Amargo Prazer
3 Cap. 3 - Eles Nunca Voltam
Notas iniciais
Obrigada pelos comentários, amei eles ^-^
Até lá embaixo ^^
Ahhh, e só tem mais o POV do Dimitri, então, até quarta no máximo eu devo estar postando cap. originais ;)
Damon estava no camarim falando conosco.
–Temos alguns clientes novos esta noite. É a despedida de solteiro de um cara e ele trouxe os amigos para comemorar. Então arrasem como nunca ok?
Todas nós acenamos e o mesmo saiu.
Sydney cutucou-me levemente.
–Bem, temos carne nova no pedaço. Eu já não aguentava mais aqueles riquinhos mimados. Eles acham que, só porque têm dinheiro, podem dar-nos tapas. A minha bunda fica toda vermelha!
Sua voz soou ofendida, mas seu sorriso denunciava completamente o contrário.
–Yeah. É exatamente por eles serem ricos que podem fazer isso, Sydney. E agora andem rápido. Não quero que Damon me obrigue a ir para o galinheiro novamente. Só de pensar naquilo me dá vontade de vomitar. — Jill disse, aproximando-se de nós e fazendo uma careta.
Acabamos de nos aprontar e, então, cada uma foi para seu respectivo palco.
O DJ nos anunciou, e começamos o pequeno show.
Uma música pulsante começou a tocar e dei início à dança quase que instantaneamente. Eu rebolava e jogava o cabelo para os lados, enquanto inúmeros homens gritavam e faziam gestos obscenos. Já havia me acostumado com essas situações, então nem dei importância.
Fui mais à frente do palco, ficando de joelhos e empinando o traseiro. Comecei a insinuar coisas eróticas para um loirinho de olhos verdes, sentado perto de onde me encontrava. Ele estava tão obcecado que só faltava babar em cima de mim.
Então, o mesmo depositou algumas notas em minha cita-liga, e eu retornei a mover-me e dançar para todos os clientes. Cheguei até um homem de olhos azuis e cabelo preto, mas, como ele não aparentava muito interesse, nem quis perder meu tempo. Provavelmente, esse era o tal noivo que Damon havia falado. Após isso, fui em direção a um cara de olhos castanhos e cabelo preto, que batia no ombro. Para ele, dancei mais provocativamente, pois, em geral, o rapaz era muito bonito.
Seus olhos seguiam a todos os meus movimentos atentamente. Ele não parecia muito impressionado, mas, em seu olhar, era evidente o desejo e a luxúria. Coloquei um dedo na boca e o desci pelo meu corpo, provocando-o. O mesmo acompanhou o movimento, e percebi quando mordeu a boca, a fim de controlar-se. Finalmente, ele retirou dinheiro da carteira e o colocou em meu decote. Eu já poderia sair e dançar para outros homens, mas havia algo que me compelia a ficar na sua frente dançando. Queria provocá-lo mais.
Eddie, o barman, aproximou-se do homem e colocou uma bebida à sua frente. Acho que ele nem percebeu. Mas eu, com certeza, reparei. Ainda mais porque ele olhou-me seriamente, avisando. Isso significava que Damon estava observando.
Dei um giro sensual e voltei a dançar para os outros homens que estavam em torno do meu palco. Mesmo assim, eu ainda não conseguia esquecer aqueles olhos que me fitavam intensamente. Tentei concentrar-me mais no que fazia, e não no fato de ele estar me encarando nesse exato momento.
Assim que o show terminou, voltei para o camarim e coloquei um robe por cima da lingerie que usava, voltando, novamente, para o interior da boate.
Alguns homens se aproximaram de mim, mas logo Damon vinha dizer-lhes o custo do programa os mesmos logo desistiam. Até que ele chegou, o cara da dança.
Damon sorriu para este e saiu. Bem, parece que o cara estava disposto a pagar o preço.
Segurei em sua mão e, assim que o fiz, senti uma corrente elétrica passar por todo o corpo. Ele também pareceu sentir, já que soltou-me na hora.
Olhei em seus olhos e, novamente, peguei sua mão. Ele era forte e mais alto do que eu, mas não enfrentei muitas dificuldades em levá-lo ao quarto.
Assim que chegamos, tirei o robe e empurrei-o na cama. Em seguida subi nele, já tentando tirar sua camiseta.
O mesmo segurou as minhas mãos, forçando-me a parar.
– O que? Você mesmo quer tirar?
Eu perguntei dando meu melhor sorriso.
– Não.
Sua voz tinha um sotaque diferente e, se eu estivesse com uma boa memória dos amigos do meu pai, acho que era russo.
–Hum, ok. Então eu mesma tiro.
Minhas mãos voltaram a trabalhar em sua blusa, mas só para serem novamente agarradas.
– Se não se importa eu preferia permanecer vestido.
Dei um sorriso maroto. Movi-me mais pra baixo e coloquei as mãos por cima de sua calça, desabotoando-a. Assim que a peça de roupa abriu, ele imediatamente moveu-se abaixo de mim.
Wow. Finalmente uma ação. Ao menos foi isso o que eu pensei antes do mesmo sentar-se na beirada da cama.
Olhei-o incrédula. Qual é? Esse homem era um dos poucos bonitos que vinham para o quarto comigo.
–Você não é gay, é?
Ele riu. O som saiu suave, mas, ao mesmo tempo, rouco. Eu gostei disso.
–Não. Eu só não curto esse negócio de transar por grana.
Poderia me ofender com sua colocação, mas era algo que já fazia parte do meu cotidiano.
–Sério?-eu perguntei- Você sabe o quanto está pagando para ficar apenas uma hora comigo, não é mesmo? Você só pode ser louco para desperdiçar tanto dinheiro.
–Na verdade, dinheiro não é problema. Eu só estava querendo uma companhia, enquanto meus amigos se divertiam. Mas isso não significa que deseje sexo.
Eu reprimi um impulso de revirar os olhos. Então, rolei na cama para sentar-me ao seu lado.
–Bom, há alguma coisa que deseje que eu faça? Pode ser tudo, exceto beijo na boca. Nada de beijos.
Ele olhou-me divertido.
–Certo. Valem tudo menos beijos. Entendi. – examinou-me por um momento. -Bem, se quiser fazer algo por mim, cubra-se com algo. Não é legal falar com uma mulher que está praticamente nua.
Ele era um cara estranho. Raro, eu diria.
Caminhei, aproximadamente, até a porta, pegando o meu robe, o qual estava caído no chão, e vestindo-o. Mesmo assim, ainda não era como se estivesse completamente coberta, já que a roupa era transparente. Mas já era alguma coisa.
–Você sempre faz isso?- virei-me e olhei em sua direção confusa, então o mesmo explicou-se melhor. -Agachar sensualmente para os homens olharem o seu belo bumbum.
Fui até a janela e abri. Uma brisa agradável fez meu cabelo voar sobre o ombro. A noite era linda e estava repleta de estrelas, o que era bem difícil de ocorrer em San Diego.
–Bom, é necessário você sempre estar provocando os homens. Mas, algumas vezes, eu faço isso sem nem perceber.
Ficamos em silêncio por algum tempo. Olhei o relógio da parede, e vi que ainda faltavam 40 minutos para que ele fosse embora. Não que eu quisesse o mesmo longe, mas estava começando a ficar incomodada pelo seu olhar.
–Quantos anos você tem?
Olhei para o homem, o qual me encarava.
–22. — disse honestamente.
Geralmente, eu mentia a minha idade, diminuindo-a. Isso era coisa do Damon, que pensa que os homens preferem mulheres mais novas.
–Hum, parece um pouco nova para esse tipo de trabalho.
O tom dele não foi acusatório, mas, mesmo assim, não gostei. De qualquer forma, dei nos ombros e falei simplesmente:
–Tenho mais de 18.
Houve mais silêncio, até que ele retornou a dizer.
–Qual seu nome real?
–Amanda._ disse automaticamente.
Ele se aproximou de mim, tocando meu ombro delicadamente. Virei-me totalmente, achando que o mesmo havia mudado de ideia. Mas não era isso.
–Adrian falou sério sobre vocês nunca citarem os verdadeiros nomes. Mas, de qualquer forma, sou Dimitri Belikov.
Ele estendeu-me a mão e eu a apertei.
– Há quanto tempo faz isso?
–Há algum tempo.
Dimitri aparentava ser um cara legal. Não estava aqui por sexo, como os outros homens. Parecia um rapaz muito gentil e educado. Mas havia algo, alguma coisa, que me compelia a olhá-lo, a ficar com o mesmo.
Nós começamos a conversar depois disso, mas somente perguntas impessoais eram feitas. Ao longo do diálogo, eu entendi o porquê dele querer companhia.
O mesmo me falava sobre o que fazia, quando uma batida na porta nos interrompeu.
–Desculpe Sr. Belikov, seu tempo esgotou. -Damon disso do outro lado.
Dimitri segurou uma de minhas mãos e beijou-a com delicadeza, enquanto olhava-me nos olhos. Ele não parecia muito animado com a ideia de partir. E nem eu estava.
–Eu prometo que volto Amanda. E obrigado pela companhia.
Então Dimitri saiu. Enquanto o mesmo andava pelo corredor iluminado por uma luz vermelha, Damon olhou entre nós por um tempo, mas, depois, foi embora.
Assim que a porta foi fechada eu tive a certeza de que nunca mais o veria. Eles nunca voltam. Geralmente, casam-se com mulheres decentes, têm filhos e tudo o que nos resta são memórias.
Às vezes até voltam para um programa, mas Dimitri não parecia ser esse tipo de cara.
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– Ele pareceu um cara legal. – Jill disse quando terminei de contá-las sobre Dimitri.
–Hello! Caras legais não vão a boates de stripper. — Meredith falou enquanto acendia um cigarro.
–Ei, Maria-fumaça, qual a parte que você não entendeu? Bom, eu acho que aquela em que a Rose diz que o cara não queria sexo.
–Bem. — ela expirou um pouco de fumaça — Todos os homens que vêm aqui querem a mesma coisa: despejar esperma. Provavelmente esse estava um pouco cansado. Eu não acharia estranho se voltasse aqui amanhã com uma desculpa esfarrapada.
Mas não foi isso que aconteceu no dia seguinte, nem no outro e nem no outro. Mas o bom era que, finalmente, havia chegado a segunda-feira.
A boate não abre no domingo, então sempre aproveitava a segunda, já que não estava cansada, para usufruir com a Carly, fazendo algo diferente.
– Vamos Carly. Estamos atrasadas. –gritei da sala.
–Espera tia. A Wanda não quer ir com a gente. – ela apareceu com uma cara de choro.
Wanda era a cachorrinha da Carly, ou melhor, a cadelinha que ela não tinha.
–Isso é um bom sinal, porque ela não existe. Você sabe disso. – meu pai disse.
–Pai. — disse censurando-o. – Ly, vamos logo. A Wanda não deve estar sentindo-se muito bem. Então iremos agora para depois resolvermos isso.
–Ou talvez a Wanda não exista. – meu pai voltou a dizer enquanto folhava o jornal.
Honestamente, ele está cada vez mais parecido com uma criança.
– Tem certeza de que não quer vir pai? Será legal. – eu disse ajeitando a roupa da Carly.
– O que? E perder todo o sarcasmo de Jay Leno? Não. Prefiro ficar em casa. Além do mais, não quero dar-lhes trabalho. Já basta depender de você para quase tudo. –completou a última parte com um pouco de dificuldade.
Eu iria negar, dizer-lhe que não dava trabalho algum, mas sabia que não funcionaria.
–Tudo bem. Tem comida pronta. É só colocar no micro-ondas e esquentar.
Peguei Carly no colo e sai em direção ao carro.
O trânsito estava praticamente deserto devido ao horário, então não demoramos a chegar ao nosso destino final.
O único problema foi que, devido ao atraso de Carly, estávamos atrasadas.
– Perdemos a apresentação do batatinha? – ela perguntou com os olhos marejados.
–Não, quer dizer, sim. Mas calma, terão outras apresentações. Acho que outros palhaços vão estar aí.
–Nenhum igual ao batatinha. – sua voz ficou chorosa.
– Vamos poder ver ele depois. Agora ande rápido, senão perderemos as outras também.
Carly começou a caminhar muito lentamente, então eu peguei-a no colo. Comprei duas entradas para o circo, entrando na gigantesca tenda, na qual já ocorria o espetáculo.
Eu não gostei muito. Circo, na verdade, nunca foi o meu passeio predileto quando criança. Mas, com certeza, era o de Carly. Ela ria toda hora, por qualquer palhaçada que acontecia. Nesse aspecto, ela havia puxado a mãe. Meg adorava ir ao circo e ficar rindo à toa. Carly, embora tenha herdado a maioria das características psicológicas da mãe, fisicamente não se parecia em nada com a mesma. Provavelmente, Carly puxara ao pai, este que nem ao menos sabemos quem é. Os olhos verdes e grandes não lembravam os castanhos de Meg e, muito menos, o cabelo loiro platinado que batia um pouco abaixo da cintura. O de Meg era castanho, mais claro que o meu, e eles eram cortados sempre no comprimento dos ombros.
– Com fome? – perguntei enquanto saíamos.
Ela simplesmente acenou, pois ainda ria um pouco.
Fomos até um restaurante e compramos comida para viajem. Depois disso, voltamos pra casa.
Ao chegar nesta, fiquei um tanto quanto surpresa e aterrorizada, tudo ao mesmo tempo. Mas fazer o que? Eu não contava que quando retornasse fosse me deparar com o meu pai desmaiado no chão da sala.
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