Amaranto Negro

4 Um epitáfio para os segredos


Nós somos mais fortes do que qualquer um.

Nós somos mais rápidos, mais duradouros, mais resistentes.

Mas não somos imortais.

Imortal: que não está sujeito à morte; não mortal. Do latim, immortalis.

Sim, nós podemos morrer. Com um tiro, uma facada, um acidente. Nossa sanidade não dura para sempre também, e essa é a maior falha da nossa espécie. Estamos mais sujeitos à loucura do que qualquer um.

Nascemos com sede. Todos os dias das nossas amargas vidas nós sentimos sede. A sede pode corromper. Mas não é sede de sangue, nem de morte, nem de qualquer coisa que relacione a vampirismo, mas de ser humano. A falta que estar vivo faz.

É por isso que a maioria perde a linha logo no inicio da transformação. Nesse período você tem que ter os objetivos bem claros ou as memórias te consomem. Você se deixa corromper pela visão de uma vida que já acabou.

Levi gargalhou. As sobrancelhas unidas, a marca de expressão entre elas bem eminente e o som de puro deboche que fazia o ambiente vibrar. Uma música grave e aguda, melódica e suavemente grotesca. Uma risada.

— Vá em frente — disse entre risos. — Me mate. É o que quero. Por Deus, — tomou fôlego — me mate.

Eren estagnou. Era um humano, de fato, patético. Um patético no bom sentido. Na verdade, um patético bem legal.

Essa loucura tem dois caminhos. Você pode se viciar na ilusão, assim como pode se negar a viver como algo que repudia.

Para entender isso, é preciso saber sobre algo básico a nosso respeito. Existe uma espécie de ciclo que acontece todo santo mês e tem a duração de três dias, ele se chama Ciclo Ambrosial. O primeiro dia: dia de Anunnaki. Significa “aquele que desceu dos céus” na extinta língua suméria. Os hebreus chamavam de nefilim ou elohim, e os egípcios denominavam neter. Assim, há três variações do nome desse dia, mas o mais comum é Anunnaki. Nessa data em específico, nós sentimos muito mais sede do que normalmente.

“Mas é claro que posso me controlar. Não sou nenhum novato”

Nós ficamos mais humanos, começando pelo comportamento mais imprevisível e pelas mudanças físicas. Nós sentimos ainda mais a dor de estar vivo.

Segundo dia: dia de Lâmia.

— Eu sou um mortal, Eren. Cedo ou tarde eu vou morrer. Em dez, quinze, vinte anos. Pode ser amanhã, semana que vem, ou hoje — ele falava contendo a risada. — A única coisa que posso fazer quanto a isso é esperar.

— Está pedindo para que eu te mate? — Jaeger, com uma pitada de incredulidade, sussurrou em seu ouvido, ainda tendo esperança de que ele tivesse um lado normal para lhe pedir o que queria que pedisse.

“Me deixe viver, eu faço qualquer coisa”. Apenas com essa simples combinação de palavras ele mandaria que se esquecesse de tudo aquilo.

Mas Levi não disse isso.

Talvez Levi Ackerman não tivesse lados normais.

— Não — sua voz alternou para o sério entediado. — Estou dizendo para fazer o que quiser. Porque independente da sua escolha de me matar ou não, eu vou morrer. O que importa os meios se o resultado não vai mudar?

Lâmia, na mitologia grega, era uma rainha da Líbia que se tornou um demônio devorador de crianças. Chamava-se também de lâmias um tipo de mostro, bruxa ou espírito que atacava jovens ou viajantes e lhes sugavam o sangue.

Sua pele áspera roçou no meu pescoço e então eu senti, com tudo que eu já almejara de desespero, a dor aguda de algo me perfurando. Depois, a dor parou. Eu conseguia sentir tudo: os caninos absurdamente longos e afiados se enterrando mais e mais na minha pele; sua língua e seus lábios trabalhando em conjunto para não deixar escapar nenhuma gotícula sangue — algo não tão bem sucedido, já que eu o sentia escorrendo pelas minhas costas; o ar feroz com que me devorava. Mas não doía. Só sentia um desconforto em ser sugado, mas nada exuberante.”

Basicamente, o dia em que precisamos nos alimentar. As pessoas mordidas no dia de Lâmia não são infectadas. A quantidade de sangue necessária para acalmar alguém da minha espécie é, no mínimo, meio litro. Mas se fôssemos estipular uma quantidade para que um de nós esteja completamente saciado, eu colocaria uma centena de corpos para cada um.

Nesse dia, nós nos tornamos praticamente humanos por 24 horas. Nossas características voltam completamente a nós. Em estado vampírico normal, alguém que tinha originariamente olhos castanhos, por exemplo, adquire um tom de musgo, quase como um castanho estragado. O azul vai para o cinza e olhos verdes, como os meus, ficam como folhas no outono. Amarelados. Doentes. No dia de Lâmia nós podemos experimentar novamente a sensação de sentir as emoções humanas, que são tão eufóricas para nós que se tornam imprevisíveis.

“A pele rosada e quase morena, a respiração ofegante e os olhos num verde que eu jamais presenciara. Era feroz, penoso e nostálgico. Humano. Seus fios castanhos pareciam mais brilhantes, a luz do sol que começava a surgir me mostrava... O quanto aquele não era o Eren que eu conhecia.”

Por fim, vem Strix, no último dia. Strix significa sobreviver no extremo do instinto. Esse é um dos termos mais óbvios, pois o último dia é o pior. Você entra em desespero, como se estivesse morrendo a cada movimento do sol. Isso porque você sabe que, no dia seguinte, quando acordar, a sensação de viver vai passar. E a dor de ter estado vivo pouco antes... Retorna como nunca.

— Se você apenas agisse como um humano comum... — Eren contornou o tronco de Levi, ficando de frente a ele. — Seria bem mais fácil te manter vivo.

— Se eu agisse como humano comum, não teria atraído um monstro.

Sua voz tremeu. Foi imperceptível até para ele mesmo, mas Eren sentiu.

Medo.

— O seu problema é ser humano demais.

É um ciclo interminável e doloroso. Como se a todo mês você fosse transformado de novo e de novo.

Com o Ciclo Ambrosial explicado, partamos para os caminhos da loucura: o vício e a negação.

O vício é algo bem simples de entender. Quando se perde a esperança e se cai na eterna solidão, qualquer fio de felicidade e humanidade é um manjar. Alguns vampiros — embora eu odeie esse termo, é o mais comum e entendível — simplesmente não suportam e querem sentir todo dia como se fosse o dia de Lâmia. Estes viram caçadores desenfreados, cada vez mais insaciáveis e sedentos. Como se o sangue fosse uma verdadeira droga.

E também há o oposto. Aqueles que não admitem sua natureza e que não conseguem simplesmente beber. Passe cinco dias de Lâmia sem se alimentar — isso se você resistir — e vire um renegado. A nossa aparência de quando estamos com fome se concretiza e viramos verdadeiros animais. O estado de negação é irreversível. Ao menos para vampiros comuns.

Pele como pedra. Rachaduras, caninos desesperadoramente afiados. A boca rasgada num sorriso predatório e os olhos completamente negros. Demônios. É o que nós somos. E é assim que ficamos com fome.

Era como se eles estivessem dançando algo muito estranho. Um tipo de dança onde um deles pensava que tinha tudo sob controle, mas se descobria louco num piscar de olhos. E o outro simplesmente tomava a frente, de maneira descompassada o arrastando pelos seus labirintos mentais. Era assim que Eren se sentia.

— Olha, se você for me matar tomando meu sangue todo e coisa e tal, posso comer alguma coisa antes? Certo alguém roubou boa parte do meu sangue e estou realmente tonto.

— Hã?! — Eren acabou soltando.

— Ótimo, agora frite um hambúrguer para mim enquanto eu preparo o pão e a salada.

Levi não mantinha foco nenhum. Ele não encobria pensamentos sobre Eren com outros, ele apenas pensava, sem deixar que aquilo o afetasse. Quando mais coisas lhe ocorriam sobre Eren Jaeger, mais ele se forçava a entender o sobrenatural. Ele se acostumava a conviver com aquela ideia pouco a pouco, sua mente entendendo pedacinho por pedacinho daquela realidade maluca. Como professor de exatas, ele estava tendo uma negação de tudo que aprendera na faculdade. “O mundo é baseado em cálculos. É quase como se os números fossem as moléculas das coisas”. Ele decidira ser professor por isso, era um dos poucos que conseguia ver os números, quase apalpá-los. E, pensando bem, essa é uma das coisas estranhas com Eren Jaeger. Levi não sabia quais eram os números dele, não tinha como ver. Nem calcular.

Bem, Levi achava que não tinha nenhuma lógica com ele e seu mundo. Isso era irritante. Realmente, uma coisa que poderia odiar dele. É como um professor de música que escuta algo sem harmonia alguma, é feio. Ofensivo. Irritante.

Eren, pasmo, terminou de fazer o que Levi havia o pedido e pôs a carne na mesa. Ele parou e olhou para o menor, ainda com uma grande expressão de “qual é o seu problema?” estampada no rosto.

— “Duas pessoas podem guardar um segredo se uma delas estiver morta” — Levi bufou — é isso mesmo? Só se o morto for você, porque até agora eu me sinto vivo. Aliás, é melhor você não se atrever a me matar, porque eu tenho um mundo de professores e alunos para atormentar ainda hoje daqui... — conferiu no relógio de parede da cozinha — A três horas.

— Levi...

— Não. Eren, pare de tentar me fazer sentir medo de você ou nunca mais querer te ver. Eu-não-sou-uma-criança. Nem mesmo um adulto convencional.

— Esse é o problema, você não é convencional!

— Você é realmente uma anta, Jaeger! — Levi explodiu meio que num grito baixo. — O senhorio aí vive andando atrás de mim como a droga de um cachorro e dizendo que me ama. É óbvio que não desperdiçou todo esse tempo comigo por motivo nenhum. Então para de ser uma besta quadrada e entenda que você não precisa me perder e nem eu a você, cara! — Levi suspirou e passageou as têmporas depois de despejar isso. Antes de dar abertura para o idiota falar, ele o pegou pelos ombros e o guiou até a saída. — De adulto para ad... Idoso, vai pra casa, respira, põe essa cabeça de merda no lugar. Quando você parar de palhaçada, volte. Tudo bem se decidir me matar, embora essa seja a atitude mais ridícula que você poderia ter. Mas antes espere ao menos que eu aplique a suspenção de Julian Hill e Jade Lion, aqueles filhas da puta merecem punição.

Depois de falar tanto, Eren já estava do lado de fora ainda com o mesmo olhar encarando Levi.

— É sério? — foi o que Jaeger se limitou a dizer.

Era cômico porque ele podia simplesmente discordar disso e matar Levi.

Era cômico porque um humano frágil estava mandando em suas atitudes.

E era cômico porque a criança de trinta e poucos anos estava sendo mais sábia do que o velho de algumas centenas.

— É, sim.

Levi pegou a maçaneta de metal e empurrou a porta como que para fechá-la. Mas, antes de executar o feito, Eren a segurou, apoiando-se no batente para colocar apenas o rosto entre a porta e onde se apoiava.

— Eu ainda te amo — disse com um tom que Levi nunca escutara antes de nenhuma pessoa.

— Conte uma novidade.

Nós, vampiros, não temos um governo, mas também não somos totalmente anarquistas. Nos dividimos em grupos, naturalmente, alguns são mais fortes que outros. Assim, cada um tem um representante. É um sistema tão fácil que poderia ser usado num desenho de criança. Os representantes entram em um consenso e nós os seguimos. Isso é por plena e completa vontade própria. Se você quiser ser apenas um vampiro independente vagando mundo afora, é completamente compreensível. Isso se você não trouxer problemas para nós.

Predadores e Renegados são problemas. E, como em toda sociedade e quase sociedade, há alguém encarregado do trabalho sujo: livrar os outros dos problemas.

É o que a nossa organização faz.

Mas as organizações... Não são necessariamente importantes agora.

Levi sentou-se à mesa observando o hambúrguer que ele e Eren haviam preparado. Esperou a sensação de ser observado terminar e olhou para trás. Por mais que tivesse certeza de que tudo que veria seria o matagal da colina onde sua casa ficava, iluminado por uma luz opaca do sol, ele não deixou de sentir uma pontada quando viu exatamente isso. Nenhum jovem estranho parado em frente a sua porta, e nem mesmo um par de olhos verdes brilhantes o encarando de alguma sombra.

Ele estava completamente sozinho. Como sempre.

***

Exatamente uma semana depois, numa sexta feita de tarde, Levi vociferava broncas para os alunos no vestiário masculino, os quais brincavam de alagar o banheiro e escorregarem nas toalhas.

— Vocês gostam de alagar o banheiro, seus pestes? Então vão ter as suas coisas alagadas também! — chutou uma das peças dos armários cinzas, que instantaneamente caiu, abrindo todas as portas e deixando as roupas dos alunos caírem na enorme poça de água que ainda estava no chão. — Vamos, brinquem de escorregar nas roupas de vocês! Ah, o quê?! Com as roupas vocês não brincam?!

— O-o meu pai vai processar você! — um aluno muito, muito corajoso (tanto que estava chorando) falou alto para Levi, apontando seu dedo para ele.

— Uh, mais um processo, que legal. Mas diga que é para ele processar, ou eu mesmo acabo com a raça dele, ouviu? Mas se for me processar, processe direito. Tire todos os meus bens, me faça ficar na merda para eu não poder revidar.

O diretor estalou o pescoço e se virou de costas. Assim ficou de frente para a vice-diretora e o professor de educação física, ambos o olhando assustados.

— Agora deixo eles com vocês — deu um sorriso de canto. — Garanto que vão se comportar.

Ele fazia o caminho de volta para a sua sala tentando acalmar sua dor de cabeça. Tinha tantos problemas para resolver que, durante o trabalho, era raro pensar em Eren Jaeger, mas aquela dor de cabeça tinha a ver com o dito cujo, e isso só fazia com que pensasse nele. Era culpa do idiota por não conseguir mais dormir de noite. As cenas daquele dia voltavam e voltavam na sua cabeça, sem intervalo (isso quando não tinha o que resolver do trabalho).

Havia sido difícil de manter naquela semana sem ingerir álcool, mas, por incrível que pareça, ele ficou apenas no seu bar em casa. Ele não saía para ficar bêbado por querer, com todas as forças, que Eren passasse um tempo longe e pensasse. Mas ele não imaginou que sentiria sua falta. Ele sequer imaginou que seu coração dispararia tanto quando escutou a voz estranhamente aguda, grave e rouca ecoar na sua sala límpida assim que entrou:

— Deu para escutar daqui o que disse para os alunos. E se você levar um processo de verdade?

Levi deu de ombros enquanto trancava a porta e virava de frente para Eren.

— Ele não tem como provar nada mesmo.

Seus olhos demoraram um pouco para acostumar com a pouca claridade que entrava entre as persianas da janela. Foi quando lhe ocorreu algo bem aleatório.

— Você queima no sol?

— Hm... Eu não queimo, mas... É como se a luz solar me sugasse, enfraquecesse aos poucos, até o ponto de eu não ter mais força nem de me manter de pé. Seria o que a completa ausência de luz faz com os humanos.

— Isso é legal, pelo menos você não brilha.

— Mas brilhar seria legal.

— Um pouco gay.

— Melhor do que queimar.

Levi assentiu, depois foi à sua própria mesa e sentou na parte de trás dela, de forma que seu pé podia se apoiar na cadeira, no espaço entre as pernas de Eren.

— Então, como estamos? — perguntou ao moreno-pálido.

Mas de perto dava para ver que o seu Eren tinha voltado. Controlado, elegante, superior. E doente.

— Eu... Ainda não sei — apoiou os cotovelos nos braços da cadeira e juntou as pontas dos dedos a frente de seu rosto. — Vim aqui para decidir isso, na verdade.

— E, por algum extremo acaso, minha opinião tem algo a ver com isso?

— Na verdade, não — confessou com um sorriso de canto. Eren levantou num só movimento, e em um vulto apoiou as mãos uma de cada lado do espaço onde Levi estava sentado. Encostou sua testa na dele. — Isso tem mais a ver com o que você quer e com o que sente. Ainda mais com o que sinto.

— O que isso quer dizer?

— Quer dizer que eu preciso saber se está disposto a levar isso até as últimas circunstancias.

— Isso o quê? — Levi se afastou para olhar nos olhos do outro.

— O meu segredo.

— Ah, não sei. Por que não deixa o seu número com a minha secretária e, quando eu tiver um tempo, eu te dou um retorno? É que, sabe, eu realmente não repeti nem um milhão de vezes que eu estou bem com a porra que você for e que eu não ligo para nada que tiver de faze...

Eren o calou o abraçando.

Levi estranhou. Como aqueles braços gélidos poderiam proporcionar um abraço caloroso daquele modo?

Então ele abraçou de volta.

— Fique — sussurrou contra o tecido de sua camisa.

— Eu sempre te disse que era só pedir.

Afastando-se lentamente, Eren se desvencilhou dos braços de Levi e colocou a mão em sua bochecha para lhe dar um beijo na testa. Antes que pudesse continuar qualquer coisa, eles escutaram uma batida na porta e uma voz abafada do outro lado:

— Senhor Ackerman, por que a porta está trancada?

“Eu apareço de noite” Levi escutou o sussurro deixado para trás antes de ver a janela aberta que deixava a brisa entrar. Um lampejo de sorriso passou pelo seu rosto, depois voltou à realidade e foi resolver os problemas pendentes.

Mas ele precisava permanecer naquela realidade entediante por apenas mais algumas horas. De noite ele voltaria para aquele mundo louco chamado Eren Jaeger. Um mundo que ele estava aprendendo a lutar para entrar.

***

Eren apareceu assim que o sol se pôs. Levi estava na escrivaninha em seu quarto, analisando alguns projetos da professora de artes e do professor de teatro. Eram interessantes, principalmente quando viu que a peça que o professor queria que fosse representada era “Sonho de uma noite de verão” de Shakespeare.

Ele suspirou quando a campainha tocou e teve de descer para abrir a porta para Eren.

— Vá para o meu quarto, eu tenho umas coisas para terminar por lá.

— Sim, professor.

Assim Eren acabou deitado na cama dando suas opiniões sobre os projetos dos professores.

— Essa ideia de fazer o cenário de papel crepom é realmente muito boa.

— Não é? — Jaeger se virou de lado, apoiando a cabeça na palma da mão — E agora que eu te ajudei com o trabalho, por que você não deita aqui?

— Tá bem.

Levi se jogou na cama. Suspirou e fechou os olhos, derrotado pelo dia. Olhou para o lado, onde sabia que encontraria Eren o encarando.

— Quando vai me contar? — a voz de Levi saiu assoprada.

— Quando você me disser o que quer saber.

— Aaaah, isso é mau — Levi revirou os olhos. — Se eu gostasse de jogo com palavras eu seria professor de idiomas.

Eren riu.

— Então, apenas por hoje, vamos esquecer isso. — Levi concordou. — Posso ver como está seu machucado?

— Aham — sua voz saiu arrastada de sono.

Afastou a gola da camisa, para que Eren visse a pele cicatrizando de forma rápida na curva do pescoço. De alguma forma, Jaeger pensara que seria pior. Quando estava para comentar isso, percebeu a respiração de Levi ficando profunda aos poucos, seu rosto relaxando e os dedos afrouxando na gola de sua camisa.

Eren pegou a mão que estava ali e a beijou. E então, beijou seu ombro e depois o maxilar, findando com um nos seus lábios.

Quando parou para encarar Levi, os olhos deste estavam entreabertos.

— Lamento, estou com sono.

— Tudo bem, pode dormir.

— Promete que... Vai estar aí quando eu acordar?

— Sim, eu prometo — Eren puxou-o para deitar em seu peito. —E obrigado.

— Por quê? — logo após de dizer isso, Levi bocejou.

— Por não querer me exorcizar logo de cara. Por me aceitar — beijou o topo de sua cabeça. — Eu te amo. Muito.

Mas Levi já estava dormindo.

"Não tenho razão

Não tenho vergonha

Não tenho família

Que eu possa culpar

Só não me deixe desaparecer

Vou te contar tudo, então

Diga-me o que você quer ouvir

Algo que agradará aos seus ouvidos

Cansado de todos as falsidades

Então vou entregar todos os meus segredos

Desta vez

Não preciso de uma mentira perfeita

Não importa se as críticas furam a fila

Eu vou revelar todos os meus segredos"

One Republic (Secrets)