American Dream
17 Bohemian Rhapsody
Notas iniciais
Sexta-feira começou de um modo diferente para os alunos de Forest lake. Quando o sinal tocou e todo mundo estava saindo da escola, os alunos presenciaram algo diferente do habitual. Três carros de policia e o xerife estavam no local, junto com um caminhão com um guincho, e alguns repórteres locais.
No estacionamento da escola, o guincho ela colocado cuidadosamente em um dos carros estacionados no local. Uma fila imensa se formou para olhar. Acontecimentos assim são sempre bem comentados por semanas naquela cidade.
Steven Thompson falava com o xerife, afinal, era seu pai. Mas pela sua expressão não tinha conseguido nenhuma informação sobre de quem era aquele carro. Aliás, um lindo carro. Azul metálico com listras brancas nele, em ótimo estado para um carro antigo.
Chloe estava ao lado do trio dos descolados. Todos olhavam para aquela situação. Jessie mexia em seus longos cabelos, estava ventando muito, Luke estava entre Chloe e Taylor. A rockeira era a mais curiosa.
— Será de que aluno é esse carro? — Perguntou para o trio.
— De nenhum. — Respondeu Luke.
— Como não? — Continuou Chloe.
— Esse carro é um Shelby GT500, de 1967. Nenhum aluno teria esse carro. — As três olharam para o rapaz.
— Você entende mesmo de carro, hein. — Taylor sorria e estava impressionada.
— Como nenhum aluno poderia ter esse carro, ele é bonito até, mas não me parece muito caro. — Chloe continuava.
— Ele é um pouco caro sim, mas esse não é o problema. Esse carro é muito raro, eu duvido muito que algum aluno iria conseguir ter esse carro. — Luke não tirava os olhos do automóvel.
— E por que está aqui no estacionamento da escola? — Jessie quebrava o seu silêncio.
— Acho que é essa a investigação. — Dizia Taylor, tentando deduzir algo.
≈
No inicio da noite, Luke estava na casa de Chloe, assim como todos os dias há um mês, suas aulas de violão iam evoluindo aos poucos. Ele já conseguia tirar a introdução de uma música ou outra, não tinha como não dizer que o garoto estava se esforçando.
A rockeira que estava sentada na cama, apoiando seu queixo em sua mão fechada, olhava Luke dedilhar os dedos nas cordas de seu violão. Ele estava indo bem quando errou. O rapaz suspirou de frustração e a amiga ria da situação.
— Ei, relaxa, acontece. — Ela então pegava o violão da mão dos rapaz. — Você está um mês aprendendo e tá muito melhor de quando eu comecei.
Luke não dizia nada, apenas observava atentamente Chloe fazer com perfeição e suavidade o que ele tinha acabado de tentar. Eles ficaram mais quarenta minutos quando enfim terminaram as aulas particulares naquela semana.
— Empolgada pro show? — Dizia Luke, sentado perto da janela.
— Bastante! É o sonho dos meus irmãos, é uma oportunidade incrível. Eles me falaram que vão ter agentes de gravadoras lá, por isso a empolgação.
— Que ótimo, será um grande show. — Luke dizia abrindo um sorriso no canto da boca.
— Sua namorada não ficou chateada de não ir? — Chloe e seu jeito que parece deboche ao falar.
— Namorada? — Luke ria, mas no fundo pareceu ficar sem graça.
— Deixa de ser sonso, senhor Carter. — Chloe ria.
— Taylor não pode ir, mas se pudesse, acho que talvez ela não fosse.
— Ela é bem tímida mesmo. Ela deu sorte de se juntar à vocês, talvez, ela passaria o ano sem amigos. — Luke não disse nada, apenas olhava.
Quando perceberam, eram quase sete da noite, foi a mãe de Chloe perguntando se iriam querer jantar, Luke, educado como sempre, dispensou, mas agradeceu o convite. Ele falou que iria na loja de musica da cidade, estava afim de comprar um toca disco, queria comprar mais algumas fitas k7.
Chloe se interessou, quando se tratava de música ela adorava, porém, já tinha combinado de sair com Marcus, seria a primeira vez em muito tempo que eles sairiam juntos, só os dois, como um programa de casal. Que aliás, Chloe estava atrasada para se arrumar, mas era bem prática nisso, não era muito de se enfeitar toda, em trinta minutos já teria tomado seu banho e vestido sua roupa.
Já Luke, se despediu da amiga de infância e entrou em seu carro, que estava na garagem, só deu tempo de gritar para sua avó Mary que não jantaria em casa, e que chegaria tarde. Assim, foi direto para o centro da cidade, a loja fecharia as oito, não poderia demorar muito.
Estacionou em frente a loja, logo saiu do carro e entrou no lugar. Bateu um déjà vu no rapaz. Pois no primeiro fim de semana que chegou em definitivo em Forest Lake, ele tinha ido naquele lugar. E parecia que o mesmo homem que da outra vez encontrou ali, estava novamente no local, procurando algum disco.
No balcão, a garota oriental, estava com fones de ouvido, ouvindo algo em seu discman enquanto folheava alguma revista de moda, com muitos vestidos e roupas intimas nas páginas finais.
Luke andou pela loja e logo viu na vitrine um toca disco, era aquele que ele queria. Logo ele pegou, não era tão pesado como aparentava, ele caminhou até o balcão e botou. A garota parecia ter se assustado no início, estava bem distraída com sua música, ela retirou os fones e abriu um sorriso, se lembrou do rapaz.
— Olá, boa noite. — Ela sorria gentilmente.
— Boa noite. Quanto custa?
— Bom, custava 100 dólares quando meu pai trouxe para cá, mas está encalhado aí há meses, o pessoal agora só quer som com toca fitas. Então, por 60 dólares é seu.
Luke abriu a carteira, meio sem querer, a oriental olhou e viu que tinha bastante notas; Ele procurava mas parecia não ter notas de pequenos valores, então puxou uma de cem, pois parecia que todas eram do mesmo valor.
— Vou pegar mais coisa então... — Ele entregava a nota e então ia procurar algo.
Passou alguns minutos e então pegou alguns discos, dois do Bon Jovi, uma banda que tinha surgido a pouco tempo, Chloe adorava. Pegou um dos Beatles, um do solo do John Lennon. Aproveitou e pegou três fitas k7. Um do Led Zepplin, Red Hot Chili Peppers e The Police.
Botou tudo no balcão, a atendente foi passando um por um e então colocou tudo num sacola, estava um pouco pesada, mas Luke não teria dificuldades.
— Deu 88 dólares. — Ela dizia.
— Tudo bem, pode ficar com o troco.
— Ah, obrigada — Ela sorria. Luke sorriu, ele gostava do sorriso dela, pois parecia que ela fechava os olhos, por ser oriental.
— É por você ter me indicado aquele album do Queen, eu adorei. É meu preferido até então. — Ela fazia um cara de quem tentava lembrar, se lembrava de Luke, mas não do album.
— A Kind of magic. — Ele dizia sorrindo.
— Ahhh, você gostou? — Ela parecia feliz e surpresa.
— Sim, adorei!
— Que bom, então... espere um momento. — Ela então pegava seu discman, retirava a fita k7 que estava dentro, mexia em sua mochila que estava embaixo do balcão e colocava a fita na caixinha. — Pega. — Ela entregava ao rapaz que olhava.
— A night at the opera. — Ele arregalou os olhos — É do Queen! — Parecia feliz.
— Se você gostou de A Kind of Magic, esse album é meu favorito. Simplesmente tem minha música favorita da vida. É a penúltima do lado B.
— Nossa... mas, eu não posso aceitar então, você não tem outro desse? Eu compro. — Ele devolvia sem sucesso a fita.
— Não tem outro, esse álbum foi lançado há 11 anos, em 75, é raro, mas fique o tempo que quiser com ele. É bom que assim eu escuto outras coisas. — Ela ria, pois fazia tempo que a fita não saía de seu discman.
— Bem... obrigado. — Luke parecia sem graça. — Colocava a fita na sacola. — Tenha boa noite.
— Boa noite, Luke. — Ela sorria e colocava seus fones de ouvido, enquanto buscava uma nova fita para seu discman.
Luke ficou parado por um segundo e franziu a testa, tentava imaginar como ela sabia seu nome, em seguida, foi embora. Deixou a loja, colocou as bolsas no banco do passageiro, ligou seu carro. Buscou na sacola a fita que foi lhe dado e colocou para tocar.
Ele adianta a fita e aperta play. Luke então sentia seu coração acelerar, assim como seu carro pela longa avenida até sua casa. Aquela canção soaria pela sua cabeça pelo resto da vida. Sophia apresenta ao rapaz a música que foi considera a melhor música do mundo no fim do século XX.
Bohemia Rhapsody seria a música cantada e tocada a cappella no funeral de Luke em exatos 6 meses. O coral da escola, organizados por Chloe, iriam cantar sob uma forte chuva, essa música. Todos ali presente iriam se emocionar, menos Taylor, que não estava presente.
Fale com o autor