limpou a lágrima dela que corria pela face pálida.

— O que foi amiga? Não queria engravidar? — indagou confusa, chegando mais perto da amiga.

— Péssima hora pra uma gravidez, não acha?

— Não. Eu realmente não acho. Esse bebê veio na hora certa e estou muito feliz por isso. Eu terei tempo de conhecê-lo. Fique tranquila.

— Você vai morrer, né? — agora Clara chorava. Babi engoliu em seco. Precisava ser forte.

— Sim. Eu vou morrer. Mas todos não vamos? — ela falou abraçando a amiga. – Ei, olha aqui, não pensa nisso. Eu estou aqui agora, tá? É isso que importa.

Notas finais
Comentários? O que estão achando? Se manifestem! ~Keel