Amethyst no Hana - A Flor de Ametista Original
28 Capítulo 27 - O Início da Aflição
“Realmente… o Tsukishima-kun não tem chance alguma contra isso…” — Era o que pensava Emiko, ao sair do dormitório de forma silenciosa, sorrateira, os deixando juntos ali. Vagou por um momento sob as luzes da cidade, com os sons dos carros, comércios e pessoas. Em sua mente, veio a cena de algum tempo atrás, no pós briga de Megumi e Miyagi, quando ele os viu indo embora.
“Não vê que a relação deles é natural?” — Foi o que Nakajima havia dito, também os observando a se distanciar deles três.
“Ele não vai aceitar isso mesmo…” — A de cabelos arroxeados refletiu, e olhou em volta a aura purpura noturna daquele lugar, sorrindo. — Que noite seria se você descobrisse isso, não é, Tsukishima-kun? — Falou, retornando a seu lar.
Em Nozomi-sou, Akane continuava a dormir serenamente ao lado do garoto, que nada poderia fazer naquele momento. Apenas suspirou e virou seu rosto em direção ao teto, o olhando até cair em sono profundo.
Pouco tempo depois, a sensei, que notou que o quarto do garoto estava aceso, decidiu ir ver o que estava acontecendo, e ao ver aquela cena, um terno sorriso preencheu seu rosto. Sem fazer um barulho, colocou o alarme para tocar no horário que ele costumava acordar, cobriu a menina e saindo do quarto, apagou a luz e quietamente fechou a porta.
Na casa de Emiko, a garota estava sentada a cama, quando recebeu uma chamada em seu celular. Ao atender, descobriu ser Nakajima do outro lado da linha.
— Você parece esquisita. Aconteceu algo?
— Se aconteceu algo? Sim, aconteceu. Algo que vai desmoronar o Tsukishima-kun todinho…
— O que quer dizer? Vai me falar que o Yuuki e a Akane--
— Não, ainda não. Mas depois da cena que eu vi lá no dormitório, e do que você havia dito dias atrás, eu não pude ter outra conclusão… O Tsukishima-kun não tem chance nenhuma contra aqueles dois.
— Eu te disse, ele não vai conseguir roubar o Yuuki da Akane.
— Eles foram feitos um pro outro…
— Mais do que isso, Emi. Eles estão prometidos um ao outro. — Ressaltou a alaranjada, pelo celular. — Diferente do Tsukishima, que o Yuuki conheceu esse ano, a Akane o conhece há bem mais tempo que isso. Talvez fizeram essa promessa desde a infância. Sabe como é criança, não é?
— Você tem razão… — A moça ponderou rapidamente. — Bom, não temos outra alternativa, não é?
— Vai doer muito no Tsukishima, mas ele vai ter que aceitar que os dois se amam, e que se merecem. E se ele não quiser nos ouvir, ele vai ver isso na prática, o que vai ser pior ainda. De qualquer forma, ele não tem como fugir, ele não vai ter escolha a não ser aceitar.
— Sim… então… até amanhã?
— Ah espera! O que você viu lá no dormitório, hein?
— Você realmente gosta de fofoca, viu? — Reclamou a moça antes de revelar o que houve. Depois de um tempinho conversando, ambas desligaram, e como já estava tarde, Emiko somente apagou as luzes de seu quarto, e deitou-se em sua cama, fechando seus olhos e dormindo.
No outro dia, ao som do alarme, Miyagi por reflexo o desativou e ao abrir seus olhos, sua primeira visão a frente era o menino a dormir.
“Então eu realmente dormi aqui…” — Pensava, enquanto o garoto também pouco a pouco despertava. — Ah… bom dia, Yuuki-kun. — E ele igualmente a cumprimentou. Ela então se levantou dali e sem dizer nada, saiu do quarto do garoto em direção ao banheiro. Por instinto, ele também se levantou e vestindo as pantufas ao lado da cama, caminhou até o mesmo banheiro.
Por descuido da garota, e por conta também de seu raciocínio matinal lento, ela deixou a porta do lugar aberto, ao qual ao som de um girar de maçaneta, ao abrir a porta, pouco se viu dela, e imediatamente ele fechou a porta novamente, por reflexo. Ela, claro, ficou surpresa e amedrontada.
— Me desculpa! Eu devia imaginar que você estaria usando…
— N-Não, tudo bem… foi erro meu, eu esqueci de trancar.
Trocados os perdões, ambos então usaram, um após o outro o sanitário. Pouco após, ele já estava de volta em seu quarto, e a menina, que estava uniformizada, bateu novamente à sua porta, para lhe dar o remédio antes de então sair para o colégio.
Naquele dia, Akane ficaria encarregada de fazer a limpeza da sala ao final dos períodos. E ela assim o fez, determinada, de cabeça para cima. Sua motivação era aparente para as outras meninas, que sorriam ao vê-la daquela forma. Ao sair de sua classe, trocar seus sapatos e descer as escadas, Tsukishima a esperava, enquanto se acertava com os outros três garotos.
— Eu posso ir visitar o Senpai hoje? — Perguntou com um semblante levemente aflito. Akane suspirou, pois sabia que de nada adiantaria negar, este insistiria até conseguir o que queria.
— Certo, você pode, mas lembre-se de trazer uma máscara.
Marcaram de se encontrar em frente a mesma drogaria ao qual ela fora comprar seus medicamentos, com horário estipulado, e então seguiu seu rumo ao trabalho.
No Nami’s, as meninas notavam que ela estava para baixo. Uma sensação de aperto preenchia seu peito, e um início de ansiedade surgia com ela. A moça foi forte por bastante tempo, até a metade de seu turno, quando inexplicavelmente teve um surto que a fez chorar. Naquele momento, todos os clientes acabaram por se virar para ela, e uma colega de trabalho a veio recolher para a sala de descanso, pedindo um tempinho a gerente.
— Akane-chan, o que houve? Por que do choro assim, do nada? — Perguntou Yamada, puxando uma das cadeiras e sentando-se em frente a ela.
— É que… é que… o Yuuki-kun… — Ela balbuciou, entre os soluços e as lágrimas que constantemente secava com as próprias mãos.
— O que tem ele?
E então ela havia o dito, como ele estava e houvera ficado de tal forma, e também como ela queria estar ao lado dele naquele instante. A jovem mulher lhe deu água de beber, até mesmo abraçou-a, com o intuito de a confortar. Pouco a pouco, ficava menos e menos apreensiva, e a dor de antes sumia gradualmente. Estando mais tranquila, se levantou, e pôs-se próxima a saída da sala, junto da outra.
— Akane-chan, você acha que ele gostaria de te ver assim, chorando? — Questionou, recebendo um aceno negativo como resposta. — Pois então, não fique assim, querida. — Então virou-se em direção as cadeiras dos clientes do local.
— Olha, imagina que ele esteja ali, em qualquer uma daquelas cadeiras que estão vazias. Pense que ele está ali, te observando trabalhar. Você iria querer que ele te visse chorando?
Novamente, a menina respondeu-a com um não.
— E ele também não iria se sentir bem te vendo chorar, então respira fundo, sorriso no rosto, e vai lá, tudo bem? Lembre-se que ele está te observando, então brilhe e faça o seu melhor.
Assim, ambas saíram do pequeno cômodo de repouso e voltaram ao serviço, Miyagi seguindo justamente o que Yamada lhe dissera. As outras meninas a viram brilhar ao meio daquele lugar, de esplêndida forma que recepcionava e atendia aos clientes. Isso as motivou a também fazerem o seu melhor.
Ao final do dia, cada uma recebeu seu pagamento, e Akane o agradecimento por ter motivado a todas a fazerem seu absoluto melhor em prol não somente dos clientes como do restaurante em si. Havia uma sensação de que algo muito bom estava para acontecer ali nos dias subsequentes.
Foi se encontrar com Tsukishima, no lugar marcado, e ao chegar, este reagiu com certo espanto diante da aura que ela exalava.
— Por que está brilhando tanto assim?
— Eu?
— E tem mais alguém aqui? Você tá mais radiante que a luz dos postes! O que aconteceu?
— Nada. Só tive um dia incrível no trabalho.
E nada mais se fora dito então, apesar de Megumi estranhar a garota estar daquela forma. Estava plena e feliz, em paz consigo mesmo.
Chegando no dormitório, se depararam com a Sensei a sair do quarto do menino com um termômetro em mãos.
— Sensei… como está o Yuuki-kun? — Perguntou a menina, preocupada.
— A febre aparenta estar diminuindo. Provavelmente em uma semana e meia ou até menos ele deva estar recuperado. — Respondeu-a com um sorriso gentil, e olhou para o loiro. — Que bom que ele tem bons amigos. — Concluiu, antes de passar por ali e subir as escadas. Bateram na porta, a qual lhe foram permitidos entrar. Miyagi ficou na porta, enquanto o outro adentrava o quarto e puxando a cadeira, sentou ao lado do rapaz.
— Senpai…
— Megumi… está tudo bem. Logo logo, vou voltar para a escola, e rever você e os outros…
— Como se sente agora?
— Meu corpo está um pouco fraco e tenho tosse, além da febre que abaixou um pouco. Mas não precisa se preocupar. A Sensei e a Akane cuidam muito bem de mim.
“A Akane…?” — Pensou o loiro, antes de se levantar, colocar a cadeira em seu lugar e olhar para ele uma última vez aquele dia, enquanto a morena entrava com os remédios e a água. — Bom, não pretendo incomodar muito. Já estou indo, Senpai.
— Se cuide, Megumi.
— Você também, Senpai.
Tsukishima estava para sair, suas franjas a cobrir seus olhos, seu rosto estava fechado como um dia nublado, quando sentiu seu pulso ser segurado pela garota, que o fitou aos olhos, de semblante sério.
— Podemos conversar depois?
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