Amargo Prazer

2 Cap. 2 - Nunca Se Entregue!


Notas iniciais
AVISO: Hey, quem postar uma nova história agora, não terá que ver mais Marco Ferro lá. Eu avisei a Kori, a guria da moderação, do ERRO e passei os personagens certos, ai ela arrumou td :)
Obrigada por comentarem meninas, isso me motiva bastante. embora já ter leitoras fantasmas seja um problema, mas td bem :)
Mais um capítulo, espero q gostem ;)

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–Vamos logo, meninas! Vocês têm 10 minutos! – Damon gritou estrondosamente.

Syd revirou os olhos.

–Tenho certeza de que estaríamos prontas sem ele dar esses gritos exagerados.

–Rose, se importa em prender aqui para mim? –Dani falou segurando o top com uma das mãos.

Comecei a prender e, enquanto dava a primeira volta, ela me interrompeu.

–Não. Deixa frouxo. É mais fácil na hora de tirar.

Dei de ombros e afrouxei um pouco a peça.

–Pronto.

–Obrigada. –a mesma agradeceu, organizando o top sobre os seios e deixando à mostra apenas o suficiente.

–E então, vocês souberam da Carol? – Jill perguntou enquanto ajeitava uma peruca loira na cabeça.

–Sim. E eu ainda não acredito que aquela vaca nos deixou. –Syd disse rindo.

–Bom, pelo menos agora ela pertence a somente um homem, enquanto nós ficamos aqui com esses pervertidos. – eu ri sem humor algum.

Carol realizou o sonho e o anseio de qualquer garota de programa: sair desse mundo. Ela encontrou um cara que realmente gostava dela e que estava disposto a bancá-la.

– Vocês são surdas ou o que? Vamos! Já está na hora. – Damon disse da porta, com um olhar arrogante sobre a face.

Damon, esse era o homem com que eu teria pesadelos. Mas eu sei bem que o mesmo só finge ser assim. No fundo, ele era apenas um cafetão filho da puta e que tinha o prazer de mandar nas mulheres.

Enfim, seguimo-lo para fora do camarim. Cada uma foi até o seu palco para começar os respectivos trabalhos.

Eu me concentrava só na batida da música e deixava meu corpo solto para os movimentos. Tentava não me focar muito nos homens ali presentes, mas era complicado, pois a maioria ficava me secando com o olhar.

A dança terminou após alguns minutos e, então, fui fazer o que Damon sempre nos dizia: exibir-me.

Não demorou muito para que um homem com aproximadamente 40 anos se aproximasse de mim. Em um canto distante da boate, Damon fez sinal positivo com a cabeça. Este era um sinal, dizia que o homem possuía dinheiro.

Comecei a guiá-lo em direção ao quarto, mas, antes mesmo de chegarmos lá, ele já passava a mão pelo meu corpo.

E tudo ficou bem pior quando, enfim, chegamos ao cômodo.

–Geme mais alto, gostosa. – ele disse roçando a barba, ainda por fazer, em meu rosto, enquanto eu cavalgava por cima.

Então aumentei o ritmo e os gemidos, fingindo ao máximo que estava gostando.

–Isso. – o homem falava enquanto apertava suas mãos no meu quadril. Eu estava quase retirando as mesmas dali quando, finalmente, ele gozou. Isso pela segunda vez.

No mesmo instante, fingi que estava acontecendo o mesmo comigo. Fica mais fácil graças aos exercícios de pompoarismo.

O homem, que me pareceu ser um tanto mal-educado, também era preguiçoso. Não quis fazer nenhum esforço. Apenas deitou na cama e me falou o que fazer.

Após tudo isso, o mesmo foi até o banheiro se limpar e, quando voltou, deu-me um beijo no rosto.

–Você foi demais. Escolheu a profissão certa. – pagou e finalmente saiu.

Olhei no relógio e ainda faltavam 20 minutos para o próximo cliente chegar. Aproveitando esse pequeno intervalo, fui limpar-me e organizar as coisas para a “próxima rodada”.

O programa durava 1 hora e, quando passava disso, Damon aparecia. Era sempre assim: primeiro vinha o prazer – quase sempre só da parte do cliente – e depois os negócios. No geral, o programa não era muito barato, dependia muito do que o cliente pedia.

Damon já tinha sua própria tabela de preços, e todos que frequentavam a boate também possuíam conhecimento dela. Um programa completo custava 500 reais. E, mesmo assim, ainda havia muita gente que pagava. Raramente chegava um cliente de uma classe mais baixa. Geralmente, esses eram os que ficavam o mês inteiro juntando moedas. Também eram os quais dava mais valor, pois se esforçavam para estar comigo. Às vezes, ficava com um pouco de pena, mas também não podia ficar transando de graça por aí. Eu dependia do dinheiro que ganhava. Eu e a minha família.

Pensando nisso, escutei uma batida tímida na porta. Olhei ao redor, checando tudo, e dei uma última olhada no espelho. O cabelo estava bom, a boca e a pele cheirosas e a lingerie cobrindo só o necessário.

Abri a porta e Mikhail entrou.

–Como vai Amanda?

–Bem. E você Mikhail?

Ele foi até a cama e sentou na ponta.

–Ansioso pela próxima vez que te veria. Tentei vir aqui ontem, mas já havia esgotado o seu limite. – ele pausou e fez uma careta. — Mel não estava em seu melhor dia ontem.

Eu sorri. Mel era como Sydney era conhecida.

–Ela só não é muito a fim de conversas, prefere mais a sacanagem.

Ele sorriu e bateu na cama, chamando-me para sentar ao seu lado.

Então fiz isso, e o mesmo segurou a minha mão carinhosamente.

–E é por isso que eu prefiro você.

Mikhail era um dos meus clientes preferidos. Sempre que vinha, nos tratávamos como namorados. Ou, pelo menos, ele era o mais próximo disso que eu já tive. Era como sua psicóloga. O mesmo me contava os segredos mais íntimos e eu me limitava a ouvi-lo. Ele era um cara legal. Conhecia-o há dois anos, após sua esposa morrer em um acidente de carro. Raramente, quando o via, era para sexo, apenas um desabafo.

–Você não parece muito bem. O que houve? – ele segurou meu rosto.

–Nada. Simplesmente problemas pessoais.

Regra número 1 dessa vida: Jamais fale dos problemas e da vida pessoal para clientes. Não importa o quão próximos vocês sejam.

–Ok.

Nós conversamos um pouco mais, e então começou a putaria.

Mas com Mikhail foi diferente do que com o primeiro. Não ocorreram pedidos diferentes ou algo selvagem, só o bom e velho papai e mamãe.

Assim que terminamos, ele pagou e foi embora. Logo depois chegou outro cliente. No total da noite, tinha feito 5 programas.

Voltei para o camarim, esgotada física e psicologicamente.

–Finalmente acabou. – eu disse enquanto tirava toda a maquiagem do meu rosto.

–Pelo menos todos os seus estavam limpos. Damon me enfiou no galinheiro. Novamente. Sério, qualquer dia ainda enfiarei ele lá, só para ver o quanto é legal. – Jill falou nervosa.

Galinheiro era o inferno de qualquer garota de programa. Se vocês acham que na boate rola muita coisa pesada, deviam ver o que acontece por lá. Há de tudo, principalmente, gente velha e suja. E eu sabia que Damon só mandava Jill lá para que a mesma aprendesse a viver. Todas passaram por ele, somente para possuir o próprio quarto e, obviamente, mais segurança.

–Devia ficar mais calada, Jill. Você não quer que nenhum dos seus adorados clientes escute isso, não é mesmo?

Jill lançou um olhar cortante para ele, enquanto entregava um envelope branco com determinada quantia de dinheiro dentro. Gesto que eu e todas as outras meninas imitamos.

Era assim que funcionava. O programa custava, no máximo, 500 reais. E 40% sempre ficavam para Damon. O que eu achava um absurdo, mas não podia reclamar. Ele diz que tem que pagar a lavanderia e a segurança, coisa que nenhuma outra garota, as quais trabalhavam nas ruas, possuíam. Fora que ainda obtinha o lucro do movimento na boate.

–Ótimo. – ele dizia enquanto contava o dinheiro. — Movimento bom hoje, Rose. Continue assim.

Atrás de mim ouvi um resmungo.

– Meredith, eu diria o mesmo de você, mas como já lhe expliquei antes: nenhum homem gosta de transar com mulher que só sabe reclamar e fazer cara de nojo. Continue assim e logo a pequena Jill te substituirá.

Depois de falar mais um pouco, Damon se despediu e saiu do camarim.

– Chato. – Meredith disse irritada.

–Para esse aí, chato é apelido. E daqueles bem carinhosos. – Syd disse.

–Bom, eu não sei vocês, mas já vou indo. Não vejo a hora de deitar na minha cama. Quer uma carona Sydney? – disse acomodando meus pertences na bolsa.

–Claro, só pegarei minha bolsa e poderemos ir logo.

Acenei e fui esperar a Syd no estacionamento da garagem. Lá fora, o Sol já estava nascendo. Deveriam ser umas 06h30min da manhã.

Sydney apareceu quando eu já tinha entrado no carro. Primeiro a deixei em casa e depois fui para a minha.

Quando cheguei ao meu lar, tudo estava na mais perfeita ordem e normalidade.

Passei pelo meu pai que, como sempre, via um programa idiota na TV.

–Esse emprego vai acabar te matando. — ele disse sem olhar pra mim e como se resmungasse.

Era em momentos como esse que eu suspeitava que o mesmo soubesse da verdade. Mas preferia ignorar. Então, apenas disse um “bom dia”, não respondendo ao que ele disse, e fui para o meu quarto. No caminho, resolvi ver como Carly estava.
A porta se encontrava entreaberta e a luz ligada. A criança abraçava uma foto da Meg e minha.

Esta havia sido tirada 3 anos antes de tudo acontecer.

Devagar e com cuidado para não acordá-la, fui até a mesma e tirei a foto de suas mãos, deixando-a sobre o criado-mudo ao lado.

Desliguei as luzes e sai do quarto.

A primeira coisa que fiz foi tomar um banho bem relaxante e demorado para, depois, deitar na cama. Adormeci rapidamente. Esse era um dos típicos dias em que eu chegava exausta. A única coisa que não precisava ter, eram aqueles sonhos, ou melhor, pesadelo.

Mas, infelizmente, isto foi exatamente o que aconteceu.


Notas finais
Bom? Comentem que eu posto bem rapidinho, q está até um pouco... Diferente hehehe
E hey, eu agradeceria muito se não tivesse leitores fantasmas agora, Grata u_u
Bjs e até o próximo.