EPÍLOGO

Os mundos colidiram.

Ou então foram apenas eles.

Tudo perdeu o equilíbrio.

Ou foi apenas ela.

Star sentia-se caído, como caia antes, sozinha e desesperada e só querendo que tudo fosse um sonho, que no fim fosse pega, embora quisesse mais do que tudo que fosse verdade — uma verdade bonita e maravilhosa e que a libertasse, mas a sua verdade era bonita e dolorida e no fim ela teria uma dor que não queria.

Um coração partido.

Uma vida perdida.

Uma queda sem fim.

Só que ela não caia.

Não agora, não naquele momento, não com ele a segurando.

Finalmente, alguma parte sua suspirou aliviada.

—Você está bem? — perguntou ele, suas mãos correndo pelo seu corpo, procurando por ferimentos e machucados e qualquer coisa que não fosse certo.

Star sentia-se tão bem. Como nunca esteve. E assentiu, as lágrimas pinicando nos seus olhos, a vida correndo por si e a leveza em todo seu corpo.

Livre.

Ela sabia o que era aquilo.

Livre.

Como nunca esteve.

Como nunca seria.

Ele segurou o rosto dela, admirando cada pequeno pedaço, e ela queria perguntar o que ele via, se ele via todos os seus defeitos e tudo que fez de ruim e tudo que queria que ele não soubesse que ela fez... que ele não soubesse quem era ela, porque ela sabia, Star sabia, que não havia nada de bonito para olhar.

Um pouco tarde para isso, pensou.

Ele a conhecia.

E ela a ele.

—Eu estou bem – disse.

Como nunca esteve.

Star levantou o seu dedo mindinho.

—Enquanto essa vida durar?

Ele enganchou seu próprio dedo no dela, puxando-a para si, seus corpos se atraindo como sempre se atraiam, encontrando-se e reencontrando-se quantas vezes fossem necessárias, e concordou:

—Enquanto essa vida durar.