Amethyst no Hana - A Flor de Ametista Original
42 Capítulo 41 - Além de Qualquer Distância
Notas iniciais
Após ter esclarecido toda a situação na delegacia, Yuuki e a Sensei saíram de lá de volta para seus lares. Ela ficou aliviada que tudo não havia passado de um mal-entendido.
Dias se passaram desde então. O horário era um pouco após meio-dia, Shizue estava pintando as unhas, Akane olhava o celular. O telefone toca, quebrando aquele silêncio, e a mãe de Shizue atende. Brevemente, a mulher colocou o telefone levemente de lado, e tapou seu microfone para abafar.
— Shizue! É uma ligação da sua professora! — Exclamou sua mãe do corredor.
“Ah, que droga. Logo agora que eu estava fazendo as unhas dos pés…” — Pensou ela, levantando-se consternada e saindo do quarto para poder atender o telefone.
— Sim, Hibiki-sensei?
— Eu só estou ligando para dizer que as obras no Nozomi já terminaram. Estou dentro do carro agora, indo para lá. Avise a Akane, por favor. — Ao ouvir aquela notícia, os olhos da alaranjada brilharam, concordando com a mulher e assim desligando.
Sem ligar para suas unhas naquele momento, correu de volta para o seu quarto e abriu a porta com tudo, assustando Akane.
— Akane-chi… se eu te contar, você não vai acreditar.
— O-O que houve, Shizu-chan? Você me assustou… — Respondeu Akane, levemente amedrontada.
— A reforma no dormitório tá completa!
Os olhos de Akane se arregalaram, o celular caiu de sua mão na cama. Estava incrédula do que havia escutado.
— N-Não… não pode ser possível… — Comentou a moça com lágrimas começando a se formar em seu rosto.
— Não só é possível, como é real! A sensei acabou de ligar e me falou exatamente isso pra mim. Disse que estava indo para o dormitório agorinha mesmo de carro.
Era como um sonho prestes a ser realizado. Akane então, apressada, fechou seu celular, correu para pegar sua mala abrindo-a e então abrindo as gavetas aonde havia deixado suas roupas.
“Yuuki-kun… Yuuki-kun… Yuuki-kun…” — era tudo que se passava em sua mente. Seu coração clamava por ele, seu corpo desejava o seu toque. Sem se importar em bagunçar as roupas dentro da mala, somente as pôs de qualquer forma, como se corresse contra o tempo.
Malas prontas, saiu com Shizue para a entrada de sua casa, despedindo-se com pressa da mãe da menina, que não entendeu nada, porém, ainda assim se despediu dela.
— Shizu-chan…
A alaranjada sabia o que se passava com ela e somente acenou positivamente, e com um sorriso, disse:
— Vá encontrar seu amado.
Era tudo que Akane necessitava ouvir naquele momento. Se despedindo da moça, correu com todas as suas forças, enquanto Shizue a via se distanciar no horizonte.
“Corra atrás do seu amor, Akane. Vocês se merecem. Foram prometidos um ao outro, e não foi a toa.” — Pensava ela ao ver a garota sumir de sua vista na distância, com um sorriso no rosto. Desejava que Akane conseguisse encontrar sua felicidade junto de Yuuki, e queria que ambos fossem felizes.
Pelas ruas, correndo pela calçada, cada passo que dava parecia uma eternidade. A ansiedade, misturada com a antecipação e saudade tomavam conta de Miyagi, enquanto corria em direção ao dormitório.
“Yuuki-kun… Yuuki-kun… Yuuki-kun…” — Sua própria voz em pensamento começava a falar cada vez mais alto. Não se importava com os sons externos de carros e do ambiente da cidade.
“Yuuki-kun… Yuuki-kun… Yuuki-kun…” — Quanto mais alto, mais próxima parecia que estava dele. Não tinha dúvidas sobre sua intuição, sabia que estava se aproximando.
“Yuuki-kun…” — Por uma última vez sua mente clamou. E também, o que parecia ser seus últimos passos, quando parou em uma esquina familiar o suficiente. Mas aquilo tudo não importava, porque ao virar para o lado, viu a professora fora de seu carro, e mais importante: Yuuki, que ali com ela aguardava, sem entender.
Quando Hibiki viu a garota na esquina, sorriu de forma levemente pretensiosa.
— Lá vem a sua amada, Yuuki. — Comentou a mulher, o que o fez virar imediatamente para onde a mulher olhava. Na distância, ele viu, e reconheceu: era Akane que ali estava.
Ela estava ofegante. Ainda assim, juntou o que pode de fôlego, e a plenos pulmões gritou seu nome:
— YUUKI-KUN!!!
Ele a ouviu claramente. Ela começou a correr em sua direção com tudo o que tinha. Todo o amor e saudades acumulados pelo tempo que ficaram separados ela carregava consigo naquele momento. Seu coração se encheu de alegria ao vislumbra-lo mesmo à distância, que rapidamente diminuía. O semblante do garoto, antes de confusão, tornou-se em um sorriso surpreso.
Estando ela próxima o suficiente, largou a mala e sem hesitar, se lançou em seus braços, o abraçando com tudo que tinha.
— Yuuki-kun… Yuuki-kun… Yuuki-kun… — Ela clamava por ele, chorosa, lágrimas a descer sob seu rosto, recostado em seu peito. Uma sensação confortante preencheu o seu ser. Era tão bom estar próxima dele novamente, especialmente em seus braços.
— Eu estou aqui, Akane. — Replicou ele com um tom gentil e um terno sorriso, a envolvendo em seus braços assim como ela fizera com ele, e afagando suas madeixas com carinho.
— Eu senti tanto a sua falta… tanto, tanto, TANTO!
— Eu também, Akane. Não via a hora de te ver novamente.
Ela então olhou para cima, para fitar o rosto do menino ao qual amava.
— Yuuki-kun… me promete uma coisa? — Perguntou. Seus olhos, levemente tristes e preocupados, estavam adoráveis demais para Yuuki desviar seu olhar.
— Claro, Akane.
— Me prometa… nunca mais… NUNCA MAIS… iremos nos separar. Por nada nesse mundo. Independente das circunstâncias, estaremos juntos.
As palavras da garota o remeteram a sua infância, quando juraram jamais se separarem quando se reencontrassem. Aquela nova promessa era a prova de que seus sentimentos permaneciam inalterados, que eram inabaláveis.
— Claro, Akane. — Yuuki respondeu, a puxando para um abraço mais apertado, repousando o rosto da menina em seu ombro. — Independente das circunstâncias, estaremos sempre juntos. Concluiu.
O mundo para os dois parecia estar estagnado. Era como se o mundo ao redor houvesse deixado de existir para ambos.
— Ah, como o amor é lindo… só se beijem logo, por favor! — Reclamou a sensei em um tom brincalhão.
Hibiki-sensei, observando aquela cena, sabia que aquele não era só um reencontro qualquer, mas sim o início de algo muito mais especial entre aqueles dois. Aquele abraço apertado era a certeza de nada mais importava para eles além do amor que partilhavam um com o outro. Ali, perceberam que separados, nada podiam; porém, juntos, eram imbatíveis contra tudo que viesse a tentar separá-los novamente.
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