American Dream

16 How You Remind Me


Katherine chegou na varanda e logo um garotinho de cabelos escuros, por volta dos seus quatro anos, saiu correndo, quase esbarrou na moça, mas continuou correndo, indo na direção da garagem que ficava ao lado da varanda. Em seguida, Jessie apareceu, saindo da casa e olhou para amiga. A texana tinha uma boa recordação naquela varanda. Foi onde beijou seu melhor amigo, Luke.

— Acho tão estranho vir aqui. — Dizia Katherine, sentando num banco.
— Eu me acostumei, todo ano eu venho, dou um olá para tia Rose. — Jessie permanecia em pé, dessa vez seus cabelos estavam curtos, na altura dos ombros.
— Sério? Achei que Nova York era uma correria sem fim. — Ela ria.
— E é, mas eu venho em datas alternadas todo ano, ou no natal, ou como hoje, dia de ação de graças. — é um feriado celebrado sobretudo nos Estados Unidos, observado como um dia de gratidão a Deus, com orações e festas, pelos bons acontecimentos ocorridos durante o ano.

Um vento forte soprou naquele instante, Katherine olhava as folhas caindo naquela tarde outono, abriu um sorriso e lembrou o quanto sua vida mudou em todos esses anos, então olhou para Jessie e fez um comentário.

— Eu ia viajar esse natal, férias de três semanas para a Inglaterra.
— Sério? E não vai por quê? Ah, por causa do atentado? — Jessie parecia angustiado ao se lembrar.
— Sim, está difícil até para nós sairmos do país.
— Dizem que as coisas irão mudar, nosso país irá mudar, esse ataque terrorista me deu um medo.
— Sim! E tô triste pelo Stevie, ia ser nossas primeiras férias em muito tempo.
— Quem diria que Steven Thompson se tornaria um astro da NBA. — Jessie ria.
— Ele mudou muito! — Katherine se incomodou um pouco com o comentário.
— Eu sei, eu sei. Mas depois de tudo que aconteceu, ele tomou jeito, na verdade, você o endireitou.
— Acho que a morte de Luke foi chocante para todos nós, até para ele. — Cat abaixou a cabeça por um segundo.
— Verdade. Bom, nos vemos no jantar?
— Claro! — Katherine se levantava.
— Até lá! — Jessie dava um beijo no rosto na amiga.

Logo desceu os dois degraus da varanda e foi andando na direção do carro estacionado na rua, olhou para o estacionamento onde viu o garotinho brincando com um carrinho de brinquedo.

— Luke, vamos! — Gritou a texana.
— Já vou, mamãe! — Respondeu o garotinho.

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O mês de outubro passou voando, logo novembro chegava, e com ela as provas do trimestre. Mas antes de contar sobre o mês impactante de novembro, devo pontuar alguns acontecimentos curiosos que aconteceram nas últimas quatro semanas em Forest Lake.

O trio dos descolados continuam mais unidos do que nunca. Continuavam saindo quase todos os dias, e sempre juntos nos intervalos principalmente, porém, nas últimas semanas, pararam de ir para a biblioteca e ficaram no campus, sob uma arvore, Luke sempre deitava no colo de Taylor e dormia enquanto ela fazia cafuné nas madeixas douradas do seu amor.

Jessie e Taylor se tornaram mais próximas uma da outra, tinham muito em comum é verdade, mas apesar de falarem sobre todo tipo de assunto possível, Luke era a única coisa que elas nunca conversavam, talvez pelo fato do rapaz sempre está presente, mesmo que dormindo em algumas ocasiões.

O trio mudou uma rotina, Luke levava as duas para casa desde que o squad foi formado, ele sempre levava Taylor primeiro e depois Jessie, pois a texana mais perto de sua casa, era uma viagem mais fácil e rápida, porém, desde o cinema com Taylor, ele começou a fazer o caminho mais logo e contramão. E também, desde então, fez Taylor ir ao seu lado no banco do carona. Jessie estranhou no início, ter que ir atrás e também, eles ficarem sozinhos por um tempo, mas, ela entendia, mesmo eles não comentando, ela sabia que os dois adoravam ficar sozinhos, mesmo que por pouco tempo.

Taylor no início morria de vergonha e medo do que Jessie acharia daquilo, mas como sua nova amiga nunca comentou nada, ela deixou para lá, assim como Luke pediu, já que foi ideia dele.

Ao contrário do que Jessie pensava, Taylor e Luke não faziam nada demais nos poucos minutos que ficavam sozinhos, conversavam sobre assuntos aleatórios, muito das vezes nem falavam nada, apenas trocavam olhares. E claro, ao se despedirem, trocavam um beijo suave e doce ao fim de cada despedida.

Jessie ia na casa do Luke duas vezes na semana, onde sua professora de Literatura, Rose Carter, ajudava a estudar por quase duas horas. A garota se formaria no fim do ano letivo, em maio, e precisava de ótimas notas para conseguir ir para uma ótima faculdade.

Luke, todos os dias da semana ia para casa da Chloe onde ela começou a ensinar a tocar violão, ele teve muitas dificuldades nas duas primeiras semanas, mas, ele estava obstinado a aprender e se dedicava ao máximo.

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Durante uma aula de literatura, a única onde o trio dos descolados faziam juntos, a professora Rose chamou por Luke, para ele responder uma pergunta, mas o jovem estava dormindo. Foi Taylor, que sentava atrás dele, o cutucou para acorda-lo.

— Hã? — Ele esfregava os olhos.
— A resposta, Senhor Carter. — A sala inteira olhou para Luke. — A Colônia da Pensilvânia foi fundada pelo colono Willian Penn a partir de uma doação de terras dada pelo rei Carlos II. Sobre essa colônia, o que o senhor pode me dizer?
— Bem... a sua sede era a cidade de Filadélfia, que ficou conhecida por uma intensa atividade comercial e por ter sido planejada urbanisticamente. Acho que é isso, professora.
— Correto. — Rose pareceu não gostar, mas não tinha o que fazer, não naquele momento.

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Durante aquele intervalo, na semana anterior as provas, Luke estava novamente deitado no colo de Taylor que fazia cafuné. Ele colocou seus óculos escuros, ajudava com a iluminação e para dormir. Jessie bebia suco enquanto conversava com sua amiga. Então, Chloe apareceu, em pé, diante do trio.

— Luke?? Ele está dormindo? — A rockeira estava com o cabelo preso, afinal, fazia muito calor naquele dia, mesmo sob a sombra da arvore.
— Acho que sim... — Taylor então abaixou o rosto e olhou para rapaz. — Luke?
— Oi? — Ele respondeu, parecia que estava de olhos fechados.
— Luke Carter, preciso te pedir um favor. — Dizia Chloe.
— Diga... — ele se levantou, mas continuou sentado entre as duas amigas.
— Meus irmãos, conseguiram um show grande em Stacy City nesse fim de semana. Eles pediram para te chamar.

Luke tinha ficado amigo dos irmãos de Chloe, James e Billie, mas conhecidos como Jimmy e Billy. Os garotos que juntos à mais um amigo, tinham uma banda de rock, os Oneders, sonhavam com o sonho americano de sair de Forest Lake e se tornarem famosos e ricos.

Quando Luke estava aprendendo a tocar violão, por duas vezes eles deram dicas ao rapaz e gostaram dele logo de cara, primeiro pelo gosto musical de Luke, segundo pelo estilo do rapaz, eles achavam que se Luke fosse talentoso, eles o convidariam para a banda, pois ele faria sucesso com as garotas, algo que Chloe concordou mas não gostou.

Então, o garoto de cabelos dourados olhou para sua amiga em pé, toda de preto mesmo naquele calor, até Luke se rendeu a temperatura que nem com sua jaqueta ele estava.

— Sério? Que incrível. Mas... quer me ajuda para o quê?
— Bem, eles irão para Stacy hoje a noite, para preparar o show de sábado, e amanhã ainda é sexta, tenho aula, as provas começam na semana que vem, então, você poderia me levar?

Luke sabia o quão fã de seus irmãos, Chloe era, o quanto ela via eles se dedicando e lutavam por esse sonho. Essa era a primeira vez que eles iriam fazer um grande show, era uma grande oportunidade para eles. Stacy ficava só a 14 km de Forest Lake, não era tão longe para ele leva-la, porém, tinha um pequeno probleminha.

— Eu te levo. — Ele dizia.
— Sério? — Abriu um enorme sorriso, Chloe.
— Sim, mas, Jessie e Taylor irão também.
— Claro, claro. — Chloe não parecia surpresa com isso. — Eu ligo para eles e aviso para colocarem os nomes dela na lista.
— Certo, então, amanhã combinamos certinho.
— Tá okay. Obrigado Luke! — Ela ia se afastando. — Jessie, Taylor. — Ela se despedia.
— Chloe. — As duas falavam juntas.
— Temos um show para ir! — Luke ria.
— Eu não vou. — Taylor já respondia.
— Acho que eu também não. — Jessie falava.
— Ei, porquê??? Vai ser divertido.
— Ér... mas eu tenho que estudar. — Taylor era muito simpática para dizer que ficou com ciúmes e por simplesmente não querer ir, não era um ambiente que ela gostava.
— Ah Tay, por favor, queria muito que tu fosse.
— Eu sei, mas, você sabe como é minha mãe, se em fim de semana ela fica na porta me esperando para chegar as dez da noite, imagina falar que vou para um show de Rock em outra cidade??

Luke ainda não conhecia dona Diane, mas sempre a via na porta de casa esperando Taylor. O rapaz não sabia, mas sua futura sogra gostava dele, pelo simples fato dele nunca ter atrasado em deixar sua filha em casa, e também, via a felicidade que Taylor estava no último mês, o rapaz fazia bem para sua filha. Porém, não deixaria que sua filha de quinze anos fosse para outra cidade curtir um show de rock

Ele então coçou a cabeça, olhou para Jessie. A formanda já tinha dezoito ano, feitos durante o verão. Essa teria permissão para ir, mas teria vontade?

— Você vai! — Luke falava enquanto apertou a coxa da amiga.
— Não sei, Lucky. Não estou com muita vontade.
— Ah qual é, você adora rock, e sei que não tem nada para fazer no sábado. O que custa? Eu te levo e te trago. Ainda cuido de ti, deixo você beber.
— Eu nem bebo tanto assim. — Jessie ria, sabia que falava mentira.
— Vai Jessie, alguém tem que ficar de olho nesse rapaz. — Dizia Taylor enquanto apertava o rosto de Luke, ele fazia um biquinho.
— Você não vai ficar chateada, amiga? — Jessie parecia preocupada no que Taylor acharia de tudo aquilo. Uma noite em outra cidade com Luke.
— Eu vou ficar é aliviada em saber que tu está com ele.
— Viu, vamos!!!! — Luke olhava para Jessie.
— Tá, eu vou!
— Yeah!

Taylor estava com ciúmes, mas no fim, confiava em Jessie, mesmo não sabendo do ocorrido de semanas atrás. As duas realmente eram amigas, e no fundo, ela se sentiria mais confortável de saber que ela estaria com ele.

Já Jessie não sabia o que pensar, ela não queria ir, mas mal sabia a texana que na madrugada de domingo, ela conheceria o amor de sua vida, a pessoa com quem ela passaria o resto de seus dias, a pessoa que faria ela superar a perda de Lucky, a pessoa com quem ela adotaria um bebê, dez anos depois da morte de seu amigo, Luke.