Esme POV

Dois dias depois de seu nascimento, no dia 22 de outubro meu bebê começou a sentir febre. Coloquei minha mão sobre o seu rostinho e estava fervendo. A essa altura todos na pequena vila de Ashland já sabiam que meu bebê havia nascido e outra professora se encarregou da minha turma de alunos para que eu pudesse descansar. Eu fiquei alarmada de que meu anjinho estivesse doente, eu precisava fazer alguma coisa. A vila não tinha médico, mas havia uma senhora que era enfermeira aposentada que morava algumas milhas da minha casa.

Peguei meu pequeno Collin nos braços e decidi ir até a casa da mulher. Lá chegando ela abre a porta:

— Sim?! Esme, você por aqui! O que foi?

— Meu filho está com febre, eu estou desesperada e não sei o que fazer – digo aflita e afobada.

— Esme, calma, respire – eu fui até lá andando o mais rápido que eu podia. — Você não precisava ter vindo até aqui. Mandava alguém me chamar que eu iria até sua casa. Você não pode se esforçar muito, acabou de ter um bebê.

Pouco me importa o que acontecer comigo!

— Sra. Hidemann, me ajude!

— Entre querida, sente no sofá.

Ela senta a meu lado e também coloca a mão no rosto de meu filho:

— Nossa ele tem muita febre! Precisamos levá-lo para a cidade.

— A culpa é minha que ele nasceu fraco.

— Não querida. Não, é claro que não. Fique aqui em casa essa noite e amanhã cedo levamos seu filho ao médico na cidade.

— Vamos agora! – eu estava desesperada para salvar meu filho, eu sabia exatamente que cada minuto era precioso.

— Não podemos Esme querida!

— Por favor – não podia entender como ela não via a urgência. Salvar meu filho era tudo, eu faria tudo por ele.

— Meu filho saiu com a charrete. Lamento Esme, só amanhã – ela não estava sendo ruim apenas sendo sincera.

Eu queria sair dali correndo e buscar socorro, nada vai me impedir de salvar meu bebê. Não é a primeira vez que eu fujo para salvá-lo. Por ele faço tudo que estiver ao meu alcance.

Saio correndo com meu filho nos braços, eu vou chegar à cidade nem que seja a pé. Longe eu ouço a idosa gritar meu nome:

— Esme! Espere, podemos ir assim que ele voltar ainda hoje. Querida volte!

Caio ajoelhada no chão ao perceber que eu não seguro mais um bebê, mas uma pequena pedra de gelo.

— COLLIN! – meu grito é tão alto e agudo que me faz voltar àquele dia quando eu caí da árvore 10 anos atrás. Tive uma sensação de déjà vu – COLLIN!

Nesse momento uma charrete estaciona a meu lado e um homem desce e me estende a mão para me ajudar a levantar. É o Sr. Hidemann.

— Vamos para a cidade.

Agora eu vejo a senhora Hidemann me olhando sentada dentro do veículo.

— Esme, o que foi?

— Você estava atrás de mim e agora está aqui? Como veio tão rápido?

— Você está delirando querida.

Ela coloca a mão na minha testa.

— Você está ardendo em febre, Esme!

Eu tombo minha cabeça para trás e durmo enquanto a charrete faz sua longa viagem até a cidade. Pouco me importa como eu estou, o importante é salvar meu filho. Meu bebê.

...XXX...

— Chegamos – avisa-nos o rapaz.

— Vamos, querida!

Ela me pega pela mão:

— Sua mão está tão gelada Esme!

Assim que chegamos ao hospital o médico toma meu filho de mim e o desenrola da sua mantinha. Quando abre vê Collin todo azul e gelado. Eu fico totalmente desesperada:

— Esme, calma! – A mão da senhora pousa em meu ombro.

— NÃO! – caio de joelhos. – COLLIN, NÃO!

— O que houve com ele doutor? – pergunta a senhora.

— Pelo jeito, ele tinha problema no pulmão. Nasceu com uma grave deficiência pulmonar.

...Não ouvi mais nada pois comecei a chorar. Deus, não; porque você fez isso comigo? Porque? O que eu fiz? Eu mereço? Talvez, mas ele, meu filho não merecia morrer.

...XXX...

Não lembro como voltamos para casa aquela noite. Nem faço questão de me lembrar. A memória humana descartou a lembrança que agora fica difícil para eu resgatar como vampira.

No dia seguinte foi o enterro de meu pequeno príncipe. Meu anjinho. Ele viveu uma vida tão curta o pobrezinho... deve ter se tornado um pequeno anjinho no céu, com certeza. (Talvez esteja me vendo agora.) Ele era tão lindo. Jamais vou esquecer seus curiosos olhinhos castanhos a olhar para mim com devoção. Parece que sabendo exatamente quem eu era. Sua mãe. E pelo que eu havia passado para tê-lo em meus braços. E que eu faria qualquer coisa para protegê-lo.

Eu falhei, me perdoa filho... vou te amar para sempre.

...XXX...