Amargo Prazer
11 Cap. 11 - Perda
Notas iniciais
Bem, eu nem vou me explicar sobre o quão chato, entediante e sem emoção o cap. tah, mas, leiam as notas finais q vão entender.
Té lá embaixo e espero que não me matem, porque honestamente, não ficou como eu queria.
P.S.: Acho q todo mundo acertou quanto ao q estava acontecendo ;)
P.S 2: Leitoras novas, sejam maaaaais do que bem-vindas viu? Em breve falo com vcs hehehehe
Eu tentei me recordar de ter visto alguns dos rostos presentes ali, mas era praticamente impossível se fazer isso em um momento daqueles. Minha mente parecia não trabalhar tão rápido quanto antes.
– Fale com ela, Richard. – ouvi alguém dizer atrás de mim em um quase sussurro no que parecia ser uma tentativa de discrição.
Eu senti uma mão tocar gentilmente em meu ombro e vi um homem de cabelos quase grisalhos sorrir gentilmente para mim. Lembrei-me de que o havia visto poucas vezes durante todo tempo em que eu era sua vizinha, então durante aquele estado de torpor, eu me senti ligeiramente surpresa quando ele soube meu nome.
– Rose, eu e minha esposa queremos que você e Carly saibam que podem contar conosco para o que precisarem. – ele apertou levemente meu ombro, enquanto ainda sorria gentil. Durante todo o dia as pessoas haviam sorrido e me tratado da mesma forma, até mesmo pessoas que eu havia visto tão poucas vezes que sequer me lembrava de seus nomes.
Vi sua mulher se aproximar, e assim como ele eu não me recordava muito bem de seu nome, mas sabia que ela tinha um filho e estava grávida do segundo.
– Foi realmente uma pena o que houve. – falou com pesar e olhou brevemente ao nosso redor. As pessoas começavam a se dispersar. Outras pareciam esperar o momento oportuno para vir falar comigo. Bem, agora, não existia momento oportuno – Eu me lembro como se fosse ontem de quando estivemos aqui enterrando sua irmã, uma garota muito gentil. – fez uma breve pausa e então me olhou como se houvesse se dado conta de algo — Qual era o nome dela mesmo? – perguntou.
Vi seu marido a cutucar e a olhar rapidamente.
– Megan. – eu respondi não me importando tanto com aquilo. Minha garganta estava seca e, quando eu falei seu nome em um fio de voz, senti como se todas aquelas lágrimas quisessem voltar novamente. Eu queria gritar e me sentar em algum lugar sozinha, sem olhares de pena sobre mim. Queria gritar e chorar por todos aqueles anos em que eu me sentia cansada de tudo, como se o peso de todas as responsabilidades estivesse sobre mim... Mas não, aqui estava eu, cercada por pessoas que pareciam ser gentis o suficiente para não fazerem muitas perguntas, mas que não pareciam se dar conta do quanto eu tinha culpa naquilo. Eu havia praticamente matado meu pai mesmo que sem saber disso exatamente eu havia assinado seu atestado de óbito quando resolvi trabalhar naquela boate. Mas eu sabia que de qualquer forma aquilo aconteceria. Sabia que precisava do dinheiro, no entanto, gostaria de ter estado ao seu lado naquele momento. Ao menos naquele momento para abraçá-lo e dizer o quanto eu o amava.
Observei a pedra lisa em forma de um quadrado que haviam acabado de colocar sobre a terra fofa. Enquanto lia o nome do meu pai lá eu desejei intimamente que alguém estivesse, nesse exato momento, tentando me acordar daquele pesadelo horrível que já durava tantos anos. Nada aconteceu.
– Bem, precisamos ir agora. – Richard falou colocando um braço ao redor se sua esposa – Se precisar de algo é só falar, Rose. – ele acenou com a cabeça mais uma vez para mim e eu assenti, ainda não confiando outra vez em minha voz. Eles começarem a caminhar para longe, lançando alguns olhares para trás enquanto isso, como se eu fosse alguém que precisava de ajuda. Era assim que eu me sentia, como se a qualquer momento fosse desabar naquela grama.
– Oh Rose, — braços me envolveram e eu tentei não me deixar fraquejar por ele. Já estava sendo muito difícil segurar as lágrimas. – Nós sentimos tanto, tanto.- Sydney me olhou ainda me segurando pelos ombros. – Mal acreditei quando Jill me ligou essa manhã para me contar sobre essa tragédia. – ela havia chorado, percebi pelos seus olhos vermelhos e levemente inchados.
Sydney foi empurrada para o lado e eu novamente fui abraçada, dessa vez pude reconhecer a massa de cabelos castanhos e encaracolados.
Jill me olhou com os olhos verdes marejados para logo em seguida me abraçar novamente.
– Sinto muito, Rose. – falou baixinho em meu ouvido antes de me soltar e ficar ao lado de Sydney.
– Onde está a pequena Lily? – Sydney perguntou, chamando-a pelo apelido de desde quando ela era um bebê.
– Uma vizinha se ofereceu para ficar com ela em casa. – respondi com a voz soando um pouco mais firme e fungando quando uma teimosa lágrima escorregou pela minha bochecha e eu a limpei. – Não acho que aqui seja um bom lugar para ela ficar.
– Entendemos. – Syd apertou minha mão entre as suas.
Clarice se aproximou ao lado de seu marido e me disse o quanto sentia pelo que havia acontecido, e novamente, eu ouvi sobre como eu poderia contar com qualquer ajuda deles.
Outras pessoas se aproximaram algumas que haviam trabalhado com meu pai, pessoas com quem eu havia estudo a alguns anos, parentes que eu nem me lembrava que ainda estavam vivos e outras pessoas que pareciam melancólicos pelo que havia acontecido, mas eu não me recordava muito bem delas. O padre que estivera durante todo o tempo oferecendo palavras de consolo foi o último que falou comigo, enfatizando sobre sua certeza de que meu pai estava em um lugar melhor agora...
Queria ter ficado um tempo sozinha ali, sem fazer nada exceto me lembrar do meu pai e da forma como ele sempre cuidou de mim. Desejei que pudesse ter estado ao seu lado, que tivesse tido a chance de me despedir e de lhe dizer como eu o achava o melhor do mundo. Gostaria de ter falado uma última vez com ele, mas o quê exatamente eu diria: 'me desculpe por não ser a filha que você sempre quis.'?
Eu realmente me sentia perdida, sem saber ao certo o que fazer. Era como se toda a dor que eu havia sentido quando Megan se fora voltasse agora e ainda mais forte. Mas eu sabia, como se um clarão estivesse em minha mente, que alguém ainda precisava de minha ajuda. Carly só tinha a mim. Eu tinha que ser forte por ela. Meu pai certamente se sairia melhor do que eu naquela situação. Era tinha uma coragem que eu nunca teria igual.
POV – Dimitri Belikov
– Senhor Belikov, eu já disse que-
– Me substitua, coloque Welles em meu lugar, ele não vai se importar. – falei andando rapidamente em direção ao elevador – Não posso ficar até mais tarde hoje, Alessandra, Janine vai entender.
– Não, ela não vai não! – seus olhos pareciam um pouco desesperados – O senhor sabe como aquela mulher me olha, sinto como se ela estivesse pronta para a qualquer momento apontar o dedo para mim e gritar que estou demitida.
Apertei o botão do elevador, pedindo a Deus que ele chegasse rápido o suficiente antes que Janine me visse ali e exigisse saber aonde eu iria para não comparecer a reunião.
– Ela não pode te demitir. – falei começando a ficar impaciente. Eu encarava as luzes do painel, esperando que finalmente chegasse.
– Eu posso ao menos te ligar se algo acontecer?
– Não. – falei pensando no quanto seria ruim se ela me ligasse naquele momento. Seria bom que eu me lembrasse de desligar até mesmo o aparelho. Virei-me para ela de forma que fiquei de costas para o elevador. Alessandra ainda parecia amedrontada – Não vai acontecer nada. Eu não vou comparecer a uma reunião, só isso. Aliás, duvido que muitos investidores venham. É sábado à noite, as pessoas tem mais o que fazer além de se trancar em uma sala para decidir sobre abrir novas empresas ou não.
A porta do elevador se abriu e eu me virei para entrar no mesmo quando quase bati de frente com Janine.
– Ah, é mesmo, Dimitri? – ela perguntou em um tom indiferente, mostrando que havia ouvido o que eu dissera – E o que poderia ser mais importante do que o seu futuro financeiro?
Ela tinha um olhar intimidador, mas Janine era alguém que eu já estava acostumado a lidar, então suas ameaças e frases implícitas já não me afetavam tanto.
– Tenho que ver uma amiga. – respondi devolvendo seu olhar– Espero que não se importe com minha ausência. Mas Alessandra – a puxei quando percebi que ela parecia ter congelado no lugar – estará lá e vai me colocar a par de tudo.
Contrariando todas as minhas expectativas Janine assentiu levemente com a cabeça.
– Tudo bem, bom encontro pra você. – falou começando a caminhar. Eu e minha secretária trocamos um olhar de dúvida. O que havia dado nela? Esse seria mais uma excelente oportunidade para ela falar algo sobre como deveríamos fazer sacrifícios se queríamos algo. Mas quando eu disse a ela que largaria uma reunião por uma amiga ela nem ao menos protestou, ao contrário, pareceu como se não se importasse. E até mesmo julgou ser um encontro.
– Acho melhor você ir antes que ela volte aqui e coma seu fígado. – Alessandra sussurrou e eu a olhei quando ela apenas deu de ombros.
Eu entrei no elevador, apertando repetidas vezes o botão que levava até a garagem. Batia sem parar meus dedos no painel.
Nem eu mesmo estava entendo minha impaciência para aquilo, eu só sabia que tinha que falar com ela o mais rápido possível. Não havia agido corretamente com Rose daquela vez e eu percebi aquilo somente quando sai do quarto. Queria ter podido voltar e me desculpar, principalmente dizer que a culpa não era dela se eu me sentia como se tivesse traído minha ex-mulher que havia morrido, mas eu apenas segui meu caminho para casa. Provavelmente nem teria me lembrado mais uma vez dela, mas sua imagem me perturbava sempre que eu estava sozinho e estranhamente o rosto dela e de Malory sempre lado a lado, como se fosse um lembrete de que eu nunca a esqueceria, mesmo ficando com outras mulheres.
Quando eu finalmente dei a partida no carro, esperando chegar o mais rápido possível a boate, eu só pensava em Rose e esperava que ela não me odiasse pelo que eu havia feito. Uma sensação de incomodo me tomou quando eu me lembrei inesperadamente de André. Não éramos assim tão amigos e pelo que eu sabia Rose não era sua namorada, mas eu deduzi que ele fosse odiar saber que eu estava pensando nela. Não apenas pensando, mas também imaginando como seria vê-la novamente. Uma coisa era certa: ficar com Rose foi a única coisa que me fez esquecer completamente Malory. Claro que ela havia voltado com força total, mas somente depois, quando Rose se referiu a primeira vez em que eu a havia visto e como se fosse um efeito daquela lembrança em me lembrei dela. Mas eu não me sentia daquele jeito há um bom tempo. Sentia-me calmo enquanto nenhum outro pensamento de culpa dominava minha mente.
Quando freei o carro esperando que alguns pedestres atravessassem a rua, foi que me dei conta de que eu só podia estar enlouquecendo por pensar tanto em alguém que eu havia acabado de conhecer.
Notas finais
Bem, vou sentir saudades de voces D: Mas é algo que pode valer a pena mais para frente...
Bjs minhas leitoras e leitores que tanto amo :)
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