Amethyst no Hana - A Flor de Ametista Original
43 Capítulo 42 - Revelações de um Olhar
Os dois se desvencilharam do abraço, Akane buscou sua mala e assim os três entraram, retornando assim ao dormitório Nozomi. Nada no lugar aparentava ter mudado muito, exceto pelo fato de que agora haviam duas portas em vez de uma aonde se encontrava a área de serviço e o chuveiro e uma próxima da porta do sanitário.
— Separaram a área de serviço do chuveiro? — Questionou Yuuki, confuso com aquela novidade.
— Não só isso, mas agora, cada um vai ter seu chuveiro. — Respondeu a sensei, brevemente dando um leve tapinha nos ombros de Yuuki. — Que pena, né… acabaram os acidentes com as meninas… especialmente essa. — Comentou com certo sarcasmo em sua voz, trazendo seu olhar para Akane, que se avermelhou por ter lembrado da primeira vez que aquilo aconteceu.
“Sensei, por que você foi lembrar justamente disso…” — Pensou Akane, desconfortável da lembrança. Passado aquilo, levaram suas malas cada um a seu quarto, arrumando tudo como de costume.
Com tudo arrumado, a moça não pensou duas vezes em descer para o primeiro andar. O menino não aparentava estar no corredor como ela esperava, somente a sensei, que notou-a ali. Em seu rosto, portou um sorriso presunçoso enquanto se aproximava dela.
— Esperando alguém? — Questionou a mulher, já sabendo das intenções da morena. — Yuuki, eu presumo? — A professora acertou em cheio em sua intuição, pois Akane houvera corado ao nome do menino ser mencionado, somente abaixando sua cabeça em seguida. Ao ouvir a maçaneta do garoto a abrir, Hibiki saiu dali desejando à moça que ela aproveite o encontro dos dois. Miyagi não soube o que responder, seu olhar havia se direcionado a porta do menino, ao qual saia de seu quarto.
— Akane…
— Y-Yuuki-kun…
Imediatamente veio o flashback de alguns dias antes de ela retornar, em uma conversa com Shizue.
Inicio do Flashback
Akane estava sentada a cama com Shizue, enquanto conversavam. Em algum momento, o tópico sobre garotos chegou, deixando Akane levemente apreensiva, o que Shizue percebeu bem rápido.
— Escuta, Akane-chi… se você quiser que seu relacionamento com Yuuki vá a frente, é bom você largar do medo e dar o primeiro passo! Você quer namorar com ele, não quer? É inegável que vocês queimam de desejo um pelo outro, então, nada mais natural que vocês seguirem em frente!
Fim do Flashback
As palavras de Shizue ficaram ecoando na mente de Akane por um tempo. Com as mãos entrelaçadas, umas as outras, respirou fundo, juntando toda a sua coragem em meio a seu nervosismo.
— Yuuki-kun… você… gostaria de passear um pouco? — Ela questionou, com o rosto abaixado e o olhar ao chão, ocasionalmente mirando em sua direção com os olhos.
— Claro. Vamos? — A resposta inesperada do menino a fez rapidamente fitá-lo com um brilho em seus olhos. Seu coração saltou uma batida, e então, com certo nervosismo, ela o seguiu, lado a lado.
Durante sua caminhada, Miyagi estava um pouco hesitante. Mais uma vez lembrou das palavras de Shizue e ao olhar suas mãos, começou a aproxima-las das do garoto. Ao mínimo toque, ela afastou e ele, claro, percebeu sua intenção.
— Akane… se quisesse segurar minha mão, não vejo porquê isso deveria ser tão difícil. — Comentou o garoto, com um sorriso em seu rosto. Esse mesmo sorriso, na visão de Akane, certamente era o sorriso mais lindo que ela houvera presenciado em sua vida. — Afinal, você já fez coisas bem mais ousadas do que isso… lembra? — O garoto a provocou, apontando para a bochecha da qual ela havia beijado, a deixando vermelha de vergonha. Então, como se fosse algum tipo de subconsciência, uma pequena imagem de Shizue surgiu pelos ombros de Akane, a qual somente ela via.
— Atitude! Lembre-se, atitude! — A pequena figura falava para a jovem, desaparecendo logo em seguida. Ainda com medo, decidiu juntar sua coragem e abraçou o braço de Yuuki, o mesmo braço ao qual ela segurava sua mão. O menino não reclamou.
Caminharam até um parque próximo dos arredores do Castelo de Sunpu, aonde ela então largou do braço do menino e se assentou em um balanço; o garoto, fez o mesmo. Brevemente, lembrou-se de instantes antes, quando se reencontraram.
— Você… realmente parece que mudou desde que veio da Shizue… — Comentou o menino, sorrindo de leve.
— Eu que deveria dizer isso, seu… — Ela retrucou, socando de leve o braço do menino. — … mas de verdade, você mudou, Yuuki-kun…
— Eu? Não, eu permaneço o mesmo…
— Não… eu pude sentir… você estava tão carinhoso… estávamos tão próximos… você não era assim… — A garota disse, olhando ao céu com um sorriso. Rapidamente, levantou-se e se pôs atrás do balanço que o menino estava.
— O que a distância não faz com uma pessoa, né? Talvez deveríamos ter ficado mais longe?
— Ah seu…! — Akane havia caído nas provocações do menino, puxando-lhe as maçãs do rosto enquanto ele ria. Ela então deixou ir, e segurou as correntes do balanço, apoiando Yuuki em seu corpo. Ambos então se encararam com um sorriso no rosto; ele a olhar para cima, e ela, para baixo.
— Seria crueldade ficar mais longe de você. E você também sabe disso. — Com um tom terno e carinhoso ele havia dito.
— Você vê através de mim como se eu fosse feita de vidro. — Miyagi replicou, com seu sorriso doce e olhar meigo.
— De vidro não, mas de cristal.
— Qual é, Yuuki-kun! – Ela reclamou, catucando a bochecha dele como uma forma de se vingar dele. Apesar da breve feição brava, retornou ao meigo olhar de antes. — O cristal mais lindo que você já viu?
— Você por um acaso lê mentes, é? — Respondeu ele, ainda carinhosamente, porém surpreso internamente por ela retirar de sua boca as palavras que estava prestes a dizer.
— Quem sabe… talvez eu leia. — A garota retrucou, com um sorriso em seu rosto. Sugeriu então retornarem para o dormitório, pois a professora poderia estar preocupada com aqueles dois. Yuuki concordou com ela, e levantou-se do balanço, retornando com ela. A relação dos dois estava progredindo, e ambos poderiam sentir isso. Em especial, o garoto, que enquanto a olhava de lado, via na moça sua imponente feminilidade.
O vento que soprou reforçou ainda mais essa visão dele, ao vislumbrar o cabelo dela a esvoaçar. Seus olhos, atentos e fixos no caminho a sua frente, mas sem tirar a beleza feminina que emanava de si. Seu esbelto porte, o seu jeito de andar, seu sorriso, tudo chamava a atenção do menino ao seu lado.
“Ela… era tão bonita assim?” — Pensou o moço, desta vez com seu rosto virado para a moça, oblíqua a sua observação. Memórias de seu passado inundaram sua mente, trazendo a imagem da pequena Akane, de cabelos curtos. Tempos felizes aqueles, afinal, eram crianças, então não ligavam muito para o que vestiam. Tudo que se importavam era se divertir, independente se naquela época, ela vestia blusas largas e boné ou um vestido. Jamais ele imaginaria que anos depois, ela retornaria da forma que retornou.
Foi ali, naquele momento, que Yuuki percebeu algo que não poderia mais ignorar: a pessoa por quem ele estava apaixonado, a pessoa a qual fez, de alguma forma, seu coração bater mais intensamente era de fato uma mulher. Não se tratava mais de corpos, não se tratava mais de intimidades inferiores, se tratava de mente e coração.
Não fora a toa que se sentiu confortável ao envolvê-la em seus braços: seu coração o fizera se sentir assim. Da mesma forma como ele se sentiu antes, assim se sentia naquele momento que seus olhos enfim se abriram.
Akane então percebeu que estava atraindo olhares dele, e então parou para encará-lo. Chamou-lhe algumas vezes, porém, este estava em um transe tão profundo que não escutou sua voz.
— ...kun… Yuuki-kun! Está me ouvindo, Yuuki-kun? — Finalmente, a moça o tirou daquele estado, estando ela preocupada com o garoto.
— Desculpe…
— Está tudo bem? Você parecia meio… perdido…
— N-Não é nada, fique tranquila… — Ele a tentou tranquilizar, enquanto coçava a cabeça. Procurava dentro de si desculpas para poder botar de lado aquele devaneio. Todavia, não conseguia encontrar nada que se encaixasse.
— Tem certeza? — Ela tornou a o questionar. Seus olhos, levemente tristes e preocupados, estavam adoráveis demais para que ele pudesse fitá-los diretamente. Desviando seu olhar, ele manteve sua postura, reafirmando e tranquilizando a moça.
Enquanto eles retornavam, o silêncio constrangedor os rondava até chegarem enfim no dormitório, aonde foram recebidos por ninguém menos que Hibiki-sensei, a qual aparentava aguardá-los.
— Oh, os pombinhos voltaram… como foi o encontro de vocês?
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