Ambiente Hostil

4 Passageiro Inesperado


Notas iniciais
Voltei! ^^ ♡ Ok, ok. Eu sei que eu tenho que justificar meu sumiço, e vocês merecem uma explicação, por serem leitores tão maravilhosos. ♡ Recentemente, eu tive um problema com minha conta bancária que quase me deixou mais pobre e miserável do que eu já sou. Portanto, não tive tempo de postar esse capítulo semana passada porque eu estava resolvendo esse probleminha. Não se preocupem, correu tudo bem. Espero que entendam, me perdoem e claro, aproveitem o capítulo. Ah, este é o penúltimo capítulo da história, então já sabem que o vem por aí são momentos decisivos, inquietantes e... tristes? Talvez.

Thierry e Kayla chegam ao local onde os outros estavam. A cena que viram era perturbadora. Tom estava morto com o abdômen perfurado e metade do rosto destroçado. Ninguém sabia explicar o que havia ocorrido ali, mas os astronautas perceberam que estavam correndo um grande perigo.

— Não deviam ter deixado o Tom sozinho. — disse Thierry para Susan e Antony.

— Nós não queríamos deixar. — Susan respondeu. — Ele que insistiu para explorar esta área sozinho.

— O que faremos agora, Thierry? — perguntou Kayla.

— Eu não sei, Neve, mas acredito que o ideal seja nos afastarmos daqui o quanto antes.

— Eu e o Pequeno Antony podemos ficar por aqui e tentar descobrir o que aconteceu com Tom. — Susan disse.

— Nem pensar! É perigoso demais.

— Vocês estão esquecendo de um detalhe importante. — Antony entrou na conversa. — Olhem bem para o Tom, vejam o estado dele. Com certeza isso não foi um acidente.

— O Pequeno Antony tem razão. — Kayla comentou. — Olhem a barriga e a face dele, elas foram perfuradas.

— Ou seja, não estamos sozinhos. — Thierry complementou. — Vamos voltar para os destroços, é mais seguro por lá.

— Espera! — Susan gritou. — Deixa eu ver se entendi, existe um alienígena assassino solto por aí?

— Provavelmente sim.

— Ah, ótimo! Acabei de perder o interesse nesta viagem. Por favor, me digam que já sabem como consertar a nave.

— A nave em si não tem mais conserto, Susan. Mas a Neve e eu já sabemos mais ou menos como retornar.

A atmosfera do planeta começa a ganhar uns tons de laranja em seu céu verde. A luz da estrela estava desaparecendo no horizonte.

— Está quase anoitecendo. — Kayla comentou.

— Ótimo. Estamos presos em um planeta com um alienígena assassino, e logo ficará escuro. — Susan disse, ansiosa.

— Acredito que não ficará tão escuro. A lua deste planeta é bem grande, a luz da estrela refletida nela deve ser forte. — Thierry disse, tentando acalmar Susan. — Ainda assim, é melhor voltarmos ao escombros. Enterrem o corpo de Tom.

*

Anoiteceu. Os quatro exploradores retornam para o local onde a nave havia caído. Kayla explica o plano de Thierry de usar o SIDRA para levá-los à Terra usando o que sobrou da sala de emergência.

— Thierry, isso é muito arriscado. — disse Antony.

— Foi o que eu disse a ele! — Kayla falou.

— Você tem alguma outra ideia, Antony? — perguntou Thierry.

— Na verdade, não.

— Então está decidido. Neve, vamos me passa o dispositivo SIDRA.

— Nós vamos reconstruir ele agora? — Kayla perguntou.

— Sim.

— Mas está muito escuro, Thierry! E eu estou exausta.

— Kayla tem razão, Thierry. — Antony disse. — É melhor dormirmos um pouco agora, depois nos preocupamos com a nave. Quando amanhecer, estaremos mais dispostos e não estará tão escuro.

— Você ainda não entendeu a gravidade da situação, Pequeno Antony? E se a coisa que matou Tom aparecer enquanto dormimos?

— Thierry tem razão. Estamos correndo perigo.

— Neve, está mesmo cansada? — perguntou Thierry.

— Muito.

— Tudo bem, pode ir dormir.

— Sério?

— Sim. Antony, também está dispensado. Vá descansar.

— Sim, senhor. Obrigado, Sr. Thierry.

— Susan, pode ficar acordada e me ajudar?

— Por mim, tudo bem. Mas já vou logo avisando que não sei nada de Engenharia Espacial.

— Tudo bem, você pode me ajudar me passando as ferramentas.

— Nossa, que ajuda.

— Ah, é uma ajuda importante. Se estivéssemos num hospital, você seria a enfermeira que passa o bisturi para a pessoa que está fazendo a cirurgia.

— Faz sentido.

— Muito bem. Kayla e Antony podem dormir, eu e Susan cuidaremos de reconstruir o dispositivo SIDRA danificado. Se algum alien aparecer, provavelmente faremos barulho e vocês acordarão.

*

Kayla e Antony encontram alguns colchões no meio dos escombros da espaçonave e dormem neles. Enquanto isso, Thierry analisava a situação do aparelho inventado por Bernard.

— E então, Thierry? Há esperanças ainda? — perguntou Susan.

— Na verdade, sim. Pelo visto, o dispositivo não foi tão afetado pela queda da Eagle. Ao que tudo indica, apenas algumas peças foram deslocadas de seus respectivos lugares.

— Então, não vai demorar para consertar?

— Acredito que não.

Thierry pega uma chave de fenda e começa a trabalhar no aparelho.

*

Enquanto isso, Antony enfrentava uma torrente de pensamento que lhes provocava uma grande insônia.

— Neve? Já dormiu?

— Não. — Kayla respondeu.

— Ah, eu achei que você estava com sono.

— E você, não estava?

— Eu estou.

— Então por que não dorme?

— Estava pensando.

— Pensando em quê?

— No Tom.

— Foi uma tragédia horrível mesmo.

— Ele foi morto pela arrogância dele. Ele quis ir sozinho, se mais alguém tivesse ido com ele, talvez ele estivesse vivo.

— É, verdade.

— Você acredita no destino, Kayla?

— Sinceramente, Pequeno Antony, eu nem sequer tenho um conceito formado para destino.

— Ele tinha que ir sozinho. Não importa quem fosse, se alguém pedisse para acompanhá-lo ele recusaria.

— Você acha que era o destino dele?

— Talvez.

— Ainda não caiu a ficha. Eu falei com ele poucos minutos antes de sua morte. Se eu soubesse que seria a última vez, teria abraçado-o. Tom era uma pessoa legal.

— É verdade. Era muito arrogante às vezes, de fato, mas era um grande amigo.

— Ele tinha família?

— Uma esposa e dois filhos.

— Sério? Tom era casado? E pai?

— Era.

— Sabe o que é pior nisso tudo?

— O quê?

— A família dele ainda espera sua volta.

*

Passam-se algumas horas. Thierry focava toda a sua atenção no serviço que estava fazendo no dispositivo SIDRA. Percebe que o aparelho começa a dar sinais de funcionalidade. "Acho que finalmente consegui", pensou. Tudo que precisava agora era esperar o sol nascer e usar a energia solar para ativar a máquina.

Susan se afastou um pouco de Thierry. Foi até a beira do rio, olhou seu reflexo na água, ressaltado pelo brilho da lua do planeta Kepler-22b.

Sua atenção aos poucos foi se afastando da realidade, quando algo lhe fez focar de novo na água. Susan jurava ter visto algo se movendo lá por baixo.

— Thierry! — gritou, assustada.

Thierry veio correndo.

— O que houve, Susan?

— Eu vi algo se mexendo. Tinha alguma coisa nadando.

Thierry analisou bem a água, e viu que as algas se moviam juntamente com o movimento do rio.

— Ilusão de ótica dos seus olhos, Susan. São apenas as algas seguindo os movimentos das águas.

— Não! Eu vi algo se movendo. Era... Sei lá... Um peixe enorme nadando.

— Susan! Você está nervosa. Está pensando demais no incidente com Tom.

— Não, Thierry! Eu vi uma criatura! Eu tenho certeza!

— Susan, calma!

Outro rastro de água passa perto da borda.

— Você viu agora?

Thierry se aproxima do rio.

— Thierry! Não se aproxime! É muito perigoso.

A criatura também vai se aproximando aos poucos da terra firme. Thierry pôde olhá-la de perto.

Susan, amedrontada, se afasta da borda.

A criatura, de repente, avança em cima dos dois.

— Susan, corra! — Thierry grita.

Kayla e Antony escutam os gritos de seus amigos e se levantavam para ver o que estava acontecendo.

Thierry corria, com dificuldades, enquanto o alienígena se movimentava bem mais rápido para perto dele. A criatura dá um salto enorme, caindo em cima das costas de Thierry. O astronauta tentava se libertar.

Kayla, ao ver aquilo, pega um dos destroços da nave e joga no alien, na tentativa de salvar o amigo. A criatura olha furiosa para ela e se aproxima dos três exploradores que assistiam à cena.

Susan e Antony saem correndo, enquanto Kayla continuava a jogar pedaços da nave para despistar o monstro. Não adianta, a criatura consegue saltar em cima da moça de braço mecânico, imobilizando-a no chão, tal qual fizera com Tom, horas antes e com Thierry, segundos atrás.

Neve, indefesa, podia ver a horrível face do alienígena agora. Tinha um rosto redondo, com um pescoço que dava continuidade ao tronco. A pele era viscosa e acinzentada. Os olhos eram enormes, redondos e com pupilas gigantes negras. A parte branca do olho ocupava uma pequena linha na borda. A boca era enorme e com dentes afiados, finos e gigantes. A face do alienígena lembrava muito o rosto de um peixe abissal da Terra.

A criatura abriu sua boca para atacar Kayla. A jovem exploradora lutava para se livrar das garras do alienígena. Nesse momento, lembrou da conversa que teve com Antony sobre destino. "É isso, eis o meu destino", pensou. Fechou os olhos, se preparando psicologicamente para a dor que sentiria quando aqueles dentes afiados fossem morder sua face. Ouviu um disparo, seguido de gritos angustiantes da criatura. Quando abriu os olhos, viu o alienígena saindo de cima dela e se contorcendo de dor ao seu lado. Se levantou e afastou-se do alien e quando olhou para trás viu Thierry com sua arma ainda fumaçando.

— Obrigada. — Susan agradeceu.

— Não agradeça ainda.

A criatura se levantava lentamente, enquanto os astronautas a observavam. O buraco feito pelo tiro dado por Thierry simplesmente se fecha instantaneamente.

— Ele se regenerou do disparo? — Antony perguntou, surpreso.

A criatura, embora furiosa com os humanos, corre de volta para o rio, nadando até as profundezas, de forma que não fosse mais possível avistá-la.

— Como ele se curou tão rápido? — Kayla questionou, curiosa.

— Os tecidos. — Thierry respondeu.

— O quê?

— Os tecidos. O alienígena possui tecidos com essa propriedade. Eles podem se regenerar.

— Mas como isso é possível?

— Provavelmente os tecidos da criatura são da mesma família orgânica que os vegetais.

— Como assim? — perguntou Antony. — Está dizendo que aquele bicho é um vegetal ambulante?

— Não. Ele não é feito de vegetal, os tecidos dele são da mesma família orgânica que os vegetais.

— E isso é possível? — Susan perguntou.

— Lógico que é! Nós, humanos, temos um órgão com essas mesmas características: o fígado. O fígado pode se reconstruir naturalmente após ser cortado em uma cirurgia ou doado. As células do fígado possuem uma grande semelhança às células vegetais. Talvez o alienígena tenha essas mesmas propriedades, só que não apenas em um órgão, mas em todo o corpo, e com um efeito bem mais acelerado.

— Ótimo! — disse Susan. — Vamos atualizar a situação? Estamos presos em um planeta distante, com um alienígena assassino solto por aí, que ainda por cima é imortal.

— Ele não é imortal, Susan, apenas se regenera facilmente. Ele só é difícil de matar, mas não é imortal.

— De todo jeito, estamos fritos. Thierry, por favor! Diga que poderemos voltar para casa logo.

— Acredito que o SIDRA da nave já pode operar normalmente, só precisamos da energia solar.

— Ou seja, precisamos esperar amanhecer. — Kayla disse.

*

Os quatro astronautas esperaram a luz solar de Kepler-22b ressurgir. Depois do ataque da criatura, não conseguiram dormir. Após longas 4 horas de espera, a luz laranja volta a enfeitar o horizonte verde.

— Ok. Está na hora. — disse Thierry, chamando a atenção da equipe.

Kayla posiciona o SIDRA em frente à sala de emergência onde eles ficariam, enquanto Thierry conectava o receptor de energia solar ao dispositivo e programava a localização para onde queria ser teletransportado: planeta Terra.

Um rastro de água volta a se mexer perto da terra firme. Thierry olha nervoso para o rio. Precisavam sair dali o quanto antes. Ativou o aparelho e correu para dentro da sala.

— Vai demorar muito? — Antony perguntou.

— Espero que não. — respondeu Thierry.

Os exploradores já estavam aliviados, sabendo que logo estariam de volta na Terra.

De repente, ouvem um enorme barulho no teto. Pareciam socos e arranhões. Era a criatura nativa do planeta, que atacava furiosamente a sala de emergência.

— Agora já era! — disse Antony, preocupado.

— Não se preocupem, essa criatura nunca vai arranhar o zircônio que envolve a sala. Eu só espero que ele não tente danificar o aparelho SIDRA.

O alienígena arranhava e golpeava o teto da sala de emergência, pois sabia que os astronautas estavam lá.

O SIDRA é ativado. O feixe de luz emitido por ele irrita o anfíbio. Quando ele pensava em atacar o aparelho, se assusta ao ver seu corpo sendo desintegrado, assim como a sala e os quatro exploradores.

Em poucos minutos, apenas os destroços da Eagle estavam naquele local.

*

Os quatro (ou melhor, os cinco) passageiros são teletransportados.

— Funcionou? — perguntou Susan.

— Não sei. — respondeu Thierry. — Vamos descobrir.

Thierry abre a porta da sala de emergência. Estava escuro, era noite. Percebeu que já se movia sem grandes dificuldades, olhou em volta e não viu as enormes ilhas rochosas, apenas algumas árvores muito familiares. Inicialmente, pensou estar em uma área florestal. Mudou de ideia quando olhou para longe e viu um enorme e extravagante prédio de apartamentos, com uma fachada que remetia construções antigas e portas e janelas em formato de arcos. O Edifício Dakota. Do lado, outro prédio de apartamentos, com aproximadamente 122 metros de altura, apresentando duas torres e o estilo arquitetônico Beaux-Arts. The San Remo. Logo, Thierry percebeu que haviam sido teletransportados para uma das maiores e mais conhecidas cidades do mundo.

Os outros membros da equipe saem da sala, e comemoram por verem que estavam em casa. Mas logo uma nova preocupação surge.

— E o alienígena? Será que ele foi teletransportado com a gente? — perguntou Kayla.

*

O Dr. Bernard Griffin estava em seu quarto na estação espacial Heavely Miracle, quando um de seus funcionários pediu que viesse até ele.

— O que vocês queriam? — perguntou Bernard.

— Senhor, achamos que o senhor precisava ver isso. — disse o funcionário.

— Isso o quê?

— Detectamos uma estranha assinatura de energia no planeta Terra.

— Sério?

— Sim, senhor Griffin. E mais, a assinatura é semelhante à do SIDRA.

— Tem certeza?

— Sim.

— Será que é a minha equipe de astronautas? Impossível, eles voltariam na Eagle, então provavelmente não se teletransportariam para a Terra.

— Deve ter acontecido alguma coisa, senhor.

— Onde foi localizada a assinatura?

— Central Park, Nova York.

Notas finais
Um bicho desses solto na Terra? Que desgraça! O que vocês fariam se vissem esse alien dando um passeio aí pela rua de suas casas? Espero que tenham gostado. ^^ ♡