Depois de um confortável banho quente, ela saiu, vestida e apropriadamente agasalhada, pois fazia frio. Se direcionou a sala e avisou a Yuuki, ao qual se levantou e também foi tomar banho. Tendo se banhado, ambos então se dirigiram a sala de jantar, que ficava integrada a cozinha do local. Vez ou outra, eles se encaravam, e rapidamente desviavam o olhar, por vergonha. Pouco depois, se deitaram e dormiram, cada um em seu quarto. A moça, deitada, relembrou dele alguns momentos antes: seu jeito simples mas afetuoso, sua gentileza, além de o mesmo não reclamar pelos dois estarem de braços dados.

“Ele está se acostumando… né?” Questionou a si em silêncio, antes de dar mini surtos de amores abraçando seu travesseiro, cobrindo a cara.

— Ah… queria que você tivesse aqui comigo… — Akane disse, sozinha, antes de pouco a pouco cair em sono.

No quarto do menino, ele, também deitado, ficou a vislumbrar o teto. Em sua mente, a cena do dia atual lhe vieram a visitar, e nestes, se realçaram as características da moça. Toda a delicadeza e a leveza de uma moça, o toque de suas mãos, o perfume, seu jeito de falar e o tratar com carinho, tudo isto fez seu coração bater mais forte.

— Quando iremos dar as mãos… Akane... — Ele se perguntou, de rosto levemente corado, e deixou-se levar pelo cansaço. Pouco a pouco começou a aceitar e compreender seus sentimentos, não se importando com o que havia de similar ou diferente entre ambos.

Alguns dias depois, o moreno ao acordar, não se sentia bem. Alguns sintomas haviam se mostrado a noite passada, mas acreditou não ser nada. Estava resfriado após retornar aquela noite com a menina debaixo do tempo sereno e frio. Ainda assim, se levantou, com um pouco de dificuldade, e ocasionalmente tossindo, foi até a porta de seu quarto, e quando abriu, deu-se de cara com a professora.

— Sensei… — Ela não deu chance para que ele pudesse dizer algo. Colocou a mão em sua testa a fim de ter uma ideia.

— Você está com febre. Não vá a escola assim. Deite-se e descanse. — Atestou a mulher, e ele tentou convencê-la por conta das aulas. — Escuta, Yuuki… as aulas são importantes, mas mais importante é a sua saúde. Por isso, quero que fique ai e descanse, entendeu? Sem mais.

Hisashi, assim como ouviu da professora, retornou para sua cama e deitou-se, se pondo a descansar, ainda a tossir, enquanto ela fechava a porta. Miyagi estava no corredor, prestes a sair após ter se banhado e uniformizado quando vislumbrou a professora também por ali, próxima do quarto do menino.

— Sensei… aconteceu alguma coisa com o Yuuki-kun?

— Nada preocupante. Ele só está com uma febre, e está resfriado. Aliás, que bom que você ainda estava aqui. Pode comprar um remédio de gripe e um xarope para ele? Eu te devolvo o valor gasto com esses, tudo bem? — Sugeriu ela, deixando a moça levemente apreensiva.

— A-Ah… não precisa, sensei.

— Não, por favor, eu insisto, prometo te devolver o dinheiro.

A morena viu que era inútil discutir com a mais velha, e desistiu de argumentar, somente concordando com ela, pegando sua sombrinha e indo para a escola.

O céu estava cinzento, mesmo para uma manhã, com uma chuva leve mas o suficiente para poder molhar as pessoas. A passos serenos, a moça seguia seu caminho, mais a frente encontrando com Shizue e Emiko que vinham em sua direção.

— Akanecchi, bom dia. — Cumprimentou a alaranjada, logo notando o semblante um pouco vazio, ao qual a de cabelos roxos também não deixou passar.

— Aconteceu algo? — Sugihara a perguntou, porém, esta fora ignorada e imediatamente interrompida pela alaranjada.

— Cadê o Yuuki?

— Está resfriado. Ficou no dormitório, se recuperando.

— Tadinho…

Tão logo, Tsukishima se juntou a elas e também notou a ausência do menino.

— O senpai não veio? — Perguntou, sendo explicado o porque de ele não estar por ali. — Que pena do Senpai... — Disse, com um semblante preocupado.

Próximos do prédio escolar, uma fina garoa começou a cair, e sentindo os míseros pingos a tocar sua pele, apertaram o passo com o intuito de já adentrar o lugar, e não pegar a chuva que pouco depois cairia com certa intensidade. Os alunos que ainda estavam para chegar corriam debaixo do dilúvio, tentando se proteger com suas bolsas, sem muito sucesso.

Nada de muito especial aconteceu aquele dia além da chuva, que insistia em se derramar lá fora. No horário do intervalo, Emiko e Megumi questionaram a Akane se podiam visita-lo no dormitório, e a menina os respondeu dizendo que poderiam ir em dias diferentes, pois muita gente no quarto do garoto seria um incômodo, tanto para ele quanto para a Sensei e os outros estudantes do local.

Era o dia de Sugihara ficar responsável pela organização e limpeza da sala. Miyagi seguiu para a sala do clube, para após as atividades do mesmo, ir direto para o café. De alguma forma, não se sentia bem por conta do menino, porém, isso não poderia ser seu motivo para faltar ao serviço.

— Parece que não teremos muito movimento por conta dessa chuva… — Disse Yami para a morena, ao olhar pela janela e então tornar sua atenção a moça. — Aconteceu algo?

— Ah… não se incomode com isso, Yami-chan. É só por conta da chuva… o tempo me deixou meio melancólica…

— Akane-chan, sei que você pode não estar muito bem hoje, mas você precisa se esforçar pelo bem-estar dos nossos clientes, tudo bem? — Declarou Honoka, afagando seus cabelos em uma tentativa de confortá-la.

Como atestado por Hirai, o restaurante não recebeu muitos clientes aquele dia. Ainda assim, de alguma forma conseguiram bater a meta diária, agradecendo pelo esforço de todas que trabalharam duro para alcançar ao objetivo. No final do turno, a chuva havia diminuído a tal ponto de quase ter cessado. Não se era possível ver a lua e as estrelas aquela noite, pois o céu ainda permanecia nublado.

Antes de retornar ao dormitório, passou em uma farmácia e comprou o xarope e remédios solicitados pela Sensei. Seu celular tocou, era a jovem de cabelos roxos, com quem se encontrou pouco depois no meio do caminho.

No quarto, o garoto ainda permanecia deitado em sua cama, em repouso, quando a moça chegou com o remédio e um copo d’água. Após sair, deu um tempo para que a outra o pudesse ver. Tendo ela o visitado, ao sair daquele cômodo, se escorou atrás da parede enquanto Akane, que não havia percebido, entrou ali e ficou. Emiko, escondida, observou a cena.

— Akane… por favor, não fique aqui… você vai se adoecer por minha causa…

— Iya. Eu não vou sair do seu lado.

— Mas Akane…

— Eu disse que não, e se estou dizendo é porque não vou sair.

A menina então segurou a mão do rapaz, a qual ele conseguiu sentir seu calor, enquanto ela o olhava, com determinação. Seu olhar então mudou para um semblante triste ao fitá-lo.

— Você entende, não é? Eu não me importo se eu ficar doente. O que me importa é que você fique bem… só… me deixe ficar aqui… por favor... — E com suas mãos entrelaçadas, e sentada sobre seus joelhos, permitiu que o sono a tomasse, recostando seu rosto acima de suas mãos. Ao ver aquilo, os olhos de Sugihara se encheram de lágrimas por se emocionar com a beleza daquele momento, tornando a se esconder novamente detrás da parede, e percebendo o que já estava óbvio para Shizue há tempos atrás.

Realmente… o Tsukishima-kun não tem chance contra isso...”