Amargo Prazer

1 Cap. 1 - Eu Prometo a Você


Notas iniciais
Foi todo reformulado e betado.
Espero que gostem e comentem.

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–Prometa Rose. Prometa que irá cuidar dela. Você tem que fazer isso por mim.

Eu escutava Megan falando, mas não conseguia vê-la. Minha vontade era de gritar que eu faria o que pediu, que cuidaria dela a todo custo, que ninguém nunca a machucaria. Mas não conseguia. Minha voz se encontrava presa na garganta e eu estava completamente paralisada.

–Prometa-me, faça isso por mim. Não deixe que ninguém a machuque.

Tinha vontade de tranquilizá-la, ajudá-la no que estivesse ao meu alcance.

Deus, estava tão atordoada. Devia ter cuidado dela antes. Sua voz estava assustada, igual no dia em que a vi pela última vez. No dia em que a deixei morrer.

– Vamos, Rose. Prometa-me.

Eu olhava atônita ao meu redor, mas tudo o que conseguia ver era uma claridade muito forte, esta que estava me deixando cega. Não conseguia avistar Meg.

Devagar, bem lentamente, uma imagem começou a se formar em meio a toda aquela névoa branca. No começo, eu não sabia dizer bem o que era. Estava distante. Corri o mais depressa possível na curiosidade de vê-la. No entanto, quando cheguei lá, tudo o que encontrei foram olhos verdes, os quais já estava acostumada a ver.

Os olhos da pessoa por quem eu faria qualquer coisa, arriscar-me-ia em qualquer situação. Vi os olhos de Carly.

De repente, a imagem começou a sumir. E então, quase que instantaneamente, Meg retornou a gritar.

– Você disse que cuidaria dela! Você prometeu! Não deixe que a levem!

Mas era tarde demais. Carly já havia desaparecido.

–É tudo culpa sua! Por que fez isso?! Você tinha me prometido!

Ela continuava gritando. Fiquei atormentada e cobri os meus ouvidos com as mãos, na esperança que parasse de gritar, de me condenar. Eu já sabia que tudo tinha sido minha culpa.

E, como em todas as vezes que acontecia, eu acordei na minha cama, completamente suada. Olhei no relógio e ainda eram 8 horas da manhã, o que significava que eu não tinha dormido nem por uma hora.

Escutei um som abafado e não demorou muito para ouvir o barulho do choro de Carly.

Levantei-me rapidamente – em meio a tropeços – para que o choro não incomodasse meu pai e ele começasse a reclamar como sempre. Mas eu sabia que ele não tinha culpa, coitado. Todo e qualquer som deixava-o nervoso, ansioso e até mesmo um pouco chato. Ainda assim não me importava. Sabia que aquilo tudo era completamente minha culpa.

Enquanto caminhava em direção ao quarto de Carly, passei pelo meu pai deitado no sofá da sala. Ele olhou em minha direção com um pouco de esforço. Sabia como esse pequeno ato era torturante para o mesmo.

– Chegou tarde ontem, ou melhor, hoje.

Ele disse de forma singela, como se fosse uma coisa que acontecia normalmente, mas, na verdade, era natural sim. Apesar disso, foi o seu tom de voz que mais me chamou a atenção. Sua voz soou rouca, fraca. Ele estava piorando a cada dia, definhando diante dos meus olhos.

Desviei os olhos para a TV e, como sempre, respondi:

–Meu chefe pediu para ficar até mais tarde.

Não sabia se ele realmente acreditava em mim quando dizia isso, ou se apenas fingia que acreditava. De qualquer forma, apenas acenou e voltou sua atenção para um programa culinário da televisão. Pensei em perguntar se queria que eu mudasse o canal, mas não queria que se sentisse inútil. Então, eu simplesmente saí sem falar mais nada.

Assim que cheguei ao quarto de Carly, assustei-me um pouco. Ela abraçava seu próprio corpo e tremia compulsivamente. O cabelo loiro estava um pouco grudado no rosto, devido ao fato de estar chorando. Peguei-a e abracei, tentando fazer a mesma se acalmar.

Pesadelos. Outra vez.

–Ei, está tudo bem. Eu estou aqui com você Carly. Se acalme. – ficava dizendo enquanto segurava-a contra mim e balançava um pouco.

Após algum tempo, ela parou de chorar e ficou apenas me encarando com seus olhos verdes, estes que eu vivia comparando com duas esmeraldas.

– Sonhei com a mi. – falou carinhosa. – Ela estava me chamando, tia.

–Olha. — disse alisando seu longo cabelo — Ainda está cedo, não quer voltar a dormir?

Ela balançou a cabeça para os lados ainda um pouco assustada.

– Tudo bem. Então, o que acha de tomarmos um bom café-da-manhã?

Iria perguntar a respeito do sonho, mas pelo estado em que estava eu já sabia do que se tratava. Então resolvi apenas mudar de assunto.

Ela acenou.

–Ótimo. Bom, vamos escovar os dentes e colocar uma roupa bem bonita.

Estava me levantando da cama quando ela me segurou pelo braço.

– Promete que não vai me abandonar? –perguntou e as lágrimas voltaram a brotar em seus olhos.

–É claro que eu prometo. Ninguém nunca irá nos separar.

Essa era a promessa que eu tinha feito a Meg e eu a cumpriria, não importa como.

Ela me examinou por um tempo e então, após um longo suspiro, me soltou. Ajudei Carly a escovar os dentes, coloquei sua roupa e a deixei brincando.

Sai de seu quarto e fui pra cozinha. Lá, preparei algumas panquecas, suco de morango, mini-tortas de chocolate e outras coisas que ela gostava de comer.

– Essa menina vai acabar engordando de tanto comer. – ouvi meu pai dizendo enquanto eu tirava biscoitos do forno.

– Pai, você sabe que criança precisa se alimentar bem.

Ele resmungou algo incompreensível e sentou-se na cadeira do balcão da cozinha.

–Não sei para que isso, você mima demais ela. Vai acabar igual à Megan.

Olhei pra ele pronta pra rebater, mas sua aparência frágil e melancólica me impediu, assim como a chegada de Carly na cozinha.

– Bom dia vovô. – ela disse e se sentou na cadeira ao lado dele.

Abe apenas respondeu de má vontade e começou a comer uma panqueca.

Carly o encarou por mais um tempo até que, finalmente, também começou a comer.

Eu sabia que no fundo ele gostava da neta, mas os acontecimentos da vida faziam Abe ficar rabugento e reclamando de tudo.

Mas o que mais havia mexido com ele, com certeza, foi a morte da Meg, minha irmã e mãe da Carly.

Megan não era realmente minha irmã, ela tinha aparecido em nossa porta quando tinha 5 anos e meu pai a criou como se fosse uma filha. Mimava-a de tudo quanto é jeito, o que me deixava um pouco enciumada diversas vezes. Dava a entender que ela era sua favorita, e não duvido muito disso. Acho que um dos motivos era que ele possuía muito ódio da minha mãe, em decorrência dela tê-lo abandonado com a filha, para nunca mais voltar.

Megan resolveu sair de casa aos com 18 anos, quando eu tinha 16. Ela disse para o meu pai que iria estudar, mas voltou quase dois anos depois com uma filha de apenas três semanas nos braços. Abe ficou decepcionado, mas mesmo assim acolheu Meg. Três meses depois, ela morreu em um acidente de carro e, dali em diante, ele pirou. Ficava em casa o dia todo, saía apenas para trabalhar.

A doença, que piorou depois disso, fez meu pai abandonar o emprego e se aposentar. Nossa situação financeira ficou péssima. Tive que trancar minha matrícula na faculdade de biologia e começar a procurar um emprego logo em seguida.

E o óbvio aconteceu: ninguém oferecia emprego para uma pessoa sem experiência. Os poucos que empregavam possuíam uma remuneração muito baixa, não daria nem para pagar os remédios do meu pai.

Foi quando Sydney, uma amiga de infância, indicou-me um lugar onde o salário era alto e daria para manter a casa.

Eu só não esperava que fosse um lugar como aquele.


Notas finais
Espero que tenham gostado e comentem dizendo se devo ou não continuar ;)
Bjs ^-^