Amethyst no Hana - A Flor de Ametista Original
47 Capítulo 46 - Tensão
Era manhã. Os raios de sol atravessavam pelas finas frestas da cortina que cobria a janela de Miyagi. Incessantemente, o despertador da garota começou a tocar, e ainda deitada, ela se virou e desativou o alarme. Ao revirar novamente, se deu de cara com Yuuki que também acordava.
— Yuuki-kun, bom dia… — Disse ela, com um sorriso terno no rosto.
— Bom dia, Akane. — Mediante a preguiça, ele também começava a esboçar um sorriso. — Conseguiu dormir bem?
— Essa pergunta deveria ser minha, bobo. Mas sim, eu dormi muito bem. E você, conseguiu dormir bem? — A moça retrucou, com um tom levemente debochado. Este lhe respondeu, brincando lhe jogando uma provocação. Ela não deixou barato e retribuiu a provocação dele. Ficaram ali por um tempinho se alfinetando; isto porém era uma situação de carinho entre eles, pois não havia maldade alguma em suas palavras. Infelizmente, esse momento de intimidade foi brevemente cortado quando batidas foram ouvidas à porta.
— Vocês dois, já tá na hora de levantar! Vamos parar de namorico e começar a se arrumar, viu?
A voz da Sensei, levemente séria, ressoou através da porta, os fazendo suspirar. Enfim se levantaram e saíram do quarto da moça, ela com seu uniforme em mãos. Assim que terminaram de se banhar, de pronto foram para o colégio. Enquanto saiam, porém, Hibiki-sensei os olhou saindo junto com um sorriso no rosto. “Eles se merecem” pensava ela, enquanto também se aprontava para sair. Yuuki e Akane evitavam assuntos sobre o dia anterior, todavia, sabiam que iriam acabar esbarrando nele novamente.
— Bom di-- Uau… — Surpreendeu-se Shizue ao ver a cena de Miyagi agarrada em Yuuki. — Parece que você está mesmo levando aquilo que eu te disse a sério. — Com um sorriso confiante, acenou positivamente, cruzando os braços.
— Você tem razão, Shizue. É uma sensação tão boa. — Comentou com um sorriso no rosto. “Céus, só se beijem logo” pensava Shizue ao ver a química do casal a sua frente. Emiko também estava feliz com a progressão dos dois.
Durante a aula, do lado de fora, passos calmos se direcionavam em direção à escola. Seu olhar estava neutro enquanto este caminhava até a diretoria. Ao chegar, a diretora percebeu que alguém havia chegado, e enquanto mexia em seus documentos, os organizou e então deu a devida atenção.
— Bom dia. No que posso ajudar?
O homem então relaxou os braços após ter fechado a porta da diretoria, para ter a certeza de que aquilo ficasse entre aquelas quatro paredes.
— Bom dia. — Sua voz ressoou, contida, como se carregasse um peso. — Ouvi falar que meu filho está matriculado neste colégio e no dormitório desta escola. É verdade isso?
A mulher então começou a revisar alguns papéis, chegando a um que continha a lista de alunos da instituição.
— Posso verificar aqui para ver se o nome dele consta no registro de matrículas. Qual o nome do seu filho?
— Miyagi Akira. — Respondeu, o nome saindo de seus lábios de forma natural. Seus olhos estavam fixos tanto na mulher quanto nos papéis.
Repetindo o nome em tom baixo, a diretora olhava nome a nome a fim de identificar o filho daquele homem. Parou por um momento os olhos e o dedo no nome de Akane, e brevemente continuou a procurar por outro similar. À aquela altura, o homem estava um pouco mais impaciente, quando a mulher então se virou para ele.
— Desculpe, não temos registro de nenhum Miyagi Akira aqui. Só temos uma estudante chamada Miyagi Akane. Ela é uma conhecida do senhor? — Ao ouvir o nome, o homem sentiu como uma pequena pontada por dentro, endurecendo mais o coração. A fim de não causar tumulto, respirou fundo e se recompôs rapidamente, cerrando os olhos.
— Era justamente quem eu estava procurando. — Havia um pouco de decepção em seu tom de voz. Seu olhar, mesmo em direção a mulher, parecia vago, vazio. — Essa “Miyagi Akane” é, na verdade, meu filho… Miyagi Akira…
Aquilo deixou a diretora um pouco perdida, antes de enfim associar os pontos.
— Senhor… está me dizendo que aquela moça… — Ela hesitou em suas palavras, aguardando a confirmação que havia de vir da boca do homem.
— ...sim… ela é um homem. — Ele assim esclareceu o fato antes dito.
Um forte e passageiro vento soprou do lado de fora do campus escolar, fazendo as copas das árvores balançarem. Ao mesmo tempo, no meio da aula, uma sensação de consciência atingiu Akane, que por alguns instantes ficou paralisada. Era como se ela sentisse que algo estava para acontecer. Miyagi olhou para o lado, vislumbrando Yuuki, que estava atento na aula, antes de perceber seu olhar. Dada a breve atenção, retornaram seu foco à aula. Ainda assim, a moça podia perceber que havia algo de errado.
Enquanto prestava atenção na aula, algo chamou a atenção de Shizue, que primeiramente olhou de soslaio, antes de virar seu rosto e vislumbrar alguém sair do colégio. “Quem é aquele?” pensava a jovem, o vendo ir embora.
No horário do intervalo, enquanto Yuuki se levantava para poder ir para o refeitório junto das meninas, um jingle tocou pelos alto-falantes da escola, o que os pegou de surpresa.
— Miyagi Akane da classe 7-B, favor comparecer à sala da diretoria. Repetindo: Miyagi Akane da classe 7-B, favor comparecer à sala da diretoria. — Ressoou a voz através daquela caixa. A garota sentiu um aperto no peito, todavia, tentou não demonstrar o sentimento, quando todos da sala olharam para ela.
— Eu preciso ir… Vão na frente, eu já vou me encontrar com vocês. — Com uma voz tranquila e um sorriso assegurador afirmou. A pressão dos olhares ao redor era sufocante, a fazendo sair dali o quanto antes possível.
“Eu sabia… tem algo de errado…” Pensava a menina, enquanto em passos apressados ia para a diretoria. Cada passo que dava, uma sensação ruim começava a preencher seu corpo, como um mau presságio. Queria fugir, mas sabia que se o fizesse, seria pior para si. Não demorou muito e já estava de frente para a porta da diretoria. A hesitação era muito grande, era como se seu corpo clamasse para que não abrisse aquela porta e que saísse correndo. Não houve outra alternativa: pôs a mão no segurador e abrindo a porta, adentrou a diretoria.
— Pois não, diretora. – Com o medo dentro de si, da mesma forma que falara, engoliu a seco aquelas palavras. A cadeira da mulher se virou em direção a moça, cruzando as pernas enquanto olhava face a face, com um semblante levemente preocupado.
— Miyagi… — Logo após ter dito seu nome, suspirou. — Te chamei aqui para que possamos resolver algo em relação a você..
Para a diretora, era visível como a moça estava nervosa. Por suposto dela, já deveria saber do que se tratava, bastando sua observação. Ainda assim, havia de fazer seu trabalho, por mais que fosse desconfortável para Miyagi.
— Um homem veio até mim. Disse ser seu pai, e alegou que você, Miyagi Akane, na verdade se chama Miyagi Akira, e é o filho dele… isso é verdade?
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