American Psycho

1 Night of Hunter


Notas iniciais
Aviso: Mutilação,violência,assassinato e palavrões

Os becos de Londres eram bastante famosos. Desde o século XIX (ou até antes disso), fora palco de varias ocorrências, dentre elas, assassinatos, estupros, roubos e incontáveis tragédias.

A modernidade fez com que esses becos fossem vigiados, porém a história está cravada com sangue neles e casos brutais aconteciam mesmo assim.

É um desses becos, talvez o mais famoso deles, que um jovem está em pé, olhando para o chão. Ele era alto e sua pele, clara. Tinha os cabelos curtos e loiros, ombros largos e uma boa postura, o que indicava que ele vinha de uma família nobre. Seus olhos eram azuis claros como safiras. Vestia-se de forma impecável, com um blazer escuro, uma blusa por dentro, onde a gola vinha até seu pescoço, calças escuras e sapatos sociais, igualmente negros. Seu blazer estava aberto e era possível ver a blusa branca, a única peça que não era escura. Suas mãos estavam cobertas por luvas e na mão direita, segurava um machado.

Os olhos azuis do rapaz brilharam ao encarar o corpo estendido aos seus pés. Uma jovem de pele clara, aparentando ter seus vinte anos, estava deitada naquela viela. Seus longos cabelos castanhos estavam espalhados pelo chão e ela vestia um vestido vermelho, que ia até a metade de suas coxas. Um decote em V permitia uma visão do contorno dos seus seios. A morena estava descalça e seus sapatos, jogados em um canto. Seus olhos estavam fechados e ela parecia estar dormindo.

O jovem agachou-se, ficando de cócoras, enquanto observava a mulher em sua frente. A mão que estava livre acariciou sua bochecha e ela abriu os olhos devagar. Percebendo que estava em um lugar estranho, ela arregalou os olhos e tentou levantar-se, porém foi impedida por uma mão que tampou sua boca e forçou sua cabeça ao chão. O jovem colocou o dedo indicador nos lábios e fez o sinal de silêncio. A moça olhou assustada para o loiro e tentou se mexer, porém seus pulsos estavam atados. Ela notou que seus pés estavam igualmente amarrados.

O loiro sorriu para ela e disse:

-Não se preocupe. Daqui a pouco vai ficar tudo bem.

Ele tirou a mão da boca da jovem, permitindo que ela falasse.

-O que estamos fazendo aqui? Por que me trouxe até aqui?

Um sorriso malicioso brotou dos lábios do rapaz ao dizer:

-Eu te disse que iria te mostrar uma parte especial da cidade, não disse? Cá estamos. Não é maravilhoso?

A morena olhou confusa para ele. Onde eles estavam era em um beco no subúrbio da cidade. Ela começou a arrepender-se de ter saído de casa essa noite.

-Isso não tem graça, tire-me daqui.

-Ah, eu vou. Só que iriei levar só uma parte de você comigo.

Os olhos castanhos arregalaram-se e a morena preparou-se para gritar, mas um lenço foi amarrado a sua boca, impedindo-a de produzir qualquer som.

-Não, não, não. Não vamos chamar atenção dos outros. Afinal, essa é a nossa noite hoje.

O loiro levantou-se, pegando o machado, que havia depositado do seu lado e encarou a jovem.

-Teremos muita diversão hoje. – dizendo isso, ele levantou o objeto com as duas mãos e com um só golpe, acertou a cabeça da jovem, matando-a na hora.

Sangue espirrou do corpo, melando o algoz, que sentiu uma onda de prazer inexplicável. Aquela era a melhor parte, o sangue em suas roupas, em seu rosto. Usava uma blusa branca, justamente para ser manchada com o sangue de sua vítima e lentes de contato, para sentir na pele, aquele líquido rubro. Lambeu os beiços, excitado.

-Eu sabia que você valeria a pena. – e dizendo isso, o loiro acertou mais e mais golpes no corpo, já sem vida, dilacerando a carne e mutilando os membros.

~ o ~

O detetive Arthur Kirkland era um dos mais notáveis oficiais em toda a New Scotland Yard. Apesar de sua pouca idade, ele conseguiu o respeito e a admiração de toda a corporação. Algo muito difícil para alguém tão jovem quanto ele. Arthur tinha uma estatura mediana, cabelos loiros bem claros e olhos verdes. Mantinha em seu rosto uma expressão séria e poucos o viram sorrir ou rir, durante quase sete anos em que trabalhava ali. Era o primeiro a chegar e o último a sair. Graças a ele, grande parte dos casos foram resolvidos. Não era raro encontrá-lo em suas folgas trabalhando ou fazendo algo relacionado ao trabalho. Os seus colegas lhe diziam sempre que ele precisava relaxar mais e eram respondidos com grunhidos mal humorados da parte do detetive.

Apesar de fechado, Arthur tinha um grande amigo na corporação, o policial Honda Kiku. Kiku entrou na Yard mais ou menos na mesma época que Arthur e era um dos poucos que acompanhou a carreira do brilhante oficial desde o começo. Ele era policial no Japão e quando se mudou para Londres, decidiu que iria continuar na profissão que tanto amava e fez o possível para entrar na corporação, até ser aceito. Daquele dia em diante, ele e o atual detetive eram parceiros e o japonês conhecia bem a personalidade do amigo.

Toda vez que eles resolviam um caso, eram motivo de alegria entre os policiais e era um dos raros momentos em que o detetive esboçava um sorriso, porém aquele dia não era um deles.

Arthur pegou um exemplar do The Times e jogou na mesa, irritado. Estampada na primeira página do jornal estava a notícia:

Mulher é assassinada violentamente em Whitechapel.

A vítima teve seus membros amputados e separados do corpo. Um morador de rua, que passava pelo local, encontrou apenas o tronco, sem os membros. Suspeito ainda não foi identificado. A polícia acredita que seja o mesmo assassino que tem vitimado mulheres há quase um mês.

Aquela já era a sétima vítima desde que começaram a ocorrer a onda de homicídios. Quando tudo começou, Arthur não deu muita importância. Gostava de pegar casos complicados e que de alguma maneira, o entretivessem. A primeira vítima, uma prostituta que já era conhecida na região, havia sido morta aparentemente, sufocada. Quando soube da morte da rapariga, o detetive ignorou, achando ser só mais algum cliente que havia exagerado na brincadeira, porém quando seus subordinados o avisaram que a prostituta estava sem os órgãos internos, sua atenção foi tomada. Desde então, Arthur trabalhava vinte e quatro horas para tentar solucionar esse caso, que se estendia mais do que ele imaginava.

O que mais intrigava o detetive era como o assassino conseguia atrair e matar suas vítimas. Era como se elas fossem até ele para serem assassinadas. As vítimas não tinham nenhuma ligação entre si, a não ser o fato de serem mulheres. Outro problema era a falta de pistas. Sem impressões digitais, sem armas, sem pegadas, era como se fosse um fantasma. Seja quem for que esteja matando aquelas mulheres, era um profissional.

Apesar do pouco sucesso, ele não desistia.

-Maldito, você não vai fugir para sempre. – disse, olhando para o jornal em sua mesa.

-Vejo que já soube das notícias, detetive Kirkland. – disse Kiku, adentrando no escritório de seu amigo.

-Esse desgraçado está tirando o pouco de paciência que eu tenho Kiku – respondeu sem tirar os olhos dos papéis – e, por favor, quando estivermos a sós, me chame de Arthur.

-Desculpe-me Arthur, força do hábito.

O detetive nada respondeu, apenas continuou a mexer em suas anotações.

Kiku observou o seu amigo durante um tempo antes de dizer:

- Hoje é quarta-feira, você irá para o treino de boxe?

Pela primeira vez, desde que a conversa começou, Arthur levantou os olhos e encarou o amigo. Era possível ver que ele estava cansado e não parecia que estava dormindo bem. Arthur encostou-se em sua cadeira e com um suspiro disse:

- Eu não sei, sinto que estou chegando perto de identificar esse filho da puta.

-Ora, todo mundo sabe que só existem três coisas que conseguem relaxar o sempre mal humorado detetive – replicou o amigo, bem humorado – e uma delas é o boxe. Já pensou se você acaba agredindo alguém reprimindo tanto essa frustação?

Arthur estreitou os olhos e lançou um olhar irritado para o amigo.

-Você veio até aqui só para evitar uma chacina na corporação ou tem algo mais útil para me dizer?

Apesar da resposta, Kiku não se sentiu ofendido, sabia como o amigo reagia a provocações. Sorrindo, ele disse:

-Mas é claro que não, detetive. Temos informações sobre o assassinato de ontem à noite. Algo que vai animá-lo.

Arthur sorriu, apesar de ser um sorriso frio.

-Só você mesmo para me trazer boas notícias, Kiku.

~ o ~

O jovem caminhou pelo corredor de sua casa. Havia acabado de tomar um banho e estava usando apenas uma toalha enrolada na cintura. Ele andou até o seu quarto e olhou ao redor. Aquele era seu santuário, um conjunto de coisas que moldavam a sua personalidade, ou pelo menos, uma parte dela. Várias estantes estavam espalhadas pelo cômodo, todas com livros de mais diversos assuntos. O loiro apreciava a leitura desde garoto e aprendera muita coisa nos livros. Uma cama box branca encontrava-se entre escrivaninha, com o notebook e os instrumentos de trabalho, e uma cabeceira, da mesma cor da cama, que continua apenas um abajur.

Caminhou pelo seu quarto e parou em frente ao um grande closet, que estava do lado oposto a sua cama. Abri-o e olhou no interior. Várias roupas encontravam-se ali, juntamente com sapatos, do mais variados estilos. Sorriu orgulhoso. Gostava-se de se vestir bem e agradecia mentalmente o fato de ser rico. Seus olhos correram por algumas roupas até pousarem em um enorme espelho, que se encontrava no interior. Observou a sua imagem refletida e retirou a toalha, para obter uma melhor visão do seu corpo nu. Uma das coisas que mais gostava: ele mesmo. Observou o torso bronzeado e as linhas do peitoral. Não era muito musculoso, até porque não apreciava isso, porém mantinha a forma. Ele tinha um terrível hábito de comer fast foods. Era um prazer que o perseguia. Vivia fazendo dietas e visitava academias, porém não largava nunca daquela comida gordurosa. Apreciava a comida dos restaurantes também, porém uma visita ao Mc Donalds todos os dias era sagrado. Abaixou o olhar e admirou o resto do seu corpo. Coxas e pernas na medida certa, nem tanto musculosas, mas o suficiente para se destacar. Subiu o olhar e observou o que verdadeiramente lhe dava orgulho: seu rosto. Seus olhos azuis faiscaram em admiração e ele, satisfeito, decidiu que era hora de colocar alguma roupa. Não que se importasse em ficar nu, mas iria ter uma visita e não gostaria de espantar a dama logo no primeiro encontro.

Escolheu um terno azul escuro e uma blusa branca foi adicionada ao conjunto, juntamente com uma gravata escura e sapatos da mesma cor. Vestiu-se e quando terminou, olhou-se novamente no espelho, orgulhoso. Passou a mão nos loiros cabelos, ajeitando-os.

Satisfeito, fechou as portas do seu closet e quando ia descer as escadas, ouviu o som da campainha. Sorriu e atravessou o quarto indo em direção à porta, porém estancou, lembrando-se de algo. O jovem foi até a cabeceira e abriu uma das gavetas, retirando de lá uma faca. A lâmina estava coberta e o loiro retirou a proteção para dar uma olhada no seu amado objeto. O cabo era negro e a lâmina era semelhante a lâminas das facas usadas nas guerras. Sorrindo maliciosamente, cobriu a faca e colocou no bolso. Fechou a gaveta e caminhou até a porta, cantarolando. Aquela noite seria uma ótima noite.

~ o ~

Arthur socava o saco de areia como se sua vida dependesse disso. Hoje havia sido um dia bastante agitado, principalmente com a revelação que seu amigo havia lhe contado. Aquilo com certeza iria ajudar bastante as investigações e ele agradecia mentalmente o fato de Kiku ser um policial tão bem treinado.

Ele continuou com sua sequência de golpes e estava tão concentrado em seus pensamentos, que não notou um colega aproximando-se.

- Kirkland, pega leve com o saco de areia. Não é como se ele fosse uma ex-namorada sua, ou seja lá com quem você anda saindo.

O loiro parou seus movimentos e segurou o saco com as duas mãos. Ele virou-se lentamente, reconhecendo aquela voz.

-Beilschmidt, por que você não vai se ferrar?

O mais alto sorriu com a provocação do menor.

-Nossa! Você precisa relaxar mais. Aposto que toda essa raiva acumulada é consequências de noites solitárias. – sorriu malicioso.

Arthur o olhou, irritado e respondeu entre os dentes:

-Mais uma palavrasua e eu te mostro o que toda essa raiva acumulada pode fazer com o seu rosto.

O alemão levantou as mãos, em sinal de desistência e disse:

-Ok, ok. Já entendi. Estou saindo. Você realmente deveria arranjar uma garota ou algo do tipo.

O menor nada respondeu e dando as costas, dirigiu-se até uma dos bancos da academia, sentando-se em seguida.

Gilbert Beilschmidt.

Gilbert é alto e seu porte atlético é resultado dos anos na academia. Seu cabelo são acinzentado e apesar de seus olhos serem azuis, ele usava lentes vermelhas. É alemão e estava na Inglaterra a trabalho. Ambos conheceram-se logo depois que o detetive entrou na academia.

Em um dia, quando o instrutor havia chamado todos para um treino, Arthur teve como parceiro, o alemão. Gilbert sempre foi conhecido por ser bastante convencido e gostava de treinar com novatos por diversão, porém com o loiro foi diferente e ambos levaram o treino muito a sério. O instrutor temendo algo pior os separou. Desde então, Gilbert estava sempre na cola de Arthur, provocando-o e o chamando para treinos. Hoje não foi diferente.

O detetive suspirou e pegando uma garrafa de água, sorveu um gole. Estava bastante ansioso com o caso e achou melhor voltar para casa. As palavras do seu amigo policial ainda ecoavam em sua cabeça. Finalmente iria chegar mais perto daquele filho da puta.

Tirou as luvas e as guardou junto com o resto de suas coisas. Levantou-se, indo em direção à porta. Ia sair, quando uma voz chamou sua atenção.

-Hey Kirkland, você vai sair agora, quando íamos começar a brincar? Isso tudo é medo que o “incrível eu” te nocauteie de vez?

Algumas pessoas riram da provocação. Todos ali já o conheciam e sabiam o quanto ele gostava de provocar os outros, principalmente Arthur.

O detetive virou-se, fuzilando o alemão com um olhar. Ele realmente gostaria de ir para casa, trabalhar e quem sabe fazer algum progresso naquele maldito caso, mas seu orgulho, misturado com um pouco de raiva, não deixavam que ele saísse de lá antes de pelo menos, acertar um gancho naquele bastardo.

Sorriu e caminhou até a arena. Definitivamente, hoje ele iria nocautear alguém.

Continua...

Notas finais
FIC PRONTA *fogos de artifício* É a primeira vez que escrevo nesse estilo “policial”. A ideia é que seja parecido, nem que seja um pouco @-@. Sobre o que o Kiku conversou com o Arthur, vocês saberão no próximo cap. =D Ah! Eu sei que o Gilbert TEM olhos vermelhos, mas é uma UA e pessoas normais não têm olhos vermelhos, então para ficar mais idêntico ao personagem, nada melhor que lentes, certo? Espero não ter deixado o Alfred e o Arthur muito OC. Tinha uma ideia de detetive e psicopata na cabeça e tentei juntar essa ideia a personalidade dos dois. Enfim... Espero que gostem n_n Reviews?