1921

Esme POV

Me despedi de meus primos, a despedida mais difícil da minha vida. Dei um beijinho nas bochechinhas de Carine e Carline e ia saindo quando Henrique e Aimée decidiram me levar à estação para garantir que eu embarcaria em segurança. Eu entro no vagão com lágrimas nos olhos, me sento perto da janela e vejo-os me acenando adeus. Aceno para eles e me esforço para sorrir. A locomotiva parte apitando ruidosamente; aceno a eles até não poder mais. Então me sento na poltrona, me recosto e choro como nunca chorei depois que o Dr.Cullen foi embora.

No dia seguinte, ao chegar em Ashland consigo uma vaga para lecionar na escola local até meu bebê nascer. Meu Collin. Esse nome é em homenagem ao Dr. Cullen. Como eu gostaria de revê-lo...

Algumas noites sonho que ele se casou comigo e adotou meu filho como se fosse dele e tivemos mais cinco.

...XXX...

Os meses passam e com eles se completa o tempo da minha gestação. Já estamos em outubro. Há poucos dias foi meu 26º aniversário. Hoje eu acordei me sentindo extremamente contente. Será que é hoje que meu filho vai nascer? Tenho um pressentimento de que sim.

As aulas do dia terminaram e eu estou sozinha em casa quando sinto uma enorme dor no baixo ventre de repente que endurece toda minha barriga. Eu estou completamente a sós, quando alguém bate na porta. Eu reconheceria essa voz até debaixo d’água – na verdade minha bolsa d’água se rompeu mesmo:

— Esme, sou eu Aimée. Você está aí?

— Aimée.

— E eu, Caroline.

— Caroline.

As duas reconhecem minha voz agoniada e entram sem esperar que eu abra. Estou deitada em minha cama aguardando enquanto as contrações ficam cada vez mais intensas. Aimée e Caroline se entreolham:

— Já fez um parto antes prima? – questiona Aimée.

— Não – responde a jovem Caroline. – Mas tudo na vida tem sempre a primeira vez.

— Nem eu. Mas eu já tive bebês e creio que posso ajudar.

— Caroline, veja se encontra panos limpos no guarda roupas. Vou preparar a água.

Por um instante as duas me deixam a sós com meu filho.

— Collin eu te amo – lembrei o nome de meu filhinho.

Aimée ouve da cozinha no cômodo ao lado e indaga:

— Collin? Mas Collin não é nome de menina?

— Não. Nome de menina é Collen; Collin é um nome irlandês e significa jovem – eu sabia por causa que uma amiga minha tinha um casal de primos que se chamavam Colin e Coleen. Meu nome, Esmée, é um nome francês, pois meus bisavós vieram da França. Nossa família tinha ascendência francesa. Por isso nossos nomes, das primas, eram Esme, Aimée e Aidée. Por eu ser a mais velha das primas, a que nasceu primeiro, tenho o nome como a minha avó, Esmée Anne. Lembro que meu bisavô se chamava René, mas não lembro como a bisavó se chamava.

— Ah!

Caroline volta com as roupas e senta ao meu lado na cama. Logo Aimée traz a água e diz para a prima:

— Fique com Esme e passe essa toalha na testa dela enquanto eu vou ficar aqui esperando o bebê nascer.

— Não vai demorar muito – eu digo e sinto outra contração – aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii

— Claro, claro! Ajude o bebê, faça força prima – ela me aconselha.

Meu rosto se contorce numa expressão de dor. Meu filho nasce. Quando eu ouço o chorinho dele, é a coisa mais linda do mundo, fico comovida.

— É um lindo menino – proclama minha prima.

— Seja bem-vindo Collin – complementa Carol.

Minhas primas deixam-nos a sós, mas ficam na casa. Collin realmente parece um anjinho olhando para mim com seus olhinhos castanho-dourados. Ele me lembra Caroline e também me lembra o Dr. Cullen.

...XXX...