Amethyst no Hana - A Flor de Ametista Original
29 Capítulo 28 - Doce Ilusão, Amarga Realidade
Após aquilo, Akane fora encontar com o loiro do lado de fora, que caminhava para ir embora.
— Tsukishima! — Chamou sua atenção, enquanto corria em sua direção, parando em frente. — Tsukishima…
— Não!
— Me escute--
— Não! Eu não quero! Me deixe em paz! — Exclamou e saiu correndo, com as folhas das árvores a começar a cair. Era um claro sinal de que o verão terminava, e o outono estava para começar.
— Bem… imagino que elas vão tentar também… mas se você não quis me ouvir, não vai querer ouvir elas, não é? Elas vão dizer a mesma coisa… e eu não quero nem imaginar quando você ver que era tudo verdade. — Comentou a si mesma enquanto o via ir embora e sumir na distância, e entrou de volta no dormitório.
Com lágrimas em seus olhos, ele correu o mais rápido que pode. Não percebia nada além do caminho a sua frente, tudo que queria era somente chegar na sua casa. Seu sofrimento era imensurável naquele momento.
Em um determinado instante, acabou por atravessar a rua com o sinal para os veículos ainda aberto. De tão cego que estava, não notou que dali chegava um caminhão, e sentindo que algo estava de errado, olhou para o lado e notou que as luzes do veículo se aproximavam mais e mais. Seus passos se interromperam, e quando este imaginara que era chegado seu fim, este fora empurrado por alguém que por instinto se agarrou com ele, atravessando a faixa de pedestres e descarrilando levemente o caminhão, que quase tombou por conta de tal ignorância do outro.
Ao abrir os olhos, um rosto familiar, portando um casaco de pele e shorts jeans estava sobre ele, e neste havia um semblante irritado, porém, preocupado.
— O que estava pensando, idiota?! Está querendo morrer?! Não só isso, mas também quase causou um acidente! — Saito gritou com ele, o chacoalhando, como se quisesse pôr juízo em sua cabeça. Continuou com os sermões, enquanto Megumi o olhava como se estivesse em transe.
Tendo terminado de ajuizar o loiro, este então chorara chamando seu nome e lhe abraçando. Deixou se levar pelas emoções. Kamigasawa, por outro lado, achou a atitude do mesmo “nojento”, como ele mesmo dissera. Tentou apartá-lo de si, sem sucesso, pois este clamava para que lhe deixasse assim por alguns instantes, a chorar em seu peito. Quando este enfim se confortou após a lamúria, deixou ir ao de cabelos negros, que o ajudou a secar suas lágrimas.
— Qual é a dessa sua atitude nojenta, hein? Patético…
— Se fosse com você, você entenderia, palhaço…
— Você que chora e eu que sou o palhaço? Você poderia não estar aqui, sabia? Seja grato, pelo menos.
— E eu sou grato! É só você que fica todo cheio de “Não me toque”. Você tem tanto medo das pessoas assim?
Um silêncio constrangedor os rodeou naquele momento, enquanto se levantavam e limpavam a poeira de suas roupas. Se fitaram por mais alguns segundos, antes daquele de olhos âmbar se virar.
— Saito… não… Saito-kun… obrigado. Vou ficar te devendo essa.
Acenou e então começou a ir embora, antes de ser surpreendido por ter seu pulso segurado pelo rapaz.
— Saito-kun…?
— Do jeito que você tá, é capaz de que se acidente novamente. O que sua mãe pensaria se não fosse ver o filho dela de novo? — Aquela breve pergunta, junto da frase dita antes fez os olhos de Tsukishima brilharem, e um terno sorriso surgir em seu rosto, enquanto caminhavam calmamente lado a lado para a casa do mesmo, sem dizer nada. Todavia, o loiro não deixou de pensar “Apesar de brigar comigo, você ainda consegue ser gentil”.
Kamigasawa então chegou ao lar de Megumi, e tocando a campainha, sua mãe veio atender.
— Tsuki! O que houve com você? O que são esses arranhões?
— Ah… quando eu entrar, eu explico, mãe. Mas ele me trouxe em casa em segurança. — Respondeu, ligeiramente sem graça. O outro, por respeito, pediu perdão a mulher por conta de estar incomodando.
— Ora, não precisa se desculpar. Olha, se você quiser, sinta-se a vontade para poder visitar o Tsuki a vontade, tudo bem?
O outro concordou e então se despediu. Tsukishima, sorrindo, mais uma vez acenou para ele enquanto este se ia. Fechada a porta, ele explicou para sua mãe o que havia acontecido. Claro que, nestas circunstancias, ele mentiu para a própria, inventando uma história para resguardar a verdade para si. Buscou suas roupas em seu quarto e foi-se a banhar.
Enquanto estava debaixo do chuveiro, lembrou-se das palavras de Yuuki, e de Akane, que tentou conversar consigo. Cerrou-se seus dentes, com raiva, e mansamente chorou por um tempo.
Enquanto isso, no dormitório, Akane, que estava sentada na cadeira que havia junto de sua escrivaninha, estava também ao celular com Nakajima.
— Ele não quis te ouvir…
— Eu tentei, mas ele foi teimoso, Shizue-chan…
— Era de se esperar. Eu conheço o Tsukishima de longa data. Ele é muito obstinado.
— Imagino que você e a Emi-chan vão tentar também, não é?
— Acho que sou feita de vidro, não é? Você viu através de mim…
— Mas se ele não quis me ouvir, ele não vai querer te ouvir também…
— Ele não tem para onde fugir, Akane-chi. Seja de você, de mim, da Emi ou Deus queira que não mas do Yuuki, ele vai ter de aceitar. De nada vai adiantar ele perguntar para pessoas que não estão envolvidas nisso. Primeiro porque vai coagir elas a dizer o que ele quer. E essas mentiras vão alimentar a ilusão dele de que está tudo bem, de que o Yuuki ainda gosta dele. E toda essa farsa vai doer mais…
— ...quando ele ver com os próprios olhos tudo aquilo que ele se recusou a escutar. — Disseram juntas, deixando um silêncio breve, seguido de sorrisos aos quais não se podiam ver. Se despediram uma da outra, assim desligando o telefone.
Na casa do loiro, após enfim sair dali, somente se aprontou a jantar, sem dizer nada. Nem a sua mãe ele respondia a respeito de seu semblante vazio. Por conta do sentimento, comeu pouco, preocupando ainda mais a mulher ao vê-lo se levantar e ir para seu quarto. Trancou sua porta, deitou-se em sua cama, pegou o celular e ficou ali a ouvir músicas, lágrimas a cair sobre seu rosto. Tanta era sua aflição que não escutava sua mãe a bater a porta e chamá-lo. Assim ele ficou, clamando o nome de Hisashi em quietos prantos, até cansar-se e um sono pesado recair sobre si.
Em seu sonho, Tsukishima aparentava acordar sobre uma cama de lençóis completamente brancos. Tudo ali aparentava ser de cor branca: as paredes, cortinas, até mesmo os móveis daquele quarto. Ele não reconhecia aquele lugar, pois era muito diferente do qual vivia. Saindo dali, nada mais se via, pois era uma imensidão de espaço vazio. Se quisesse voltar, não havia como, pois a porta para aquele local havia sumido.
No meio daquele nada, começou a correr, desesperado, como se procurasse uma saida para aquele lugar. Mas não adiantava, para onde ia, somente encontrava o mesmo vazio infinito. Interrompeu seus passos, vendo que não surtia resultado, e decidiu se sentar ao chão. Caiu para trás, como se o mesmo não existisse. O medo preencheu seu coração, porque sentia o vento a mexer da mesma forma ao cair de determinada altura a determinada velocidade. Logo, pensou: “Este é o meu fim…” e virando-se para o que seria o chão, fechou seus olhos. Uma breve sensação, como se alguém lhe segurasse aos braços o surpreendeu, e ao abrir os olhos, este acabou acordando, ofegante.
Olhou em volta, com certa ansiedade em seu peito, gradualmente se acalmando e respirando mais devagar, sentado sobre sua cama, olhou para suas mãos e perguntou-se:
“O que foi aquilo, afinal?”.
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